Policial Sujo
38 Fim dos tempos, ou... recomeço?!
Notas iniciais

Um dia que tinha tudo para dar errado, e deu. Já era de tarde, Luffy estava em sua casa junto com Nami e Zoro, sentado em seu sofá, completamente em prantos. Apoiava sua mão no rosto, olhando para baixo e não conseguindo parar de chorar por um só segundo. A ruiva, que estava ao lado dele no sofá, tentava consolá-lo, enquanto o de cabelos verdes estava em pé, olhando para janela, pensando o que fazer.
– Luffy... – Ela também estava triste pela recente morte de Trafalgar Law, mas sua maior preocupação no momento era o garoto.
– Torao... – Ele realmente estava mal, ainda não entendia como isso fora acontecer. – Por que isso tinha que ter acontecido? Por quê?
– Não fica assim, Luffy. – A ruiva o puxa para um abraço, deixando que o garoto escondesse o rosto em seu ombro, o consolando. – Eu odeio te ver desse jeito.
– Não dá, Nami. – Ele retribuiu o abraço. – Eu ainda não entendo como isso tudo pôde acontecer, eu tomei tanto cuidado pra nada dar errado... se eu não tivesse saído da casa dele àquela hora nada disso teria acontecido.
– Não fala isso, não fica se culpando por algo que não é culpa sua. Você fez sim tudo o que pôde, mas agora precisamos continuar com a luta pela justiça e colocar os culpados na cadeia.
– Vai ser difícil prender o culpado quando ele é ex-chefe da prisão...
– N-Não é bem assim, nós agora pelo menos temos provas. Tem o vídeo que você recebeu e o Drake foi visto com a Nicolle, não foi? É só mandar tudo isso pro...
– Pro Kaidou? – Ele mesmo responde quando a ruiva não sabe quem citar. – O Kaidou também foi visto com a Nicolle e ele não respondeu às suas ligações esse tempo todo, né?
– Mesmo assim...
– Será que ele não é cúmplice do Drake?
– Acho que não, o Kaidou foi sempre super gentil e compreensível, ele sempre foi um modelo na Yard.
– Até aí o Drake também era.
– É, mas...
– Ei, gente. – Roronoa se aproxima dali após ter finalizado uma ligação. – O IML acabou de liberar o corpo pra enterro. Não é melhor já irem avisando às pessoas próximas do Trafalgar?
– Você prefere que eu faça isso, Luffy? – A ruiva se dispõe.
– Não precisa... eu mesmo faço.
– Você tem os números?
– Sim, eu costumava guardar os números que o Torao mais ligava por precaução.
Assim, o garoto tentou disfarçar o enorme aperto no coração que ainda estava e pegou seu celular, ligando primeiramente para Brad Pittyson, que julgava ser o amigo mais próximo de Law.
“Alô?” – Mas o homem de dreads estava com uma voz tão caída que nem parecia ele.
– Brad? Sou eu. Luffy.
“Mano Luffy?” – Brad estava em seu laboratório fechado, sentado atrás do balcão, recluso. – “Oi... como você está?”
– Você... já soube?
“Da tragédia? Sim, e em pensar que o dia parecia ser tão bom... não tem mesmo nenhuma hora definida pra que tudo possa dar errado.”
– Eu sinto muito... eu sei que o Torao era seu amigo.
“O mano Penguin me avisou... essa semana já tinha sido o Eustass, agora os céus resolveram levar o mano Law também. São muitas dores pra quem continua na Terra de uma vez, essa também foi a última mensagem que o Penguin me mandou.”
– Última mensagem?
“Ele... disse que iria se afastar, que nós dois nunca mais voltaríamos a nos falar, Luffy... são tantas almas perdidas juntas...as pessoas que eu amava estão deixando suas vidas de lado. Eu já fiquei sozinho uma vez, é uma sensação horrível. É desesperador.”
– Brad, eu... sinto muito de verdade por toda essa confusão.
“Eu perdi as duas pessoas mais importantes da minha vida hoje. Foi tudo tão rápido. Eu considerava o Law como meu irmãozinho de prisão, e o Penguin... ele tava começando a aceitar ser meu amigo, a gente se dava tão bem, até íamos em uma festa esse fim de semana. Nós três. Eu não sei como tudo isso foi acontecer.”
– Eu também não sei, eu não acredito que isso tudo seja mesmo real... nem parece que foi hoje mesmo que eu e o Torao estávamos juntos na casa dele... foi tudo muito rápido. Mas, Brad, eu prometo que eu vou dar ao culpado o que ele merece. E eu também liguei pra avisar que o enterro dele será amanhã.
“Nessa hora nós não podemos deixar nossos corações serem guiados pelo rancor e pela vingança, precisamos viver agora mais intensamente, no lugar de quem já não pode mais estar aqui. O mano Law não iria querer te ver triste, Luffy.”
– Eu sei... é que eu não consigo aceitar o que tenha acontecido.
“Mas o sentimento de justiça também precisa prevalecer, para que a alma dos que já foram descanse em paz. Acho que eu já disse tudo o que tinha pra dizer.”
– Pode me ligar por qualquer coisa, se quiser falar comigo ou se estiver se sentindo sozinho.
“Obrigado”.
Desligaram os celulares. Após, Luffy resolveu ligar para a pessoa que Law considerava sua mãe, e que cuidou dele durante a infância. Seu nome era Amelia Eustass Dyer e morava ainda no mesmo lugar, em um sítio numa cidade distante.
