Policial Sujo

40 A viagem espiritual em busca da Astrologia Canina


Notas iniciais
Adoro meus títulos

– Hoje faz um ano desde que aquele garoto morreu!

Mais um dia se iniciava naquele país europeu e como sempre o sol raiava, trazendo consigo ventos que permitiam os mares se deslocarem e o doce aroma do orvalho pairar pelo ar. Em um determinado cemitério, Kaidou e Drake estavam reunidos, um ao lado do outro, bebendo uma garrafa de vodka e comemorando a data.

– Correção, hoje faz um ano desde que ele supostamente morreu.

– Tá, tá, que seja, não estraga o clima.

– Perdão, eu não queria estragar a sua falsa felicidade sádica.

– Imagina. – Ele, que antes estava em pé apreciando o túmulo de Kid e Law, agora senta-se atrás de Kaidou, o abraçando. – Você nunca estraga nada meu de verdade.

– Tem razão, você já consegue estragar tudo com essa sua mania de ser você.

– Ah, para. É sério que nós precisamos brigar logo de manhã?

– Não, não precisamos. – Kaidou puxa o braço dele e o leva até sua frente, fazendo o ruivo se sentar entre suas pernas e de costas para si, sendo abraçado por seus braços. – Foi mal, é que esse seu lance de ficar entusiasmado com a morte dos outros me irrita.

– Mas o Law nem tá morto de verdade.

– Só que você diz isso com tanta convicção e ódio que faz parecer mesmo que ele tá morto.

– Desculpa, eu vou tentar me controlar, tá bom? Eu prometo.

– Tá bom. – Kaidou prossegue o abraçando pelas costas e também apóia seu rosto no ombro dele, dando um beijo em seu pescoço. – Você vai lá amanhã?

– Vou. – Pega a garrafa de vodka que estava no chão, bebendo-a até o final. – Arh, nem imagino como vá ser.

– Eu te digo como vai ser, você vai fazer tudo o que eu falei e vai me ligar toda hora pra me avisar as coisas.

– É exatamente o que eu pretendo fazer mesmo.

– Que bom. – Lovato se levanta, obrigando-o a fazer o mesmo. – Vai, já tá ficando tarde, vamos pra Yard logo.

– Beleza, vamos.

(…)

Mais tarde, todos estavam reunidos na tão famigerada Scotland Yard. Luffy, depois de tanto tempo trabalhando na Central, agora havia recebido uma promoção e tinha uma sala própria, somente para si, cuidando mais da parte interna da Yard ao invés de sair para realizar as missões que mandavam-no fazer no passado.

A sala não era muito grande, mas portava um ar condicionado forte e o garoto poderia enfeitá-la da forma que quisesse, tendo três porta-retratos de seus dois amados cachorros em cima de sua mesa. Luffy passava a maior parte do tempo lendo e assinando alguns contratos da Yard, mas de vez em quando recebia a visita de algum de seus amigos.

[Toc Toc]

– Pode entrar.

– Yo, Luffy. – Roronoa havia acabado de bater na porta e ao ouvir o menor falando, adentrou a sala com um sorriso, se aproximando da mesa do outro. Luffy estava normal, sem o semblante entusiasmado que sempre tivera antes.

– Yo, Zoro. – Ele o cumprimenta e o de cabelos verdes senta-se à frente dele. – Aconteceu alguma coisa?

– Nada não, só que desde que você se tornou chefe de comando da Yard você tem estado muito ocupado com as coisas, a gente nem se vê mais direito.

– E você ficou no meu lugar como líder das reuniões. Como vai a Nami e o pessoal?

– Tá tudo ótimo, ela e aquele tal de George se dão bem e tudo mais, só a Hancock que eu nunca mais vi. Você tem notícias dela?

– Ahn... não... – O garoto olha para o lado, coçando a cabeça discretamente como se estivesse escondendo alguma coisa. – Por que eu teria?

– Porque fica sempre bem óbvio quando você tá escondendo alguma coisa. O que houve?

– N-Nada, por que teria acontecido alguma coisa?

– Me diz, há quanto tempo nós nos conhecemos?

– Desde a faculdade, eu acho. Por quê?

– Porque eu conheço você o suficiente pra saber quando você anda mentindo, Luffy.

