Policial Sujo
32 Por entre os convés do mundo
Notas iniciais
Voltando ao presente, muitas coisas ocorriam ao mesmo tempo. Para começar, nossos amigos haviam acabado de sair do enterro de Eustass Kid, contudo, o maior problema foi o fato de uma terceira pessoa ter aparecido por lá. Graças a ilustre presença de Drake, agora Luffy sabia do assassinato de Dellinger cometido por Trafalgar e seu envolvimento real com Penguin.
Por este motivo, nosso médico estava totalmente desolado em seu apartamento. Suas infinitas tentativas de esconder o passado recente de crimes cometidos desde que saira da prisão caiu por terra, e nesse instante, Law tentava com todas as forças telefonar para Luffy, mas o menor não o atendia.
“Por favor, fala comigo...”
“Não é o que parece! É tudo mentira daquele filho da mãe!”
“Luffy, acredita em mim, eu tenho meus motivos pra ter feito aquilo.”
“Eu vou te contar! Eu juro que eu te conto, mas fala comigo, por favor.”
“Você tá chateado comigo? Mas nós ainda estamos namorando, né?”
“Se você soubesse o que aquela porra fez comigo você teria me ajudado a matar o Dellinger! Tsc.”
“M-Mas vê pelo lado bom, eu e o Penguin nunca namoramos de verdade...”
“Ele é idiota, mas não é um idiota perigoso. Se você me deixar explicar a história direito...”
Essas são algumas mensagens que Trafalgar andou mandando para Luffy, mas não recebeu nada como resposta. Nosso médico está sentado no sofá de seu apartamento, totalmente apreensivo, sem saber o que fazer e com muito ódio no coração. Eis que ele decide telefonar para Penguin.
“Yo, Law-nii!” – E seu companheiro ruivo responde.
– Penguin, muita coisa aconteceu.
“Você acabou de voltar do enterro do seu amigo, né? Como foi?”
– Péssimo.
“Aliás, você soube do Brad? Eu tô tentando ligar pra ele e ele não atende!”
– Brad tá na Austrália, mas não é isso que eu preciso falar!
“Huh, Austrália?”
– Ele ganhou uma passagem pra lá.
“Hã, ganhou uma passagem e nem avisa pros amigos?”
– Penguin, agora não é uma boa hora.
“É uma excelente hora! Nós íamos com a Taiga pra uma festa porque ele tava deprê com o lance do Eustass ter morrido.”
– Tsc, deixa eu falar, que saco. É sobre o submundo.
“Submundo?”
– Lembra que há um tempo todo mundo começou a ser preso e umas paradas loucas aconteceram?
“Sim, óbvio que eu me lembro.”
– Pois é, eu descobri o motivo. Foi meio que culpa minha.
“Culpa sua?! O que você fez?”
– O braço direito do Joker morreu e graças a isso o submundo tá fora de controle.
“Huh, você matou ele?”
– Não, mas...
“Mas?”
– O Joker quer que eu vire o novo braço direito dele.
“O QUÊ?”
– Não pira, é sér–
“MEU DEUS, VOCÊ VAI VIRAR BRAÇO DIREITO DO CARA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO? WOOOOW!”
– Penguin, eu tô falando sé–
“V-V-Você sabe que eu sempre te amei, né? N-Nós somos os melhores amigos do mundo, eu te considero muito! Muuuuuuito!”
– PENGUIN.
“Lembra de tudo o que eu fiz por você...”
– Eu não vou aceitar essa proposta ridícula!
“Hã? Por quê?!”
– Escuta, tem uma parte do meu passado que eu ainda não te contei. É meio longo, mas depois que você souber você vai entender o motivo de eu não poder aceitar isso.
“Han...”
– Enfim, eu preciso de um favor seu. Meu tempo tá acabando, eu posso precisar de você há qualquer minuto, então fica atento, tá bom?
“Tá bom...”
– Ótimo, eu vou te contar. Vem aqui pra casa.
