Policial Sujo

45 Papéis de Divórcio e Contos Eróticos


Uma verdadeira confusão estava ocorrendo naquele momento! Doflamingo havia sido bem claro em sua recente decisão de mandar todos os seus subordinados atrás de Law, Luffy e Drake depois de fugirem os três juntos para um lugar escondido no castelo.

Tinham algumas pessoas, entretanto, por outro lado, que possuíam uma personalidade tão forte e independente que, ao invés de seguir à risca às ordens de Joker, fazia o trabalho que mais lhe convinha, sabendo que não teria que sofrer qualquer tipo de penalidade. Era o caso de Nico Robin.

No exato momento, a morena andava pelo palácio do submundo. Enquanto os guardas e demais subordinados corriam atrás dos outros três, que acabaram se tornando fugitivos, ela caminhava calmamente e sem nenhuma preocupação até a sala de vigilância.

— Olá. – Disse ao abrir a porta e encontrar mais pessoas do submundo fazendo seus trabalhos tomando conta da sala, com um sorriso de falsa-simpatia.

— Oh, Queen! Aconteceu alguma coisa? – Perguntaram, a maior parte do submundo já ficava preocupada ao ver Robin.

— O Joker pediu para que eu ficasse de olho na sala de vigilância, caso os intrusos apareçam.

— Tudo bem, nesse caso pode ficar com a gent–

— E ele também deu outra função pra vocês. Ao invés de ficarem só de vigia, procurá-los em lugares onde não há câmeras.

— Que tipo de lugares?

— Essa parte é com vocês, mostrem alguma competência e vão procurar sozinhos.

— Tem certeza que não tem problema deixar essa sala vazia só com você?

— Duvidando de mim? Não foi à toa que consegui o cargo de Queen.

— N-Não, não foi nesse sentido...

— Então saiam daqui e vão fazer o trabalho de vocês.

— S-Sim, senhora!

A sala de vigilância foi rapidamente desocupada e agora Nico Robin estava sozinha lá, com todos os computadores e grandes telas ao seu comando individual e particular. Tudo o que a morena fez foi trancar a porta.

Ao mesmo tempo, enquanto tudo isso acontecia, Drake e Law estavam escondidos em uma sala secreta atrás de uma parede falsa, trancados, esperando ordens para poderem sair de lá em segurança.

Luffy, depois de sofrer torturas e chicotadas, estava desmaiado no colo do ex-namorado e atual Corazón. Trafalgar estava sentado no chão e o ruivo esperava algum sinal de Robin visto que, no teto da sala onde eles estavam, havia uma porta secreta junto com uma escada que levava até a sala de vigilância, localizada exatamente em cima deles.

— Ele ainda não acordou? – Drake indagou, sentado no outro canto da sala, em frente aos dois.

— Ainda não, vai demorar um pouco pra ele se recuperar também. – Law respondeu, balançando o garoto do chapéu de palha e dizendo perto, olhando pra ele. – Ei, Luffy... acorda, consegue me ouvir?

— Hnm.. – Começou a, devagar, abrir seus olhos, ainda tonto e sem conseguir mexer o corpo direito graças às dores que sentia. – Ahn... onde é que eu tô..?

— Ótimo, você acordou! – Law o abraça e dá um pequeno selinho em seus lábios. – Como você se sente?

— Meu corpo ta doendo um pouco... – Falou um pouco mais normalmente, conseguindo coçar seus olhos para acordar de vez e observando o lugar onde estava. – Onde a gente ta? Cadê o Mingo?

— A gente ta fugindo dele agora graças a um idiota de cabelo laranja que conseguiu botar todo mundo contra mim de novo.

— Como se você não tivesse gostado do que eu fiz. – Drake responde. – Se o Luffy ta aí com você agora, é por minha causa.

— O que isso quer dizer? – O garoto pergunta, agora um pouco menos tonto. – Nós vamos fugir daqui juntos?

— Eu pretendia te por pra fora do castelo e ficar aqui, mas acho que o Doflamingo me odeia agora. O que importa é que eu não vou deixar ele sequer encostar em você de novo.

— Não vai dar pra ninguém ficar, a gente vai precisar destruir esse castelo idiota e voltar pra Londres o mais rápido possível. – O ruivo explica.

— Nós já temos um plano? – Pergunta Luffy.

— Por enquanto é só esperar a Robin tomar conta da sala de vigilância.

Não muito tempo depois de Drake explicar, a morena, que já havia expulsado todos os outros guardas da sala e trancado-a, abriu a pequena portinha secreta que estava no chão da sala de vigilância, que levava diretamente até onde o trio estava escondido.

— O Luffy acordou? Já podem subir. – Ela diz e logo os três usam a escada para ir até o andar superior.

Lá, diversos grandes computadores estavam. Alguns continham o sistema de vigilância inteiro tanto do castelo como da ilha de Dressrosa, outros, guardavam arquivos importantes e altamente confidenciais do submundo. Era uma sala bem grande e muito bem protegida, apesar de terem conseguido invadi-la.

— Por enquanto ta tudo dando certo. – Afirma Diez, sentando na cadeira de comando em frente ao computador principal.

— Wow, que lugar grande! – Luffy exclama, surpreso. – Tudo do submundo ta aqui? A gente precisa levar isso pra Yard.

— Eu vou sair daqui e voltar a encontrar o Joker. – Robin fala. – Assim ele não suspeita de mim e eu não preciso queimar a minha imagem como vocês.

— Vai lá, obrigado por isso. – Agradece e Nico vai embora, deixando eles trancados na sala com todo o equipamento de vigilância para si.

— O que a gente faz agora? – Trafalgar pergunta, se sentando com Luffy em uma cadeira ao lado do outro.

— Agora nós precisamos entrar no sistema do submundo e conseguir uma cópia de todos os arquivos importantes, contratos, etc, pra que o Doflamingo não tenha mais controle sobre eles.

— Tem certeza mesmo que você consegue fazer isso?

— Por sorte ele confiava em mim. Só o Joker tem 100% do controle desse sistema, mas ele me deu 90% do controle, já deve ser o bastante.

— Hã, como assim ele te deu 90% do controle? Eu só tenho 60% e nós somos casados!

— Vai ver ele confia mais em mim do que em você.

— Que absurdo, como ele pode fazer isso e depois querer vir casar comigo? E quem em sã consciência confiaria mais em você do que em mim?

— Mas vai dar pra pegar tudo com só 90%? – Luffy pergunta.

— Eu espero que sim, é o que nós vamos descobrir agora.

Drake, que até poucos minutos atrás tinha o cargo de “Jack” no submundo, entrou com sua senha no sistema e, no momento, obtinha controle de 90% de todo o conteúdo existente naqueles computadores, incluindo acesso às câmeras de segurança e uma série de documentos.