“Alô?” – Sua voz era sempre doce e suave.
– Oi... aqui é o Luffy. Lembra de mim?
“Oh, Luffy! Claro que sim. Como vai?”
– Na verdade eu te liguei para dar uma notícia ruim, bem ruim mesmo. É sobre o Torao.
“Com o Traffy? O que houve com ele?”
– Hoje de manhã, aconteceu um acidente... o Torao... é difícil dizer.
“Ele está no hospital? É grave?”
– Não, ele... ele faleceu.
“Huh?”
– Hoje por volta de meio dia. Eu sinto muito pela sua perda, eu sei que já teve recentemente a morte do Eustass e tudo mais...
“Luffy, do que você está falando? O Traffy não morreu, não, ele tá vivo.”
– Eu sei que é difícil de aceitar, eu mesmo não acreditei na hora, mas...
“Enquanto a memória dele estiver junto conosco, o Traffy estará vivo. E não se preocupe com isso, eu garanto que o lugar que ele está é bem melhor.”
– Eu espero que sim, de verdade. O enterro dele será amanhã.
“Ok... obrigada pelo aviso.”
Após, o telefonema foi encerrado. Do outro lado da Inglaterra, na antiga casa de Kid e Law, Willian, o pai do ruivo, estava sentado em uma cadeira qualquer, lendo um livro qualquer. Eis que sua esposa, Amelia, decide falar com ele.
– Você ouviu isso? – Ela pergunta, com um olhar um pouco mais sério e desconfiado.
– Ouvi... esses jovens de hoje em dia estão cada vez piores.
(…)
No dia seguinte, todos os conhecidos de Trafalgar estavam reunidos em seu enterro. Luffy tentava conter suas lágrimas ao máximo, mas era bem difícil. Ele era enterrado no mesmo local de Eustass Kid, ao lado de seu túmulo. Nami, Zoro, Brad Pittyson, Kaidou e os demais agentes da Yard estavam lá, somente a mãe do falecido e o pai de Eustass, não.
– Torao... – Após a cerimônia, o garoto dirigiu-se até o caixão de Law, deixando o origami da flor de Lily, que era um simbolo importante para o outro. – Eu espero que você esteja bem, onde quer que você esteja nesse momento.
– Kaidou. – Nami aproveita para ir falar com Lovato, que estava extremamente triste com a recente morte de Trafalgar e olhava em direção ao horizonte, com a mente nas nuvens.
– Ahn? – Mas logo volta ao mundo real e olha para a ruiva. – Desculpe, Nami, eu estava meio... distraído.
– Posso te perguntar uma coisa?
– Pode, eu acho.
– Você já sabia que isso iria acontecer?
– …
– Responde...
– Bom, eu.. tinha esperanças de que não.
– Mas você sabe quem foi, certo? Saiu até nos jornais a Nicolle sendo arrastada pelas ruas com ele. Você também estava.
– Nami, isso é muito difícil de responder. Eu tentei evitar que isso tudo ocorrese, mas fugiu do meu controle sem que eu percebesse.
– Mas e agora? Nós vamos abrir uma denúncia contra essa pessoa, certo?
– Ér, bom...
– Kaidou?
– É óbvio que eu não vou deixar aquele idiota impune, é só que... envolve muitas coisas além dessa questão recente.
– Tipo quais?
– Coisas pessoais.
– Coisas pessoais? Quatro pessoas morreram recentemente por causa desse cara, isso já saiu da zona pessoal!
– Ain, eu sei, eu sei, mas é que... é complicado explicar tudo agora. Tem certas coisas que eu não posso dar conta, Nami, pelo menos não agora. Eu sinto muito.
– Mesmo você sendo o Chefe-Diretor?
– Na verdade... o Drake vai voltar a ser o Chefe-Diretor daqui há dois dias.
– Hã? Como assim?!
– Eu sei, você deve estar com raiva de mim, eu tô com raiva de mim, mas Nami, eu prometo que eu vou fazer de tudo pra punir esse merda o mais rápido possível!
– Mas por que ele precisa voltar a ser o Chefe? Ele é um assassino!
– Eu... não posso falar.
– São muitos segredos ruins de uma vez só.
– Desculpa, eu... tenho que ir agora.
Kaidou se retirou daquele lugar sentindo-se extremamente mal e incapaz. Tinha alguns problemas de depressão e ansiedade, que somente se agravaram com toda a história. Nami também estava se sentindo péssima por não entender exatamente os propósitos dele.
(…)
Até que dois dias se passaram. Na Central de polícia Scotland Yard, todos os agentes se levantaram com a presença de uma terceira pessoa bem especial e conhecida por ali. Diez Drake, depois de aproximadamente seis anos sem aparecer no local, agora voltou oficialmente como Chefe-Diretor e, portanto, líder da Yard.
Luffy, Nami e Zoro eram os únicos que não saíram de sua sala para vê-lo, somente observavam da janela. Drake foi bem recebido por todos os outros agentes, inclusive por Hancock, com exceção de Kaidou, que nem estava lá. O ruivo então, se dirigiu até a sua antiga sala.
– Aahh, que saudades daqui. – Assim que chegou na sala que até então era ocupada por Kaidou, já foi a modificando. Tirou os porta-retratos de gatos que o outro usava em cima da mesa para decoração, deixando outros dois. Um retrato seu com Law na adolescência e outro retrato com Lovato, já adultos.
