Policial Sujo
34 O Som do Coração

– Aaaahhhhhhnn!
– Relaxa...
– Aaahnn..! T-Tá doendo...
– Eu tô colocando devagar, ajuda se você parar de gritar.
– M-Mas isso dó... AAAAAAAHHH!
– Pronto, acabou.
Enfim, o pesadelo havia acabado, ou pelo menos parte dele. Drake estava internado em um hospital onde iria receber algumas cirurgias em seu rosto depois de Eustass tê-lo deformado. Ao mesmo tempo, na casa do ruivo, Law estava recebendo o tratamento de Adams para reabilitação.
– I-Isso é mesmo necessário? – A mãe dele perguntou, preocupada com os gritos. – O Traffy tá sentindo dor...
– São injeções bem pesadas, mas ele precisa tomar três vezes ao dia. – Adams explica. – E também precisa de repouso.
E também, enquanto Law iniciava seu tratamento, o pai de Eustass estava ajeitando seu braço de ferro, que era protegido por uma camada que imita pele humana, uma vez que, durante a briga com Drake, ele havia se desprendido das ligações nervosas.
– Tsc, isso dói... – Kid reclamava da dor que era recolocar o braço.
– Ninguém mandou ficar arrumando briga com encrenqueiro. – O pai dizia. – Agora aguentem, vocês dois.
– Por que vocês entraram nessa briga, afinal? – A mãe pergunta.
– Posso contar pra eles? – Kid indaga.
– Que seja, eu vou dormir. – Law se levanta, meio desnorteado. – Obrigado, tio.
– Leãozinho, eu vou confiar que você vai proteger o meu coraçãozinho, tá bom? – Adams diz ao Kid. – Dá as doses direitinho nos horários e não para, mesmo se ele estiver sentindo muita dor. Ah, e não deixa ele usar drogas, ele só pode usar drogas daqui há um ano e seis meses, quando o tratamento acabar.
– Eu não vou deixar ele usar essas coisas nem em uma década!
– Ai, ai... ambém não precisa exagerar, né? HAHAHAHA, querendo ou não, ele é jovem, drogas são a melhor coisa! Não se reprimam, crianças. Só espera o tratamento funcionar pra não ficar dependente, aí pode voltar a se divertir.
– Porra, Adams, cala boca! – Kid fica com raiva. – Como você pode dizer isso depois de eu te contar o que houve com o Law? Ele não vai mais usar essas coisas e pronto.
– Não adianta ser proibicionista, Leãozinho! Daqui há dois anos ele se forma, todo médico usa drogas, é a realidade. A REALIDADE É INEGÁVEL!
– Foda-se a realidade, eu não vou deixar ele estragar a vida dele de novo! Poxa, eu sou o único que se preocupa?
– Você sabe que ele tá no quarto dele fumando maconha agora, né?
– Oi?
– Dá pra sentir o cheiro...
Kid vai correndo até seu quarto.
– LARGA ISSO AGORA!
– Não! – Law estava deitando na cama e tenta esconder seu baseado.
– Você disse que ia dormir! – Vai até ele, tentando pegar.
– E-Eu vou, é que eu não consigo dormir sem fumar antes.
– É pra isso que serve o tratamento! Vai, me dá essa merda. – O ruivo tenta pegar o beck com todas as forças.
– Maconha não é droga, é só uma planta, fica calmo! – Mas Law não deixava. – Eu divido com você.
– Eu não quero isso!
– Meninos, não briguem por mim. – Adams chega no local.
– Tio, diz pra ele que maconha não é droga!
– Leãozinho, maconha não é droga.
– Adams, para de incentivar o Law a fazer coisa errada! – Kid fica com mais raiva ainda.
– Coração, você não pode fumar durante o tratamento.
– Por quê?! – Law se sente terrivelmente injustiçado.
– Porque a seda faz mal e eu tenho certeza que tem coisa misturada aí! Você só pode consumir maconha se for em comida, tipo brownie e brigadeiro.
– Tsc...
(…)
Embora Law agora não precise mais obedecer a Drake, ele ainda precisava ir à sede do submundo todos os dias. Adams havia retornado aos Estados Unidos e Kid iria cuidar do mais novo, apesar de não poder mais ir ao submundo, já que tinha saído oficialmente do mesmo. Trafalgar estava sozinho junto com Joker.
– Então é por isso que você dormia comigo mesmo odiando dinheiro. – Doflamingo diz, depois de Law contar toda a situação. Ambos estavam no quarto do loiro.
– Pois é, eu fui obrigado a pedir pra ser o novo Corazón.
– E o que você planeja fazer agora? Vai sair do submundo?
– Não sei, mas eu achei que seria injusto não comentar isso contigo.
– Ei, isso aqui não é brincadeira de criança e nem lugar de rivalidade entre adolescentes. Se você não tem plena certeza de que quer ficar, vai embora enquanto pode, ninguém vai te impedir. E eu não tolero brigas entre os meus subordinados.
– Mas eu até gosto do meu treinamento com o Corazón, eu aprendi algumas coisas bem importantes, fora os livros raros daqui que são ótimos.
– Então você quer ficar?
– Querer eu quero, mas você vai deixar eu ficar se eu não dormir mais contigo?
– Ah, você acha que eu te mantive aqui até hoje por sexo?
– Não foi?
– Garoto, eu sou adulto e tenho um exército pra administrar; se eu te mantive aqui é porque você mereceu, não por dormir comigo, mas por ser útil e inteligente. Essa ideia de treinar vocês, pirralhos, foi ótima e vai me ajudar no futuro. De resto, você decide o que vai fazer com a sua vida, desde que siga com o seu trabalho.
– Então você não me deixa treinar com o seu irmão só por sexo? Sério?
– Nah, isso era só uma diversão temporária, dava até pra perceber que você tinha usado drogas pela temperatura do seu corpo, mas não vem me cobrar empatia porque eu não ligo se você era forçado.
– Eu não preciso da sua preocupação mesmo.
– Ótimo, porque você não vai encontrar gente que se importe com você de verdade. O mundo é um lugar onde você precisa aprender a se defender sozinho e desconfiar de tudo, qualquer um pode te apunhalar se for por benefício próprio.
– Disso eu já sei, eu cansei de ser fantoche dos outros! Eu vou continuar aqui e aprender a ser forte, já me decidi.
– E é por isso também que eu não tolero brigas entre os meus subordinados. Vocês são a minha família, todos aqui devem se unir e se fortalecer juntos, então eu não quero ver você e o Drake brigando mais. Entendeu?
– Tsc, isso vai ser difícil...
– Não quero saber se vai ser difícil, quero que vocês dois aprendam a serem adultos e deixem de infantilidade!
– Tá, tá, eu entendi, eu vou ignorar esse bosta, tá bom?
– Quando eu mando vocês não brigarem, eu não me refiro só aqui dentro, ouviu? Na faculdade e lugares públicos também.
– Pior que eu vou precisar arrumar outra faculdade... o Kid foi expulso, e eu não queria ir pra lá sem ele.
– Hm, eu posso transferir vocês dois pra uma aqui no centro da cidade. Pode ser?
– Ótimo, perfeito! E o que você quer em troca?
– Eu não preciso de nada em troca, garoto.
– Ah...
– Você ainda tá com essa ideia de que eu só sou bonzinho contigo por interesse sexual?
– Não só você, é que todo mundo com quem eu convivi nos últimos dias só aceita isso em troca de favores.
– Foi isso que ele te ensinou? A vender seu corpo em troca de tudo?
– Foi isso que eu aprendi.
– Você já dormiu com alguém por querer?
– Não, eu acho...
– Nas primeiras vezes dava pra ver que você tava totalmente desconfortável e não sabia bem como fazer, só depois você pegou uma boa experiência. Você era virgem, né?
– … por que você tá me perguntando tudo isso agora?
– Nada, só curiosidade. Você deve me odiar, não é? Por eu me aproveitar de você estando vulnerável.
– Na verdade, não... pra ser sincero, você é uma das poucas pessoas que não me machucavam.
– Você tá saindo com um pessoal bem ruinzinho, hein. Não usam lubrificante?
– Não...
– Que merda.
– Acho que eu tô te enchendo demais com os meus problemas, mas é isso. Eu decidi que eu vou continuar treinando com o seu irmão, então é melhor eu ir agora.
– Espera, só mais uma coisa.
– O quê?
– Qual é a sua opinião atual sobre dinheiro?
– Eu não entendo como eu não gostava! – Law fica até mais feliz. – É ótimo, dá a impressão que você pode tudo; o Drake me ensinou a jogar poker e eu realmente gostava de fazer isso, eu me divertia gastando o que ele me dava.
– Fufufu, bom saber.
– Por que a pergunta?
– Eu ainda preciso pensar, mas eu pretendo te fazer uma proposta daqui há uns dias, quando você estiver mais curado e conseguir pensar por si próprio.
– Tá bom, né...
♠ Depois disso, Law foi ao quarto de Corazón, onde treinava. No momento, estavam conversando. ♠
– Seu irmão não é tão ruim quanto eu pensava, sabia? – O moreno diz. – Ele até vai me colocar numa faculdade melhor.
– O Doffy é malvado, mas ele realmente se importa com as pessoas que ele chama de família. Ele brigou contigo pelo seu amigo ter deixado o Drake no hospital?
– Até que ele entendeu meu lado, só disse pra eu não tentar me vingar.
– Por que o Kid bateu nele? Eu jurava que vocês eram amigos.
– Você realmente quer saber? É que é uma história meio longa.
– Bom, nós não estamos fazendo nada demais agora mesmo. Conta aí.
– É que tipo...
– E-E-Ele te obrigava a se prostituir por DROGAS?! – Rosinante fica perplexo. – E-Espera aí, você dormia com o meu irmão por obrigação? Sério? E o Doffy sabia disso?!
– Ah, mas nós tivemos uma conversa, eu não vou mais dormir com o Doflamingo.
– Óbvio que não, é o mínimo! C-Caramba, como você tá, você tá bem?
– Ahn...
– Tá sentindo alguma coisa? Tem alguma coisa que eu possa fazer pra te ajudar?
– P-Pera, como é que é? Você quer me ajudar? Você me odeia!
– Eu não te odeio.
– Não?
– Eu não sou que nem as pessoas daqui, eu realmente me importo com os outros. Poxa, você tem quinze anos e já passou por tanta coisa que eu nem imaginava...
– Deixa isso pra lá, sério, eu já tô bem.
– Tem certeza? – Rosinante se aproxima e fica de frente para Law, segurando seu rosto e acariciando suas bochechas. – Se você precisar conversar com alguém, pode falar comigo tá bom?
– Não precisa ficar com pena de mim, eu já tenho um ruivo idiota pra isso.
