Policial Sujo
33 As terríveis aventuras sexuais de uma Falsiane amante de jogos e um Ninfomaníaco odiador de pães
Notas iniciais

Há quinze anos, em uma cidade famosa de Londres, existia um laboratório contrabandista onde diversos produtos exóticos eram encontrados com certa facilidade. Atualmente comandado por Joseph Miller, tal centro comercial estava prestes a receber uma visita familiar.
– Joseph, meu amor!
– Que é que tu quer, capetinha?
Ao mesmo tempo em que o homem de aparência séria, cabelos e olhos negros trabalhava em seu glorioso laboratório, recebe uma visita de seu primo, Diez Drake, um ruivo de olhos azuis conhecido por sua cicatriz no queixo no formato de “X”.
– Poxa, a gente não se vê há uma semana. Custa dar um oi?
– Uma semana maravilhosa que não deveria ter fim. Eu vou perguntar de novo, o que é que tu quer?
– Não sei porque você me odeia tanto, mas sua opinião vai mudar depois que eu te contar o que houve. É sobre o Law.
– Óbvio, sempre que você vem aqui é pra me falar desse bendito garoto, mesmo eu dizendo que essa sua paixonite não me interessa.
– Você sabe o motivo de eu sempre falar desse garoto?
– Orgulho ferido por um pirralho ser mais inteligente que você?
– Não, e eu sou mais inteligente. – Drake se aproxima do balcão. – Há três anos, quando eu entrei na faculdade, eu achava que seria o mais novo, mas não, dois garotos de doze e quinze anos tinham entrado em medicina.
– Meus parabéns a eles.
– Eu fiquei curioso em saber como isso seria possível, então eu acabei pesquisando sobre esse tal de Law. Sabia que o pai dele também era um médico, e um dos bem famosos?
– Vai direto ao ponto...
– Acontece que eu andei pesquisando demais e pelo que eu descobri, o pai dele tinha um alto grau de pacientes mortos.
– Você acha que o pai dele era um assassino?
– Eu tenho certeza, e mesmo tendo essa taxa de mortalidade ele nunca foi preso, nem suspeitavam dele, era como se tivesse alguém poderoso por trás que acobertasse tudo. Sabe quem é a única pessoa no mundo capaz disso, Joseph?
– Submundo? Joker?
– Exatamente! Esse garoto, esse tal de Law, ele é um ticket premiado na minha vida e semana passada eu tive a prova concreta disso. Você não vai acreditar.
– O que houve?
– O Joker apareceu lá na faculdade chamando o Law e o Kid pra se juntar ao exército, daí eu aproveitei a oportunidade e entrei junto.
– Ahn? – Joseph não acredita. – Você tá usando ácido, capetinha? Eu não me lembro de ter te vendido isso, cê tá roubando de mim?
– Não, eu tô falando muito sério! Eu posso provar. – Drake entrega uma pasta com vários papeis. – Lê isso.
– É sobre?
– Eu fiz um contrato ligando o seu laboratório a eles, diretamente, com o seu nome. Assim você vai ter acesso a todo contrabando do submundo e ainda vai ganhar proteção do Joker, então não precisa nem mais subornar policia.
– V-V-V-Vo-vo-você... v-você... – Ficou olhando os contratos prestes a ter um ataque de ansiedade. – I-I-Isso a-aqui é sério? N-Não é outra piadinha sem graça sua? Você conseguiu mesmo entrar pro bando do Joker?!
– Eu te disse que eu era um gênio, não precisa me agradecer.
– C-Cara, meu pai levou a vida inteira tentando arrumar esse contrato e não conseguiu! É sério que você ganhou isso, tipo, só ficando amigo de um fedelho?
– E você odiou quando eu entrei pra faculdade.
– Eu odiei o seu curso, tinha medo do que você ia fazer na Yard, mas... você conseguiu esse contrato pra mim por algum motivo?
– Pra falar a verdade, eu andei pensando em algumas coisas. Eu posso ter entrado pro bando do Joker, mas por enquanto ele só me deixa limpar o chão, é um saco.
– Não reclama, você tem dezoito anos e tá com o cara mais poderoso do mundo.
– Eu quero mais! Eu tenho uma ideia de como conseguir um cargo alto, mas daí eu preciso da sua ajuda.
– O que eu tenho que fazer?
– Você não vai gostar. – Drake se aproxima do outro, segurando firme em seu ombro e o encarando de perto. – Você não vai gostar, mesmo.
– O que é?
– Você vai me chamar de doente, de louco, de insano e provavelmente vai ficar com vontade de me matar.
– Na verdade eu já acho tudo isso, inclusive não sei porque ainda não te matei.
– Mas agora é sério, só pensa antes de recusar. Esquece toda moral, visão política e decência que você tem e só pensa no dinheiro e no poder.
– Você me assusta...
(…)
No dia seguinte, depois da faculdade, os três adolescentes estavam no local onde o bando de Doflamingo se reunia, como sempre faziam, junto com Dellinger, limpando o chão com a ajuda de um esfregão. É claro, nenhum deles gostava disso.
– Tsc, eu não deveria ter aceitado isso. – Law resmunga. – Até ajudar o pai do Kid é melhor.
– Eu até agora não entendi porque a gente tá aqui. – Kid diz. – Pra que entrar no submundo? É tão desnecessário.
– Ai, você tem toda razão. – Law joga seu esfregão no chão. – Eu desisto desse troço, não quero virar uma versão nova do Adams e tenho prova amanhã.
– É isso que dá o Doffy ficar aceitando pirralhos. – Quem diz é Corazón, que estava sentado, lendo um jornal. – Eu sabia que não iriam durar mais de dez dias.
– Como é que é? – O moreno revida, sendo o segundo mais novo dali.
– Não ouviu? Se não aguenta nem limpar chão o seu lugar não é aqui, garoto.
– Cala boca, você não pode falar nada! A única coisa que você fica fazendo o dia todo é beber chá, tropeçar e ficar sentado lendo jornal! É isso mesmo que um Corazón faz? Inútil.
– Argh... – Corazón solta um resmungo longo, acende um cigarro e levanta-se. – Você precisa mesmo conhecer o mundo.
Rosinante, então, vai em direção a Law e segura seu braço com força, quase o levantando.
– EI, ME SOLTA! – Diz, sendo arrastado para algum lugar.
– OI! – Eustass reage por impulso e abandona o esfregão, correndo atrás de Corazón. – SOLTA ELE, AGORA!
Contudo, o loiro ignora a presença do ruivo e continua arrastando Law pelo braço, independente do garoto estar gritando para ser solto. Eustass foi protegê-lo, mas acabou sendo impedido.
– Kid, deixa ele! – Drake imobiliza os braços do ruivo, impedindo que ele vá atrás de Law. – Não interfere!
– Me solta, que merda você acha que tá fazendo? – Eustass gritou, tentando se soltar. – Ele tá levando o Law pra algum lugar!
– Eu sei, eu quero ver o que ele vai fazer, não tenta impedir.
– Hã?!
Eustass continuou se debatendo para ser solto e socorrer o melhor amigo, mas continuou sendo impedido por Drake que sabia imobilização. Dellinger ficou só observando com um sorriso infantil Corazón arrastando Trafalgar até um quarto escuro.
– Vai ficar aí de castigo, pirralho. – E o loiro joga o menor no quarto, trancando a porta de imediato.
– ME TIRA DAQUI! – Law começou a bater na porta. – ALGUÉM, KID, ME TIRA DAQUI! Q-Que merda de lugar é esse?
O quarto que Law fora abandonado era bem pequeno, não tinha janelas ou saída de ar, apenas um cheiro de sangue enjoativo.
– Aí é onde prendemos os traidores até decidirmos o que fazer. – Rosinante explica e se retira, deixando-o trancado. – Se alguém tirá-lo de lá as coisas vão piorar.
– Uh, que legal. – Drake impressiona-se. Dellinger só ria.
– Law! – Kid ficou batendo na porta, desesperadamente. – Law, não se preocupa, eu não vou sair daqui até ele abrir essa merda de porta!
– Kid, por favor, não me deixa ficar aqui...
Trafalgar acabou ficando preso em uma sala amedrontadora, com seu companheiro ruivo do outro lado da porta, conversando consigo para que não ficasse sozinho. Ao mesmo tempo, Dellinger e Drake tinham misteriosamente sumido daquele local e foram se encontrar em outro, mais vazio, sem ninguém por perto.
– Caralho, essa oportunidade foi perfeita. – Drake diz, mexendo em sua mochila. – Ele estando preso naquela sala facilita, agora é só sumir com o Kid.
– Você conseguiu com o seu primo? – Dellinger pergunta, entusiasmado.
– Depois de ouvir aquele discurso moralista por horas, é óbvio que sim. Ele me deu uma receita pra misturar uns quinze troços aí, vai ser uma injeção, mas eu vou colocar o dobro dos ingredientes.
– O dobro de cada quantidade?
– É, isso. O Joseph é um fresco, eu preciso de algo realmente forte pra transformar aquele garoto no que eu quero. Acho que dá até pra usar um frasco e meio de GHB.
– I-Isso não vai matá-lo, não..?
– Os riscos dele morrer são só 99,97%.
– “Só”?
– Mas ele vai viver, relaxa. Quer dizer, eu espero né.
– O que esse negócio faz, afinal? Eu acho o Law tão inocente...
– Ele tem uns traumas, fica dizendo que não gosta que toquem nele, então essa injeção vai deixá-lo mais soltinho, só isso, não é nada demais. Ele tem cara de quem gosta, pra mim isso é frescura dele.
– M-Mas você vai entregar ele pro Doffy assim mesmo? Virgem?
– Não, né, eu não posso deixar alguém inexperiente com o Joker. E se ele desmaiar? Eu vou domesticá-lo.
– Pera, então você vai...
– Me sacrificar pelo time. Você vai entender mais tarde, vai valer à pena, eu sinto isso. Enfim, Dellinger, tá com as coisas que eu te pedi pra arrumar?
– Sim! Tá tudo aqui e o Doffy deve ir pro quarto daqui há duas horas.
– Então vamos começar logo com isso.
Drake havia acabado de preparar uma injeção, colocando o dobro da quantidade de cada ingrediente que seu primo lhe tinha vendido. Tratava-se de uma mistura pesada envolvendo sedativos que além de dopar, deixavam a vítima praticamente inconsciente. O ruivo roubou as chaves de Rosinante, que estava distraído.
– Oi, Kid! – E foi até o outro ruivo, que aguardava Law sair do quarto.
– O que você quer? Aliás, por que naquela hora você me impediu de resgatar o Law?!
– Porque eu fiquei preocupado, cara, isso aqui não é brincadeira, essa gente é perigosa. Se você revidasse, eles poderiam até matar o garoto.
– Será que algum de vocês pode me tirar daqui? – Law pergunta, do outro lado. – Aqui fede...
– Eu falei com o Corazón, vão te liberar só de madrugada. – Drake fala.
– QUÊ?!
– M-Madrugada?! – Kid apavora-se.
– Eu acho melhor você avisar a mãe dele, Kid, ela fica muito preocupada. Se quiser eu posso ficar de vigia.
– Tá maluco? Eu não vou sair daqui sem o Law.
– Cê que sabe, mas ela vai ficar preocupada se os dois sumirem.
– Kid, ele tá certo, eu não quero deixar a minha mãe preocupada. Diz pra ela que a gente vai ficar na biblioteca até madrugada, aí depois você volta.
– Tem certeza? – Eustass hesita. – Eu não quero te deixar sozinho...
– Eu cuido dele, relaxa. – Drake diz. – Se quiser até leio um livro.
– Pode ir, mas volta depois.
– Então tá... se cuidem os dois.
Eustass se retirou do local, deixando-os à sós, assim, Drake conseguiu, usando as chaves que havia roubado, entrar no quarto.
– V-Você abriu a porta? – Law ficou com os olhos brilhantes. – Aaah, obrigad–
– Cala boca..
Trafalgar até mesmo ficou assustado e parou de falar assim que, ao tentar sair, fora empurrado para dentro novamente. Drake entrou no quarto junto a ele, com um semblante sério.
– Huh, o que foi? – Indagou. – Por que você entrou aqui?
Mas o outro não respondeu, apenas trancou a porta.
– Por que você trancou a porta..?
– Ei, garoto...
– O quê?
– Tira a roupa.
Drake virou-se de frente para Law e o olhou de cima, sem um menor traço de hesitação no rosto.
– Ahn? – Ele não entendeu, mas andou pra trás. – Do que você–
– Eu mandei tirar a roupa. Agora.
Trafalgar ficou sem saber o que responder, mal entendeu o que o outro estava dizendo, com uma face tão jovial e inocente, olhos grandes e pedintes, bochechas chamativas e lábios trêmulos.
– NÃO OUVIU? – Porém, logo despertou com um susto, uma vez que o ruivo ai em sua direção rápido. – TIRA. AGORA.
– E-Ei, d-do que–
– CALA BOCA E ME OBEDECE. – Drake segurou em seu cabelo, derrubando seu chapéu e puxando seus fios com tanta força, capaz de arrancar o couro cabeludo. – Não me faz ter mais nojo de você do que eu já tenho!
– A-Ai! O-O q-quê... voc–
– FICA QUIETO! – O empurra tão forte que o faz bater com a cabeça na parede antes de cair no chão, sentado. – Tira a roupa, anda, eu não vou repetir.
– M-M-Ma-mas, m-mas o quê, por quê... – Law ficou extremamente trêmulo; mesmo sentado ele tentava ir para trás e se esconder, mas não conseguia desviar seus olhos do outro, totalmente apavorado.
– Você não vai mesmo me obedecer, é? Vai ser pior pra ti, garoto.
O mais velho voltou a se aproximar e Law recuava, mas era inevitável. Já havia sido levantado pelo outro que o olhou tão próximo, de modo que suas respirações se cruzassem para, em seguida, apertar seu pescoço e sufocá-lo inescrupulosamente, até deixá-lo sem fala.
– Eu te odeio. – O virou de costas, até prensar seu rosto na parede, quase esmagando seu crânio. – Caralho, você não tem noção de quanto eu te odeio!
– M-ME SOLTA! – Desesperava-se, debatendo-se com todas as suas forças, mas era pequeno e frágil demais. – ME LARGA, ALGUÉM ME TIRA DAQUI! KID!
– FICA QUIETO, QUE SACO! – Drake o paralisou com um dos braços, utilizando o outro para abaixar sua calça de modo brusco e apressado, já com a injeção pronta no bolso.
– Q-Que merda vo-você vai fazer? M-Me solta, por favor!
Mas o outro sequer importou-se com as lágrimas que saíam do rosto de Law, apenas injetou a ácida mistura de diversas drogas erógenas em sua nádega.
– AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH! – Era tão forte que queimava o corpo internamente e fez o garoto contrair-se todo, sofrendo um verdadeiro choque elétrico por dentro.
– Tsc, você é escandaloso demais.
Drake se afastou assim que terminou de colocar a injeção. Law, por outro lado, após o incansável grito, calou sua voz completamente e ficou parado, de costas, sem proferir nenhum tipo de som. Virou-se, ficando de frente para o ruivo, que o olhava atentamente.
– E aí, tá sentindo alguma coisa?
– Ahn? – Law, estranhamente, apenas subiu sua calça e fechou o zíper, como se nada tivesse acontecido. – O que tinha nessa injeção?
– Han... você tá bem? Estranho, você tá falando tão normalmente.