Eis que alguém toca à sua porta.
– Posso entrar?
– Entra aí.
Quem entrou foi Luffy, com uma aparência totalmente séria.
– Drake.
– Oh, Luffy! Que bom te ver. Senta aí. Quer um café?
– Para com isso, você sabe muito bem o que eu vim te falar.
– Eu sei?
– Você o matou, não foi? – Luffy se aproxima até colocar suas mãos na mesa dele e o encarar bem nos olhos. O ruivo estava calmo, como sempre. – E agora tem coragem de voltar pra esse lugar.
– Quê? Luffy, acusar os outros assim no meio do nada, sem provas, é crime, sabia?
– Eu tenho muitas provas!
– Hm, e quem exatamente eu “matei”?
– O Tor–
– O Law? Pff... – Ele acaba respondendo sozinho, debochadamente. – Eu soube que ele morreu recentemente, sinto muito por você, mas eu não tenho nada com isso.
– Eu sei que foi você, ele me contou tudo.
– Ah, ele contou, é? Hm... – Drake pega o porta-retratos que mostrava uma foto sua com Law e mostra para o garoto. – Toma.
– Que isso?
– Luffy, eu aposto que ele deve ter falado coisas horríveis sobre mim, mas não é bem assim. Nós brigávamos bastante sim, mas ele é exagerado.
– Não vai adiantar nada falar isso pra mim, eu não acredito em você.
– É a verdade. Tá, eu fiz algumas coisas ruins com ele, coisas que eu não faria de novo, mas no geral nós nos dávamos bem, sério. Tanto é que ele não parou de falar comigo durante a época da faculdade inteira.
– Isso tudo não anula o fato de você ser um criminoso! Você tem tanta certeza assim que vai sair impune?
– Criminoso? Eu? Ah, não, não me compare com esses idiotas que acabam na prisão. Olha só onde eu estou, Luffy. Na minha própria sala como Chefe-Diretor da Yard. Eu não sou um criminoso.
– Você só é um criminoso que deu mais sorte que os outros.
– Luffy, eu sei que você está abalado pela morte desse garoto, então eu vou ignorar todas as besteiras que você está dizendo sobre mim. Eu também fiquei triste, eu gostava dele, sério, mas... é isso, eu não posso ressuscitar pessoas.
– Diz o que você quiser, ninguém pode matar outra pessoa e sair sem sofrer nenhuma penalidade, nem o Chefe-Diretor. Eu não vou desistir.
– Sim, claro, ninguém pode cometer crimes, nem o Chefe-Ditor, porém... – Drake liga o seu computador e acessa o conteúdo confidencial da Scotland Yard. – Eu também posso ir até onde está o assassinato de Trafalgar Law, e... – Em seguida, vai até a página do médico recentemente assassinado. – E arquivar tudo. Pronto. Desse jeito ninguém tem permissão pra investigar nada.
– Isso é sério?
– Sim, é sério. – Ele também arquiva os outros assassinatos que envolviam as pessoas de sua faculdade. – Temos coisas mais importantes pra investigar que a morte de um garotinho rebelde.
– Você é tão nojento...
– Eu só sou realista. E Luffy, quer um conselho? Dá próxima vez não se envolva com gente casada, nunca dá certo.
– Você nã–
– FILHO DA MÃE, DESGRAÇADO!
A emocionante conversa entre Luffy e Drake foi interrompida na mesma hora que Kaidou invade sala aos gritos, com a face mais furiosa já vista antes.
– Kaidou, meu am–
– VOCÊ ULTRAPASSOU TODOS OS LIMITES POSSÍVEIS! – E sem interromper seus gritos, ele vai até à mesa do outro, que fica somente o observando, paralisado. – QUEM TE DEU PERMISSÃO PRA FUGIR DE MIM?
– E-Ei, ei, cal–
– PRA MIM JÁ CHEGA, EU VOU ACABAR COM VOCÊ AQUI MESMO!
Kaidou ultrapassa todos os seus limites de paciência e agarra os cabelos laranjas do ruivo com uma das mãos, segurando sua cabeça pelos fios e batendo-a com força direto na mesa de vidro que, por ser extremamente resistente, não quebrou, mas ficou com uma rachadura e os porta-retratos se espalharam pela sala. Drake acabou com uma ferida enorme na testa e no nariz.
– Ai, ai, aaaaaaaai!
– Q-Que que foi isso?! – Luffy levou um susto.
– ISSO É PRA VOCÊ APRENDER A DEIXAR DE SER OTÁRIO! – Kaidou exclama, largando os cabelos do outro, com alguns fios soltos em sua mão. Luffy fica completamente sem saber o que dizer.
– I-I-Isso doeu! – Ele apenas colocou a mão na testa e no nariz, tentando aliviar a dor e lançando um olhar piedoso em direção ao ex-Chefe-Diretor. – P-Por que você fez isso, Kaidou?!
– E você ainda me pergunta o porquê?!
– Poxa, eu tinha ficado tão feliz em te rever...
– FELIZ? – Kaidou grita, ameaçando agredi-lo novamente. – Feliz você vai ter que ficar se eu não te matar aqui e agora, e ainda vai ter que me agradecer!
– M-Mas que tanto ódio é esse contra a minha pessoa?!