— O que você pretende fazer com isso? – O garoto do chapéu de palha questiona. – Não acho que seja muito seguro deixar alguém como você ter tanto controle das coisas importantes.

— Eu vou precisar fazer uma limpa, imprimir todos os papéis importantes e colocar algumas gravações que eu tenho aqui em um pendrive, pra depois enviar pro Kaidou.

— Isso não vai demorar muito, não?

— Vai, bastante.

— A gente não tem muito tempo, não vai demorar pra ele descobrir que a gente ta aqui. – Law fala. – E vão ser muitos papéis, como você pretende enviar isso pra alguém?

— Nisso eu dou um jeito depois, vocês estão sendo muito pessimistas! O importante é eu conseguir tirar vocês daqui pro Kaidou não brigar comigo.

Ele começou a fazer uma grande compressão de arquivos, totalizando ao todo 783.532 páginas para serem impressas e 530 vídeos de gravações para serem colocados em um pendrive. Tudo, entretanto, demorava um pouco para ser concluído.

“Impressão: 1%...”

— Tudo isso de folha? 700 mil? – Trafalgar indagou surpreso.

— É, talvez vá ser um pouco difícil carregar isso, cada um de nós vai ter que levar 260 mil páginas.

— Nem pensar que eu vou carregar isso. E onde ta sendo impresso? Não tem nem impressora aqui.

— Tem outra sala onde os arquivos daqui são impressos, mas ela ta sempre vazia, ninguém vai lá. Quando acabar de imprimir é só ir buscar sem ninguém notar a nossa presença, daí nós vamos embora.

— Ah claro, porque é super fácil andar com um milhão de folhas por aí sem ser notado.

— Para de ser pessimista, nós temos que pensar que vamos conseguir, não o contrário.

— É sério que você pretende mesmo imprimir tudo isso sem ter um plano em como nós vamos sair daqui?

— Ei, quando eu fiz esse plano eu não esperava que o Luffy estaria aqui, nem muito menos que eu brigaria com o Doflamingo.

— Sem querer interromper vocês, mas tirando os problemas de depois... – O garoto do chapéu de palha começa a dizer. – Quanto tempo vai demorar pra imprimir isso tudo? Ainda nem saiu do 1%.

“Impressão: 1,1%... tempo total até impressão completa: dezesseis horas.”

— Ótimo, a gente vai precisar ficar nessa droga de sala o dia inteiro. – Law resmunga.

— Tempo suficiente pra pensar em um plano de como vamos levar todas essas folhas até Londres. – Drake completa.

— Para de tentar se enganar, a gente nunca vai conseguir isso! – Perdendo a paciência, o moreno grita com o ruivo.

— Hã? Você que ta sendo pessimista demais, a gente vai conseguir sim!

— O caralho, você é milhões de vezes mais pessimista que eu, só ta tentando se enganar porque você não consegue admitir que não sabe fazer um plano decente de fuga!

— Como é que é?

— Ninguém vai mesmo perceber se nós ficarmos aqui por tantas horas? – Luffy pergunta. – Isso é bem perigoso...

— Quer saber, eu vou parar de me importar. – Law afirma. – Se o idiota pensa mesmo que essa história de imprimir milhares de folhas vai dar certo, eu não vou ficar me estressando.

— Como se eu precisasse do seu apoio pra alguma coisa.

— Mas já que precisamos ficar trancados nessa sala por várias horas... – Ele vira sua cadeira até Luffy e segura na mão do garoto, o puxando para sentar-se em seu próprio colo. – Pelo menos agora nós podemos ficar juntos.

— Eu não quero fazer nada com ele na mesma sala que a gente. – O chapéu de palha diz, com as mãos apoiadas no ombro de Trafalgar, que abraçava sua cintura.

— Finjam que eu não estou aqui. – Drake fala, olhando pro computador.

— Como estão os seus ferimentos? – Law pergunta.

— Não tá doendo tanto como antes, mas ainda tá ardendo um pouco.

— Eu prometo que quando tudo isso acabar eu vou cuidar de você, tá bom?

— Tá bom. – Se abaixa, dando um beijo rápido em Law, para em seguida dar outro mais demorado e com língua.

— Acho que agora só nos resta esperar. – O ruivo afirma, deixando o computador de lado e descansando na cadeira.

— Já que nós estamos presos aqui pelo resto do dia, me diz uma coisa. – Law para de beijar os lábios de Luffy por um instante, ainda com ele no colo. – Por que você resolveu brigar com o Doflamingo agora e ficar do meu lado?

— Eu não estou do seu lado, eu só tô fazendo o meu trabalho.

— Seu trabalho da Yard?

— Eu te disse, eu só faço parte do submundo pra dar informações daqui ao Kaidou até conseguir tirar o Doflamingo do cargo de Joker de uma vez.

— Isso é impossível, você quer mesmo que eu acredite que você tá do lado “bonzinho” sem interesse nenhum? Você sempre quis fazer parte do submundo, muito mais do que da Yard.

— Eu não tô “do lado da Yard”, eu estou do lado do Kaidou, tanto é que ele é a única pessoa de lá que sabe o que eu faço. E nem sempre foi assim, no começo eu só queria fazer parte do submundo mesmo.

Penúltimo Flashback de Kaidou e Drake

Em um longo período de treze anos atrás, ambos, tanto Kaidou como Drake tinham tanto uma relação de trabalho na Yard como uma privada informal, desconhecida por todas as pessoas que faziam parte de seu âmbito social. Isto é, uma relação escondida, como amantes.

— Ai, eu não acredito... nasceu outra ruga no meu rosto e tem pé-de-galinha e olheira nos meus olhos...

— Para de reclamar... – Diez resmunga próximo a ela, de manhã, impacientemente.

— Minhas costas doem, minha pele tá flácida, eu não consigo me aguentar em pé, tem fios brancos aparecendo no meu cabelo, meus seios caíram... há quantos anos nós estamos casados?

— Três dias.

— Parece que eu envelheci uns trinta anos nesses três dias…

— Para de reclamar, você nem tá tão ruim assim.

— Desse jeito eu não vou conseguir fazer uma boa faculdade, nem trabalhar nem nada.

— Eu já disse que você não precisa de nada disso, você só vai ficar aqui em casa e fazer as suas tarefas, deixa que eu te dou dinheiro.

O principal motivo dos dois manterem uma relação em segredo era o casamento de fachada que o ruivo possuía. Kaidou era abertamente contra aquela situação, mas com o tempo acabou relevando e até mesmo se acostumando por saber da extrema teimosia do outro. Apesar disso, viviam uma boa relação de amizade.

