Policial Sujo
41 Bem vindo à Dressrosa, o país sem celulares!

Mares calmos ficando cada vez mais transparentes, ventos perdendo sua velocidade e o sol ficando cada vez mais intenso, tirando as nuvens do céu e fazendo aparecer diversas novas aves. Este era o clima que um certo garoto que gostava de usar chapéu de palha em seu dia a dia sentia.
Luffy, logo após receber uma carta que o deixou intrigado, fez suas malas e agora se encontrava em uma barca, indo em direção à uma ilha de verão isolada do resto do mundo, vestindo apenas uma bermuda, um óculos de sol e uma blusa azul aberta com alguns girassóis estampados. Típico visual de um turista qualquer.
Nem ele mesmo sabia o que estava fazendo ou o motivo de querer ir para Dressrosa, mas assim que desembarcou pôde sentir a diferença. O clima era abafado graças aos raios solares mais intensos; as pessoas da região andavam como se fossem à praia todos os dias, com roupas curtas e leves, e não haviam prédios, somente casas pequenas e rurais.
O garoto decidiu andar pelas ruas para ver se achava algo naquela ilha, visto que nem mesmo lugar para ficar tinha. Indo pela calçada e tomando um picolé azul, ele encontrou um feirante com uma barraca de maçãs e outras frutas.
– Oi! – Luffy disse, se aproximando amigavelmente e olhando ao seu redor. Haviam pedras rochosas ao sudoeste da ilha, formando seu entorno.
– Bem vindo! – O feirante também o cumprimenta alegremente. – Você é turista, certo? Seja muito bem vindo à ilha de Dressrosa.
– Dá pra perceber tanto assim que eu não vim daqui?
– Hah, é que eu nunca te vi por aqui antes, filho. Além disso, hoje é o Golden Day.
– Golden Day?
– O Dia de Ouro, é como chamamos o dia em que os turistas vêm à Dressrosa. As barcas daqui só abrem uma vez ao ano, sabe?
– Sério? Então tipo, as pessoas só podem vir pra cá nesse tal de Golden Day?
– Hahaha, pelo visto você não sabe muitas coisas mesmo. Diga, como você soube da existência dessa ilha?
– Ah, eu recebi um panfleto turistico e resolvi vir passar as férias.
– Um panfleto? Que estranho... eu achei que mandar cartas às pessoas fora da ilha fosse proibido.
– Como assim é proibido mandar cartas?
– É uma regra do Reino pra evitar a comunicação com o pessoal de fora. É que Dressrosa é uma ilha restrita, nem aparece no mapa e as leis lá de fora não funcionam aqui.
– Sério? Que estranho, tem algum motivo especial pra isso?
– Filho, pelo visto você é do tipo curioso, hein. Sinto muito, mas eu não posso dar muitas informações sobre a ilha até mesmo porque eu não sei, isso é mais com o pessoal do Reino.
– Ahn, entendi, eu acho.
– De qualquer maneira, você já tem algum lugar pra ficar?
– Não, não, eu acabei de chegar, não conheço nada por aqui.
– Seguindo reto e virando à primeira esquerda tem um largo onde os turistas gostam de ficar, cheio de hotéis e restaurantes. Dá uma passada por lá!
– Ah, obrigado!
Vendo que não conseguiria tirar todas as informações que queria do vendedor, Luffy achou mesmo que seria uma boa ideia arrumar logo um hotel para ficar e comer alguma coisa, visto que seu picolé já estava no final mas sua fome no começo.
Luffy P.O.V
Que ilha estranha. Principalmente com essa história deles não poderem se comunicar ou enviar cartas às pessoas de outros lugares, é como se escondessem muitas coisas e vivessem isolados. Que tipo de segredo tem aqui? Aliás, quem é que me mandou a carta? Seja quem for, conhece a história do Torao com a flor de Lily.
De qualquer maneira é melhor eu ir logo comer alguma coisa. A ilha em si parece mais rural e antiga, mas andando na direção que o moço tinha dito têm alguns restaurantes estilo espanhóis até bem bonitos; mesmo estando ainda com as malas acho que eu vou parar aqui porquê eu tô com muita fome...
– Boa tarde, posso ajudá-lo? – Assim que eu sentei em uma mesa, um garçom veio. Pelo menos o povo daqui parece ser simpático.
– Oi, eu queria o cardápio, por favor.
– Aqui está. O prato do dia é uma macarronada com queijo e almôndegas.
– Ah, então é esse que eu vou querer! Obrigado.
