Policial Sujo
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─ Porra Dellinger, vai se foder! Que merda de nome é esse?
─ Ué, não gostou? ─ O loiro estava se divertindo deveras com a situação, dando risadas sarcásticas que eram cobertas por suas mãos em seus lábios. Law parecia explodir de tanta raiva.
─ ODIEI. Por que você tá me chamando de Corazón? Você ficou louco! Isso deveria ser proibido por lei.
─ O que tem o nome? ─ Luffy indaga, não entendendo a raiva do outro e até achando o apelido fofo.
─ É Law, o que tem o nome? ─ Dellinger finge não saber.
─ Nada. Não tem nada o nome. ─ Ele simplesmente vira o rosto. ─ Eu vou embora, preciso dormir pra esquecer a merda que foi o dia de hoje.
Trafalgar P.O.V
Odeio circos. Primeiro eu chego nesse lugar, cheio de expectativa em finalmente poder morar com o Luffy sem que ele me expulse de casa durante a noite, mas aí eu descubro que não é bem assim. Eu venho pensando em dormir com um anjo e acabo com quem? Com um pinguim, lógico! Aliás, que porra ele tá fazendo aqui?
E falando nisso, que porra o Dellinger tá fazendo aqui? Não, pior ainda, que porra o POODLE tá fazendo aqui?! Essa é uma pessoa que eu pensei que nunca iria encontrar, que era só um nome inexistente, mas não. Ele existe, é ruivo e é insuportável!
De qualquer maneira, não posso mais fugir daqui, então não adianta muito reclamar. Eu vou precisar conviver com o Dellinger me chamando por este nome ridículo pro resto da minha estadia, além de ter que evitar de ficar com o Luffy e com o Penguin no mesmo espaço.
Trafalgar P.O.V off
─ Penguin, amor da minha vida.
─ Lá vem...
─ Que merda de caralhos você tem nessa sua cabeça de bosta pra vir aparecer nessa porra de circo do inferno?
No presente momento, Trafalgar e Penguin estariam destinados a dormirem juntos até segunda ordem. O quarto deles não era muito grande, só tinha uma beliche e uma estante, sendo que o ruivo estava na cama de cima e Law na debaixo, tentando se acalmar para não matar seu companheiro de quarto.
─ Calma, calma. Eu achei que você ia ficar feliz por eu ter aparecido.
─ Feliz?!
─ Se não fosse por mim você teria ido dormir com o engravatado, isso seria péssimo! Já pensou? Você fala enquanto dorme, é uma coisa arriscada.
─ Eu odeio você...
─ Aliás, falando nele, onde ele tava?
─ Ahn, você não viu o Luffy? Ele tava do meu lado.
─ As únicas pessoas que eu vi foram dois garotinhos...
─ Um deles é o Luffy. O de cabelo preto e cicatriz no olho, o outro é um cachorro que fala.
─ AQUELA CRIANÇA É O LUFFY? V-Você foi preso por um garotinho?!
─ Na época eu tive a mesma reação que você...
─ Eu imaginava um homem grande, sei lá, com cara de mau. Ele é uma gracinha!
─ Ele é, mas isso não vem ao caso. PENGUIN, NÃO MUDA DE ASSUNTO!
─ N-Não grita comigo...
─ Por que diabos você veio pro circo? Cara, se o Luffy descobrir sobre nós dois eu vou preso! E sabe o que vai acontecer se eu for preso? Ruivos insuportáveis rindo de mim pro resto da vida!
─ Não se preocupa, eu tenho um excelente motivo.
─ Então fala logo!
─ A Robin me mandou vir aqui.
─ Como é que é? ─ Law fica aflito, segurando no ombro do ruivo e olhando em seus olhos. ─ O que essa louca quer?!
─ Ela me pediu pra te dar um presente, só isso. Parece que é urgente.
─ Presente?
─ Sim, aqui.
