Policial Sujo
17 Hug
Notas iniciais

Continuação– Dias na Prisão — Capítulo 07
─ LUFFY, MEU AMOR, VOCÊ VOLT.... você não é o Luffy....
─ É, tem razão. Eu não sou o Luffy.
A prisão, um lugar imundo, repleto de pessoas da mais baixa categoria, onde você é obrigado a conviver no meio de um sofrimento eterno, tanto por seus companheiros de prisão, quanto pelas inconstantes brigas e outros problemas. Entre esses, estava o fato dos guardas poderem fazer o que bem entender, e você, um lixo humano, não poderia fazer nada para evitar.
─ O que você quer..?
─ Faz tempo, não é? Dez anos já.
─ Isso não tem graça nenhuma... vai embora...
E, junto com o poder que os carcereiros tinham, vinham uma série de dívidas que seriam pagas por trocas de favores, tais como contratos corruptos que sempre vemos em jornais. As pessoas superiores aos guardas da prisão, ou seja, responsáveis por ditar quem iria preso e quem não iria, eram os policiais oficiais e o poder jurídico.
─ Olha, eu soube que você e o seu amigo vêm falando algumas coisas desnecessárias sobre a nossa relação. Sabe como é, né? Eu preciso te ensinar uma lição.
E quem mais seria superior naquele momento, se não o próprio Chefe Executivo da Central da Polícia Metropolitana de Londres, Scotland Yard? Uma pessoa que Trafalgar e Eustass já conheciam de tempos antigos, mas nem imaginam o quão poderoso tornou-se. Nem em sonhos mais cruéis ele imaginaria que, o garoto que mais ama, já teve como chefe direto, a pessoa que mais odeia.
─ Sai daqui... ─ Law estava pálido e seu coração batia forte. ─ KID! ─ Ele tentava chamar seu companheiro ruivo, única pessoa que confiava de verdade, com todas as suas forças. Em vão, contudo, justamente por ambos estarem na mesma situação. ─ ME TIRA DAQUI, KID!
─ Você acha mesmo que chamar o seu amiguinho agora vai adiantar?
─ NÃO ENCOSTA EM MIM! Fica bem longe de mim, eu não quero te ver nunca mais...
Trafalgar, um homem majoritariamente sério e que não ousava mostrar qualquer fragmento de fraqueza, agora agia diferente. Sentia seu corpo desfazendo-se em um arrepio eterno, balbuciando palavras e seus punhos, fechados e rígidos, tremiam desesperadamente, batendo com fervor na porta afim de abri-la e fugir daquele tormento, sem sucesso.
─ Ah, não posso encostar em você?
Contudo, em resposta, o homem apenas soltara um ínfimo riso sarcástico, alegando não se importar com a briga do outro para si mesmo. Ele, com cabelos alaranjados e uma marca de "X" no queixo, aproveitou que as costas de Law tocavam a parede e agiu, colocando seus dois braços por entre o rosto do moreno, que sentiu seu coração parando por alguns instantes e sua pressão baixando.
─ O-O-O que você quer? ─ Disse, olhando firmemente nos olhos azuis profundos do ruivo à sua frente, sentindo seu corpo estremecer-se. Suava frio, seu coração palpitava e ele só conseguia dar minuciosas tentativas de cravar as unhas na porta, também sem êxito.
─ Por que você foge de mim? ─ Perguntou, aproximando seu rosto contra a vontade de Law, que não conseguia desviar o olhar de jeito nenhum. Encaravam-se rispidamente, chegando a encostar os narizes. ─ Você tem medo de mim, Law?
─ C-Claro que não... q-quem teria medo de você?
─ Você é tão medroso...
─ F-Fica longe de mim, por favor...
─ Olha só, você pedindo por favor. Vejo que adquiriu um pouco de educação, parabéns. ─ Ele finalmente se afasta, deixando que Law consiga respirar em paz e se acalmar. ─ Eu não vim aqui pra brigar com você, relaxa.
─ Então por que você veio..?
─ Primeiro, porque eu não iria me perdoar se perdesse a oportunidade de ter ver preso. Hahahaha, você não imagina o quase ataque cardíaco que eu tive quando soube!
─ V-Você veio... rir de mim..?
─ Pra você ter uma noção, o papel de parede do meu quarto é a foto da manchete do seu jornal multiplicada por 50.000 vezes! "Médicos da Morte, Trafalgar Law e Eustass Kid condenados pelo assassinato de cerca de duzentos pacientes." HAHHAHAHAHAHA!
─ Não ria... de mim...
─ Não se preocupa, bebê, eu já ri o suficiente de você. Não foi pra isso que eu vim até aqui.
─ Então desembucha logo, o que é que você quer?
─ Saber como Trafalgar Law se apaixonou por Monkey D. Luffy. Vai, me conta!
─ C-Como você sabe disso..?
─ Tá brincando? Não se fala em outro assunto! O mundo inteiro quer saber como você, um garotinho insensível e nervosinho, foi logo se apaixonar por alguém como o Luffy. O que aconteceu? O Joker não gostou nem um pouco.
─ Pouco me fodendo pra se ele gosta ou não, eu não devo explicação a nenhum de vocês. Era só isso que você queria? Então me deixa em paz, aproveita e morre.
─ Ih, ficou nervosinho. Não gosta que eu fale no Luffy? Então vamos conversar mais sobre ele! Ele vem te visitar às vezes?
─ Vai se foder...
─ O que você fez pra ele começar a gostar de você? Mentiu ou "escondeu fatos"? Porque não é possível alguém te levar a sério com essa carinha de malvado. Se bem que pra começar a gostar do próprio assassino da irmã, esse Luffy deve ser muito fácil de se manipular...