– Com sua licença.
O moço logo se retirou, só espero que a comida daqui seja tão boa quanto parece. Mesmo assim eu não posso deixar de estranhar tudo isso, eu ainda quero saber quem me mandou a carta e pesquisar mais sobre esse lugar. Melhor ligar pro Zoro, ele pode me ajudar a saber mais sobre Dressrosa.
– É só pegar o número do Zoro e... uhn?
Que estranho! Agora que eu percebi, meu celular está completamente sem sinal. Pensando bem eu não reparei em nenhuma rede de telefonia por aqui nem nada do gênero, será que além de não poder enviar cartas as pessoas daqui também não podem fazer ligações? Sério?
Melhor esperar o garçom voltar pra perguntar melhor a ele sobre isso, tomara que não demore muito, esse lugar tá bem cheio e parece ser bem grande. No fundo do restaurante tem uma área de jogos de azar parecido com um cassino, pretendo ir só se for pra buscar alguma informação mesmo.
– Aqui está. – Ele logo voltou com um prato cheio de macarrão.
– Aah, parece muito bom! – E era um bem grande mesmo.
– Deseja mais alguma coisa, senhor?
– Na verdade eu notei que o meu celular não tá com sinal, eu cheguei hoje na ilha. É algum defeito local?
– Oh, perdão, os celulares daqui não fazem ligações.
– Foi o que eu pensei... então as pessoas não usam celulares e nem computadores?
– Este tipo de tecnologia só funciona no palácio real.
– O Rei daqui parece ser meio controlador.
– Que nada! A família real é o orgulho de nossa ilha, todos são gentis e se preocupam com o povo. Foram eles que fundaram Dressrosa, afinal.
– Entendi, acho que era só isso mesmo, obrigado.
– Sinta-se à vontade! Nos fundos nós também temos um cassino para a diversão dos turistas, faz sucesso no Golden Day.
O moço saiu e me deixou com a comida que, aliás, estava ótima como aparentava ser! Essa ilha parece ser aqueles lugares onde tudo é perfeito e não tem uma taxa alta de crimes, mas até agora eu ando achando bem estranho esse lance todo de não poder se comunicar com outras pessoas. Pra quem lucra com turismo é bem anormal, e até mesmo suspeito.
Luffy P.O.V off
Após terminar sua refeição, o garoto decidiu que iria dar uma olhada nos fundos do restaurante para ver se falava com alguém do cassino a fim de receber informações sobre o Reino. Ao chegar lá, se deparou com um espaço bem grande parecido com um clube.
Lá haviam várias pessoas fumando charutos e um enorme tapete vermelho no chão, junto com várias mesas onde jogava-se cartas, e um espaço de bar onde vendia-se bebidas. Porém, o que mais chamou a atenção de Luffy foi uma mesa onde apenas duas pessoas estavam jogando, mas envolta delas, praticamente o cassino inteiro observava, formando uma espécie de tumulto.
– Aaaah, ele acertou de novo! – Uma das pessoas que estavam envolta dali, assistindo ao jogo, gritava e exclamava.
– Como ele consegue fazer isso? É muita sorte! – Outra também fazia o mesmo. Se tratava de um jogo de roleta onde apenas se encontrava a banca, que era a pessoa que comandava o jogo, e um senhor de idade, que estava jogando.
– Isso não é possível, deve ser roubo. – E o motivo para que todos estivessem assistindo ao senhor jogar, era que ele já havia ganhado na roleta várias vezes consecutivas, e o detalhe que fazia isso ficar ainda mais chamativo era que o homem é cego.
– Que cor deu? – Ele perguntou, não podendo ver o resultado por conta de sua falta de visão.
– Deu preto! – A banca exclamou, surpresa. – Assim como o senhor havia apostado, como sempre. – Mas ao mesmo tempo estava preocupada com o prejuízo que aquilo daria. – Ganhou mais fichas ainda...
Sem se interessar em ver o velhinho ganhar várias rodadas consecutivas, Luffy foi até o bar perguntar sobre coisas relacionadas à ilha e aos cidadãos. Enquanto isso, as pessoas continuavam a celebrar a vitória do homem cego.
– Ei, ei, ei, ei! Eu ouvi dizer que tinha uma pessoa realmente sortuda hoje no cassino. – Um terceiro se aproximou, junto com algumas pessoas que o seguiam, indo diretamente até a roleta. Na mesma hora, todos os cidadãos pararam de falar e até se afastaram. – Vem daqui?