Até que nove anos se passaram. Era exatamente o período de tempo em que Trafalgar Law completava um ano na prisão, Drake já atuava como Jack no submundo e como Chefe-Diretor na Yard, enquanto Kaidou era seu vice.

Na casa de Kaidou, atualmente sem nenhum gato ou animal de estimação, os dois estavam no quarto, sentados em cima da cama um de frente pro outro de cueca, apenas com o lençol os cobrindo em forma de cabaninha.

— Daqui a pouco eu vou precisar voltar pra casa. – Diz o ruivo.

— Tem certeza que você não pode dormir aqui?

— Eu queria, mas se eu fizer isso aquela mulher vai ficar no meu pé…

— Não fala assim da Alana, ela já faz tudo por você e você não dá o menor valor.

— Eu dou valor, é que é muito chato! Ela fica reclamando o dia todo e fica dizendo que eu não presto atenção na filha dela.

— E você de fato não presta, não me surpreenderia se você não soubesse nem o nome dela.

— Não dá, eu não consigo me acostumar com essa guria, ela é burra demais!

— Não fala assim, ela é uma gracinha, apesar de ser ariana.

— Ela grita por tudo e só fica me pedindo dinheiro toda hora, ela nem me chama de pai.

— Óbvio, você enfiou na cabeça dela que eu sou o pai! – Kaidou exclama, impaciente.

— Só que ela tem nove anos já, não precisava acreditar por muito tempo né. “Papai Kaidou”.

— Eu não me importo que ela me trate como pai, sempre fui eu que fiquei com ela, passeei e até matriculei na escola. Se eu fosse deixar isso com você, ela nunca iria pra lugar nenhum.

— Isso é tarefa de mulher, não minha, é pra isso que a Alana serve.

— Tá bom, machistinha, já tá na hora de você ir pra casa. – Lovato puxa seu pescoço, trocando um beijo de língua com ele. – Não deixa as duas de lado, não.

— Eu queria ficar.

— Você poderia ficar se não tivesse inventado de fazer esse casamento de fachada.

— Parecia uma boa ideia quando o Joker sugeriu.

— Ainda existe a possibilidade do divórcio.

— Não, nem fala nesse negócio, eu sou contra isso. – Dá um último beijo em Kaidou antes de se levantar e começar a se vestir. – E não é tão ruim assim, vai.

— Poderia ser pior.

— Você gosta dela, ela gosta de você, nós três nos damos bem e até viajamos juntos de vez em quando. Você é praticamente da família.

— Você sabe que eu não gosto de mentiras e nem de esconder a nossa relação. Você pretende manter isso pra sempre?

— Não sei, deu certo nesses oito anos. – Estava acabanado de se vestir. – Nós quatro até moramos juntos por uma temporada na Rússia pro treinamento militar da Yard.

— Eu gosto tanto da Alana quanto da filha de vocês, não vou mentir.

— Então não precisa ficar preocupado em esconder, é uma relação boa pra todo mundo. A pirralha gosta de você, a Alana gosta do meu dinheiro… todos saímos ganhando.

— Depois de tanto tempo nisso seria hipocrisia eu dizer que não gosto, mas eu ainda preferia ficar só com você.

— Não se preocupa, ninguém vai interferir no que a gente tem. – Ao acabar de se vestir, Drake vai até Kaidou, que estava de pé, e dá mais outro beijo nele. – Você é a única pessoa que eu amo.

— Eu amo você também, só não quero que isso fira outra pessoa.

— Não se preocupa, não vai ferir ninguém se nós deixarmos do jeito que está.

Se despediram e o ruivo voltou para o local onde morava, encontrar-se com a esposa falsa. Já no outro dia, estava ele com Alana na cozinha, enquanto ela lavava a louça como era obrigada todos os dias, entre realizar as demais tarefas de casa.

— Hoje o Kaidou vai vir jantar aqui em casa, tudo bem? – Drake fala.

— Que notícia boa, eu adoro quando ele vem. – Ela fala em estado de fadiga, já bem cansada, com cabelo desbotado e olheiras pesadas em seus olhos, além de coluna danificada.

— Fico feliz por vocês se darem tão bem, a pirralha também gosta dele.

— Não é difícil gostar dele… é a única pessoa que você me deixa ter contato, ele me ajuda em casa, é um pai melhor que você…

— Tsc, mas você também reclama de tudo.

— Pelo menos dá um pouco de atenção pra sua filha. Você pelo menos sabe o nome dela?

— Claro que eu sei, o nome dela é “Pirralha Chorona”.

— Não fala assim…

— Mas que seja, eu falo com ela, não tenho nada melhor pra fazer mesmo.

Tomado pela decisão, mesmo odiando, ele foi até o quarto da garota. Era uma menina de nove anos, cabelos lisos laranja, lábios rosados e olhos azuis cobalto que vivia em um estado energético bem intenso.

— Tio! – Ela exclama indo até Drake e pulando em seu colo.

— E aí. Só vim te avisar que o seu pai vai vir jantar com a gente e a mamãe disse que vai preparar bacon pra você.

— Verdade? O papai Kaidou vai vir me visitar?!

— Uhum.

— Que legal! Posso te fazer uma pergunta?

— Faça.

— Por que eu moro com você e não com o meu pai?

— É uma ótima pergunta...

— Você também é o meu pai, né?

— Infelizmente. Por quê?

— Porque hoje falaram na escola que dava pra ter duas mães ou dois pais, aí eu disse que tinha dois pais e uma mãe!

— Hã, pera, como é que é? – Demonstra ficar com raiva e franze a sobrancelha. – Estão ensinando o quê na sua escola?

— Como assim, o que eu disse de mau?

— Escuta aqui, eu não sei que escola maluca é essa que a Alana te enfiou, mas uma família de verdade é composta por uma mãe e um pai, nada dessas misturas não.

— Mas e você e o papai?

— O Kaidou não é seu pai de verdade, ele é só uma pessoa que por acaso, gosta bastante de você. Você já tá bem grandinha pra continuar achando o contrário.

— Então por quê a professora disse que podia?

— Porque tem gente que fica querendo bagunçar o mundo e enfiar coisa que não existe na cabeça das crianças, um dia você vai entender.

— Tá bom...

— Mas por enquanto esquece isso, vamos focar só no jantar com uma família de verdade.

Na mesma hora, quando a garota ficou se distraindo esperando tanto a comida quanto Kaidou chegarem, Diez foi até a cozinha onde a esposa estava terminando de realizar os preparativos do jantar.

— Você sabe que a escola da sua filha tá tendo distribuição de apostila gay comunista contra a família tradicional inglesa?

“Nossa” filha, e... como assim?

