Policial Sujo
3 Drug Roulette
Notas iniciais

– Penguin, não vai rolar, foi mal.
"Por quê? É uma oportunidade única. Estamos na Semana da Moda, é sexta-feira e tem várias modelos espalhadas pela cidade! Por que você não quer ir numa festa comigo?"
– Eu já te disse, eu não gosto de modelos e nem de festas. Além disso eu preciso trabalhar, então não me incomode.
"Que coisa, você gosta mesmo de trabalhar, hein. Até recusou vir na melhor festa da Inglaterra..."
– Não é que eu goste, é que eu sou obrigado a fazer isso, e você sabe muito bem. Agora, se me der licença, eu tenho um jogo pra jogar.
"Tá bom, divirta-se. Fui!"
No momento que desligou o celular, Trafalgar já se encontrava na frente da casa de Joseph. Era uma casa bem grande com um quintal igualmente enorme, porém um pouco afastada do resto da cidade, facilitando pessoas a se perderem já que não havia sequer vizinhos. Mesmo assim, ele tocou a campainha e foi logo atendido.
– Ora, você realmente veio. Achei que iria desistir. – Cumprimentou o homem, sempre com uma aparência séria e mórbida.
– Desistir? Até parece, fui eu quem te convidei pra isso. Eu só me atrasei porque um amigo estava tentando me convencer a ir numa festa de modelos.
Ambos entraram na casa. A sala de estar era espaçosa, cheia de móveis rústicos e uma luz fraca, o que deixava o ambiente um pouco escuro, mas Law não se importara. Ele sentou-se na cadeira em frente à mesa de jantar e aguardou Joseph, que estava na cozinha, terminando de preparar o jogo.
– Sabe, você poderia ter aceitado o convite do seu amigo e ido na festa com as modelos. Iria fazer bem pra você, Law. – Disse o dono da casa, de longe, por estar em outro cômodo.
– Por que eu iria numa festa, se eu posso passar a noite jogando com você? – Respondeu com sarcasmo.
Trafalgar P.O.V
Enquanto aquele idiota vai pegar os ingredientes pro jogo na cozinha, eu vou aproveitar e dar uma olhada na sala dele, pra ver se acho algo e conseguir a confiança do Luffy. Tem uma estante de livros realmente enorme aqui, provavelmente tudo sobre drogas, veneno e esse tipo de coisa. Se eu tiver sorte, eu acho alguma lista telefônica com os fornecedores do submundo que eu tenho certeza que ele tem.
Mas não, não tem nada de importante aqui. Tudo o que tem, como eu havia suspeitado, é um monte de livros sobre corpo humano, efeitos de drogas no corpo, experiências médicas nazistas, uma biografia de Mengele, segredos da Frente Nacional¹ e até uma cópia do Mein Kampf² não-autorizada...
Eita porra, parando pra pensar são milhares de livros só envolvendo o Holocausto. Esse cara é um desses loucos neonazistas que tem espalhados pela Inglaterra? Quem ele pensa que é? Bom, isso explica o porque do Kid sempre ficar falando mal dele.
– Ei, guri!
Assim que ele gritou da cozinha, imediatamente retornei para o meu lugar na mesa, embora ele não tenha saído de lá.
– Que é, já acabou aí?
– Tô acabando, só queria te falar uma coisa. Se você acabar morrendo, eu vou te jogar na minha privada porque eu não quero problemas com a polícia, tá?
– Eu não vou morrer, idiota.
– E também nem pense em fazer coisas desnecessárias durante o jogo. Se você tentar encostar em mim, eu mesmo mato você, ouviu?
– Do que você tá falando..?
– Você é o cliente que mais me dá dinheiro, por isso eu não falo nada lá no laboratório, mas aqui em casa é diferente. Não vem querer dar em cima de mim com a justificativa de que é culpa do jogo.
Mas do que diabos esse cara tá falando agora? É cada pessoa idiota que eu preciso aturar nessa vida... Quem ele pensa que é? A minha vontade era de dar um tiro na testa dele e acabar logo com essa droga de uma vez por todas, invadir a casa do Luffy e ficar por lá mesmo. Mas não, eu preciso continuar com isso se não ele me joga na prisão.