─ Do que você acha que tá falando? ─ Law começa a ficar verdadeiramente com raiva. ─ Como você sabe de tudo isso? Você conhece o Luffy?
─ Não sei, conheço? Minha memória é muito ruim.
─ PARA DE BRINCAR COMIGO! ─ Agora sim, ele fica com raiva e segura a camisa do ruivo, o encarando bem nos olhos. ─ Você conhece ou não o Luffy? RESPONDE!
─ Wow, de onde surgiu essa coragem toda? Pelo visto ele não é um "Kid 2.0" como eu pensava.
─ Não me interessa o que você pensa, SÓ RESPONDE! Eu não quero um desgraçado como você encostando UM DEDO NO LUFFY!
─ E quem vai em impedir? Você?
Antes que o outro pudesse responder, ele segura as mãos de Law, que estavam em sua camisa, o obrigando a largá-lo imediatamente. Ainda segurando os punhos do médico, o ruivo o arrasta, fazendo-o andar para trás até, finalmente, bater com as costas na parede da sala. A raiva que Trafalgar sentia queimava sua garganta como ácido, mas ao mesmo tempo, não conseguia gritar o tanto que gostaria.
─ Se você fizer alguma coisa contra o Luffy, eu juro pela minha vida, que dessa VEZ EU MATO VOCÊ, DRAKE!
─ Só quero ver você tentar, Law! ─ O ruivo estava prensando o médico contra a parede, imobilizando-o completamente. ─ Vai fazer o quê, mandar seu cachorrinho me morder? Aliás, eu não acredito que ele ainda continua com alguém como você, mesmo depois de tudo. Bom, é como dizem, idiotas são sempre idiotas.
─ NÃO FALA ASSIM DO KID!
─ SE NÃO O QUÊ? Hein? Vai fazer o quê? Se toca, garoto! Pessoas como você nasceram pra servir gente como eu, é a ordem natural do mundo, nada além disso.
─ Só me deixa em paz...
─ Eu te deixaria em paz com todo prazer, ou melhor dizendo, meu sonho sempre foi ver esse seu rostinho lindo aos pedaços. ─ Drake segura o pescoço de Law, apertando com força, com intenções de matá-lo. ─ Minha vontade mesmo é de te matar aqui, como um lixo que você é.
─ M-Me larga... ─ Dizia com dificuldade, tendo seu pescoço cada vez mais apertado, sufocado. Suas mãos tentavam empurrar o homem ruivo para soltar-se, mas sem êxito.
─ Você diz com tanta facilidade que ama o Luffy, mas sejamos sinceros. ─ Ele aperta o pescoço com mais força. ─ Você sabe o que significa amar alguém? ─ Law já estava pálido pela falta de ar. ─ Um garotinho indefeso, com carinha de malvado, amando alguém? Me poupe, esse seu romantismo só funciona na sua cabeça. Vê se cresce, Law.
─ T-Tir.. ra... as mãos... d-de mim...
─ Mas, infelizmente, eu não posso te matar. ─ Drake finalmente o solta, fazendo com que Law comece a tossir para ganhar ar. ─ Eu não posso encostar em você porque você é o "protegidinho" do Joker, e você não pode encostar em mim porquê... bom, porque eu sou superior a você.
─ Você me dá nojo...
─ E além disso, uma parte do meu trabalho é te vigiar pra que você não faça nenhuma besteira. ─ O ruivo se dirige até a porta da sala, batendo nela. ─ Já acabei aqui, pode abrir.
Assim que Drake chama pelos guardas, a porta imediatamente é aberta, deixando que ele saia normalmente, porém, antes que o fizesse, Law, que estava com a respiração absurdamente pesada e abafada, chegando a quase ter um ataque cardíaco de tanta raiva, o impede.
─ Espera! ─ Ele exclama, segurando o braço do ruivo. ─ Eu não ligo pra o que você faça, nem o que você diga de mim, só me promete uma coisa. Não encosta no Luffy.
─ Falando em Luffy, ele ainda não te contou, não é? Sobre a segunda proposta.
─ Proposta..?
─ Ele vai fazer ano que vem, você deveria aceitá-la. Vê se toma um rumo nessa sua vida.
E Drake simplesmente sai da sala, normalmente, virando as costas para o garoto que ainda não acreditava que o tinha encontrado. Law estava suando frio, com os punhos serrando de raiva e engolindo seco, querendo matar o primeiro que encontrasse e, ao mesmo tempo, não conseguindo se mexer direito. Os guardas finalmente o arrastam de volta para seu cela, onde encontrou Eustass Kid.
─ Law, voltou cedo! ─ Eustass estava deitado em sua cama, mas logo saiu de cima dela, indo encontrar o garoto.
─ Kid... ─ Mas ele ainda estava com a voz fraca e olhos quase fechando, além de um coração acelerado. Andava lentamente, quase caindo, por suas pernas estarem bambas.
─ O que houve, levou um fora? ─ Assim que chegou perto de Law, Kid notou que seus olhos estavam cheios de raiva, sendo direcionados para o seu. O médico rangia os dentes e serrava o punho, prestes a explodir.
─ POR QUE VOCÊ NÃO VEIO? ─ Law destila sua fúria no amigo, segurando seu uniforme laranja e gritando com ele. ─ RESPONDE!
─ D-Do que você tá falando? Ir pra onde? E não grita comigo!
─ Eu grito quantas vezes eu quiser, a culpa É SUA! POR QUE VOCÊ FICOU FALANDO AQUELAS COISAS ANTES?
─ Ei, calma aí, do que diabos você tá falando? O que houve com o Luffy pra você ter ficado tão nervosinho assim, ele descobriu do seu lance com o Loiro?!
─ EU TINHA TE CHAMADO! Eu tinha te chamado... era pra você ter ouvido a minha voz do além e ter ido me tirar de lá, que nem nos animes! Por que você não veio?
