Policial Sujo

28 Festival do Amor


Notas iniciais
Nossa que título bosta pra um capítulo tão perfeito ;u;

Um belíssimo dia na Central de Polícia Metropolitana Scotland Yard. Era quase horário de almoço, Trafalgar e Luffy passaram o dia todo se ignorando, apesar do mais velho odiar a situação. O garoto fingia não se importar, mas, desde a briga do dia anterior, a relação de ambos estava horrível. Nesse exato momento, sem nada a mais pra fazer, Law estava com os pés na mesa e falando com Penguin no celular.

“Hoje no horário do almoço você vem comigo pra cidade, ok?”

Por mais que eu não goste da situação... eu vou te ajudar com o engravatado. Eu não posso simplesmente te deixar escolher uma aliança chinfrim.”

“Ótimo, porque eu não entendo nada de jóias. Se eu comprasse ouro falso eu iria me odiar pro resto da vida.”

Tá, só me diz. Você sabe qual é o tamanho do dedo do engravatado?”

“Ahn... não.”

Então descobre... a aliança fica no dedo anelar, tá bom?”

“Disso eu sei.”

Da mão esquerda.”

“Eu sei, Penguin.”

O dedo anelar é aquele que fica do lado do mindinho.”

“Eu sei, caramba! Eu só não entendo de jóias, mas de dedo eu entendo.”

Ok, Senhor Entendedor-de-dedos.”

“Tchau.”

Ambos, tanto o médico como seu amigo ruivo, estavam combinando de se encontrarem à tarde para irem comprar alianças. Acontece que Trafalgar criou um plano em sua mente: acabaria de vez com a briga entre ele e seu amado e faria uma proposta irrecusável, depois de convidar Luffy para um festival japonês que ocorreria hoje à noite.

Depois de terminarem a conversa, estando sem nada para fazer, o médico respirou fundo e levantou-se de onde estava, indo até a sala de Luffy. Ficou nervoso por saber que, embora não admitisse, o garoto o estava ignorando. Mesmo assim, bateu na porta e adentrou à sala, encontrando o moreno em sua cadeira.

– Oi. – Disse Law.

– Oi. – Luffy respondeu, sem nem sequer olhar para ele. Estava ocupado demais fingindo ler alguns papéis, tudo para não ter que falar com Law.

– Posso... entrar?

– É importante? Eu tô meio ocupado agora.

– Luffy... – Law não se importa com o comentário, entra na sala e vai direto para onde o garoto está sentado, indo ao seu lado e ajoelhando no chão para ficar à sua altura. Luffy, em resposta, coloca os papéis em cima da mesa e fica o olhando. – Não tenta me ignorar.

– Eu não tô te ignorando, eu só tô meio ocupado agora.

– Então sobre o que eram os papéis que você tava lendo?

– Sobre coisas que você não precisa saber.

– Para de mentir pra mim, Luffy. Você ainda tá chateado comigo pelo lance de ontem?

– Não. Por que eu estaria?

– Porque dá pra ver nitidamente que você tá tentando me ignorar a manhã inteira.

– Impressão sua.

– Ah, é? Então prova que não se importa de verdade.

– Provar?

– Hoje à noite vai ter um festival japonês. Vem comigo.

– Ah, mas eu nã–

– Esquece toda essa história de Penguin, de eu ser um ex-assassino, do lance do “D”, do trabalho, esquece tudo! Hoje à noite eu só quero que você pense em nós dois.

– Nós dois? Mas a gente não tem nada sem ser por essas coisas que você falou.

– Você gosta de mim?

– Claro que eu gosto de você, mas–

– Então nós já temos alguma coisa. Eu só quero que você vá comigo pra nós termos um momento só nosso, sem problemas externos. É pedir muito?

– Você faz tanta questão assim disso?

– Claro que eu faço. Até porquê... – Law pega a mão de Luffy e dá um beijo nela. – Eu andei pensando, nós dois nunca tivemos um encontro. – E ele não larga a mão, fica fazendo carinho nela e analisando o tamanho dos dedos.

– Claro que nunca tivemos um encontro, nossa relação nunca precisou disso.

– Então vem comigo hoje. Me dá essa chance de te provar que eu posso ser uma boa pessoa pra você.

– Hm... – Luffy fica pensando por um bom tempo. – Tá bom, eu vou contigo. Acho que eu tenho um kimono em casa.

– Ótimo! Eu te pego às oito.

– Não é melhor eu ir te buscar? Você nem tem carro.

– Ah, eu arrumo um.

– Não faz nenhuma besteira ilegal, por favor...

– Relaxa, Luffy.

(…)

Um tempo se passou e já era hora do almoço. O garoto do chapéu de palha havia ido à casa de Boa Hancock e Law foi até o centro da cidade, encontrar-se com Penguin. Ficou o esperando em frente à uma joalheria conforme o ruivo havia dito que seria o ponto de encontro. Depois de alguns minutos de atraso, ele finalmente chegou.

– Oi, foi mal pela demora! – Penguin exclama, correndo em direção a Law.

– Até que enfim, hein. Eu já tô nervoso e você ainda atrasa as coisas, assim complica.

– Tá nervoso, Law-nii? Você gosta tanto assim desse engravatado?

– Eu não gosto, eu amo. Vem, vamos entrar.

Adentraram a joelharia e, por ter tantos anéis e jóias caras, a loja em si brilhava. Foram andando até o balcão, onde haviam centenas de peças de ouro, prata e diamante, além de um homem que as apresentava. Law estava nervoso pois aquele anel tinha um significado muito grande para si.

– Bem vindos! – O atendente exclama. – Em que posso ajudar?

– Nós estamos em busca de alianças de ouro dezoito quilates. – Penguin fala.

– Qual é o tamanho do dedo?

– Ahn... – Law fica pensando e vira-se para Penguin, encarando o ruivo. Em seguida, segura sua mão esquerda e a analisa bem profundamente. – O tamanho dele. – Responde para o atendente.

– H-H-Hein? – Penguin fica confuso e um pouco corado. – V-Você vai mesmo comprar a aliança pra mim, então? Awwwn! Eu sabia que você iria deixar esse lance de engravatado pra lá!