– Não é pena, é só preocupação. Quando o Drake sair do hospital e vocês forem obrigados a conviver aqui dentro, seu amigo ruivo não vai estar.
– Eu sei, mas...
– Mas o quê? – Rosinante se abaixa para ficar à altura do outro, olhando firme em seus olhos. – Não gosta que se preocupem com você?
– Não... – Diz, mas sem certeza, com um semblante triste.
– Você se acostumou a ser tratado como lixo, não é?
– …
– Não precisa ficar assim. – Continua acariciando suas bochechas, deixando-o até um pouco com sono. – É bom ter alguém se preocupando com você, pode confiar em mim e me contar qualquer coisa.
– O Kid costuma me dizer a mesma coisa, mas... com você é tão diferente...
– Diferente como?
– Sei lá, é que...
– Hm?
Law fica olhando fixamente para Corazón, tanto em seus olhos como em seus lábios de batom, ao mesmo tempo em que o loiro continuava a acariciar suas bochechas, aguardando por uma resposta. Ficaram em um silêncio até que, por instinto, Law foi em direção a seu rosto e deu-lhe um curto beijo, se afastando em seguida.
Contudo, ele não se afastou muito, apenas desprendeu os lábios dos do outro. Ambos continuaram bem próximos, de olhos fechados, como se estivessem processando o ato em suas mentes. Nisso, também por instinto, Rosinante o puxa para outro beijo, dessa vez mais duradouro, com língua e em rápida velocidade.
– A-Ahn, e-eu... – Mas leva um susto quando percebe o que fez e se afasta. – D-Desculpa! Eu não sei porque eu fiz isso.
– “Desculpa”? – Law ficou parado, como se nada demais tivesse acontecido.
– É-É! Q-Quer dizer... você acabou de me contar essa história, eu não deveria ter te beijado.
– Mas fui eu quem te beijei.
– M-Mas eu continuei.
– Foi só um beijo, calma...
– Pra você pode até ter sido, mas eu não costumo beijar qualquer um, sabia?
– Eu também não tô acostumado a beijar gente de batom, mas nem por isso eu fico agindo como idiota.
– Também não precisa ofender...
– Tá, foi mal por ter te beijado, tá bom? Foi só um impulso.
– T-Tá, eu também... te beijei por impulso. – Disse, virando o rosto. Law acaba soltando um pequeno riso.
– Você é engraçado.
– Sou? – Rosinante volta a se virar pra ele e percebe que estava com um leve sorriso no rosto. – Nossa, é a primeira vez que eu vejo você sorrir.
– Pois é... – Um novo silêncio é criado, uma vez que os dois ficaram apenas encarando um ao outro, até Law perceber o que estava fazendo e “acordar”. – B-Bom, vamos continuar com o treinamento.
– Han? – Rosinante também estava distraído. – A-Ah, sim, sim! Vamos continuar... o treinamento.
♠ À noite, na casa dos meninos. ♠
Ambos estavam deitados na cama. Kid estava com as costas na cabeceira, enquanto Law ficara sentado em seu colo, de frente para ele, com as pernas entre seus quadris e o beijando, tendo as mãos do ruivo apoiadas em suas nádegas.
Ele também movimentava-se em cima da cintura do ruivo, que punha uma de suas mãos debaixo da camisa do outro, dando leves arranhões em suas costas e trocando beijos cada vez mais quentes, o que já havia deixado os dois levemente excitados.
– Kid... – Sussurrou próximo a seus ouvidos, dando alguns beijos no pescoço do ruivo.
– Hhn.. Law... – Apoiou o rosto no ombro do outro, dando beijos e passeando com as mãos por suas costas.
E continuaram no mesmo clima por um bom tempo, até que...
“Law...”
– Ahn? – Law se afasta, olhando o ruivo um pouco assustado.
– Hm? – Kid estava meio hipnotizado. – O que houve?
– Não, eu... sei lá, eu senti alguma coisa no meu peito.
– Tá doendo alguma coisa? Quer que eu te dê a injeção agora?
– Não... – Law fica meio deprê e deita-se no colo do outro. – Não é esse tipo de dor...
– É qual então? Foi alguma coisa que eu fiz?
– Não, é que... deixa pra lá, é complicado explicar.
Law ficou se sentindo culpado e sonolento por não conseguir mais ficar com o ruivo, depois de ver a imagem de Corazón em sua mente, junto com sua voz.
♠ Uma semana depois, Joker havia chamado Law para conversar consigo em seu quarto. ♠
– Você disse que me faria uma proposta hoje. – O moreno diz. – Posso saber o que é?
– Você é jovem, é inteligente, gosta de estudar, tem pulso firme e com certeza vai ser alguém forte no futuro.
– Me chamou aqui só pra me dizer o que eu já sei?
– E além de tudo é ganancioso, do jeito que eu gosto. Não, eu te chamei aqui pra te fazer uma proposta irrecusável.
Doflamingo o mostra um anel feito de ouro maciço, com uma Alexandrita roxa cravadas pelas iniciais “D.D.”
– Que isso? – Law pergunta, segurando-o.
– É uma aliança. Law, eu quero que você se case comigo.
– OI? – O susto é tão grande que ele taca a joia pra longe. – Eu não! Você ficou maluco? Casar?!
– Fufufu, eu sabia que você ia dizer isso. Casamentos no submundo não são como os tradicionais, garoto.
– São como então?
– São mais como uma troca de favores. Se você aceitar, eu te deixo comandar o submundo junto comigo, te dou dinheiro e poder, muito melhor do que ser Corazón.
– Han, sério? – Ele fica meio incerto. – Tipo... casar por dinheiro? O que eu tenho que fazer em troca?
– Em troca, você vem morar comigo e faz tudo o que eu mandar.
– Vai me transformar numa esposa submissa?
– Sim.
– Eu vou precisar lavar louça, essa coisas?
– Nah, isso é perda de tempo, é pra isso que servem os empregados. Eu vou te dar uma vida de verdade, garoto.
– Vai me dar tudo isso só por eu dormir contigo? Sério?
– E SÓ comigo, entendeu? Se você continuar a ficar com os outros, isso estragaria a minha imagem.
– Hm...
– E aí, aceita ou não?
♠ Mais tarde, na casa de Kid e Law. ♠
– VO-VO-VO... VOCÊ... VOCÊ O QUÊ?!
Eustass Kid, no momento, era a pessoa mais em choque do mundo.
– Eu me casei com o Doflamingo! – E Law dizia sorridente, fazendo suas malas. – Não é incrível?
– VO... vo... vo... você...
– Agora eu sou RICO! Você não vai acreditar, Kid, ele me deu um cartão de crédito ilimitado. ILI-MI-TA-DO. Você não adora essa palavra?
– C-Ca... ca... ca-casou...
– E um puta anel de ouro! Cara, você sabe o preço dessa coisa? Não tem nem preço!
– Casamento... o Law... casou...
– Para de repetir isso e diz alguma coisa útil.
– V-Você realmente se casou?! – Kid fica perplexo e balança o ombro de Law com convicção. – Por quê?!
– Por dinheiro.
– Caramba, para com esse negócio de dinheiro, você não era assim! Poxa, por que você fez isso?
– Eu sei que você tá com ciúmes, ma–
– NÃO É CIÚMES! – Grita. – Law, pelo amor de Deus, esse cara faz um monte de coisa contigo e você se casa com ele?
– Ele não fez nada comigo.
– Como não? Foi por esse motivo que o Drake começou com tudo isso, esse casamento só vai deixar aquele filho da mãe realizado!
– Kid, o Doflamingo nunca me forçou a nada, pelo contrário, eu até gostava um pouco de ficar com ele.
– Você gosta dele?
– Eu não o odeio.
– Não se trata de não odiar, um casamento é mais do que isso! Eu amo você e já entendi que pelo visto nós nunca vamos ficar juntos, mas Law, se for pra casar com alguém, pelo menos faça isso com alguém que você gos–
Law abraça o pescoço do ruivo e o puxa para um longo e lento beijo, que é respondido com Eustass abraçando sua cintura. Ao se separarem, ainda ficam em um silêncio mútuo.
– Não se preocupa, o Doflamingo realmente nunca fez nada contra mim.
– Eu acredito, mas...
– Eu não vou sumir, Kid, nós vamos estudar juntos numa nova faculdade e eu venho pra cá quando der, visitar minha mãe.
– … não tem nada mesmo que eu possa fazer pra você mudar de ideia?
– Desculpa.
– E os seus remédios? Você vai se cuidar direito?
– Sim, ele disse que vai contratar um médico só pra me dar as injeções, vai ficar tudo bem.
– Mas tipo... – Kid continua abraçando sua cintura. – Isso não significa que você precise ser fiel, sabe...
– Kid...
– Você disse que nós iríamos continuar nos encontrando, certo?
– Eu não vou trair o Doflamingo, ele pode te matar se descobrir.
– Mas aí eu morro feliz, Law.
– Não me pede isso, sério. – Ele se afasta. – Eu só vou ficar com ele a partir de agora, então aprende a lidar com isso.
– M-M-Mas nós nunca nem fizemos...
– Se eu soubesse que ele me pediria em casamento eu até teria feito contigo antes de aceitar, mas agora já era!
– Poxa...
(...)
Após deixar Kid traumatizado pelo resto de sua existência, Law foi até a casa de Doflamingo e Rosinante, que moravam juntos, desfazer suas malas. Enquanto isso, telefonou para Adams e contou o que havia acontecido.
“V-V-VOCÊ O QUÊ?!”
– Casei com o Doflamingo.
“Ah tá, que susto, eu achei que você tinha dito que ca... VOCÊ FEZ O QUÊ?”
– Agora eu vou liderar o submundo junto com ele! Não é legal?
“NÃO! M-Meu Deus, não, não, não! Um casamento no submundo não é isso!”
– É o que, então?
“OLHA AQUI. As únicas pessoas que você pode casar NESTE MUNDO somos EU e o Leãozinho, entendeu? Peça divórcio! Agora!”
– Poxa, eu achei que você iria me apoiar.
“Coração, um casamento no submundo não é só isso, significa que você vai precisar obedecer o Loiro Magia pro resto da sua vida, e você tem quinze anos! Por que com quinze anos você conseguiu uma coisa que eu não consegui na minha vida toda? Fora que o divórcio é extremamente caro e difícil...”
– Ok, ok, eu preciso ir.
“Ma–“
– Tchau! – E desliga na cara dele. Logo em seguida, Law vai para o quarto de Rosinante, que estava sentado, lendo um jornal. – Oi... posso entrar?
– … – O ignorou completamente, focando seus olhos na leitura.
– Você ficou chateado comigo porque eu me casei com o seu irmão? – Law vai até ele.
– …
– Não me ignora, por favor.