Penguin, como um enorme fã do submundo, ficou animado com o fato de seu melhor amigo ganhar o título de braço direito de Joker, mais conhecido como “Corazón”. Porém, Law odiou a proposta com todas as forças e explicaria o motivo ao ruivo a seguir. Por quanto ambos rapazes conversavam, vamos ir até o outro lado da Inglaterra.
Saindo da casa de Trafalgar, Luffy estava em sua própria residência, sem saber o que fazer, completamente perdido em seus pensamentos. Havia sentado no chão, encostado em uma parede, somente bebendo e recebendo carinho de seu cachorro, com seu celular em mãos.
– Peter, o que eu faço agora? – O garoto do chapéu de palha conversava com seu poodle.
– Rawr... – E Peter parecia estar triste por ele.
– Eu pensei que o Torao tivesse mudado, sabe? Quer dizer, eu sabia que ele mentia pra mim... só não sabia que era tão grave.
– Rawr, rawr.
– Ele tá me mandando mensagem dizendo que vai me explicar, mas eu tô com medo dele mentir pra mim ainda mais. Ele é um assassino! Como ele pode matar o Dellinger e ter um caso com um agenciador de prostituas?
– Rawr, rawr, rawr...
– Você acha que eu devo dar uma chance pra ele se explicar?
– Rawr!
– Mas eu não quero ficar dando chances pra ele.
– Rawr...
– Eu quero falar com o Zoro e com a Nami, mas sei lá também.
– Rawr, rawr?
– Pelo menos agora eu sei que o Drake é realmente o “D”. Ah, é tanta coisa de uma vez...
– Rawr, rawr.
– Melhor falar com eles, né? Sobre o lance do Drake e tal.
– Rawr!
– Yosh! Eu vou fazer isso.
Cansado de somente ficar parado e conversar com seu fiel cachorro, Luffy decide dar um próximo passo. Não responderia às mensagens incessantes de Trafalgar por estar chateado com ele, mas decidira ligar para Roronoa Zoro a fim de o alertar sobre Drake.
“Yo, Luffy.”
– Zoro! Você não vai acreditar no que aconteceu.
“O que houve? Como foi o enterro do Eustass?”
– O Drake tava lá.
“Hein?”
– Ele confessou! Não fez nem questão de esconder, ele chegou já falando pra mim que conhecia o Torao e o Eustass desde a faculdade, depois o Torao ficou tentando me afastar dele, foi tudo muito estranho.
“Sério? Pera aí, então o Drake é realmente um assassino?”
– Sim, ele é. E não é só isso, o Torao também é!
“Disso a gente já sabe...”
– Eu tô falando sério. O Drake disse na minha frente que o Torao matou o Dellinger à sangue frio, lá no Circo.
“Oi? Jura?!”
– E não é só isso! O Penguin, o amante dele, na verdade é um cafetão.”
“Wow.”
– Eu não sei o que eu faço! Eu não sei se eu me preocupo com o Drake, se eu prendo o Torao. Eu não quero ver o Torao preso, mas eu tô com muita raiva dele.
“Luffy, vamos por partes. O Trafalgar todo mundo sabe que é bandido, mas o Drake tem um histórico inteiro na Yard, ele é melhor amigo do Kaidou, já foi Chefe-Diretor... todo mundo lá confia nele.”
– Eu sei! Eu sei que é mais importante, mas...
“Mas você ama o Trafalgar e não quer aceitar que ele continua sendo um assassino?”
– É...
“E onde o Trafalgar tá agora?”
– Em casa, me mandando mensagem e dizendo que vai me explicar tudo.
“Beleza. Ele tem uma tornozeleira de rastreamento, ele não pode fugir da Inglaterra então deixa ele de lado por enquanto. Vamos cuidar do lance do Drake.”
– O que a gente faz? Não dá pra acusá-lo sem provas concretas.
“E se a gente falasse com o Kaidou? Ele é compreensível e é o Chefe-Diretor atual.”
– O Kaidou acreditaria na gente?
“Acreditaria, eu acho.”
– Então fala com o Kaidou por mim. Eu vou tomar um banho gelado e depois você me conta o que aconteceu, tá bom?
“Tá bom, eu vou telefonar pra ele.”