— Alguém lá de dentro disse que dá pra dois caras terem uma família, acho que nós vamos precisar tirar essa guria dessa escola.

— Mas qual é o problema de dois caras formarem uma família?

— Pera, pera, você tá falando sério? Vai dizer que você concorda com esse tipo de coisa...

— Desde que os dois pais sejam responsáveis e cuidem da criança, por mim tanto faz. E assim eles não escravizam mulheres pra cuidar da cria deles. – Ela dá às costas, voltando a cortar os vegetais pro jantar.

— Tsc, que absurdo, enfiar esse tipo de coisa na cabeça de uma criança vai corromper ela e fazê-la achar que essas coisas são normais!

— Porque o normal é comprar uma esposa pra servir de empregada pra você... me poupe, Drake.

— Aff, esse assunto de novo não.

— Você nunca teve nenhum amigo gay nem nada assim?

— Óbvio que não, nunca tive e nem quero ter contato com essa raça.

— Mas por quê? Que preconceito bobo, eu já fiquei com algumas mulheres no passado, não tem nada demais.

— Você o quê?

— Eu já até fui apaixonadinha por uma garota no colegial, mas nunca deu muito certo, nunca foi nada muito sério nã–

— VOCÊ É LÉSBICA?

— Não! Você não ouviu nada do que eu disse, como sempre.

— Como não ouvi? Você acabou de me dizer!

— Eu disse que já fiquei com garotas na adolescência, e daí? Quem nunca?

— Por que caralhos você nunca me contou isso antes?!

— Porque você nunca se importou comigo antes, vai se importar agora? Que diferença faz o que eu fiz no passado?

— Toda a diferença, você sabe que eu odeio essa raça!

— Odeia porque você é uma pessoa horrível, eu tenho certeza que você seria muito melhor se fosse menos ignorante e andasse com–

— Nunca mais repita uma coisa dessas. – Drake segura as duas mãos dela, apertando-as e imobilizando-a com força, crescendo para cima dela. – Nunca mais! — E dizendo com uma voz grossa, encarando-a com o maior ódio já existente.

— Ai, me solta, isso machuca! – Tentou afastar o rosto e fechar os olhos para não precisar olhá-lo.

— Você é uma vadia de merda, você me fez casar com você sem saber desse seu passado de puta! – Mas continuava segurando as mãos dela com força, deixando marcas inclusive, empurrando-a e a obrigando a andar pra trás.

— Não é nada disso, me solta!

— Como não é nada disso? – Em seguida, larga uma das mãos pra dar um tapa no rosto dela, voltando a segurar novamente.

— Ai!

— Você nunca mais vai dizer uma merda dessas de novo! Entendeu?

— T-Tá, desculpa!

— Não quero saber de desculpas! – Gritava mais alto e apertava as mãos dela com mais forças. – Você tem muita sorte de ser casada comigo, caso não fosse eu já teria tido o prazer de te matar, vadia desgraçada!

— P-Para com isso, você é completamente maluco!

— Do que você me chamou? – Mais uma vez, ele dá outro tapa no rosto dela, mais forte. – Não ouse levantar essa voz pra mim!

— Ai, isso dói! Tira as mãos de mim!

— Eu só não te bato mais agora pra não me estressar! – A empurra, jogando-a contra a pia. – Faz logo o seu trabalho e não dirija a palavra a mim, eu não quero ouvir sua voz pro resto da noite.

— … – Fica sem saber o que dizer, só se segurando pra não chorar.

— E já que você reclama tanto que eu não dou atenção à pirralha, eu vou colocá-la num colégio interno pra ela receber uma educação de qualidade.

— Colégio interno..?

— Lá ela não vai sofrer nenhuma influência desses pederastas!

Já mais tarde, no meio da noite, Kaidou Lovato havia chegado na casa deles e os quatro estavam sentados à mesa, com um clima bizarro os cercando. Drake e Alana estavam nas pontas, um de frente pro outro, e o ruivo a encarava com um ódio latente enquanto comia em silêncio e ela, sem conseguir desviar a visão, possuía um semblante de medo.

Kaidou conseguia notar isso graças ao silêncio constrangedor que se formava ali, mas a criança, que estava na mesa junto com eles, apenas comia o bacon sem dizer nada ou olhar pra mais ninguém.

— Ér… – Lovato tenta interromper o silêncio. – Aconteceu alguma coisa que eu não saiba?

— … – A mulher loira só ficou em silêncio, não conseguindo fazer muitos movimentos.

— Não aconteceu nada. – Mas o ruivo disse, ainda a encarando.

— O tio brigou com a mamãe na cozinha porque eu falei que tinha dois pais! – A menina exclama, fazendo com que o ruivo acabasse se engasgando com a comida.

— Como é que é? – Lovato se surpreende.

— Filha, vai pro seu quarto. – Alana fala, em direção à pequena.

— Mas eu ainda não acabei de comer…

— Pode acabar de comer lá dentro, depois eu vou limpar, já tá ficando tarde pra você.

— Tá bom. – Ela pega seu prato e sai.

— O que você fez agora? – Kaidou pergunta para Drake.

— O que eu fiz? Você não faz nem ideia do que essa cachorra me disse mais cedo!

— Não me chama assim! – Ela exclama.

— O que aconteceu?

— Kaidou, você que com certeza é uma pessoa mais culta que esse ignorante infeliz, diz pra ele que não tem nada demais duas pessoas do mesmo gênero terem uma família! – Fala Alana.

— Diz pra essa louca que não se pode ficar ensinando coisas erradas e pervertidas pras crianças!

— Sério que a briga de vocês é por causa disso? – Ele indaga. – Quem descobriu o que de cada um?

— Ela me disse que já ficou com mulher.

— E daí?

— Como assim “e daí?” Ela mentiu pra mim!

— Eu tenho certeza que ela nunca te escondeu nada, ela já tinha me dito isso.

— É, a gente já cansou de conversar sobre essas coisas.

— Hã? Só eu não sabia?

— Lógico, você nunca se interessou em saber nada dela. E qual é o problema, quem nunca?

— Eu nunca fiz nada dessas coisas!

— Que mentira, você é apaixonado por aquele garoto que vai entrar na Yard ano que vem desde que eram adolescentes! Não tem um dia que você não fale dele.

— …… – Ficou olhando para Kaidou inato, sem nenhuma reação sequer, suando frio e tremendo os lábios. – Não… f-fala do Law.

— Oi? – Ela leva um susto. – Pera aí, é aquele garoto que você tem várias fotos no seu quarto e não me deixa tocar?

— Tá ficando vermelhinho. – Lovato comenta, olhando pro ruivo que continuava inato.