Ele retira do bolso uma pequena caixa, muito bem embalada. Contudo, assim que Law abre o presente, seu coração para de bater imediatamente. Sua pele fica pálida, como se tivesse visto um fantasma e, com um susto, ele sai da cama em um pulo. Sua respiração estava bem pesada.
─ I-Isso é sério..?!
─ O que houve? Você tá bem? Quer que eu pegue uma água?!
─ N-Não, eu não tô bem. ─ Ele põe a mão no peito e sente as batidas de seu coração voltarem, em um ritmo estrondoso, como se tivesse prestes a ter um ataque cardíaco.
─ O que é isso afinal? Você tá me assustando!
─ Penguin, essa mulher quer me matar! EU SINTO ISSO!
─ C-Calma, respira! ─ O ruivo tenta acalmá-lo, sacudindo seus ombros para fazê-lo voltar a si.
─ Eu vou tentar... me acalmar...
─ Tá. Pode me dizer o que é isso?
─ Eu vou dizer. ─ Ele finalmente volta a si, sentando-se na cama. ─ Só antes me diga uma coisa.
─ O quê? Claro, tudo.
─ Quem é Robin? Como você conheceu ela, e você sabe se ela tem alguma coisa contra mim?
─ Ah, eu não te contei?
─ Contou o quê?!
─ Foi graças a ela que eu te conheci. Você nunca parou pra pensar o motivo de eu estar no cassino àquela noite, te espionando?
─ Não, eu estou acostumado a ser perseguido por ruivos...
─ Foi mais ou menos assim.
Flashback do Penguin P.O.V
Isso foi um pouco antes de você sair da prisão. Eu, como sempre, estava na casa de alguma mulher, tomando vinho e esperando ela voltar da cozinha. Porém, nesse meio tempo, eu percebi que a janela abriu sozinha, e com o vento das cortinas, surgiu uma mulher. Claro, eu levei um susto, mas eu tentei ao máximo disfarçar.
─ Q-QUEM É VOCÊ?!
─ Meu nome é Nico Robin, prazer.
─ C-Como você apareceu aqui? Você veio me matar? E-Eu sou jovem demais pra morrer!
─ Não se preocupe, eu só quero conversar.
Depois que meu susto passou, eu pude notar que ela é de longe uma das mulheres mais lindas que eu já conheci na minha vida, então eu pude relaxar. Não tem como uma mulher tão bonita me machucar, eu não sou tão sortudo assim. De qualquer maneira ela se sentou do meu lado e começamos a conversar.
─ Trafalgar Law? Quem é esse?
─ É um médico. Semana que vem ele vai sair da prisão e vai virar consultor de polícia, eu quero que você se torne parceiro dele.
─ O que eu vou fazer com um médico foragido? Meu plano de saúde já é bom.
─ Acredite, ele é uma pessoa muito especial. Você vai adorá-lo.
─ E o que ele tem de tão especial assim?
─ Olha, eu posso lhe contar todos os segredos do Trafalgar, ou...
Resto censurado por ser uma fanfic yaoi P.O.V off
─ Foi isso, depois eu descobri que a Robin tinha posto a minha mulher pra dormir. Bom, então eu acabei não aprendendo nada sobre você, mas valeu a pena!
─ Penguin...
─ Oi. ─ Ele logo recebe um cascudo na cabeça.
─ FOI A PIOR HISTÓRIA QUE EU JÁ OUVI! Como você pode deixar uma mulher te manipular por sexo? Você é uma versão piorada do Kid!
─ Nós estamos falando da mesma Robin? Por que ela é uma deusa, entenda minha posição!
─ Que seja, eu vou lhe contar do presente dela. Esse dia só consegue ficar pior! ODEIO CIRCOS.
(...)
─ ADORO CIRCOS!
─ Luffy, você é a melhor pessoa! Eu nunca conheci ninguém que trouxesse presunto na mala.
─ Eu não costumo dividir minha carne, mas você é ótimo! Você conseguiu deixar o Torao irritado e foi muito engraçado.