Uma verdadeira confusão estava acontecendo. Luffy não queria acreditar que namorava alguém tão ruim e estava abalado por isso, porém, não poderia deixar de se preocupar com Drake, quem recentemente descobriu ser até mesmo pior que Law. Depois de telefonar para Zoro, ele foi tomar um banho para relaxar.
Ao mesmo tempo, em sua casa, Roronoa contou à Nami tudo o que Luffy havia dito para ele. A ruiva concordou que o melhor a fazer seria ligar para Kaidou, uma vez que ele era o atual Chefe da Yard e também tinha uma forte amizade com Drake. Ela, então, telefonou.
“Oi, Nami!” – E Kaidou respondeu, feliz. – “Que raridade você me ligar.”
– Kaidou, desculpa, mas o motivo não é bom.
“O que houve? Pode falar comigo.”
– Eu soube recentemente que uma pessoa que eu confiava não é quem diz ser, mas eu não tenho provas concretas para acusá-lo, apesar dele ter confessado.
“Ah, é? E eu conheço ele?”
– Conhece.
“E... ele fingia ser bonzinho, mas na verdade é malvado?”
– Isso.
“Ele confessou?”
– Na verdade ele confessou ao Luffy e o Luffy me contou.
“Nami, o que aconteceu?”
– Há um tempo atrás na Yard nós começamos uma investigação pra saber quem é o “D”, responsável pelo assassinato de duas pessoas.
“Aham...”
– E nós descobrimos quem foi.
“Hm...”
– Foi o Drake, o antigo Chefe-Diretor.
“Hm.”
– Eu sei que é difícil acreditar! Eu entendo se o senhor não acreditar, mas ele confessou hoje ao Luffy e eu não poderia deixar de falar com o senhor, entende?
“Ahn, é, é, eu entendo. Obrigado por me contar.”
– E o que eu devo fazer sobre isso?
“Nada.”
– Nada?!
“Nami, depois eu falo contigo, tudo bem? Eu preciso fazer uma ligação.”
– Ma–
“Tchau!”
Nami achou uma atitude estranha, mas Kaidou acabou desligando o telefone sem dar sinal de explicações. A ruiva contou para Zoro que também não entendeu muito, mas ambos decidiram arrumar um plano para contornar a situação. Enquanto isso, o atual Chefe-Diretor da Yard resolveu também ligar para uma terceira pessoa.
– VOCÊ FICOU MALUCO?
“Kaidou, eu sei que você tá puto comigo, eu entendo de verdade, mas eu não tive outra opção. Eu vou te contar tudo, eu juro, só que o tempo tá acabando, eu só tenho mais três dias pra acabar com essa história de uma vez. Não se preocupa com eles, vai ficar tudo bem no final. Eu também sei que você quer me bater e você fica muito assustador quando tá com raiva, eu até tenho um pouco de medo disso, então eu fugi de casa e não adianta me procurar. Ah, eu também vou jogar esse celular no lixo, beijos, te amo, confia em mim, tchau, até qualquer dia!”
– Hã?!
Agora mais uma pessoa entrou para a lista dos que não estavam entendendo mais nada. Kaidou, de fato, já sabia que Drake era um assassino e conhecia todo o seu passado com Joker e Law, mas por motivos de força maior não poderia fazer nada para detê-lo por enquanto. Para ele, restou apenas passar a madrugada sozinho, com seus milhares de gatos.
Roronoa Zoro e Nami ficaram tentando telefonar para Kaidou, mas ele não os atendia de forma alguma. Ambos avisaram para Luffy que sua tentativa de avisar ao atual Chefe-Diretor não havia dado certo, o que deixou o garoto do chapéu de palha mais ansioso ainda.
Ao mesmo tempo, do outro lado da Inglaterra, Trafalgar estava junto com Penguin em sua casa, contando todo o seu passado com Joker. O ruivo, que antes estava eufórico pelo melhor amigo conseguir o título de Corazón, agora estava terrivelmente chocado e até mesmo pálido.
– Isso tudo... é sério mesmo? – Penguin perguntou, tremendo.
