Policial Sujo

30 Cerimônia das Revelações


Notas iniciais
Não tenho certeza se isso é um enterro ou um ponto de encontro...

Luffy P.O.V

Um pouco atrás, nós recebemos a notícia de que o Eustass tinha se suicidado na prisão, então acabamos não indo almoçar. Eu tô com fome, mas como o Torao tinha recebido uma ligação da suposta “mãe” dele, nós tivemos que ficar. Na hora eu até me assustei porque primeiro eu descubro que ele tem um irmão, depois um tio e... agora mãe também? Será que ele tem filho?

Mas depois ele acabou me explicando a história direito, não é a mãe dele de verdade. Acontece que, depois que o pai dele morreu, ele e o Eustass acabaram indo morar juntos e por algum motivo, a mãe do Kid parece tê-lo adotado. Agora eu estou aqui, ouvindo a conversa deles e eu devo dizer que é a mais FALSA que eu já vi.

Luffy P.O.V off

Eu senti tanto a sua falta...” – A mãe conversava no telefone com Law, com uma voz doce e suave – “Depois que você saiu de casa nunca mais mandou mensagem, cartas, nada.”

– Desculpa, muita coisa acabou acontecendo aí eu fiquei sem tempo de ir te visitar. – Law falava com um semblante triste. – E também teve toda essa confusão de prisão...

Vocês dois foram presos? Aqui não tem jornal, não tem televisão, não tem nada, eu não sabia! Vocês ficaram bem?”

– Sim, nós acabamos ficando na mesma cela então tudo ficou certo.

Mas lá era frio? Você tinha um agasalho? O lugar era limpo? Você se vacionou contra as bactérias de lá? Tomou seus remédios de ansiedade na hora certa? Usou um agasalho pelo menos? Ai, eu fico tão preocupada com a sua saúde...”

– Sim, sim, sim, eu sei me cuidar, mãe, eu sou médico. Até fiz alguns amigos lá.

Ah, que maravilha! E é verdade que você matou todas aquelas pessoas, Traffy?”

– Claro que não, armaram pra mim! Eu nunca faria nada daquilo, você sabe disso.

“Eu sei, meu amor, eu te conheço, não tem como você ser culpado. Você é tão bonitinho, tão bonzinho e bem educado, não me dava o menor trabalho... diferente do Eustass...”

– Eu sinto muito por ele.

Tudo bem, acontece. Você sabe quem armou pra você, Traffy?”

– Sei, foi aquele ruivo malvado perseguidor.

Oh, quer que eu fale com ele? É feio ficar acusando as pessoas de coisas horríveis como essa! Logo você... eu quase não acreditei quando soube que você tinha sido preso.”

– Deixa isso pra lá, o importante é que eu fui solto porque eu sou inocente.

Sim, e como você está? Tem se alimentado direito? Você era tão magrinho...”

– Eu tô bem, mãe.

Eu quero te ver, Traffy, eu me preocupo com você. Você vai ao enterro do Eustass?”

– Claro que sim! Ele é praticamente um irmão pra mim, eu nunca deixaria de ir.

Ah, que bo... sim, sim, eu tô falando com ele, quer dizer alguma coisa?”

– Tem alguém com você?

Sim, o William tá aqui comigo. Ele disse que quer falar com você.”

– Ah, não...

TRAFALGAR!” – De repente, uma voz masculina surge com raiva. Era o pai de Kid. – “É VOCÊ QUE TÁ AE?”

– Tsc, velhote, eu não sou surdo.

VOCÊ É UM INCONSEQUENTE! Inútil, imprestável, imprudente, irresponsável, insensato... SEU LIXO DE SER HUMANO! Eu sempre soube que você seria igual ao bosta do seu pai!”

– Cala boca, não me compare com o meu pai!

OS DOIS SÃO ASSASSINOS! Tsc, você pode até tentar enganar a Amelia, mas não vai achando que eu acredito na sua inocência! E o pior, você corrompeu totalmente o meu filho!”

– SEU FILHO É UM IMPRESTÁVEL!

PORQUE VOCÊ DEIXOU ELE ASSIM! Foi por sua culpa que ele fez todas essas merdas, que ele se tornou alguém como você! Foi você que enfiou o meu filho no mau caminho!”

– Vai se foder, eu nunca forcei ele a nada, ele é que nasceu desse jeito! Provavelmente pelos seus genes, seu velhote inútil!

Argh, você não tem noção de como é o desgosto de um pai vendo o filho se envolver com marginal, eu sempre disse pra ele ficar bem longe de você! Foi por sua causa que ele morreu!”

– Eu não tive nada a ver com isso, ele se matou porque ele é um idiota. E tava demorando pra morrer, se você quer saber!

Cala boca, eu não quero ouvir você dizer isso! Você matou meu filho!”

– MATEI! Matei mesmo, e se você reclamar eu MATO DE NOVO, agora cala a porra da sua boca porque eu mando dinheiro pra minha mãe todo mês e é por minha causa que você tem onde cair morto, velhote!

EU NÃO PRECISO DO SEU DINHEIRO SUJO! E para de chamar a Ama desse jeito, ela não é a porra da sua mãe, você não é o meu filho! Vai arranjar outra família pra importunar!”

– Cala boca, eu chamo quem eu quiser de mãe! E eu não preciso ficar te ouvindo, velhote. Tchau!

Trafalgar, enfim, desligou o telefone e finalizou a conversa com os pais biológicos de Eustass Kid, William Eustass e Amelia Dyer, ou apenas “Ama”. Seus amigos da Scotland Yard estavam todos reunidos na mesma sala e não deixaram de se assustar com os gritos que ele dava.

– Nossa, quanta raiva. – Luffy comentou. – Você começou a conversa tão bem.

– Argh... – Ele estava com muita raiva. – Esse velhote me cansa, eu achei que nunca mais teria que ouvir a voz enjoada dele. Ele consegue ser pior que o Kid!

– Eu até entendo a raiva dele, ele acabou de receber a notícia de que o filho era um assassino e morreu, não deve ter sido fácil. A mãe dele tá bem com isso?

– Sim, minha mãe sempre se preocupou muito mais comigo do que com ele.

– É serio que você chama ela de mãe..?

– É um lance antigo, mas que seja. Agora eu vou precisar ir nesse enterro idiota.

– Relaxa, é só daqui há dois dias, ainda vai demorar.

– Que bom.

Dois dias depois...

– Porra, o tempo passou muito rápido!