– Relaxa, você não faz o meu tipo.
Deixando esse cara de lado, aproveitei que ele não tinha saído da cozinha ainda para voltar a olhar o apartamento. Notei que havia um vaso de plantas lá, onde as pessoas geralmente escondem alguma coisa na terra, como nos filmes americanos. Fui olhar lá e achei um bilhete amassado, como se tivesse sido jogado fora.
"Madame Vezz, saturday, 21h."
Quem é essa? Provavelmente alguém que ele vai encontrar amanhã, é bom guardar este bilhete pra eu não esquecer de falar com o Luffy depois. Bom, ouço passos, devem ser dele vindo pra cá, então é melhor voltar a sentar à mesa como se nada tivesse acontecido.
Trafalgar P.O.V off
– Prontinho, tudo que nós precisamos. – Joseph chegou com uma bandeja cheia de remédios, papel de seda, água e dois copos. Era realmente uma bandeja bem carregada, que foi posta na mesa da sala principal, com ele sentado de frente para Law.
– Nossa, tem mais do que eu imaginava.
– Ficou com medo? Ainda dá tempo de fugir daqui, se quiser.
– Pelo contrário, quanto mais melhor. E eu já te disse que não vou fugir, então pode parar de tentar me intimidar, Joseph.
– Ótimo, então vamos começar. Qual é a ordem que você quer?
Drug Roulette
Um jogo fictício onde, basicamente, o objetivo é ser o último a ficar de pé. Não existem regras específicas, a pessoa vencedora será aquela que não vomitar, desmaiar ou falecer. O jogo consiste em várias rodadas onde são usadas drogas distintas, que os participantes precisam consumir antes de avançarem para a próxima rodada.
É também estabelecida uma ordem. Geralmente, começam com medicamentos mais leves e acabam com medicamentos mais pesados e com alto índice de dependência química. Em cada rodada terá de duas a três drogas que deverão ser usadas por cada participante até a próxima rodada.
– Na prisão pelo menos eu jogava assim. THC, Alucinógenos, Estimulantes, Tranquilizantes e Barbitúricos.
– Então tá, pode ser com a sua ordem. Faz tempo que eu não jogo isso mesmo.
A primeira rodada era a mais rápida e fácil. THC é o principal composto do haxixe e também da maconha, que são enrolados em papel de seda e fumados. Os efeitos são bem simples e prometem um relaxamento. Cada um deu apenas um trago em cada e já partiram para a segunda rodada.
Na segunda rodada, a graça do jogo, que é o perigo e a probabilidade de dependência química, aumenta. Alucinógenos te deixam imediatamente com a visão embaçada, com alucinações e te dão um aumento de energia imediato. As drogas usadas são Escopolamina, LSD e STP.
Conhecidas por serem drogas usadas em festas, elas agem no organismo instantaneamente, principalmente quando ingeridas juntas, o que torna tudo mais perigoso. Assim que ambos consumiram as três drogas, os efeitos começaram a surgir.
– Nesse momento metade da prisão já tinha fugido! É claro, isso não faz efeito nenhum em mim. – Disse Law, um pouco tonto, com um sorriso perigoso e sádico no rosto.
– Verdade? Não é o que parece, você tá tontinho. – Afirma Joseph, olhando diretamente para o garoto, embora sua visão estivesse embaçada.
– Mentira... eu só tô vendo dois de você, mas é só isso...
– Viu, só? Você já tá quase desmaiando...
– Impressão sua, eu nunca estive melhor. – Ele balança um pouco a cabeça para voltar ao normal. – Não é atoa que eu e o Kid sempre ganhávamos essa droga de jogo.
– Ah sim, o ruivinho. Sinceramente, eu não quero saber das suas aventuras pederastas na prisão, então vamos logo pra próxima rodada.
– Que aventuras? Dois anos de sofrimento, isso sim. Mas se você não tá afim de ouvir, eu tô com menos vontade ainda de contar, agora vamos pra minha rodada preferida.