─ Han? Você queria que eu tivesse ido assistir você me trair com o Luffy? E eu não sabia do seu lado otaku...
─ Não era o Luffy, você ainda não entendeu? ─ Law se acalma finalmente, indo deitar na sua cama, de costas para o ruivo, cobrindo-se para ficar sozinho. ─ Eu vou dormir, boa noite.
─ Não era o Luffy? ─ Kid fica olhando para o além, pensando em quem seria capaz de deixar seu amigo agir daquele jeito estranho. ─ Espera aí...
─ Finalmente sua ficha caiu?
Eustass ficou analisando, olhando fixamente para o corpo de Law, que estava debaixo das cobertas, querendo não transparecer o que estava sentindo, mas o ruivo sabia muito bem o que era. Conhecia o outro tão bem que palavras já não bastavam, conversavam pelo olhar e, conhecendo ele tão bem, sabia exatamente o que a presença daquela pessoa significava.
─ LEVANTA DAÍ, AGORA! ─ Gritou, tirando as cobertas e puxando Law para fora da cama à força.
─ Ai, o que deu em você? ─ É claro, em resposta, ele fica com mais raiva ainda. Tudo o que queria fazer era dormir tranquilamente. ─ Me deixa em paz, Kid!
─ Deixar em paz, o caralho! ─ Eustass segura o braço dele com raiva, deixando até marcas vermelhas pulsantes, e o arrasta até a parede, pressionando seu corpo contra ela. ─ Você tem cinco segundos pra me dizer exatamente o que ele queria e o que ele fez com você!
─ Hã, isso não é da sua conta! ─ Fica com mais raiva ainda, tentando empurrar o companheiro ruivo para longe de si. ─ Só me deixa em paz! Que parte de "eu vou dormir" você não entendeu?
─ Não quero saber o que você quer fazer, você VAI me dizer tudo o que aconteceu naquela sala AGORA!
─ E quem vai me obrigar? Você? Eu não te devo respostas, eu não te devo NADA! Se não fosse por você isso não teria acontecido, então, por favor, eu já sou obrigado a te aturar então só ME DEIXA EM PAZ.
─ CALA BOCA E RESPONDE! ─ Kid pensa o outro na parede com mais força. ─ O que ele queria? Por que ele veio até aqui?
─ NÃO TE INTERESSA!
─ INTERESSA, SIM! O que ele fez com você? RESPONDE!
─ Pode deixar, Kid, eu te prometo que você faz coisas muito piores comigo todos os dias, AGORA ME DEIXA EM PAZ!
─ Eu não vou te deixar em paz, coisa! Será que você não vê que eu me importo com você?
─ Se importa comigo? Como? Me obrigando a fazer várias coisas que eu odeio? Arrumando briga por aí e colocando a culpa em mim? Se enxerga, Kid, tudo que eu sinto por você é NOJO!
─ Não me interessa o que você sente por mim, o que eu não suporto é você tentando se fingir de forte, SENDO QUE VOCÊ NÃO É!
─ CALA BOCA! Por que você fica me dizendo isso? A única coisa que eu quero é que VOCÊ ME DEIXE EM PAZ DE UMA VEZ POR TODAS!
─ PRA QUÊ, Law, pra quê? Pra que você quer que eu te deixe em paz? Pra você continuar fingindo que não se importa, quando você mesmo sabe que é mentira?
─ Para com isso, como você pode dizer que é mentira? Você não sabe de nada!
─ EU SEI DE TUDO! Eu te conheço há anos, eu sei muito bem quando você mente pra mim e o mais importante, eu sei muito bem o quanto esse passado te persegue!
─ Se você me conhece tanto, então você deveria saber também que eu NÃO LIGO!
─ LIGA SIM! Se não ligasse não teria aparecido aqui desse jeito, quase tendo um ataque cardíaco!
─ Quem tá tendo ataque cardíaco aqui, ruivo idiota? VAI SE FODER!
─ PARA COM ISSO, QUE COISA! Eu já te disse várias vezes e eu repito o quanto você quiser, eu SEMPRE, mas SEMPRE vou estar com você, quer você queira ou não, então só PARA DE TENTAR FUGIR!
─ O meu problema é justamente esse, você antes não saia do meu pé e agora, pra piorar, deu um jeito de ficar preso comigo. EU SÓ QUERO DISTÂNCIA DE VOCÊ! ─ Law, que era prensado contra a parede constantemente, tenta empurrar o ruivo com força. Já estava cansado de brigar e com tanta raiva, que sua cabeça explodia internamente.
─ NÃO É DE MIM QUE VOCÊ PRECISA DE DISTÂNCIA! Por que você não simplesmente admite que não consegue passar por isso sozinho?
─ CALA BOCA! ─ Ele empurra o peito do ruivo com mais força, sem êxito. ─ Eu não preciso de você, nunca precisei e nunca vou precisar!
─ PRECISA SIM! E eu vou continuar com você, mesmo você não admitindo isso!
─ PORQUE VOCÊ É UM IDIOTA!
─ PORQUE EU TE AMO!
Trafalgar já não aguentava mais. Como se já não bastasse reaver uma pessoa que não via há dez anos e que odiava com todas as forças, ainda precisaria ficar encarando o ruivo. Ele estava bufando, com a respiração muito mais forte que o normal e corpo trêmulo, olhos repletos de raiva, chegando até a adquirirem uma coloração avermelhada. Seu nervosismo já estava no ápice, então não resistiu.
─ CALA BOCA! ─ O moreno, que não conseguia afastar o ruivo de jeito nenhum, acaba dando um soco em sua face. Eustass recebeu o golpe efetivamente, tendo uma marca vermelha realmente forte estampada no próprio rosto.