– O-Oi! – A banca se surpreende ao ver a pessoa de cabelos ruivos alaranjados que havia chegado, ficando até mesmo um pouco acuado. – E-Este senhor conseguiu ganhar treze vezes ao todo, n-não é incrível?
– Wow, treze vezes? Sim, sim, é muito incrível! – O ruivo, junto com seus amigos, disse, ficando no lugar da banca. – Pode ir agora, é seu horário de almoço, deixa que eu tomo conta daqui de agora em diante.
– S-Sim!
O rapaz que cuidava da banca foi embora, assim como todas as pessoas que antes estavam apreciando o jogo. O velinho ficou, inocentemente, sentado na cadeira esperando a próxima partida. O ruivo e seus amigos, que tomaram conta do lugar, continuaram de onde ele havia parado.
– E então, sortudo do dia, posso saber qual é o seu nome? – O de cabelos alaranjados perguntou.
– Pode me chamar de Fujitora.
– Entendi, Fujitora. Você é turista?
– Sim, vim do Japão.
– E pelo que eu pude perceber você é muito bom na roleta, hein. E aí, vai apostar em que cor agora, vermelho ou preto?
– Preto, por favor.
– Então vai ser preto!
Depois de exclamar, a pessoa que havia surgido girou a roleta como a banca estava fazendo anteriormente até a bolinha parar, e parou justamente na cor preta, onde Fujitora sugeriu. Entretanto, aproveitando que o homem era cego, o ruivo desmentiu.
– Aaah, que pena, deu vermelho!
– Verdade? Pelo visto minha sorte acabou...
– Não tem problema, vamos de novo. Qual a cor dessa vez?
– Preto de novo, por favor.
E assim o jogo prosseguiu. Fujitora sempre dizia qual era a cor certa, mas o ruivo desmentia dizendo que ele havia errado e seus amigos riam silenciosamente. Isso ocorreu repetidas vezes, até recuperarem o dinheiro que o cego havia ganho.
– Tsc, que idiotas. – O barmen, que estava atendendo Luffy, comentou com o garoto.
– Huh, idiotas? – Que não entendeu por não estar vendo a situação.
– É, aquelas pessoas que tomaram conta da banca na roleta! Tem um velhinho cego sendo enganados por eles.
– Nossa, sério? E ninguém faz nada?
– Ninguém pode fazer nada. Infelizmente aquele ruivo e seus amigos já têm um histórico na ilha, ninguém tem coragem de enfrentá-los.
– Tadinho do velhinho... eu vou lá ajudá-lo.
– P-Pera, garoto, você não ouviu o que eu disse? Você não pode simplesmente ir lá e... já foi.
Ignorando o aviso do barmen, Luffy foi até a área da roleta com a finalidade de ajudar o idoso que estava sendo enganado sem nem perceber, pouco importando-se quem era a pessoa que estava aplicando o golpe. Chegando lá, ele apenas cutucou as costas de Fujitora.
– Ei.
– Uhn? – Que virou-se pra trás, o olhando mesmo sem enxergar.
– Você tinha ganho a rodada passada, essas pessoas estão te enganando.
– Hã? Ei! – O ruivo ficou furioso e voltou sua atenção para o garoto do chapéu de palha. – Ei, garoto, quem é que você pens... sa que... é...
– Ahn?
Contudo, entretanto, todavia, assim que Luffy olhou na direção do ruivo, que também o olhou diretamente, ambos acabaram se surpreendendo com a presença um do outro e ficaram parados, inatos, por um bom tempo. O rapaz que estava na banca ficou completamente espantado com a presença do chapéu de palha.
– L-Lu... Lu... Lu... – E nem ao menos conseguia dizer seu nome sem tremer e suar bastante. – Lu... Luffy..?
– Hã? Ei, espera aí! – E quando o garoto percebeu quem era, ficou com raiva. – Eu te conheço! Você é aquele tal de... como era o nome mesmo? Morça?
– Pe... Penguin.
– Isso, isso mesmo! Você é aquele amigo do Torao. Então agora você anda roubando dos idosos? Eu sabia que você era uma pessoa ruim!
– Hã, ei, garoto! – Os amigos de Penguin se aproximam, rondando Luffy. – Quem você pensa que é pra estar falando assim com o nosso chefe? Você não é daqui, não é, filho?
– P-Pessoal, não precisam fazer isso, a-aliás, não façam, pelo amor de Deus! – Penguin estava assustado e logo controla seus amigos, o impedindo de fazerem qualquer coisa contra Luffy e sussurrando. – Não mexam com esse garoto, sério, ele é problema.