Do outro lado do Circo, Luffy e Peter estavam em seu quarto. Ambos estavam no chão, comendo presunto e rindo do que fizeram o dia inteiro, contando histórias uns para os outros e conversando como se fossem amigos íntimos.
─ Aliás, por que o Torao me chama de Poodle? Eu tenho cara de cachorro?
─ Não é isso, é o seu nome. Eu tenho um poodle chamado Peter e os dois se odeiam, ficam brigando o tempo todo.
─ Então ele é só um idiota infantil, meu nome não tem nada a ver com essa história. Eu nem conhecia você até hoje à tarde!
─ N-Na verdade, seu nome tem um pouco a ver com a história, sim...
─ Por quê, é um poodle tão odiado assim?
─ É que no passado ele teve alguns problemas com a polícia, mas não é nada demais. O nome do seu irmão, Peter Lewis, foi usado nessa história então eu acho que ele pegou algum tipo de trauma.
─ Huh, o que meu irmão tem a ver com isso?
─ É complicado explicar, mas não vamos ficar falando nisso! Me conta mais sobre você.
─ Na verdade eu sou metade cachorro! ─ Ele afirma, com toda normalidade do mundo.
─ Como..?
─ Eu morei na rua durante uns anos, então eu aprendi a me virar sozinho. Uma vez eu briguei com um cachorro por um pedaço de carne que eu achei no chão.
─ E isso te torna metade cachorro?
─ Não, é que tipo, eu acabei matando ele. ─ Peter pega seu canivete e demonstra dando facadas no ar. ─ Aí tipo, depois que ele tava morto, eu não podia desperdiçar carne.
─ V-Você comeu o cachorro?!
─ Sim, só não era um poodle. Poodle deve ter gosto ruim, sem ofensas.
─ S-Sério isso?
─ Sim! Quer que eu te mostre um truque?
─ Não tenho certeza...
Peter segura o pescoço de Luffy com força, fazendo uma compressão em suas artérias com intuito de tirar-lhe o ar, o que funciona efetivamente. Em seguida, ele joga o garoto no chão, sentando-se em sua barriga e apontando o canivete em direção à tireoide, encostando o objeto pontiagudo nele.
─ Se eu fosse um assassino você estaria morto agora, Luffy. ─ Ele diz, sorrindo.
─ T-Tá... m-me solta... ─ O coitado já estava com falta de ar.
─ Nunca durma com desconhecidos. ─ O canivete passeia pelo pescoço, indo até o peito do garoto. ─ Eu posso te ensinar a esquartejar alguém também, do mesmo jeito que eu fiz com o cachorro. Quer ver?
─ N-Não... e-eu acredito em você...
─ Primeiro você corta a região do tórax, expondo os órgãos internos junto com o pulmão. ─ Ele risca o canivete pelos lugares em que ia falando, mas sem cortar Luffy de fato. ─ E assim que você conseguir abrir o corpo até o umbigo, você começa afastando a pele para poder aproveitar toda carne.
─ T-Tá, eu entendi, eu sei como funciona. ─ Peter finalmente larga Luffy, voltando a se sentar com ele como se nada tivesse acontecido.
─ Não se preocupa, eu nunca faria nada contra alguém que me dá presunto! Além disso, eu gosto de você.
─ Mas como você aprendeu tudo isso? Quer dizer, você disse que morou na rua por um tempo...
─ Eu aprendi sozinho, não sei como. Foi mais ou menos assim.
Flashback de Peter Lewis P.O.V
Primeiro eu vou te contar a história do meu irmão, já que você pareceu se interessar nele. Antes dele morrer, nós dois morávamos junto com a nossa mãe em uma cidade muito afastada daqui. Somos filhos mãe solteira, nunca conhecemos nosso pai.
Nós três vivíamos em um morro onde não tínhamos vizinhos. Pra você ter uma ideia, até eu completar oito anos, eu não conhecia nenhum outro ser humano sem ser o meu irmão e a minha mãe. Nossa casa era bem pequena também, feita de madeira.