─ Você... me bateu?
─ E daí? ─ A respiração continuava forte e saindo pela boca. ─ Você merece bem mais, agora me deixa em paz.
Conhecendo o jeito do ruivo, Law já sabia muito bem que tudo só pioraria de agora em diante e que ele nunca o deixaria em paz. Os olhos vermelhos raivosos de Kid foram direcionados até o moreno e seus braços, tão fortes e rígidos, capazes de quebrar o crânio de qualquer ser humano, também foram direcionados até ele.
De uma forma totalmente forte e destrutiva, Eustass envolveu completamente o corpo de Law no abraço mais apertado que conseguia, deitando o rosto do moreno em seu próprio peito e segurando seus cabelos, para deixá-lo mais confortável e seguro, mas só deixando-o confuso de primeira, por não entender muito bem o que significava o ato.
─ Kid, o que você...
─ Quantas vezes eu vou precisar dizer até você entender? A promessa que eu te fiz há anos atrás de estar sempre com você não foi atoa.
─ Mas, mesmo assim, eu...
─ Eu não quero saber o que você fez ou deixou de fazer e também não preciso do seu agradecimento. ─ O abraço fica mais apertado. ─ Só, por favor... ─ E fica mais ainda. ─ Não minta pra mim, Law, nem muito menos pra você.
─ Kid... ─ Law começa a fechar os olhos e retribuir o abraço, segurando no uniforme do ruivo. ─ Me desculpa... ─ Seu coração vai voltando aos ritmos cardíacos normais.
─ Não precisa pedir desculpa, eu sei muito bem o que a presença desse cara faz em você, só não pensei que ele aparecia tão de repente. Mas Law, não tem problema nenhum você ter alguma fraqueza, não precisa ficar na defensiva comigo. Eu não vou te julgar.
─ Por que você sempre faz isso..?
─ Eu preciso de algum motivo?
Os dois rapazes andam até a cama inferior da beliche, deitando nela juntos. O moreno ainda estava encostado no peito do ruivo, recebendo um cafune em seus cabelos e descansando finalmente. Já havia voltado ao normal e respirava costumeiramente.
─ Ele riu de mim. ─ Afirma Law. ─ Eu odeio quando ele faz isso...
─ Ele se sente superior a você. Se eu soubesse que ele tava aqui, eu teria fugido desse cubículo infernal e ido arrebentar a cara dele.
─ Eu odeio ter que ficar tão sensível perto dele, é asqueroso. O pior de tudo é que agora eu tenho quase certeza que ele conhece o Luffy.
─ Eu te avisei.
─ Mas é impossível, o Luffy não é amigo de pessoas horríveis assim.
─ Bom, ele namora você...
─ O que você está insinuando? Eu sou uma pessoa maravilhosa.
─ Sim, você é. ─ Kid dá um beijo nos cabelos negros dele. ─ Menos quando está possuído pelo espírito Adams.
─ Ah não, vai começar o choro...
─ Lembra da nossa primeira vez? Foi traumatizante!
Flashback do Law transformando-se em ninfomaníaco.
─ I-I-I-ISSO É ABUSO SEXUAL!
─ Foda-se.
─ Mas La─
─ VISITA PRA PRINCESA EM APUROS!
Flashback interrompido por um guarda na prisão.
─ Visita? ─ Perguntam os dois juntos. ─ Que visita?!
─ Novamente, eu tenho cara de pombo correio?
─ E-Ele voltou?! ─ Law olha diretamente pro ruivo. ─ Kid, eu acho que ele me ama...
─ Mas que filho da mãe! Ele não tem vergonha na cara, não?
─ Vem Logo, Peach, deixa o Bowser aí que eu não tenho o dia todo.
─ Poxa, será que você não pode dizer quem é?
─ O Mario.
─ Que Mario?!
─ Aquele qu─
─ Não complete esta frase.
─ Então vem logo!
─ Eu vou! ─ Exclama Kid, com convicção. ─ Se for o Drake eu arrebento a cara dele, mas se for o Luffy eu também arrebento a cara dele.
─ Nada disso, só a Cinderela pode ir ver o Príncipe Encantado, Anastácia.
─ Príncipe Encantado? ─ Law vira para Kid mais uma vez. ─ É assim que ele chama o Luffy...
─ Então você vai lá?
─ Eu não sei, será que eu devo?
─ Você tá me pedindo permissão pra ver o Luffy?
─ Tem razão, eu devo ter ficado louco.
Trafalgar levanta da cama, indo em direção ao guarda para ver Luffy. Já estava andando para fora da cela, porém assim que chegou à porta, parou seus passos. Ficou paralisado por alguns segundos, mas logo voltou a andar na direção oposta, retornando para onde o ruivo estava e o encarando firmemente.
─ O que foi, algum problema?
─ Nenhum. ─ Law se abaixa na cama, indo com seu rosto na direção de Kid e dando-lhe um beijo, seguido de um curto sorriso. ─ Obrigado!
─ D-D-De nada...
Deixando Eustass de lado, tanto o guarda como Law foram caminhando até a sala de visitas e o moreno não conseguia deixar de ficar ansioso, temendo que não fosse seu amado, mas era. Assim que a porta abriu, deu para ver bem de perto a figura carismática do moreno e seu chapéu de palha.
─ LUFFY!
─ Oi, Tora─ ─ Nem conseguiu terminar sua frase, já estava envolvido em um abraço.
─ Que bom, é você... ─ Um abraço bem apertado. ─ Você não é ruivo...
─ É-É, eu não sou...
─ Não é, que bom, continue assim.
─ O que houve? ─ Luffy retribuiu o abraço, mas fica confuso. ─ Aconteceu alguma coisa?
─ Não, nada. ─ Agora que estava com o moreno em seus braços, Law só conseguia sorrir. ─ Agora que você veio, eu tenho certeza que tudo vai ficar bem.