Enfim, era um belíssimo dia de sol! Em plena Inglaterra uma tarde ensolarada e radiante, digna de ficar o dia inteiro na praia, nossos dois rapazes estavam se arrumando para ir ao enterro de Eustass Kid, um médico legista que havia sido preso e pego quatro prisões perpétuas por assassinato.

A gloriosa tarde erradiava no coração de Trafalgar, que estava em um combo de sentimentos internos. Ele não queria ir ao local por sentir que teriam várias pessoas que o odiavam, algumas até desejando sua morte, além de não querer encontrar tanto o pai de Eustass quanto o túmulo de Kid, já que simplesmente enfiou em sua cabeça que o odiava.

Mas enfim, acabaram chegando ao local. Era um cimitério com um gramado bem verde, cheio de pessoas com roupas pretas. Os parentes distantes de Eustass, seus antigos amigos de trabalho e até mesmo de faculdade, além de uma galerinha da prisão que já havia ganho liberdade, estavam lá.

– Chegamos. – Law disse. Ele e Luffy ainda estavam distantes e viam o cenário sordido ao longe, estudando que tipo de pessoas estariam ali. – Até que tá bem cheio.

– Você conhece essas pessoas?

– Pior que sim...

– Então vamos.

Os dois foram andando em direção ao grupo de pessoas reunidas, contudo, como sempre, algo estranho aconteceu. Assim que se aproximaram e foram notados, todos pararam o que estavam fazendo e ficaram encarando veementemente Law, sussurrando coisas entre si. Dezenas de pessoas reunidas cravando fixamente seus olhares no pobre médico que se sentiu atingido.

– C-Caramba, tá todo mundo olhando pra mim... – Ele ficou um pouco recluso. – Oi...

– E eles não parecem gostar muito de você. – Luffy diz, igualmente incomodado.

AI, LAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAW!!

– Hein?

Do meio do nada, um grito foi ouvido e prevaleceu, contudo, não foi a pior parte. Uma garota de aproximadamente 1,60m de altura, longos cabelos loiros com partes pintadas de rosa e olhos azuis começou a correr em direção ao pobre médico, que não sabia muito bem como reagir, mas logo acabou sendo subitamente abraçado.

– Eu senti tanto a sua falta! – A garota, que falava muito alto, abraçou Law até mesmo antes dele notar quem era. Acabou assustando tanto o próprio como Luffy, uma vez que o menor nem sequer percebeu de onde ela surgiu.

– E-Ei, m-me larga! – Ele dizia, odiava abraços. – Quem é você, sua louca?

– Ain, eu achei que nunca mais fosse te ver! – Mas ela o ignorou e continuou o abraçando, até mesmo chorava um pouco graças ao clima do enterro. – Eu sinto muito pelo seu marido!

– O Kid não é meu marido... – Law tentava dizer, porém era ignorado como sempre.

– Ele era uma boa pessoa. – Continuou no abraço.

– Ok, agora me larga. – E ele se afasta, a empurrando levemente e acaba se lembrando ao vê-la. – Ah, é você, Nicolle.

– Nossa, você cresceu. – Ela comenta, uma vez que o outro tinha trinta centímetros a mais de altura. – Que coisa, por que todo mundo que eu conhecia tá mais alto que eu?!

– Pode crer, você era maior que eu. Você encolheu?

– Eu não cresço desde os quinze... – Diz, com uma cara de extrema depressão, mas logo volta ao normal e olha para Luffy. – Oi!

– Oi! – Luffy responde. – Você é a Nicolle, que estudou com o Torao na faculdade?

– Isso! Ele falou de mim?

– Falou sim, aliás, eu sou Luffy, nós estamos namorando. – Ele a cumprimenta.

– Namorando? – Ela fica surpresa e vira para Law. – Nossa, seu marido morre há dois dias e você já arruma outro? Que rápido!

– Como eu já disse–

– Q-Quer dizer, de-desculpa! – Antes que Law se explicasse, ela o interrompe e põe as mãos na boca. – Eu falei sem pensar, isso foi meio desnecessário!

– Nicolle. – Law põe as mãos no ombro dela e a encara nos olhos. – Eu e o Kid nunca nos casamos.

– Não?

– Não.

– Só namoraram?

– Nunca namoramos.

– Mas como isso? Quer dizer, eu lembro perfeitamente de vocês dois lá na faculdade, ele vivia correndo atrás de você e fazia várias declarações de amor, você nunca deu bola!

– Sim, isso durou a vida toda, eu nunca dei bola.

– Ai credo, como você é malvado. Agora eu entendi porque você foi preso.

– Eu fui preso por matar pessoas, não por destruir os sonhos de um garoto apaixonado.

– Pra mim o segundo crime é pior que o primeiro...

Nicolle Gilles é uma jovem de trinta e cinco anos que fez faculdade junto com Eustass Kid e Trafalgar Law, mas atualmente trabalha como modelo, atriz e cantora. Por ser muito sensível e conhecer o ruivo desde a adolescência, ela estava com a maquiagem um pouco borrada graças às lágrimas, mas não se importava muito.

– Desculpa, Luffy. – Ela diz. – Acho que é chato ficar falando de ex, é que eu passei a minha vida inteira achando que eles tivessem ficado juntos no final.

– Ah, tudo bem. – O jovem não se incomoda. – Eu não tenho ciúmes do Eustass.

– Enfim, eu desejo felicidade a vocês dois! – Ela tira da bolsa um cigarro e coloca-o na boca, acendendo. – Foi mal, eu fico meio ansiosa em enterros.

– Eu não achei que fosse te ver aqui. – Trafalgar fala. – Pelo que eu soube você tava na Ásia.

– Ah, eu tava, eu acabei de pegar um helicóptero pra cá. Eu não queria faltar ao enterro do Kid, tipo, eu fui visitá-lo na prisão ano passado e ele me contou que você tinha saído.

– Tinha muita gente na prisão que te conhecia, sabia?

– É, eu sou famosa.

– Não, não é isso, eles te conheciam pessoalmente. Disseram que eram seus amigos e tudo mais.

– Ah, sério? Pera, é o pessoal do Karatê?

– Isso.

– Hahahahaha, eles foram presos? Que otários! – E ela também retira de sua bolsa uma vodka pura, bebendo-a. – Brigado por isso, eu precisava rir um pouco. Eu tô com muitos problemas ultimamente.

– Tipo quais?

– Eu descobri que tô grávida de um russo que eu fiquei há três meses, só que eu fui banida da Rússia mês passado. Eu tô querendo jogar a culpa do filho em um produtor que ficou de me dar um tour na França, mas ele é gay e não bebe, aí fica difícil.

– Que legal.