A terceira rodada é a das drogas estimulantes ou depressoras. O primeiro efeito delas é reduzir a velocidade das funções de seu corpo, ou seja, te deixam em um estado parecido com coma, porém consciente.
Contudo, à longo prazo, elas também causam um imenso desejo de ligação afetiva e emocional. Sendo assim, a principal funcionalidade destas drogas é deixar a vítima propensa a fazer tudo que lhe fora ordenado, já que nesse estado, a vítima não tem mais controle de seu corpo.
GHB e Ketamina
Principais drogas usadas no composto do Boa Noite, Cinderela. Seus fins mais comuns são para estupro, já que a vítima, em poucos minutos após a ingestão das drogas, tem seu corpo tomado por um forte desejo sexual, e mais ainda, por uma ligação emocional para com o agressor. É a droga utilizada tanto em Koisuru Boukun³ como também na Primeira Temporada desta fanfic, no porão.
– Ou seja, seus bebês.
– Meus bebês.
– Você pode usar isso em quem você quiser, guri, mas não vai pensando que isso vai fazer efeito comigo. Se você encostar um dedo sequer em mim, você terá esse dedo arrancado no mesmo segundo.
– Joseph, Joseph, Joseph, calma. Você definitivamente não faz o meu tipo.
– Gente como você não tem tipo, vivem só no pecado e não respeitam a moral e os valores da sociedade, por isso eu quero é distância.
– Que seja, você tá estragando a minha vontade de continuar. Vai, me dá os meus bebês.
Em cada copo d'água foi posta uma pequena quantidade de cada droga, que foi ingerida por eles como um shot. Depois de consumirem as três substâncias, os efeitos começaram a surgir. Law parecia estar completamente relaxado, porém atento, graças aos efeitos da rodada anterior.
– Guri, posso te confessar uma coisa...? – Diz Joseph, sempre carregando a feição mais séria que conseguia, apesar de estar um pouco tonto, ao contrário de Law, que emanava sempre um sorriso sádico e irônico.
– Claro... – Responde Law, atento à conversa.
– Sempre que eu olho pra você, me dá uma vontade louca de te dar um soco no meio da cara até você cair no chão, morto.
– Nossa, que malvado... tô morrendo de medo.
– Quando você foi preso, mesmo eu tendo tido prejuízo, eu fiquei feliz por não precisar mais olhar pra essa sua carinha de pederasta. Mas aí o ruivinho levou a culpa por você, e você só pegou dois anos.
– Por que está me falando isso? Ficou com vontade de desabafar, é?
– Só quero saber, como é que você foi parar na prisão? Você parecia ser uma pessoa tão inteligente, me decepcionei contigo...
– Ah, sabe como é, eu acabei fazendo merda. Fui me arriscar demais e acabei preso, mas não me arrependo. Foi divertido ter alguém tão inteligente como eu me perseguindo... O que é a vida sem um pouco de riscos, certo?
– Tem uma diferença entre "correr riscos" e ser descuidado. Se você fosse mais inteligente, nunca teria sido preso pra começo de conversa.
– E você se acha tão inteligente assim, Joseph? Se os seus pais te mandaram pro reformatório quando você era adolescente, é porque eles têm motivos pra isso.
– Eu também me arrisco, só que eu não sou igual a você... vai, menos papo e mais jogo.
A quarta rodada é a dos tranquilizantes. Dienpax, librium e valium são drogas que, quando ingeridas mesmo em pequenas quantidades, aliviam a ansiedade. Contudo, dão ainda mais sono e mais vontade de desmaiar. Graças a estas drogas, as alucinações também são interrompidas.
Novamente, em cada copo, eles colocaram cerca de 30g de cada substância, e após, beberam o líquido. Os efeitos vieram bem rápido graças às drogas anteriores, e para piorar, o segundo efeito da GHB começou a aparecer. O efeito que faz seu corpo arder em tesão.
– Joseph.... – Law resmunga, chamando pelo outro, sentindo seu corpo quente e sonolento ao mesmo tempo. Mesmo assim, seu sorriso só parecia cada vez mais sádico e malicioso.