─ T-Torao, tá tudo bem mesmo? Você tá meio estranho...
─ Você não faz ideia do quanto eu fico feliz sempre que você vem me visitar, principalmente agora. Eu nunca fiquei tão feliz em ver alguém assim, meu lindo.
─ "M-Meu lindo.."?
─ Eu te amo. ─ Se afasta do abraço somente para observar os olhos castanhos de Luffy, levantando seu queixo com calma e dando-lhe um beijo que logo foi correspondido. As mãos do mais velho ainda seguravam suas costas, aproximando-os.
─ Você tá muito mais sensível... tá difícil ficar na prisão?
─ Difícil ficar sem você. ─ Ele dá um beijo na bochecha. ─ Sem o seu cheiro... ─ Mais um no pescoço. ─ Sem o seu toque... ─ Outro na orelha. ─ Sem a sua voz... ─ Um último, nos lábios novamente.
─ O que houve? V-Você tá totalmente romântico, algum bicho te mordeu?
─ É tão inacreditável assim eu estar amado alguém?
─ Sim...
─ E você prefere que eu simplesmente arranque sua roupa e te foda de qualquer jeito?
─ Não é que eu prefira, é que até agora é o único lado seu que eu conheço.
─ Ah, então não gostou do meu lado sensível?
─ Pelo contrário, é ótimo ter você tão aberto, só é meio estranho. Bom, desde que você não me machuque mais...
─ Eu não vou te machucar. ─ Eles voltam a se beijar, um pouco mais depressa dessa vez. ─ Só estou feliz em te ver.
Trafalgar abaixou suas mãos, indo até as pernas de Luffy e segurando-as, pegando seu garoto no colo e o arrastando, obrigando-o a sentar na mesa que lá havia, tudo isso ainda o beijando. As mãos do pequeno abraçavam seu pescoço, dando pequenas puxadas em seus cabelos, até que ele sentiu sua roupa preparando-se para ser despida e...
─ CABOU O TEMPO! ─ ... Um guarda invade a sala.
─ Han? ─ Law se vira, soltando o garoto. ─ Ei, custa bater na porta?!
─ Mas já acabou? ─ Pergunta Luffy. ─ Q-Quer dizer, não se passaram nem cinco minutos...
─ Nós descontamos o tempo da visita anterior. ─ Explica o guarda, segurando Law pelo colarinho e o tirando de lá à força.
─ HÃ, QUE ABSURDO! ─ Ele fica furioso. ─ Vocês não podem fazer isso!
─ Visita anterior? Que visita anterior?
─ Visita ultra-super-secreta, não podemos informá-lo. ─ O guarda arranca Law dos braços do garoto finalmente, o algemando. ─ Vem, vamos embora!
─ E-E-Ei, qual é! ─ Tentava se soltar de todos os jeitos e debatia-se como uma criança. ─ AQUELE FILHO DA MÃE FEZ DE PRÓPOSITO!
─ Que visita ultra-super-secreta?!
─ Me poupe do seu vitimismo e vamos embora, tô perdendo meu horário de almoço! ─ Já estavam na porta da sala, indo embora.
─ Ah sim, eu quase esqueço, Luffy! ─ Law chama. ─ Você conhece um cara chamado D─
─ QUE PARTE DE TEMPO ACABADO VOCÊ NÃO COMPREENDEU? ─ O guarda puxa Law com mais afinco.
─ Deixa eu falar, que saco, eu tenho meus direitos! Você conhece ou não o D─
─ Mais uma palavra e você vai pra solitária!
─ FODA-SE, ME JOGA ONDE VOCÊ QUISER, SÓ─
─ Vai pra solitária com o Eustass!
─ ... eu vou ficar quietinho...
─ Ótimo. ─ Finalmente saem da sala, deixando Luffy não entendendo nada.
Fim de Dias na Prisão, de volta ao presente.
─ Ahn...
Um belíssimo final de tarde ensolarado. As nuvens surgiam, deixando que o astro realize com prontidão seu trabalho de iluminar as obras da natureza, permitindo que os pássaros cantem e tragam felicidade interna para diversos corações. Luffy acordou finalmente, e percebeu que estava deitado na mesma cama que dividiu com Law o tempo todo no circo, na Tenda Proibida.
─ Bom dia, dorminhoco. ─ Trafalgar, que estava em pé, mexendo em alguns remédios se vira, mostrando um sorriso ao Luffy.
─ Torao? ─ Ele coça os olhos, ainda tonto. ─ O que houve, aonde eu tô?
─ Você dormiu por três dias, nós ainda estamos no circo. ─ Ele anda, indo até o garoto.
─ Circo..?
─ Você se lembra de alguma coisa?
─ Ahn... ─ Luffy para pra pensar e diversas imagens vêm átona em sua mente, até a hora em que ele ingeriu o líquido venenoso. ─ AH, PETER! Pera aí, você disse que eu fiquei três dias sem comer?
─ Legal, você se preocupa mais com o seu estômago do que com o Poodle.
─ Onde tá o Peter?
─ Não se preocupa, eu te dei comida enquanto você dormia. Você precisa me ensinar esse truque de comer dormindo, sério.
─ Responde! Cade o Peter?
─ E também te dei banho, troquei suas roupas...
─ TORAO!
─ E também finalmente dormi com você! Embora não do jeito que eu imaginasse.
─ Me diz! O que houve com o Adams depois que eu dormi?
─ Ah, ele morreu.
─ Sério?
─ Sim, junto com os outros. Aliás, tá um dia lindo hoje, né? Quando o demônio morre, o sol se abre. Bem poético.
─ O Peter... morreu? ─ Luffy ficou completamente pálido.