– N-Não é melhor você parar de beber e fumar? – Luffy diz, preocupado. – Isso faz mal pro bebê...

– Relaxa, minha mãe fazia isso também. Além disso, eu não vou aguentar ficar sem beber no enterro de uma pessoa que eu gostava tanto.

– Falando nisso, sabe se a minha mãe tá ai? – Law pergunta. – Eu só vim por causa dela.

– A sogrinha? Ahhh, eu não vejo ela há tanto tempo também! Ela deve chegar daqui há pouco.

– Sogrinha? – Luffy indaga, com os cenhos arqueados.

– Na faculdade todo mundo chamava a mãe do Law assim, era tipo um apelido carinhoso.

– Por quê?

– Isso não importa, só parem com esse apelido escroto. – Law resmunga. – Esse lance já deu e já acabou há séculos.

– Tá, tá, foi mal, é só o costume. – Ela diz. – Bom, mas daqui há pouco o enterro começa de verdade, então é melhor nós irmos nos sentando.

Na cerimônia fúnebre, além do altar onde ficava o caixão e algumas fotos, também havia diversas cadeiras que eram aonde os três foram sentar-se e não demorou muito para que um padre começasse a proferir uma espécie de missa. Eis que, durante o enterro, duas outras pessoas surgem e acabam voltando toda atenção para si.

– Nossa, já começou. – Uma mulher alta com cabelo afro branco, que antigamente era ruivo, óculos grossos e pesados além de uma face gentil chegou, calmamente, sem estar triste ou coisas do gênero. Ela também estava carregando uma bandeja cheia de biscoitos. – Nós nos atrasamos.

– Eu disse que não dava pra confiar naquela bosta de carro. – Um senhor de estatura mediana, cabelos igualmente brancos, usando óculos e uma bengala também chegou acompanhando a outra. – Se você tivesse me ouvido nós não estaríamos chegando agora.

– Não precisa ficar brigando comigo, eu só quero encontrar o Traffy. Será que ele chegou?

– Tsc, espero que tenha morrido no caminho, aí faríamos um enterro duplo e seria mais barato.

E, por quanto essas duas pessoas chegavam, as atenções iam se direcionando a elas também. Law e Nicolle ignoraram totalmente a presença do padre que fazia a cerimônia para irem lá encontrá-los.

– Sogrinha/Mãe! – Os dois exclamaram automática e instintivamente, deixando Luffy sentado no banco sozinho e correndo para encontrá-los. Iam tão rápido e gritavam tão alto que até fez com que todas as intenções se voltassem para si.

– Traffy! – Ela também exclama ao vê-lo, mas logo que Trafalgar se aproxima ele acaba pegando-a no colo, mesmo ela sendo mais alta e pesada, de um jeito que saísse do chão completamente. – C-Calma, eu vou cair!

– Eu senti tanto a sua falta! – Ele finalmente a coloca no chão. – Eu achei que nunca mais iria te ver.

– Meu Deus, como você cresceu! – Ela fica olhando bem para seu rosto e acariciando seus cabelos. – Você tá tão bonito, Traffy, tão alto... eu não te vejo desde que você se formou.

– Desculpa, eu sei que deveria ter ido te visitar, mas aí aconteceram tantas coisas...

– Sogrinha! – Nicolle também chegou e a abraçou. – Faz tempo que eu não te vejo também, lembra de mim?

– Nicolle, você também cresc... quer dizer, amadureceu. Eu já não vejo vocês dois há tanto tempo, vocês crianças crescem tão rápido, parece que era ontem que ainda estavam se reunindo lá em casa pra brincar e estudar!

– É uma pena que cada um tenha seguido a sua vida. – Nicolle diz. – Era tão divertido sairmos juntos.

– Ah sim, e eu também fiz biscoitos. – Ela mostra a bandeja cheia deles, com diversos símbolos felizes de unicórnios e gatinhos, alguns coloridos e outros com granulados.

– V-Você fez?! – Os dois exclamam surpresos.

– Sim! Tem de paz, amor, harmonia, fraternidade, amizade... Querem?

– Claro! – E ambos pegam vários diferentes.

– Ei, moleque! – Contudo, a outra pessoa se manifesta. Era o pai de Eustass, que utilizou sua bengala para bater bem no meio da cabeça de Trafalgar. – Vai me ignorar?

– Ai, velhote! – Ele reclama com raiva. – Vai ficar batendo na minha cabeça com isso até quando?

– Até eu morrer! – William bate na cabeça dele de novo, com mais força dessa vez. – E não me chame assim! – Bate de novo. – Eu não sou velho, idiota!

– Tsc, se depender de mim você morre hoje! Não tá afim de fazer companhia ao seu filho lá no inferno, não?

– Cala boca! – Bate de novo. – Seu assassino desordeiro! – De novo. – Tenha o mínimo de respeito com a morte dos outros!

– CHEGA! – Ele se revolta e pega a bengala do homem. – Cansei de você me batendo com essa porra, vai à merda, eu não sou mais criança!

– E-Ei, me devolve a minha bengala, sem isso eu não consigo andar! – Ele fica se desequilibrando, mas logo se apoia em Nicolle para não cair no chão.

– Law, devolve pra ele! – Ela fala, preocupada com o outro.

– Isso é encenação, ele consegue muito bem andar sozinho sem esse troço! – Law exclama. – Só usa essa porra pra me bater!

– Viu só como esse encrenqueiro não tem o mínimo de respeito pelos mais velhos? – William se defende. – Olha aqui, eu tenho Parkinson, Esclerose, Osteoporose, Hipertensão, Diabetes, Osteoartrose, Catarata, Pneumonia, Alzheimer e Alzheimer, eu preciso da minha bengala pra andar, seu merdinha!

– T-Torao, devolve a bengala pra ele... – Luffy chega, vendo a situação.

– Tsc, só porque o Luffy pediu. – E assim, Trafalgar devolve a bengala ao outro. – Toma.

– Seu arruaceiro! – William volta a bater nele. – É claro que eu uso ela pra te bater, pra ver se assim você arruma um pouco de bom senso! – Bate de novo.

– William, para de bater no Traffy! – A mãe dele reclama, mas logo tem seu olhar direcionado para Luffy. – Oi! Qual é o seu nome?

– Ah, eu sou Luffy, namorado dele.

– Jura? – Ela abre um enorme sorriso, da ponta de uma orelha a outra. – Eu sempre quis que o Traffy se casasse com alguém e agora ele aparece assim, que felicidade!

– Mas nós ainda não estamo–

– Vocês estão casados há quanto tempo? Já tem filhos? Eu sempre quis ter netinhos, mas o Eustass nunca me deu nenhum.