– Você fugiu de mim, não atendia as minhas ligações, fazia tudo o que eu dizia pra NÃO FAZER, usou um monte de pessoas inocentes na sua “brincadeira” como se elas não fossem NADA e ainda me pergunta o MOTIVO DO MEU ÓDIO CONTRA VOCÊ?
– Tsc, isso tá sangrando... – Ele olha suas mãos. – Vai deixar cicatriz.
– NÃO ME IGNORA! – Lovato agarra a camisa dele, o levantando praticamente em cima da mesa e o encarando bem de perto. – Não vai achando que vai ficar tudo do jeito que você quer, não!
– Kaidou, calma, eu–
– Você não deveria estar na Yard, você é um ASSASSINO! Deveria estar na prisão!
– F-Fala baixo, a gente tá na Yard, as paredes daqui não são de titânio!
– Tô nem aí, eu tô com tanta raiva de você que eu poderia ficar gritando o dia todo!
– Custa descontar a raiva em mim quando a gente chegar em casa...?
– Custa! Custa porque eu não aguento mais você fazendo tudo o que quer sem receber nenhuma punição! E eu já tô farto das suas mentiras.
– Ah não, para com isso, eu não contei nenhuma mentira.
– Contou sim!
– Kaidou, há quanto tempo nós nos conhecemos?
– Durante os quinze piores anos da minha vida.
– E nesse tempo todo eu só te disse UMA mentira. UMA!
– Uma mentira gravíssima!
– Eu te disse que não tinha matado ninguém. SÓ. E eu só disse isso porque não é uma coisa que se diz por aí, assassinato ainda é crime!
– Mentir também é esconder coisas, e você me escondeu várias! Você demorou ANOS pra me contar a sua história com o Law.
– Óbvio! Como você queria que eu te contasse uma história dessas sem ter uma relação estável com você? Eu fiquei com medo de você ficar puto comigo pra sempre e não me olhar mais nos olhos.
– Eu ESTOU puto com você e se eu tivesse escolha eu JAMAIS iria voltar a te encarar! – Kaidou larga ele, o fazendo se sentar novamente, com raiva. – Tsc, que saco. E se tem uma coisa que a nossa relação não é, essa coisa é “estável”.
– Ah não, vai começar a DR...
– DR é o que nós vamos ter hoje à noite, porque você vai pra minha casa me explicar tudo o que aconteceu nesses dias.
– Tá, tá, eu já pretendia fazer isso mesmo.
– Ótimo.
– Ótimo.
Os dois finalmente pararam com a discussão e, em seguida, olharam diretamente para Luffy, que ainda estava na sala em estado de choque.
– Ahn...
– Nossa, eu nem notei que o Luffy tava aqui. – Kaidou comenta.
– Eu percebi, né. – Drake responde.
– Ér, então... será que você pode voltar aqui outra hora, Luffy? Eu ainda preciso ter uma... “conversa particular amigável” com ele.
– Luffy, por favor, não vá...
– Ahn, eu vou... deixar vocês dois sozinhos.
– Obrigado!
– Ai, não...
Luffy fez o que havia dito e saiu da sala, porém, ficou com o ouvido encostado na porta para continuar ouvindo a briga dos dois. Não demorou muito para os sons da voz gritante de Kaidou e de tapas surgirem no ambiente.
– Isso é por você não ter respondido minhas ligações e por ter SUMIDO por DIAS!
– Aaaaaaaai, isso dói!
– Vai doer muito mais se você continuar gritando!
– P-Para com isso, Kaidou, a gente tá na droga da Yard!
– Tô nem aí! Na hora de ficar correndo pela cidade você tava esperando por isso, né?
– Aaaaaai!
– Então isso é pra ver se você aprende alguma coisa de uma vez!
– Paaaara! Eu vou me comportar direitinho, eu prometo, mas para!
– Eu só vou parar quando a minha raiva por você acabar!
– D-Deixa disso! Não era você quem não guardava rancor?
– Isso já passou de rancor há muito tempo!
– T-Tá, mas a gente precisa conversar, sério... o Luffy tá sabendo de muita coisa já.
– Claro, você não é nada discreto!
– Enfim, eu acho que nós vamos ter que nos livrar dele.
– HÃ? VOCÊ FICOU MALUCO!
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiii!
– Eu digo pra você parar com essas idiotices de ficar matando as pessoas por motivos fúteis e você me surge com essa?!
– E-Eu não tava falando em morte! Eu só... ia sugerir de mandar ele pra outro país, que coisa.
– Ah. Não, não rola, o Luffy tem o direito de saber dessas coisas.
– Eu pensei mesmo que você não fosse deixar, então eu resolvi transferir o George pra cá. Ele vai ficar no lugar do Law na equipe do Luffy, que tal?
– Ahn... sério?
– Por que não seria sério?
– É uma boa ideia, eu não achei que você fosse sugerir isso.
– Para com isso, Kaidou, eu só tenho ideias excelentes.
– Que seja, faça isso. Eu me cansei de você, te vejo à noite. – Kaidou se retira da sala e, assim que sai, se depara com Luffy do outro lado da porta. – Ah, oi Luffy!
– O-Oi... – O garoto ainda estava perplexo em vê-lo com ódio, já que só conhecia o lado amigável de Lovato.
– Desculpe por toda essa confusão, eu acabei ficando com a cabeça quente.
– Ahn, tudo bem, eu acho.