─ Olha, eu já tinha te avisado dessa probabilidade.
─ M-Mas o que houve? Não deu pra salvar ninguém? O que o Adams fez? Como você saiu de lá? O que aconteceu naquele Mansão?!
─ Olha, eu vou te explicar, mas se acalma.
─ Você matou alguém?
─ Luffy...
─ Me responde! ─ Já estava suando frio. ─ Foi você quem matou o Adams?
─ Não, não fui eu. Mas eu quero que você fique calmo, você ainda pode estar um pouco tonto graças ao veneno.
─ Eu só vou ficar calmo quando você me explicar tudo!
─ Eu vou te explicar. No dia seguinte de você ter dormido, eu liguei pro Zóri e expliquei a situação pra ele. Todo mundo já foi preso, só estamos nós dois aqui no circo.
─ E o que você disse ao Zoro? Eu quero saber das crianças!
─ Eu fiz um relatório pra ele. Tá aqui no meu celular, eu vou te mostrar.
Relatório do Law sobre o Circo.
Oi,
Depois de nós entrarmos na Mansão, eu fui obrigado a envenenar o Luffy antes que o Adams o matasse, então ele dormiu e provavelmente vai ficar assim por três dias. Eu coloquei ele no carro e retornei à Mansão, fingindo ser amigo do Adams pra ele me contar o que planejava fazer e deu certo.
Ele me contou que tinha uma pesquisa pra parecer mais novo e, pra isso, drogava as crianças e bebia o sangue delas. Graças a isso eu também soube que todas as crianças já haviam morrido. Não existia nenhuma com vida, todas já estavam mortas, então não deu pra salvar ninguém. Foi mal. Inclusive o P̶o̶o̶d̶ Peter, filho dele, também já havia falecido.
Mais tarde o Dellinger, que eu não sei como diabos virou amigo do Adams, foi até a casa dele pois ambos trabalhavam juntos na pesquisa. Ele disse que eu só estava lá pra espioná-los e o Adams acreditou, tanto é que me amarrou em uma corda e me prendeu como se fosse carne em açougue.
Eu fui cortado, chicoteado e até mordido naquele inferno de casa, graças a tara que esse maníaco tinha por mim desde que eu era criança. Eu espero de verdade que os cortes que eu ganhei não fiquem pra sempre, se não eu vou ficar muito puto. Bom, mas depois disso, ocorreu um incêndio.
A Cindry, que é empregada dele, gostava muito de mim então ela já imaginava o terror que eu estaria passando. Depois que ela confirmou, ateou fogo no disjuntor, causando um verdadeiro incêndio na casa e me libertou, fugindo comigo até o escritório dele.
Nós já estávamos todos presos e, tanto ela como o Dellinger, acabaram morrendo sufocados pelas chamas. Eu e o Adams ficamos brigando no último andar da Mansão, até que esse filho da mãe me empurrou da janela, deixando que eu voasse por mais de duzentos metros.
Resumindo: a maior vítima desse troço todo fui eu, então não me culpem pelas crianças terem morrido. Eu fui atirado da porra do último andar de uma Mansão grande pra caralho e só não morri mesmo porque uma mulher de cabelos verdes me pegou, mas ela fugiu e eu não faço a menor ideia de quem seja.
Beijos,
Trafalgar D. Water Law.
Fim do Relatório.
─ Nossa, é o pior relatório que eu já li.
─ Obrigado.
─ Então todas as crianças morreram...
Luffy ficou extremamente triste e com vontade de chorar ao imaginar que seu trabalho havia falhado da pior maneira possível, além da dor de diversos familiares em perder seus filhos, netos e sobrinhos. Vendo o estado do menor, Law senta na cama de solteiro junto com ele, deitando o rosto em seu peito e fazendo cafune para acalmá-lo.
─ Não fica assim, Luffy...
─ Como eu posso não ficar? ─ Ele estava com o rosto deitado no peito de Law, sentindo as batidas de seu coração. ─ Eu nunca mais vou ver o Peter e nem as crianças. Não dá nem pra imaginar o sofrimento dos pais delas...
─ É a pior parte. Quando eu trabalhava lá na clínica eu odiava ver gente chorando.
─ É, deve ter sido muito difícil pra você dizer que seus pacientes morreram depois de você ter os matado.
─ Era bem chato. ─ Law passava seus dedos pelas madeixas negras, fazendo carinho em Luffy e, como resultado, o garoto foi se acalmando, apesar de seu coração ter sido quebrado. Ele sabia que não havia muito o que fazer.
─ Torao, eu tô um pouco tonto...
─ Ah, eu coloquei alguns remédios na sua comida contra a asma.
─ Não acredito que você fez isso, que coisa. Eu disse que não precisava.
─ Tarde demais, eu coloquei muito remédio e agora o seu organismo já tá viciado. Você é obrigado a seguir o tratamento, querendo ou não.
─ Você é o pior... eu deveria te prender de novo.
─ Eu fiz isso pro seu próprio bem, e também comprei bombinha e você vai levar consigo pra todos os lugares.
─ Não vai adiantar, eu não vou levar.
─ Vai sim e eu vou levar comigo também.
─ Você é muito insistente...
─ Foi mal se eu te amo e me preocupo com você.
Luffy, que estava se distraindo passando os dedos no moletom de Law, levanta seu tronco, indo com seu rosto até o do médico e fica o encarando fixamente por alguns segundos. Seus olhos vão se fechando e ele dá-lhe um beijo, que é logo correspondido.
─ Como eu senti vontade de te beijar acordado. ─ Afirma Law, com um leve sorriso.
─ Eu nem quero saber o que você fez comigo enquanto eu dormia...