– Do que você tá falando?
– Você não tá sentindo nada?
– Não.
– Dor? Aflição? Agonia? Nada?
– Não, não, não, nada. O que era pra eu estar sentindo?
– Ahn... sei lá.
– Por que você fez isso?
– Eu... v-você tá realmente bem? Sério?!
– Eu tô... você tentou me matar?
– Bom, não...
– Você é estranho.
– Caramba, que situação chata... – Drake encosta no ombro dele. – É, não deu certo, vamos em–
– Aaahhhnn..! – Contudo, assim que o ruivo encostou no ombro do moreno, este sentiu algo indescritível em seu corpo. Em um ato de extremo reflexo, Law se afastou e soltou um longo gemido, cobrindo a parte tocada.
– Q-Q-Q-Q-Q-Que q-que foi isso?! – O que assustou o outro.
– Aahn... hnm... – Ainda soltou alguns mais leves, até se acalmar, com o coração acelerado. – O quê...
– Isso foi um gemido?
– D-Do que você tá falando? É claro que–
Drake encosta mais um dedo nele, levemente.
– Aaahnn! – Mesmo efeito.
– Eita porra...
– Ahn... uhn... o quê... ahn... eu, vo... você...
– D-Deu certo? Caramba, que coisa bizarra. – Toca mais uma vez.
– Aaaahhnnnn..!
– Awn, que gracinha...
– E-Eu... p-por que eu tô... v-você... ahn...
– Então vamos continuar com o trabalho.
Aproveitando o corpo de Law estar hipersensível, o ruivo pôde finalmente se aproximar do jeito que queria. O outro não entendia muito bem, estava com um calor interno tão alto que lhe causava tontura, mas não conseguia parar de soltar gemidos.
– Aahnn, ahn... – Hesitava um pouco por medo, mas não conseguia evitar. Estava apavorado, mas não conseguia evitar.
– Heh, até que parece divertido.
Drake se aproximou de modo brusco, arrancando a camisa que Trafalgar usava. O menor soltava gemidos intermináveis e tremia o corpo inteiro, tendo seus pelos arrepiados. Suas unhas também cravavam na pele do ruivo, que o segurava e já o tinha deixado de peito desnudo.
– Aahn, p-por quê...
– Você tá quente pra caralho, tem que tirar as roupinhas, bebê.
Law estava tão tonto que nem conseguia raciocinar direito e, devido a temperatura interna, não conseguia mais se debater. Sua visão foi se ofuscando e não mais conseguia enxergar. Drake retirou seu próprio casaco e, em seguida, abaixou a calça do outro juntamente com a cueca.
– V-Você... n-não faz isso, por... por favor... – Tinha lágrimas em sua face.
– Por que não? Você tá tão sensível... – Tocou seu peito.
– Aaaahhhn!
– E geme só com um toque, que fofo, o Kid iria adorar isso.
– P-Pa... para...
– CALA A BOCA, CARALHO! – Do nada, dá um tapa enorme no rosto de Law.
– AI! – Tão forte que o menor quase caiu, mas foi segurado pelo pescoço e jogado contra a parede. – Aahn...
– ESCUTA AQUI, PORRA. – Drake segurou forte seu pescoço, arrancando seu ar. Law arranhava seu braço. – Você vai me obedecer direitinho, entendeu?
– E-Eu...
– ENTENDEU?
– E-Entendi! E-Eu vou... aaahn...
– Ótimo! – O ruivo segurou seu cabelo com força e abaixou suas próprias calças, obrigando Law a se ajoelhar. – Chupa, agora.
– Ahn– Antes que pudesse falar, o outro empurrara seu rosto de forma que engolisse totalmente seu membro, mexendo seu rosto até endurecer dentro de sua garganta. Law apoiou-se em suas pernas e as arranhava com tanta força que quase saía sangue, mas, devido a estar mal acostumado, acabou engasgando e tossindo quando o membro enrijeceu demais.
– Se vomitar eu juro que te mato, agora vai aprender a fazer direito. Usa a língua...
Law tossia, mas era obrigado a engolir mais ainda devido as mãos do outro em seus cabelos. Drake aguardou até o menor se acostumar e realmente usar a língua, daí voltou a subir seu corpo e o jogou contra a parede, de costas.
– Tá preparado, bebê..? – Disse, bem próximo a seus ouvidos, mordendo o lóbulo de sua orelha. – Talvez os analgésicos te façam sentir menos dor...
– P-Para... n-não, não faz... aahn...
– Empina e deixa a coluna bem curvada...
– P-P-Por favor, i-isso não... – Law acaba conseguindo se virar de frente para o ruivo, com os olhos repletos de lágrimas. – P-Por favor...
– HÃ? – Porém, Drake apenas voltou a apertar sua garganta. – Você acha mesmo que eu vou ter pena de você?
– E-Eu–
– CALA BOCA! Céus, como você é irritante, garoto. Eu preciso mesmo te ensinar tudo.
Virou o outro de costas, mais uma vez, com ainda mais intensidade, até espremer o rosto do garoto entre a parede e seu próprio corpo. Drake forçou sua coluna a ficar empinada, puxando seus quadris de modo que Law recebesse seu membro.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHNNNNNNN....!
(…)
– Uh, até que não foi tão ruim.
Depois de quase duas horas, Drake havia utilizado diversas posições sexuais diferentes para que o menor estivesse bem apto e acostumado. O ruivo estava normal, somente cansado, porém, Law estava estirado no chão, com a respiração pesada e batimentos cardíacos aceleradíssimos, prestes a desmaiar por fadiga e falta de ar.
– Ahn... ahn.. hnm... – Tentava acalmar sua respiração, com o corpo totalmente mole.
– Ei, não vai dormir não, tá?
– Hnm... – Suas lágrimas já haviam até secado e estava praticamente inconsciente.
– Agora é a segunda dose. – Drake havia feito mais uma injeção, com os mesmos produtos. – Vira de costas.
– Ok... – Fez o que o outro disse, virando-se o máximo que conseguia. Não obedeceu por querer, mas por seu corpo não estar ciente de verdade. Logo, recebeu outra dose.
– Garotinho, eu vou te contar a segunda parte do meu plano e você vai cumprir, tá bom? – Sentou ao lado de Law, que estava quase desmaiando.
– Na... – Law deitou seu rosto no ombro do outro. – Não quero...
– Você vai querer, acredite. – Drake segura o rosto do garoto e o vira, fazendo-o olhar para si. – Mas vai ter que obedecer direitinho, tá bom?
– … tá...
– Bom garoto. Abre a boquinha. – Law o obedeceu, Drake colocou dois dedos em sua boca e começou a brincar com sua língua, aguardando o efeito da droga surgir. – Você é uma gracinha mesmo...
– Hnm...
– Toma uma água pra acordar. – Drake tirou de sua mochila uma garrafa de dois litros, jogando tanto no rosto do menor quanto em sua boca, até acabar tudo.
– Ai, ai, tá fria! – Law acaba acordando com o choque térmico. – Aahn... – Mas, graças aos efeitos, seu coração batia forte e o mesmo calor invadia seu corpo. Estava excitado demais para conseguir negar qualquer coisa.
Com um último toque, o ruivo vira o rosto do garoto e o puxa pela nuca, usando sua língua contra a dele, dando diversas carícias internas em velocidades diferentes, algumas horas mais intenso, outras, mais lento, utilizando os dentes para puxar levemente os lábios de Law e chupar sua língua, de modo que o outro o imite até beijar com perfeição.
– Tá pronto.
(…)
Trafalgar Law, extremamente dopado e sem conseguir pensar por si próprio, estava agora totalmente nu, coberto apenas por um manto de couro, com listras laranjas e escrito bem grande nas costas o nome “Corazón”. Tal roupa havia sido pega por Dellinger e entregue a Drake pouco antes. Law estava entrando agora no quarto de Doflamingo, Joker.
– Donquixote Doflamingo. – Disse, com a voz mais séria que conseguia, de frente para o outro, fechando a porta do quarto. Tentava não estremer muito uma vez seu corpo agia estranho.
– Dellinger havia me dito que eu receberia um presente se viesse. – O loiro estava sentado de frente para o outro, com a mão no rosto e pernas cruzadas. – Então é você? – Disse, sem se importar. – Posso saber por que roubou a roupa do meu irmão?
– Ela combina mais comigo. Sem ofensas, mas o seu irmão é um completo idiota.
– Oh, e o que você acha que ganha vindo aqui, falar mal do meu querido irmãozinho?
– Vocês dois já nasceram no topo, nunca precisaram fazer nada além de mandar nos subordinados, por isso não sabem dar valor a nada.
– Ei, ei, ei... eu não estou acostumado com pirralhos falando tão diretamente assim comigo, sabia? Você deveria ter um pouco mais de respei–
– Foda-se você. – Law o interrompe, o que deixa Doflamingo sem palavras e até mesmo atingido. – O que foi, não está acostumado com “pirralhos” mandando você se foder?
– O que é que você quer?
– O que todo mundo quer, poder.
– Não é desse jeito que vai conseguir.
– Eu não sou igual aos outros. Aos seis anos eu comecei a estudar medicina, aos doze entrei na faculdade, você depende do meu tio pra conseguir informações do FBI e a única coisa que eu vejo você fazer é ficar sentado o dia todo. Só acho que você não está dando valor as coisas mais simples, Doflamingo.
– Hm, um garoto de quinze anos falando de valores? Que gracinha, fufufu. Mas me diga, o que você veio me pedir, exatamente? Quer virar o novo Corazón?
– Eu não vim pedir nada, eu vim mostrar.
– Mostrar?
– Mostrar o que você ganha comigo por perto. – Law se aproxima.
– Você se acha tão superior, garoto...
– Eu não acho, qualquer um é melhor que o idiota do seu irmão.
– Ei, já deu esse lance de falar mal do meu irmão.
– Ele é um idiota, não sabe andar e se queima com chá. Por que você o mantém como Corazón? Por sangue? Você não tem ninguém a quem confiar esse título.
– E a quem você quer que eu confie?
– Em alguém que realmente mereça, mas pra isso, você vai precisar abrir seus olhos. Em primeiro lugar, você vai parar de me mandar lavar chão.
– Oi, oi, agora tá me dando ordens?
– Em segundo, vai começar a me tratar com mais respeito.
– E por que eu faria isso?
– Porque eu posso te dar uma coisa que o seu irmão não pode.
Law chega mais perto ainda de Doflamingo e fica parado à sua frente. Segura em seu manto e, abrindo-o de uma só vez, deixa a roupa escapar por seus braços e revela toda sua nudez púbere, seu corpo magro e definido, chegando até mesmo a fazer o loiro hesitar.
– Você tem imposição... não conhecia esse seu lado.
– Você não me conhece, então só cala a porra da boca e faz o que tem que fazer.
(…)
– ESCUTEM AQUI TODOS VOCÊS!
Após algumas horas, até mesmo Eustass havia retornado. Doflamingo reuniu todos os seus quatro agentes, Pica, Trebol, Diamante e Corazón para dar-lhes uma notícia à frente de todos. Dellinger, Kid e Drake estavam um ao lado do outro, mas Law estava dormindo no quarto do loiro maior.
– O que tá acontecendo aqui? – Kid perguntou, não entendendo nada. – Aliás, cadê o Law? Ele já saiu do quartinho?
– V-Você acha que... – Dellinger murmura com Drake, segurando suas mãos ansiosamente, uma vez que Doflamingo estava prestes a dar uma palestra.
– Shhh, disfarça! – O ruivo diz para que Kid não perceba, mas por dentro, estava tão ansioso quanto.
– Eu vim aqui dar um anúncio. – Doflamingo começa a dizer. – Eu andei pensando em vocês, crianças, não vai adiantar de nada ficarem esfregando o chão. Quanto mais cedo aprenderem a ter responsabilidade, melhor serão no futuro. Por isso...
– É agora... – Drake serrava os punhos em euforia.
– Eu decidi que cada um de vocês irá receber um treinamento especializado por cada um dos meus agentes-chefe pessoalmente. Dellinger, a partir de hoje você será treinado por Diamante para cuidar futuramente das transações do submundo.
– KYAAH, ISSO, ISSO! – O loiro fica tão eufórico que acaba pulando em cima de Drake.
– E-Ei, sai de cima de mim! – Porém, ele se afasta.
– Sem gritinhos, por favor. – Doflamingo torna a falar. – Eustass Kid, o Adams me disse que você e o Kira são amigos, então você será treinado pelo Pica pra ser assassino de aluguel.
– Eita porra, hã? – O ruivo se assusta. – E-Eu não quero ser assassino de aluguel!
– Prosseguindo. Diez Drake, pelo seu curso na faculdade como criminologia, eu vou te colocar a cargo do Jack, que é o nosso investigador criminal, o valete.
– Isso! Aah, que foda. – Fica maravilhado e arrepiado. – E quem é o Jack, eu posso saber?
– O Adams.
– Quê?
– Então, por último mas não meno–
– Pera, pera, pera... desculpa atrapalhar, mas o Adams é o Jack? Adams, tipo, aquele que fica gritando, escandalizando e me chamando de Nemo?
– Ele é Chefe-diretor do FBI.
– Hã, como aquela porra é diretor de alguma coisa?!
– Oh, não gostou?
– N-NÃO, NÃO! E-Eu aceito o cargo, o Adams é uma pessoa maravilhosa.
– Prosseguindo. Por último e mais importante, eu confiarei a Trafalgar Law ser treinado diretamente pelo meu próprio irmão, Corazón.
– PFFFFFFFFFFFFFFFFFT! – Rosinante cospe o seu chá. – C-C-C-COMO É QUE É? O PIRRALHO?!
– Fufufu, esse mesmo.
– E-Eu achei que você ia dá-lo ao Trebol! Poxa, logo eu?
– O Trebol já está treinando uma menina, mas não é importante agora. Enfim, vocês receberão o treinamento completo e se não aguentarem, saiam o quanto antes. Também não vai ter salário.
Com a última frase, o bando se separou. Dellinger foi em direção a Diamante, com quem treinaria, e Doflamingo voltou a seus afazeres. Kid estava chocado demais e foi tirar satisfação com o outro ruivo.
– Que merda aconteceu enquanto eu estive fora? – Perguntou.
– Ah, o Doflamingo liberou o Law do castigo, daí eu não os vi mais, eu também não esperava por essa.
– C-Cara, que que foi isso? E-Eu vou ter que virar assassino? Eu nunca nem matei ninguém!
– Bom, é pra isso que serve o treinamento, eu acho.
– Sério mesmo? Eu achei que o pessoal de criminologia fosse bonzinho, mas você é totalmente diferente do que eu achava...
– Kid, eu sou a mesma pessoa, só estou ampliando minhas áreas. Enfim, você pode me dar o celular do Adams?
– Que seja, eu vou procurar o Law.
Kid deu às costas, indo procurar seu amigo, ao mesmo tempo em que Drake, por já saber onde o menor se encontrava, foi até o quarto de Doflamingo. Ao chegar lá, estava vazio e a única pessoa era Law, que estava na cama, deitado, dormindo pelado, coberto por lençóis.
– Ei, garoto. – Drake sentou-se na cama, o cutucando. – Garoto...
– Hnm... – Law foi despertando com uma extrema dor de cabeça, tontura e visão embaçada. Ainda encontrava-se um pouco dopado, mas logo teve um choque de realidade ao ver o ruivo. – V-VO-VOCÊ!