– Não fiquei, tá bom? – Rosinante guarda o jornal e olha para o garoto. – Só é difícil saber que meu irmão é um irresponsável.
– Ei... Cora-san.
– “Cora-san”?
Law vai até o outro lado da cama e se deita ao lado do loiro.
– Você só ficou chateado com o seu irmão por eu ser menor de idade? Só por isso?
– Pra você idade pode não ser nada, mas um casamento envolve muita responsabilidade, Law.
– Fala a verdade. Desde o dia em que eu te beijei você tem agido estranho comigo.
– D-D-Do que você tá falando? U-Uma coisa não tem nada a ver com a outra!
– Não fala assim... – Law se deita no peito do outro, o abraçando. – É que desde aquele dia...
– Huh?
– Eu... – E, mesmo deitado, olha diretamente para ele. – Não consigo mais parar de pensar em você, Cora-san.
– …
Rosinante acaba ficando levemente corado e tímido, sem saber o que dizer. Nisso, Law sobe em seu peito e vai em direção a seu rosto, dando-lhe um beijo de leve.
– Não faz isso... – Mas Corazón o afasta, virando seu rosto. – Você é casado com o meu irmão.
– Mas eu não gosto dele.
– Mesmo assim...
– Você não gosta de mim?
– …
– Para de me ignorar...
– … tá bom, eu gosto de você e sim, eu não consegui esquecer aquele beijo. É isso que você queria ouvir?
– Era só isso que eu precisava ouvir. – Law vira o rosto do outro e o obriga a o olhar. – Eu gosto de você também.
– Então por que casou com meu irmão?
– Por dinheiro e também... – Deita em seu peito, indo até seus ouvidos e sussurrando. – Pra morar na mesma casa que você.
– P-P-Pera aí, e-então você pretend–
Law volta a beijá-lo para calar sua boca, dando-lhe certeza do que queria. Rosinante hesita no começo, mas acaba apoiando uma de suas mãos nas costas do outro e retribuindo o ato, segurando o rosto dele com a outra.
♠ Um mês se passou, ninguém desconfiava que Law e Corazón tinham um caso. ♠
No exato momento, Law e Kid estavam juntos no hospital em que Drake estava internado, em coma, depois de receber várias cirurgias de reparação no rosto.
– Ahn... – Até que o ruivo finalmente despertou, depois de mais de trinta dias dormindo.
– Oh, acordou! Finalmente. – Law comenta.
– Bom dia, flor do dia. – E Kid também, ambos com um sorriso sádico.
– Uhn, quê... – Ainda estava tonto. – O-Onde... eu tô..?
– No hospital. – O moreno responde. – Qual é a última coisa que você se lembra?
– Ahn, eu tava na faculdade, daí... agora eu tô aqui? O que aconteceu?
– O Kid te deu uma surra, você desmaiou. Foi isso que aconteceu.
– Ai, ai, e foi uma sensação ótima. – Eustass afirma, com sangue nos olhos. – Mal posso esperar pra quando você receber alta.
– P-Pera aí, por que o Kid me bateu? – Drake pergunta. – Eu sou um amor de pessoa.
– Eu contei pra ele tudo o que você fez comigo.
– É, foi o que eu imaginei... que droga.
– É só isso que você tem pra dizer, hein? – Kid vai ao lado dele, o ameaçando com o olhar. – Você sabe que a partir de hoje a sua vida vai ser um inferno, não é?
– Kid, eu sei que você deve estar com muita raiva de mim, mas eu aposto que ele não te contou todas as vezes que invadiu a minha casa de madrugada pra conseguir drogas.
– Ah, vai ficar me culpando agora? – Law rebate.
– Você gostava da vida que eu te dava, isso é inegável! Sexo, drogas e dinheiro são o que movem o mundo, garoto.
– Ei, escuta aqui! – Kid fica com mais ódio e o puxa pela roupa. – Eu só não te dou outra surra porque aqui é um hospital, mas não vai achando que vai ficar só por isso. Eu abandonei o submundo, então não tenho a menor obrigação de ser bonzinho contigo.
– T-Tá, foi mal por ter feito aquelas coisas! Eu admito que exagerei um pouco, tá bom? Esquece isso.
– Esquecer? Você acha mesmo que eu vou esquecer?
– Verdade né, o garoto não deve ter muito tempo de vida. – Olha para Law. – Você tá tomando suas injeções direitinho, bebê?
– Eu não preciso mais disso.
– E você, Kid, agora que você sabe já tá tirando vantagem disso? Porque querendo ou não, se não fosse por mim ele ainda estaria com nojinho de te beijar.
– Cala a boca, nojento.
– Só pra você saber. – Law vai até ele. – O Adams conseguiu o antídoto das suas injeções, eu não preciso mais delas.
– Oi? – Fica pasmo. – Sério? Como?
– Não te interessa. Na verdade eu só vim aqui te avisar que a partir de hoje, você vai desejar nunca ter acordado do coma.
– Ai, vocês guardam muito rancor, nossa.
– Vamos, Kid. – Law se vira e vai embora, junto com o ruivo. – Deixa ele descansar por enquanto.
– Eu vou adorar bater nesse idiota de novo. – Kid também se vai, com um sádico sorriso no rosto.
♠ Um tempo depois, ainda no hospital, Dellinger surge. ♠
– Oieee! – E o garoto saltitante vai até Drake. – Finalmente acordou!
– Até que enfim você chegou... quando vão me tirar daqui?
– Amanhã de manhã.
– Ótimo, agora vem cá. – Aponta para um espaço na cama ao seu lado, que é onde Dellinger vai deitar-se.
– Não tem problema duas pessoas deitarem numa cama de hospital?
– Esquece isso. – Segura o rosto do loiro, afastando seus cabelos. – Agora que o Law desistiu do meu plano, eu tava pensando em outros, sabe...
– Planos?
– Aham... – Vai ao encontro dos ouvidos do outro, mordendo o lóbulo de sua orelha e sussurrando. – Agora que eu não tenho mais ele, eu poderia usar você...
– P-Pera aí... – Fica arrepiado e tenta se afastar, sem sucesso. – V-Você tá falando do lance de prostituição..?
– Você é mais novinho, loiro... – Continua mordendo o lóbulo. – Você é muito melhor do que ele, Dellin...
– M-Mas eu vi o que aconteceu com o Law, eu não quero usar drogas... estraga a minha pele.
– Nah, não precisa. – Olha diretamente em seus olhos, acariciando seu cabelo. – Eu só dava aquilo pro Law porque ele era muito recluso, você é mais soltinho.
– Mesmo assim...
– Quais são as coisas que você mais gosta, Dellin?
– Dinheiro, jóias e assassinato!
– Gosta de homens também, não é?
– Sim, mas...
– Então... – Se aproxima, dando um pequeno beijo nele. – Se você ficar comigo... – E vai em direção a orelha, dando mais beijos. – Você vai ter dinheiro, jóias e muito sexo.
– Pensando por esse lado...
– Vai ser divertido, só tenta uma vez pelo menos, se não gostar pode ir embora.
– O que eu preciso fazer?
– Se muda pra minha casa, eu vou te dar as chaves. Me espera lá que amanhã nós já começamos.
♠ No dia seguinte, Law estava com Doflamigo. ♠
– Eu quero maconha... – Estava deprimido. – Eu vou entrar em abstinência...
– Você é a primeira pessoa viciada nesse troço que eu conheço, parabéns.
– Não é vício! É só... amor.
– Fufufu, o Adams disse que você poderia consumir, não é?
– Mas eu não sei onde compra, eu nunca fui à uma boca, era sempre aquele filho da mãe que trazia pra mim.
– Então aprende, tem uma lista laboratórios contrabandistas no computador filiadas a mim, é mais seguro que boca de fumo.
– Ele disse isso também, mas eu não quero correr o risco de acabar pegando justo o laboratório do primo dele.
– Você sabe o nome do primo?
– Não.
– Então vê um laboratório aí qualquer, depois pesquisa se o dono tem alguma familiaridade com o Drake. Se não tiver, é só ir.
♠ Law acaba indo a um laboratório aleatório, que era justamente o pior possível. ♠
– Oi. – Ele entra. – Você é o Joseph?
– Depende, o que você quer?
– Maconha. Muita maconha.
– Han? – Estranha o jeito dele de pedir. – Vaza daqui, guri.
– E-Eu tô falando sério! – Law vai até a bancada. – Eu sei que você vende, então me dá!
– Não.
– P-Por favor! Eu tenho dinheiro.
– … tá, me dá seu pulso. – Joseph segura o pulso de Law. – Você é policial?
– Não.
– Que seja, fala logo quantos gramas você quer.
– Cinco quilos.
– Oi?
– Eu pretendo fazer três bolos, aí eu acho que dá.
– V-Você... você tá querendo cinco QUILOS? Não são cinco gramas, não?
– Pra falar a verdade, eu não sou muito bom em matemática, só me dá tudo o que você tiver.
– Caramba, que garoto problemático você é, hein. – Joseph acaba pensando em uma hipótese. – Pera aí...
– O quê?
– … qual é o seu nome, guri?
– Trafalgar Law.
– V-V-VO-VO... VOCÊ! – Joseph leva um susto e se esconde debaixo da bancada, sussurrando para si. – M-Me-Meu Deus, é ele mesmo!
– Han?
– Ai meu Deus, agora que eu percebi, eu toquei nele! – Fica desesperado em busca de um gel antibacteriano, se afogando no mesmo. – E-Eu preciso limpar as minhas mãos antes que eu me contagie! Ai que nojo! Que nojo, que nojo, que nojo!
– D-Do que você tá falando?
– V-Você, v-você é problemático! Some da minha frente! Ai, minha mão tá formigando... acho que eu vou precisar amputar...
– Cara, eu não tenho nenhuma doença contagiosa, não...
– Porra, não? Tem certeza?
– Você me conhece?
– Você... não sabe quem eu sou?
– Ahn, Joseph?
– S-Só some daqui, por favor.
– Mas eu tenho dinheiro.
– … – Joseph sai detrás da bancada e olha Law de relance. – Quanto?
– Muito, meu marido é rico.
– Marido?
– Aqui. – Ele mostra a aliança de ouro.
– “D.D.”?
– De onde você me conhece, aliás?
– D.D... não pode ser...
– Han?
– A-Ah não, é que tipo... você é sobrinho do Adams, né? Seu pai e ele usavam esse laboratório quando meu pai trabalhava aqui.
– Ah... por um segundo eu achei que você fosse primo de uma pessoa aí.
– Não, eu não tenho primos. Enfim, se você tiver dinheiro é bem vindo, seja lá quem for.