– Sério. – Law respondeu com precisão após contar seu passado.
– Caramba... eu não sei nem o que dizer.
– Eu posso confiar em você?
– Pode, claro.
– Então me ouve. O Drake vai voltar a aparecer algum dia, eu não vou conseguir me defender sozinho. Quando esse dia acontecer, eu vou te ligar e você vai aparecer, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou ficar preparado, nem dormir eu vou, Law-nii, eu vou te ajudar!
– Ótimo, agora vaza daqui.
– Tem certeza?
– Tenho. Eu vou chamar o Luffy e vou explicar toda a história do Joker pra ele.
– Tá bom, então. Boa sorte.
– Obrigado.
Penguin havia acabado de sair do apartamento de Trafalgar e agora conhecia seu passado secreto, algo que ocorreu em um período de dois anos na adolescência do médico. Law voltou a pegar seu celular e continuou a telefonar para Luffy, sem êxito, até uma mensagem chegar para si.
“E aí”. – Era um número desconhecido.
“É você?” – Law respondeu.
“Foi mal ter falado aquilo pro Luffy, pelo visto ele tá bem chateado contigo.”
“Tsc, você é um porre! O que você ganha falando do lance do Dellinger? Agora ele sabe que você é um assassino, idiota.”
“Ele já desconfiava de mim antes, e pessoalmente eu nem ligo muito. É chato você não poder se glorificar de um trabalho bem feito só por ele ser ilegal.”
“O que é que você quer?”
“Três dias, três opções.”
“Para de falar em códigos, que saco.”
“Daqui há três dias acaba seu tempo e eu vou te dar três opções. A primeira é, você para de gracinha e aceita virar o novo Corazón.”
“Recuso.”
“A segunda, você morre.”
“Também recuso.”
“Ih, a terceira é um pouco pior, mas também é a preferida do Joker. Ele não gosta muito do Luffy, sabe?”
“Vai usar o Luffy como refém?”
“Lembra aquele dia maravilhoso em que você matou o Rosinante?”
“O que é que você quer, hein?"
“Só te avisar das suas opções. Ah, e mais uma coisa...”
“Que foi?”
“Você gosta do Kid?”
“Hã, de onde veio isso agora?”
“Você morre de medo de mim, era ele quem te protegia. Agora que ele morreu vai fazer o quê? Usar o Penguin como escudo?”
“Tsc, isso não é da sua conta! E não fala do Kid, você é a última pessoa no mundo de quem eu aceito ouvir isso!”
“Ótimo, era só isso mesmo. Eu te mandei um vídeo, ele deve chegar por correio amanhã.”
“Vídeo?”
“Assiste com carinho.”
Após a última mensagem, o número de celular acabou ficando secreto, de modo que Law não conseguisse mais enviar nada ou conversar com Drake. As coisas iam começando a fazer sentido e ele se preparava para os futuros acontecimentos, até decidir telefonar para Luffy e resolver a história de uma vez.
“Oi”. – Dessa vez, o menor o atendeu.
– LUFFY! Até que enfim você atendeu! Por favor, me deixa falar.
“Eu não sei se quero conversar contigo.”
– Eu sei, eu fiz merda, eu fiz muita merda, mas eu não vou mais esconder. Eu quero te contar toda a verdade.
“E como eu vou saber que é a verdade?”
– Eu não tenho mais motivos pra mentir. Mesmo se eu for preso, tudo bem, eu aceito, mas eu não consigo esconder nada de você. Eu vou te contar sobre o Drake, sobre o Penguin e sobre o Dellinger.
“Não vai esconder nada?”
– Não, não vou, mesmo que isso custe a minha vida.
“Tá bom... eu tô indo aí.”
Trafalgar finalmente conseguiu o que mais queria, a presença de seu amado garoto. Ele estava tão tenso que quase se afogava em beber água, mas não poderia deixar que isso atrapalhasse sua confissão. Hoje seria o dia em que nosso tão famigerado médico assumiria todos os seus crimes perante o namorado.
– Oi. – Luffy chegou, totalmente desanimado.