– N-Não, nós–

– Mas você é muito magrinha! Precisa se alimentar melhor, o Traffy não te dá comida? Se quiser eu trouxe alguns biscoitos ou se preferir eu faço uma comida pra você.

– E-Eu sou homem, tá?

– Se você continuar magrinha assim vai ser difícil engravidar, a dor no parto vai ser pior.

– N-Não, m-mas eu sou–

– Desculpa por ficar falando assim, é que eu sempre quis ver meus filhos casados e com outros filhos. O Eustass não me deu esse presente...

– Mãe. – Law segura o ombro dela. – O Luffy é homem.

– Oh, é?

– S-Sim, eu sou... – Luffy diz, meio constrangido.

– Desculpa, meus óculos estão meio borrados.

Sendo assim, ela tirou seus óculos do rosto para limpá-los e eles eram tão incrivelmente grossos que mal dava para perceber seus olhos verdes radiantes; além disso, também tinha uma cicatriz enorme em seu rosto, passando tanto abaixo de seu olho quanto por seus arredores. Luffy até se assustou um pouco.

– Essa sua cicatriz...

– Mas então, Traffy. – Ela volta a sorrir assim que coloca seus óculos. – Eu já imaginava que você não viria com uma roupa de frio, eu sempre fico preocupada em você pegar um resfriado, então eu tricotei um suéter pra você.

– Verdade?

Ela também retira de sua bolsa um suéter cor de rosa, feito de modo caseiro, escrito “Melhor filho do mundo“ em letras grandes e bem chamativas. Antes que Law pudesse ver a peça, sua mãe já vai colocando a roupa em si, independente dele estar com outras por baixo ou não.

– Ficou muito bom! – E comemora com olhos radiantes.

– B-Brigado. – Law agradece, vendo a peça em si. – Eu sentia falta desses seus presentes.

– Eu também fiz pra você, Nicolle. – Ela retira da bolsa outro suéter, dessa vez azul e escrito “Amigos para sempre”, com flores desenhadas e o entrega. – Só talvez fique um pouco grande porque eu pensei que você tinha crescido.

– Awn, obrigada! – Ela agradece e guarda o presente. – Os seus suéteres são os mais confortáveis, até hoje eu guardo os que você me deu.

– Luffy. – A mãe de Law se vira para ele. – Eu não sabia que o Traffy estava namorando, então eu não fiz um suéter pra você.

– Ah, não tem problema. – Ele responde.

– Claro que tem. Por sorte eu trouxe meu tricô, ele tá lá no carro, eu vou fazer um pra você agora!

– N-Não precisa, sério...

– Precisa assim! Vem, vamos lá pra eu tirar as suas medidas. – E assim, ela segura na mão do garoto e começa a correr, o arrastando até onde estava seu carro.

– E-Ei, esperem aí, não me deixem sozinho aqui! – O pai de Eustass também vai correndo atrás deles, mesmo sem usar sua bengala.

Logo, tanto ela como Luffy e William estavam do lado de fora da cerimônia de enterro, no carro deles. Amelia estava verificando as medidas de Luffy, pronta para fazer um suéter vermelho escrito “Melhor genro do mundo”, ao mesmo tempo em que o garoto resolve perguntar.

– Posso te perguntar uma coisa? – Ele diz, meio sem saber muito bem como dizer.

– Claro!

– Na época da faculdade, o Torao tinha um grupo de amigos, né? Com a Nicolle e outros três.

– Sim, sim, eles gostavam de ir lá pra casa. Eu sempre fazia vários biscoitos, eram todos muito gentis.

– Entre eles tinha algum ruivo sem ser o Eustass?

– Sim...

– Qual era o nome dele?

– Ah, agora que eu lembrei, eu tenho um álbum de fotos aqui! – Ela retira de sua bolsa o álbum e começa a folheá-lo. – Tem algumas fotos do Eustass e do Traffy quando eram crianças.

– Ah, mas eu queria saber se–

– Essa aqui foi antes de entrarem na faculdade! – Ela diz, apontando para as fotos. – Essa é quando o Eustass ganhou um cachorrinho pela primeira vez.

– Legal, mas eu–

– Já esse foi de quando o Traffy ganhou um gatinho.

– Ele teve um gato? Eu achei que ele não gostasse de animais.

– Tem essa também, aqui os dois já estão formados! Mas tem outras deles de jaleco, os dois eram tão amigos, faziam tudo juntos.

– Eu sei, eu sei, mas eu queria saber desse outro amigo ruivo.

– Por quê?

– Só curiosidade...

– Ah, essa foto aqui foi de quando o Eustass e o Traffy estavam andando a cavalo!

– Ok...

Ao mesmo tempo em que Luffy buscava a resposta de suas perguntas sem êxito, Trafalgar e Nicolle continuavam assistindo ao enterro de Eustass. O padre já tinha acabado de proferir a missa, então ambos resolveram se unir e ir até o caixão do ruivo.

– Olha só o que eu trouxe. – Nicolle diz, tirando de sua bolsa um papel amarelo. – Lembra disso? Da flor de Lily?

– Claro que lembro, não sabia que você também usava isso ainda.

– Certas coisas são inesquecíveis. – Assim, ambos fazem o origami que significava acima de tudo “proteção” e colocam no caixão. – Falando nisso, posso te perguntar uma coisa?

– Pergunte.

– O que aconteceu entre você e o Drake?

– Huh? – Ele fica confuso. – Por que você tá perguntando isso?

– Ah, é que desde aquela época...

– Deixa isso pra lá, não foi nada demais. Só esquece.

– Mas por que o Kid–

– Nicolle, esquece. O Kid não fez nada.

– Tá bom...

– Ah, mais uma coisa, provavelmente o Luffy vai te perguntar sobre isso também. Finge que não sabe de nada.

– Mas–

Trafalgar! – Contudo, antes que os dois pudessem continuar a conversar, outra pessoa surgem em frente ao moreno. Era só um conhecido que ele e Kid tinham em comum. – E aí, quanto tempo!

– Oi. – Respondeu seco.

– A gente não se vê há tempo, né? Eu sinto muito pelo seu marido.

– Caralho, por que todo mundo acha que eu e o Kid estávamos casados?!

– Mas que seja, vem cá! O pessoal tá querendo falar contigo, poxa, a gente nem sabia que você tinha saído da prisão.

– Não, mas eu–

– Vem, vamos! – E assim, o desconhecido puxa Law e o arrasta pra longe, deixando a loira parada, sozinha. Entretanto, não demorou muito para que Luffy chegasse os procurando.