– …

– Então me diz, onde a Hancock se enfiou?

– Ah...

– Luffy...

– Tá bom, tá bom, eu dei um jeito de transferir ela pra outra cidade. Tá satisfeito?

– Por que você transferiu ela pra outra cidade?!

– É que toda hora ela ficava tentando dar em cima de mim, era muito chato, aí eu arranjei uma coisa pra ela fazer em outra cidade, só isso.

– Luffy. – Zoro apoia seus braços na mesa, olhando mais sério e diretamente para o garoto à sua frente. – Nós precisamos conversar.

– Conversar sobre o quê?

– Eu sei que você odeia falar sobre isso, mas poxa, já faz quase um ano desde que o Trafalgar morreu. Você não acha que já tá na hora de seguir em frente?

– H-Han? – O garoto sente-se meio atingido e tenta desviar o olhar, meio vermelho. – D-Do que você tá falando, Zoro?

– Eu digo isso pro seu próprio bem. Você quase não tem saído, tá sempre em casa e isso você não costumava fazer antes, até tem estado meio distraído demais ultimamente. Você não nota essas coisas?

– Não sei do que você tá falando, eu saí com vocês três semana passada.

– Você saiu com a gente uma vez semana passada, e isso porque você não saia há quase dois meses. Desculpa estar tocando nesse assunto, é que tanto eu como a Nami estamos preocupados. Até o George sugeriu que você tirasse umas férias e fosse pra alguma ilha de verão ou algo assim.

– Não precisam se preocupar, eu tô bem, sério...

– Dá pra ver que você não tá, a sua mente ainda não superou o ocorrido com o Trafalgar mesmo depois de tanto tempo.

– Também né, é difícil esquecer com o Drake me relembrando todo dia.

– Esquece aquele idiota e tenta seguir em frente, ficar pensando em coisas ruins não vai torná-las melhores. Já se passou quase um ano, você não acha que já tá na hora, Luffy?

– … na verdade faz exatamente um ano hoje.

– Então aproveita essa data pra recomeçar a sua vida. Por que você não tenta dar uma chance à Hancock?

– Oi? Dar uma chance à Hamock?

– E por que não? Ela gosta tanto de você, você podia esquecer essa ideia de mandá-la pra outra cidade e sair com ela, se distrair, até mesmo se for só por amizade.

– Eu só mandei ela praquela cidade por uma semana, amanhã mesmo ela já deve estar de volta.

– Então! Tenta fazer o que eu te falei, não vai doer passar um tempo com outra pessoa.

– Não sei, não...

– Para com isso, eu não estou te pedindo nada impossível, é só pra você sair com ela como amigo.

– Arh, tá bom, tá bom, se você insiste tanto eu vou convidar ela pra sair, ok?

– Beleza! Se você não quiser passar um tempo sozinho com ela ainda é só chamar eu e a Nami pra um encontro em dupla.

– Talvez você tenha razão, isso vai ajudar a me distrair mesmo. Obrigado.

– Por nada, é pra isso que servem os amigos. – Zoro se levanta, retirando-se da sala e indo embora. – Até mais!

– Até.

Assim que o de cabelos verdes saiu, Luffy voltou a ficar sozinho em sua sala, mas se sentia bem mais aliviado depois da conversa. Ele já estava determinado a superar a morte do ex-namorado, por mais triste que poderia parecer para si. Um tempo depois, Kaidou Lovato, Vice-Diretor da Yard, bateu à sua porta.

– Licença. – E entrou logo com um grande sorriso no rosto. – Oi, Luffy!

– Kaidou! – Ambos se davam bem, então o garoto retribuiu o sorriso com outro maior ainda. – Pode entrar, senta aí.

– Brigado. – Ele agradece, sentando-se. – Eu só vim pra saber como você tá mesmo, eu gosto sempre de saber das pessoas importantes pra mim.

– Ah, eu tô bem, só lendo uns contratos como sempre. E você?

– Tirando a ansiedade, precisar tomar quatro comprimidos por dia graças a depressão, ter que conviver com uma pessoa que reclama de tudo, ter um de seus gatos doentes e cuidar de vários problemas externos eu não tenho nada do que reclamar da minha vida! Tá tudo ótimo.

– Ahn... que bom...