♠ À noite, na casa de Drake. ♠
Estava junto com Dellinger, até ouvir a campainha tocar. Quando foi atender, o loiro estava abraçando sua cintura para ver quem era à porta.
– Quem é? – Drake perguntou, mas como não obteve respostas, abriu a porta. – V-Você...
– Olha, olha, que coisa bonita. – Era Joseph, totalmente bêbado e cambaleando, com uma vodka nas mãos. – Pelo visto cheguei em uma boa hora.
– Quem é? – Dellinger indaga, vendo o outro pálido.
– Dellin, vai pro quarto e se tranca lá até eu chegar.
– Que falta de educação... – Disse, tonto. – Eu só vim ver como cê tava depois que recebeu alta, primo, mas pelo visto cê tá bem até demais.
– O que é que você quer, Joseph?
– Quem era o loirinho? Cê tá aprontando de novo, né?
– Ele é irmão de uma pessoa da faculdade, eu só tô de babá temporária.
– Hahaha... você mentia melhor no passado. – Joseph abraça o ombro dele. – Vai, me conta, eu não vou te julgar.
– Me larga, sério.
– Por quê? Eu só tava dando um rolê pela cidade com uns amigos e decidi trazer o meu priminho, só isso.
Joseph vai arrastando Drake até no meio da rua, onde tinha um carro com música alta e cerca de seis pessoas dentro, algumas sentadas fora do veículo, todos homens bêbados tatuados e a maioria com pouco cabelo ou careca.
– Pra onde você pensa que vai me levar? – O ruivo pergunta, assustado.
– Aí gente, trouxe ele! – Joseph exclama.
– Ae, manda ele pra cá! – Um dos homens grita.
– A gente só tava esperando vocês! – Outro.
Drake acaba sendo forçado a entrar no carro, enquanto os outros homens gritavam, riam alto, bebiam e dirigiam sem controle. Ele só fechou os olhos e esperou tudo acabar, até ser arrastado para um local afastado, onde só tinha uma casinha de madeira em meio à estrada. Dentro, também haviam várias armas pesadas.
– ME SOLTA! – Gritava, sendo arrastado pelo casaco por quatro pessoas, até o jogarem contra uma parede. – O que vocês pensam que vão fazer? Que merda significa isso?!
– Ai, ai... – Joseph estava em pé, olhando pra ele, com os homens em volta. – É tão bom te ver assustadinho.
– O que você quer?
– Nada... – Se agacha à frente dele, acendendo um cigarro e tragando em seu rosto. – Só acho que tu tá precisando de uma lição pra aprender a ser homem.
– S-Se é sobre o Dellinger, ele não é ninguém, eu juro!
– Tsc, cala a boca, porra! – Pega seu cigarro e apaga bem no pescoço do outro.
– Aaaaaaaaai, isso dói, cara!
– Tu acha que eu gosto de dividir meu sangue contigo? Um viadinho miscigenado pederasta com complexo de superioridade?
– Cara, não é nada do que você tá pensando, é só por dinheiro...
– “Casou” com o seu garotinho por dinheiro também?
– Han?
– O Law deu uma passada hoje no laboratório, sabia? Eu nunca senti tanto nojo na vida como quando ele disse que tinha casado com você. Esse foi o auge.
– P-Pera aí, o quê? Quem casou com quem? V-Você tá achando que eu... com o Law? Cara, eu tava no hospital!
– Já deu pra mim, cansei de você! Só a sua existência me enoja. Podem fazer o que quiser com ele.
Joseph deu as costas e ficou apenas assistindo seus amigos utilizarem tacos de basebol, socos e diversos chutes em Drake, que não conseguia se defender de seis pessoas ao mesmo tempo.
– P-PARA COM ISSO, ME SOLTA! – Levantavam ele pelo casaco e o derrubavam de novo com socos e pauladas seguidas, além de chutes na barriga quando voltava a ficar no chão. – Me solta, sério, seu desgraçado... eu vou matar você...
– Hahaha, ele ainda tem forças pra falar! Que gracinha! – Um deles dá um chute no maxilar do ruivo e faz sua face sangrar, enquanto os outros continuavam a agredi-lo.
– Afastem, eu quero ver esse filho da puta! – Joseph exclama, segurando uma garrafa de álcool. – Heh, será que dá pra purificá-lo assim?
– N-Não... não joga essa merda... em mim... fica longe...
– Cala a boca, porco inútil. – Joga todo o líquido em cima do outro. – Só assim mesmo pra tu aprender uma lição.
Contudo, antes que alguém pudesse acender um isqueiro, sons de carros de polícia surgem no local.
– Fudeu, é a Yard!
– Tsc... – Joseph reclama. – Que merda!
Assustados com a polícia, Joseph e os outros deixam o local o mais depressa possível. Drake estava semi desacordado, com o rosto coberto de sangue, jogado no chão com o corpo banhado de álcool.
– Mandem todas as viaturas atrás deles, eu vou checar dentro da casa. – Disse o agente-chefe da Yard, adentrando sozinho a casa onde o ruivo estava, o encontrando. – V-Você tá bem?
– Ahn, quê... – Drake olha para cima e vê um rosto estranho. – Q-Quem é... você...
– Kaidou Lovato, agente-chefe da Scotland Yard. Eu vou chamar uma ambulância imediatamente!
– Scot... NÃO! – Arranja forças pra gritar. – Ai, ai... n-não... não chama...
– Huh?
– Eu... não chama a Yard... tudo menos isso...
– Por quê, você é procurado?
– Não, eu... sou estudante de criminologia... daqui há dois anos... eu vou entrar pra Yard... não quero que me vejam assim...
– Espera aí, você... você é o garotinho que apanhou na faculdade mês passado?
– …
– Caramba, você é bem odiado pelo visto, tadinho. Me desculpa, mas eu vou precisar chamar uma ambulância, você corre risco de vida!
– Nah, eu só... quero ir pra casa... hospital dá muita exposição.
– Você mora com quem?
– So... sozinho...
– De jeito nenhum que eu vou deixar! S-Se você quer tanto assim não ser exposto, então eu vou te levar pra minha casa e cuidar dos seus ferimentos.
– Oi?
– Eu não posso deixar alguém ferido pra trás, você vai morrer!
♠ Uma semana depois, na central do submundo. ♠
Drake havia aparecido depois de uma semana sumido, pois tinha ficado na casa de Kaidou.
– Olha quem voltou. – Law é o primeiro a encontrá-lo. – Achei que você tivesse fugido.
– Nem me fale, eu acabei de ter a experiência mais bizarra da minha vida.
– Drakeeeeee! – Delligner o vê e pula em cima dele. – Kyaaaah, que saudades! Por que você não voltou pra casa?
– NÃO ENCOSTA EM MIM! – Empurra Dellinger pra longe, se descontrolando. – Não olha pra mim, não fala comigo, não cita o meu nome! Só de ouvir a sua voz eu sinto vontade de vomitar, criatura infernal, raça nojenta.
– Ahn?
– Tu tá na minha casa ainda?
– T-Tô...
– Então se muda! Se eu vir a suas coisas lá quando eu voltar, eu taco fogo. Entendeu?
– Ma-mas e o nosso plano..?
– Plano? O caralho! Eu não sei onde eu tava com a cabeça quando resolvi trabalhar com merdinha como você.
– Ei, ei, calma... – Law interfere. – Que foi, tá de TPM?
– Aliás, uma coisa que tá na minha cabeça há séculos. – Drake se vira pra Law. – Que boatos são esses de nós estarmos casados?
– Han?
– Disseram que eu tinha me casado com você.
– Até parece... eu me casei sim, mas não com você. – Law mostra-lhe o anel. – Olha.
– Hm, que bonito, foi com quem? Kid?
– Doflamingo.
– Ah sim, nós temos a mesmas iniciais, faz sentido.
– É, e–
– V-V-VO-VOCÊ... VOCÊ FEZ O QUÊ? VO-VOCÊ CASOU COM O JOKER?!
– Por que todo mundo tem essa reação?
– C-Como ninguém me conta esses babados?
– Você tava em coma, depois sumiu por sete dias.
– M-Meu Deus! – Drake não resiste e abraça Law. – Eu te amo, eu te amo, puta merda como eu te amo! Você é maravilhoso!
– Q-Que isso? – Se assusta.
– V-Você casou com o cara mais rico e poderoso do mundo? Cara, que incrível!
– Me solta...
– Ei, por que com o Law você comemora e comigo você me chama de “raça nojenta”? – Dellinger pergunta.
– Meu bebê cresceu! – Ignora o outro. – Eu tô tão orgulhoso de você... ai, já sei, a partir de hoje eu vou te chamar de Donquixote!
– Você me assusta.
♠ Um tempo depois, na antiga faculdade. ♠
Eustass havia ido fazer uma visita a Drake em sua antiga faculdade, atual do outro. Tanto os dois como Law estavam escondidos em um canto, sozinho.
– ME DEIXA EM PAZ, QUE SACO! – Drake gritava, se afastando. – Essa perseguição já tá cansando!
– Que foi, já tá cansadinho? – Kid sorria sadicamente. Law apenas observava. – Você persegue o Law há anos e agora reclama?
– Vai se fuder, Kid! Você só tá com esse negócio porque não aceita que o Donquixote tá casado com outro que não seja você! E POR MINHA CAUSA!
– CALA BOCA! – Eustass dispara um soco contra ele, que o faz cair no chão. – Fica quietinho aí, escroto!
– Fala o que quiser... – Se levanta, indo até ele. – Você só tá assim porque foi o único que ainda não conseguiu foder com esse garoto! E logo você, a esposa apaixonada! Hahahaha, é rir pra não chorar.
– Tsc, você é desprezível.
– Que foi, não vai me bater? Você não consegue aceitar que eu tirei a virgindade da sua noiva e ainda ensinei tudo o que esse garoto sabe. Você não consegue tirar isso da sua cabeça, né, frustrado?
– É incrível como você só consegue falar merda, que nojo! – Dá outro soco na cara dele, que só o faz cambalear.
– Eu só digo a verdade, querido! – Sorria debochadamente e foi até Law, totalmente tonto. – Você! Você deveria me agradecer de joelhos pela vida boa que tu tem hoje, garoto.
– Eu não precisei de você pra merda nenhuma, se toca.
– Ah, para... você adora essa vida de ser bancado por macho, tudo por minha causa.
– Você me dá asco, já perdeu até a graça esse seu jeito de ser desesperado por atenção. Vem, Kid, vamos embora.
♠ Depois, na casa de Kid. ♠
De vez em quando, Law e Rosinante iam à casa de Kid, uma vez que Corazón havia acabado se tornando amigo dos dois. O ruivo não sabia que os dois tinham um caso.
– Quer mais biscoitos? Fique à vontade! – A mãe de Law oferece para o loiro.