– Cê conhece ele?
– Oh! Fujitora, certo? – Em seguida, o ruivo vai até Fujitora com um sorriso constrangido. – Hahahaha, perdão por isso, era só brincadeirinha. Pode ficar com todo o dinheiro que você havia ganho, tá?
– Ahn...
– Você acha mesmo que isso vai desfazer seus crimes? – Luffy diz diretamente a Penguin. – Você vai pra prisão!
– N-Não, por tudo que há de mais sagrado, prisão não! – E o ruivo se desespera. – O-Olha, pra me redimir eu posso dar tudo que eu tenho a ele, que tal? Todo o dinheiro... e-ele pode até ficar com a minha casa, com a minha mulher e os meus filhos! Tá, eu não tenho mulher nem filhos, aliás nem casa eu tenho direito, mas ele pode ficar mesmo assim.
– E esses seus “amigos”?
– E-Eu nem conheço essa gente.
– Hã? – Os amigos de Penguin se aproximam dele. – Por que você tá dizendo todas essas merdas pra esse garoto, chefe?
– Se você não os conhece, por que estão te chamando de chefe? – Luffy pergunta.
– Eu... ahn... – E ele logo troca de assunto. – E-Ei, por que é que você tá nessa ilha afinal? Não era pra você estar aqui!
– Por que eu não poderia estar?
– É-É melhor nós conversarmos, temos muita coisa pra falar um pro outro, vamos embora daqui!
Sem nem olhar para trás, Penguin segurou a mão do garoto e ignorou todas as outras pessoas do cassino, saindo com ele em disparada em direção à saída. Luffy não gostava nenhum pouco de ser arrastado, mas precisava mesmo falar com o outro.
(…)
Um tempo depois, após correrem praticamente o perímetro da ilha inteira, Penguin parou em uma casinha pequena e branca no centro da cidade, onde convidou Luffy para entrar. No momento, ambos estavam sentados à mesa.
– Engravatado, que bom te ver por aqui! – O ruivo exclama com um sorriso meio engasgado.
– É muita coincidência mesmo. Você cometia crimes na Inglaterra e veio pra cá dar golpe em idosos e formar quadrilhas?
– Ow, ow, ow, calma aí. Em primeiro lugar eu jamais cometi nenhum crime na Inglaterra, em segundo eu não “dou golpe em idosos” e nem tenho quadrilhas.
– Então aquilo lá no cassino era o quê?
– Ahn... ah, é que eu precisava de dinheiro e vi aquela oportunidade, sabe? Ano passado eu nunca teria feito esse tipo de coisa, é que morar nessa ilha muda a gente!
– E quem eram as pessoas com você que te chamavam de chefe?
– Só um pessoalzinho que me ajuda em umas coisas, mas na verdade eu nem ligo pra eles, eles é que gostam de mim. Mas e você? Q-Que estranho vir pra cá... tem algum motivo ou é só férias?
– Quando eu te vi naquele cassino eu achei que poderia ter sido você quem me mandou a carta, mas pelo visto não é. Que pena.
– Huh, carta?
– Me enviaram um panfleto turístico falando dessa ilha, aí eu vim pra cá.
– Ahn, eu não sabia que estavam enviando panfletos turísticos às pessoas... mas enfim, você não pode me prender porque não tem jurisdição aqui, então nem adianta ficar fazendo perguntas.
– Você mora aqui agora?
– “Aqui” aqui, exatamente, aonde? Nessa casa ou na ilha?
– Nos dois...
– Na ilha sim, na casa não.
– Então de quem é essa casa que a gente tá?
– Sei lá, eu vi que tava vazia e entrei, eu não tenho casa.
– Hã? Você não pode invadir residências e me levar junto, que coisa!
Luffy agarra o braço de Penguin e sai da casa, sentando-se no chão do quintal fora dela, encostado na parede junto com o outro.
– Eu teria saído se eu visse os moradores voltando. – Penguin se explica.
– Qual é a dessa ilha afinal? – O garoto pergunta impaciente. – O barmen não me explicou nada, ele não soube me dizer porque não funcionam os celulares aqui.
– Se ele não sabe, como eu vou saber?
– Eu sei que você sabe.
– A única coisa que eu sei é que essa ilha não é tão legal quanto parece, você deveria sair daqui o mais rápido possível e voltar pra sua vidinha na Inglaterra com os seus amigos da Yard.