– Que é..? – Ele também estava quase cedendo ao sono, mas tentou parecer o mais firme possível, como se não estivesse acontecido nada demais em seu corpo.
– De qual modo você se arrisca? Você parece uma pessoa tão séria... tão áspero...
– Por que você quer saber..?
– Porque eu quero saber mais sobre você. Vai, me conta...
– No meu quarto... tem algumas coisas que eu preciso esconder...
– Seu quarto, é? – Law abre mais um sorriso, por ter conseguido tirar as informações que precisava. – Posso ir lá ver?
– Como é que é? – Joseph deixa o sono de lado para lançar um olhar furioso a Law, como se quisesse matá-lo.
– Q-Quer dizer, não foi nesse sentido...
– Eu sabia, não dá pra trazer um viadinho pra dentro de casa e achar que ele vai agir como uma pessoa normal!
Joseph levantou-se com raiva, fazendo Law se levantar ao mesmo tempo e tentar explicar que não era naquele sentido, mas nada adiantou. O efeito dos tranquilizantes foram dissipados pelo efeito do Ecstasy, que age como um estimulante, causando ansiedade.
Seus pensamentos já estavam confusos e sua visão cada vez mais embaçada. Ele pegou um vidro cheio de GHB que havia na mesa, segurou o moletom amarelo que Law usava e o empurrou até a parede mais próxima, forçando seu corpo com tanta força que a parede quase quebrara.
– Joseph, calma, não é o que você tá pensando...
– CALA BOCA! Eu já tinha te dito, na primeira vez que você tentasse fazer alguma coisa estranha, as coisas acabariam diferente!
– Esquece isso, a gente tá na última rodada...
– É, é, eu sei. É a última rodada. Eu vou fazer uma coisa um pouco diferente com você, pederasta de merda. – Joseph larga o moleto de Law, pressionando desta vez o pescoço dele, quase o enforcando, com intenções de matá-lo. Law, graças a Escopolamina e tranquilizantes, não estava conseguindo sequer raciocinar direito, quem dirá tentar se defender.
– O que você vai fazer...?
Antes de responder, com uma das mãos, Joseph cerra os punhos e disfere um soco no rosto de Law, deixando que ele caísse no chão e tossisse sangue. Em seguida, ele o levantou e, com a outra mão, usou o vidro contendo GHB para enfiar toda a substância da droga de uma só vez na garganta de Law.
– O jogo mudou um pouco, e vai ficar mais interessante ainda.
– Por.. quê..? – Law tossia, graças ao líquido ter sido jogado em sua garganta de maneira tão brusca, e ao mesmo tempo estava mais tonto do que nunca.
– Engolir só algumas gotas é fácil, com o frasco inteiro o seu corpo não vai aguentar. Você definitivamente vai morrer, Law, e se não morrer, o que você acha que vai acontecer com você andando nesse estado no meio da rua, de madrugada?
– Não faz isso... – Tirando a tontura, ele também sentia seu corpo ficando mais quente. O ar que saia de sua respiração já estava bem pesado e sua voz baixa, suave.
– Já fiz. Então vamos mudar a aposta? Caso você consiga chegar vivo em casa, você ganha. Se você morrer no caminho ou acabar dormindo em outro lugar, eu ganho.
Joseph deu um último soco no rosto de Law, antes de arrastá-lo pela roupa até as portas dos fundos de sua casa, expulsando-o daquele lugar de uma forma bem brusca.
Law andava sem rumo, esbarrando nas paredes da rua, com a visão completamente embaçada e com dores terríveis de cabeça e de barriga. Ele não sabia pra onde estava indo, só sabia que não iria conseguir parar de andar até pelo menos chegar a algum lugar. Ele também não sabia onde ficava sua casa e já era de madrugada.
E foi andando, andando, que acabou achando um bar. Um bar qualquer de rua, onde entrou, sentou-se no balcão, batendo seu rosto na madeira para ver se acordava. Tudo o que conseguiu foi chamar a atenção do barmen.
– F-Filho, o que houve com você? Quer que eu chame um médico?
– Vodca... me dá alguma coisa... forte pra beber...