– Mas e aí, vai fazer o que nesse fim de semana?

– Eu não tava planejando nada, por quê?

– Só por saber. O Drake vai viajar amanhã então eu tava pensando em aproveitar esse tempo pra relaxar, tirar umas férias, mas eu sei que aquele idiota vai fazer alguma besteira e eu não vou ter um minuto de sossego.

– Entendi, que pena.

– Mas mesmo assim, se eu conseguir tirar umas férias eu tava planejando te colocar no meu lugar na Yard temporariamente.

– Jura?!

– Sim! Quer dizer, eu já te considero meu sucessor, então nada mais justo que você tomar conta daqui na minha ausência.

– Nossa... obrigado, sério, eu nem sei o que dizer.

– Não precisa dizer nada, é só continuar fazendo o bom trabalho de sempre. – Ele se levanta, se preparando para ir embora. – Eu já vou nessa, até depo–

Oi. – Porém, antes que Lovato pudesse sair, Drake surge na sala de Luffy. – Ah, você tá aí, Kaidou, eu tava te procurando.

– … – O garoto do chapéu de palha odiava a presença do ruivo, mas ignorava o máximo que conseguia.

– Aconteceu alguma coisa? – Kaidou responde. – Eu tava saindo daqui agora.

– É que eu já acabei tudo o que tinha que fazer e tava pensando em ir pra casa. – O ruivo diz, mas logo olha para Luffy, que estava visivelmente desconfortável com a sua presença. – Oh, oi, Luffy!

– … oi. – O garoto responde recluso.

– Eu já ia esquecendo, feliz aniversário.

– Huh? Mas hoje não é meu aniversário.

– É seu aniversário de viúvo! Parabéns.

– A-Ahn, eu...

– Q-Que merda você acha que tá dizendo?! – Kaidou fica com raiva dele e levanta a mão, dando um tapa no rosto do ruivo. – Não fala esse tipo de coisa!

– Ai, não me bate! Haha, foi mal. – Porém, Drake pouco se importa, apenas gosta de ver o rosto de Luffy empalidecer. – É que eu tô muito feliz hoje.

– Só não vai achando que essa sua felicidade vai durar muito.

Luffy diz, meio baixo porém em um tom ameaçador, olhando diretamente para Drake, que ficou sério imediatamente.

– … Perdão? – E o encara do mesmo jeito. Kaidou apenas observava os dois, vendo o que fariam.

– Não vai achando que vai ficar impune pra sempre, você é um assassino.

Só essa frase direta já foi motivo o suficiente para aumentar a tensão no local.

– Olha aqui, garoto! – Drake bate a mão na mesa de Luffy, o encarando de frente. Lovato fica preocupado. – Não levanta a voz pra mim e não se esquece que quem manda nesse lugar sou eu, você é só o meu subordinado.

– Isso não diminui o fato de você ter matado o Torao! – Luffy se levanta, o encarando de frente e exclamando, também batendo em sua própria mesa.

– Acusar sem provas é crime. – Ele responde, encarando-o sem hesitar. – Sabia disso?

– Eu tenho muito mais provas do que você imagina.

Drake fica em silêncio, imaginando o que o outro iria querer dizer com isso, enquanto Luffy continua apenas o encarando seriamente.

– Tá bom, tá bom, vamos parar com a briga! – Entretanto, Kaidou os interrompe, afastando o ruivo dali e tentando cortar o clima tenso com um sorriso humorado. – Eu sabia que não ia dar certo ter a lua em Áries logo hoje no céu, tá todo mundo se atacando.

– Tsc, você viu o jeito que ele falou comigo, Kaidou? – Drake continua com raiva. – Esse garoto não tem um mínimo de respeito pela minha superioridade, tá que nem aquele moleque insuportável!

– Foi você quem começou a provocá-lo.

– Hã, eu só desejei parabéns pra ele, que absurdo! Ele que veio na defensiva.

– Você é que precisa parar de se sentir superior só por não ir preso junto com os outros bandidos como você. – Luffy continua falando.

– V-Viu? E-Ele continua me atacando gratuitamente!

– Tá, tá, é-é melhor irmos embora logo. – Kaidou começa a arrastar Drake para fora da sala, enquanto este ainda se encontrava perplexo. – T-Té mais, Luffy!