– Ah sim, uma pessoa vai ser transferida pra sua equipe com o Zoro e a Nami, tudo bem? O nome dele é George Noah, acho que vocês se conheceram no dia da tragédia.
– Por que ele vai ser transferido pra minha equipe?
– Ah, eu acho que vocês vão se dar bem, ele é bem legal. Mas Luffy, o que você precisar relacionado ao trabalho, pode falar comigo, não precisa falar com esse idiota. A presença dele é ignorável.
– Ok... obrigado.
(…)
A noite finalmente havia surgido. Drake havia entrado no carro junto com Kaidou e naquele momento estavam indo para casa juntos, em silêncio, aguardando para terem uma possível briga quando chegassem no local. Lá, assim que chegaram, já foram ovacionados pelos quase trinta gatos que tinham.
– Awn, eu senti tanta falta deles! – Drake exclama, pegando um especial no colo, o qual tinha mais afinidade. – Eu nunca acho que vou sentir falta desses bichos até reencontrá-los.
– Meeow! – Um deles miava.
– Quack! – Outro gato, quando estava feliz, grasnava como um pato.
– Eu vou pegar um vinho porque eu não sou obrigado a te suportar estando sóbrio. – Dito, Kaidou vai até a sua cozinha enquanto o outro senta em seu sofá, tirando os sapatos.
– Para com isso, Kaidou, eu sei que no fundo você gosta de mim, você só não quer admitir.
– Gostava. Há muito tempo atrás!
– Que besteira...
– Enfim. – Kaidou retorna da cozinha com uma garrafa de vinho e duas taças, sentando-se no sofá junto com o outro. – Vai, me conta o que você tem pra contar.
– O Law tá vivo.
– Hm. – Lovato começa a servir a bebida, sem ter prestado atenção no que o outro dissera, mas quando volta a si, leva um susto e quase derrama o vinho. – P-Pera, o quê?! S-Sério?
– Sim, sério. Infelizmente ele está vivo.
Flashback do que ocorreu naquele dia.
– E aí, vai deixar eu ser feliz e te matar no lugar da Nicolle?
Estavam os quatro no porto. Trafalgar, Drake, Nico Robin e a garota loira que estava sendo feita de refém enquanto dormia. O médico estava confuso com todas aquelas opções e não queria morrer ou voltar para o submundo com Doflamingo, mas precisava fazer alguma escolha.
– Eu... não quero morrer. Principalmente pra você. – Law afirma.
– Então vai voltar pro Joker?
– Eu não disse isso.
– Só tem essa duas opções, gato.
– Que tal assim: eu finjo que nada disso aconteceu, você solta a garota e me deixa em paz pro resto da vida, daí a gente esquece que se conhece e volta tudo ao normal.
– Eu, esquecer de você? Mas nunca! Isso não vai acontecer, foi mal.
– Tsc... então são só essas opções mesmo? Morrer como herói salvador de Nicolle ou voltar pro Doflamingo?
– Aham.
– Eu nunca trocaria a minha vida pela dessa garota, isso seria burrice.
– Ah, que pena.
– E eu também não tô nem um pouco afim de ficar com esse cara.
– Que pena também.
– Então arranja outra opção!
– Não.
– Tsc...
– Bom, você ainda tem a opção de matar a garota e pegar prisão perpétua, mas aí...
– Ah não, eu não vou voltar praquele zoológico cheio de animais perigosos sem a defesa do Kid!
– É, foi o que eu pensei. Você é bem mimado hein, na vida a gente não faz tudo o que a gente quer, não.
– E quem é você pra estar me falando isso?!
– Só escolhe a droga de uma opção logo!
– Ér, eu–
– Chegueeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!
Pouco antes de Law completar sua frase, uma quinta pessoa chegou no local. Se tratava de Penguin, o mais novo companheiro ruivo do médico, que estava um pouco atrasado.
– Você tá TOTALMENTE atrasado! – Law briga com ele.
– Desculpa! É que e... – Mas Penguin interrompe sua fala quando olha para o lado e vê Robin. – ROOOOOOOOOOOBIN! – E quase chora de felicidade. – A-Ai meu Deus, e-eu nem sabia que você estaria aqui! E-Eu não me arrumei direito pra essa ocasião...
– Olá. – A morena o cumprimenta, ainda apontando um revolver em direção a Law.
– Que que esse energúmeno tá fazendo aqui? – Drake pergunta, impaciente.
– Eu chamei ele. – Law responde.
– O Law-nii me chamou! – Penguin afirma.
– Hm. – Mas o ruivo não se importa. – Robin, ele já é descartável?
– Sim.
– Ótimo. – Nisso, Drake retira de sua calça uma pistola e aponta para Penguin.
– Quê?! N-N-Não!! – E o outro ruivo fica assustado, indo se esconder atrás de Law. – N-Não atira em mim, e-eu não sou descartável, eu sou muito útil ainda!
– E-Ei, sai detrás de mim! – Law fala, querendo tirá-lo de suas costas.
– Você sabe que se esconder atrás do Law só vai me dar mais vontade de atirar em você, né? – Drake o ameaça.
– C-Calma, não precisamos usar a violência sem sentido... – Penguin diz, mas acaba voltando a sua posição inicial, dessa vez com uma arma em cada mão; uma apontando para Robin, outra, para Drake. – Mas se vocês fazem tanta questão..!