─ Eu já te disse, eu te dei banho. ─ Law dá mais um rápido beijo nele. ─ Comida. ─ Mais um rápido beijo. ─ Troquei suas roupas. ─ Mais um. ─ Dormi abraçadinho com você. ─ Mais um. ─ E fiquei te beijando pra ver se você dava uma de Branca de Neve e acordava.
─ A vida real não é um conto de fadas.
─ Mas você sorria quando eu te beijava.
─ É? ─ Luffy dá um pequeno sorriso e o beija mais uma vez.
─ E você sorriu de novo. ─ Law retribui, do mesmo jeito. ─ Eu adoro quando você sorri pra mim.
Luffy deita novamente no peito do médico, que volta a fazer massagem em seus cabelos. O menor já estava bem mais calmo, apesar de ainda um pouco tonto e sonolento. Tentava, com todas as forças, não imaginar nada envolvendo crianças e o assassinato das mesmas, por não poder mudar o passado.
─ Eu tô com sono...
─ Sério? Você dormiu tanto já, Luffy.
─ Eu sei, mas eu tô com sono. E eu não consigo parar de pensar nas crianças, você não teve mesmo nada a ver com as mortes?
─ Não tive, eu juro, eu tentei salvá-las. Não fica pensando nisso, vai piorar a sua situação.
─ Mesmo assim, eu tô com dor de cabeça.
─ Quer que eu cante pra você?
─ Cantar?
─ É, é o melhor remédio, vai fazer você ficar mais tranquilo. Eu disse que iria cuidar de você, certo?
─ Eu não sabia que você cantava.
─ Nah, eu não costumo fazer isso, na verdade eu nunca cantei pra ninguém. É uma música que a minha mãe cantava pra mim quando eu ficava doente.
Luffy se ajeita mais no peito de Law, quase fechando os olhos graças ao carinho que recebia nos cabelos. O médico começa, lembrando-se de seu passado, com a voz mais suave e baixa que conseguia fazer, afim de acalmar o coração de seu amado.
"Um dia de primavera, dentro de casa, uma mulher de longos cabelos loiros repousava em uma cama. Estava doente, mas não se importara, apenas lia um livro enquanto tossia um pouco. Seu filho de seis anos chega no quarto e a fica observando, com um leve sorriso curioso no rosto, indo para frente e para trás com o tronco.
─ Por que a mamãe fica o dia inteiro na cama?
─ Nenhum motivo especial, meu anjinho, eu só estou descansando. Quer ficar um pouco comigo?
─ Hm... tá bom!
Seu sorriso era vivo, indo de uma ponta da orelha até a outra, deixando que sua mãe se sentisse muito mais contente e segura em possuir um filho tão adorável. Ele deitou ao lado dela, dando-lhe um abraço e sentiu suas finas mãos, fazendo carinho em seus curtos cabelos. Deixou o livro de lado por um instante, para passar um tempo junto ao filho.
─ O que você fez hoje, Law?
─ Nada demais! Só o de sempre.
─ Verdade? ─ Ela estava sorrindo, mas começa a tossir um pouco.
─ Mãe, tá tudo bem mesmo com a senhora?
─ É só uma tosse, daqui há pouco o seu pai disse que viria cuidar de mim, não se preocupe.
─ Tem certeza? Eu não gosto muito dele... e o tio Adams tá brigando com ele lá embaixo.
─ Aquel... quer dizer, o tio Adams está brigando com o seu pai? Não é ao contrário?
─ Não... o tio tá estranho hoje, nem falou comigo.
─ Querido, vamos evitar tocar nesse assunto, tudo bem?
─ Mas ele também falou uma coisa estranha...
─ Ei, Law, evita ouvir o seu tio um pouco, tá? Ele está numa fase complicada. ─ Ela pega um pequeno caderno e caneta na cabeceira da mesa e começa a escrever uma carta.
─ O que é isso?
─ Meu anjo, eu quero te pedir uma coisa.
─ O que é?
─ Não importa o que aconteça de agora em diante, nunca deixe de sorrir. O sorriso é a maior marca de uma pessoa, não deixe nunca que alguém te impeça de ser feliz.
─ Tá... mas por quê?
─ Só promete pra mim que até nos momentos mais difíceis, você vai estar sorrindo. É importante.
─ Se é importante pra mamãe, então eu prometo! ─ Ele abre um enorme sorriso e junte seu mindinho com o dela, simbolizando promessa.
─ Quer que eu cante aquela música pra você, Law?
─ Mas aquela música não é só pra quando eu estiver doente?
─ É pra todas as ocasiões, principalmente quando você está junto a uma pessoa a qual tem carinho. Não quer que eu cante?
─ Quero! Quero sim.
Música — So Close
─ Você está em meus braços
E o mundo todo está calmo
A música está tocando apenas para nós dois
Tão perto juntos
E quando estou com você
Tão perto de me sentir vivo"
─ A vida passa
Sonhos românticos irão parar
Tão perto eu estava esperando, esperando aqui com você
E agora para sempre eu sei
Tudo o que eu queria era te abraçar
Tão perto
Tão perto de alcançar aquele famoso final feliz
Quase acreditando que isso não é mentira
Agora você está ao meu lado e veja como chegamos longe
Tão longe estamos... tão perto
Como eu poderia enfrentar os dias
Se eu devo te perder agora?
Vamos sonhar para saber onde estamos
Tão perto
Tão perto...
E ainda assim tão longe.
Assim que a música foi cantada, Luffy já estava com seus pensamentos na nuvem. Só a voz calma de Trafalgar o deixava feliz e o fazia esquecer de tudo, independente de todos os grandes problemas que o estavam cercando. Ao finalizar, Law deu-lhe um pequeno beijo entre os cabelos e ficou o olhando, com um sorriso no rosto.
─ Se sente melhor agora?