— Até você já ficou com homem é tá querendo falar de mim?

— E-Eu nunca fiquei com ninguém, parem de ficar inventando histórias e mudar o foco!

— Seu covarde hipócrita! – Ela se levanta e vai até o outro lado da mesa, onde Drake estava. Tanto ele como Kaidou acabaram se levantando também. – Como você tem coragem de me ameaçar depois de fazer exatamente a mesma coisa?

— Isso é mentira, eu nunca fiquei com homem em toda a minha vida!

— Por que estamos discutindo isso se todo mundo aqui basicamente tem a mesma sexualidade..? – Murmura o moreno.

— Seu mentiroso, seu covarde, seu monstro, seu falso! – Ela chega perto de Diez e começa a dar uma série de pequenos tapas no ar com intenção de atingi-lo. – Você quer ferrar com a minha vida e com a vida da nossa filha quando você faz muito pior sem admitir!

— Para com isso, que saco! – Drake grita e se vira para Kaidou em seguida. – Não mente pra essa mulher que ela acredita nessas coisas fácil!

— Hã, eu não tô mentindo!

— Tá mentindo sim, você sabe muito bem que eu não suporto esse tipo de coisa, eu odeio viado e se eu pudesse eu mandava matar tudo!

— Para de incitar o ódio às pessoas só porque você não consegue admitir que é e precisa arrumar casamento de fachada pra isso!

— Ah, foi por isso? – Alana se intromete, voltando a encarar Drake. – Você se casou comigo pra poder ficar com outros caras e fingir que é hétero?

— Não! Em parte foi porque eu precisava de alguém pra cozinhar pra mim.

— Já chega, você é um covarde que não consegue ser homem o suficiente pra admitir o que faz! – Ela coloca as mãos na cintura e fala de frente pra ele. – Me responde com toda sinceridade, com quantos caras você dormiu desde que se casou comigo?

— Oi, que tipo de pergunta é essa?

— Diz logo, diz, fala que você gosta na minha cara, para de me enganar durante esse tempo todo, seu hipócrita nojen–

Antes que a loira pudesse continuar a exclamar, ele levanta sua mão e dá um tapa em seu rosto bem mais forte que nas outras vezes.

— CALA SUA BOCA, sua piranha desgraçada! Vai inventar história assim na puta que te pariu!

— Ei, não faz uma coisa dessas! – Kaidou vai correndo atrás dele.

— Vai se foder, vadia, para de inventar coisa sobre mim! – Ele continuava a agredindo, puxando seus fios de cabelo e segurando forte em seu braço até deixar marcas de queimadura.

— Aaaai!

— Para com isso, se afasta dela! – Lovato interfere, empurrando Drake.

— Não encosta em mim, eu faço o que eu quiser com ela, ela é minha mulher!

— Ela não é nada sua, uma aliança não te dá direito de bater em ninguém, muito menos uma de mentira!

— Eu não permito que ninguém invente merda de mim nem fale coisas absurdas como essas sem fazer nada, essa desgraçada merece apanhar de chibata até a morte!

— Ninguém tá inventando nada de você, para de jogar a culpa nas outras pessoas só porque você não consegue admitir que gosta de homem!

— E não gosto!

— Então por que você namora comigo escondido durante esses dez anos?

— Oi? – Alana se surpreende.

— ..... – E ele, novamente, fica sem saber o que dizer, somente encarando Lovato inato. – C-Cala boca...

— Você diz que me ama, diz que queria dormir comigo todas as noites, me convida pra sua casa e me beija quando ninguém tá vendo por quê? Ninguém mente que gosta de alguém do jeito que você faz.

— N-Não... fala essas coisas.

— Isso é verdade? – Ela pergunta. – Vocês dois... esse tempo todo, vocês têm um caso?

— Vai, diz que é mentira. – Kaidou começa a dizer, vendo que ele não iria conseguir admitir. – Fala que é mentira, mente pra ela como você sempre faz, diz que não gosta de mim.

— ... eu..

— Que foi, não vai dizer? Tô esperando, qual é o problema? Você sempre mente tão bem. Diz que nesse tempo todo o que você teve comigo não passou de uma amizade qualquer.

— Eu... eu, eu não... consigo dizer uma coisa dessas.

— Então admite que começou com essa história de relacionamento só pra ficar comigo sem sentir culpa e que o Joker nunca nem te pediu uma coisa dessas.

— Eu também não consigo dizer isso...

— Só acaba com toda essa história, para de mentir pra si mesmo e pede o divórcio, eu tenho certeza que é o que a Alana quer também.

— Divórcio..?

— É, já chega, acaba logo com isso. – Ela vai até ele, com algumas lágrimas saindo de seus olhos. – Eu não suporto nem mais olhar pra sua cara, eu prefiro morar na rua do que morar com alguém tão podre como você.

— O caralho que eu vou dar divórcio pra alguém... eu não comecei com essa história pra nada, um divórcio estragaria a minha imagem! – Exclama, com ódio da situação.

— Depois de tudo você ainda pretende continuar com essa história? – Kaidou se surpreende. – Ela já descobriu tudo, não tem mais o que fazer, Drake!

— Quem disse que eu vou continuar? Eu vou é acabar com essa merda de história uma vez por todas!

Se afastando dali e deixando os dois sozinhos, Diez foi até seu quarto. Tanto Kaidou quanto a loira não entendiam o que viria a partir dali, mas antes que o ruivo pudesse retornar, a filha apareceu na sala.

— Mãe, pai... por que vocês estavam gritando tanto?

— Filha. – Alana se ajoelha no chão, em frente à menina. – Vai pro seu quarto, tudo bem? O seu pai só está tendo um dia difícil, mas vai tudo ficar be–

— ISSO É PRA VOCÊ APRENDER A NÃO SE INTROMETER NA MINHA VIDA, VADIA!

— O que você pensa qu–

Kaidou tentou intervir assim que viu a imagem de Diez Drake saindo de seu quarto e indo até a sala com uma arma de alta precisão já carregada em suas mãos, gritando e apontando diretamente para até onde a loira estava junto com a filha.

Porém, antes que ele pudesse gritar ou correr para impedir, no exato segundo em que Alana olhou para os olhos odiosos do ruivo, ele puxou o gatilho sem sequer se importar com quem estaria ali, na mesma sala de estar, acertando diretamente na testa da mulher.

— M-Mãe... – A garota, que estava praticamente em seus braços, a viu morrer bem na sua frente, caída, com uma poça de sangue a cercando. Com o choque, só conseguiu andar pra trás sem conseguir desviar o olhar da mãe, com os olhos enchendo-se de lágrimas. – Ma.. mãe..?

— ... – Kaidou também ficou em choque, boquiaberto e sem conseguir emitir nenhuma reação.