– Cadê o Torao? – Ele pergunta, vendo somente Nicolle. – A mãe dele disse que ficaria fazendo o meu suéter.

– Ah, ele acabou de sair com uns amigos.

– Amigos confiáveis?

– Não sei, não conheço.

– Então tá bom. Aliás, por que você chama a mãe dele de sogra?

– Ah, não é nada demais, ela nunca foi minha sogra de verdade nem nada do tipo. É que rolou uma parada lá na faculdade e desde aquilo nós chamamos ela assim.

– Que parada?

– Não sei se eu posso te contar...

– Pode me contar sim, eu gosto de saber do que o Torao faz.

– Ele te contou que foi expulso da faculdade?

– Expulso?! – Luffy fica surpreso.

– É! Hahaha, foi até engraçado porque ele era o segundo melhor aluno, todos os professores gostavam dele. Foi bem trágico.

– Foi trágico ou engraçado..?

– Os dois, eu acho.

– Por que ele foi expulso?

– Ele se juntou a gente errada, foi um período bem tenso! Eu nunca pensei que ele faria aquelas coisas, ele era tão fofinho... bom, mas ele virou um assassino, então...

– Deve ser meio estranho encontrar o seu amigo de infância e descobrir que ele é um assassino, não?

– Ah, não, é de boa, eu não tenho preconceito.

– Não acho que seja questão de preconceito...

– Mas quando eu soube eu fiquei realmente surpresa.

Mini flashback dela

Foi quando eu estava em Malibu, aí eu li em um jornal que eles tinham sido presos.

Médicos da Morte, Trafalgar Law e Eustass Kid condenados pelo assassinato de cerca de duzentos pacientes!”

– NÃO ACREDITO! – Na hora eu levei um susto. – Eles... eles... e-eles realmente ficaram juntos no final! Ah, eu sabia.”

Fim do Mini flashback

– Enfim, mas depois que ele foi expulso eu nunca mais o vi, nós acabamos perdendo contato.

– Pera, então o Torao se formou em uma faculdade diferente da sua?

– Sim, sim. Uma aqui nessa cidade, aliás.

– E na sua faculdade tinha um cara chamado Drake?

– Não...

– Verdade?

– Q-Quer dizer, não sei, isso faz tanto tempo. Foi há quinze anos e tudo mais.

– Mas tenta se lembrar...

– Luffy, eu–

– Oi, gente. – Mas antes que ela pudesse dizer outra coisa, Law surge. – Foi mal, um grupo de idiotas ficou me importunando.

– Você foi expulso da faculdade?! – Luffy pergunta, abismado.

– Oi? Não. – Law responde. – De onde você tirou isso?

– Não? – Nicolle questiona.

– Claro que não, por que eu seria expulso? Eu tinha as melhores notas e os professores me amavam.

– Mas depois que você saiu da faculdade disseram que você tinha sido expulso.

– Eu saí da faculdade porque eu fui transferido pra uma melhor, aqui no centro da cidade. Quem foi o idiota que disse que eu fui expulso?

– Foi o–

– Esquece, pergunta idiota.

– Quem foi?!

Luffy continuou perguntando, querendo muito saber mais sobre a pessoa que suspeitava ser o “D”, mas não obteve nenhum tipo de resposta significante. Até outra pessoa aparecer ali, era William, o pai de Eustass, se aproximando com raiva e com sua famosa bengala que gostava de usar para bater em Law.

– Ei, garoto. – Chegou falando com Luffy. – A Ama tá querendo falar contigo sobre o suéter.

– Tá bom, eu vou lá falar com ela.

– Você parece legal, não sei o que faz com um moleque desordeiro como o Trafalgar.

– Ei, ei, ei, ei... – Law reclama. – Vai parar de implicar comigo quando, velhote de merda?

– Cala boca! – Willian bate na cabeça dele. – Não posso comemorar o fato de você ter arrumado alguém fixo? Toda hora levava gente estranha pra casa! – Bate na cabeça dele de novo. – Pelo menos agora sossegou!

– Hã, isso lá é jeito de comemorar a felicidade de alguém? E para de falar merda de mim!

– Eu não preciso falar merda de você, você já é um merdinha! – Bate na cabeça de novo. – E foi só uma maneira de dizer que eu fiquei feliz por você ter arrumado alguém que preste!

– Como se você ficasse feliz por mim, velhote inútil! E que merda de indireta é essa?

– Indireta nenhuma, direta mesmo! – Bate de novo. – Além de fazer o meu filho virar um fresco você ainda ficava trazendo aquele loiro inútil pra dentro de casa! – Bate de novo. – Toda hora quebrava alguma coisa! – Bate de novo.

– Ei, não fala mal do Cora-san! – Contudo, Law se revolta e segura a bengala dele de novo. – Tsc, eu só não te mato porque a minha mãe gosta de você!

– Eu falo o que eu quiser! – Ele volta a pegar sua bengala e bate no outro. – Vocês estragaram a vida do meu filho, dois merdinhas!

– Parem de brigar, vocês dois... – Nicolle tenta os separar.

– Impossível, isso nunca vai parar! – Mas Law a ignora. – Essa porra só sabe me bater com essa bendita bengala de merda, só sabe reclamar o dia inteiro, a maior felicidade da minha vida foi sair de casa e nunca mais olhar pra sua ca–

– PARA COM ISSO! – Contudo, já com raiva, Nicolle resolve pegar o braço de Law e o faz dar uma cambalhota no ar, usando um golpe de karatê, até que o médico caísse de costas no chão, com ela por cima dele, torcendo sua mão. – Não fala mal do pai do cara no enterro dele!

– Aaaai, tá doendo! – Law gritava no chão, tendo tanto sua mão como seu braço torcidos e suas costas quase-quebradas. – Para com isso, sua bruxa!

– Não vou parar até você pedir desculpas! – Nicolle o apertava enquanto sentava em cima dele, para impedi-lo de escapar.

– Eu não, ele que peça desculpas por existir!

– Tem certeza? – Ela o contorce mais forte ainda.

– AAAAAAAI! T-Tá bom, tá bom, desculpa! Desculpa!

– Ótimo. – Ela sai de cima dele.

– Heh, otário. – O pai de Eustass comemora com um sorriso.

– Tsc... – O coitado do Law já estava com sua cabeça doendo e agora também com dor no braço e nas costas. – Filhos da mãe...

– Bom, eu vou lá ver a Ama e o garoto. – Willian se despede. – Tchau!