– Eu–
– FICA LONGE DE MIM! – Desesperado, seus batimentos cardíacos estavam acelerados e ele apenas pegou um travesseiro. – SE AFASTA, SAI DAQUI! – E, mesmo sentado na cama, ia para trás, até não conseguir devido a parede e permanecer recluso, escondido debaixo do travesseiro.
– F-Fica calmo, eu–
– SAI DAQUI, SAI DA MINHA FRENTE! – Não parava de gritar.
– C-Cal–
– NÃO ENCOSTA EM MIM!
– Ei, ei, eu–
– SOCORRO, ALG–
Drake vai para cima dele, o calando com a mão do modo mais forte que conseguia. Law começa a tentar se defender, o arranhando e se debatendo, tentando gritar pra sair dali, mas sem sucesso.
– Se acalma! Eu não vou te machucar, fica calmo, caralho!
– Hhnm... – Tentava gritar, estava ameaçando ter um ataque cardíaco.
– Me ouve, tá bom? Não vai adiantar nada ficar esperneando.
– … – Se acalmou, derramando algumas lágrimas.
– Você tá bem? Tá sentindo dor ou alguma coisa?
– Não...
– Que bom... descansa, você fez muito esforço físico. O Kid tá aí, daqui a pouco ele nos encontra.
– É s-só isso que você vai me dizer? V-Você... você, eu...
– Eu sei, eu fiz merda e te assustei, desculpa, mas você conseguiu. Parabéns, agora nós fazemos parte do exército oficial, não é ótimo?
– Por que você fez aquilo comigo? – Começou a chorar mais. – E disse aquelas coisas... eu achei que nós éramos amigos, mas... esse tempo todo...
– Não fala assim, é claro que somos amigos, desculpa por aquilo.
– “Desculpa”?
– Eu acabei perdendo o controle pra ganhar esse cargo e te usei, mas eu me arrependi, tá bom? Não precisa ficar com medo, eu não vou te machucar nem fazer nada contra ti.
– Isso tudo foi pra conseguir um título?
– Um dia ruim pra milhares de dias maravilhosos que vão vir pela frente! Pra nós dois, você vai ser treinado pelo Corazón.
– Eu não quero isso... eu não quero nem olhar pra você...
– Tá, tá, vamos fazer um acordo. Eu entendo que você esteja puto comigo, então eu vou me afastar de você, tá bom? Nem na faculdade você vai precisar olhar pra mim.
– Verdade..?
– Desde que você não conte pro Kid.
– … Kid...
– E eu também preciso que você diga uma coisa a ele. – Drake sussurra no ouvido de Law.
– Ah, é aí que vocês estão! – Mas logo o outro ruivo os encontra. – La...
Contudo, assim que chegou, Kid viu seu amigo sentado na cama, sem camisa, com um cobertor cobrindo suas partes íntimas, lágrimas nos olhos e pele pálida.
– Kid... – Law o chama, mas o outro parece ter visto um fantasma.
– O quê...
– Kid, vem cá, eu preciso falar contigo. – Drake o arrasta para fora do quarto.
– O Law, por que ele... aquilo... o quê... – Estava em choque.
– Então, ele me contou o motivo de nós termos conseguido o cargo. Ele e o Joker...
– Não... não, não, não...
– Eu se–
– EU VOU MATAR AQUELE FILHO DA PUTA! – Kid se vira, indo procurar Doflamingo. – DESGRAÇADO, APROVEITADOR ESCROTO DO CARALHO EU VOU MATAR AQUELE MERDA!
– Kid, calma! – Porém, o outro o impede.
– NÃO TENTA ME IMPEDIR, ME SOLTA! – O que faz com que ele acabe o empurrando.
– Espera, me ouve, não faz besteira! – Mas Drake continua tentando o acalmar. – Não é o que você tá pensando!
– O que é então? Pra mi–
– Kid.
Law aparece, vestido, segurando seu braço e mancando um pouco, com um semblante triste. Eustass se acalma.
– Law...
– Não faz isso, por favor... o Joker pode te matar...
– Eu não ligo! Eu não ligo, eu só–
– Por favor. Eu não quero que você morra, eu não posso te perder.
– Law, eu...
– Não foi é o que você tá pensando, fui eu quem pedi pra ficar com o Doflamingo.
– Oi?
– Eu disse que ficaria se ele me desse o cargo de Corazón.
– Você fez o quê? – Kid vai em direção a ele. – VOCÊ FICOU MALUCO?
– Eu–
– ISSO FOI NOJENTO! Que merda é essa, há três horas você não aguentava nem que eu te beijasse, agora você transa por dinheiro?
– …
– Tá de sacanagem? Eu achei que aquele merda tinha te forçado, porra, mas você dormiu com ele porque quis? VAI SE FODER ENTÃO!
– Kid...
– Nunca mais chega perto ou encosta em mim! Eu tenho nojo de você, eu achei que você prestava, mas é só uma miniatura de vagabunda.
– Ei, ei, ei. – Drake interfere. – Não fala assim com ele.
– O que você quer que eu diga? Você ouviu!
– Eu ouvi que você é um escroto! Você não tá vendo a situação do Law? É esse amor todo que você tinha?
– Mas ele fez porque quis, agora que arque com as consequências!
– Ele tem quinze anos, você acha mesmo que ele vai escolher fazer isso? É óbvio que foi abuso, idiota.
– Ele admitiu que não foi!
– Então é assim, seu amor todo acabou tão rápido assim? Vai deixá-lo de lado no momento que ele precisa de você?
– Se ele precisasse de mim não teria dormido com out–
– KID, OLHA PRA PORRA DA CARA DELE! – Acaba gritando e apontando para Law, que estava prestes a desmaiar. – Você acha mesmo que agora é a hora de você estar dizendo isso?
Eustass sente um aperto enorme em seu peito, junto com culpa, assim que vê seu melhor amigo naquela situação. Ele fica com vontade de chorar, mas engole seu ódio e vai em direção a Law.
– Law...
– … – Desvia o olhar.
– Desculpa. – E o abraça bem forte, colocando o rosto dele contra seu peito. – Você tá bem?
– Eu tô... cansado.
– Vem pra casa comigo, descansa e depois me conta porque você fez isso.
– Tá bom...
(…)
♠ Mais tarde, no laboratório. ♠
– Joseph, você não vai acreditar!
– Como foi? – Fica assustado. – Eu nem consegui dormir pensando nisso, como foi o seu plano de prostituir uma criança?
– Deu certo! Agora eu vou receber o treinamento do Jack e fazer parte do submundo!
– Ótimo, valeu à pena virar um merda pederasta?
– Sim, valeu, mas não é só isso. Você não acredita no que eu descobri.
– O quê?
– Sabe quem é o Jack? Você conhece ele.
– Jack é o informante, né? Eu conheço?
– Sim, ele é Chefe-diretor do FBI, e adivinha, também é o Adams.
– Adams? Pera, Adams aquela coisa vermelha nojenta e irritante?
– Isso, eu–
– Você vai ser treinado por um velho pedófilo, rei da gangue do arco-íris? HAHAHAHAHAHAHAHA! – Ataque de risos.
– P-Para de ri–
– HAHAHAHAHAA! Meu Deus, eu nunca ri tanto na minha vida! Hahahahaha, eu vou morrer!
– Joseph, cala a boca! Você não entendeu que eu disse que ele é do FBI?
– Ai, ai... eu dou uma semana pra você se converter.
– Tsc...
– Ah, ele é do FBI? Nossa, eu expulsei ele daqui com uma vassoura.
– Enfim, eu só vim te avisar que eu não vou mais precisar das injeções, então obrigado.
– Que bom, esse seu plano fez o meu asco por você aumentar em várias vezes, capetinha. Você é um viado pedófilo desgraçado.
– Me chama do que quiser, eu vou ser rico!
♠ No dia seguinte, na casa de Law e Kid. ♠
– Bom dia... – Haviam acabado de despertar juntos. Law já estava normal, embora se sentisse estranho.
– Kid... – Estavam sentados na cama. O menor apoiou seu rosto no peito do ruivo. – Me perdoa.
– Você fez mesmo aquilo pelo cargo? Ninguém te forçou?
– … um dia ruim pra uma vida melhor. O Doflamingo me deu essa proposta, mas foi só uma vez.
– Ei. – Kid olha para o rosto do outro, acariciando suas madeixas. – Me conta tudo, tá bom? Eu vou te proteger até o fim.
– Posso te pedir uma coisa?
– Claro.
– Não conta pra ninguém. Ou melhor, não fala mais nisso, tá bom? Eu só quero esquecer, só isso, finge que nunca aconteceu.
– Tá bom, eu vou tentar esquecer por você, mas...
– Mas?
– Quer dizer, você vai continuar com o Joker..?
– N-Não, eu... não vou voltar a fazer nada disso, só vou ficar perto do Corazón. Ele me odeia então é mais seguro.
– … tá bom, eu confio em você e vou te proteger de tudo. É uma promessa.
– Então é uma promessa. – Law segura o dedo mindinho de Eustass. – De agora em diante, eu só vou confiar em você.
– E eu em você, pra sempre.
– Pra sempre.
(…)
“Doooooory! Aaaah, eu não ouço sua voz há tanto tempinho, e nooossaaa, é sério que agora eu vou poder treinar os amigos do meu bebê? Aaaaawn! Essa decisão do Loiro Magia foi a melhor, ELE É O MELHOR! Você é o melhor, nós somos os melhores.”
– Caramba, você fala demais. – Drake estava conversando no telefone com Adams, também conhecido como Jack. – Como você vai me treinar se você mora nos Estados Unidos?
“E o Leãozinho vai seguir a mesma carreira do Kirakira? Awn, que fofo!”
– Responde...
“Ah, eu vou liberar pra você a senha de uma central de arquivos do FBI, tem alguns contratos chatos de negócios antigos que você vai precisar ler, mas vamos falar sobre as coisas legais. Tem uns livros proibidos e raros aqui também.”
– Livros proibidos e raros?
“É, ocultismo, experiências ilegais feitas, essas coisas, é bem interessante. Ah, tem uma parte aí na central do Submundo onde eu guardo meu arsenal de armas, a chave tá com o Loiro Magia, pega com ele.”
– S-Sério? Posso ficar com elas?
“Gosta de armas?”
– Pra caralho.
“Eu vou te treinar pra ser sniper então! Ah, e como o meu bebê tá com o Cai cai?”
– O Law com o Corazón? Sei lá, eu não falo muito com eles.
Sempre, depois da faculdade, Law, Kid e Drake iriam se encontrar na sede do submundo, que é onde estavam agora. Do outro lado, em um quarto qualquer, Trafalgar estava recebendo seu treinamento para o cargo de Corazón.
– Eu ainda não acredito que o Doffy fez isso... – Rosinante se lamentava. – Ele sabe que eu odeio pirralhos e agora preciso treiná-lo? E logo o mais inútil?
– Será que dá pra parar de me tratar como criança? Que saco, você é muito chato!
– Vem cá, como você conseguiu que o Doffy fizesse isso?
– Não te interessa. Vai ficar falando ou começar o treinamento?
– Só me diz. Você é jovem, é inteligente e até está numa faculdade. Pra que você quer desperdiçar sua vida nesse lugar? Se eu fosse você, aproveitaria pra ser uma pessoa na vida.
– Mas você não sou eu. Se não tá satisfeito, por que não vai embora?
– Garoto, você é livre pra sair quando quiser, eu nasci nessa família de merda. O problema é que vocês crianças não aproveitam a oportunidade que tem e me deixam puto, é só isso.
– Não é só porque você não gosta que é uma coisa ruim. Vai me treinar ou ficar falando?
– Eu só tenho medo de você se arrepender no futuro e a culpa ser minha, mas se você faz tanta questão de estragar sua vida...
(…)
A noite caiu, Trafalgar Law e Kid estavam dormindo juntos. Eram exatamente duas horas da manhã quando o mais novo começou a se sentir desconfortável. Primeiro seu corpo todo estremeceu por dentro, como se tivesse recebido um choque térmico, o que o fez despertar. Mas não acordou de fato, não conseguia se mexer, uma onda de tontura e febre o havia invadido, sua visão estava embaçada.
Sua respiração estava pesada, porém, acabou levantando sem nem ao menos se dar conta. Não colocou sequer uma roupa além do pijama, saiu de casa esbarrando pelos móveis com pressa, apesar de andar devagar. Foi até onde Jurema, sua égua, estava e subiu em cima dela.
– Me leva... pra...
Uma parte sua estava em estado de fadiga, mas outra o impedia de ficar parado. Jurema começou a correr para o endereço indicado, até chegarem à cidade grande, mais especificamente na casa de Drake. Law estacionou seu cavalo e tocou a campainha.
– Law? – Sendo atendido pela mãe do ruivo, uma loira alta que estava já pronta para sair. – Você por aqui? São três da manhã, eu tô indo pra uma festa agora.
– Oi, eu... posso falar... com o Drake?
– Ele tá dormindo, mas se quiser entrar fica à vontade. Tem brownie na geladeira.
– Brigado.
Law entrou em casa, indo diretamente para o quarto do ruivo, que estava dormindo inocentemente. Não mais tardio, subiu em cima da cama e começou a cutucá-lo.
– Ei... acorda...
– Ahn.. quê? – Ele acabou despertando e, a primeira imagem que viu, foi a de Law. – Q-Q-Q-Q-Q-QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? Que susto, porra!
– Eu...
– V-Você veio se vingar de mim, é isso? Que merda, cara, que horas são?
– Me dá... aquilo...
– Aquilo o quê?
– A injeção...
– Hã?
– Você tem? Me dá ela! – Law apoia suas mãos no ombro do ruivo e começa a balançá-lo. – Me dá ela! Rápido, me dá logo essa droga!
– D-Do que você tá falando, seu masoquista? Eu não tenho mais dessa merda.
– Não... tem sim... TEM QUE TER! – Ele grita e começa a segurar o braço do outro tão forte que até mesmo arranhava. – Me dá ela, por favor! Só me dá!
– C-Calma! – Se afastou. – Pera, pera... você tá viciado?
– Me dá... por favor...
– Eu não tenho e o laboratório só abre de manhã, espera um pouco.
– Não dá! Eu senti isso hoje mais cedo, eu tentei ignorar, mas não dá! Só um pouco...
– V-Vem comigo, eu vou ver se tem alguma coisa.
Drake o arrasta até o banheiro, onde pega um frasco de GHB em seu armário.
– Toma, bebe isso.
– B-Brigado. – E Law o obedece.
– Que saco, você é problemático... hoje de manhã tava morrendo de medo de mim, agora invade minha casa?
– O que tinha naquela injeção?
– Sei lá, muita coisa.
– Me dá a fórmula...
– Você tá realmente viciado naquilo? Que coisa, eu nem tinha pensado nisso. E agora?
– Eu vou fazer um tratamento de reabilitação, mas eu preciso da fór... – Do nada, ele sente algo no corpo. – Aahn, que saco...
– O que foi agora?
– Drake... – Law cai no peito do ruivo. – Faz aquilo comigo...
– O-Oi? Eu faço um acordo de não te perseguir mais e você invade minha casa me pedindo pra repetir aquilo? Caralho, hein.
– Por favor... só uma última vez...
– Tá maluco? Eu não! Se isso é efeito da GHB então fica aí no banheiro e se vira, eu não curto garotinhos. – Ele sai do banheiro, fechando a porta. – Quando terminar, vaza daqui, eu vou dormir e não quero te ver.