O garoto não respondeu com palavras, mas sim, com gestos. Subiu seu rosto novamente, beijando Law e trocando sorrisos durantes as carícias. O ato estava mais carinhoso, com direito a chupões na língua, e se afastavam apenas por dois motivos, ou em busca de ar, ou para observar as feições um do outro.
─ Obrigado, Torao.
─ Você não precisa me agradecer por te amar, Luffy.
─ Eu confio em você, sabia?
─ É tão bom saber disso. ─ Eles se beijam mais uma vez. ─ Eu também confio em você.
─ De verdade? ─ Mais um beijo.
─ Claro... ─ Outro.
─ Então me diz uma coisa... ─ Mais um.
─ Qualquer coisa... ─ Um último.
─ Por que você entregou um relatório falso ao Zoro?
─ Ai, nossa, essa foi direta. Como você descobriu?
─ Porque você acabou de confirmar.
─ ... droga...
─ E então, ainda confia em mim?
─ Luffy, tudo foi verdade, eu só pulei coisas desnecessárias, mas o resultado é o mesmo. Quer que eu te mostre os cortes na minha barriga?
─ Você matou alguém?
─ Luffy...
─ Você matou alguém.
─ I-Isso foi uma afirmação..?
─ Não sei, olha nos meus olhos e responde. Você matou alguém?
Trafalgar o faz, e se perde em seu olhar. Não saberia mentir pra alguém tão amado e tão próximo.
─ Matei.
Agora sim, Luffy fica sem chão, sem saber pra onde ir e quais atitudes tomar.
─ Por quê?
─ F-Foi mal, é sério, eu não sei o que deu em mim. Eu senti... raiva, muita raiva.
─ Você se arrepende?
─ Me arrependo.
─ Você sabe o que isso significa, não é? Você tirou mais uma vida propositalmente, justo aquilo que você me prometeu que nunca faria.
─ Eu sei, Luffy, eu entendo, mas eu não consegui me controlar. Eu juro que foi por impulso e graças ao clima da Mansão.
─ E quem foi?
─ Shion.
─ Shion?
─ O rato. Eu pisei nele e o esmaguei até a morte, propositalmente.
─ Você pisou no rato propositalmente.
─ Meu sapato ficou sujo e nojento, eu tive que jogar fora. Acho que isso pode ser considerado queima de arquivos.
─ Você tirou uma vida e ainda jogou fora as provas? É, eu vou ter que te prender.
─ Em minha defesa, foi essa rato que quase te causou um ataque cardíaco e ele me mordeu.
─ Você é muito malvado, vai direto pro reformatório.
─ Lá tem Kid?
─ Não.
─ Então eu vou. ─ Law dá mais um beijo no amado. ─ Mas eu te levo junto.
─ Legal, agora nós dois vamos fugir e viver como foragidos matadores de ratos.
─ Uma verdadeira história de amor. ─ E se beijam mais uma vez, sendo que estavam mais entregues agora e o beijo prolongou-se.
─ Tá, eu vou deixar passar essa, mas porque eu estou te dando um voto de confiança, não vai se repetir.
─ Luffy, depois que eu assassinei o pobre rato, eu fiquei pensando e eu acho que tá na hora de eu te fazer uma promessa.
─ E qual seria?
─ Eu prometo que eu vou tentar me tornar uma pessoa melhor e vou parar de fazer merdas.
─ Wow, sério? Não se promete uma coisa que não se pode cumprir.
─ Sua confiança acabou muito rápido, sabia?
─ Foi mal, é que eu nunca pensei que ouviria Trafalgar Law prometendo que seria uma boa pessoa.
─ Nossa, falou até meu nome completo, deve ter sido uma frase bem impactante.
─ E foi! É sério, eu posso acreditar nessa sua promessa?
─ Monkey D. Luffy, eu prometo que eu vou ser uma pessoa melhor e vou parar de fazer merda.
─ Verdade?
─ Verdade.
─ Então eu acredito! Kishishishi.
─ Eu te amo. ─ Law se aproxima para beijar Luffy mais uma vez, mas...
─ Bom, eu vou nessa então. ─ ... Fica completamente no vácuo. O garoto sai da cama.
─ P-Pra onde você vai?!
─ Tomar banho pra voltarmos pra casa, não temos mais nada pra fazer aqui.
─ E-Então eu vou com você!
─ Não vai, não.
─ Por quê?!
─ Porque você matou o rato.
─ Ah, não... ─ Ele pega o travesseiro e bate contra sua própria cabeça, com intenções de cometer suicídio.
(...)
Depois de Luffy terminar seu banho, pegaram o carro e foram para casa. O garoto dirigiu até sua própria residência, parando com o carro assim que chegou a seu destino.
─ Bom, eu vou nessa. ─ Fala Law, tirando seu cinto.
─ Vai pra onde?
─ Pro meu hotel, eu tenho que pagar a diária e ver se ninguém o invadiu durante a minha ausência.
─ Ah, que pena, eu ia te convidar pra subir.
─ É mesmo uma pena, eu tenhSÉRIO?!
─ Sim, mas você já tem seus compromissos e eu ent─
─ QUE COMPROMISSOS? Eu nunca disse que tinha compromissos, que calúnia!
─ Eu sabia que você ia dizer isso...
─ V-Você não vai, tipo assim, me iludir e me expulsar no meio da noite, né?
─ Não sei, depende do seu comportamento.
─ E-Eu vou me comportar, eu juro! Vamos subir!
Subiram os dois juntos, trocando beijos pelos caminhos, sem se importar se batiam ou não na parede por seus olhos estarem fechados. Quando finalmente chegaram no apartamento de Luffy, separam-se para abrir a porta e lá encontraram, o pequeno cachorro sorridente.
─ Rawr, rawr!
─ Peter...
─ E assim, o Poodle retorna à sua forma original.
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