– Luffy! – Porém, Law o recebeu com um enorme e caloroso abraço, do tipo que nunca havia dado a ninguém. O médico nunca esteve tão feliz em ver o garoto que teme perder.
– Me solta... – Ele, por outro lado, estava magoado demais e portanto, frio.
– Não, não vou soltar. – Law continua com ele em seus braços. – Eu não sei até quando eu vou ter a oportunidade de ficar perto de você, então até lá eu não vou correr nenhum risco.
– Vai me explicar o que tá acontecendo?
– Vou. – Trafalgar se afasta um pouco e levanta o queixo do garoto, olhando diretamente em seus profundos e tristes olhos, sentindo apenas um arrependimento corroendo sua garganta. – Mas antes eu quero te dizer uma coisa.
– O quê?
– Mesmo que eu vá preso ou separem a gente, eu nunca vou parar de pensar em você.
– Como assim “separar a gente”?
– Entra aí.
Law deixou seu nervosismo de lado e convidou o moreno para entrar, sentando-se em frente a ele no sofá. Luffy também estava tenso, por mais que ele amasse o médico não poderia perdoar caso este contasse algo tão grave, tendo até o risco de precisar prendê-lo.
– Eu vou começar pelo Penguin. – Law fala, diretamente.
– Como vocês se conheceram?
– No primeiro dia que eu saí da prisão. Ele foi enviado pela Robin pra ser meu parceiro.
– Robin?
– Ela é uma mulher misteriosa, eu não entendo muito bem o que ela fala, mas eu acho que ela é espiã do Drake. Enfim, encurtando a história, no dia que eu saí da prisão o Drake deu um jeito de colocar o Penguin no meu pé.
– Por quê?
– Porque ele gosta de me perseguir e de rir de mim, só por isso.
– Hm...
– Enfim, mas na época eu não sabia disso e eu e o Penguin acabamos virando parceiros. É aí que a história de verdade começa.
– Parceiros tipo você e o Eustass?
– Tipo isso. Quando eu saí da prisão eu não tinha muitas expectativas de vida, e ainda era viciado em dinheiro então o Penguin me ajudava a fazer as coisas que eu não queria fazer.
– Coisas ilegais?
– Pra resumir, sempre que tinha alguma coisa envolvendo cofres eu mandava o Penguin aparecer e pegar uma parte do dinheiro, aí nós dividíamos depois sem que vocês notassem.
– Oi? – Luffy leva um susto. – V-Você roubava dinheiro pelas minhas costas? Sério? Quanto tempo isso durou?!
– Han... eu parei depois do lance do Circo.
– Você tem roubado dinheiro desde o dia que saiu da prisão até praticamente mês passado? Por isso o Drake pois uma bomba no cofre na festa do Marco e do Tatch?!
– É, ele gosta de explodir coisas.
– S-Sério..?
– M-Mas nós nunca passamos disso! Quer dizer, tá certo que roubar é errado, mas nós só pegávamos uma pequena quantia de um dinheiro que, na maioria das vezes, já era roubado.
– E o lance do quadro?
– O Penguin falsificou o quadro, vendeu o original e fez o comprador ir preso no lugar.
– E as prostituas?
– Ah, isso... – Law fica totalmente desconfortável e até desvia o olhar. – L-Lembra quando... umas cinquenta garotas invadiram meu apartamento..?
– Aham...
– Aquelas, bom... o Penguin as chama de “namoradas”.
– Namoradas?
– É... pelo que eu saiba ele tem cinquenta e quatro.
– Ele tem cinquenta e quatro namoradas prostitutas?! – Luffy fica pasmo.
– E ele age como se realmente fosse namorado delas, é uma coisa muito estranha. A Taiga é uma das, a Robin também era.
– E você também era?
– NÃO! – Law se sente terrivelmente ofendido. – Nós nunca tivemos nada, aquilo foi só um lance que a gente inventou pra ninguém ir preso.
– Ah... e qual é a sua relação atual com esse Penguin?
– Não sei direito, ele disse que iria parar de falar comigo, depois eu disse que iria parar de falar com ele, mas nós nunca paramos de nos falar. Só paramos de fazer coisas ilegais.