(…)
No dia seguinte, na faculdade, Law, Kid, Nicolle, Trevoso e Mikael estavam reunidos como sempre, visto que são amigos. Eis que Drake surge.
– Oi. – E olha diretamente pra Law, que desvia o olhar.
– Nossa, há quanto tempo! – Nicolle comenta. – O que houve? Você sumiu, esqueceu dos amigos?
– Eu preciso falar com o Law em particular.
Dito isso, os dois jovens foram para um canto sem ninguém, com o menor totalmente desconfortável.
– Que merda foi aquela de madrugada? – Drake pergunta perplexo. – Você invadiu a minha casa e me pediu pra foder contigo!
– E-E-Eu não... é que...
– Você é masoquista?
– O que você colocou naquela injeção, foi alguma mistura? Esses negócios viciam, caso você não saiba! Por sorte o Kid não notou que eu saí, mas eu nunca diria aquilo consciente.
– E o que eu devo fazer, te dar aquilo?
– Eu vou ter que tirar as substâncias do meu corpo, me dá a fórmula.
– Não tenho.
– Então arranja!
– Eu não, a minha parte do acordo eu já cumpri, agora você se vira.
– Hã? Você não pode fazer isso comigo!
– Eu tô nem aí pra você, eu hein. Se bem que eu andei pensando em algumas coisas...
– O quê?
– E se ao invés de te curar, aumentar a sua dose? Quer dizer, se o Joker começar a gostar mais de ti nós vamos receber mais benefícios.
– V-Você ficou maluco? E-Eu não vou fazer aquilo de novo!
– Ah, para, você tem tanta carinha de quem curte. Quer enganar quem? Ontem foi a prova definitiva pra mim.
– O-Ontem eu ia morrer se não fizesse aquilo, não foi porque eu quis!
– Mas se eu tivesse te fodido você teria gostado, não é?
– C-C-Claro que não! Você é doente!
– Aham, aham. Hoje à tarde eu falo contigo.
♠ Mais tarde, no Laboratório. ♠
– Primo, você não vai acreditar no que aconteceu!
– Não me chama de primo, eu não sou seu primo. Eu não fiquei séculos na justiça pra adotar o nome de solteiro da minha mãe e tentar me livrar de você à toa.
– Que seja, mas é sobre o Law. Ele apareceu lá em casa me implorando a injeção.
– Eu sabia... você colocou o dobro dos ingredientes que eu te indiquei, né?
– Talvez.
– Ele tá viciado, se fodeu, não tem cura.
– Quem tá falando em cura? Prepara aí umas injeções, eu vou repetir o processo!
– Hã?!
♠ À tarde, na sede do submundo. Law e Drake estavam juntos no mesmo quarto da primeira vez. ♠
– E-Eu não vou usar... ahn... – Law estava se negando a usar a droga, mas seu corpo não reagia direito. Voltou a ter os mesmos sintomas.
– Você tá morrendo de vontade de usar, para de fazer pose de machão.
– M-Mas eu...
– Vai, abaixa logo as calças. Se o Joker gostar de você talvez ele até te dê dinheiro! Já pensou que maravilha?
♠ Depois de encontrar Doflamingo e evitar encontrar Kid, ambos se reuniram de novo. ♠
– Eu não acredito que eu fiz isso de novo... – Law estava sentado no chão, arrependido. – Não acredito...
– E aí, como foi? Foi melhor que na primeira vez?
– Pelo menos não doeu.
– Viu só? Eu disse que seria bom pra você! Assim você adquire maturidade, vai ser bom pra todo mundo.
– Você é um monstro... como eu convivi contigo por tanto tempo?
– O Joker gostou? Pff, claro que gostou, ele tem que gostar porque nós vamos fazer isso todos os dias.
– Vai nessa. Eu vou fazer um exame de sangue completo, descobrir o que tem nessa porra e me curar.
– Boa sorte com isso. Vai contar pro Kid?
– Óbvio que não.
♠ Uma semana depois, no laboratório. ♠
– Joseph, meu querido!
– Puta merda, o que é que você quer, cria do capiroto?
– Vim pegar mais injeção.
– Hã? Eu te dei o suficiente pra duas semanas justamente pra não ter que te ver!
– Heh, eu já usei, foi mal.
– Argh, imprestável...
– Aquele garoto é maravilhoso, o submundo é maravilhoso, até a porra do Adams é maravilhoso! Você acredita que ele me mostrou uns arquivos proibidos do FBI? Cara, é tanta merda que tem naquele governo que você não faz ideia.
– Ah não, agora ele vai se apaixonar pela Maricona. Já não basta ser pederasta?
– Você deveria me amar, porra, eu tô te dando dinheiro pra caralho.
– Não dá pra te amar, capetinha, pra mim você é uma bosta presa no meu sapato.
♠ À tarde, na sede do submundo. ♠
Law havia acabado de voltar do quarto de Doflamingo e Drake o esperava lá dentro.
– E aí, como foi dessa vez? – Quando o menor surgiu, o ruivo segurou em seu ombro e olhou firme em seus olhos.
– Do mesmo jeito que todas as outras. Por que você se importa?
– Hoje faz exatamente uma semana desde que nós começamos, você mudou demais, até no treinamento com o Corazón. Tá de parabéns, garoto.
– Não fala isso como se fosse uma coisa boa, eu sou obrigado a te aturar.
– Ah, para, eu não te obrigo, você gosta que eu sei.
– Não.
– Para de tentar fazer pose de machão... – Faz Law encostar na parede, afastando seus cabelos. – Você gosta sim, admite logo, dá pra ver nesses olhinhos.
– Por que eu diria isso?
– Só diz, vai... – Se aproxima perto de seus ouvidos, segurando sua cintura.
– Afasta..
– Deixa disso, eu quero saber o quanto você melhorou. Você nunca fez sóbrio, né?
– Não era você quem tinha nojo de homens?
– Você não é homem, é só o meu garotinho. – Volta a olhá-lo nos olhos, pressionando um dedo contra seus lábios. – Eu quero saber se você consegue fazer por vontade própria, vai... eu não quero te obrigar.
– Então me larga...
– Você nem faz mais esforço pra sair. – Em um toque não muito profundo, o ruivo dá um pequeno beijo nele. – Eu prometo que vou tentar não te machucar muito.
♠ Dois dias depois, na faculdade. Law e Drake estavam juntos, sozinhos. ♠
– T-Tem certeza mesmo? – Law estava com medo.
– Confia em mim! Tem vários caras aqui nessa faculdade que aceitariam ficar contigo, isso vai te dar mais experiência.
– Eu não tenho certeza se quero isso...
– Ah para, não é nem sexo. Você disse que preferia ficar com gente sóbrio, né? Eu nem te dei nada.
– Mas eu nem sei chegar em ninguém.
– Isso você deixa comigo.
Drake deixa Law de lado por um segundo e vai na direção de um outro ruivo chamado Shanks, que também estudava ali.
– E aí! Tá sumido, hein.
– Haha, pois é, tá difícil vir pra faculdade. O Buggy foi preso, sabia? – Shanks afirma.
– Jura? Que absurdo... se eu conseguir soltá-lo você me paga quanto?
– Han? Mas você nem é formado em criminologia ainda.
– Sim, mas supondo que eu conseguisse.
– Ah, aí eu te daria grana pro resto da vida! Cê acha que consegue?
– Deixa comigo. Trocando de assunto, o meu amigo tava querendo ficar com algumas pessoas, mas ele é meio tímido. Você acha que conhece alguém mais “descontraído”?
– Pow, eu conheço uma galera que curte muito ficar de pegação atrás da faculdade! Quer ir pra lá?
♠ Cinco dias depois, na casa de Drake. Law havia ido pra lá estudar e estava de noite. ♠
Dentro da casa do ruivo, já consideravelmente tarde, a mãe de Drake estava se preparando para sair ao mesmo tempo em que os garotos liam livros raros e proibidos.
– Ao invés de ficarem lendo, por que não vão sair? – A mãe dele pergunta. – Vão beber, fumar, se divertir, sei lá!
– Cara, é um livro raro e proibido. – Os dois afirmam. – Você não entenderia.
– Eu entendo que abriu um novo clube cheio de pessoas da idade de vocês, vocês deveriam ir.
– Quer saber? Tem razão. – Drake afirma. – Você nunca bebeu, né, Law?
– Álcool não tem nenhuma qualidade e só traz problemas, por que eu faria isso?
– Você é muito criancinha ainda, acho que não custa nada tentar te levar às festas. Beleza, eu vou fazer uma identidade falsa pra você!
Dito, a mãe de Drake lhes deu o endereço de uma festa que conhecia e ambos foram, visto que Law já havia avisado à sua mãe que dormiria fora. Contudo, ao chegarem lá, notaram algo estranho.
– Han... por que é que só tem homem aqui? – Drake pergunta assustado.
– Tem umas ali no canto.
– Aquilo não é mulher! Que merda é essa, a minha mãe acha que eu sou gay? Mas que ultraje, eu vou tirar satisfação com ela agora mesmo!
– Vamos embora daqui logo, tem muita gente...
– Nem pensar, eu vou te ensinar a beber desde vodka até tequila, e depois eu vou te jogar na pista de dança.
– Han? P-Pera, você vai me fazer ficar com essas pessoas?!
– Nem vou precisar, depois de algumas doses você vai se jogar rapidinho por vontade própria. O meu objetivo é que você admita logo que gosta de fazer isso.
(…)
Um mês se passou, muitas coisas ocorreram. Law já havia deixado de lado seus amigos na faculdade e apenas andava com Drake, porém, o caso mais complicado é de Eustass Kid. O ruivo estava absurdamente desesperado em sua própria casa, chorando e ligando para Adams.
“Oi, Leãozinho!”
– A-A-Adams, pelo amor de tudo que há de mais sagrado no mundo, você precisa me ajudar!
“O que houve? Você tá chorando?!”
– E-Eu tô com medo, Adams, por favor... me ajuda...
“Fala logo o que tá acontecendo, criatura!”
– É o Law! O Law, ele tá estranho!
“O meu bebê? O que houve com ele? O que aconteceu? Ele tá bem?! FALA LOGO!”
– Não, ele não tá bem, ele virou puta!
Haviam vezes que Law sequer voltava para casa na noite anterior e, quando voltava, fugia na madrugada.
♠ Na faculdade. ♠
– Tem certeza que não quer ficar estudando? Amanhã tem prova. – Drake diz.
– Nah, eu já marquei com uns amigos, a gente vai fumar narguillé depois daqui e ainda precisa comprar carvão, e eu disse ao Kid que ficaria na sua casa estudando.
– Desde que você não esqueça que tem encontro com o Doflamingo à noite, por mim tanto faz.
– Falando no diabo, ele tá um porre ultimamente, fica querendo saber pra onde eu saio, tsc.
– O Kid? Porra, óbvio, você tá pegando a escola inteira! Eu já mandei você se controlar, garoto.
– Foda-se você dois, eu faço o que eu quero. Aliás... – Law empurra o ruivo contra a parede e abraça seu pescoço, jogando-se em seu peito. – Me dá aquilo mais cedo...
– Nem pensar, suas doses são às 16h.
– Ah, para... só um pouquinho...
– A injeção é forte demais, desiste, eu não vou aumentar sua dosagem.
– Tsc. – Se afasta. – Fresco.
♠ Ainda na faculdade. ♠
Law estava sentado no colo de Thatch, ao lado de Marco, quando Drake surgiu.
– Porra, onde você tava? Você sumiu!
– Eu não te devo satisfações. – Law responde, abraçando o pescoço de Thatch, que abraçava sua cintura. – Não tá vendo que eu tô ocupado?
– Dói pelo menos ser mais discreto? Se o Kid vir ele vai ficar chorando, é um saco.
– Quem é Kid? – Thatch pergunta.
– Um ruivo que fica com ciúmes de mim.
– Hahaha, sério? É algum namorado?
– Nossa, tem muitos ruivos presentes aqui. – Marco diz, estranhando.
♠ Na casa dos amigos. ♠
Drake acabou indo junto com Law e outras quatro pessoas fumar narguillé com maconha. Já estavam totalmente chapados quando o telefone do moreno toca.
– Eita, é o Adams... – E ele atende. – Oie, tio...
“Coração, que babado é esse de você estar rodando o colégio? Me conta!”
– Affê, o Kid tá dizendo coisa que não deve... é que ele é muuuuito ciumento, aí eu mandei ele se foder e disse que ficaria com todo mundo menos com ele.
“Hahaha, então é verdade, eu sabiaa! A puberdade é uma coisa maravilhosa! Aproveita a vida!”
– Brigado... você é o Drake sãoo os únicos que me entendem...
“O Dory tá aí contigo?”
– Aham, a gente tá... com narguillé e beck...
Law passa o telefone para o ruivo.
– E aí, Adams! Qual é a boa?
“Você não tinha me contado que era tão amigo do meu bebê e, wow, cês tão juntos? O Leãozinho sabe disso? Ele é tão ciumento... IGUAL A MIM. Hahahaha.”
– O Kid não pode saber disso de jeito nenhum, tá bom? Eu sempre digo a ele que eu tento fazer o máximo pro Law não sair com ninguém e tudo mais.
“Hm... tá bom! Eu vou passar aí na Inglaterra, ai tipo, eu tenho uma Mansão e a gente podia dar uma festa né. NOSSA, SERIA MUITO BOM! Mas cuida direitinho do meu coração, tá? Ele é muito novinho ainda.”
♠ Mais tarde na central do submundo, Kid havia ido falar com Drake. ♠
– Não é possível que você não saiba nada sobre! – Eustass havia entrado em desespero. – Tá todo mundo comentando sobre o Law naquele lugar, ficam dizendo várias coisas nojentas. O Mika me disse que viu ele fazendo suruba no vestiário com o time de futebol, que merda é essa?
– Suruba é tip–
– EU SEI O QUE É, CARALHO! Eu quero saber como o Law pode fazer uma porra dessas, é impossível! Ele quase não volta pra casa, até as minhas notas estão melhores que as dele. O que tá acontecendo? Me conta!
– Kid, eu já disse que eu não sei.
– Impossível! Vocês ficam juntos o tempo todo! Você também tá incluso nessa?
– Não! Tá certo, eu vejo ele ficando com algumas pessoas sim, muitas na verdade, mas eu não sei o motivo. Eu perguntei e ele disse que gosta, só isso, talvez seja puberdade.
– Tá todo mundo dizendo que é puberdade! ONDE ISSO É PUBERDADE? Há um mês ele não conseguia nem me beijar, agora tá fazendo orgia? Hã?!
– Talvez ele já tivesse feito antes, mas escondia, sei lá.
– E você acha isso normal? Você não se importa?
– Claro que me importo, nós somos amigos, mas eu não posso obrigar ele a parar de fazer isso, entende? Eu juro que nós só falamos de livros, eu não gosto de homens.
♠ De noite, na casa de Law e Kid. ♠
– VOCÊ NÃO VAI SAIR!
– VOU SIM, VAI À MERDA! – Law gritou, terminando de colocar suas roupas. – Tchau!
– Onde você vai? – Kid segura seu braço. – Que horas volta? Vai sair com quem?
– FODA-SE VOCÊ, que saco, você não é meu pai!
– Por que você tá fazendo isso? Como isso começou? Você tá estranho, nem liga mais pra tirar boas notas! É por causa do Doflamingo, né? Você tá com ele ainda?