(…)

– Sinceramente, o que eu fiz pra merecer aquele garoto no meu pé? Tsc.

– Muitas coisas.

Depois de encerrarem a briga, Kaidou e Drake entraram no carro e se dirigiram até a casa que ambos dividiam. Ao chegarem, saíram do automóvel com o ruivo ainda reclamando das atitudes de Luffy, as quais julgava grosseira.

– Mas é sério, o que ele quis dizer com “provas”? – Drake continuava reclamando enquanto entrava no quintal da casa. – Ele acha mesmo que tem algum poder contra mim?

– Vai saber, você também não faz nem questão de esconder o que faz.

– Claro que não, meu trabalho é tão bom que escondê-lo seria um ultraje.

Rowf, rowf! – Assim que entraram no quintal, o cachorro da casa, um Rottweiler grande e já adulto bem bravo.

– Oin, Rex! – Drake logo para de reclamar para cumprimentar o cachorro, acariciando seu rosto e dando um beijo no focinho. Rex logo fica menos bravo e mais dócil, abanando o pequeno rabo que tinha. – Eu vou sentir sua falta amanhã na viagem.

– Rowf, rowf!

– Ah, é tão bom chegar em casa cedo!

Kaidou exclama, adentrando sua casa. Na parte de dentro, seus trinta e quatro gatos ficavam espalhados pelos cômodos, cada um em uma parte diferente. Rex ficava sozinho ao lado de fora por não se adaptar aos felinos e não conviver pacificamente com eles.

– Nem me fale, eu quero logo fazer as malas pra amanhã. – O ruivo diz, entrando junto com ele e tirando seus sapatos.

– Tá ansioso pra rever o Law?

– Super.

– Não vai fazer besteira, hein.

– Relaxa, eu vou me comportar.

– É o que veremos.

Lovato vai para o quarto junto com ele e ambos colocam uma roupa mais caseira, e, no mesmo tempo em que Drake começa a preparar suas malas para a viagem do dia seguinte, o moreno de cabelos longos entra no computador e começa a pesquisar por algo.

– O que você vai fazer? – Diez pergunta, abraçando o moreno por trás e olhando em seu computador.

– A previsão do meu mapa astral pra amanhã, eu quero saber se vai ser tão ruim como eu tô prevendo.

– Aff, para de ver essas coisas chatas, isso tudo é idiotice.

– Não é não, a astrologia sempre funciona.

– E o que diz aí?

– "Problemas parecem surgir, não se sabe de onde. Procure aceitar esse dia com otimismo e tudo parecerá menos tenebroso. Dificuldades são previsíveis em sua vida doméstica decorrentes de conflitos entre os membros da família, o que pode torná-lo depressivo e ansioso acerca do trabalho que anda fazendo atualmente."

– Pelo visto é uma coisa ruim.

– É como eu já sabia, vão acontecer coisas ruins como sempre porque é só isso que acontece na minha vida desde que eu tive o desprazer de te conhecer.

– Tsc, a cada frase que você solta dez são pra falar mal de mim.

– Quer que eu faça a sua previsão astral pra amanhã?

– Tanto faz, independente do que você faça vai ser divertido rever o Law junto com o Joker.

– "Essa é uma fase de intensos sentimentos e emoções; é muito importante para você se aproximar dos amigos mais íntimos, mas também é uma fase onde seus erros se tornam mais frequentes e pode-se gerar conflitos sobre o andamento de determinados projetos. Pessoas subordinadas a você também podem se rebelar, tome cuidado."

– Cruzes, nada a ver, esse papo de “sentimentos intensos” não combina comigo, não.

– Own, se for parar pra analisar o seu amor incubado pelo Law até que faz sentido.

– Que amor incubado?!

– Nada não, deixa pra lá. Desde o início da nossa relação eu sempre soube que você nunca iria admitir essa paixonite.

Continuação do Flashback de Kaidou, parte dois.

Foi depois que você assumiu pra mim que fazia parte do submundo e me convidou pra sua casa à noite. Eu ainda estava meio nervoso, mas mesmo assim fui, e chegando lá, sentei no sofá enquanto você buscava um pouco de água. O Rex também estava, mas na época ele era só um filhotinho.