Quando eu e meu irmão nascemos, nossa mãe não esperava gêmeos e ela também não é muito criativa, então só tinha pensado em um nome. Acabou que nós dois nos chamávamos Peter Lewis, e isso confundia muito. Sempre que nossa mãe nos chamava, nós não sabíamos quem era quem.
─ Ei, Peter! Vem cá!
─ Qual dos dois?!
Então acabamos criando apelidos. Eu chamava ele de Bolinho, por ele gostar de doces, e ele me chamava de Carne, pelo mesmo motivo. Meu irmão era totalmente oposto a mim, ele era desastrado, vivia caindo e derrubando coisas. Eu já era mais equilibrado.
O fato de nós nunca termos conhecido o nosso pai não me incomodava, mas ele sempre perguntava à mamãe mais sobre ele. Ela nunca contou muita coisa, só disse que ele era bem carinhoso com ela, mas fugiu de casa quando nós nascemos. Provavelmente ele se assustou por sermos gêmeos. E sempre que a mamãe falava do papai, ela começava a chorar.
Teve um dia em que meu irmão se superou. Ele acabou tropeçando, e derrubou um dos vasos de flor que a mamãe mais gostava, por ter sido um presente de família. Eles acabaram brigando e o meu irmão foi chorar no nosso canto especial.
Sempre que um de nós dois ficávamos tristes, nós íamos pra lá. Era uma árvore muito alta, um pouco afastada de casa, onde dava para ver a cidade lá de baixo. Nós nos sentíamos gigantes comparado as outras pessoas, então gostávamos da árvore.
─ O que aconteceu? Você saiu de casa correndo!
Apesar de nós termos a mesma idade por sermos gêmeos, eu me sentia como um irmão mais velho. Era eu quem sempre cuidava do Bolinho, sempre fazia ele parar de chorar, sempre cuidava dos seus machucados. Tudo. E é claro, eu fui lá na árvore para acalmá-lo.
─ A mamãe tá chateada comigo... ─ Ele era um verdadeiro bebê chorão, o que me dava mais vontade ainda de protegê-lo. Eu amava muito o meu irmãozinho.
─ Ela estava com a cabeça quente, mas já se desculpou. Volta pra casa, por favor, eu não gosto de te ver chorando.
─ Mas Carne... ela disse que eu sou um inútil...
─ Ela disse isso da boca pra fora, não leva a sério. A mamãe nunca diria isso de um de nós.
─ Diria sim, ela nos culpa pelo nosso pai ter fugido! Se você não tivesse se separado de mim na barriga dela, nada disso teria acontecido.
─ A culpa não é minha por nós termos nascido gêmeos. E se o nosso pai fugiu por causa disso, então ele é um idiota completo!
─ V-Você não tem vontade de saber mais sobre ele?
─ Claro que não, por que eu teria? Foi a nossa mãe quem cuidou de nós dois esse tempo todo, então pra mim ela é mais pai que ele!
─ Mas a mamãe sempre chora quando eu falo dele...
Tudo o que eu sabia sobre o meu pai nessa época é que ele e a minha mãe eram bem felizes juntos, antes de nós nascermos. O Bolinho se culpava todo dia por ele ter fugido, e deixado nossa mãe infeliz, mas eu tentava dizer que não era culpa nossa. E a mamãe também me ajudava, já que ela nos amava.
─ Bolinho, por favor, esquece isso e vamos voltar pra casa.
─ CARNE, EU TIVE A MELHOR IDEIA DO MUNDO! ─ Ele parou de chorar imediatamente. Não sei como, só sei que ele abriu o maior sorriso que eu já vi na minha vida.
─ Q-Qual?
─ E se nós fugíssemos de casa e formos procurar o nosso pai na cidade?!
─ Eu acho que você é meio maluco. Nós nem sabemos como ele é!