Agora cada um continha uma arma nas mãos. Robin apontava duas armas na direção de Law e Penguin; Drake tinha o gatilho voltando para Penguin e ele mirava na morena e no outro ruivo ao mesmo tempo.
– T-Tá todo mundo armado?! – O único que estava com as mãos nuas, Law indaga.
– Oh, assim as coisas ficam mais interessantes. – Diez afirma.
– Quer uma arma também, Law-nii?
– Não, eu... não gosto de armas. E isso é mesmo necessário?
– Desnecessário foi você ter chamado esse cara pra cá! – Drake exclama indignado. – Por que você fez isso? Perda de tempo, tsc.
– Porque eu contei sobre a gente pra ele.
– E vamos combinar que ser casado com o líder do submundo é muito melhor que com um engravatado. – Penguin afirma convicto.
– Que bom que você acha que é melhor. – O mais velho volta a dizer. – Você tá do meu lado, então?
– Eu estaria, se não fosse pelas coisas horríveis que eu ouvi a seu respeito! Você mancha a imagem dos ruivos.
– Na verdade ele passa exatamente a imagem de um ruivo tradicional. – Law afirma.
– Sério que você ainda continua com esse papo de “ruivos malvados”..? – O outro reclama. – Cresce, vai...
– Vocês poderiam parar com a enrolação? – Robin sugere.
– Concordo.
– Então vamos acabar logo com isso!
Penguin toma uma rápida decisão arriscada e atira na direção de Drake, que, no mesmo segundo, não demora para retribuir o tiro antes que fosse atingido. Robin também tem uma rápida reação e ótima mira, dando dois tiros: um na direção da bala de Penguin, que acaba anulando o tiro, e outro na direção da bala de Drake, mas acaba errando o alvo. Nisso, a bala atinge diretamente a mão do ruivo.
– Aaaaaaaaaargh! – O que faz Penguin largar sua arma no chão, de imediato, com a mão sangrando.
– O quê? Han? – Law não entendeu nada do que estava acontecendo, mas logo olhou para seu companheiro. – P-Penguin, você tá bem?!
– Haha, você errou um tiro. – Drake debocha de Robin. – Eu disse que brincar com armas não era coisa de mulher.
– Você ainda guarda rancor de mim por ter ido melhor na prova de tiro do Pika que você?
– Tsc, você só foi “melhor” por ter dormido com ele.
– Eu nunca dormi com ele.
– Cala boca, mas deve ter dado um jeito, sei lá! Agora não é hora de discutir sobre isso.
– Ei, Robin! – Law grita enquanto segurava seu amigo ruivo que estava com a mão fora de uso. – Quem é você, afinal? É alguém do submundo também?
– Eu? – Ela responde. – Ah sim, eu esqueci de mencionar. Eu fazia parte do submundo na mesma época que você, mas nós não chegamos a nos conhecer. Eu era treinada pelo Trébol enquanto vocês estavam ocupados com os outros.
– Você é o novo Trébol então?
– Não, o antigo ainda continua vivo. Eu ocupo outro cargo.
– Eu te disse que muitas coisas tinham mudado por lá, bebê. – Drake diz. – Depois que você saiu, o Joker criou um novo cargo.
– Eu sou a Queen. – A morena afirma. – A Rainha do Baralho, quem controla os subordinados e toma as decisões pelo Joker.
– Woooooooooooooooooooooooooooooow! – Penguin fica tão surpreso que sua dor magicamente passa. – V-V-Vo-Vo-Você... e-eu namoro a RAINHA DO SUBMUNDO?!
– Hm... – Law se surpreende.
– Agora que todo mundo já foi formalmente apresentado, podemos continuar com o jogo? – Drake fala, impaciente.
– Eu tive uma ótima ideia! – Trafalgar exclama. – O Penguin vira o novo marido do Doflamingo no meu lugar! Que tal?
– Sim, sim, isso, escolhe essa opção! – Ele fica eufórico. – Ai meu Deus, eu quero muito ser bancado pelo cara mais foda do mundo!
– … – Drake fica mais impaciente ainda. – Isso é sério..?
– E por que não? – Law defende seu amigo. – Ele tem cinquenta namoradas, tá acostumado a ser esposa, sabe lavar louça, limpar chão, gosta mais do Doflamingo do que eu...
– Não vai rolar, foi mal.
– Por quê?!
– Porque ele quer você, bebê.
– Bota uma peruca no Penguin, ele nem vai reparar a diferença.
– É sério, eu já tô sem paciência. Você vai escolher ir pro Doflamingo ou eu já posso te matar aqui?
– Law-nii. – Penguin diz em voz baixa pra ele. – Vai com ele, é a melhor opção. Eu não quero te ver morto...
– Ahn, mas...
– Eu sei que você vai sentir saudades do Luffy, mas também não vai adiantar se você morrer, né.
– Você acha..?
– Eu tenho certeza.
– Ei, Drake! – O moreno exclama na direção do outro. – Se eu voltar pro Doflamingo e tudo mais, eu posso levar o Penguin junto comigo?
– A-A-Ain, s-sério?! – Penguin fica emocionado.
– Não. – Mas o outro responde frio.
– Poxa...
– Pode sim. – Robin afirma, contrariando o outro. – O Penguin sabe algumas coisas já, ele pode vir a ser útil.
– Isso!! – Penguin e Law comemoram juntos.
– Tsc.