– E-E-Eu não posso fazer isso! Você tá quase morrendo, eu não posso simplesmente piorar a sua situação, por favor entenda meu lado!
Antes que pudesse dizer outra coisa, Trafalgar sente seu corpo ficando insuportavelmente quente graças a GHB, que é uma droga extremamente erógena. Mesmo que chegasse em casa à salvo, ele sabia muito bem que não poderia ficar sozinho nesta situação e, tudo o que ele conseguiu pensar, foi em um nome.
– Luffy...
– Hein? Quem é esse, algum amigo seu?
– Onde o Luffy mora...?
– C-Como eu vou saber?!
Perdido em pensamentos, Law percebe que uma terceira pessoa sentou-se ao seu lado. Era um homem bem forte, mas não lhe chamou muita atenção, tanto é que continuou a olhar o barmen e ignorou a presença do outro.
– Está tudo bem com você, garoto? – O homem põe o braço envolta do pescoço de Law, tentando-lhe chamar atenção, mas foi bruscamente ignorado.
– Ei, ei, ei, afaste-se dele! – Exclama o barmen, já percebendo as segundas intenções do homem.
– Ah, relaxa, chefia! Eu só quero ajudá-lo. Vai, arranja uma vodca pro meu novo amigo.
– Tsc... é cada um. – O barmen dá de costas, preparando a bebida para os dois. Law virou seu rosto, olhando com raiva para o homem que continuava cada vez mais perto.
– Você não é o Luffy...
– Hoje à noite eu posso ser quem você quiser!
Depois de ouvir a cantada, Law sentiu seu estômago se embrulhando mais, até que finalmente vomitou em cima do homem misterioso. Todos do local começaram a rir da situação, principalmente vendo que o homem havia ficado furioso depois de ter sido vomitado. O barmen pediu para que o garoto fosse até o banheiro e jogasse uma água em seu rosto.
Ele obedeceu e abriu a torneira, deixando que toda a água fria escorresse em suas mãos, arremessando tudo de uma vez só em seu rosto, lavando sua boca, tentando acordar. Porém, depois de ter se limpado, ele ficou olhando seu reflexo no espelho. Seus olhos caídos, sua tontura eminente, seu estado de semi-morto.
– Luffy...
Cada vez mais seu corpo ficava quente, em um estado febril. Seu cérebro já não respondia às suas vontades e, para piorar de vez a situação, sentiu que seu membro estava começando a se render e a ficar ereto dentro da calça. Ele saiu do bar, às pressas.
Pegou um táxi. Nem mesmo ele sabia como, porém o endereço do apartamento de Luffy havia surgido em seu cérebro. Assim que finalmente chegou a seu destino, Law já estava completamente diferente de seu estado normal, afetado pelas drogas que ingerira.
A primeira coisa que fez foi arrombar porta usando um truque antigo, com cuidado para não fazer muito barulho e acordar algum vizinho. Foi logo recebido por Peter, que latiu para ele com toda raiva do mundo.
– RAWR, RAWWWWRRR!!
– Peter! – Exclamou Law, com um estranho sorriso no rosto de felicidade, pegando o animal que tanto odiava no colo e o girando para cima. – Como eu senti sua falta!! Você pode não saber, mas eu e você temos uma história muito antiga juntos, sabia? Meu poodle idiota e lindo!
– Rawr? – Até o cachorro estranhou.
Deixando o animal de lado, Law finalmente pode andar até o quarto do alvo. Luffy estava lá, dormindo, silenciosamente. O mais velho se aproximou, com cuidado para não acordá-lo e deitou ao seu lado, olhando em seus olhos adormecidos e abrindo um sorriso de felicidade.
– Luffy... te achei...
– Hn?
Luffy abriu os olhos devagar, mas, depois de abri-los totalmente, a primeira coisa que viu foi um intruso sorridente deitado ao seu lado, o encarando como se não houvesse amanhã. Claro, a única reação que ele poderia ter era de levar um susto.
– WAAAAAH, QUEM É VOCÊ?! O-O-O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO NA MINHA CASA?
– Grita mais baixo... eu tô... com dor de cabeça...