Sabe aqueles filmes americanos, que quando uma mãe e um filho se reencontram depois de anos e, mesmo sem se conhecer, eles acabam adquirindo laços emocionais fortes e se reconhecem? Acho que o Bolinho achou que isso iria acontecer na vida real.
Eu tentei evitar, mas quem disse que ele me ouvia? Nós acabamos descendo o morro, sem avisar a mamãe, e fomos procurar o nosso pai. Nós não sabíamos nome, não sabíamos a cor dos olhos, a cor dos cabelos. NÃO SABÍAMOS NADA! Mas mesmo assim, ele insistiu em procurar. E eu não podia deixar o meu irmão sozinho numa cidade perigosa.
Pela primeira vez, nós tivemos contato com outras pessoas. Foi a primeira vez que eu conheci outros seres humanos, e não gostei nem um pouco. A cidade era horrível, cheia de lixo e bêbados jogados por aí, uma cidade perigosa. Era por isso que a nossa mãe não deixava a gente ir até lá.
─ Bolinho, por favor, vamos pra casa...
─ Não! Nós ainda não achamos ele!
─ Nós procuramos pela cidade toda, já tá quase anoitecendo. A mamãe deve estar preocupada.
─ Eu só volto pra casa quando nós acharmos o papai!
Duas crianças de oito anos, perdidas, procurando por um homem que nem sabíamos se de fato estava vivo ou morava lá. Luffy, você já deve imaginar como o meu irmão morreu, mas eu vou contar mesmo assim.
Já estava de noite. Nós não tínhamos comido nada o dia inteiro, já que não tínhamos dinheiro. Fomos até uma padaria que encontramos na cidade, e só o cheiro de pão quente já nos dava mais fome ainda. O idiota do meu irmão foi até o padeiro.
─ V-Você pode me dar comida?
─ Você tem dinheiro, garoto? ─ O padeiro era uma pessoa horrível, ele tinha um olhar mal encarado e uma voz ríspida. Dava medo.
─ N-Não...
─ Sem dinheiro, sem comida. Vaza daqui!
E foi aí que tudo começou. Eu estava tentando afastar o meu irmão do padeiro, mas ele só brigava com o coitado o tempo todo. Ele queria, de qualquer maneira, comer de graça, mesmo eu dizendo que era impossível ele conseguir.
─ ME DÁ COMIDA!
─ NÃO DOU! XÔ!
É agora que a coisa começa a ficar estranha. Eu já tinha desistido de tentar fazer o meu irmão parar de gritar com o homem, então eu fiquei sentado em uma cadeira, assistindo a briga. ATÉ QUE, NO MEIO DO NADA, UM CARA INVADIU O LUGAR COM UMA METRALHADORA.
─ TODO MUNDO PRO CHÃO, AGORA!
Eu fiquei desesperado e fui logo pro chão, claro, quase mijando de tanto medo. Mas o meu irmão fez a mesma coisa? CLARO QUE NÃO! Ele é um idiota total, eu me lembro desse dia como se fosse hoje. O Bolinho ficou parado, olhando o assassino.
O homem tinha uma máscara azul e branca, então não deu pra olhar seu rosto, mas os cabelos loiros dele eram enormes. Chegavam a bater na bunda de tão grandes. Mesmo assim, ele começou a atirar no padeiro. Ninguém morreu além do padeiro, mas meu irmão ficou encarando o cadáver.
─ O que foi isso..?
Imagina, você tem oito anos e, do nada, você vê uma pessoa morrendo na sua frente. Assustador, não é? Sim, claro, qualquer um ficaria chocado com a cena. Mas o meu irmão não ficou. Meu irmão ficou feliz pelo padeiro ter morrido, acho que ele era meio psicopata.
O assassino, depois de fuzilar o padeiro, foi até ele para checar se estava morto de fato, apesar de ser um pouco óbvio. É aí que tudo fica mais estranho ainda. O idiota do meu irmão, começou a puxar a calça do assassino e conversou com ele.