– Então beleza! – Trafalgar toma sua decisão. – Eu e o Penguin vamos juntos pro submundo e você deixa a Nicolle em paz.
– Aff... que seja.
Trafalgar havia finalmente dado seu voto final. Ele escolhera voltar para a casa de seu ex-marido, Donquixote Doflamingo, junto com Penguin. Drake vai em direção de Robin e pega uma espécie de colete que estava no chão, indo até o garoto em seguida.
– Que isso? – Law pergunta, não gostando da aproximação.
– São as instruções pra você voltar com o Joker. Eu vou falsificar a sua morte aqui.
– F-Falsificar a minha morte? Ei, isso não tava no trato!
– Se eu não fizer isso eles vão começar uma perseguição pra te achar, se você “morrer” de mentirinha daqui há pouco ninguém mais vai se lembrar do seu nome. É a melhor opção, certo? Ninguém vai saber que você saiu da Inglaterra.
– Mas o Luffy vai pensar que eu morri?
– Vai.
– Ah, então eu não quero.
– Poxa, que pena. – Drake pega sua arma novamente e aponta para a testa dele. – Eu vou ter que te matar então.
– N-Não! Não, eu... tava brincando.
– Ótimo. – Ele guarda a arma e veste o colete em Trafalgar.
– O Luffy vai ficar triste... eu não queria que isso acontecesse...
– É o seguinte. – Drake o ignora. – Esse é um colete à prova de balas com algumas bolsas de sangue escondida. Você vai beber um remedinho pra dormir e parecer que morreu, eu vou atirar em você e vai sair sangue falso, mas você não vai ser atingido de verdade, tá bom? Eu espero.
– Ah, então você vai realmente atirar em mim?
– Com muito prazer. – Ele lança um leve sorriso diabólico de volta. – Só não vou poder te matar. Uma pena.
– E os médicos não vão sacar que eu tô vivo?
– Eu vou te colocar na linha dos quatro quilômetros antes de atirar em você. Assim que você ultrapassá-la, a Yard vai chegar junto com as ambulâncias, só que as ambulâncias serão só atores do submundo fingindo serem médicos. Eles vão te dar como morto e te levarão pra um local seguro depois.
– Hm...
– Ah sim, esqueci de dizer. Agora a sede do submundo não é mais na Inglaterra. Ela fica em uma ilha distante, sem localização no mapa, onde as leis dos países vizinhos não têm força.
– Eu vou morar num ilha então?
– Num castelo enorme, você vai gostar. A única questão é que as barcas que levam as pessoas até a ilha só abrem uma vez por ano, e a barca desse ano vai chegar daqui há dois dias. Você pode sair da ilha a hora que você quiser, mas só pode entrar nela nesse determinado dia.
– Então é nesse dia que a “contagem regressiva” acaba?
– Isso aí, o fim do jogo.
– Hm...
– Você vai morrer de mentirinha, vai ficar escondido com o Penguin até daqui há dois dias e de lá, vai pra ilha na barca junto com o Joker. Entendeu direitinho?
– Posso pelo menos falar com o Luffy antes de “morrer”?
– Aqui. – Drake retira de seu casaco um papel e uma caneta. – Pode escrever uma carta.
Law pega o papel e começa a escrever sua mensagem final a Luffy, andando em direção a Penguin e finalizando durante o caminho. Com ela terminada, o moreno a entrega para o ruivo e a coloca sob seus cuidados.
– Consegue entregar isso ao Luffy por mim?
– Claro que sim. – Penguin guarda a carta consigo.
– Beleza. Parece que vamos morar em uma ilha secreta juntos pra sempre... que legal.
– Vai ser muuuuuito foda! Hahahaha, eu mal posso esperar! Mas eu sinto muito por você ser obrigado a isso e tudo mais.
– Nah, que seja. Eu vejo se dou um jeito de fugir depois.
Com isso, tudo estava pronto. Trafalgar havia colocado o colete à prova de balas embaixo da roupa, completamente escondido, e tomado o remédio que o deixaria com sono. Logo em seguida, atravessou a linha que indicava o término dos quatro quilômetros. Nisso, sua tornozeleira piscou e toda a Scotland Yard foi solicitada para ir até ele.
Drake precisou agir o mais rápido possível, embora estivesse adorando a situação. Ele saca sua arma e dá três disparos certeiros no peito de Law que, graças ao remédio, acaba sentindo um sono enorme devido ao impacto e cai no chão, não morto, mas desacordado e com uma poça de sangue falso em seu entorno. Estava vivo, entretanto, mas ninguém mais sabia disso. Foi dado como morto, Nicolle acordou e os outros três fugiram.
Fim do Flashback. De volta à casa de Kaidou.
– E depois você ficou mais três dias sumido pra garantir que ele fosse à tal ilha? – Kaidou pergunta.
– Uhum. Ele e o Penguin já pegaram a barca e já chegaram lá, deu tudo certo. O Joker ficou bem feliz comigo.
– Que coisa... então o Law tava vivo esse tempo todo e eu nem vou poder contar ao Luffy.
– Viu só? Eu não sou um assassino malvado no final das contas.
– Sem comentários.
– Tá menos chateado comigo agora?
– Isso não te insenta das coisas terríveis que você tem feito até agora! Eu só não te dou mais uma surra porque eu tô cansado.