– Por que você quer que eu saia daqui?
– Q-Querer que você saia? Pff... eu jamais disse isso, foi só uma... sugestão.
– Aham.
– É que esse lugar é horrível, sério, a comida daqui é podre porque não tem importação e os hotéis têm baratas.
– Eu já comi a comida daqui, é ótima e eu não me importo com as baratas.
– … mas são baratas voadoras assassinas.
– Penguin, eu não vou embora dessa ilha até saber o que tá acontecendo.
– E o que estaria acontecendo, supostamente?
– Eu não sei! Espera, deixa eu te mostrar.
Luffy retira de sua mala a carta que havia recebido em sua casa, junto com a flor de Lily.
– Eu já vi essa flor antes... – Penguin fica a olhando.
– É a flor que o Torao gostava! Eu recebi essa carta hoje de manhã com um panfleto dessa ilha, isso não é estranho? Por que alguém me enviaria essa flor? E justo nessa época, ontem faz um ano desde que ele morreu.
– Verdade... muito estranho isso.
– Você não sabe nada sobre isso?
– Não sei, mas quem te enviou essa carta certamente não mora na ilha.
– Eu queria saber mesmo porque essa pessoa me mandaria justamente pra esse lugar. Ver você também só aumentou as minhas suspeitas.
– Eu não tenho nada a ver com isso, eu juro! Quando o Law-nii faleceu, eu decidi me isolar na ilha mais isolada que eu consegui arrumar, então agora eu estou aqui, isolado do resto do mundo. É isso.
– Mas o que faz esse lugar ser tão isolado assim?
– É um mistério.
– Aff, você também não ajuda, eu sinto que tô perdendo meu tempo aqui.
– Tá, eu não vou te impedir de ficar e saber mais sobre esse lugar, tá bom? Mas tá escurecendo, é melhor você arrumar logo um hotel.
– Sim, é exatamente isso o que eu vou fazer, e você vem comigo.
– Então tá... pera, hã?!
– Eu sei que você tá me escondendo coisas e você disse que não tem casa, então você vem morar comigo!
– M-Morar com você? Tá falando sério?
– Algum problema?
– Todos! Você é um engravatado que era amante do meu melhor amigo, e-eu não vou morar com você.
– Eu não vou ficar morando aqui pra sempre, é só até eu descobrir qual é o problema dessa ilha.
– E precisa de mim pra isso?
– Sim, eu não vou deixar você solto por aí, você tava dando um golpe em um idoso cego!
– A-Ahn, e-eu...
– Para de reclamar e vamos logo, vai ser divertido. Assim você me mostra onde tem lugar pra comer também porque eu tô com fome.
Mesmo odiando a situação com todas as suas forças e pensando em como iria tirar o garoto daquela ilha antes que ele descobrisse toda a verdade, Penguin foi arrastado até o hotel mais próximo dali, onde Luffy se hospedou em um quarto de duas pessoas.
O quarto não era grande, mas tinha espaço para duas camas de solteiro. Penguin sentou em uma delas e ficou com as pernas juntas, apreensivo, somente pensando em como iria fazer para Luffy não descobrir nada sobre o submundo. O garoto, por outro lado, estava desfazendo suas malas tranquilamente.
– É-Ér, então... – Penguin sorria meio encabulado, tentando disfarçar. – Esse quarto é muito pequeno, né? Nem deve se comparar à casa que você tinha lá na Inglaterra.
– Você tá querendo mesmo me tirar dessa ilha, né?
– O quê? Claro que não! Pff, imagina, eu adoro a sua presença.
– Se você adora a minha presença então pelo menos me ajuda a desfazer as malas.
– M-Mas e o seu cachorro? O Law-nii tinha comentado que você tinha um, ele deve estar com saudades de você. Você deveria ir vê-lo.
– O Peter está com o meu amigo, tá tudo bem com ele.
– Ahn... então tá.
– Falando em amigo, é sério que só a família real pode usar o celular? Eu tava querendo falar com o Zoro.
– Na verdade qualquer um pode, mas o sinal e a rede só pegam dentro do castelo.
– Mesmo podendo ninguém aqui parece usar celular! Nem tem tomada nesse quarto, eu tava precisando carregar o meu.
– Viu que absurdo? Lá na Inglaterra tem tomada, você deveria voltar pra lá.
– Nah, eu só preciso ver se na recepção tem tomada, daí eu peço pra eles carregarem.
– Se você estivesse na sua casa não precisaria passar por isso...