─ Oi! ─ Sim, meu irmão sorriu pro cara com uma metralhadora na mão.
─ Huh, quem é você? ─ É claro, ele não entendeu porra nenhuma.
─ Eu sou seu filho! Você é o meu pai, não é?
─ Quê?
"Ele matou o padeiro malvado pra salvar o filho em perigo."
Foi essa a lógica que o meu irmão usou para pensar que o loiro assassino era o nosso pai. É claro, todo mundo assistia aquela cena em choque. Uma criança conversando com um serial killer como se fosse a coisa mais natural do mundo, dá pra acreditar nisso?
Eu fiquei apavorado. Minha vontade era de pegar o Bolinho e sair correndo daquele lugar, mas eu não o fiz. Eu fiquei com tanto medo que as minhas pernas não se mexiam, então eu só fiquei observando o meu irmão provando ser um idiota completo.
─ Você é meu pai, né?
─ Garoto, você tá querendo morrer?
─ Por quê?
─ Eu não sou a porra do seu pai! Você tá de sacanagem comigo?!
─ Mas...
─ Foda-se você, não tenho tempo pra pirralho e nem recebo pra ser babá. Fui! ─ E o assassino estava quase indo embora, quando o idiota ataca novamente.
─ ESPERA! ─ Meu irmão segurou as calças dele de novo.
─ QUE PORRA VOCÊ TÁ FAZENDO? ─ Aí eu pensei: fudeu, ele vai matar o meu irmão.
─ V-Você tem que ser ele, você me salvou! Olha eu sou filho da Elizabeth Lewis, você conhece ela né? Ela é sua esposa!
─ HÃ?!
Eu já estava desmaiando, querendo fazer alguma coisa mas sem conseguir me mexer. Pelo menos daí tudo ficou bem, a polícia chegou e o assassino loiro finalmente saiu da padaria antes que os policiais o vissem. Tudo finalmente parecia estar nas mil maravilhas, se ele não tivesse SEQUESTRADO O MEU IRMÃO!
Antes que ele pudesse fugir da polícia, ele pegou o meu irmão no colo e saiu correndo. A velocidade dele era incrível, ele parecia ser um carro de corrida em forma humana. Ele acabou conseguindo fugir da polícia, mas o meu irmão foi junto com ele.
Eu acabei voltando pra casa, chorando pra caralho. Quando eu contei pra minha mãe que meu irmão havia sido sequestrado por um assassino de aluguel, ela logo ficou desesperada. Eu nunca tinha visto a mamãe naquele estado, deu até medo. Nós chamamos a polícia, claro.
Dois dias depois, meu irmão foi encontrado morto por envenenamento. A polícia achou ele amarrado em um canto e o assassino havia fugido. A partir daí eu não posso contar mais nada, porque eu não sei o que aconteceu. A única coisa que ele deixou foi um bilhete.
"Ahn, ele ficava toda hora me chamando de pai, então eu fiquei sem paciência e matei ele! Foi mal aí. Ele não chegou a citar nomes, mas mandou um beijo pra uma tal de carne (??)
Bom, foi isso!
Beijos, Kira."
Flashback P.O.V off
─ O KIRA É SEU PAI?! ─ Luffy revolta-se depois que a história finaliza.
─ Ahn? Claro que não, meu irmão era só um idiota. Você conhece esse tal de Kira?
─ Claro que conheço! Foi ele quem matou o Peter?
─ Foi... de onde você conhece ele?
─ Meio difícil não conhecer, ele é responsável pelo assassinato de vários agentes do FBI, é uma pessoa horrível.
─ S-Sério?!
─ Sim, mas ele morreu há uns quatro anos.
─ SÉRIO? Como você sabe de tudo isso?!
─ A-Apareceu nos jornais...
─ Eu não leio jornais, mas que bom que ele morreu! Eu me sinto um pouco melhor agora, de verdade.