– Eu nunca parei de foder com o Doflamingo, é isso que você quer saber? Então agora me deixa em paz!
– Isso é sério mesmo? … e o Drake?
– Ele é outro merda como você, aliás, os dois são insuportáveis! Se não fossem pelos livros que ele me dá eu não falaria mais com ele, toda hora fica mandando eu ficar quieto, é um saco.
– Óbvio, nós nos preocupamos com você!
– Eu não preciso que se preocupem comigo. – Dá as costas. – Tchau! Diz pra minha mãe que eu tô levando agasalho.
(…)
No dia seguinte, Adams chegou à Inglaterra a pedido de Kid, porém, este odiou a presença do adulto uma vez que o ruivo havia combinado de fazer uma grande festa em sua Mansão, convidando milhares de homens estranhos. Eustass não teve coragem de ir à festa, então Drake se ofereceu para ir cuidar de Law. Entretanto, a festa começou sexta feira e todos desapareceram até segunda de manhã, quando Drake surgiu na faculdade aos gritos.
– KID! – Estava correndo e gritando desesperadamente. – Kid, pelo amor de Deus, me ajuda!
– ATÉ QUE ENFIM! – Eustass estava com tanta aflição que arrancava os próprios cabelos. – Você e o Law saíram sexta feira e eu só tô conseguindo ver você hoje! Cadê o Law? O que rolou naquela festa? RESPONDE!
– Caralho, mano, que merda de festa era aquela? O Adams é completamente maluco! Ele só convidou homens, eu tive que lutar pela minha bunda, mas por sorte eu encontrei uma espada lá.
– Foda-se você! E o Law?
– Foi horrível, traumatizante! – Drake se joga no peito do ruivo e lhe dá um abraço, começando a derramar lágrimas. – Desculpa, Kid, eu fiz tudo que eu podia fazer, eu juro... eu, ele... – Chorou ainda mais. – Eu tentei fazer o possível, mas...
– F-Fala logo o que aconteceu, pelo amor de Deus!
– O Adams... foi horrível... ele obrigou o Law a ficar com todo mundo, eu disse pro Law sair daquele lugar, mas ele não me ouviu, ele ainda tá lá dormindo, eu fiquei pra protegê-lo e evitar que ele fizesse besteira, eu juro que eu fiz o possível. Kid, eu tô muito preocupado com esse garoto.
♠ Um pouco antes, depois da festa acabar segunda de manhã, Law e Drake estavam juntos. ♠
O moreno estava jogado no chão, escondendo o rosto nas pernas, ameaçando chorar enquanto segurava um baseado. Tentava se fazer de forte, mas por dentro estava apavorado e com nojo de si. Drake, por outro lado, ria com dinheiro nas mãos.
– Hahahahahaha, EU AMO O ADAMS! – E gritou, jogando as cédulas. – Caralho, eu amo vocês dois, porra! Você é o melhor... você é uma verdadeira vadia, caralho!
– … – Estava semi morto e arrependido, recluso no canto.
– Eu ainda não acredito que o Adams realmente te prostituiu! Porra, ele me fez cobrar dinheiro como se eu fosse um cafetão, que merda foi aquela? Caralho, foi muito bom! Como eu não pensei nisso antes?
– Cala boca, por favor...
– Esse tempo todo eu me divertia vendo você dar pra faculdade toda, mas caralho, como eu nunca pensei em cobrar? Que perda de tempo!
– Drake...
– Meu primo entende um pouco dessa parada de prostituição, eu acho, vou falar com ele.
– … eu quero parar com isso, não dá mais... eu odeio isso... odeio brigar com o Kid... odeio o Adams... odeio aquelas pessoas...
– Do que você tá falando?
– Essas injeções, as drogas, elas... eu faço aquelas coisas por causa disso, mas... – Começa a chorar. – Eu tenho nojo do meu corpo... nojo de mim, nojo de tudo que eu faço.
– Para de falar bosta, isso é frescura sua, é só a “bad”. Daqui há pouco você já vai estar felizinho de novo.
– Eu já aceitei tudo o que você vem fazendo, mas... não envolve dinheiro, por favor...
– E que diferença faz ficar de graça ou cobrar? Eu hein, que frescura, você vai se acostumar, relaxa. Eu vou fazer tudo o mais seguro possível.
♠ Mais tarde, na casa de Eustass. ♠
Kid não conseguia parar de chorar, já havia procurado Law em todos os lugares possíveis mas este havia desaparecido. Era de noite e ele estava em seu quarto.
– Kid... – Quando Law chega, completamente destruído.
– LAW! – E o ruivo não pensa duas vezes antes de abraçá-lo forte, cheirando-o inclusive. – Até que enfim você voltou! Eu não te vejo há quatro dias, pelo amor de Deus, me diz se você tá bem, me diz qualquer coisa, eu vou tentar não me importar se você quiser ficar com outros, mas por favor me avisa pra onde você vai, me diz com quem você tá, me diz se você tá bem...
– Kid, eu... – Law se apoia no peito do ruivo e começa a chorar. – Me desculpa, eu fui um merda contigo...
– Esquece isso, só me diz! Como você tá? – Kid se afasta para olhá-lo. – Você tá péssimo...
– Eu tô... cansado...
Kid senta na cama, encosta na cabeceira da mesma e põe Law para deitar em cima de si, acariciando seu cabelos e o deixando repousar em seu peito.
– Me conta... eu quero te ajudar, eu não vou desistir de você.
– Por quê? Eu não mereço alguém como você, eu sou um merda nojento.
– Ei, olha pra mim. Você não é nada disso, você é a pessoa que eu amo.
Law olha diretamente nos olhos do outro e sente um conforto que não sentia há tempos, uma segurança. Se aproximou e fechou seus olhos, dando um beijo no outro, que ficara até arrepiado, visto que não tinham um momento parecido há tempos.
– Tão diferente... – Kid comenta. – O gosto.
– É ruim?
– Não, só... diferente.
Eis que alguém toca à porta.
– Meninos? – Era a mãe deles.
– Mãe... – Law diz, abrindo os braços. Logo, ela foi em direção aos jovens e os abraçou.
– Querido, como você está? Você tem andado tão afastado ultimamente.
– Desculpa, mas eu tô bem agora graças a vocês.
♠ Dia seguinte, no laboratório. ♠
– Por que não?
– Porra, não sei, porque você quer prostituir uma CRIANÇA? – Joseph se irrita.
– Mas eu só vou cobrar por uma coisa que ele já faz, qual é o problema? Dinheiro é dinheiro independente da onde veio.
– Eu não vou te ajudar nisso, desiste.
– Tsc, eu só quero saber quanto eu devo cobrar! E esses negócios de local, motel, eu sei que você entende mais disso do que eu.
– Pergunta pra tua mãe.
– Não acho que ela pague prostitutas.
– Só cobra mesmo, deve ser por isso que você cresceu assim, você é um filho da puta em todos os sentidos.
– Minha mãe não é puta, vai à merda!
– Ah, para, aquela louca tá sempre com uma vodka e cigarro na mão e fica saindo à noite sozinha! Você acha que mulher de verdade faz isso? Tenho pena é do teu pai que caiu no golpe dela, e tu ainda é miscigenado.
– Miscigenado o caralho, minha mãe é eslava, eu tenho sangue Russo e isso só me torna melhor do que eu já sou, agora para de falar merda que você sobrevive com o dinheiro que eu te dou, porra, você se beneficia do lance do Law tanto quanto eu.
– E te digo com toda certeza que essa merda não vai durar muito! Já mandei você não me envolver e nem citar meu nome, porque quando tu for preso eu vou estar pouco me fodendo.
– Preso? Eu? Assim que eu me formar eu vou pra Yard e me tornar mais foda ainda, não se preocupa que ninguém nem sabe da tua existência. Esse lance de você fugir de mim e trocar de nome foi ótimo.
– Medo! Eu tenho é medo de você entrar na porra da Yard, se isso acontecer a Inglaterra tá mais fudida do que nunca, e eu troquei de nome porque eu me recuso a ter viado miscigenado na minha família.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Para com isso, caralho, eu sou eslavo, porra!
– Eslavo é raça pura, esse seu cabelinho de merda já te entrega. Acabou com o discurso? Agora vaza daqui e esquece que eu existo.
– Você vai ver, Joseph, eu vou virar chefe da Yard e esfregar na merda da sua cara isso. Eu nunca vou te deixar em paz.
– Não acho que a Yard aceite doentes mentais. Desde criança, você sempre foi um bebê demoníaco. Aos oito anos você fez o meu pai me enviar pra uma clínica psiquiatra.
– Porque eu estava com raiva de você.
– Aos onze você matou o meu pai e o meu tio com um tiro certeiro no peito.
– Pra treinar a minha mira e te colocar como dono do laboratório.
– Ninguém acreditou que um fedelho conseguiria segurar uma arma daquelas. Ninguém. Eu disse milhares de vezes que foi proposital e me chamaram de louco. Um mês depois você matou a minha mãe também.
– Não, se a sua mãe morreu de depressão a culpa não foi minha. E tá reclamando de quê? Graças a isso você é dono daqui e tem a herança dos dois! Deveria me agradecer.
– Você é um monstro, é um demônio, e eu era o único que enxergava isso. Você consegue fazer todo mundo gostar de você e é isso o que mais me preocupa. Esse garoto, Law, foi só um exemplo infeliz, eu tenho pena dele ter te conhecido, você fodeu a vida dele e vai foder até a morte, assim como faz comigo.
♠ À tarde, na sede do submundo, Law treinava com Corazón ♠
– Olha, eu devo admitir que pra uma criança você é muito inteligente. – Corazón comenta.
– Você não consegue ficar um dia sem mencionar a minha idade, hein. – A convivência dos dois era bem pacífica; não se odiavam, mas também não se gostavam.
– Eu ainda acho que você deveria seguir sua carreira na medicina e sair daqui, só isso.
– Eu vou seguir a minha carreira na medicina. Não posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo?
– Você administra bem seus horários, isso é verdade, mas... qual é exatamente o seu objetivo aqui?
– Ahn… – Não sabia o que responder.
– O quê, vai me dizer que você pediu pro Doffy ser treinado por mim sem um objetivo?
– É que tipo... não, é que... como eu posso explicar...
– Huh? Se você tem alguma coisa pra dizer, diga.
– É que eu e o seu irmão...
– HEIN? – Rosinante leva um susto e cai da cadeira. – V-VO-VOCÊ E O MEU IRMÃO ESTÃO TRANSANDO?!
– Calma...
– C-Calma?! Meu Deus, o Doffy é um pedófilo! Isso é sério? Quem mais sabe disso?
– Ahn, todo mundo?
– ... sério?
– Você vai parar de me treinar depois disso?
– Bem, não... você é inteligente, dedicado e me ajuda no trabalho, acho que seria injusto fazer isso. Só foi estranho saber que o Doffy é influenciado pelo sexo com um garoto de quinze anos.
– Acho que ele gosta porque eu sou a única pessoa que consegue mandar ele ir à merda.
♠ Depois disso, com Joker. ♠
– Você não deveria fazer isso.
– Cala boca. – Law estava sentado na cama dele, com uma cápsula de pó, terminando de dar um raio. – Eu faço o que eu quiser.
– Que seja.
– Toma. – E depois de finalizar, ele entrega a cédula que usava para cheirar.
– Pode ficar, eu não preciso desse dinheiro.
– Nem muito menos eu, descobri que odeio dinheiro.
– Odeia dinheiro? Fufufu, essa é boa...
– Qual é o problema?
– Você dorme comigo pra conseguir um cargo e agora inventa que odeia dinheiro? É no mínimo uma piada.
– Eu... não durmo com ninguém por dinheiro. – Vira o rosto. – Não fala isso.
– É o que então, você gosta de mim?
– Eu não te odeio. Sinceramente, o meu motivo importa?
– Oi, oi, eu não sou um monstro... não posso me preocupar com você?
– Eu não preciso que você se preocupe comigo.
– Você tá sempre com a guarda tão alta. Toma, pega isso. – Doflamingo o entrega um envelope.
– Que isso?
– Tem quinhentos mil aí.
– Hã? Eu não quero isso!
– Ganância também faz parte da construção da personalidade de alguém, você precisa ter um motivo pra fazer o que faz, alguma ambição. Se você não tem nenhuma, comece do começo. Usa esse dinheiro pra descobrir sua motivação.
♠ Dia seguinte, na faculdade com Drake. ♠
– I-Isso são quinhentos mil em dinheiro vivo?!
– Pode ficar, eu sei que você quer.
– Querer eu quero, mas... que história é essa de você quase ter recusado?
– Eu não gosto de dinheiro.
– Que errado isso! Você não tem que não gostar de dinheiro, você precisa amá-lo.
– Vocês dão tanto valor pra papel, nossa...
– É com esse papel que eu compro as coisas que você usa, sabia? E nem vem dizer que não curte drogas porque tu vive pagando boquete pra baseado.
– São coisas diferentes.
– Eu vou fazer o seguinte, sábado à noite eu vou começar a te ensinar o valor do dinheiro. Fica com esses quinhentos mil e gasta, aproveita e compra um celular que vai ser importante pra você.
– O que vai ter sábado?
– Heh, você vai ver...
(…)
Um mês se passou, tudo ficou drasticamente pior do que já estava.
♠ Em um clube qualquer. ♠
– VIRA, VIRA, VIRA, VIRA! HAHAHA! – Diversos homens gritando enquanto Law colocou uma garrafa de vodka pura na boca, bebendo tudo de uma vez.
– Caralho, esse garoto bebe vodka como se bebe água, puta merda! – Disse um deles.
– O que eu posso fazer, certo? – Law, ao finalizar, senta no colo de um deles. – Agora calem a porra da boca, ninguém aí tem Tequila? Não é possível.
– Eu até te dou uma dose, mas... – Um terceiro diz, se aproximando. – Vai te custar caro, garoto.
– Como é que é, hein? – Law vai até ele, puxando a gola de sua camisa. – Cê acha que vai tirar alguma coisa de mim, é?
– Quem aí tá desvalorizando meu garoto? – Drake se intromete. – Todo mundo aí, já cansei, pode indo abrindo a carteira agora.
– Relaxa aí, menor, cês tão muito–
– RELAXAR O CARALHO. – Drake pega o pescoço dele e o joga contra mesa do bar, quebrando os copos e garrafas. – MANDEI ABRIR A CARTEIRA, PORRA!
– Ow, ow, ow, calma lá, tá cedo ainda! – Os outros falaram. – A gente nem fez nada com o moleque ainda.
– Quem é que vai levar o garoto pra casa hoje?
– Hoje eu levo. – Um homem puxa Law pelo braço e o obriga a beijá-lo. – Eu pago duzentos mil nesse aqui, dinheiro vivo.
– Duzentos? Tá tirando uma com a minha cara, viado? – Drake vai até ele. – Por duzentos tu come travesti na esquina, isso aqui não aceita pouca coisa.
– Se enxerga, cara, esse daí já tá rodado até demais, se tu quer cobrar mais vai ter que arranjar outro.
– Outro?
– Eu vou fazer o seguinte contigo, tu me vende ele permanentemente, te dou uma grana preta, e aí? Um bom negócio, né?
– TU TÁ DE SACANAGEM COMIGO, PORRA? – Drake faz o mesmo, o joga na mesa do bar, mas dessa vez, retira de sua calça uma arma e enfia na boca do homem. – REPETE AÍ SE TU TIVER CORAGEM!