– Penguin, para de falar merda. – Law o interrompe. – É que eu não sei o tamanho do dedo do Luffy, vocês dois têm quase a mesma altura e a mão de vocês é parecida, então vai ter que ser assim.

– Você não mediu o dedo dele?!

– Claro que não! Se eu fizesse isso ele desconfiaria, eu quero que seja surpresa.

– Então... – O atendente volta a se posicionar, interrompendo a briga dos dois. – Posso medir seu dedo, senhor?

– Ahn, tá bom né.

O atendente faz o seu trabalho e mede o dedo anelar do ruivo, indo buscar uma série de alianças logo em seguida. Colocou todas no balcão, de frente para os dois rapazes, em um total de seis anéis diferentes, todas de ouro. Algumas tinham um risco de prata, outras, eram recheadas em diamantes e demais pedras. Algumas até mesmo tinham bordas detalhadas.

– Fiquem à vontade. – Ele disse.

– Nossa... – Law se espanta. – Eu não faço ideia de qual escolher...

– Uma aliança precisa combinar com a personalidade da pessoa. – Penguin explica. – Do que o Luffy gosta?

– Carne.

– Ok, eu não acho que existam alianças de carne.

– Ah, o Luffy não gosta de coisas muito chamativas e nem muito caras, mas eu quero dar alguma coisa especial a ele.

– Que tal essa? – O vendedor pegou uma aliança de ouro fosco com detalhes de dois filetes lisos ao seu redor, tudo banhado a ouro. – Chegou agora, com detalhes em diamante. É discreta e ao mesmo tempo planejada nos mínimos detalhes.

– Oh, ela é bonita. – Law diz. – O que você acha, Penguin?

– Eu acho que ainda dá tempo de você largar esse engravatado.

– Penguin...

– Tá bom, tá bom. Ela não é tão chamativa quanto as outras, mas tem muitos detalhes em ouro e diamante. É perfeita.

– Ótimo, eu vou levar duas.

– Eu vou embrulhá-las para o senhor. Quer gravar algum nome?

– Grava uma frase! – Penguin sugere. – Bota assim: “Você me jogou na prisão e roubou meu coração.”

– Penguin, cala boca. – Law dá um tapa na cabeça dele. – Você é pior que eu em romantismo, eu hein.

– Eu sou muito romântico, tá?

Um longo tempo se passou. Tanto Trafalgar como Penguin eram péssimos com frases românticas, então ficaram brigando por horas na joalheria afim de ver qual frase seria boa para colocar na aliança, mas acabaram chegando a lugar nenhum. O próprio joalheiro, cansado de ver toda aquela discussão, acabou sugerindo uma.

Assim, Trafalgar conseguiu comprar o que desejava. Anéis de ouro dezoito quilates com diamantes escrito em cada uma “O símbolo que nos unirá diante a tudo” com a marcação do infinito ao lado. Em seguida, os dois saíram da joalheria e só havia mais uma coisa a ser feita.

– Eu preciso que você me consiga uma limousine e um chofer. – Diz Law.

– Você não tá exagerando não?

– Eu quero que essa noite seja especial. Você pode fazer isso ou não?

– Relaxa, eu conheço vários chofer's!

– Não pode ser ex-presidiário ou que tenha fugido da prisão, sem antecedentes criminais, que tenha carteira de motorista, sendo que não pode estar vencida ou ser falsa, precisa saber dirigir sem ser em alta velocidade, que não seja treinado em perseguição, não pode ser ruiv–

– Ei, ei, ei, calma! Você acabou de excluir todas as pessoas que eu tinha pensado! Que coisa, essa vida de engravatado é muito complexa.

– Você consegue isso ou não?

– Relaxa, Law-nii, eu vou te ajudar. É pra isso que servem os amigos! Deixa tudo comigo.

(…)

A noite finalmente chegou! Estava belíssima, não muito fria e sem muitos ventos batendo em rostos alheios. As estrelas brilhavam com toda força no brando céu negro, iluminado por uma lua igualmente majestosa. Trafalgar Law, aquele momento, somente estava ansioso. Havia botado uma roupa japonesa e já estava no carro de luxo, indo em direção à casa de Luffy.

A limousine era bem grande e espaçosa, além de ter um verdadeiro frigobar incluso e um chofer. Ele, assim que estava perto de seu destino, mandou uma mensagem de texto para o garoto, que desceu de seu apartamento e ficou aguardando. Entretanto, assim que Law chegou com aquele carro bem na porta de Luffy, o menor não pode deixar de exclamar.

– Caramba! I-Isso é sério mesmo?

De dentro do grande carro, saiu um homem com gel no cabelo e terno de alta costura, com luva e tudo. Ele abriu a porta para Luffy e, assim que o garoto entrou, voltou a ir até o volante.

– Boa noite. – Law o cumprimentou, segurando um copo de sakê. – Gostou, Luffy?

– Não acredito... onde você arranjou uma limousine?!

– Não pergunte onde eu arrumei, eu só quero saber se você gostou. Hoje é a nossa noite, certo?

– E-Eu... não sei nem o que dizer. Não precisava de tudo isso.

– Você ainda não viu nada. – Ele diz, entregando um copo da bebida japonesa para o garoto. – Eu te disse, eu vou fazer nosso primeiro encontro ser inesquecível.

O chofer os guiou até o festival japonês que estava acontecendo na cidade. Era a primeira edição desde que fora fechado há aproximadamente quinze anos atrás e, por este motivo, a reinauguração estava a todo vapor. Não demorou muito para que Law e Luffy chegassem ao seu destino e logo viram, na entrada, todo espetáculo nipônico.

– Caramba...

O lugar era aberto e várias lanternas de papel iluminavam o local, deixando-o com uma cor alaranjada. Diversas barracas e tendas de comidas, jogos e atividades sobre a cultura japonesa em geral também estavam lá. O chão poderia ser de asfalto, mas próximo ali, colinas verdes onde amigos poderiam sentar-se juntos e apreciar os fogos eram comuns. Também haviam apresentações com grandes tambores.

– Tá mais cheio do que eu imaginei. – Law comenta, olhando tudo.