– T-T-Torao?! – Ele se acalma, ligando o interruptor de luz que havia ao lado de sua cama, olhando o relógio. – O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO NA MINHA CAMA ÀS TRÊS DA MANHÃ?!
– Luffy...
– E além disso, você tá fedendo! O que você andou fazendo? E isso é cheiro de maconha?!
– Eu vou morrer...
– É claro que vai! Vai morrer na prisão, porque invadir camas às três da manhã é um crime gravíssimo!
– Luffy... fica calmo e me escuta...
Apesar de querer continuar a gritar, Luffy tentou fazer o que o outro mandou, depois de perceber o estado em que se encontrava. Trafalgar estava suando, com uma voz baixa, quase sumindo, e com respirações realmente muito pesadas.
– T-Torao, o que houve com você? Quer que eu chame um médico?
– Não... eu preciso de você...
– Do que você tá falando? Você tá com febre? – Luffy se aproxima para colocar suas mãos na testa do outro, mas o que obtém como resposta imediata é Law soltando um gemido graças à aproximação do outro.
– Aaahn... Luffy...
– O-O que foi isso? Você tá péssimo de verdade! O que aconteceu?
– Me beija...
– Q-Quê?
– Só me beija... por favor...
– I-Isso é algum tipo de piada? Você invadiu a minha casa só pra ficar falando essas coisas estranhas pra mim? Eu já sabia que você era meio estranho, mas eu fiquei realmente preocupado com você!
– Não é piada... Aahn... – Ele sente sua ereção ficando mais forte involuntariamente e acaba soltando outro gemido, deixando Luffy preocupado.
– Me fala logo! O que tá acontecendo?
– Lembra quando... eu te dava coisas no meu porão... e depois fazia mais coisas com você...?
– Como eu posso me esquecer? Foram os piores dias da minha vida. Eu sentia o meu corpo ficando estranho e você me tocava de um jeito horrível, mas era bom mesmo assim.
– Então... foi isso que aconteceu... o Joseph me deu a mesma droga que eu usava em você...
– Sério? BEM FEITO! Q-Quer dizer, então isso significa que ele é mesmo uma pessoa horrível e é culpado. Você tem alguma prova de que ele fez isso?
– Luffy... agora não é hora... você precisa me ajudar, se não eu vou morrer de verdade...
– Tá, eu vou chamar um médico, então fica aí me esp–
– Não... o meu único remédio é você...
– Como assim..?
– É difícil dizer, mas... você precisa fazer... as mesmas coisas que eu fiz com você... há dois anos atrás...
– QUÊ?! NEM PENSAR!
– Aaahnn... – Law acabou soltando outro gemido, segurando o lençol e mostrando um rosto cada vez mais febril, o que fez Luffy se preocupar ainda mais. Ele queria chamar um médico, mas o outro não deixava de jeito nenhum.
– T-Tem certeza?
– É o único jeito... a GHB é horrível...
Luffy P.O.V
Tá bom, não sei direito o que está acontecendo aqui, só sei que eu realmente não posso deixar as coisas ficarem como estão. Não sei se é um truque do Torao pra me enganar e me fazer dormir com ele, mas do jeito que ele está é difícil ser isso.
Deitei em cima dele, pondo meus cotovelos entre seu rosto e me aproximei, selando nossos lábios em um beijo. Me surpreendi quando eu percebi que sua boca estava um verdadeiro inferno de tão quente, e sua língua parecia mais afobada do que nunca. Gemidos também saiam descontroladamente.
Mesmo estando frio, o corpo dele queimava. Puis minhas mãos em seu moletom e comecei a retirá-lo, o que fez o Torao fechar os olhos sem perceber e deixar a boca aberta, permitindo que os gemidos saíssem contra a sua vontade. Parecia que ele estava possuído por algum tipo de demônio sexual, o que me dava ainda mais medo.
– T-Tem certeza que você vai ficar bem?
– Vou... graças a você... meu anjo...
"Meu anjo"? Tá bom, este deitado na minha cama definitivamente não era o Torao que eu conhecia. Será que é um clone? Um irmão gêmeo perdido? Seja lá o que for, ele está pior do que nunca! E isso me dá muito medo.