– C-Caralho, ele tá armado! – Todos ali percebem e se desesperam.
– Ain, barraqueiro. – Law resmunga.
– Cansei dessa merda, vai ter que ser do jeito antigo! – Drake se estressa e levanta, dando tiros pro ar. – TODO MUNDO PASSANDO A PORRA DA CARTEIRA OU VAI TER HOLOCAUSTO DE VIADO!
Mais tarde...
– Ai, você é muito estressado, tem que fumar mais. – Law diz. – Tu espantou todo mundo, com quem eu vou dormir hoje?
– Com ninguém, eu mesmo te levo pra casa.
– Hahahaha, boa piada. Tchau! – E se vira, indo embora. – Depois eu quero minha parte contigo, viu?
– Cala boca, cê não vai pra lugar nenhum. – Puxa o braço dele. – E me respeita!
– Vai fazer o quê, me bater?
– Tu já esqueceu que sou eu quem mando em ti? Tu depende de mim pra tudo!
– Dependo porra nenhuma, se toca, você que depende de mim.
– E a tua dosagem, hein? Se tu ficar dez horas sem injeção tu morre, e aí?
– Aff, detesto quando cê faz isso...
– Então fica quieto e vamo pra casa, amanhã tu tem prova, esqueceu? Sabe o que é faculdade ainda?
– Aaaaaah, foda-se...
♠ No dia seguinte, de noite, na casa de Law e Kid ♠
– Fica sussa, Kid... – Law estava terminando de apertar um baseado. – Eu divido contigo.
– EU NÃO QUERO ESSA COISA! Caramba, como é que você conseguiu ficar tão insuportável de um tempo pro outro?
– Insuportável é você, eu tive que te aturar por anos e vou ter que te aturar até me mudar dessa casa de bosta.
– Ah, vai ficar reclamando daqui também agora?
– Porra, aqui é longe de tudo, tem cheiro de bosta de cavalo e esse velho idiota que você chama de pai me importunando. Eu sou obrigado a gostar?
– Você tá reclamando das únicas pessoas que gostam de você. Ou você acha que esse povinho que você anda se importa contigo?
– Han? Eu também não me importo com eles, nem faço questão que gostem de mim.
– Olha o que você tá dizendo! Você gosta disso, de ser maltratado?
– Adoro... – Law deita na cama, terminando de bolar e acende o baseado. – Principalmente quando deixa marcas.
– Tsc... nem dá pra acreditar que é a mesma pessoa. Nojo.
– Nojo?
– Eu tenho nojo de quem você se tornou.
– Não era você que ficava de mimimi dizendo que me amava? Quê, ficou assim só por que eu ainda não te dei?
– Agora já chega, cansei! – Kid pega o braço dele e o obriga a levantar. – Sai da minha casa, agora!
– Hã?
– Você se tornou uma pessoa desprezível! Eu não quero ficar com biscate, não, não quero nem mais olhar pra sua cara!
– Tsc, quem não quer mais olhar na sua cara sou eu. – Law se vira e vai embora. – Aqui é insuportável, você é nojento, eu sempre te odiei e você nunca percebeu isso.
– Vai pra rua que é o seu lugar! E não fala mais comigo.
♠ No dia seguinte, na faculdade, Drake foi falar com Kid. ♠
– Que que houve, ontem? – Drake fazia cara de inocente. – Law apareceu lá em casa do nada dizendo que você tinha o expulsado, até me assustei.
– Tsc, eu não aguento mais ele! – Kid estava com raiva. – Ele foi se envolver com essas drogas e se tornou uma pessoa completamente diferente.
– Poxa, mas justo você foi brigar com ele? Eu venho visto o Law poucas vezes também ultimamente, mas eu percebo que ele tá mal.
– Sinceramente? Eu vou parar de me importar, não dá mais pra mim. Hoje mais cedo eu desfiz meu lance com o submundo, também não quero mais aparecer por lá.
– O lance do submundo eu até entendo, mas cara, não deixa o Law na mão, você sabe que ele precisa de você. Nós dois somos os únicos amigos de verdade que ele ainda tem.
– Eu sei, obrigado por ter deixado ele ficar na sua casa, aliás. Eu fiquei com medo dele fazer alguma besteira.
– Viu? Você ficou com medo, você se importa. Eu também tô preocupado com ele, mas não sei o que eu faço, lá na central ele pelo menos fica mais calminho.
– O que você acha que eu devo fazer?
– Convida ele pra sua casa de novo, fica no pé dele. O que ele precisa é de gente que se importa de verdade.
– Você tem razão... eu sou um idiota. Eu vou chamá-lo lá pra casa, obrigado.
– Que isso, tamo junto.
– Eu nunca pensei que você seria justamente a única pessoa em que eu poderia confiar pra me ajudar com o Law, nossa.
– Hahaha, pois é, as coisas mudam.
♠ No dia anterior, depois de Law ser expulso de casa e ir para a de Drake. ♠
– PUTA QUE PARIU! – Drake reclama. – Agora eu vou ter que cuidar de ti em tempo integral? Porra, eu não sou babá de marmanjo!
– A culpa disso tudo é sua, então agora me atura. – Ainda estava fumando o baseado. – Aliás, eu tô com fome. Me alimenta?
– Tem brownie aqui, querido! – A mãe de Drake o chama. – E filho, mais hospitalidade, por favor.
– Porra... que merda, hein.
– Nossa, você fala muito palavrão, limpa essa boca com sabão.
– Óbvio, eu sou homem!
– Fala direito com a sua mãe, Drake. – Law diz e, em seguida, vira para a mulher. – Quer dar um dois comigo?
– Ah, eu aceito sim!
– Sério isso? Você vai fumar maconha com o Law? Tu é a minha mãe, porra!
– Desculpa, eu só posso fazer isso com você? Porque você nunca me ofereceu nada.
– Para de reclamar e vem logo, se você quer tanto assim. – Law diz.
– Eu não, maconha é cigarro de bicha.
– Então vai lá na cozinha e pega um brownie pra gente, machão. – A mãe fala.
– Hahaha, você é a melhor pessoa! Como que você foi dar a luz a esse idiota?
– O pai dele era rico e fodia bem, aí acabou saindo desse jeito. Mas o Drake é uma gracinha, essa pose toda é convivência com o primo idiota dele.
(…)
Law acabou se recusando a voltar a morar com Kid. Era de noite e ele estava em um clube com Drake; o curioso é que ambos estavam fazendo uma competição de quem bebia mais.
– VIRA, VIRA, VIRA, VIRA, VIRA! – Os homens berravam e batiam na mesa. Ambos viravam uma garrafa de Whisky.
– Aaaaarh! – Até acabarem ao mesmo tempo, quebrando a garrafa em seguida. – Ea.. e aí... guem ganho?
– É impossível dizer, tem que esperar pra ver quem vomita primeiro.
– Hahaha, mas é a primeira vez que eu vejo esse aqui bebendo! – Um dos bêbados bate nas costas de Drake. – Geralmente ele só fica parado vendo o garoto.
– G-Gala boga, num incozta... nimin...
– Ele é fresco... – Law comenta. – Fica dizendo que não gosta de nada...
– Não gosto mesmo, não...
– Aí, tive uma ideia! – Outro homem diz. – E se a gente trocar o garoto pelo ruivinho hoje, hein? Heh.
– Hahahaha, boa piada. – Drake responde. – Vão se foder.
– Aah, gostei disso. – Law fala. – Ele tá precisando mesmo.
– Você fica quietinho aí, bebê, eu não sou que nem você.
– Tem razão, não é. Você é só um merda que me usa pra conseguir o que quer, por medo.
– Uuuuuuuh! – Todos os homens começam a gritar. – Briga! Briga! Briga!
– Brigar o caralho, eu não perco o meu tempo. – O ruivo os interrompe. – E aí, quem é que vai pagar pelo garoto hoje?
– A gente tá querendo você, gracinha. – E uma rodinha se forma envolta dele. – Essa sua marra toda tá precisando de um carinho...
– Vai lá, vai. – Law incentiva. – Acho que agora é a sua vez.
– Tão de sacanagem... ei, garoto! – Drake puxa Law pelo cabelo e o aproxima. – Tu fica quieto, entendeu? Não me envolve nessas porras aí que eu não sou que nem você!
– Você sempre me chamava de fresco, mas na verdade você tá morrendo de medo de gostar, né?
– Eu tô te avisando, fica quieto...
– No início adorava ficar me vendo pegar os outros, ficava toda hora dizendo que tinha nojo de homem...
– Cala boca...
– Mas aí também me fazia ficar contigo. E aí? E depois ficou gamado no meu tio.
– Você é só um depósito de porra, uma distração! E o Adams me deu a ideia de te vender, só por isso eu gosto dele.
– Aham, aham... admite logo, ninguém aqui vai ficar te julgando, não.
– Admitir o quê? Eu não tenho nada pra admitir! É sério, se tu não calar a porra da boca agora... eu tô ficando sem paciência contigo.
– Por que você é tão irritadinho? Você tá precisando mesmo dar...
– Beleza, agora já deu. EI, SEUS OTÁRIOS! – Levanta e grita. – ENJOEI DESSE GAROTO! Vou arrumar outro, quem quiser adotá-lo fica à vontade!
– Como é que é?
– HAHAHAHA! É de graça?!
– DE GRAÇA, SIM, PRA SEMPRE! Só tirem esse merda daqui e nunca mais me façam olhar na cara dele!
– Hã? Ei!
– AEW, AGORA SIM! – Os homens começam a pegar no braço de Law e puxá-lo. – Eu vou levar ele pra minha casa!
– Não, não, nada disso, ele vai pra minha!
– M-Me soltem, sai! – Law se debate, sendo segurado por oito caras. – Sai, me deixa! Drake!
– Vão os oitos na casa de um, porra, aprendam a dividir!
– N-Nã, me solta! – Law gritava desesperado para ser solto. – Me larga, me tira daqui, Drake!
– Hahahaha, agora cê é nosso, menor. Beleza, vamo todo mundo pra minha casa!
– Se vira, tsc, raça nojenta. – Drake dá às costas e vai embora.
(…)
Dois dias se passaram. Trafalgar não foi mais visto nem na sede do submundo, nem na casa dos ruivos, nem na faculdade, nem em lugar nenhum. Era de manhã e Eustass apareceu, desesperado, indo falar com Drake.
– Cara, pelo amor de Deus, me ajuda! – Kid chorava. – Eu sei que eu falei merda, mas o Law sumiu, eu não vejo ele há dias... nenhum sinal...
– Pera, ele ainda não reapareceu? Nossa, isso é realmente grave.
– M-Me ajuda, eu não sei o que fazer! Eu já procurei ele por todos os cantos, eu não acho ele de jeito nenhum! Minha mãe tá preocupada também, tá um inferno lá em casa, minha vida tá um inferno!
– Kid, calma, calma! Lembra que a gente ainda tem o Joker.
– Tsc, foi ele! Foi por causa dessa merda de Joker que tudo isso começou, aposto que foi ele quem contaminou o Law. Isso tá estragando as nossas vidas!
– De qualquer maneira, o Joker tem muitos contatos, eu com certeza consigo achar esse garoto fácil.
– Jura? Então faz isso, por favor...
♠ À noite, na casa de um homem qualquer. ♠
– Heh, você é tão bonitinho, garoto, pena que o seu amigo te abandonou.
– … – Law estava nu, agachado em um canto sem conseguir falar nada, apenas tremendo o corpo e se escondendo o máximo possível, cheio de hematomas pesados.
– Não precisa ficar com essa carinha, vai...
Eis que a campainha toca.
– Pera, preciso atender.
O homem mal termina de abrir a porta e é surpreendido logo com três tiros diretos no peito, caindo no chão logo em seguida.
– Tsc, que merda! – Drake grita, com raiva. – Onde é que você tá, garo...
Até ver Law, que é quando percebe a besteira que fez.
– Caramba... vo-você... tá vivo?
– Ahn? – Law só percebe sua presença agora, quando se vira. – DRAKE! – E levanta apavorado, correndo em direção ao ruivo e o abraçando. – Você voltou! Você voltou... me tira daqui...
– C-Cal–
– ME TIRA DAQUI! – E começa a chorar. – Por favor, me tira daqui! – Se afasta um pouco e segura o ombro de Drake, o arranhando. – Me tira daqui! Me leva pra casa, faz o que você quiser, mas me tira daqui!
– N-Nossa, calm–
– POR FAVOR! – Volta a se jogar nele e arranha suas costas enquanto o abraça. – Me tira daqui! Me leva pra casa, eu quero ver a minha mãe... eu quero ver o Kid...
– C-Calma, v-você tá me deixando todo arranhado! – Drake o afasta para olhá-lo. – Caralho, tu tá mal mesmo.
– Desculpa, eu prometo que vou parar de reclamar, eu faço o que você quiser, só me tira daqui...
– Não se preocupa, eu vou te tirar daqui. – O abraça. – Eu juro... eu vou te tirar daqui e faço questão de explodir essa merda desse lugar pra você não se lembrar de nada! E vou arrebentar todos os desgraçados que fizeram parte dessa merda.
– Obrigado...
– Pode ficar tranquilo, eu vou cuidar de você, bebê.
Dito e feito, Drake o levou para sua casa e o colocou em sua cama, junto com um cobertor e roupas limpas. Sua mãe fez sopa para Law, que acabou dormindo tão profundamente que mal parecia respirar. Não tardiamente, Eustass e sua família chegaram lá.
– LAW! – E o ruivo foi o primeiro a ir a seu encontro. O garoto ainda estava dormindo. – V-Você... – Começou a chorar.
– Meu Deus... – A mãe dele também ficou na mesma, olhando com pesar para o garoto em estado vegetativo. – Meu filho...
– … – O pai de Kid ficou em silêncio.
– Brigado! – Kid abraçou Drake. – Obrigado por ter tirado ele de lá, brigado de verdade.
– A situação dele tá bem grave, mas ele vai ficar bem, só precisa de repouso.
– Vamos levá-lo ao médico. – A mãe do ruivo diz. – Eu posso ver com meu plano de saúde se eles cobrem.
– Precisa mesmo de médico? – Drake pergunta. – Sei lá, é muita exposição, deixa ele descansando.
(…)
Law foi transferido para a casa de Kid, onde ficou repousando. Dormiu por exatos dois dias, até acordar de noite.
– Ahn... – E com dor de cabeça.
– Law! – Kid logo o abraça. – Ainda bem, você acordou, como você tá?
– Kid, eu... tô com fome...
– Eu vou chamar a minha mãe, ela também tá preocupada. Você tá bem? Tá sentindo dor?
– Eu... desculpa...
– Não precisa pedir desculpa. – Kid dá um beijo na testa dele. – A culpa é minha, eu fui idiota com você, mas de agora em diante eu vou te proteger de verdade.
♠ Dia seguinte, na faculdade. ♠
Law estava junto a seus amigos antigos, Nicolle, Mikael, Trevoso e Kid.
– Ai, que bom que você voltou! – A loira não o soltava por nada. – A gente sentia tanto a sua falta...
– Que que houve contigo, afinal? – Mikael pergunta. – Cê tava muito estranho.
– Esquece isso, sério. – Law lia um livro. – Eu preciso estudar tudo o que eu perdi nesses dias.
– Ér... – Eis que, Drake chega. – Oi.
– Ai, outro sumido! – Nicolle exclama.