– Eu nem sabia que tinham festivais japoneses aqui. – Luffy responde.

– Antigamente tinha todo o ano, mas aí eles pararam de fazer, pelo que eu soube, e estão voltando agora. Eu vim aqui quando era adolescente.

– Eu nunca vim em um, mas pelo que eu vejo na TV tem muitas barracas de comida.

– É, tem mesmo. Vamos?

Os dois começaram a caminhar pelas ruas japonesas, observando as barracas. Tinham muitas crianças brincando, alguns jovens em grupos de amigos, outros adultos descendentes que aproveitavam sua cultura. Diversas pessoas ao redor e Law só conseguia olhar de relance para um garoto, que buscava comida com os seus olhos.

O mais novo fez questão de parar em todas as barracas e pegar todo tipo de alimento, com o pretexto de estar querendo conhecer mais a cultura japonesa, mas Law não se importava. Deixou o garoto comer à vontade pois sempre que o fazia, Luffy abria um enorme sorriso alegre que deixava o outro mais apaixonado ainda. Foram andando mais ainda, até acharem uma barraca de jogos.

– Olha lá! – Luffy exclamou, com os olhos brilhantes e indo até a barraca. – Tem peixes ali!

– Acho que esses peixes não são de comer, Luffy...

Ambos foram até a barraca que havia, na parte de trás, diversos brindes diferentes, alguns bem grandes e outros pequenos. Já do lado da frente, tinha uma grande bacia cheia d'água e alguns peixes dourados de brinquedo nadando, com uma vara de pescar ao lado. Também havia um homem que era dono da barraca e os explicou como funcionaria o jogo.

– O jogo funciona assim: custa dois euros e cada peixe tem um número na barriga. Quanto maior o número, maior é o valor do prêmio. Que tal?

– O que você acha, Torao? – Luffy perguntou. – Não é de comer, mas...

– Eu vou pegar o maior peixe e te dar o melhor prêmio que tiver. – Law afirma com convicção.

– O maior prêmio da noite é um enorme tigre de pelúcia! – O dono da barraca aponta para um tigre maior que Luffy todo feito de pelúcia.

– Ótimo, deixa tudo comigo!

Trafalgar Law agora estava focado. Encarou a bacia como encararia seu pior inimigo, e lançou a vara de pescar do mesmo jeito que sacaria uma arma de alto calibre. Queria, a todo custo, impressionar Luffy e conseguir o tigre de pelúcia, nem que para isso precisasse apostar sua própria vida. Começou a buscar pelos peixes e foi tentando pegá-los, até um deles morder a isca. O dono do jogo tirou o peixe da água e verificou o número em sua barriga.

– E aí? – Law pergunta. – Eu ganhei o tigre? É o maior número, né?

– Ih, filho... – Contudo o dono do jogo o olha com pesar. – Você tirou o número dois de um total de vinte.

– Hã? Isso é impossível! – O coitado fica perplexo e puxa o homem pela camisa. – Você tá de sacanagem comigo?

– T-Torao, fica calmo! – Mas Luffy o afasta do homem. – É só um jogo.

– Tsc, jogo roubado.

– Fica tranquilo! – O homem volta a exclamar. – Aqui, você ganhou um incrível... chaveiro!

– Tá brincando comigo? Você quer morrer?

– P-Para com isso, v-vamos em outra barraca! – Luffy puxou Trafalgar pelos braços e o impediu de cometer qualquer atrocidade contra o pobre homem que trabalhava com jogos.

Os dois rapazes foram andando pelo resto do festival, apreciando as demais atrações existentes. Acabaram encontrando uma espécie de tenda, onde alguns japoneses reuniram-se e sentaram-se no chão para fazer uma cerimônia do chá. Ambos foram e se sentaram junto aos outros, tirando seus sapatos.

– He youkoso. – Um dos japoneses que lá havia convidou-os para entrar. – Fiquem à vontade, nós estamos iniciando a cerimônia do chá agora.

– Brigado! – Luffy agradece e, tanto ele como Law, ficam ajoelhados no chão, imitando os demais. O senhor japonês colocou uma tigela na frente dos dois e serviu um pouco de chá verde bem quente.

– Até que é bom. – Law diz, ao provar o chá. – É bem diferente do usual.

– É muito bom! – Luffy confirma. – E as comidas daqui são ótimas também.

– Querem doces? – O japonês pergunta, entregando uma bandeja cheia de doces típicos, que faz com que os olhos do garoto brilhem.

– Wooow, eu quero!

– Eu sabia que você ia querer... – Murmura Law.

– Você quer também? – Luffy oferece, já com a maioria dentro da boca.

– Pode ficar, eu não gosto muito de doce. – Ele responde, mas logo põe um dedo no canto da boca do garoto, limpando. – Só tenta não se sujar muito...

– Kishishi, foi mal. – Luffy ri, mas continua comendo e se sujando.

– Eu adoro quando você sorri. – Comenta, com um ínfimo riso no rosto, observando o rosto do amado e caminhando seus dedos pela bochecha dele. – Eu te amo.

– É-Ér, b-bom... – Luffy acaba falhando a voz, ficando com as bochechas coradas e desviando o olhar. – V-Vamos à outra barraca? Os doces já acabaram mesmo...

– Tá bom, então. – Law se levanta junto com o outro. – Vamos ir à outro lugar.

– Você tem algum lugar em mente?

– Na verdade, sim. Vem comigo.

O médico segurou na mão do garoto corado e correu com ele, antes que Luffy tentasse soltar sua mão ou algo parecido. Foi o arrastando, sem dizer para onde ia, até o finalzinho do festival, onde eles saíram do meio da multidão e só havia verde. Diversas árvores ao longe, incluindo pequenas elevações de gramado, onde tinham vários jovens deitados com cangas, apreciando o luar.

Àquela hora da noite tudo já estava escuro. Os dois rapazes subiram até o alto do morro onde, lá de baixo, dava para ver nitidamente as luzes alaranjadas do festival e de relance, as pessoas que pareciam formigas. Ambos ficaram sentados na grama, debaixo da lua e das estrelas, somente observando a paisagem com o vento noturno batendo em seus cabelos.