– Brigado, a senhora é muito gentil. – E ele aceitava com um sorriso no rosto.
– Olha, você já tá aqui há meia hora e ainda não quebrou nada, Rosinante. – Kid comenta. – É um novo recorde.
– Eu acho que é porque ele já quebrou todas as coisas quebráveis... – Law supõe.
– E-Então, vocês querem dar uma volta no parque? – O loiro tenta mudar de assunto.
– Oiie! – Eis que uma terceira pessoa surge na casa. Era Drake, bêbado. – Ué, tá rolando uma rodinha de confraternização aqui e não me chamaram?
– Que que tu tá fazendo na minha casa? – Kid se enfurece.
– Ah, cê sabe né... eu sinto saudades dessa família feliz reunida. – Drake vai até o outro ruivo, só pra provocá-lo. – Lembra quando eu vinha buscar o Donquixote e você morria de ciúmes de mim, Kid?
– Cara, o que você quer, hein? – Law vai até ele. – Some daqui!
– Por quê? Eu só vim visitar vocês, relaxa... é que o Donquixote só fica com o marido rico, não sabia que ele ainda dava importância pra pé-rapado.
– Posso te lembrar que você está falando do meu irmão? – Corazón vai até ele. – E que você ainda é meu subordinado, inclusive do Law?
– Meninos, não briguem. – A mãe interfere. – Por que não fazem todos as pazes? Se quiser, eu te dou biscoito também, querido.
– Viu só? A sogrinha ainda gosta de mim! – O ruivo vai até ela. – Eu sou um amor de pessoa.
– Eu não quero gente como você perto da minha mãe! – Law se irrita.
– Oh, acabaram os biscoitos... tem mais na cozinha. – A mãe volta a falar com Drake. – Quer vir comigo pegar?
– Claro!
Mesmo Law e Kid odiando, Drake foi sozinho junto com a mãe de Law para a cozinha. Chegando, ele sentou-se na cadeira e aguardou os biscoitos.
– Sabe... – A mãe diz, de costas, com uma voz um pouco mais séria.
– Sim?
– Eu não gosto muito que mexam com o meu filho. – Ela se vira para o ruivo e retira seus óculos pesados, deixando a cicatriz de seu olho aparecer. O curioso é que seu ar também muda. – O Law é importante pra mim, sabia?
– Han?
(…)
Drake agiu estranho pelo resto do dia e, no seguinte, ainda estava com o mesmo semblante assustado. Seu corpo todo não parava de tremer, sua pele estava pálida e seus olhos piscavam pouco, além de estarem bem vermelhos, como se tivesse recebido um trauma marcante ou visto um verdadeiro demônio.
No momento, ele estava sentado atrás de sua faculdade, encostado em uma parede e refletindo sobre a vida. Eis que Eustass surge, do nada.
– E aí! – Grita, só pra provocá-lo. – Meu professor faltou hoje, então eu resolvi te fazer uma visit–
– F-FI-FICA LONGE DE MIM! – Ele grita e tenta se esconder. – S-SAI DAQUI, SEU... SEU MANÍACO DOENTE!
– Oi?
– V-V-Você! V-Você... vo-você tem o mesmo sangue daquela mulher! – Continua apavorado. – F-Fica longe de mim, cria do demônio!
– Nossa... nem tem mais graça te perseguir, só fala coisa nada a ver.
– Q-Qual é o problema com você e a sua família? A mãe é pior que o filho!
– O que tem a minha mãe?
– V-Você sabe muito bem! Aqueles biscoitos... – Ele leva um susto e vai até Kid, balançando seu ombro. – Ei, me fala! O que tem naquelas merdas de biscoito que eu passei a minha vida comendo na inocência?
– Hã?
– V-Veneno? Tempero do inferno? M-Me diz, aquilo não é humano!
– Ok, você ficou maluco. – Kid o empurra e se vira, indo embora. – Vai pra uma clínica psiquiatra. Tchau!
♠ No dia seguinte, na faculdade. ♠
– VAI SE FODER, SEU EMO DE MERDA! – Drake havia acabado de chamar a atenção de todos, quando empurrou Trevoso no chão.
– O que você tá fazendo? – Nicolle o impede, segurando seus braços. – Por que você empurrou ele?!
– ME SOLTA! – Ele conseguiu se soltar e puxa a garota pela gola da camisa. – Não encosta um dedo em mim, mulher! Fica calada no seu devido lugar, ouviu?
– Hã? Vai se fuder! – Ela dá um chute no meio das pernas dele. – Otário.
– Urgh...
– Cara, que que deu em você? – Mikael vai até ele. – Você tá mó escroto!
– Calem a porra da boca, todos vocês! Principalmente você. – Se revolta e vai até Trevoso, que ainda estava no chão, calado e olhando fixamente para ele. – Você tem cara de morto, me dá raiva.
– A ganância modifica a mente dos fracos; o indivíduo torna-se representante dos civis quando adquire prestígio, mas ao fim, durante a queda, revoltam-te contra ti e quem a ti colocou no topo, agora é quem o derruba e obriga-te a retornar ao inferno.
– Como é que é? Isso foi uma ameaça?
Sem respostas.
– Vocês me dão nojo, isso sim! Eu juro... eu juro que um dia eu vou MATAR CADA UM DE VOCÊS, PORCOS IMUNDOS!
♠ Mais tarde, no submundo, Drake conversava com Adams ao celular. ♠
“Que revolta toda é essa, Dory? Você tá muito esquentadinho esses dias, a Yard não aceita gente com mente alterada, não, sabia?”
– Adams, eu conheci o capeta e ela se chama Amelia Dyer. Isso tá me deixando louco porque eu fico lembrando dessa criatura!
“Han? A nova mãe do Law? Ela é melhor que a antiga...”
– Eu não sei o que eu faço da minha vida... você ainda me odeia?
“Uhum.”
– Poxa... eu gostava tanto de você.
“Ai, você é muito falso, Dory. JÁ SEI! Eu vou trocar seu apelido pra Falsiane!”
– Ah não, apelido feminino de novo?
“Tá bom, tá bom. Já que você é uma cobra, eu vou te chamar de... REX!”
– O que cobras tem a ver com dinoss–
“NÃO ME QUESTIONE, REX, VOCÊ SABE QUE EU NÃO GOSTO.”
– D-Desculpa.
“Bom garoto. Beleza, agora vamos cuidar da sua sanidade mental!”
(…)
Dois anos se passaram. Law continuava casado com Joker e namorando Corazón escondido. Kid nem desconfiava, continuava amigo de Rosinante e perseguia Drake nas horas vagas, que por sinal, vivia um verdadeiro inferno mas não podia reclamar. Os três haviam se formado na faculdade há uma semana.
E, pra comemorar sua formatura, Doflamingo deixou Law bater em Drake, que estava amarrado em uma cadeira. O moreno trajava um soco inglês nas mãos.
– Ai, ai... que presente bom. – Law olhava para Drake, se preparando para agredi-lo.
– Não precisava nem me amarrar, eu não ia revidar mesmo. E você fica uma gracinha com carinha de malvado.
– Eu gosto de te ver amarrado. – Vai andando até o ruivo, até estar bem de frente. – Você fica melhor assim. – Levanta o rosto dele com um dos dedos, obrigando a olhá-lo nos olhos.
– Pode fazer o que quiser comigo, bebê, se for pra você eu não me importo. Só não deixa marca que semana que vem eu tenho prova pra admissão na Yard, tá?
– Eu vou tentar. – Law senta no colo dele para que a cadeira não caísse, ao mesmo tempo em que o outro estava com um sorriso de deboche e fadiga.
– Você é tão sexy...
– ISSO É POR ME OBRIGAR A FICAR CONTIGO! – Law dá o primeiro soco no rosto dele, bem de perto e na bochecha, o fazendo cuspir sangue de imediato.
– Argh... – Mas ele volta a olhá-lo sorrindo. – Heh, você fica lindo com raivinha.
– ISSO É POR ME OBRIGAR A FICAR COM GENTE ESCROTA! – Outro soco, na outra bochecha. Mesma reação.
– Gostoso...
– POR ME USAR COMO LIXO! – Outro soco, cada vez mais forte.
– Você é a minha vadia.
– POR FAZER EU ME ODIAR! – Mais um.
– Eu te amava tanto...
– POR SER UM FILHO DA PUTA! – Outro.
– Me dava tanto dinheiro... era ótimo...
– POR ME OBRIGAR A ME VENDER! – Mais um.
– E você adorava...
– POR ME FAZER TER NOJO DE ALGUÉM COMO EU NUNCA TIVE! – Outro, mais forte.
– Tão bonitinho...
– POR SEMPRE COLOCAR A CULPA EM MIM! – Mais um.
– Tempos de ouro...
– VOCÊ É UM ESCROTO! – Law se levanta e dá um soco no meio da cara do ruivo, fazendo-o cair com a cadeira. – Desgraçado infernal! – E vai em direção ao corpo deitado, subindo em cima e dando mais socos aleatórios. – Filho da puta, nojento, egoísta! – E continuou batendo até o outro não conseguir falar mais nada e calar a boca de vez.
♠ Dois dias depois. ♠
Passeando pelos corredores do submundo, Drake acabou ouvindo um barulho curioso vindo da porta do quarto de Rosinante. Resolveu espiar, e foi quando o verdadeiro problema se iniciou.
– C-C-CA... caralho...
Tampou sua boca para não ser ouvido, mas o susto foi grande. Ele havia acabado de pegar Law e Rosinante no flagra, na cama, em posições bem tentadoras. Ficou sem reação por alguns segundos, até que teve a brilhante ideia de filmar o ato, escondido.
(…)
Algumas horas depois, Drake fez questão de reunir o submundo inteiro, incluindo até mesmo Kid, colocando uma televisão pra todo mundo ver e dizendo que tinha algo super importante pra mostrar.
– Espero que não seja perda de tempo. – Doflamingo diz, entediado.
– Com certeza é perda de tempo. – Law concorda.
– Por que eu fui chamado..? – Kid pergunta. Todos os outros, tais como Rosinante e Dellinger, também não entendiam o que estava acontecendo.
– Não é perda de tempo! – Drake exclama. – É meu dever informar ao Joker quando ocorrem traições aqui dentro.
– Traições? – Doflamingo indaga.
– Deve ser só mais um fruto da mente doentia dele, nada demais. – Law supõe.
– Só olhem pra porra da tela e depois tirem suas próprias conclusões.
Sem mais delongas, Drake liga a televisão e, em meio à todas aquelas pessoas, começa a rodar um vídeo pornô de Law e Rosinante no quarto.
– Contemplem, o Ninfomaníaco atacando novamente!
– PFFFFFFFFFFFFFFFFFFFT! – A primeira reação é de Rosinante, que cospe seu chá e começa a tossir.