– … – Law o fica olhando pálido, querendo evitá-lo e com medo interno; mas sem dizer nada.
– Posso falar contigo? – O ruivo pergunta.
– … – Sem respostas. Kid até estranhou a feição de Law.
– É rapido, eu prometo.
Law apenas se levanta e o segue, indo para o lugar onde costumavam ficar juntos.
– Garoto, eu tomei uma decisão. – Drake diz. – Eu vou acabar com essa palhaçada.
– S-Sério?
– Sim. Esse negócio passou dos limites, eu percebi isso agora.
– Aleluia... acabou...
– Então eu pensei no seguinte: eu vou alugar uma casa e nós vamos morar juntos!
– Oi?
– Que tal? Assim fica mais profissional. Olha, eu sou maior de idade, eu posso fazer isso, eu levo você lá pra casa e também trago uns caras, mas caras de verdade, sabe? Não esses lixos que você ficava, gente que presta.
– V-Você tá falando, tipo... uma casa de prostituição?
– Exatamente! Aí é bom também porque no nosso tempo livre a gente pode estudar, vai ser como se fôssemos amigos normais. Uma ideia excelente, certo?
– Tá brincando, né? Depois disso tudo você ainda quer continuar me usando desse jeito?
– Óbvio.
– Você não sente nenhum pouco de culpa?
– Culpa? De quê? De ter te vendido de graça? Ah, realmente, eu poderia ter cobrado.
– S-Sério? Cara, eu quase morri naquele inferno!
– Mas tá vivo, não tá? Enquanto tiver corpo quente, vai continuar vendendo, ué.
– A-A última coisa que eu quero é morar com você! Me deixa em paz, sério...
– Ah, para. Olha só o que eu trouxe. – Drake retira do bolso uma de suas injeções. – Você não usa há dois dias, deve tá morrendo de saudades, não é?
– … – E realmente. Infelizmente, Law estava quimicamente dependente das drogas.
– Pensa direitinho, bebê, numa casa tudo vai ficar mais seguro. Eu vou trazer só gente acima dos padrões, gente rica da elite. Qualquer coisa é só expulsar.
– Ahn...
– E ainda te dou maconha, pó e tequila todos os dias.
– Todos... os dias?
– No café, almoço e jantar.
♠ Na casa de Law e Kid. ♠
– Kid, eu vou morar com o Drake.
– Oi? Por quê?
– Ele vai alugar uma casa no centro da cidade, fica mais perto do submundo e da faculdade. Nada contra a Jurema, claro.
– M-Mas... posso ir junto?
– Não.
– Por quê?!
– É que tipo... você sabe...
– O que eu sei?
– Você precisa cuidar da minha mãe e do seu pai, daqui do sítio e tudo mais.
– É verdade, mas...
– O Drake disse que vai pagar minha reabilitação, vai ser bom pra todo mundo.
♠ Dia seguinte, na faculdade. ♠
– Ai, uma tragédia aconteceu!
Estavam Kid, Nicolle, Mikael, Trevoso e Law juntos, quando Drake apareceu, chorando. Law achou falso e ignorou.
– O que houve? – Mas Nicolle e os outros se preocuparam.
– Minha mãe acabou morrendo em um assalto ontem, de madrugada.
– Como é que é? – Law, ao ouvir, fecha seu livro e olha para o ruivo assustado.
– Ai, eu sinto muito! – A loira o abraça. – Eu realmente sinto muito por ela!
– Que tenso, hein, cara. – Mikael apoia sua mão no ombro dele.
– E-Ei, isso é sério mesmo? – Law revolta-se, indo até ele. – Foi você... você fez isso? Por quê?
– Ahn, por que eu faria isso..?
– Ai, credo, Law! – Nicolle dá um tapa na cabeça dele. – Que coisa horrível pra se dizer.
– É cara, respeita... – Mikael fala.
– … – Kid e Trevoso ficam olhando para Law disfarçadamente, que estava pálido.
– Tá tudo bem? – Kid pergunta.
– Vem cá. – Law pega o braço de Drake e o arrasta para o canto. – Eu preciso falar contigo.
E assim, ambos deixaram os amigos de lado.
– VOCÊ MATOU A SUA MÃE? – Law dá um grito.
– Você aceitou morar comigo, né?
– Sim, mas isso implica em você matar a sua mãe?!
– Ah, eu até pesquisei uns apartamentos, mas... envolve muita burocracia...
– Aí você resolveu matá-la e ficar com a casa?
– Yep.
– Você é doente! Não dá mais, sério, não dá!
– Lá vem o fresco...
– Isso não é frescura, isso é psicopatia! Você não sentia nada nem pela sua própria mãe?
– Para de drama, garoto, você matou o seu pai.
– São coisas totalmente diferentes!
– Ok, ok. Se muda hoje à noite, tá bom?
– Você me dá tanto nojo...
♠ À tarde, no laboratório. ♠
– Joseph! E aí, já soube da me–
– VOCÊ PERDEU TODA A DECÊNCIA QUE VOCÊ NUNCA TEVE! – Joseph sai detrás do balcão e vai em direção a ele, puxando sua camisa. – Aliás, decência não, humanidade mesmo!
– Ai, que dramático.
– Você matou a sua mãe?
– Uhum.
– Pra quê?
– Pra ficar com o meu bebê.
– VOCÊ É DOENTE! – O joga contra a parede, sem se importar em quebrar algo. – Você ficou maluco, porra? Ah, não, não precisa responder, maluco você sempre foi!
– Poxa, eu achei que você ia gostar da notícia. Não era você quem detestava a minha mãe?
– Caralho, eu odeio, mas porra, tu é filho dela! Não sente nenhum pingo de remorso?
– Hm... não.
– Pois pra mim já deu. Tô pouco me fudendo se eu vou perder dinheiro, eu não quero te ver aqui nunca mais, entendeu?
– Ah, para! E as minhas injeções?
– Se vira! Eu te dou a fórmula, arranja outro laboratório.
– Quanta frescura, nossa. Tudo isso por que uma mulher morreu?
– Você já matou a minha mãe, o meu pai e o meu tio e nunca demonstrou nenhum pingo de empatia. Você é realmente um capetinha.
– Já terminou a crise de identidade?
– Tsc... só some daqui, Drake, aproveita e morre.
– Nah, não tô afim, não. – Drake empurra Joseph pelo peito e vai andando até detrás do balcão. – Eu tô achando que você tá precisando de umas aulinhas de como tratar melhor os seus clientes, primo.
– NÃO ME CHAMA AS–
– Cala boca...
Drake termina de empurrá-lo em uma parede e retira, de sua calça, uma arma.
– Que merda é essa?
– Sabe, eu já tô cansado de ouvir você me chamar de várias coisas, antes eu relevava pra não terminar a nossa amizade, mas... – Drake vai se aproximando. – Você tá me obrigando a fazer coisas que eu não gostaria.
– D-Do que você tá falando? Guarda essa merda de arma!
– Ai, ai... você fica tão frágil quando tá assustado, parece um gatinho medroso.
– Para com isso, sério...
– Escuta aqui. – O empurra, prensando-o contra a parede. – Tu vai aprender a me respeitar, entendeu?
– O que voc–
– Não quero saber, só cala a porra da boca e me obedece. Vai ser melhor pra todo mundo.
♠ À noite, na casa de Kid e Law ♠
Law estava fazendo suas malas.
– Ei... – Kid o chama. – Por que você pareceu tão estranho quando o Drake disse que a mãe tinha morrido?
– Porque eu gostava dela.
– Mas você supôs que ele tinha matado.
– A gente pode não falar sobre isso? Eu meio que preciso fazer minhas malas.
– Ele te convida pra ir morar com ele e no dia seguinte a mãe morre? Estranho...
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, foi um assalto.
– Quais foram mesmos os motivos pra ele te convidar pra morar com ele?
– Kid, o que você quer, hein? Tá com ciúmes dele? Nós não temos nada se é isso que você quer saber.
– Hm.
– Não acredita em mim?
– Ah, sabe como é, né... não.
– Pois vai ter que acreditar. – Law fecha as malas. – Tchau!
– Espera.
– O quê?
– Posso ir?
– Já conversamos sobre isso, você precisa ficar pra cuidar daqui.
– Eu sei, não é pra morar, eu só quero visitar a casa dele.
– Pra quê? Você já foi lá.
– Não posso ir ver o lugar onde você vai morar?
– Não vejo necessidade, você quer saber se nós vamos ficar no mesmo quarto?
– Só uma visitinha rápida. A não ser que você tenha alguma coisa a esconder, eu não quero atrapalhar.
– Não, não tenho nada pra esconder. – Law pega seu celular. – Eu vou avisar que você vai vir comigo.
– Oh, precisa de avisos prévios? Eu vejo ele todos os dias.
– É falta de educação chegar sem avisar.
– Ai, ai... pra alguém que treina com o Corazón, você mente muito mal.
– Quer saber? Eu não te devo satisfações. Tchau!
– Law, fala logo, eu não sou idiota. Todo mundo na faculdade já te chama de ninfomaníaco, chamam até minha mãe de sogra e você mesmo admite que fica com várias pessoas pra mim. Por que com o Drake é diferente?
– Tá, tá, talvez nós tenhamos ficado algumas vezes. E daí?
– Quantas?
– Sei lá.
– É tão frequente assim?
– Pra que todas essas perguntas, não vai mais deixar eu ir morar com ele?
– Vou, vou sim.
– Ótimo, tch–
– Depois de você abrir o jogo comigo.
Kid tranca a porta do quarto.
– Han? – Law não entende.
– O Joker é ocupado, o Corazón te odeia.
– Do que você tá falando agora?
– O submundo é uma bosta, mas pelo menos eu aprendi algumas coisas lá, do tipo questionar tudo.
– Vai logo ao ponto...
– Eu só vou perguntar uma vez. – Kid fica em frente ao outro. – O que o Drake fez com você?
– Ahn?
– SÓ ME DIZ... – O ruivo empurra Law com força contra parede, e o obriga a olhar seus olhos raivosos. – O QUE AQUELE DESGRAÇADO FEZ CONTIGO?
– D-D-Do que você tá falando? – Fica até assustado. – V-Você tá maluco!
– Maluco? É, talvez eu esteja. Talvez eu esteja ficando maluco pra não ter percebido isso desde o começo! – Empurra contra a parede com mais força. – Mas agora me diz. O que ele te fez?
– N-Nada!
– Por que você tá protegendo ele? Ele tá te dando dinheiro? É o quê? Por que você não me conta?
– Kid, do que você tá falando? Você tá completamente maluco!
– Óbvio, eu já CANSEI DISSO! Já cansei de ver você chegando em casa tarde, cansei de ver você dizendo que tava bem e chorando escondido de mim, cansei das pessoas comentando, cansei de tudo! Isso tá me deixando louco, Law!
– S-Se você tá achando isso, então procura um psicólogo!
– Só me diz... o que ele tá fazendo pra você protegê-lo?
– Nada!
– Você confia em mim?
– Confio, mas...
– Então por que você não me conta?
– Porque não tem nada pra contar, é isso. É tudo coisa da sua cabeça. Posso ir agora?
– Vai continuar mentindo pra mim até quando?
– Até você deixar de ser um idiota! O Drake não fez nada, que saco, você só tá procurando alguém pra culpar!
– Realmente, talvez eu esteja. Nesse caso, quem é que tá por trás disso?
– Não tem ninguém por trás disso!
– Você começou a usar drogas com quem?
– Com ninguém.
– Ah, para...
– Eu tô falando sério! É coisa de médico.
– Abre logo o jogo, Law.
– Tá, foi na festa do Adams, pronto.
– Qual, aquela festa em que você passou três dias seguidos com o Drake?
– Q-Que saco, para de mencionar esse nome!
– Ué, qual é o problema com o nome dele? Você fala com ele todos os dias, vai até morar junto.
– Você tá tentando misturar as coisas pra que o seu ponto esteja certo, mas não tá! Não tem nada a ver com ele!
– Tem a ver com o que então?
– Com o fato de você estar insuportável. Tchau.
– Você não vai sair daqui sem falar o que houve.
– E quem vai me impedir?
– Eu.
Kid segura o braço de Law e o arrasta para longe da porta.
– Que saco, o que é que você quer que eu diga?
– Por que você tá protegendo o Drake?
– Ai, Kid, isso tudo é ciúme porque eu fico com as outras pessoas, mas não fico com você?
– Já passou de ciúmes há muito tempo, Law.
– Então tá! Eu vou realizar o seu sonho. – O garoto vai até o ruivo e apoia as mãos em seu peito. – Vamos transar.
– O-Oi?
– Que foi, não é isso que você sempre quis?
– S-Sim, realmente, mas...
– Então vai, tira minha roupa, eu deixo.
– Tirar roupa... – Kid quase cai em tentação, mas decide ser forte. – NÃO! N-N-Não, não posso fazer isso.
– Por quê?
– Porque você não tá bem, porque você acabou de voltar de um sequestro.
– Ah, isso foi há dois dias, eu já tô ótimo.
– Eu não vou dormir contigo, Law, desculpa. – Ele fala, mas... – Caramba, é sério que eu disse isso?
– Kid, eu não estou te entendendo.
– P-Para de trocar de assunto! – O ruivo exclama. – O que houve com o Drake?
– Não é educado mencionar outros caras quando tem alguém querendo transar contigo... – Law vai na direção do ruivo e se joga em seu peito novamente, fazendo carinho no mesmo. – Vamos parar de falar nessa pessoa...
– Q-Que saco, vo-você é perigoso...
– Que foi, você não me quer mais?
– Pra caralho.
– Então para de falar e ve–
– Mas eu me importo com você, e você não quer dormir comigo de verdade.
– Ahn...
– Me diz, por favor, quem tá te obrigando a dizer esse tipo de coisa.
– Puta merda, você é muito chato! – Law se zanga. – Porra, você passa a vida inteira correndo atrás de mim e quando eu correspondo você me dá um fora?
– Sim, eu também tô me odiando por dentro, mas é necessário.
– Que se dane se eu tô mal! Que diferença isso faz? Tá, eu odeio a porra das coisas que eu faço, eu sinto nojo do meu corpo, eu tenho asco às pessoas que eu fico, mas e daí?
– Então por que faz tudo isso?
– Foda-se, o motivo não importa! Você é o Kid, porra, você é a única pessoa do mundo que eu não aceito levar um fora!
– Mas vai ter que aceitar.
– Esse seu papo de amor é errado, é tudo mentira, é tudo falso! A única coisa que você queria nessa vida era transar comigo, não era?
– Claro que não!
– Óbvio que sim! Eu odiava te beijar, eu tinha nojo de você, você sabia disso e mesmo assim ficava no meu pé, ficava me beijando. Agora tá falando que tá preocupado comigo? Vai se foder!
– Desculpa por tudo o que eu fiz antes, mas agora é diferente. Agora você tá mal de verdade.
– Que diferença faz se eu tô mal ou não? É só você engolir esse orgulho ferido e fazer logo o que tem que fazer!
– O que eu tenho que fazer?
– Porra, você é o Kid, faz logo o que você quiser comigo! Tira minha roupa, me beija, sei lá!
– Nossa, tá tão desesperado assim? Ou ultimamente é só isso que você sabe fazer?
– Você se sente melhor se eu fingir que não quero? Se eu fingir que eu sou virgem? Eu posso fazer isso.