– Nossa... – Luffy comenta, apreciando a vista. Law estava bem ao seu lado. – Aqui é muito bonito!

– Dá pra ver tudo daqui de cima. – Ele responde. Ambos estavam olhando para frente. – Tanto as estrelas, como todos os lugares que nós passamos juntos. Eu sempre quis te levar pra um lugar assim, só com nós dois, sem ninguém pra incomodar.

– Às vezes eu sinto falta de coisas assim. É legal estar em um lugar que dê pra ver tudo de uma vez, como se nós estivéssemos no topo odo mundo. É mais tranquilo aqui em cima.

– Se eu pudesse já teria fugido contigo pra tantos países... longe dessa gente chata e dos problemas irritantes.

– A maioria dos problemas causados por você.

– Pois é...

– Eu viajaria contigo pra alguns lugares, mas você não pode sair da Inglaterra. Ninguém mandou ter feito coisas erradas também.

– Eu não me importo de passar o resto da minha vida na Inglaterra, se você estiver aqui, Luffy.

– Mesmo assim, sei lá, eu gosto de viajar. Eu fui pra poucos lugares, mas quando eu era criança eu gostava de ver fotos de vários lugares diferentes e alguns tinham essa mesma vista. Tudo distante, como uma foto panorâmica.

– Mas agora não é só uma foto. – Law abraça a cintura de Luffy, aproximando-se mais dele. – Agora nós dois estamos aqui, juntos, vivendo isso. Essa é a diferença.

– Assim é melhor. – O garoto, por outro lado, deita seu rosto no ombro do médico. – Não seria a mesma coisa estar aqui sozinho. Brigado por me trazer pra cá.

– Obrigado por estar comigo.

Law vira seu rosto e fica olhando para o garoto. Luffy logo retribui o olhar e seus olhos se cruzam, seus rostos estavam bem próximos e em uma temperatura elevada. Ficaram naquele clima, com o vento batendo em seus cabelos e somente a lua os iluminando. As pessoas envolta não importavam, para os dois, naquele momento, apenas eles existiam. Estavam em um silêncio profundo, onde pareciam até mesmo conversar pela mente.

– Eu... – Até Luffy quebrar o silêncio. Estava completamente hipnotizado pelos olhos do outro àquele momento. – Ah, sei lá. – Mas acabou voltando a si e deitou no chão do gramado, olhando diretamente para o céu e deixando seu chapéu de lado por alguns minutos.

– Ficou cansado? – Law também realizou a mesma ação, deitando no chão. A diferença é que ele deitou virado para Luffy que, assim que percebeu, também virou de lado. Ambos agora estavam na mesma, olhando no fundo dos olhos um do outro, com a diferença de estarem estirados no chão.

– Não, cansado não. – Os rostos estavam praticamente há milímetros de distância. – Só fiquei com vontade de deitar.

– Sabia que eu prefiro muito mais ficar olhando pra você do que pro resto do mundo?

– N-Não fala essas coisas... – Luffy fica um pouco corado, mas não para de olhá-lo bem nos olhos.

– Por quê? É verdade. – E pra piorar, Law aproxima ainda mais seu rosto. – Eu não ligo pra nada, não ligo se me obrigarem a ficar só na Inglaterra, não ligo se me prenderem. Se eu puder ficar junto com você, então nada disso imp–

Debaixo de uma lua iluminada pelos astros, de centenas de estrelas impulsionando seu brilho pelo céu noturno, os dois jovens não se importavam com o fato de estarem deitados na grama, só pensavam em si. Luffy trouxe seu corpo mais para frente e fechou seus olhos, entregando seus lábios ao outro e o beijando, tomando suas palavras e as cortando.

Era um beijo lento, de saudades e de perdão. Ambos sentiram um aperto enorme em seus peitos ao se separarem, mas não emitiram um só som. Ficaram em silêncio profundo e de olhos fechados, até Trafalgar segurar a cintura do menor e voltar a beijá-lo. Dessa vez, em um ato mais íntimo. Um longo beijo, parecia que nunca iria terminar. E nenhum deles queria que de fato terminasse.

– Nossa... – Law disse, em voz baixa, quase sussurrante, assim que separou seus lábios do dele.

– O quê? – Luffy perguntou, com a mesma voz baixa.

– É incrível como só você consegue me deixar mais apaixonado ainda só com um beijo.

– B-Bom, melhor nós voltarmos pro festival antes que fique tarde! – Luffy se levanta com pressa, indo embora.

Mas Law o puxa de volta e o obriga a deitar de novo. Sem que percebesse, os dois já estavam trocando outro beijo. Luffy não era capaz de negar o ato estando com o corpo tão quente daquele jeito, mesmo diante à noite fria. Só se afastaram mesmo quando o ar tornou-se necessário, mas nem isso era sequer um impedimento real.

– Eu te amo. – O médico afirma. – Não adianta tentar fugir de mim, Luffy.

– Eu não tô fugindo...

– Claro que não. – Law levanta e pega o chapéu de palha do outro, colocando-o em sua cabeça. – Vamos?

– V-Vamos.

Levantaram-se de vez, voltando ao festival japonês. Depois de tudo que ocorreu enquanto estavam juntos, incluindo os beijos, Luffy inevitavelmente acabou ficando mais solto. Era como se a briga deles tivesse acabado, como se tivessem feito as pazes mesmo sem falar nada. Um enorme peso havia saído do peito de Law e ele pôde, enfim, se acalmar e aproveitar a noite.

Seguiram o passeio. O garoto pôde voltar a comer tudo o que encontrava pela frente e Law observava sua infantilidade, coisa que deixava Luffy fofo e irresistível em sua concepção. Contudo, o mais novo foi correndo tão rápido que até se perderam de vista, mas ele não percebeu. Acabou parando em uma barraca de origami.

– Oi! – Luffy cumprimentou o homem que estava fazendo origami. Era um senhor bem idoso, descendente de japonês. – O que é isso?

– Oh, fique à vontade, essa é a barraca de origami. Todos esses foram feitos por mim. – Ele mostra diversos papéis que, dobrados, formavam figuras. Todos coloridos, a maioria era de animais tais como borboletas, pássaros, patos e até mesmo um dragão vermelho.