– Au, au! – Ele era pequenininho e nem latia direito, só ficava com a língua pra fora o tempo todo e abanava o rabinho.

– Awn, que fofo. – E eu o peguei no colo no sofá e fiquei olhando pra ele, seu cachorro me acalmou um pouco.

Ele só tem dois meses, o nome dele é Rex. – Você disse ainda na cozinha.

– Ele é uma gracinha.

– Você gosta de cachorros? – E voltou, com dois copos e uma jarra com água.

– Sim, mas eu prefiro gatos, mesmo não tendo nenhum animal em casa.

– Eu tava passando de carro perto de um sítio e vi ele brincando com algumas cobras, então eu resolvi pegá-lo pra treiná-lo pra ser um cão de guarda. O nome Rex é por causa das cobras.

– Como assim, o que cobras tem a ver com dinossauros?

– Esse é um grande mistério.

– Ok...

– Enfim, vamos continuar com os assuntos do submundo. – Daí você saiu da sala e foi pra outro cômodo, voltando um tempo depois com uma pilha enorme de papéis, muito grande mesmo, e colocando tudo em cima da mesa. – Pronto!

– O que é isso tudo?

– Todas as ligações, arquivos, imagens e contratos que eu tenho aqui do submundo.

– S-Sério?

– Bom, eu não posso te dar, mas você pode ler enquanto estiver aqui em casa.

– Posso mesmo? – E eu peguei os papéis. Tinha tudo escrito, venda de armas para diversos países, lista de pessoas mortas a mando do Joker, tudo. – I-Isso tudo é verídico?!

– Sim, cem por cento verídico.

– Garoto, você tem noção do que significa me mostrar tudo isso? – Larguei os papéis e segurei seus ombros, te olhando bem no fundo dos olhos. – Eu sou obrigado a te prender! Além disso você não corre riscos com o Joker? Isso é traição, certo?

– Realmente, se você me prender agora o Joker vai descobrir que eu traí ele. – E você continuava calmo como sempre, me dava raiva. – E também, se você me prender e ele descobrir, esses arquivos aqui não vão ser nada além de papéis sem valor porque ele vai dar um jeito de acabar com tudo.

– O que você tá querendo dizer?

– Você não percebe, Kaidou? O melhor a fazer, pelo bem da Yard, é ficar do meu lado e ouvir tudo o que eu te contar sobre o submundo, sem esse lance de querer me prender.

– O que você pretende com isso?

– Sinceramente? No começo eu adorava o submundo, mas agora eu não suporto o Joker e faria de tudo pra ver aquele idiota morrer no próprio veneno, mas pra isso eu preciso da sua ajuda.

– Então... ele acha que você é um espião do submundo, mas você na verdade é um espião da Yard?

– Isso! Eu quero derrubar o submundo e até lá eu vou continuar sendo subordinado do Joker e pegar mais algumas informações pra ir te passando. Não dá pra fazer nada por enquanto porque ele ainda tem muito poder.

– Hm, até que faz sentido, mesmo eu ainda não confiando muito em você.

– Não confia em mim mesmo depois desses milhares de papéis?

– Tá, eu confesso que é tentador, mas mesmo assim, confiança vai se ganhando aos poucos. O melhor agora é montar uma equipe dentro da Yard que seja contra o subm–

– Ow, ow, ow, pera aí. “Equipe”?

– Algum problema?

– Nada disso, eu quero que isso seja só entre nós dois.

– Por quê?

– Porque eu não quero ninguém de fora se metendo na nossa relação.

– Ahn... que relação?

– Eu não quero que ninguém além de você saiba de tudo isso, é isso!

– Mas por quê?

– Porque você é a única pessoa que eu gosto, é a única em que eu confio e é a única a quem eu vou mostrar esses papéis.

– Sério?

– E se você recusar eu vou colocar fogo em tudo isso e a Yard nunca vai conseguir chegar ao submundo.

– C-Calma, também não precisa polarizar tudo...

– Então temos um acordo?

– Em que se resume esse acordo?

– Tem muitos contratos, muita coisa pra conversar. Você pode vir aqui em casa quando quiser e ler tudo, desde que fique só entre nós.

– Você sabe que algum dia eu vou precisar envolver toda a Yard nisso, certo?