Mais uma vez, Trafalgar, que já estava morrendo de dor no corpo depois de tanto apanhar, ficou sozinho com Nicolle. A cerimônia de enterro já estava no final, alguns já haviam ido para casa, outros, atacavam a mesa de comida. Contudo, uma pessoa tinha acabado de chegar, um tanto quanto atrasado.

Ooooooiieeeee! – E essa pessoa que acabara de chegar tratava-se de Brad Pittyson, que foi correndo em direção a Law e à loira. – Mano Law, cheguei!

– B-Brad? – Law se espanta. – Você veio?

– Mas é claro! O mano Eustass era meu amigão na prisão que nem você, eu não perderia esse dia.

– Mas... tá todo mundo indo embora já...

– Ah, é que a minha religião tem outra cerimônia né, aí eu me reuni com o meu sacerdote. Não se preocupa, o corpo e o espírito do mano Eustass já estão purificados!

– Que bom, eu tenho certeza que ele adoraria ser purificado.

– Oi! – Nicolle diz. – Meu nome é Nicolle, eu, o Law e o Kid éramos amigos na faculdade.

– Ah, oi! Meu nome é Brad Pittyson, eu conheci os dois na prisão.

– Jura? E o que você fez pra ser preso? Desculpa, eu sou muito curiosa.

– De boas, eu não fiz nada não, meu irmão tinha alguns problemas de ansiedade e alguns caras ficavam falando mal dele, aí certo dia ele não aguentou e acabou batendo em um deles, o que acabou matando, mas como o meu irmão tinha só dezoito anos eu resolvi assumir a culpa por ele.

– Nossa, sério? – Law indaga. – Você me disse que tinha sido preso por andar pelado pela cidade.

– Hahaha, é que se eu falasse isso lá na prisão algum guarda poderia ouvir e prender meu irmão, aí eu menti. Desculpa!

– E o seu irmão tá bem? – Nicolle pergunta preocupada.

– Não sei, depois disso eu fui expulso da vila porque não me queriam mais, aí eu nunca mais falei com ele. Mas tudo ficou bem porque por isso eu conheci o mano Law, o mano Eustass e o mano Joseph! Apesar do mano Joseph ficar me batendo...

– Ai, que horror. – Ela fica triste por ele. – Eu posso te ajudar de alguma forma?

– Imagina, eu sou super tranquilo.

– Mesmo assim... hoje eu tava pensando em fazer compras na Austrália, você quer ir comigo?

– Huh, tem alguma rua com esse nome?

– Não, o país mesmo.

– Ahn... mas eu trabalho segunda.

– Relaxa, a gente vai e volta hoje à noite! É só pra fazer compras mesmo.

– Tá bom né, e a gente vai como?

– Ah, eu chamei meu helicóptero, ele deve chegar em alguns minutos.

– V-Vocês vão pra Austrália fazer compras? – Law pergunta. – Tipo assim, agora?

– É! – Ela responde. – Quer ir com a gente?

– Não dá, eu não posso sair da Inglaterra.

– Poxa, que pena.

Um pouco depois de Nicolle falar, algo aconteceu e chamou a atenção de todos. Um enorme helicóptero começou a sobrevoar em cima da cerimônia de enterro, que era ao ar livre, e ficou parado no ar. Somente deixou uma espécie de corda cair de um modo que a loira pudesse alcançar.

– Wooooooow, realmente o pássaro dos céus veio até nós! – Brad comemora. – É um milagre!

– Então é isso, Law, manda um beijo pro Luffy, pra sogrinha e pro pai do Kid! – Ela se despede. – Brad, me pega no colo.

– Assim? – Ele a obedece, a pegando no colo.

– Isso, vamos! – Nisso, ela puxa a corda e começa a subir para os céus, até ao encontro do helicóptero. – Tchau! – Gritou, já lá de cima.

Irráááááá! – Brad gritava igual um cowboy enquanto subia aos céus. – É a primeira vez que eu saio das Inglaterra!

– Eles... saíram daqui voando mesmo... – Law dizia, um pouco chocado, observando a cena.

Agora que Law estava realmente sozinho, ele pensou em ir até onde Luffy estava para se encontrar com o amado e com a família, contudo, quando ele foi se virar para se preparar para andar, algo realmente muito estranho aconteceu. De relance, atrás de uma árvore qualquer, até um pouco distante ao enterro, apesar de não muito longe, ele avista uma sombra estranha.

– Acabei de chegar aqui. – Drake, um ruivo que estava atrás de uma árvore no mesmo local que Law, se encontrava telefonando para Kaidou. – Parece que todo mundo já foi embora.

Por que você foi aí? Eu disse pra você não ir, respeite o enterro dos outros!”

– Eu tô respeitando, eu vim de roupa preta. Enfim, o Law tá sozinho, eu vou lá falar com ele agora.

Não faz isso, ele não vai querer te ver, manda só uma mensagem, é tão mais simples.”

– Ai, você só reclama de tudo o que eu faço, Kaidou. Eu tô te falando tudo o que eu tô fazendo como você me pediu, não tô?

Eu sei, mas você só faz coisa errada!”

– Para de reclamar. Tchau, beijos.

Assim que Drake desligou o celular, voltou a espiar Law e percebeu que já havia sido visto pelo médico que não se sentia confortável em sua presença, então tinha ficado parado, em dúvidas do que fazer. Porém, o ruivo apenas fez um gesto com a cabeça, literalmente o chamando para vir falar consigo. Trafalgar acabou aceitando e foi até atrás da árvore encontrá-lo.

– Você tem aparecido muito na minha vida ultimamente. – Law diz, com as mãos no bolso, totalmente apreensivo em encontrá-lo, odiando a situação e com a garganta queimando de ódio.

– Eu faço o possível pra ficar perto de quem é importante pra mim.

– O que você quer, afinal? E qual é a de aparecer aqui?

– Você acha mesmo que eu perderia o enterro do Kid? Esse sempre foi o meu sonho, já sei até aonde vir quando estiver triste.

– Tô pouco me fudendo pro que você acha, só fala logo o que é que você quer! Pra que toda essa perseguição? O que é que você ganha com tudo isso?

– Ficou irritadinho com a minha presença?

– Óbvio!

– Então é isso que eu ganho.

– Para com essa enrolação e me diz de uma vez! – Trafalgar se irrita e o empurra, fazendo Drake encostar na árvore, encarando-o firmemente. – Que merda de jogo é esse?

– Só uma coisa pra chamar a sua atenção.

– Você colocou a Monet pra me espionar no Circo!

– Porque eu não queria perder o meu tempo contigo.

– A Robin também é sua espiã?

– Talvez.

– Para de enrolar e me diz logo que merda você quer comigo!