– T-T-TI-TIRA DISSO AGORA! – Law grita.
– … – Kid fica olhando para a tela, perplexo, sem reação, um pouco vermelho, com os olhos arregalados e sem conseguir se mover.
– Q-Que merda é essa? – Doflamingo tem uma reação parecida.
– Kyaaaaaaaaaah, que babado forte! – Dellinger adora.
– Behehehe, né, né, o Doffy vai ficar muito puto! – Até Trebol e os outros figurantes riram.
– T-Tira disso, agora! – Law vai até Drake e pega o controle remoto, desligando o vídeo. – V-Você ficou completamente maluco!
– Não, quem ficou maluco foi você, eu já CANSEI DISSO! – O ruivo exclama. – Essa perseguição infernal, você tentando ser melhor que eu pra no fim, fazer a merda de trocar o Joker por esse desclassificado que só sabe cair!
– Que merda é essa, Rosinante? – Doflamingo vai até ele.
– É-É m-montagem, n-não acredita em nada do que esse cara disser!
– Você traiu a minha confiança? Logo VOCÊ, a porra do meu irmão?!
– Kid, d-dá uma surra nele por mim! – Law empurra Kid em direção ao outro ruivo.
– … – Mas este ainda estava em choque.
– V-Vai, anda, bate nele!
– V-Você... – Kid começou a grunhir com ódio no coração. – EU VOU MATAR VOCÊ, MALDITO! – E aponta vigorosamente para Rosinante.
– E-Eu? – Que se sente atingido.
– Não! – Law interfere. – Não é o Cora-san que você deve matar, é aquele ruivo infernal!
– VOCÊ TÁ TENDO UM CASO COM A MINHA ESPOSA? – Vai até Corazón. – Cara, eu deixei você pisar na minha casa por dois anos seguidos!
– Ei, o Law é a MINHA esposa! – Doflamingo se intromete. – Que merda, vocês estão junto há quanto tempo?
– Heh, parece que agora a coroa do garoto caiu. – Drake comenta, vitorioso. – Isso é pra vocês aprenderem que eu sou o único confiável nessa porra!
– O-O meu cartão de crédito ilimitado vai continuar ilimitado, né? – Law olha piedosamente para Doflamingo.
– CHEGA, CANSEI! – Joker perde a cabeça. – Eu já venho aturado essa briguinha infantil de vocês três por dois anos, isso foi o CÚMULO DA EXPOSIÇÃO! Ei, DRAKE!
– Oi.
– A coisa que eu mais detesto é traição, mas porra, da próxima vez mostra isso em particular pra mim!
– Desculpa, é q–
– MAS AGORA NÃO ADIANTA MAIS! Chega, eu tomei uma decisão, eu vou mudar as coisas aqui dentro, então eu vou fazer uma limpa. Escuta, eu vou te dar a sua primeira missão!
– Oba! Qual é?
– Matar os três traidores, Law, Rosinante e Adams, porque eu tenho certeza que ele sabia.
– M-M-M-Matar?! – Law, Rosinante, Kid e até Drake ficam perplexos.
– Ei, ei, espera aí! – Law vai até seu ex-marido. – N-Não acha que é meio radic–
– ATÉ QUE ENFIM, PORRA, ERA ISSO QUE EU QUERIA OUVIR! – Drake saca uma de suas armas e atira pra cima, entusiasmado, para, em seguida, olhar diretamente nos olhos do garoto moreno. – Corre.
– F-F-Fudeu!
Eustass segura o braço de Law e vai correndo com ele em direções aleatórias, sendo seguido diretamente por Drake, que tentava atirar neles enquanto corria. Rosinante tentou se esconder em um canto, mas o ruivo também estava com a mira pronta.
Os três conseguiram se esconder atrás de uma parede, por quanto Drake foi até o arsenal de Adams, pegar armas mais rápidas e carregadas.
– Q-Q-Que merda, vocês dois?! – Kid estava em choque.
– Kid, agora não é hora! – Law, assustado.
– Q-Que vergonha... – Rosinante diz.
– Cara, você disse que não ficaria comigo porque seria fiel E TEM O ROSINANTE COMO AMANTE?
– L-Law, a gente pode não sair vivo daqui, não é o melhor momento, mas... – Corazón olha diretamente em seus olhos. – Eu te amo.
– E-Eu...
– É AI QUE VOCÊS ESTÃO? – Drake, que estava armado até os pés, os encontra e começa a dar tiros de fuzil na direção da parede que eles estavam escondidos.
– C-Caramba, ele tá muito puto! – Kid segura o braço de Law e corre com ele quando os tiros cessam. – V-Vamo embora daqui!
– Hihihi, achei você! – Dellinger surge do nada na frente deles e derruba Law no chão, subindo por cima dele e o imobilizando.
– M-M-Me solta! – Law se debatia.
– Ei, larga ele! – Kid corre na direção do loiro.
– Até que enfim! Nossa, você não tem nem ideia do quanto eu esperei por esse momento.
Drake consegue ir até Law, que estava jogado no chão, e aproveita o momento para apontar seu fuzil bem na testa do garoto. O moreno perde a voz completamente e só consegue olhar para os olhos cheios de ódio do ruivo, que também cruza com os acinzentados do outro. Sem hesitar nem por um segundo, ele puxa o gatilho na mesma hora e atira sem dó.
– Urhgh... – Mas acaba errando a mira quando Rosinante, por algum motivo obscuro não-identificado, tropeçou enquanto corria e começou a rolar pelo chão, atingindo diretamente Drake, que perde o controle da arma.
– VEM! – E nisso, Kid aproveita e volta a pegar o braço de Law, correndo com ele.
– E-E-E-Eu achei que fosse morrer...
– Tsc, vai se foder! – Drake deixa Rosinante de lado, pois quer mesmo acabar com o menor e fica dando tiros de fuzil para todos os cantos, aleatoriamente. – EU VOU MATAR VOCÊ, MOLEQUE INFERNAL!
– E-Ei, ei, calma aí! – Joker o impede. – Atirando assim você tá acabando com a merda da minha sede, idiota!
– Se eu não fizer isso, eles vão fugir!
– Tsc, o Adams não te ensinou a ter controle das suas ações? Gente irracional não deve pegar em arma!
– Não é isso, eu só–
– O que você vai fazer se atingir sem querer um dos meus agentes, ou até mesmo eu?
– Eu nunca faria isso!
– Então baixa a bola e esfria a cabeça. Deixa eles fugirem por enquanto.
(…)
Depois do tiroteio, Kid conseguiu fugir com Law, sozinho, indo até a Mansão da Família Adams, por ser o lugar mais próximo que conheciam. O moreno implorou para trazer Rosinante consigo, mas Eustass negou com todas as forças e o loiro decidiu ir pra outro canto, por julgar até mesmo mais seguro.
– Agora me explica! – Após chegarem na grande casa e se acalmarem, Kid foi tirar satisfações. – Que merda?
– Eu e o Cora-san não estamos tendo um caso, Kid.
– Então como você expl–
– Nós estamos namorando.
– Oi?
– Eu meio que... gosto dele de verdade.
♠ Enquanto isso, no submundo, Doflamingo liga para Adams. ♠
– VOCÊ SABIA OU NÃO?
“HIAHAIHAIHAHIIHAHIA, QUE BABADO FORTE! Hahahahaha, eu não acreditoooooooo!”
– Tsc, responde!
“Sério que o Rex colocou um vídeo erótico do meu coraçãozinho com o outro coração na frente de geral?”
– Responde! Você sab–
“HUHAHUAHUAUHHUAHUAIHAIHAIHAHIAAAA”
– ADAMS.
“Sim, sim, eu sabia, depois do lance da prostituição eu fiquei mais de olho no meu bebê, inclusive mudei o apelido do Cai cai pra Irmão-da-perdição.”
– É sua obrigação me contar qualquer tipo de traição, não importa qual seja!
“Ah, relaxa, eles são jovens, não é justo que só possam dormir com uma pessoa só.”
– Chega, eu tomei uma decisão! Agora que o Drake vai entrar na Yard eu vou colocá-lo no seu lugar, no posto oficial de Jack.
“O QUÊ?”
– E vou mandá-lo pros Estados Unidos, pra te matar.
“NÃO! Q-QUALQUER PESSOA, MENOS ELE! E-Eu não quero... morrer pra um idiota...”
– Esteja entregue o recado. – Doflamingo desliga o telefone.
♠ Nos Estados Unidos, Adams decide ligar pra Kid. ♠
“Adams! Eu fui otário de novo...”
– Escuta, Leãozinho, o Loiro Magia pirou e vai colocar o Rex no meu lugar, essa é a última vez que conversamos.
“... cara, que merda...”
– Pois é, olha. Eu tenho cinquenta anos, nunca me casei e passei a maior parte da minha vida correndo atrás de alguém que nunca me notou, pra no fim, acabar me apaixonando por um pirralinho. A questão é, eu fui otário por toda minha vida, então eu vou te dar um conselho.
“Qual?”
– Arruma outro pra perseguir, o Coração nunca vai te notar.
“Ah não, eu não vou conseguir fazer isso.”
– EU TAMBÉM NÃO CONSEGUI E OLHA COMO EU TÔ AGORA! Eu tenho duas Mansões, sou rico, lindo, jovem e famoso! Hiahiahaiaihaiai! Mas agora é sério, eu meio que vou morrer.
“Eu vou sentir a sua falta.”
– Não seja como eu e fique culpando o Irmão-da-perdição pelo resto da vida. É isso, cuida bem do Kirakira por mim.
♠ No dia seguinte, na Mansão. ♠
– EU NÃO ACREDITO NISSO, LAW!
– O que foi agora, ruivo idiota?
Kid pensou que Rosinante iria fugir para outra cidade, e que ele e Law passariam a morar juntos na Mansão da Família Adams. Entretanto, Trafalgar havia ligado para o namorado e convidado a morarem os três juntos.
– VOCÊ TROUXE O IRMÃO-DA-PERDIÇÃO PRA CÁ?!
– Não chama ele assim!
– Cara, você ficou maluco! Por que fez isso?
– Hã? Olha aqui, eu vim morar com ele, quem veio de penetra foi você!
– Como é que é?
– Leãozinho, pare com isso, não me odeie! – Rosinante estava passeando na Mansão e quebrando os pratos de Cindry.
– Não me chama de Leãozinho, traidor!
– Não me chama de traidor, Leãozinho!
– PAREM COM ESSES APELIDOS! – Law exclama. – Isso tudo é Luto pelo Adams?
– Law, me ouve! – Kid vai até ele. – Você não pode deixar ele viver aqui, é suicídio! Ele vai morrer!