– Wow, você que fez? Isso é incrível!

– Sim, desde a infância eu tenho um grande interesse por origami e a prática sempre mostra resultados. Você tem interesse?

– Na verdade eu não tenho muito contato com a cultura japonesa, esse é o primeiro festival que eu venho.

– Verdade? Oh, esse festival aqui é bem antigo, desde os meus trinta anos eu fico aqui no ponto do origami.

– Sério? E eu nem sabia que esse festival existia.

– Ele ficou sem funcionar por quinze anos graças a um problema, agora é a reinauguração. É normal você não conhecer.

– Por que ficou fechado por quinze anos? Aqui é tão legal...

– Um dia aconteceu um grande problema aqui. A polícia até começou a investigar, mas não conseguiram achar nada.

– Foi tão grave assim?

– Depois disso tivemos que fechar, mas... eu lembro perfeitamente daquele dia. Foram só dois garotos.

– Dois garotos?

Luffy! – Antes que a conversa dos dois continuasse, Trafalgar chegou correndo.

– Torao! – O garoto o cumprimenta.

– Poxa, o que deu em você? Eu te perdi completamente de vista!

– Sério? Eu achei que você tava me seguindo...

– Você nem notou minha falta?!

– Não, foi mal. Eu fiquei vendo os origamis.

– Origami? – Law fica olhando a barraca do idoso. – Ah, eu gosto disso.

– Você sabe fazer?

– Sei fazer só uma coisa. – Ele pega uma folha de papel amarelo no balcão e começa a fazer uma flor de origami. Ela tinha quatro pontas que abriam e Luffy ficou impressionado com o que o outro conseguiu fazer.

– Ah, que linda! Eu não sabia que você sabia fazer isso.

– Essa é a flor de Lily, ela significa paz de espírito. Quando você deseja proteção à uma pessoa especial você a entrega. Muitas pessoas usam em enterros também.

– Na casa do seu tio Adams... no túmulo “daquela pessoa” também tinha uma flor igual.

– Exatamente. Eu coloquei lá, mas provavelmente a Cindry deve ter reposto ao longo do tempo. Enfim... – Law se abaixa e prende a flor no kimono de Luffy. – Essa é pra você, a única pessoa que eu quero proteger.

– O-Obrigado. – Ele fica um pouco vermelho, mas abre um ínfimo sorriso.

– É um ato muito bonito o seu, garoto. – O idoso dono da barraca de origamis fala.

– É o mínimo que eu posso fazer pela pessoa que eu amo, certo?

– Uhn? – Contudo, assim que Law olhou para o idoso e os olhares se cruzaram, algo estranho aconteceu. – Eu já te vi antes?

– Ahn... acho que não, por quê?

– Não, não, eu tenho certeza que já te vi... qual é a sua idade, filho?

– Bom, eu... acho que o senhor está se confundindo.

– Você... não foi um dos garotos que–

– CARAMBA! – Luffy exclama. – Aquilo é Takoyaki? – E sai correndo.

– E-Ei, Luffy, volta aqui! – Law vai atrás dele, ignorando a presença do homem.

Por quanto Trafalgar corria em direção ao garoto esfomeado que não poderia deixar de experimentar todas as comidas do local, duas outras pessoas distintas também andavam pelo festival. Um deles era um moreno alto com longos cabelos negros, o outro, um ruivo de cabelos alaranjados com um “X” no queixo. Ambos estavam juntos, comendo Takoyaki.

– Sabe, eu não venho aqui desde que era adolescente, mas esse lugar não mudou em nada. – Drake comenta.

– Eu costumava vir aqui todo ano. – Kaidou responde. – Eu gosto da cultura japonesa, mas aí eles acabaram cancelando depois de uma tragédia que aconteceu.

– Você tava aqui no dia?

– Não, minha sobrinha tinha ficado doente naquele dia. E você?

– Eu? Eu tava aqui sim.

– Ah, então foi você...

– Hã? Claro que não! Que mania de ficar me culpando pelas tragédia que acontecem, Kaidou.

– Aham...

– Você ainda tá achando que fui eu?

– Não, claro que não.

– Que bom, porque não fui eu.

– Tá bom, tá bom.

– Mas eu sei quem foi.

– Sabe?

– Sim, foi–

LUFFY, VOLTA AQUI!

– Huh? – Kaidou e Drake murmuram juntos.

Ah não, Torao, eu quero mais Takoyaki!

Você já comeu demais, dá um tempo!

– Nunca é demais comer Takoyaki! – Luffy exclama, reclamando do outro não o deixar comer mais.

– Comer não é o problema, o problema é que você tá fugindo de mim toda hora! – Law resmunga, indo atrás dele.

– Hã? Eu não tô fugindo de você, o Torao é que anda muito devagar.

– Isso aqui é um festival japonês, não uma competição de corrida. – O médico já estava cansado de tanto correr atrás do menor esfomeado.

– Tá, foi ma... huh? – Enquanto Luffy estava andando, ele acaba pisando em um Takoyaki que estava jogado no chão. – AI MEU DEUS! Quem foi o monstro que jogou o Takoyaki no chão? Isso é inaceitável!

Luffy ficou totalmente estarrecido depois de ver uma comida que tanto gostava no chão, completamente desperdiçada. Acontece que o Takoyaki encontrado pertencia a Kaidou e Drake que, quando ouviram a voz dos outros dois rapazes, acabaram derrubando a comida no chão e correram para se esconder atrás de uma barraca.

– Q-Q-Que que eles estão fazendo aqui?! – O ruivo pergunta, acalmando sua adrenalina.

– Eu é que te pergunto! Você sabia que eles estariam aqui? – Kaidou diz, com o cenho franzido.

– Óbvio que não, se eu soubesse não teria te chamado.

– Tsc, eu deveria ter adivinhado que aceitar qualquer convite seu não seria uma boa ideia.

– Mas que coisa, eu não posso ter um minuto de férias? Por que eles vieram pra cá?!

– Não era você quem conhecia a agenda inteira do Law?

– Eu tenho cara de babá? – Drake pega seu celular e liga para uma certa mulher morena, com raiva. – Ei, Robin!

Olá, como vai?”