— Mãe... mã... AAAAAAAAAAAAAAAH..! – Tomada por desespero, a menina começa a gritar e a chorar o mais alto possível, completamente aterrorizada. – AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!

— CALA ESSA BOCA VOCÊ TAMBÉM!

Drake apontou a mesma arma, dessa vez, em direção à ela, se preparando para dar mais um tiro e acabar com a vida de mais uma pessoa naquela noite. Mirou, puxando o gatilho imediatamente depois sem um mínimo de piedade.

— PARA COM ISSO! – Contudo, acabou sendo detido por Kaidou, que empurrou seu braço e o forçou errar a mira, atirando em um móvel qualquer.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH! – Ela continuou gritando, mais alto ainda.

— VOCÊ PERDEU TODA A SANIDADE QUE VOCÊ NUNCA TEVE! – Lovato exclama, olhando diretamente para os olhos azuis do outro.

— Eu não tinha outra escolha, se essa mulher queria tanto se separar de mim assim, agora ela pode ter a distância que quiser lá do INFERNO!

— Você é um assassino doente e psicopata, já chega, você acha mesmo que pode sair dessa? VOCÊ VAI APODRECER NA PRISÃO, SEU COVARDE!

— ...

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH...!

Kaidou segurava firmemente os braços de Drake, que não sabia mais que atitudes tomar, porém, por uma distração graças aos gritos da mais nova, o ruivo conseguiu se soltar e largou sua arma, correndo em direção à porta e fugindo daquele lugar o mais rápido possível, sem sequer olhar para trás, com a visão tomada por um sentimento de amargura e desespero.

♠ ♥ ♦ ♣

Duas semanas depois, a ilha de Dressrosa estava oficialmente comprada e era a nova sede do submundo. A morte da ex-esposa de Drake, Alana, foi abafada e dita que tratou-se de um sequestro que acabou resultando tanto na morte dela, quanto da filha.

— É muita coragem sua aparecer na minha frente depois de tudo. Você criou essa história de seqüestro e se afastou da Yard por Luto.

De madrugada, após receber uma carta, Kaidou foi levado até um beco escuro onde só havia ele e mais uma pessoa, escondida nas sombras, com um casaco de gorro cobrindo seu cabelo e rosto, com olhos secos e sem vida.

— O que você espera que eu faça? Finja que nada aconteceu e não te prenda por ter gostado de você um dia?

— ...

— Responde. Ou só me chamou aqui pra ficar me olhando?

— Eu menti pra você.

— Como se eu já não soubesse disso...

— Uma vez. Eu menti pra você uma vez na minha vida inteira, e foi a pior mentira possível.

— Qual foi?

— Eu te disse que nunca tinha matado ninguém antes. Mentira. Eu já matei quatro pessoas da minha família de sangue, incluindo os meus pais, algumas várias pessoas só por prazer, mas a maioria por vingança e rancor. Eu acabo com a vida de qualquer um por interesse, dinheiro ou que me atrapalhe de algum modo.

— ... – Kaidou ficou calado. Não é como se tivesse sido uma surpresa, mas foi uma notícia bem direta. – Então, esse tempo todo que você esteve comigo, você matou gente inocente pelas minhas costas?

— Sim.

— E mesmo assim me disse que nós dois estávamos juntos tentando derrubar o Joker e tirá-lo do poder?

— Isso é verdade, tudo o que eu fiz junto com você foi verdadeiro, eu nunca menti sobre outra coisa e eu amo você mais do que a minha vida, só que eu não consigo deixar esse lado pra trás.

— Entendi. E agora?

— Agora não tem mais saída, eu vou sair da sua vida pra sempre. Eu errei com você muito feio e eu não vou nem pedir pra você me perdoar, porque eu sei que não ia adiantar.

— Que bom que você tem ciência disso...

— Eu vou pra um lugar longe daqui, junto com o Joker e os outros.

— E a garota, o que você fez com ela?

— Ela tá na Sibéria, com o resto da minha família materna. Ela nunca vai sair de lá e você nunca mais vai vê-la.

— Você acha mesmo que pode fazer tudo o que quiser, né? – Kaidou vai andando em direção a ele. – Eu não vou deixar você sair daqui, Drake.

— Eu sinto muito por ter te magoado tanto. – Vira-se de costas, não olhando mais para o moreno. – Era só isso que eu tinha pra te dizer.

— Você não vai mover um passo pra fora da Inglaterra sem a minha permissão, você vai pra prisão!

— Até a próxima.

Começa a andar com as mãos no bolso do casaco para fora do beco, até não ter mais nenhum tipo de contato com Lovato. Olhava para baixo, tremendo os lábios e fazendo o máximo possível para não demonstrar qualquer tipo de fraqueza, praticamente já de olhos fechados.

— Ei, espera aí! – Entretanto, Kaidou segurou seu ombro, não o deixando escapar. – Você acha mesmo que pode ir embora assim?

— ... – Continuou inato, sem olhar pra ele, de costas.

— Você não vai a lugar nenhum, idiota! Pra você deve ser muito fácil fazer merda e fugir assim, sem mais nem menos, sem se importar com as pessoas que você deixa pra trás, mas não é assim!

— ...

— Deixa disso, vira pra mim se você tem um mínimo de vergonha na ca...

Sem mais um pingo de paciência, ele virou o ruivo de frente para si e, no mesmo instante, tomou um susto com o que viu. Uma imagem que só tinha visto duas vezes na vida, uma no dia em que se conheceram, e a outra, agora.

Drake estava com o rosto completamente vermelho, batidas no peito instáveis, lábios trêmulos e fraquejantes e, por fim, lágrimas pesadas correndo por sua face sem que ele tivesse algum tipo de controle sobre aquilo.

— V-Você... você tá mesmo...

— Não vai achando que pra mim é fácil deixar tudo o que eu tenho pra trás, Kaidou, isso nunca vai ser fácil pra ninguém.

— Você sabe que poderia ter evitado tudo isso, não é?

— Eu sei... – Ele deita com o rosto no ombro de Lovato, abraçando-o pela cintura. – Desculpa... por tudo que eu te fiz passar nesse tempo todo, pela mentira, me desculpa.

— Não me pede isso, você sabe que não tem perdão.

— Eu sei, e talvez você esteja certo, talvez eu seja só mais um covarde de merda. Mas eu não posso mais ficar aqui, eu não posso mais ficar em Londres, eu não posso mais deixar que você me veja, pelo menos não tão cedo, eu sei que eu não tenho o direito de dizer isso, mas...

— Como assim, do que você tá fal–

— Me perdoa.