Depois de retirar completamente a roupa de cima, fui dando beijos em seu pescoço, descendo para seu peito. As reações dele eram imediatas, todo o seu corpo permanecia arrepiado e seus gemidos incessantes não parava um segundo de sair. Seu coração estava mais acelerado do que nunca, também.
– Luffy... tira minha calça... por favor...
– T-Tá.
Confesso que fiquei um pouco corado, e estranhei também ele estar pedindo 'por favor' e sendo tão educado. Essa droga é realmente poderosa, né? Fiz logo o que ele pediu e retirei seu cinto, abrindo o zíper e abaixando a sua calça jeans.
E logo levei outro susto. Q-Quer dizer, eu já sabia que ele estava excitado, mas aquele volume, além de estar enorme, estava latejando e pulsando como se não houvesse amanhã! Nunca havia visto o Torao neste estado, mas assim que eu retirei sua cueca, ele soltou um gemido maior ainda.
– Aaaaaahn... até que enfim... essa coisa tava me apertando...
– V-Você tem certeza que não é melhor chamar um médico..?
– Luffy... eu sou médico... a GHB é a droga do amor... e também não foi a única que eu usei...
– Você é doente, isso sim! E tá me deixando mais preocupado ainda!
– Só faz... o que tem que fazer...
– … O que eu tenho que fazer...
Finalmente percebi exatamente o que eu precisava fazer. A ideia me deu mais medo ainda, mas ao mesmo tempo, se eu não fizesse nada, ele ia morrer na minha frente e aí sim eu me sentiria culpado.
O beijei novamente. As mãos dele tentaram ir até minhas costas, mas ele parecia tão fraco que acabou falhando. Retirei a minha cueca, que era a única peça de roupa que eu usava, já que costumava dormir sem pijamas, e aprofundei ainda mais meus lábios contra os dele.
As pernas dele arrumaram forças para se entrelaçarem em minha cintura, e eu o ajudei, segurando elas com os meus braços e abrindo-as um pouco para me dar passagem. Do jeito que ele parecia ansioso por aquilo, não houve nem tempo e nem motivo para uma preparação, então me posicionei para entrar dentro dele.
– AAaaaaaahhh!
Ele soltou o gemido mais alto que conseguia e seus braços finalmente alcançaram minhas costas, me arranhando o mais forte possível e me trazendo para mais perto dele. O beijei de novo, iniciando os movimentos de estocadas.
Eu nunca pensei que haveria um dia em que isso fosse existir. Há dois anos atrás, ele me amarrou num porão e me fez tomar várias drogas estranhas e, pra piorar, ainda me chamava de masoquista. Agora é ele quem está na mesma situação que eu. Quem é o masoquista agora?!
Mesmo assim, eu não me sinto exatamente feliz com isso. Eu não sou vingativo. Nunca quis ver o Torao passar por isso, pelo contrário, queria exatamente que ele se transformasse em uma pessoa melhor e parasse de fazer merda toda hora. Bom, pelo visto isso não foi possível por enquanto, mas eu vou continuar tentando.
E o pior de tudo, é que eu tenho certeza, ele vai acordar amanhã e não se lembrar mais de nada. Isso tudo vai ser como se nunca tivesse existido, já que eu nem mesmo tenho certeza se ele está consciente neste momento.
– Torao...! Aahn..!
– Luffy... meu amor... você não imagina o quanto eu senti a sua falta...
Sem dúvidas, o mais estranho de tudo era ver o jeito que ele me tratava. Só mesmo uma droga tão forte como essa pra fazer um monstro insensível como ele falar coisas tão melosas, mas não era de todo tão ruim. Isso é melhor do que ter ele me batendo ou dizendo coisas horríveis, ao menos.
– Torao...
– Aaahn... Luffy...! Eu te amo tanto... você nem imagina...
Quanto mais fundo eu ia, mais os seus gemidos iam ficando fortes. Ainda assim, o membro dele permanecia extremamente duro, mesmo batendo em minha barriga enquanto eu realizava os movimentos. Pelo menos o seu coração estava batendo em uma velocidade normal agora, então não tinha mais riscos dele ter algum tipo de parada cardíaca.