– Esse tempo todo que nós estivemos juntos, foi essa a impressão que eu passei pra você? Que eu só quero sexo?
– Sim, foi.
– E agora eu posso fazer o que quiser contigo, não é? Até se você não quiser.
– Sim, pode.
– Então tá. – Ele se aproxima, com os cenhos franzidos. – Eu vou fazer.
– Então faz. – Law desvia o olhar. – Acaba logo com isso, já tá ficando tarde.
– Eu vou fazer.
– Então faz logo.
– OLHA PRA MIM! – Ele grita. – Você disse que eu posso fazer o que eu quiser, então depois não vai se arrepender.
– FAZ LOGO! – Ele olha e grita também, com raiva e braços cruzados. – Faz o que tem que fazer!
– EU VOU FAZER! Vou fazer mesmo, você querendo ou não!
– ÓTIMO, TO ESPERANDO. Não é isso que você sempre quis, foder comigo?
– É, isso que eu sempre quiser, foder contigo.
– Então faz logo!
– A única coisa que eu quis na minha vida inteira foi uma noite contigo, nada demais.
– Disso eu já sei, idiota, vem logo!
– Porque você só serve pra isso mesmo.
– Sim, eu só sirvo pra isso mesmo.
– Então eu vou fazer, e não vem reclamar depois.
– Tô esperando.
– Tá esperando?
– Tô!
– Ótimo, então eu vou acabar com essa droga de uma vez por todas!
Eustass Kid perde totalmente o controle de suas ações, visto todo o ódio que sentia. Todos os dias angustiantes que viu a única pessoa que amava no mundo se entregando tão facilmente aos outros, às drogas. Já estava cheio de ser deixado de lado, então fez.
Utilizando seus braços e de uma forma completamente abusiva, o ruivo envolve o corpo magro e frágil de Law no abraço mais forte que conseguia, deitando seu rosto no ombro dele e desfazendo-se completamente em lágrimas de desespero. Trafalgar ficou totalmente confuso e sem saber o que fazer. “Por que um abraço?”
– Kid, o quê... – Ficou sem reação, somente sendo abraçado e sentindo lágrimas caírem em seu ombro.
– Idiota... – Mas Kid o abraça mais forte ainda. – Se eu quisesse te forçar, eu já teria te forçado há muito tempo.
– Mas... isso não faz sentido algum... – Law fica pasmo. – Quer dizer, você é o Kid...
– E você é o quê? Alguém que só serve pra satisfazer os outros? Deixa disso, Law...
– Mas eu... eu tinha deixado você me tocar... – Ele não entendia o significado de um abraço.
– E eu fiz, não fiz? – O abraça ainda mais forte. – Pra mim não existe prazer maior do que ficar junto com você, em qualquer ocasião.
– Mas... mas eu... – Sem perceber, começa a derramar lágrimas também. – Eu te tratei tão mal...
– Você me tratou tão mal, mas nada disso doía mais do que te ver sofrendo todos os dias. Ou você acha que eu não ouvia você chorando?
– Eu...
– Eu só quero o seu bem, só isso, sem segundas intenções.
– Mas... – Ficou totalmente sem saber o que dizer, ou sem forças para pensar.
– Não precisa tentar se explicar, só... me abraça.
– Kid...! – Law faz o que o outro pede e aperta seu peito, derramando todas as lágrimas que havia guardado para si de uma vez só. – Me desculpa, me desculpa, me desculpa por ter sido tão idiota contigo! Me perdoa, por favor... eu não quero te perder...
– Não precisa pedir perdão, Law. – O abraça de modo mais seguro e confortável, o fazendo se sentir mais perto de si. – Só me diz, em quem eu tenho que bater?
(…)
Amanheceu. Como em toda manhã ensolarada, nossos rapazes estavam se preparando para ir à faculdade. Um sol belíssimo irradiava pelos céus, afirmando que o dia seria realmente ótimo e alegre. Ao mesmo tempo, Kid e Law chegavam ao colégio.
Mas até que não estavam juntos, uma vez que o ruivo estava mais introspectivo. Eustass guardava os punhos cerrados no bolso e caminhava tranquilamente, sem notar as pessoas ao seu redor, apenas focado em um único ponto. Até que viu, de relance, seus amigos sentados em uma mesa. Foi até eles.
Nicolle estava compondo uma música qualquer, escrevendo-a em seu celular alegremente. Trevoso lia um livro, Mikael conversava sobre futebol com outras pessoas. Até mesmo Drake estava lá, com os pés em cima da mesa, aguardando ansiosamente a chegada do garoto moreno, até Eustass aparecer em seu ponto de visão.
Kid continuava andando tranquilamente, até seus olhos se cruzarem. Continuou andando, Drake olhou em seus olhos e apenas via um adolescente normal, andando; porém, algo ali estava errado. Eustass estava com as sobrancelhas franzidas e lábios rangendo. Ele até viu Law, de relance, mas o moreno estava com um semblante de ansiedade e medo que não o fez entender muito bem.
Drake até pensou em perguntar o que estava havendo, mas, olhando os olhos vermelhos do ruivo, sua voz pareceu cessar. Ele não conseguia se mover ou sequer sair do lugar, era como se algo o tivesse impedindo de agir. Eustass, por outro lado, finalmente chegou a seu encontro.
E, sem antecedentes ou avisos prévios, fez toda a escola olhar para si. Seus amigos, paralisados. Os olhos azuis de Drake dilataram-se e estremeceram quando percebeu que Eustass havia retirado um dos punhos do bolso, pegado impulso com o braço, corrido em sua direção e, em um só golpe, conseguiu acertar o soco mais forte possível no meio de seu rosto, o fazendo cair no chão de imediato.
– O QUE FOI ISSO? – Todos se assustaram.
– E-Ei, o quê–
– VOCÊ... – Rangeu os dentes, quase os quebrando e arregalou os olhos. – EU VOU MATAR VOCÊ MUITO SÉRIO.
– M-Mas do q–
– CALA A PORRA DA BOCA, SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO! – Eustass perde o controle e cai no chão, em cima do ruivo, disparando outro soco em seu rosto, com a diferença de dessa vez fazê-lo bater com o crânio no cimento e desmaiar. Isso não o impediu de continuar. – DESGRAÇADO MALDITO...
– E-Ei, Kid, para com isso! – Os adolescentes começaram a gritar. – PARA!
– VAI À MERDA, SEU ANIMAL! – Todos com o braço direito, Eustas não parava de socar o rosto de Drake que estava desacordado e não parava de sangrar. – É ISSO QUE VOCÊ PENSA QUE PODE FAZER COM OS OUTROS? – E gritava, gritava muito. – QUEM TE DEU PERMISSÃO?
– Q-Que isso, para! – Todos ficaram perplexo. Alguns tentaram afastá-lo, outros filmavam, diversas reações distintas.
– CALEM A PORRA DA BOCA, CARALHO! – Eustass se enfurece, já batia tanto que sua mão havia se cansado, então a trocou. Utilizou agora a esquerda, que era seu braço de ferro. – EU VOU MATAR ESSE FILHO DA MÃE! DESGRAÇADO INÚTIL, NOJENTO, AAAAAAARGH!
– E-Ei, larga ele! – Os seguranças chegaram, mas ninguém conseguia contar Kid. Law assistia a cena ao longe, totalmente paralisado. Sentia algo saindo de dentro de si, um peso enorme fugindo. Nicolle também o olhou e ficou mais preocupada ainda com sua reação.
– NÃO TENTEM ME IMPEDIR, CARALHO! – Kid batia no rosto dele desesperadamente. Já o tinha desfigurado totalmente, mas não se importou. Seu braço de ferro, entretanto, sofreu as consequências, uma vez que estava se desprendendo e lhe causando uma dor agonizante. Dor esta que não impediu de continuar. – DESGRAÇADO, MORRE LOGO! MORRE E NÃO VOLTA MAIS!
Os seguranças não conseguiam conter o jovem, não dava para sequer encostar no ruivo. Contudo, a atenção de todos se virou para outro ponto. Dois helicópteros, quatro carros e três combes da Yard chegaram, juntamente com um homem ruivo.
– Wow, a festa já começou? Cheguei tarde.
– T-Tio? – Law o reconhece.
– Leãozinho, obrigado por me avisar, agora pode se acalmar. – Adams vai até Eustass e, sem se importar com sua fúria, abraça seu corpo e o obriga a levantar.
– ME SOLTA, CARALHO, ME SOLTA! – Kid se debatia violentamente. – ELE AINDA TÁ VIVO! ESSE MERDA AINDA TÁ RESPIRANDO, ENTÃO ME SOLTA! EU PRECISO MATÁ... lo...
– Isso, isso... se acalma... – Adams havia posto um pano com Clorofórmio em seu nariz, o fazendo desmaiar. – Se você ficar com essa raiva toda, quem vai protegê-lo? Ele precisa de você bem, principalmente nessa hora.
– O que tá acontecendo aqui?! – A diretora da faculdade vai até Adams. – Quem é o senhor?
– John Adams, Chefe-diretor do FBI.
– F-F-FBI?!
– Esse garoto aqui é amigo do meu afilhado, perdão pela confusão. – Adams carregava Kid no ombro.
– P-Pois saiba que esse garoto está terminantemente EXPULSO daqui!
– Eu entendo, perdão. – Adams se vira para os outros agentes da Yard. – Beleza, tirem esse garoto daqui! Enfiem ele num camburão ou sei lá.
– Caramba, que confusão. – Kaidou, atualmente um agente da Yard, era o comandante que controlava os helicópteros e carros do local. – Tudo bem, podem retirar o corpo! Coloquem numa ambulância em estado grave.
– Ambulância? Nah, não precisa. – Adams vai até ele. – Pode jogar no camburão mesmo, vai ser pior quando ele acordar, acredite.
– S-Sem querer desrespeitar suas ordens, mas ele corre risco de vida. Aliás, foi realmente necessário dois helicópteros pra uma briga entre adolescentes?
– Ah, é que eu gosto de causar! Hahaha, você é novo na Yard? É a primeira vez que eu te vejo... Kaidou Lovato, certo?
– Sim! Eu entrei recentemente.
– Então ouve o que eu vou dizer, Kaidou. Arquiva esse caso, não coloca o nome desses garotos na ficha, entendeu?
– Ma–
– Não questione, só faça o que eu digo. – Adams se vira. – Beleza, vamos comer um churros pra aliviar a tensão! HAHAHAAHA!
♠ Mais tarde, no laboratório. ♠
Joseph estava atrás do balcão, limpando-o meio fraquejando, devido os machucados. Seu corpo todo estava coberto com adesivos que cobriam suas feridas e seu semblante, mais frio do que nunca.
– Inhaí! – Adams apareceu, sorridente. – Quanto tempo!
– … – Joseph só o olhou de relance.
– Esses machucados... – E se aproxima, apoiando os braços no balcão. – Foi ele?
– O que você quer?
– Me contaram que uma certa pessoa usava injeções no meu bebê, e essa pessoa é o seu primo.
– O que as pessoas fazem não me interessa.
– Não gosta de ser envolvido, huh?
– Não.
– Relaxa, ninguém sabe de você. – Adams segura um punhal, brincando com ele. – Só eu sei, e eu não gosto quando alguém faz uma pessoa importante pra mim sofrer, sabia?
– Ninguém gosta.
– Não acha que eu vou ter pena de você só por esses arranhões. Você quer escolher a forma da sua morte, ou eu posso ter esse privilégio também?
– Olha, como eu disse, o que as pessoas fazem não me interessa. Eu vendo drogas, drogas fazem gente sofrer, e daí? O que que eu tenho a ver com isso?
– Você participou dessa história, não acha que vai sair ileso.
– Você também participou.
– Na época eu achava que ele fazia isso por vontade própria, não conta.
– Vontade própria? Ah, para! – Se estressa. – Você não é idiota, eu lembro que há uns anos você surgiu aqui com um garotinho pedindo GHB e você fodeu o seu sobrinho de quinze anos. Quer mesmo falar de vontade própria? Sinceramente...
– Querido, você não vai conseguir por a culpa em mim! – Adams sorri e aponta o punhal para a testa dele. – Você vai morrer hoje, eu só estou te dando o privilégio de escolher como.
– Ótimo, me mata, faz o que você quiser, eu não me importo! Isso vai te ajudar em quê? Vai se sentir mais confortável se me matar? Então me mata, porra! Me mata e prova pra si mesmo que você é um bosta.
– Hm... é tão sem graça quando a pessoa já quer morrer...
– Você quer me matar por vingança, pelo seu sobrinho. Ótimo! Mas e aí? Isso vai limpar a sua mente das merdas que você fez? Porque adivinha, o Drake me contava tudo. Se eu sou culpado você também é.
– Não sou, não! Eu me importo muito com o meu Sweatheart, tá bom? É que aquele garoto é muito especial, aí eu me descontrolo! Faz parte.
– Pra mim vocês dois são as mesmas merdas. Você diz tanto que se importa com esse tal de Law, mas é verdade mesmo?
– Claro que é!
– Se importava quando ele tava na sua casa, sendo forçado a fazer o que fez?
– Mas aí eu achei que era...
– Você achou mesmo que era por vontade própria? Não passou pela sua cabeça nem por um segundo o contrário?
– Tá, talvez, mas...
– A culpa que você sente agora vai acabar se você me matar? Então tá esperando o quê? Acaba logo com isso e prova pra si mesmo que você é um merda que vive uma mentira, ou então admite que tá pouco se fudendo se é ou não forçado.
– Não tenta usar psicologia contra mim, poxa...
– Se eu morrer, o que vai mudar no mundo? Esse garoto nem sabe da minha existência e mesmo assim, por minha culpa, agora ele é quimicamente dependente de diversas drogas. Mesmo se você me matar aqui, ele vai morrer, é inevitável.
– … disso eu já sei, eu sou médico. O Law não tem muito tempo de vida.
– Então aproveita esse tempo e faz alguma coisa útil. Você é como eu, nós dois não nos importamos com nada ao nosso redor, desde que seja por benefício próprio. Por mais que reclamemos, é a verdade; porque eu não vou parar de vender drogas, e você não vai parar de ser um pederasta.
– …
– E então, não vai me matar?
– Nossa, o filho do Barrels e do Schadenfreude se tornaram pessoas terríveis! – Adams se vira, dá às costas. – HORRÍVEIS! Nossa, péssimos, sem empatia nenhuma! Hahahaha, ai como essa juventude tá mudada... – E vai embora. – Té mais, Jhowjhow!
– … espera.
– Huh? – Adams desiste de ir.
– Toma. – Joseph se recusa a olhar para Adams, mas o entrega uma caixa medicinal.
– Que isso?
– A cura gay.
– Oi?
– Mentira, é o antídoto. Eu já sabia que ia dar merda então eu fiz uma fórmula que talvez tire a dependência do Law pras injeções, ou pelo menos ajude no tratamento.
– S-S-Sério?!
– São três injeções diárias num período de um ano e seis meses, eu não quero saber se é muito, não quero saber se ele vai morrer, não quero saber se eu vou me arrepender de te dar isso, só pega e some da minha vista.
– B-Brigado...
– E Adams, só mais uma coisa.
– Diga.
– Não deixa aquele garoto entrar na Yard. Não importa se ele é jovem, quando ele crescer, ele vai se tornar um monstro e vai continuar perseguindo os outros até o último suspiro. Eu não consegui controlá-lo, então eu só te peço, não o deixe livre e não dê poder àquele merda.
Continua...
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