Aproveitando a oportunidade do abraço que estava tendo, Drake pegou uma adaga em seu bolso e apunhalou a barriga de Kaidou, atingindo propositalmente um local que não era mortal, mas que o deixaria bem ferido.

— Vo.. voc...

— Eu prometo que você vai ficar um bom tempo sem ouvir notícias minhas!

Após, o ruivo deu às costas e saiu correndo daquele lugar, abandonando a faca no chão. Kaidou estava com uma grande ferida que não o permitiu mover-se e isso foi o bastante para que não recebesse notícias do ruivo por um período de mais de cinco anos.

♠ ♥ ♦ ♣

No dia seguinte, antes de viajar para Dressrosa onde fundaria o novo palácio do submundo, Diez foi fazer uma visita na prisão.

─ LUFFY, MEU AMOR, VOCÊ VOLT.... você não é o Luffy....

─ É, tem razão. Eu não sou o Luffy.

Onde encontrou Trafalgar Law, que não via há mais de dez anos, mas que nunca havia esquecido depois do estranho e tenebroso passado que tiveram juntos. No período de um ano mais tarde, esse mesmo garoto de pesadas olheiras debaixo dos olhos iria passar a trabalhar na Scotland Yard, onde Kaidou Lovato voltara a ser Chefe-Diretor depois da saída de Diez Drake.

— Então é só isso que eu vou ter que ficar fazendo o resto do dia? – Law perguntou em seu primeiro dia na Yard para Luffy, com os pés apoiados na mesa, batendo os dedos no teclado do computador. – Que chato... e ainda vou ter que prender o carinha do laboratório que eu gosto tanto.

— Para de reclamar, tira os pés daí. – Luffy resmunga. – Não vai querer ser preso de novo já no seu primeiro dia aqui, né?

— O quê? Que é chato é, isso é inegável, mas eu não tô reclamando. O café daqui é melhor que o da prisão pelo menos.

[toc toc]

— Pode entrar! – Luffy exclama, e quem entra na sala onde os dois estavam, era Kaidou.

— Eu soube que o novato Trafalgar Law já tinha chegado.

— Yo. – Law o cumprimenta sem muito estímulo, ainda com os pés na mesa. – Quem é você?

— Torao, ele é o nosso chefe, tira os pés daí! – Luffy briga com ele mais uma vez.

— Ah, foi mal. – Acaba o obedecendo, sentando-se direito e falando com ironia. – Perdão, “senhor”.

— Nah, não tem problema, pode ficar à vontade, eu só vim te cumprimentar. Pode me chamar de Kaidou Lovato.

— Kaidou... Kaidou... acho que eu já ouvi esse nome antes.

— O seu nome também é um nome que eu ouço com frequência.

— Oh, verdade? – Olha com malícia pra Luffy. – Então você tem dito meu nome muitas vezes por aqui, Luffy?

— Quê? Eu não disse nada.

— Aham, claro.

— Aliás... – Kaidou se aproxima de Law. – O seu semblante de hoje em dia parece ser bem diferente do que eu via nas fotos, você deve ter mudado bastante nesses anos.

— Hein?

— Seja bem vindo à Yard, espero que pelo menos você consiga tirar um proveito positivo daqui.

— Tá, valeu...

— Bom, eu vou nessa, preciso ir pra casa dar uma olhada nos meus gatos! Ontem eu adotei mais um.

— Nossa, mais um? – Luffy comenta. – Eu soube que você tem uns seis, é isso?

— Agora são oito!

— Pra que tantos gatos?

— Antes gatos do que Poodles. – Law murmura.

— Não fala isso, Torao...

— Nenhum motivo específico. – Kaidou se vira com um sorriso alegre e vivo no rosto, indo embora. – É que de uns tempos pra cá eu venho me sentindo um pouco sozinho demais.

— ... – Law espera Lovato se retirar da sala e comenta. – Não, eu tenho mesmo a impressão de que já ouvi esse nome “Kaidou” antes.

— Provavelmente foi de algum jornal.

— É... deve ser.

Penúltimo Flashback P.O.V off

— Aí depois eu... – Drake continuava a contar a história enquanto aguardava o computador imprimir os arquivos do submundo, porém, acabou notando que Law e Luffy estavam se beijando bem pesadamente quando se virou. – EI! Vocês estão ouvindo a droga da história?

— Huh? – Param de se beijar e voltam a olhar pro ruivo.

— Foi mal, eu percebi que iria ser longa, aí eu parei na parte em que você aparece. – Law comenta.

— Algumas coisas o Kaidou tinha me dito. – Luffy diz.

— Tsc, que seja, não faz diferença mesmo.

— Mas já se passou um bom tempo, né? Antes tava com 1,1% e agora tá com quantos?

— Deixa eu ver... – Ele mexe no computador. – 3%. Quase lá.

— Tá de sacanagem?

— Beleza, outra história!

— Argh...

— Não tem nada que a gente possa fazer pra esse tempo passar mais rápido? – Luffy indaga.

— Ah, a gente podia ver vídeos de quanto o Law estava na prisão com o Kid!

— Não mesmo! – Ele grita.

— Por sorte eu tenho uns salvos nesse computador, eu prefiro assistir aqui do que no meu quarto, a tela é maior. – Comenta, preparando o vídeo. – Quer ver, Luffy?

— Quero!

— Não quer ver, não. – Law continua não suportando a ideia.

Os três precisavam esperar todos os arquivos serem impressos para poderem sair do local onde estavam e, enquanto isso, o ruivo teve a ideia de colocar vídeos de Law. Porém, ele acabou trocando propositalmente o arquivo a ser mostrado.

Aaaah!

— Aah... Luffy...

— Ah, como eu amo câmeras escondidas...

— TIRA ISSO DAÍ AGORA MESMO, SEU DESGRAÇADO!

Trafalgar pulou em cima de Drake, que estava sentado na cadeira do computador, até derrubá-lo no chão e ficar por cima dele, dando vários mistos de socos e tapas que eram defendidos sob risos pelo ruivo.

— Hahahaha, calma, calma! É só brincadeira!

— C-Como tira isso?!

Para ser sincero, ao invés de Diez colocar o vídeo de Trafalgar na prisão, ele colocou a gravação pornográfica que tinha feito quando o moreno e Luffy transaram em seu quarto, naquele mesmo dia, mais cedo. O garoto do chapéu de palha ficou tentando fechar o vídeo, sem êxito.

— Aaah, Torao!

— Aah... ahn...

— Eu te odeio, eu te odeio muito, aaargh, filho da mãe! – Law estava sentado em cima de Drake, batendo nele.

— Hahahaha, relaxa, não é nada que eu já não tenha visto antes.

— D-Dá pra alguém me falar como tira esse vídeo?! – Luffy continuava a teimar.