– Ele NÃO vai morrer! Aquele idiota não veio até agora, certo? O Doflamingo tava de cabeça quente, ninguém vai morrer!
– VAI SIM. Vai morrer, você vai começar a chorar e vai vir correndo pra cima de mim, porque é só pra isso que eu sirvo. Pra salvar você de si mesmo e da sua família maluca!
– Hã? Você nunca me salvou, ruivo idiota, você só me atrapalha!
– Eu salvei a sua vida pela segunda vez!
– Não, quem me salvou foi ele! O Drake ia atirar em mim, mas o Cora-san o impediu.
– Hã? Ele só tropeçou!
– MAS ELE TROPEÇOU POR MIM!
Kid já não aguentava mais ser tratado como lixo.
– Vai se fuder então, ingrato! – E ele decide ir embora, deixando a casa pros outros dois. – Eu vou voltar a morar com a minha família, só não vem chorar pra mim quando ele morrer!
(…)
Uma semana se passou. Law estava vivendo tranquilamente com Cindry e Rosinante na Mansão, sozinhos. Como nunca mais receberam qualquer sinal de Drake ou Doflamingo, acharam que tudo já estava resolvido e que poderiam viver em paz pra sempre.
– O Adams deixou uma clínica pra mim, sabia? – Law disse, deitado no colo do outro. – Eu quero começar a trabalhar o quanto antes!
– Você vai ser um ótimo médico. – Rosinante se abaixa, dando um beijo na testa dele, junto com um sorriso.
– E você, Cora-san?
– Não sei, eu sempre pensei que ficaria no submundo, preciso ver ainda.
– Hoje eu vou precisar ir lá assinar o contrato e passar a clínica pro meu nome. – Sobe no colo do outro, abraçando seu pescoço.
– Quer que eu vá com você? – Segura na cintura dele.
– Nah, é só um monte de coisa burocrática. – Law se abaixa, dando um longo beijo em Rosinante. – Eu volto rápido.
– Eu vou te esperar aqui então, doutor. – Retribui o beijo. – Eu te amo.
– Eu fico tão feliz por poder ficar contigo da maneira que eu quero... – Law abre um sorriso e uma ideia invade sua mente, que o faz deitar no ombro do outro, sussurrando próximo a seu ouvido. – Quando eu voltar, eu vou te fazer uma surpresa, Cora-san.
Deixando um mistério para o loiro, Law saiu da Mansão para ir até sua futura clínica médica. Embora estivessem morando juntos há sete dias, ele ainda não havia dito que o amava e pretendia fazer ao voltar, por estar prestes a iniciar uma vida estabilizada.
– Cora-san, voltei! – Law exclamou feliz ao retornar para casa, correndo em direção ao namorado. – Eu tenho uma coisa pra te dize... r...
Entretanto, quando o achou, acabou ficando paralisado com a imagem. Seus olhos perderam o brilho no susto, seu corpo não se movia e estava pálido, tremendo as mãos sem perceber e com a respiração pesada.
– E aí, bebê, quanto tempo. Como foi na clínica?
– Han..?
A imagem aterrorizante consistia em Rosinante estar amarrado no chão, com uma fita crepe na boca e diversas marcas de agressão pelo corpo, todas bem vermelhas e pulsantes, com ele quase desmaiado. Ao lado, estava Drake, com uma arma na mão.
– A gente estava te esperando. Você ia dizer alguma coisa?
– O quê... – Law anda para trás, espantado e com coração acelerado. – O que você... o que você fez...
– Não se preocupa, ele ainda tá vivo. – Drake se abaixa, puxando Rosinante pelo cabelo e o obrigando a encarar Law, com os olhos azuis cheios d'água. – Viu só?
– Para com isso... larga ele...
– Por quê? – Drake solta o rosto de Rosinante, fazendo-o bater no chão. Em seguida, vai até Law. – Ah, você achou que eu iria deixar você pra trás? Nah, eu só demorei porque você realmente não é prioridade.
– O que você quer? O que você ganha com isso?!
– “O que eu ganho com isso”? Hm... não sei, acho que eu só estava com saudade do seu rostinho assustado por minha causa.
– É sério, solta o Cora-san...
– Eu soube que você expulsou o Kid daqui. Por quê? – Se aproxima mais. – Não era ele o único que te protegia?
– Vai embora... – Se afasta.
– Sem ele aqui, o que você vai fazer, Law? – Se aproxima.
– Cala a boca... – Afasta.
– Você tratou como lixo a única pessoa que se importava contigo, e o abandonou tão fácil. – Aproxima. – Por quê?
– Não te interessa. – Tenta se afastar, mas acaba batendo de costas na parede. – Não interessa, só... larga o Cora-san.
– Por que eu faria isso? – Drake apoia um dos braços na parede, encarando fixamente Law bem de perto. Com a outra mão, que estava segurando uma arma, ele caminha pelo rosto do garoto.
– P-P-Porquê...
– Se você me der só um bom motivo, eu solto ele.
– … – Não conseguia dizer nada devido o choque, junto com o nervosismo pela arma.
– O quê, não tem motivos pra manter seu namoradinho vivo? Que pena.
– Me deixa em paz... sério...
– Eu até deixaria, mas... – Drake passa a arma pelos lábios de Law. – Eu não tô afim.
– O que você vai fazer?
– Um jogo.
– Jogo?
– Vem cá.
Drake empurra Law pelas costas até que ele ficasse de frente para Rosinante, o assistindo de perto.
– Cora-san...
– Você gosta dele de verdade, Law? Você desistiu de uma vida ótima por causa desse cara, é mesmo um garotinho ingênuo.
– Deixa ele em paz, sério.
– Eu deixaria, mas são ordens do Joker, entende?
– Então me leva de volta pra ele! – Law se vira, segurando a blusa do ruivo. – Eu passo a minha vida inteira ao lado do Doflamingo, faço tudo o que ele quiser, mas deixa o Cora-san livre! Por favor...
– Não dá mais, a estrutura do submundo mudou, não tem mais espaço pra você. Mas relaxa, eu convenci o Joker a não matar o Rosinante.
– S-S-Sério?
– Com uma única exceção, que eu mate você no lugar.
– Ahn?
– É esse o jogo, garoto. O Joker disse que eu poderia deixar um de vocês dois vivos, se o outro morrer. Não é divertido?
– P-Pera, então...
– Eu vou te deixar escolher. – Drake vira Law de frente para Rosinante novamente, colocando a arma nas mãos dele. Em seguida, pega outra arma em sua calça, e aponta para a cabeça do garoto. – Quem você acha que deve morrer, você, ou ele?
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– Ou você mata. – Carrega a arma que estava sendo apontada para Law. – Ou morre.
Rosinante olhava para Law com lágrimas nos olhos, sem conseguir falar devido o durex em sua boca; apenas fazia um “não” contínuo com a cabeça. O garoto estava completamente paralisado.
– Eu vou te dar três minutos pra pensar, tá bom? – Drake diz. – Passou disso, eu mato os dois.
– Não... não faz isso, por favor... – Fechou os olhos. – Esquece isso...
– Tá perdendo seu tempo, garoto. Você não aprendeu nada no submundo? Do tipo, nunca hesitar e conseguir ter pulso firme?
– Mas...
– Ou você realmente acabou se apaixonando? Que gracinha.
– …
– Você não sabe o que é amor, Law, ou melhor, não tem como você saber. – Diz, próximo aos ouvidos dele. – Você é como eu, nós dois só nos importamos com nós mesmos e com dinheiro, nada mais além disso.
– Não... isso não é verdade.
– É verdade sim. Nós somos assassinos, é isso que fazemos. Esses sentimentos que prendem as outras pessoas não servem pra nada além de nos atrapalhar, não tem nenhum valor real. Já te disseram isso, certo?
– … meu pai.
– Você tem sangue assassino nas veias, por mais que queira negar, você não se importa com nada além de si mesmo. Você vai atirar, e você sabe disso.
– Não... eu não sou igual a vocês.
– Então qual é a sua escolha, morrer aqui, por esse idiota? Você acabou de conseguir uma clínica e se formou, parabéns. O que o Rosinante sabe fazer?
– …
– Você vai entregar a sua vida pra dar lugar pra esse cara? Pra quê? Quem ele tem na vida? O irmão que o odeia? E você, você tem uma família inteira te esperando naquela casa.
– Minha mãe... o Kid...
– Vai deixá-los pra trás? Você acha que eles vão gostar da sua decisão de deixar o Rosinante vivo? Quem vai notar a falta desse cara, sério?
– …
– Você consegue, vai. – Drake levanta a mão do garoto, fazendo-o apontar a arma para o loiro. – Eu sei que você é capaz, você é tão egoísta quanto eu.
– Para...
– Você não gosta dele de verdade, você sabe disso. Não tem como você amar alguém, Law, você não conhece sentimento nenhum, você não sabe o que é empatia. Você seria capaz de puxar o gatilho pra qualquer um por benefício próprio.
– Não, eu... não é verdade...
– Você casou por dinheiro e foi a melhor decisão da sua vida, só precisava de alguém pra fingir que ama e não acabar sozinho no mundo. Você tem medo de aceitar que é igualzinho a quem você mais odeia, não é?
– …
– Seu tempo tá acabando, falta um minuto.
– Eu... – Law segura a arma com o pulso mais firme. – É verdade que eu não quero morrer, mas...
– Usa essa oportunidade única pra acabar de vez com todos esses sentimentos inúteis, Law. Quando você conseguir matar alguém importante, você vai se tornar alguém verdadeiramente forte.
– Você acha mesmo?
– Eu tenho certeza.
Law respira fundo, olhando para o amado por uma última vez. Rosinante fez o possível para ficar mais calmo, uma vez que ele desejava mesmo que o garoto tomasse essa decisão, só não podia falar. Foi inevitável para Trafalgar não derramar algumas lágrimas, mas ele fechou os olhos e fez. Com três tiros diretos no peito, o loiro agora estava morto.
– Não acredito... – Law joga a arma no chão. Drake para de apontar a sua para ele, e o garoto também cai, de joelhos. – Eu fiz...
– Meus parabéns.
– C-Cora-san... – Criou-se uma poça de sangue no corpo do loiro.
– Ótimo, agora para de choro! – Drake puxa o garoto pela camisa, o levanta e o empurra até a parede mais próxima, colocando um de seus joelhos entre os dele e o prensando. – Deixa eu te falar umas paradas.
– O-O quê–
– Você não pode ter fraquezas, entendeu? Nenhuma! E não adianta ficar chorando depois de matar alguém.
– M-Me solt–
– FICA QUIETO! Você é fraco, não consegue sobreviver sozinho e é muito dependente do Kid. Melhora isso, aprende a viver por si mesmo. Sem Kid, sem Doflamingo, sem Rosinante.