Continuação do Flashback P.O.V
Depois que o meu irmão foi encontrado morto, minha mãe nunca mais foi a mesma. Ela chorava todos os dias, não comia e nem saia da cama. Ela se culpava pelo assassinato dele, por causa do lance com o nosso pai e tudo mais.
Eu tentava animar ela, dizer que ela não tinha culpa nenhuma nisso, mas não dava certo. Eu também me sentia culpado, já que eu podia pelo menos ter tirado meu irmão da frente do Kira, mas eu não consegui me mexer àquela hora. E eu também fiquei com medo dele me matar.
Três meses depois, minha mãe acabou morrendo por depressão. Eu nunca soube quem era meu pai, mas ela me disse algumas coisas sobre ele antes de falecer.
Meu pai definitivamente não era o Kira. Ela me contou que ele é um ruivo, alto e extremamente forte de olhos vermelhos como o cabelo. Ele não morava na cidade, então nós nunca o encontraríamos, e também ele era bem ocupado graças ao emprego.
Ela me contou também que, antes de nós nascermos, eles não eram um casal como eu achava. Meu pai ia lá só às vezes, já que ele morava em uma cidade distante e também era médico, então não poderia abandonar a profissão pra ficar com ela. Isso é tudo o que eu sei do meu pai.
Depois que minha mãe morreu, eu passei a viver na rua. Antes eu já sabia mexer com canivete e coisas afiadas, ela me disse que eu herdei isso pelo fato do meu pai ser médico legista, mas eu não acho que seja hereditário.
Enfim, eu acabei pegando carona com alguns comerciantes e vim parar nessa cidade. Eu morei durante anos na rua e tive que roubar coisas pra sobreviver, mas eu nunca cheguei a matar ninguém. Depois de algum tempo, uma mulher me encontrou.
Ela me disse que trabalhava em um orfanato e eu fui levado pra morar lá, já que eu não tinha casa. Foi graças a ela que eu consegui sobreviver até hoje, apesar do orfanato ser bem pobre e não tinha comida e nem roupas de qualidade. A comida aqui do circo é totalmente diferente da que eu estava acostumado, por isso eu acabei me deixando levar.
Lá no orfanato eu conheci uma garota chamada Lilian, que se tornou a minha melhor amiga. Ela foi adotada alguns meses depois, e mesmo assim nós trocávamos carta todos os dias, mesmo não nos vendo mais. Foi aí que eu vim parar nesse circo.
O Puppet, que é o cara que trabalha aqui, foi lá no meu orfanato dizendo que estavam procurando adolescentes que não seriam adotados facilmente para virem trabalhar no circo. Eu aceitei, então é aqui onde eu estou até hoje.
Flashback P.O.V off
─ Que bom que as coisas melhoraram pra você. ─ Afirma Luffy. ─ Você não tem curiosidade em procurar o seu pai?
─ Não, eu quero distância dele. Foi por causa dessa história que meu irmão morreu, então eu quero é que ele se foda.
─ Bom, se você quisesse vê-lo eu até poderia te ajudar a procurar, eu fiquei curioso nessa sua história.
─ Deixa isso pra lá! O importante é que estamos aqui, vivos. Deixa o passado pra lá, eu já superei a morte do meu irmão.
─ Então tá, vamos dormir, toda essa história deve ter te deixado cansado.
─ Sabe Luffy, eu fiquei feliz de ter te encontrado aqui. Eu acho que é o destino!
─ Destino?
─ É, tipo, se não fosse por você eu nunca ia saber que o assassino do meu irmão estava morto, e isso me deixou mais feliz!
─ E se não fosse por você eu não saberia que o meu cachorro era tão importante. E nem que o Kira era pior que eu imaginava!
─ Então, é por isso que o destino é tão maluco!
(…)
No dia seguinte, tudo ocorria normalmente. Peter e Luffy estavam tomando café da manhã na grande mesa junto com os outros integrantes do circo, aguardando a chegada de Trafalgar e Penguin, que logo apareceram ali.