– Por que você não me contou que o Law viria pro festival japonês?!

Oh, você queria saber?”

– Claro que eu queria, eu te pago pra isso!

Eu não queria que você atrapalhasse o encontro dele.”

– Que mané atrapalhar, ele é quem tá atrapalhando as minhas férias.

Você tá aí no festival?”

– Sim, com o Kaidou.

Então aproveite, hoje a noite será especial.”

– Como assim?

Vai saber.” – Após dito isso, Robin desliga o celular.

– Que coisa, eu preciso arranjar alguém menos misteriosa. – O ruivo diz, reclamando.

– Ótimo, vamos embora daqui. – Kaidou responde, mas logo tem seu pedido negado.

– Sair? Não, vamos ficar.

– Ficar?! Ei, você tá querendo que eu espione o Law e o Luffy contigo?

– Sim, eu quero ver o que vai acontecer hoje. – Drake volta a pegar seu celular, mas dessa vez coloca no modo câmera. – Vamos filmar!

– Vai filmar o encontro deles? Pra quê?

– Eu sinto que a noite vai ser... interessante.

(…)

A noite estava em seu melhor ponto. Conforme ficava mais tarde, as atrações do grande festival japonês iam alterando-se um pouco. Para ser mais exato, essa é a hora em que os fogos de artifício acontecem, quando o céu fica iluminado com o fogo de várias cores distintas. Além disso, também era a hora que Trafalgar estava mais nervoso ainda.

O médico sentia seu coração apertar, mas precisava fazê-lo. Tanto ele como Luffy estavam caminhando pela rua do festival, contudo, dessa vez o moreno mais novo já não estava mais comendo, pois sua barriga milagrosamente ficou cheia. Além deles, diversas pessoas também estavam lá. O local se encontrava extremamente cheio.

– Luffy...

– Hm?

Law segura a mão do garoto e o faz vir em sua direção, até ambos ficarem parados, um de frente para o outro. Em seguida, ele entrelaça seus dedos no cabelo do moreno, sentindo suas madeixas macias e fica olhando bem no fundo dos olhos de Luffy, tendo total certeza do que estaria prestes a fazer àquele momento. O mais novo ficou um pouco confuso, mas também ficou olhando os olhos cinzentos e verdadeiros do outro.

– Eu sei que eu não fui a melhor pessoa do mundo pra você, sei também que eu fiz muita besteira no passado, mas eu quero te agradecer acima de tudo por estar comigo durante todo esse tempo. – Ele diz, segurando as duas mãos do garoto.

– Eu... – Luffy fica um pouco sem saber o que dizer, mas não para de olhá-lo nos olhos. – Fico feliz por você ter conseguido mudar e ter passado a ser alguém melhor.

– E tudo o que eu fiz foi pra ficar ao seu lado. Eu já percebi que não consigo ficar longe de você, e é por isso que...

A primeira sessão de fogos começou. Logo o céu iluminava as pessoas com raios de luzes coloridas, deixando todos ao seu redor encantados. Entretanto, outro momento impactante passava-se ali. Luffy sequer prestou atenção nos fogos de artifício, somente conseguia olhar para Law e seu peito doía de tão apertado. O médico, por outro lado, tomou uma iniciativa que ninguém esperava. Ele segurou apenas uma mão do garoto e se ajoelhou.

Naquele momento, o mais novo ficou em um estado hipnotizado. Não sabia porquê, somente não conseguia parar de olhar nos profundos e verdadeiros olhos do outro. Law estava ajoelhado à sua frente, diante à todas aquelas pessoas. Não tardiamente, acabou chamando mais atenção para si, do que para os fogos. Todas as crianças, adultos e idosos começaram a olhar perplexos e estasiados.

– I-Isso... – Kaidou, do outro lado, começou a chorar e usou um lenço para cobrir suas lágrimas. – E-Ele vai mesmo...

– Esse garoto... – Drake olhava perplexo. – Ele é idiota? Ele não vai fazer o que eu tô pensando, vai?

– Mamãe, por que aquele tio tá de joelhos? – Uma garotinha aleatória pergunta, observando a cena. – Ele tá rezando?

Já havia se criado um círculo de pessoas em volta dos rapazes, que tinham apenas o luar e os fogos os iluminando. Luffy estava nervoso, mas não conseguia fazer nada além de tremer os lábios. Law se preparou, pegou a caixinha com as alianças que havia comprado e as abriu, mostrando-as para o garoto, o qual parecia explodir devido as batidas aceleradas em seu coração. Não mais tardio, ele finalmente fez a pergunta, com certeza.

– Monkey D. Luffy, aceita se casar comigo?

Mães tamparam os olhos de seus filhos, grupos de amigos olhavam entusiasmados. Algumas pessoas mais sensíveis choravam, outras mulheres colocaram suas mãos na boca em modo de surpresa. Todas as pessoas em volta tinham reações diferentes, mas todos aguardavam uma só resposta. Em especial Law, que ansiava aquele momento.

Luffy não conseguia tirar seus olhos da pessoa à sua frente, somente se importava com aquelas palavras. Diante de toda aquela cena, da emoção vivida por tanto tempo, do passado recente que os dois tiveram juntos, da vida que criaram e que criariam ao longo dos anos; tudo o que ele poderia fazer era dar uma resposta definiva. A que todos aguardavam.

– Mas é CLARO QUE NÃO! De onde você tirou isso? Levanta daí, tem gente olhando!

– A-Ahn?

Law simplesmente não acreditou no que ouviu e ficou paralisado na mesma posição.

– O que deu em você? Você é completamente maluco! – Luffy dá às costas e começa a andar pra longe dali, ignorando a multidão de pessoas e o pobre e desolado médico. – Eu hein.

– E-E-Ei, v-v-volta aqui! – Contudo, Law segura o braço dele, ainda estando no chão, e o impede. – N-Não faz isso comigo!

– Eu? Você é quem tá fazendo isso consigo mesmo! – Luffy continua a andar, mesmo estando sendo segurado pelo outro que estava jogado no chão. – Me solta e para de fazer coisas estranhas!

– M-Mas e-eu te amo! C-Casa comigo, por favor, eu tô te implorando!