– Tá, eu te digo. – Drake se vira e agarra a camisa de Law, jogando-o contra a árvore e o encarando com raiva nos olhos e ódio no coração. – Eu não quero nada contigo, muito pelo contrário, eu quero distância, só vim aqui mesmo te perguntar uma coisa. Que merda deu na sua cabeça pra pedir o Luffy em casamento?

– A mesma merda que deu na sua pra filmar a gente.

– O Joker não gostou nada de saber disso.

– Pouco me fudendo.

– É, mas você deveria se importar. Eu vim aqui te dizer que o seu tempo tá acabando.

– Que porra de tempo é esse?

– Aconteceu uma tragédia há meses atrás. O Vergo morreu.

– Meus pêsames. – Law não se importa. – E eu com isso?

– Ele virou o novo Corazón depois de você matar o Rosinante, desde então o submundo tá horrível, tá todo mundo sendo preso, uma confusão.

– A culpa não é minha se vocês não fazem seu trabalho direito.

– Você ainda não entendeu?

– O que eu tenho pra entender?

– Ele não quer qualquer um pra herdar o título de Corazón. Ele quer você.

– Como é que é?

Law ficou mais confuso ainda com o significado daquelas palavras, mas além disso, uma enorme preocupação misturada com receio e ódio queimavam sua garganta. Suas sobrancelhas estavam arqueadas e seus olhos chegavam até a tremer com o susto.

– Loucura, não é? – Porém, Drake continua falando normalmente. – Parece que ele nunca esqueceu de você, afinal.

– Foi pra isso o anel?

– Exatamente.

– Isso só pode ser piada. Ei! – Law volta a se virar e joga o ruivo contra a árvore, segurando sua camisa com ódio. – Tá de sacanagem comigo? Óbvio que eu não vou aceitar uma porra dessas!

– Não fui eu quem decidi disso, bebê.

– Então manda ele vir aqui pessoalmente falar comigo ao invés de mandar empregadinho.

– Você acha mesmo que é tão importante assim pra ele precisar vir pessoalmente? Nah.

– Então manda só um recado pra ele. – Trafalgar o empurra ainda mais e fala bem próximo, com raiva. – Diz que eu tô pouco me fudendo pro que ele acha, eu não vou trocar a minha vida com o Luffy por merda de cargo nenhuma!

– Você sabe que o Luffy é totalmente descartável, né?

– NÃO ENCOSTA UM DEDO NELE! Se você fizer eu isso eu juro, eu juro que agora eu acabo com a sua raça!

– Se você não quer que aconteça algo com o Luffy, você vai precisar tomar as decisões certas na hora certa. Aliás... – Drake olha para o suéter cor de rosa que Law está usando, com um pouco de nojo. – Que merda de roupa é essa?

Esses seus biscoitos são os melhores, sério!

Os biscoitos da Ama são sempre os melhores, garoto.

Ah, parem com isso vocês dois...

– Huh?

Ao mesmo tempo em que Trafalgar e Drake tinham uma conversa amigável, outras três pessoas se aproximavam e eram Luffy, a mãe de Law e o pai de Kid, sendo que a mulher estava carregando uma bandeja de biscoitos que havia acabado de fazer, enquanto o garoto moreno estava vestindo um suéter vermelho cheio de desenhos fofos, tais como unicórnios e ursinhos carinhosos. Entretanto, assim que Drake os viu, levou um susto aterrorizante.

– Q-Q-Que que aquela mulher tá fazendo aqui?! – Ele ficou a encarando, pálido, como se visse um fantasma.

– Do que você tá falando? – Law responde. – É óbvio que ela viria ao enterro do Kid.

– Hã? Mas isso não faz sentido nenhum, era pra ela estar morta! Como diabos ela apareceu aqui?

– Morta? Para de falar coisas sem sentido...

– Não é nada sem sentido, eu lembro perfeitamente de ter mandado nove agentes da elite pra acabar com esse demônio e eles voltaram dizendo que tinham terminado o serviço.

– Você mandou nove agentes da elite pra matar uma senhora indefesa? Que covarde você é.

– Ela não é uma senhora indefesa, ela é um demônio perigoso! Ela tem um histórico enorme e porra, você já viu a certidão de nascimento dela? O ano que ela nasceu? B-Bom, isso explica também porque os meus agentes foram cometendo suicídio depois de um tempo...

– Você é completamente maluco... pera, você tem medo da minha mãe? Como eu nunca soube disso?!

– Eu não tenho medo de ninguém.

Luffy estava enchendo a barriga de tanto biscoito que comia, ao mesmo tempo em que buscava por Law. Acabou notando de relance que ele estava atrás de uma árvore conversando com alguém que, assim que percebeu que se tratava de Drake, não pôde deixar de levar um susto.

Era como se todas as suas teorias fossem confirmadas de uma vez. Ele, então, deixou os biscoitos de lado e foi em direção aos dois; tanto a mãe de Law quanto o pai de Eustass ficaram parados, apenas observando de longe, com sobrancelhas arqueadas, estranhando a situação.

– O Luffy tá vindo. – Law diz.

– Hm... isso vai ser interessante.

– O que você pensa que vai fazer? Nem ouse encostar um dedo nele!

– Calma, calma, eu já disse que não ligo pra existência dele.

– Oi. – Luffy enfim chega, dizendo seco ao mesmo tempo em que olhava para Drake atento.

– Oi, Luffy, quanto tempo. – O ruivo o cumprimenta normalmente.

– Por que você veio aqui?

– Ah, eu conheço o Kid desde a faculdade, achei que seria bom dar uma passada.

– Faculdade...

– Então é melhor nós irmos agora. – Law diz, já cansado de estar ali. – Vamos, Luffy.

– Por que tanta pressa? – Drake fala de um jeito calmo. – Eu não vejo o Luffy há tanto tempo, tenho certeza que nós dois temos muito pra conversar.

– Ele não tem nada pra falar contigo. Vamos embora, Luf–

– Não, eu vou ficar. – O garoto do chapéu de palha interrompe Trafalgar e continua olhando o ruivo atentamente.

– Eu achei que você ficaria. – Drake toma a voz. – Então, Luffy, eu soube que vocês dois estão namorando agora. O Law sempre foi um garoto inconsequente, acho que isso fará bem a ele.

– Eu espero que sim.

– Só não entendi mesmo porquê ele te trocou pelo Penguin. Você sabe que ele trabalha com agenciamento de prostitutas, falsificação de contratos e roubo de artes, né?

– Huh?