– Pararam mesmo?
– Sim, eu juro, eu nunca mais fiz e nem vou fazer nada daquilo. Eu já aprendi que acima de tudo eu tenho medo de te perder, Luffy.
– Tá bom. Qual é o nome do Penguin?
– Não tem.
– Onde ele mora?
– Não tem.
– Ele não tem casa?
– Não tem.
– Ele tem algum emprego fixo?
– Não tem.
– Ele faz alguma coisa da vida que não seja ilegal?
– Nop.
– Dá pra identificá-lo de alguma forma?
– Nop.
– Dá pra pelo menos saber onde ele tá agora?!
– Nop.
– Caramba...
– Ok, acho que eu já falei tudo que eu tinha pra dizer sobre o Penguin.
– Agora fala do seu lance com o Drake! Quando eu conheci ele, ele era o meu chefe, todo mundo da Yard confia nele, ele e o Kaidou são melhores amigos... por que ele tá fazendo esse jogo de “D”?!
– Tsc, longa história...
– Nós temos a noite toda.
– Tá bom, olha, o lance é mais ou menos esse: antigamente nós éramos amigos, ele me dava livros todos os dias, nós irritávamos o Kid e explodíamos coisas. Mas aí...
– Aí o quê?
– Ele me trocou pelo Dellinger.
Flashback ilustrativo, período de quinze anos atrás.
Conforme vimos no capítulo passado, Trafalgar Law, Diez Drake e Eustass Kid agora faziam parte oficialmente do exército do submundo, comandado por Donquixote Doflamingo. Contudo, assim que ingressaram de vez, o ruivo passou a agir estranho.
Já havia se passado uma semana desde que o trio de jovens tornaram-se subordinados a Joker e, por serem novatos, suas tarefas não passavam de: ficar limpando o chão, desentupindo o vaso sanitário e outras coisas que certamente não gostavam nenhum pouco de fazer. Por este motivo, Drake ficou mais grudado em Dellinger.
O de cabelos alaranjados havia parado de falar com seus amigos na faculdade e passava o dia inteiro ou estudando, ou falando com Dellinger no celular. Law não entendeu o motivo do outro o estar ignorando, uma vez que sempre foram bem unidos, mas, no período de tempo atual, Drake e o loiro estavam no shopping.
– Eu não quero saber se ele é gay. – Drake diz, sem a menor paciência, depois de arrastar Dellinger para fazer compras consigo, com o único objetivo de arrancar informações do submundo.
– Ain, você me perguntou o que o Joker curtia, eu disse isso, ué! – Dellinger era uma criança de catorze anos muito saltitante.
– Eu quis dizer no sentido do que ele faz da vida, que saco. Eu quero me aproximar do Joker e me tornar alguém importante, ao invés de passar a minha vida inteira limpando o chão. É difícil entender?
– O que você quer saber então? Qual é o tipo que ele curte?
– Não, criatura! Como eu faço pra me aproximar dele?
– Ahn, eu não acho que você faça o tipo dele.
– Puta merda, hein, eu quero saber como eu faço pra virar um dos agentes oficiais! Aquele lance de Corazón, Trébol, Pica e Diamante.
– Ahhh, entendi! Pra isso você vai precisar “agradá-lo”, hihi.
– E como eu agrado ele?
– Hm, o Doffy gosta de dar ordens, de gente obediente e mais nova. Pelo menos foi o que ele me disse, ele quer alguém pra distraí-lo durante o trabalho.
– Han?
– Teve um dia que eu perguntei quando eu me tornaria um agente oficial! Ele me disse que quando eu fizesse dezoito anos e me tornasse a escrava dele, ele me deixaria fazer parte do exército Diamante.
– Hein?! – Levou um susto. – P-Pera aí, ele disse que te transformaria em um subordinado oficial se você dormisse com ele? Tipo, sério mesmo?
– O Doffy tem dinheiro, tem poder, pode fazer o que ele quiser a hora que ele quiser... eu acho que ele só tá com tédio.
– M-Mas ele tava falando sério? Ele te daria o cargo realmente se você ficasse com ele?