– Que seja, no futuro a gente discute isso. Por enquanto eu só quero saber se você aceita ou não.

No começo eu não sabia ao certo o que responder, só fiquei olhando no fundo dos seus olhos e você parecia decidido e sincero no que dizia. Eu também não tinha muitas opções, com todos os arquivos que você tinha eu só poderia aceitar. E na mesma noite que eu disse “sim”, você foi conversando comigo sobre tudo, também foi quando você me disse a sua primeira mentira.

– Eu não obedeço muito às ordens do Joker.

– De que modo? – Perguntei, já tinha lido algumas coisas que você me mostrou e também já era meio tarde.

– Ele me mandou matar três pessoas e eu não poderia negar senão ele mesmo me mataria.

– E você o fez?

– Eu forjei a morte dos três, os três estão vivos.

– Hm... foi esperto. Tem provas?

– Um deles é John Adams, ele era chefe do FBI.

– W-Wow, pera, é sério? O Adams morreu há pouquíssimo tempo.

– Ele tá vivo e morando em uma Mansão aqui na Inglaterra, se quiser eu te dou o endereço e você vai lá, ele é gente boa.

– E por que o Joker mandou você o matar? Eu cheguei a conhecê-lo, foram problemas com o FBI?

– O Adams era espião do FBI, ele era o antigo Jack antes de mim.

– O QUÊ? S-Sério?

– Uhum, ele me ensinou várias coisas, foi tipo um tutor.

– Agora pensando bem, eu o conheci na faculdade que você estudava, depois de você apanhar de outro aluno e ele chamar o pessoal da Yard. O que foi aquilo?

– Ér... foi uma espécie de briga por um garoto chamado Law, que é meio sobrinho do Adams.

– Qual foi o motivo da briga?

– I-Isso não importa agora. Enfim, esse Law era uma das pessoas que eu teria que matar, mas ele continua vivo e agora virou médico de uma clínica aí.

– Hm, e qual é a relação dele com o Joker?

– Ex-marido.

– Ah, você comentou.

– E a terceira pessoa que continua viva é o próprio irmão do Joker que o traiu. Pra resumir, eu nunca matei ninguém na minha vida inteira e não seria capaz de fazer isso sem ser por defesa.

– É, até que você é mais controlado do que eu pensei, e eu quero ouvir toda a história acerca dessa sua briga com esse tal de Law.

– Eu te conto em outra hora, por enquanto eu queria te mostrar uma coisa também.

Você ficou prolongando essa história com o Law por uns dez anos, parabéns, mas enfim. Depois de mentir descaradamente pra mim você pegou um papel com a ficha de um casal de idosos batizados de Amelia Eustass Dyer e William Eustass. Tinham as informações básicas como data de nascimento, tipo sanguíneo, etc.

– Quem são esses?

– Dois demônios, principalmente essa mulher satânica que gosta de dar biscoitos envenenados às crianças inocentes.

– Eita.

– Eu quero que você fique com o nome e o endereço deles. – E você me deu os papéis, coisa que eu deveria ter recusado na hora.

– Por quê?

– Um grupo vai matá-los amanhã, eles são pessoas terríveis, principalmente a mulher.

– Hã? N-Não importa se eles são pessoas terríveis, como você pode me contar uma coisa dessas em cima da hora! Eu tenho que chamar a Yard e impedir isso!

– Eu não pude fazer nada, eu sou só um subordinado do Joker, não posso me meter nas pessoas que ele quer matar, e eu só não te disse antes porque você não me dava abertura.

– Tsc, que seja, que horas vai ocorrer o assassinato amanhã?

– De manhã, umas oito.

– Caramba, eu preciso resolver isso agora então! – Saí do sofá e comecei a ajeitar a minha roupa, deveriam ser umas oito ou nove da noite. – Esse lugar onde eles moram é muito longe daqui?

– P-Pera aí, você vai lá sozinho?

– Vou, não tem nem tempo de chamar ninguém, eu vou abrigá-los aqui em casa e amanhã vamos pra Yard resolver essa questão.

– Você ficou maluco? Eu acabei de dizer que eles são pessoas horríveis, você não pode simplesmente ir lá!

– E eu também não posso simplesmente ignorar isso. Eles são o quê, assassinos? Procurados?