– EI! – Agora sim, Law fica verdadeiramente com raiva e empurra-o na árvore com mais força, chegando a levantá-lo pela gola. – QUE MERDA VOCÊ ACHA QUE TÁ FAZENDO?

– O quê, o Luffy não sabia? – Drake age normalmente. – Desculpa, eu achei que ele soubesse.

– Isso é verdade? – O garoto ficou chocado e vira para Law. – O Penguin... é isso mesmo?

– Claro que não, Luffy! – Law exclama. – Não escuta nada que esse cara disser, é tudo mentira, óbvio que o Penguin não é nada disso.

– E por que eu acreditaria em você? Você vive mentindo pra mim, é um ex-assassino... o Drake era Chefe-Diretor da Yard.

– Viu só? – O ruivo vira pro médico. – Essa é a diferença entre nós.

– Tsc, olha aqui! – Law ficava com mais raiva facilmente. – Se eu sou um ex-assassino, você é o que então? Esse lance de ficar jogando a culpa toda pra cima de mim não vai mais funcionar!

– Ah, é verdade, o Law não é um ex-assassino, ele matou o Dellinger lá na Mansão da Família Adams. Ele é um assassino atual mesmo.

– Oi? – Luffy volta a ficar pálido.

– CALA BOCA! – Trafalgar grita. – Eu já disse que a morte dele foi acidental!

– Eu não acho que fazer o coitado desmaiar, levá-lo até um rio, amarrá-lo, jogar fogo e depois tacá-lo na água seja acidental.

– Ahn? – Luffy não sabia como reagir, apenas ficava mais pálido e mais assustado com o namorado. – Você... fez mesmo... isso?

– Ah, ele também enterrou a Cindry viva.

– PARA COM ISSO, QUE SACO! Foi você colocou a merda da Monet pra me espionar, foi você que pois o Penguin na minha cola, foi você que deixou o Adams vivo pra começo de conversa, então para de falar como se tudo fosse culpa minha!

– Nossa, eu não matei o Adams, que crime terrível.

– Luffy, por favor, por favor... – Law olha para o garoto com pesar. – Não acredita em nada do que ele disser, ele é completamente malu–

– CALA BOCA! – O garoto se revolta. – Para de mentir pra mim toda hora, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar! Eu te tiro da prisão e você se torna amante de um cafetão e um assassino?!

– Uh, “amante de cafetão” foi forte, hein. – Drake só se divertia.

– V-Voc... vocês... ARGH, QUE SACO! – Law não conseguia mais aguentar. – Tá, tá, eu matei a porra do Dellinger, grandes merdas, eu tenho meus motivos, E ELES SÃO TODOS POR VOCÊ! – Aponta pro ruivo.

– Desde quando eu te pedi pra matar alguém? Eu hein.

– Chega, eu não aguento mais ouvir nada disso... – Luffy dá as costas e se retira, totalmente sem saber o que fazer.

– Espera, Luffy! – Contudo, Law vai atrás e segura seu braço, o virando.

– FICA LONGE DE MIM! – O moreno o solta rapidamente. – Eu não quero mais olhar na sua cara depois disso, então não me segue! – E novamente volta a andar pra longe dali.

– Por favor, não faz isso... não é o que parece...

– Mais tarde eu vou decidir o que eu vou fazer contigo, por enquanto é isso. Tchau!

O garoto do chapéu de palha, enfim, foi embora, deixando o pobre médico desolado para trás. Ao mesmo tempo, Drake continuava encostado na árvore, apenas observando seu plano dar efetivamente certo. Contudo, a mãe dele resolve aparecer, com sua bandeja de biscoitos e um sorriso alegre.

– Oi, há quanto tempo! – Ela sorria radiantemente e emanava uma aura feliz. – Quer biscoito?

– S-S-Sai de perto de mim, demônio... – E Drake andava para trás, assustado. – Eu não quero essas merdas, eu sei muito bem que tem veneno aí!

– Oh, mas eles foram feitos com todo o amor possível, com recheio de amizade e de felicidade.

– Já disse que não, SAI DAQUI! – Ele, com raiva, bate na bandeja e derruba todos os biscoitos, aproximando-se dela. – Escuta aqui, eu não sei que merda você fez com os meus preciosos agentes, mas eu não vou me esquecer o que você fez comigo, então para de agir desse jeito escroto!

– Mas eu só queria que você fosse feli–

– CALA A PORRA DA BOCA! – Drake a empurra contra árvore e aperta seu pescoço. – Fica longe de mim!

– Aahn, i-isso dói... – Ela dizia, tentando se soltar.

– EI! – Contudo, Law vai correndo e puxa o ruivo pela camisa, obrigando a soltá-la. – Que merda você acha que tá fazendo? Já não cansou de importunar os outros, vai fazer isso agora? Seu covarde imundo!

– Tsc, você continua sendo o mesmo frouxo de sempre.

– EU NÃO QUERO SABER! – Law lança seu braço para trás a fim de pegar impulso e disfere um soco com punhos cerrados bem no meio da face do ruivo, que se desequilibra e começa a sangrar pelo nariz. – Fica longe de mim!

– Ai, nossa... – Ele apenas limpa o sangue. – Ficou nervosinho de verdade, hein.

Oi, vocês dois! – Willian chega com raiva de ambos também e pega sua bengala, batendo-a fortemente na cabeça do ruivo e do moreno. – Parem com isso, seus perdedores! Tenham o mínimo de respeito em um enterro, imundos.

– Tsc, velhote... – Os dos resmungam juntos.

– Bom, eu vou nessa. Tchau! – O ruivo enfim, dá às costas e vai embora, finalizando assim, toda a enorme confusão que havia criado.

Notas finais
A mãe do Law foi baseada em Amelia Dyer (avá) Como eu disse nas notas iniciais, isso foi mais um reencontro do que um enterro em si. Confesso que não deu pra por todas as coisas que eu queria, mas isso cês vão descobrir com o tempo XD ALIÁS, TEMPO ESTE QUE ESTÁ ACABANDO.... Esse foi o último capítulo do nosso arco =) Vamos fazer uma retrospectiva: 1) Arco Circus = Arco do Gore 2) Esse arco = Arco dos unicórnios e do romance 3) Próximo arco.................. qual será?! Descubra no próximo capítulo de Policial Sujo! (Voz de narrador da grobo) ALIÁS, VAMOS COMEÇAR O PRÓXIMO BEM??????? Próximo capítulo: Bônus - Faculdade. Também conhecido como primeira parte não-oficial do Flashback do Law transformando-se em ninfomaníaco. Contagem regressiva para o começo oficial do Flashback: 02 capítulos.