– Por quê, ficou interessado?
– Tá maluco? Eu não vou me prostituir!
– Hm, então eu acho melhor você desistir... tem milhares de pessoas querendo o cargo...
– Tem que ter outro jeito sem ser por sex... – Drake ficou totalmente indignado com o que Dellinger estava falando, uma vez que nunca pensou que o líder do submundo desejasse aquilo. Entretanto, ele parou de andar e ficou olhando fixamente para uma reta, como tivesse tido uma ideia. – Law...
– Law? – Dellinger indaga. – O que tem ele?
– Caralho, eu acabei de ter a ideia mais louca da minha vida...
Fim do Flashback ilustrativo, de volta à realidade.
– Ele me trocou pelo Dellinger. – Law estava explicando a Luffy seu passado com o Drake.
– Ele te trocou pelo Dellinger? Como assim?
– O Drake e o Dellinger armaram um plano contra mim pra ganharem um título específico.
– Que título?
– É aí que tudo começa a complicar. Luffy, você sabe quem é Joker?
– Joker? O líder do submundo, o cara mais procurado do mundo, aquele que ninguém sabe o nome, a idade nem a aparência física? O sujeito mais poderoso que controla várias coisas?
– Esse mesmo, vem comigo.
Trafalgar se levanta do sofá junto com Luffy e vai até seu quarto, serrando os punhos devido a ansiedade. Ao chegar no cômodo, retira de uma gaveta um simples anel feito de ouro maciço, com uma belíssima Alexandrita roxa cravada por duas letras, que são iniciais de uma pessoa. Uma joia extremamente cara e valiosa.
– Um anel? – Luffy perguntou, segurando o objeto. – Tá escrito “D.D.” aqui. É do Drake?
– Luffy, existe uma parte do meu passado que eu não te contei. Foi uma parte horrível, eu perdi tudo o que eu tinha, eu comecei a andar com gente que não prestava e até mesmo o Kid começou a me odiar e me expulsou de casa.
– Sério?
– Esse anel é responsável por parte dessa história. Eu vou te contar tudo, mas por enquanto eu só quero que você fique com uma informação.
– Qual informação?
– Na verdade, isso não é um anel...
Segunda parte do Flashback ilustrativo, período de quinze anos atrás.
Depois de conversar com Dellinger a fim de saber um jeito de conseguir um cargo no exército oficial de Doflamingo, Drake teve uma ideia extremamente surpreendente. Sabendo disso, ele levou o garoto loiro até sua casa e sentou-se com ele no sofá, prestes a revelá-la.
– Garoto, eu sou um gênio! – Drake exclama falando de si mesmo.
– O que você pensou naquela hora? Até me deu medo...
– Você disse que o Joker tá entediado e quer alguém pra distraí-lo, certo? E que essa pessoa ganharia um bom título?
– E você disse que não iria se prostituir.
– Eu não tô falando de mim! Vai, me diz, o que você acha do Law? O que você acha que o Joker acha do Law?
– Uhn... fisicamente falando, o Law é pequeno então eu acho que ele faz o tipo do Doffy, mas sei lá, ele não é muito submisso. Ele até xinga o Doffy na frente dele.
– Nah, isso eu resolvo fácil, é só dar uma prensa naquele garoto.
– O que você tá planejando? Vai vender o Law? – Dellinger fica entusiasmado e coloca a mão na boca. – Kyaaah, você tá falando sério mesmo?!
– Eu tenho um primo chamado Joseph, ele é dono de um laboratório que vende GHB. Sabe o que é isso?
– GHB? Não...
– É uma droga bem poderosa, faz com que a pessoa fique facilmente excitada. Agora imagina isso em uma dose extremamente alta...
Fim da segunda parte do Flashback ilustrativo, de volta à realidade.
– Na verdade, isso não é um anel... – Law estava explicando a Luffy.
– Não? – Mas o garoto não entende. – Pra mim parece um anel.
– É uma aliança.
– Aliança?
– Luffy, eu sou casado com Donquixote Doflamingo, o líder do submundo.
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