Devo confessar, depois dele ter ficado mais calmo, eu pude ver como o seu rosto ficava diferente naquele estado. Estava vermelho e ele não tinha mais o rosto de um assassino psicopata, e sim, agora mais parecia um anjo... se é que isso é possível.
– Posso te perguntar uma coisa...?
– Claro... qualquer coisa...
– Você vai lembrar disso amanhã? – Mesmo não sendo um bom momento, senti necessidade de perguntar.
– Não... não depois de ter tomado tanta coisa... por quê?
Tem uma coisa que eu sempre quis dizer, mas nunca tive totalmente certeza de que poderia ou não. Nem mesmo eu entendia como tudo isso foi acontecer, como eu fui começar a gostar de um monstro como ele... talvez eu seja mesmo um masoquista no final das contas.
– Porque cada vez mais eu tenho certeza, de que eu amo você, Torao.
Ah, eu acabei dizendo! Escorregou, saiu sem querer, mas eu acabei dizendo! Pra falar a verdade eu já teria dito isso há muito tempo, mas eu ficava com receio da reação que ele teria. Não quero que ele pense que eu vá começar a namorar com ele ou algo do gênero, já que eu definitivamente não vou.
Fui obrigado a interromper os movimentos com a reação dele. Seus olhos olhavam para mim como se fossem chorar, e seus gemidos incessantes finalmente pararam de sair. Seu corpo voltou a temperatura normal, embora a voz dele continuasse baixa. Por um segundo achei que ele tivesse recobrado a consciência.
– Luffy... o que você...
– T-Torao, desculpa! – Fiquei nervoso. – E-Eu não devia ter feito isso! – Queria fugir dali, esconder a minha cabeça debaixo de alguma pedra e fingir que minha existência nunca foi real. Porém, antes que eu pudesse me afastar, ele me puxou para um abraço e começou a chorar.
– Eu não acredito que você disse...! Você disse mesmo, Luffy, você disse que me amava e isso me fez a pessoa mais feliz do mundo!
– S-Sério?
– Sim, eu nem posso acreditar! Isso provavelmente é um sonho, e se for, eu espero que eu não acorde nunca mais...
Bom, aí eu percebi que ele continuava sob efeito da droga. Isso me deixou feliz, já que ele iria esquecer tudo no dia seguinte mesmo. Desse jeito, quando ele estiver com a consciência totalmente retomada, talvez eu consiga dizer isso em um momento melhor do que esse.
Eu não posso deixá-lo pensar que pode me ter facilmente. Se eu disser que o amo, ele vai ficar mais insuportável do que já é. Eu preciso colocar o Torao na linha antes de dizer qualquer coisa a ele de verdade, mas pelo menos assim eu pude ter uma ideia de qual seria a sua reação quando eu contasse de fato.
Continuei com os movimentos, já que o membro dele ainda continuava duro feito pedra, até o efeito da droga passar totalmente. Ele me abraçava o mais forte possível, de um jeito que eu não pudesse escapar de seus braços nem se eu quisesse.
Os movimentos foram se intensificando até ele gozar na minha barriga e eu gozar dentro dele. Depois disso, eu rolei para o outro lado da cama, puis minha cueca de volta e me deitei em seu peito. Ele fez a mesma coisa e ficou fazendo cafune no meu cabelo antes de nós dos dormirmos de vez.
– Luffy, posso te falar uma coisa? Duas coisas, aliás.
– Pode...
– A primeira é que, mesmo eu tendo pedido por isso, eu ainda prefiro quando eu te como, e não ao contrário.
– Ah não, você voltou a falar coisas estranhas de novo! Que saco, eu prefiro muito mais o Torao romântico do que você, seu monstro insensível.
– Brigado pelo monstro insensível. Agora eu posso falar a segunda coisa?
– Que seja, fala logo. Eu quero dormir.
– Eu não vou me lembrar de nada disso amanhã, e eu sei que você também não vai voltar a dizer, mas quando você disse que me amava... eu nunca me senti tão feliz. Obrigado por tudo, de verdade.
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