Porém, contudo, todavia...

— Q-Q-Q-Que... q-que po.. porra é essa?!

O vídeo pornô de Law e Luffy não só estava sendo transmitido só na sala de vigilância, como também no submundo inteiro graças a Luffy que, acidentalmente, apertou no botão de reproduzir a gravação em todos os computadores e televisões.

— I-I-Isso... – Joker, que estava em seu próprio quarto, recebeu as imagens do vídeo. – I-Isso são o Law... e aquele garoto?

— Wow. – Robin estava ao lado dele.

— E essa parede por trás... esse é o quarto do desgraçado do Drake?!

— Eita. – Os guardas do submundo, que estavam espalhados pelo castelo, também viam o vídeo.

— Behehehehe, que excitante! Behehehe. – Trébol, um dos guardas da prisão também viu.

— Hiahiahiahia, não é a primeira vez que um vídeo do Law aparece assim do nada. – Diamante, outro, comenta. – Teve aquele outro com o antigo Corazón.

— Oh... – Monet comentou surpresa e encabulada. – Nostálgico.

— Law-nii e o engravatado... – Penguin comentou do mesmo jeito.

— Isso... ele fez de novo... – Doflamingo continuava comentando surpreso.

— Não é a primeira vez que isso ocorre, né? Teve aquele vídeo com o seu irmão. – Robin fala, sem emitir maiores reações.

— Eu não acredito... que ele realmente... aquele desgraçado...

— Hahahaha, para com isso, você não vai conseguir me bater! – Dentro da sala de vigilância, sem saber o que se passava no resto do castelo, Drake estava por baixo de Law recebendo tentativas de socos.

— Cala boca e fica parado pra eu poder te bater, mas que saco! – Que já estava bem irritado.

[Ring ring ring]— Até que o celular do ruivo tocou e ele simplesmente virou Law no chão, sentou em cima dele e o imobilizou como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

— Alô, Robin? – Drake atendeu, era a morena no celular.

“Oi, você tá vendo um vídeo comprometedor do Law?”

— Ahn, eu não entendo muito bem como você tem esses poderes de vidente, mas sim, nós estamos assistindo juntos, por quê?

“Porque alguém apertou o botão de transmissão ao vivo e agora o castelo inteiro também tá assistindo. O Joker tá bem irritado com você.”

— O QUÊ, COMO É QUE É? – Levanta no mesmo segundo, empurrando Luffy da frente do computador e fechando o vídeo.

— O que houve? – Law e Luffy perguntam juntos.

— Ahn, como eu posso dizer... – Se virou de frente pros dois. – Esse vídeo que a gente tava vendo agora, ele meio que... bom, todo mundo tava vendo com a gente.

— O que isso quer dizer?

— Hm... lembra daquele dia em que eu coloquei um vídeo pornô seu com o Rosinante na frente do Doflamingo?

— Sim, como eu poderia esq.... SEU DESGRAÇADO, EU TE ODEIO MUITO! – Law começa a dar mais tentativas de tapas e socos no ruivo.

— Pera, o que isso quer dizer? – Luffy pergunta. – O submundo inteiro viu o vídeo?

— Ai, ai, dessa vez não foi culpa minha, eu juro! – Diez exclamava tentando se defender.

— Óbvio que foi culpa sua, é sempre culpa sua, quem mais faria um negócio desses?!

— Eu sei que parece muito ter sido uma coisa proposital minha, mas nem foi. – Tenta se defender. – Ow, espera aí...

— O quê?

— Agora eles provavelmente sabem que a gente tá na sala de vigilância.

Dando-se conta de que o incidente entregou a localização do trio, eles não tiveram outra escolha senão sair correndo daquela sala em tempo recorde. Law, Luffy e Drake abriram a porta e fugiram em disparada, sem saber pra onde ir!

— EI, VOLTEM AQUI, INTRUSOS PROCURADOS! – Todos os guardas foram atrás deles.

— CORRE! – Que saíram batidos, sem sequer olharem pra trás e também sem saberem o que fazer.

Oi, por aqui!

Nico Robin apareceu do nada, sigilosamente escondida, e os puxou para entrarem em uma espécie de grande cofre. Literalmente, a sala tratava-se de um cofre, com a porta em formato de cadeado gigante onde cabiam muitas pessoas e muitos papéis.

— Que legal, eu sempre quis me esconder dentro de um cofre gigante! – Luffy comenta. Dentro do cofre, ao invés de dinheiro, só tinha pilhas e mais pilhas de papéis.

— Ótimo, estamos salvos por enquanto, essa porta é difícil de abrir e é blindada.

— Por que só tem papel nesse cofre? Cadê o dinheiro? – Law pergunta.

— Posso perguntar por que vocês transmitiram um vídeo pornô pro submundo inteiro ver? – Nico indaga.

— Acidente. – E os três respondem juntos.

— Espera aí... – Drake começou a ver todas as pilhas de papéis. – Que tanto documento é esse?

— Você não sabia? Além de colocar os documentos em um computador, nós guardamos cópias sólidas nesse cofre. – Ela explica.

— Pera aí...

— Espera, esses são todos os arquivos do submundo? – Law e Luffy indagam ao mesmo tempo.

— Sim. – A morena afirma.

— Então por que a gente tava prestes a esperar dezesseis horas pra imprimir tudo de novo?

— ... – Drake ficou pensativo. – Esse cofre gigante sempre esteve aqui..?

— Espera, vocês estavam na sala de vigilância pra conseguirem imprimir tudo o que já estava impresso? Ia demorar demais.

Todos ficaram se entreolhando por um tempo, pensando no tempo em que haviam perdido lá dentro, quando na verdade o que precisavam já estava pronto.

— Beleza, 100%, exatamente como eu planejei, vamos prosseguir com o plano! – Até ele quebrar o silêncio.

— Idiota.

— O que vocês pretendiam fazer agora? – Robin questiona.

— Ah é, como é que a gente vai levar todo esse monte de papel pra Londres? – E Luffy faz o mesmo.

— Tem um submarino grande o suficiente perto da entrada do castelo. – Ela sugere.

— E é pra lá que a gente tá indo! – Afirma, dando início finalmente à etapa de fuga do submundo.

Notas finais
Yooooooooo! Foi mal pela demora :c tô muito ocupado esses dias! Era pra eu estar postando o cap do Garoto Sujo hoje, mas acabei postando esse aqui! Estejam atentos porque ele logo logo sai :33 Próximo capítulo, nossos heróis já estarão indo para Londres! TERCEIRA TEMPORADA, GAROTO SUJO, LANÇADA! https://fanfiction.com.br/historia/685464/Garoto_Sujo/