– Não, eles são pais de duas pessoas que eu não vou com a cara.

– Nossa, que crime terrível. – Eu já estava pronto pra ir embora.

– Você vai mesmo não importa o que eu diga?

– Vou.

– Então tá, depois não diga que eu não avisei, boa sorte.

Quando eu saí da sua casa, fui direto para o carro em direção ao endereço que você tinha me dado, foi mais ou menos uma hora de viagem. Eu ainda achava tudo muito estranho, mas precisava impedir qualquer tipo de assassinato. Assim que eu cheguei lá, era um sítio até bem grande, com uma casa de madeira onde eu bati à porta.

– Oi..? – Uma mulher idosa, com um óculos grande e cabelo afro ruivo atendeu, deu pra ver que era ela pela foto.

– Oi, boa noite, desculpe o incômodo, a senhora é Amelia Eustass?

– Han... sim, e você?

– Meu nome é Kaidou Lovato, eu sou da Scotland Yard.

– Ah, Yard. Já estão sabendo das crianças?

– Huh, crianças?

– Entre, por favor.

Entrei na casa junto com ela e por ser tarde ela parecia um pouco cansada, como se tivesse acabado de acordar. Na sala também tinha um senhor, mas ele estava discutindo com a televisão e nem notou minha presença, já a mulher me levou até a cozinha e pediu pra eu sentar. Tinha um cheiro bem estranho e forte lá, mas eu não cheguei a comentar.

– Aceita alguns biscoitos?

– Ah, obrigado. – Ela colocou uma bandeja com vários biscoitos que pareciam ter sido feitos há pouco tempo e foi também quando eu cometi o pior erro da minha vida, comer aquilo com a maior naturalidade possível.

– Sabe...

– Huh?

Ela estava virada de costas, preparando alguma coisa na pia. Depois, se virou. Tudo o que eu me lembro a partir daí foi vê-la sem os óculos, com uma cicatriz realmente enorme debaixo do olho esquerdo.

– Eu não gosto muito quando me acordam no meio da noite.

. . .

Saí correndo daquela casa, peguei meu carro e comecei a dirigir como se não houvesse amanhã. Não sei como eu consegui sair dali direito, meu corpo e minhas mãos tremiam no volante e eu não conseguia ver o caminho na estrada direito graças ao meu peito que doía como se tivesse levado uma facada e o meu coração que não parava de bater aceleradamente depois de um trauma terrível.

E não sei porque direito, mas eu acabei dirigindo até a sua casa.

– Kaidou? – Você me atendeu, eu ainda estava em choque e só conseguia respirar pela boca.

– Oi, eu... ahnm... eu...

– Você foi até lá?

Só consegui fazer um “sim” com a cabeça.

– Pelo visto você viu a mesma coisa que eu.

– Aquilo... o que era aquilo?

– Vem, entra, eu vou cuidar de você.

Você me levou até o sofá e me deu um pouco de água, dessa parte eu me lembro perfeitamente, foi quando eu comecei a ter muita ansiedade e fiquei pensando em coisas que eu nunca pensei antes. Ver aquele demônio me deixou bem vulnerável e você ficou cuidando de mim.

– O que era aquilo? Sério...

– Eu não sei, mas você precisa descansar. – Me deitou no sofá, colocando uma compressa fria na minha testa e desabotoando a minha camisa. – Você tá suando bastante também, quer que eu aumente o ar?

– Eu... não sei nem o que dizer.

– Não precisa dizer nada, só descansa e dorme aqui hoje. Quer que eu te leve pro quarto?

– Dormir aqui..? Não dá, eu ainda não confio o suficiente em você pra isso.

– Deixa disso, eu também não te conhecia antes e mesmo assim fiquei na sua casa por uma semana.

– Mas é diferente, eu não sabia que você era do submundo.

– Mas agora você sabe e mesmo assim voltou pra minha casa ao invés de ir pra sua. – Eu estava deitado no sofá e você sentado no chão, olhando diretamente pra mim, e eu, diretamente pra você. – Isso significa alguma coisa, certo?

– Eu não sei direito porque voltei pra cá...

– Porque você confia em mim o suficiente pra cuidar de você.