– O que você–
– Foge daqui, Law, some daqui. Vai pra algum lugar que não seja a Inglaterra, vai aprender a viver uma vida de verdade.
– Q-Quer que eu me mude?
– Não precisa se mudar, é só temporário. Quando você achar que já souber se virar sozinho, você volta.
Law empurra o peito de Drake, o afastando e correndo em seguida, saindo da Mansão sem ao menos se despedir de Cindry. Ainda chorava graças a recente morte de Rosinante, mas, ao estar já consideravelmente afastado, liga para seu único amigo.
“Oi.” – Que atende seco, por estarem brigados.
– Kid... me perdoa...
“Huh? Tá chorando?”
– Eu... eu sou um assassino, eu sou igual ao meu pai.
“D-Do que você tá falando?”
– Não adianta tentar negar, é verdade. Eu não me importo com as outras pessoas, a única coisa que eu me importo é comigo mesmo e com dinheiro.
“Law? Você tá estranho, aconteceu alguma coisa?”
– Eu vou fugir... eu preciso sair daqui e esfriar a cabeça.
“Hã? Ei, pra onde você vai? Não faz nenhuma besteira!”
– Não adianta me procurar... diz pra minha mãe que eu a amo, tá bom?
♠ Em seguida, Drake vai falar com Doflamingo. ♠
– Joker, eu preciso te confessar uma coisa.
– Fez o que eu mandei?
– Eu não matei o Law.
– Hã? Incompetente!
– O Adams e o Rosinante já foram, mas eu andei pensando. O Law é jovem, ele acabou de se formar e tem muito futuro pela frente.
– Que papo ridículo.
– Eu sinto que no futuro ele pode te servir, a prova disso é o que ele vai fazer daqui há umas semanas. Eu acho que ele vai seguir a carreira do pai.
– E virar um assassino?
– Por enquanto ele é muito criancinha, mas ele vai crescer e ficar forte. Esse lance de casamento não tem data, confia em mim, ele morto não vai te beneficiar tanto.
– Que seja, agora ouve o que eu tenho pra te falar. O Vergo atualmente é vice-diretor da Yard, mas trabalha pra mim.
– Jura?
– Quando você entrar na Yard, eu vou tirá-lo de lá e vou transformá-lo no novo Corazón. Também vou ver se o Vergo consegue um cargo mais elevado pra ti.
– Beleza!
– Além disso, essa sede ficou destruída depois do seu ataque. Eu estou pensando em me mudar pra uma certa ilha.
– Uh, legal.
– Por último, eu criei um novo cargo. Além de Corazón, Pica, Trébol, Diamante e Jack, agora nós temos uma rainha, a Queen.
– Wow, uma rainha? Ela é bonita?
– Ela tem dezesseis anos só, é a garotinha treinada pelo Trébol.
– Ah...
♠ Duas semanas depois. ♠
Kid havia se mudado para a Mansão da Família Adams, com esperanças de que Law retornasse para lá algum dia. Estava desesperado internamente.
Ao mesmo tempo em que o ruivo repousava em um sofá dentro da casa, Trafalgar havia acabado de voltar de Las Vegas, onde se livrou de sua aliança. Ele estava passeando no quintal da casa com uma garrafa de vodka na mão, quando viu o túmulo de Rosinante.
O garoto derramou o líquido alcoólico no túmulo, fechou os olhos e pensou em algumas palavras. Fez, em seguida, a flor de Lily para desejar proteção ao amado, deixando-a sob a terra; pegou uma faca e escreveu nas escrituras da pedra o apelido “Cora-san”.
Depois, um pouco cambaleante, dirigiu-se até a porta de entrada, batendo-a. Não mais tardio, foi prontamente atendido.
– L-LAW! – Kid não pensou duas vezes, apenas deu o abraço mais apertado que conseguia. – A-Até que enfim você voltou, eu tava tão preocupa–
Entretanto, ele se afastou do abraço e puxou o ruivo para um beijo. Não somente um simples beijo, mas um realmente intenso, que fez-o andar para trás, até mesmo perdendo um pouco do equilíbrio. Seus lábios, que antes estavam frios, também vão ganhando um calor próprio.
Law foi andando, obrigando Kid a ir para trás enquanto o beijava, tirando a camisa do ruivo de uma vez só, com pressa, bastante pressa e intensidade. Eustass estava nervoso, mas fez de tudo pra não deixar transparecer. Acaba pegando o mais novo pelas pernas, levantando-o no colo e o arrastando pra o quarto.
♠ Depois... ♠
– M-M-M-M-Me-Me-Me... Meu Deus... – Kid ficou olhando para o teto, suando e quase tendo um ataque cardíaco após sua primeira vez com Law. – Meu Deus... meu Deus...
– Você é bem religioso, hein. – Law estava fumando um baseado.
– V-Vo-você... nós dois... d-depois de tanto tempo...
– Realizei seu sonho?
– A-Aham...
– Kid, você tá com os batimentos muito acelerados, fuma um pouco. – Law coloca o baseado na boca do ruivo, que estava tão de bem com a vida que nem notou direito.
– Você adora essas coisas, né?
– Qual coisa? – Law deita no peito dele, o olhando. – Tem muitas coisas que eu gosto.
– É-É?
– Quer uma segunda rodada?
♣ ♥ ♠ ♦
– N-Não acredito... – Kid havia encontrado seu nirvana. – N-Nós fizemos de novo...
– Pois é...
– Que louco...
– Totalmente... quer ir de novo?
– S-Sério?!
♦ ♠ ♥ ♣
– Hoje é definitivamente o melhor dia da minha vida.
– Calma, ainda temos muito tempo.
– V-Você quer ir de novo?
– Por quê, já tá cansado?
– Bom, sim... não quer nem tomar uma água?
– Nah, não precisa.
♣ ♥ ♠ ♦
– Ok, acho que eu vou tomar um banho agora.
– Pra quê?
– Como assim? Pra relaxar...
– Vamos de novo.
– D-D-De novo? Impossível! Deixa eu pelo menos–
♦ ♠ ♥ ♣
– Eu não acredito que você me obrigou a ir de novo.
– Ah, eu te obriguei?
– Sim, isso foi praticamente um estupro!
– Aham...
– Eu quero ir levantar pra beber uma água, mas você sugou todas as minhas energias, seu ninfomaníaco.
– Você não vai levantar daqui até eu deixar.
♣ ♥ ♠ ♦
– V-V-Você é extremamente perigoso, me deixa em paz!
– Por quê?
– S-Sério, me solta, seu... seu demônio!
– Demônio?
– Nós estamos na cama há quanto tempo?
– Só sete horas.
– “SÓ”?
– Ai, isso é muito pra você? Não sabia que você era tão fraco, Kid.
– P-Pelo menos me dá uns vinte minutos pra descansar... me conta onde você se enfiou nessas duas semanas.
– Não.
♦ ♠ ♥ ♣
– … eu não tenho mais... energias pra falar...
– Não precisa falar.
– não adianta você tentar me forçar... não tem mais como ficar duro...
– Ah, não?
– claro que... COMO VOCÊ FEZ ISSO?
– Heh.
♣ ♥ ♠ ♦
– Ok, você colocou o quê na minha bebida?
– Nada.
– E na sua bebida?
– Nada também.
– V-Você fez algum pacto..?
– Nop.
– E voc–
– Cala boca e vamos de novo.
♦ ♠ ♥ ♣
– I-I-I-I-ISSO É ABUSO SEXUAL!
– Foda-se.
– Mas La–
– Não ligo.
– Ok, olha, eu entendi, você tá tentando me dar uma lição, beleza, eu entendo, MAS ME DEIXA EM PAZ, POR FAVOR!
– Credo, para de chorar, nós só estamos aqui há treze horas.
– Pra você é fácil, você não tá fazendo esforço algum!
– Ah, não?
– Não!
♣ ♥ ♠ ♦
– … não foi isso que eu tinha sugerido.
– Eu também prefiro do outro jeito.
– E-Eu prefiro que você me deixe em paz! C-Como você tá fazendo essa mágica de endurecer? Eu tô exausto!
– … quer mesmo que eu te conte?
– Conta aí.
– O Adams me ensinou.
– Oi?
♦ ♠ ♥ ♣
– Eu vou... morrer desidratado...
– Quer alguma coisa pra beber?
– Quero...
♣ ♥ ♠ ♦
– Nossa, eu te odeio.
– Hahahaha, ai, ai...
– Sério, se isso tudo é pra me fazer te odiar, parabéns, você conseguiu!
– Kid, deixa de frescura.
– Você estragou meus sonhos... e o melhor dia da minha vida.
– Poxa, tadinho. Quer que eu te console?
– NÃO!
♦ ♠ ♥ ♣
– … morra.
– Vinte horas.
– Eu vou... desidratar...
– Quer q–
– Não.
– Tá com fome?
– Não sei se quero responder.
– Poxa, não quer mais ficar comigo, Kid?
– Não por hoje.
– Que pena.
♣ ♥ ♠ ♦
– Law, eu sei que eu sou irresistível...
– Nah...
– Mas custa me deixar beber ÁGUA?
– É que daqui há meia hora eu quebro meu recorde.
– P-P-Porra, você ficou tantas horas assim com quem?!
– …
– Não quer falar sobre?
– Não quero falar.
♦ ♠ ♥ ♣
– Eba, quebrei meu recorde!
– Viva...
– Comemoração!
♣ ♥ ♠ ♦
– Ok, bateu recorde, comemorou, agora tá na hora da pausa, né?
♦ ♠ ♥ ♣
– Trinta horas.
– … me leva, Deus...
– Tá bom, vamos parar por aqui.
– AMÉM! OBRIGADO, SENHOR!
Kid foi liberado para beber sua gloriosa água.
– Agora eu vou te contar porque te forcei a ficar comigo por trinta horas.
– Porque você descobriu que me ama, que nós vamos casar e ter muitos filhos? Own!
– Pra você parar de ficar me implorando sexo! Escuta, a partir de hoje, nós dois vamos trabalhar juntos e eu decidi que vou seguir a carreira do meu pai, só que do meu jeito. Você vai me ajudar.
– O-Oi? N-Não era você quem odiava seu pai?
– Meu pai era um idiota que guardava cadáver no armário, eu não vou fazer isso. Kid, nós vamos ficar ricos!
– E o que as trinta horas tem a ver com isso?
– Depois dessas horas todas você ficou muito mais apaixonado por mim, né?
– Porra, pra caralho.
– Paixão também é dependência química, agora você vai fazer tudo o que eu mandar, sem reclamar.
– … achei que eu já fazia isso...
– Kid, de agora em diante, nós vamos ser uma puta dupla!
Fim do Flashback do Law como Ninfomaníaco.
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