─ Oi... ─ Law estava quase morto, sem vontade nenhuma de acordar ou viver.
─ Torao, que cara é essa? ─ Diz Luffy com um pão na boca e um sorriso. ─ Vem cá, senta aqui.
─ Eu quero morrer...
─ Credo, quanta negatividade. ─ Comenta Peter. ─ Tá precisando dar uma acordada, é? Parece que você não dormiu.
─ Ele teve um pesadelo. ─ Afirma Penguin.
─ Um pesadelo muito, mas muito real...
─ Isso é normal, ele tem pesadelo toda hora. ─ Luffy acaba de tomar seu café da manhã. ─ Torao, eu preciso falar com você em particular.
─ Beleza! ─ Voltou ao normal na mesma hora.
Luffy acabou arrastando Trafalgar para um canto no circo onde não tinha ninguém, apenas e uma parede de cimento, justamente para conversarem sem que não tenha o risco de serem ouvidos por ninguém. Law ficou feliz por estar sozinho junto com o outro.
─ Você não vai acreditar no que eu descobri ontem, Torao.
─ O quê, que você sentiu saudades de dormir comigo e nós vamos fugir juntos daqui?
─ Claro que não, é sobre o Peter. O seu amiguinho assassino matou o irmão dele! Dá pra acreditar?
─ Ahn, o meu "amiguinho assassino" matou o Poodle original?
─ É! Muita coincidência, né?
─ Impossível, o Kid não mata cachorros e nem crianças. Principalmente cachorros.
─ Não o Eustass, o Kira.
─ Ah, faz um pouco mais de sentido. E ele não é meu amigo...
─ Parece que o outro Peter achou que o Kira era pai dele. Você não sabe de nada sobre isso? Eu queria achar o pai verdadeiro dele.
─ Não dá pro Kira ser pai do Poodle original, ele morava nos Estados Unidos nessa época. E não, não sei, eles nunca me contavam nada. Além disso o Kira é assassino de aluguel, ele mata qualquer um.
─ Mas o mais estranho foi que o Peter disse que o Puppet o trouxe pra cá. Ele só tem quinze anos, eu tenho medo dele ser sequestrado ou sumir como as outras crianças...
─ Tem esse risco? Aleluia, eu tenho uma chance de me livrar desse cachorro humanoide!
─ Para com isso! E não sei se tem risco, todas as outras crianças tinham família, nenhum era órfão. De qualquer maneira, nós precisamos procurar pelas crianças agora que estamos sozinhos!
─ Mas antes disso...
Trafalgar lança Luffy contra a parede, colocando seus braços entre o rosto do mais novo, olhando firmemente em seus olhos antes de finalmente chamá-lo para um beijo. No começo foi negado, porém com o peso do corpo de Law, o outro finalmente acaba se rendendo, até sentir que as mãos começaram a adentrar sua camisa, o que fez Luffy se afastar.
─ N-Não faz essas coisas aqui... ─ Ele vira o rosto.
─ Você me deixou a noite inteira esperando, eu não vou conseguir evitar. ─ Eles voltam a se beijar, com a diferença que Law segura os braços de Luffy e põe uma de suas pernas entre as cochas do menor, para imobilizá-lo completamente.
─ Ei, ei, o que significa isso?! ─ Surgiu uma voz no meio do nada, que os obrigou a se afastar. Luffy ficou terrivelmente envergonhado por ter sido pego em flagrante, mas Law pouco se importara.
─ Dellinger, você está me atrapalhando. Vaza daqui.
─ Hã, quem vai sair é você! Quem te deu permissão pra fazer essas coisas indecentes aqui? Além disso, eu não shippo!
─ Foda-se, ninguém mandou me afastar do Luffy.
─ Torao, menos...
─ Que seja, só parem com isso em ambientes públicos! E eu preciso falar com você, Law.
─ Ótimo, eu também preciso falar com você. É urgente.
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