Acabei ficando sem bem o que dizer, só fiquei te olhando e imaginando se era realmente certo dormir na sua casa àquela noite ou se tinha alguma chance de você me matar enquanto eu dormia, mas você não chegou a insistir, tudo o que você fez foi aproximar seu rosto devagar e me beijar.

Fim do Flashback, de volta à realidade.

– E depois você ia toda noite na minha casa pra ver os papéis do submundo. – Drake comenta após o término da história.

– Eu fui muito inocente, acabei ficando distraído com todas as histórias que você me contava e nem me dei conta de que ia me aproximando de você cada vez mais.

– Não foi inocência, foi uma das melhores épocas da minha vida.

– Mas aí você, como sempre, estragou tudo.

– Depois você me dá sermão sobre isso, por enquanto eu preciso descansar pra minha viagem amanhã.

– Vai ser um looongo dia...

(…)

Depois de uma durável noite de sono, o dia seguinte surgiu e junto com ele as pessoas acordavam em suas respectivas residências. Luffy também foi uma dessas pessoas, indo diretamente para o banheiro jogar uma água em seu rosto para despertar.

– Bom dia. – Após, o garoto foi para cozinha, onde encontrou seus dois cachorros. Além do já conhecido Peter, ele também havia adotado uma Chihuahua por se sentir muito sozinho após a morte de Trafalgar. O nome da nova cadela é Peterlina.

– Rawr, rawr! – Peter, o Poodle, começou a latir e a abanar o rabinho para saudar seu dono.

– Rawr, rawr, rawr, rawr! – Peterlina, a Chihuahua, também latia, mas era muito mais baixo e agudo.

– Espero que o dia de hoje seja melhor do que ontem.

Logo após finalizar seu aclamado café da manhã, o garoto do chapéu de palha foi para seu quarto e se vestiu para mais um dia de trabalho na Scotland Yard. Entretanto, antes de sair de casa, notou que havia algumas cartas para si na porta de casa.

– Conta pra pagar. – Pegou uma das cartas, vendo o que era. – Mais uma conta pra pagar. – Depois pegou a outra, mesma coisa. – Mais conta, conta, conta. – Várias cartas com a mesma temática.

– Rawr, rawr! – Contudo, Peter surgiu com uma carta na boca e essa era diferente das demais.

– O que é isso? – Se tratava de um panfleto publicitário indicando uma ilha de verão, onde as pessoas poderiam passar férias com a família. Luffy não demonstrou interesse algum. – Isso é só propaganda... que chato.

– Rawr! – Mas Peter voltou a latir alegremente e o garoto olhou no verso do panfleto, franzindo o cenho ao ver o que nele havia.

– Han?

Na parte de trás do panfleto, um pequeno pedaço de papel havia sido colado com fita duréx, mas não era um papel qualquer. Era um amarelo, dobrado em formato de origami, formando a figura de uma pequena flor, objeto que fazia o garoto ter algumas lembranças.

– Isso é... aquela flor de Lily, eu já vi isso antes.

– Rawr, rawr!

– Por que o carteiro colaria essa flor no verso de um panfleto publicitário?

– Rawr?

– Se bem que o George tinha me dito pra tirar umas férias e ir pra uma ilha, e agora surge um panfleto desses. Isso tudo são sinais pra que eu saia da Yard e vá tirar uma folga?

– Rawr!

– Eu não sei, eu não queria viajar, mas... essa flor...

– Rawr, rawr.

– É a flor que o Torao gostava.

– Rawr! Rawr, rawr, rawr.

Sem muito ter certeza do que estava fazendo, Luffy decide ligar para Zoro.

Alô?”

– Oi, Zoro, é o Luffy.

Ah, bom dia. Estranho você me ligar agora, aconteceu alguma coisa?”

– Mais ou menos... escuta, você acha que seria muito ruim se eu tirasse umas férias tipo agora?

“Hm, acho que não, seria até bom pra você se distrair. Você pretende fazer o quê?”

– Viajar pra uma ilha de verão.

Sério? Hoje mesmo?”

– É, hoje mesmo.

Que legal! E qual é a ilha?”

– Eu não sei direito, mas eu tô com um pressentimento estranho... é uma tal de “Dressrosa”.

Notas finais
Último capítulo do ano!!! Começaremos 2016 com um reencontro fudidaço entre Law e Luffy :D