– Ah, para Kaidou... – Drake sobe no sofá e se aproxima do outro ainda mais, sentando-se praticamente ao seu lado, com o braço envolta de seu ombro. – Você sabe o quão difícil é ter que obedecer o Joker e ficar do seu lado ao mesmo tempo, eu preciso tomar cuidado.
– Hm. – O ignora.
– É claro que você é mais importante pra mim do que ele, mas também não é assim. Eu preciso equilibrar as coisas entre a Yard e o submundo.
– Eu sei, eu já conheço esse seu papo.
– Então posso te pedir uma coisa?
– O que é?
– Vem morar junto comigo.
– Hã?! – Kaidou leva um susto e se afasta dele no sofá. – M-Morar com você? Eu não aguento nem te ver todo dia na Yard!
– Ah para, não é possível que esse seu ódio repentino seja tão grande assim.
– Que seja, mas não é o bastante pra querer ir morar contigo. De onde você tirou essa ideia maluca?
– Antes de recusar, pensa no que isso significa. Nós já praticamente moramos juntos uma vez, certo?
– “Praticamente” não é morar.
– E você quer saber de mim o tempo todo pra evitar que eu faça besteira. Certo?
– Sim, mas...
– Então! Se nós morarmos juntos eu deixo você ficar no meu pé à vontade.
– E o que você ganha com isso?
– A sua companhia.
– Ah não... você só quer me matar enquanto eu durmo que eu sei.
– Para com isso, Kaidou. A única coisa que eu quero é me redimir com você! E outra, tem vários arquivos do submundo lá em casa que você ainda não viu. Eu não posso te mostrar, mas eu posso deixar em lugares fáceis de achar.
– Por que será que eu não consigo acreditar nas suas “boas intenções”?
– Por que parece que você recentemente esqueceu de todas as coisas boas que nós fizemos juntos nesses anos todos?!
– Ah, não é bem assim... eu não esqueci.
– Então me dá só essa chance.
– Eu não sei...
– Se você não gostar é só a gente se separar.
– Tá... supondo que eu aceitasse, como a gente faria? Eu não posso deixar os meus maravilhosos gatos perto daquele seu cachorro demoníaco.
– Isso é fácil, eu me mudo pra cá e deixo o Rex no quintal, seus gatos nem vão notar nada.
– Hm.
– E aí, vai aceitar?
– Eu vou pensar.
– Pensa com carinho.
(…)
Vamos voltar um pouquinho no tempo. Na noite do dia anterior, Trafalgar e Penguin estavam escondidos em um pequeno chalé no interior da cidade, sozinhos, esperando Drake aparecer para levá-los até a barca com destino à ilha onde ficava o castelo do submundo. Estavam no quarto, sentados no chão.
– Eu ainda não acredito que precisamos fazer isso... – Law estava absurdamente triste. – Será que ainda não dá tempo de fugir?
– Law-nii, vai ficar tudo bem, relaxa! Não deve ser tão ruim assim.
– Pra você é fácil, não é você quem vai ser forçado a se casar com um idiota completo. Eu não quero isso... e o Luffy acha que eu morri, isso dói.
– Nossa, esse lance foi horrível mesmo. Quando eu fui enviar sua mensagem ao Luffy, mesmo sabendo que você não estava morto de verdade, eu senti como se estivesse. Foi bem tenso.
– Nem me fale, por um segundo eu achei que eu tivesse morrido de verdade.
– E não vai achando que vai ser fácil pra mim, tá? Eu tive que romper com quase sessenta garotas por telefone!
– Tadinho de você.
– E ainda tive que dizer ao Brad pessoalmente que nós nunca mais nos veríamos e que ele não precisaria nem me procurar porque eu iria sumir de vez. Ele fica com um rosto muito diferente quando tá triste, nem parece ele.
– Eu vou sentir falta do Brad... que saco, eu vou sentir falta de todo mundo, até daquele idiota de cabelos verdes. Poxa, será que não dá mesmo pra gente pular pela janela e fugir daqui?
– Cheguei! – Antes que pudessem pensar numa rota de fuga, Drake chega no chalé onde estavam.
– É... parece que não.
– E aí! – E ele vai entusiasmado até o quarto. – Já estão prontos?
– Não/Sim! – Respondem em coro.
– Ótimo, então vamos. Se nos atrasarmos a próxima barca só sai daqui há um ano.
– Eu não sei se ainda tô preparado pra rever aquele cara... – Law diz, com aspecto triste.
– O Joker tá lá na barca, ansioso pra te ver. Vai ser divertido, eu prometo.
– Tsc, só vamos acabar com isso de uma vez.
Law se levanta junto com Penguin, emburrado, indo na direção do outro ruivo.
– Só mais uma coisa antes.
– O quê?
Drake pega a mão de Law e retira sua aliança, colocando no lugar, o anel que Doflamingo o tinha dado na adolescência.
– Essa aliança combina muito mais com você, “Donquixote”.
– Não me chama assim... – Law pega a aliança de Luffy das mãos do outro e a guarda em seu bolso.
– Não fica tristinho, vai. – Ele bagunça levemente o cabelo de Law, junto com um pequeno afago. – Não é tão ruim, você se acostuma.
– Como o Luffy tá?
– Ele também vai ter que se acostumar.
– … não existe mesmo nenhuma outra saída?
– Sinto muito.
– Então vamos acabar logo com isso.
A partir desse dia, Trafalgar Law agora se torna oficialmente o “Corazón”.
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