– NÃO! Desde quando você é tão sentimental assim?

– D-Desde que eu te conheci e não consigo mais ficar longe de você! Luffy, por favor, fica comigo!

– Eu não vou ficar contigo, muito menos me casar! De onde você tira essas ideias malucas, hein?

– N-Não é uma ideia maluca, e-eu tô falando muito sério! Olha! – Ele aponta pros anéis. – Eu até comprei alianças, duas iguaizinhas pra você e pra mim!

– Hã? Deixa eu ver isso aqui. – Luffy pega a caixinha da aliança das mãos dele. – Isso aqui é ouro! De onde você roubou?

– E-E-Eu não roubei! Eu comprei com o MEU dinheiro!

– Então cadê a nota fiscal?

– V-V-Você tá querendo a nota fiscal das alianças?! E-Ela tá lá na minha casa, vamos juntos pegar, por favor...

– Que casa? Você mora em um hotel! E eu tenho certeza que esse dinheiro é sujo. É sério que você achou que eu iria aceitar isso?

– M-Mas eu... e-eu... eu fiz tudo direitinho! Não fiz? Eu te trouxe pra uma noite romântica que nem nos filmes, custava dizer a porra do “sim”?!

– Ah, então você só trata bem as pessoas pra conseguir o que quer delas? Eu não sou obrigado a dizer “sim” só porque você pagou uma ou duas refeições pra mim!

– Olha aqui, não foram só uma ou duas, FORAM VÁRIAS! Eu te dou comida todos os dias, não é isso que você gosta? Eu te trato bem pra caralho e você tá totalmente quebrando o meu coração!

– Que coração? Você é um monstro! Eu nunca me casaria com alguém que só sabe mentir, fazer coisas erradas e tratar as outras pessoas como se não fossem nada!

– P-Poxa, pensa em tudo que eu já fiz pra você! Lembra quando eu tava na prisão e te fiz aquele presente super especial que você adorou?

– Ah, nossa, como eu ia esquecer! – Luffy começa a gritar. – Eu tava em casa e de repente aparece uma caixa cheia de CARNE EMBALADA EM UMA FRONHA ESTRANHA!

– I-Isso! Eu te enviei dez quilos de carne! N-Não foi o melhor pedido de namoro do mundo?!

– CLARO QUE NÃO! Aquele troço tava fedendo muito, você pois carne no correio sem nem estar congelada!

– M-Mas... mas... você disse que tinha gostado...

– Eu disse por educação, mas na verdade eu dei tudo pro Peter.

– VOCÊ DEU O MEU PRESENTE PRAQUELE CACHORRO FILHO DA PUTA?

– Óbvio! O que você queria que eu fizesse com aquilo?

– Q-Queria que você visse como uma prova de que mesmo estando longe um do outro, eu só conseguia pensar em você! T-Tenta ver pelo lado romântico da coisa!

– Para de tentar ser romântico, você fica PATÉTICO ASSIM!

– P-Pat... p-paté... v-você tá me chamando... d-de... EI, EU CANSEI DISSO! – Law tem um ataque de raiva e pega as alianças de volta, puxando a mão do garoto. – VOCÊ VAI CASAR COMIGO POR BEM OU POR MAL!

– Hã? Para com isso! – Law estava tentando colocar o anel em Luffy, mas o garoto tirava sua mão da frente. – Eu não vou me casar com você!

– V-Vai sim! Eu vou falsificar a sua assinatura nos papéis e nós dois SEREMOS UM LINDO CASAL.

– Um casal só se for na sua cabeça doente, eu não vou me casar e pronto!

– Por quê?!

– Porque não! Quantas vezes você quer que eu diga? Não, não, não e NÃO!

– Mas por que tantos nãos? O que eu preciso fazer pra você continuar comigo? Eu não aguento mais ficar longe de você, eu preciso logo ouvir você dizer que quer ficar comigo, se não eu não vou mais conseguir viver!

– Para com isso! Você vive muito bem sem mim.

– Não vivo! Eu só consigo pensar em você!

– Se só consegue pensar em mim então por que ficou com aquele cara?

– Han? E-Ei, espera aí!

Luffy estava de costas para o médico e com os cenhos franzidos, andando rápido e querendo sair daquele local o mais breve possível. Contudo, Trafalgar Law, que não desistiria de fazer o pedido por nada no mundo, puxou seu braço e o fez se virar, de frente para ele. Os dois, mais uma vez, estavam se encarando. O garoto estava com um semblante de raiva.

– Por que você me puxou? – Luffy pergunta, sem paciência.

– Isso tudo que você disse agora... é só por ciúmes do Penguin?

– Claro que não, para com esse lance de achar que eu tô com ciúmes! Eu disse aquilo tudo porque eu não quero me casar com você. Uma coisa não tem nada a ver com a out–

A voz de Luffy foi cessada quando o médico segura sua nuca e o aproxima, dando-lhe um beijo lento e calmo, sentindo devagar todos os pontos da boca do garoto e sua língua macia, explorando-a por completo. O rosto do moreno do chapéu de palha estava quente e ele tentava se afastar, sem ter forças para o mesmo. Contudo, assim que se separaram, ele virou seu rosto.

– Não faz isso... – E limpou seus lábios com a mão. – Eu nã–

Mais uma vez, a mesma ação de outrora. O beijo deles havia ficado mais intenso e Luffy nem dava-se ao trabalho de tentar fugir. A mesma multidão ainda estava envolta dos dois rapazes, querendo saber o desfecho daquilo tudo. Todos olharam em silêncio. Quando os dois jovens se separaram...

– Que bom... – Law apenas deu um abraço apertado em Luffy e deitou seu rosto no ombro dele. – Então é isso...

– Do que você tá falando? – Ele pergunta, já mais calmo, com uma voz baixa e quente.

– Esse tempo todo, eu fiquei com medo de você não gostar mais de mim. – Law ainda o abraçava, dizendo baixo na altura de seus ouvidos. – Mas se é só por ciúmes então eu não preciso me preocupar com isso.

– Não fala assim... – Luffy acaba retribuindo o abraço, com uma dor no peito. – É claro que eu gosto de você, é só que...

– Posso te perguntar uma coisa?

– Pode.

– Aquele dia... na primeira semana que eu saí da prisão, depois do lance do Joseph quando eu fiquei inconsciente... você disse que me amava?

– A-Ahn? – Luffy fica mais vermelho do que nunca e com tanta vergonha que ameaça se desfazer do abraço e ir embora. – D-Do que você tá falando? E-Eu nunca–

– Eu não vou te obrigar a dizer isso. – Contudo, Law não o deixa fugir. Ele somente abraça o garoto mais forte ainda e volta a falar. – Por muito tempo eu achei que tivesse sido só um sonho, mas eu não me perdoaria se esquecesse o momento mais importante da minha vida. Mesmo assim, eu sei que aquele não contou, eu sei que naquela época você ainda guardava rancor por tudo de ruim que eu tinha feito contra você no meu apartamento, e é por isso que eu fingi não saber. Eu resolvi esperar você ter certeza do que sentia.

– Eu... – Luffy aperta a roupa que Law usava com força e não resiste. O abraça mais forte ainda. – Não sabia direito o que eu sentia por você na época, e disse isso pra poder ter certeza se era verdade ou não.

– Mesmo que demore anos ou décadas, eu não vou te apressar e nem te obrigar a dizer que me ama. Eu quero ouvir isso de você quando você tiver certeza de que pode dizer isso a mim, e até lá, eu só vou fazer questão de ficar ao seu lado e fazer de tudo pra ser a pessoa que merece estar com alguém tão especial como você.

– Torao... – Luffy não resiste e algumas lágrimas saem de seus olhos. – Quando eu decidi te dar uma segunda chance e te tirar da prisão, foi porque eu percebi que você não era igual aos outros presos. Eu quis fazer isso porque eu sabia que você seria capaz de mudar e ser alguém melhor. Mesmo você ainda fazendo besteira, dá pra perceber que você mudou, principalmente agora.

– Eu não seria nada se não fosse por você.

– E eu só não disse antes porque eu queria esperar você dar realmente um rumo na sua vida, mas... quando eu vi que essa demora tinha feito você acabar ficando com outro... – Luffy o aperta mais forte no abraço. – Foi quando eu percebi que eu não podia mais deixar isso de lado, antes que eu te perdesse de vez. É claro que eu fiquei com ciúmes...

– Luffy, você... – Law acaba se afastando do abraço e fica olhando os olhos castanhos do moreno, repletos de lágrimas. – Você admite que ficou com ciúmes?

– Fiquei. – Os dois estavam de frente um para o outro, bem próximos. – Eu fiquei com ciúmes porque eu queria ter você só pra mim..

– V-Você...

– Eu te amo, Torao.

Mais do que nunca, agora o médico estava completamente sem palavras. Seus lábios começaram a tremer e, mesmo estando bem próximo ao garoto, não conseguia vê-lo direito por seus olhos se enxerem de lágrimas. O que sentia em seu peito era um alívio tão grande que suas ações agiram naturalmente. Ele, novamente, pegou o pequeno corpo do amado e o abraçou.

– E-Eu nunca... – Ele chorava no ombro do garoto. – E-Eu nunca pensei... que ficaria tão feliz em ouvir essas palavras...

– E eu nunca pensei que me sentiria tão bem em dizê-las. – Luffy se separa do abraço e olha para o outro, abrindo um enorme sorriso sincero. – Eu te amo!

– L-Luffy...

Sem mais aguentar, Trafalgar entrelaça seus dedos no cabelo do garoto e o puxa para o beijo mais intenso e apaixonado que já tiveram antes. Logo, as mãos dele vão parar nas costas e, as mãos de Luffy, abraçam seu pescoço, jogando todo o peso de seu corpo em cima dele para que não se separassem jamais. Aquele, diante de todas as pessoas do festival japonês, foi o primeiro beijo dos dois como casal.

Depois do longo beijo, continuaram dando outros menores, ambos com um sorriso de felicidade no rosto. Houveram aplausos de toda parte do festival, que estava adorando vê-los. E, não tardiamente, logo ao se separarem, Law pega a mão direita do amado e, por fim, coloca a aliança em seu dedo anelar. Poderia não ser a mão do casamento, mas ficou sendo um anel de noivado.

– ESCUTEM AQUI TODOS VOCÊS! – Para finalizar, Law dá um grito pra todo mundo ouvir e levanta o braço de Luffy. – À PARTIR DE HOJE, O LUFFY É OFICIALMENTE MEEEEEEEEUU!!

Com o grito decretado, a multidão se desfez e Luffy ficou mais constrangido do que nunca, mas seu enorme sorriso não desapareceu do rosto. Ambos puderam ir para casa e ter, finalmente, sua primeira noite oficial como namorados. Contudo, enquanto isso, duas outras pessoas ainda estavam no festival e não deixaram de comentar.

– Esse foi simplesmente o segundo melhor vídeo que eu já fiz em toda minha vida. – Drake diz, desligando seu celular.

I-Izzo... i-izzo boi... dão limdu! – Kaidou não conseguia falar de tão emocionado que estava, apenas chorava.

– Lindo aonde? Isso foi completamente desnecessário! Cadê o bom senso que aquele garoto nunca teve?

– Ai, você é muito sem coração. Como você pode falar uma coisa dessas?!

– Que seja, isso muda totalmente o meu plano, ainda bem que eu filmei isso.

– O que você pretende fazer? Porque eu juro, se você tentar fazer alguma coisa pra separá-los, eu mesmo acabo com a sua raça!

– Nah, eu não quero separá-los, na verdade eu tenho algumas coisas em mente.

– Tipo o quê?

– Você vai ver... esse vídeo veio em um momento perfeito, era tudo o que eu precisava.

– Você me assusta...

– Kaidou, amanhã vai ser um loooongo dia.

Notas finais
AEEEEEEEEEEEEEEEE Agora cês não pode mais reclamar ♥ ♥ E essas tretas que mal vieram e já considero pakas?? O próximo capítulo tá tão babado que estou pensando em colocar o nome dele de: BABADÕES FORTÍSSIMOS Contagem regressiva para vocês quererem arrancar minhas bolas: 04 capítulos