– Mas de qualquer jeito, o Rei daqui parece ser bem discreto, qual é o nome dele?
– N-Nome de quem?
– Do Rei.
– Ahn... Fernando.
– E esse Fernando é uma boa pessoa?
– Oh sim, sim, ele é um amor de pessoa, não existe ninguém mais doce que o Fernando.
– E será que dá pra ir nesse castelo só pra usar o celular?
– Não, só a família real pode entrar no castelo.
– Que chato. – O garoto reclama, mas logo tem uma ideia e vai até Penguin, com um ínfimo sorriso aproveitador de alguém que estava prestes a pedir um favor. – Mas, Pinguim...
– Penguin.
– Tipo assim, você que entende desses negócios, não tem nenhum outro lugar que pegue sinal por aqui? Eu duvido que você tenha ficado nessa ilha sem se comunicar com ninguém durante um ano.
– Ah, você tá me pedindo pra levar um engravatado pra um suposto lugar ilegal onde teria rede de celular? Pra quê? Vai me prender se eu disser que sim?
– Eu não vou te prender, crime deveria ser impedir os outros de terem um celular que funcione!
– Mas não, eu não conheço. E se eu conhecesse também não te levaria lá.
– Tsc, você também não ajuda. Pelo menos me diz onde tem um restaurante por aqui, eu tô morrendo de fome...
– Aqui no hotel eles servem jantar também.
– Ótimo, então vamos lá!
O garoto desceu entusiasmado em direção ao Lobby junto com o ruivo e ambos foram até o restaurante self-service que havia por lá. Contudo, enquanto Penguin fazia seu prato, Luffy resolveu ir até a recepção para carregar seu celular. Ao chegar, logo encontrou o atendente.
– Oi!
– Boa noite, senhor, em que posso ajudá-lo?
– Eu gostaria de carregar meu celular, tem tomada aí?
– Até temos, mas o seu tipo de carregador não funciona aqui, a não ser que você possua um adaptador.
– Poxa, até carregar os celulares é complicado.
– Sinto muito, senhor.
– Eu aposto que o único lugar onde dê pra carregar os celulares seja no castelo do Fernando... – Luffy resmunga, já cansado da ilha.
– Fernando? – Mas o atendente indaga.
– É, o Rei daqui.
– Oh, o Rei daqui não possui este nome.
– Ah não?
– Não, seu nome é Doflamingo.
– Doflamingo..?
– Sim, da família Donquixote. Donquixote Doflamingo.
– Donquixote... aonde eu já ouvi esse nome antes...
Luffy, por um curto segundo ficou pálido; este nome o fez ter más recordações e se arrepiar automaticamente.
“Luffy, eu sou casado com Donquixote Doflamingo, o líder do submundo.”
– Espera aí... não, não pode ser...
– Uhn? – O atendente não entendeu, apenas viu o garoto com uma face assustada. – Aconteceu algo?
Sem sequer responder o atendente, o garoto entrou em pânico momentaneamente e só conseguia correr, apesar de estar trêmulo, na direção onde Penguin estava, que era o restaurante. Assim que viu o ruivo, não se conteve.
– PENGUIN! – E bateu na mesa que ele estava, gritando furioso. – ESSA ILHA É A SEDE DO SUBMUNDO?
– …. – E ele, que estava pacificamente comendo uma macarronada, começa a suar e não consegue realizar nenhuma ação senão pensar que estava completamente enrascado.
– RESPONDE! – Mas Luffy estava furioso demais.
– O-O-O O quê? A-Ahn? S-Submundo? Sede? D-Do que v-você está falando? E-Eu... pff, d-de onde você tirou essa coisa absurda?
– Você mentiu pra mim! O Rei daqui é o Mingo, ele era casado com o Torao e também é líder do submundo!
– Han? A-Acho que o clima dessa ilha não tá fazendo bem pro seu cérebro... haha... – Tentava disfarçar. – O que é esse “submundo” afinal? É esses negócios de céu, inferno e mundo subterrâneo? E-Eu nunca acreditei muito nessas coisas.
– Para com isso, você sabe muito bem do que eu tô falando! O Torao me contou de você, é impossível que lá na Inglaterra você não estivesse envolvido com o submundo!
– E-Eu trabalhava sozinho.
– Penguin, por favor! – O garoto o puxa pela camisa, o olhando bem nos olhos. – Me mandaram uma carta dessa ilha com a Flor de Lily, o Torao foi morto por causa desse tal de Mingo... você precisa me dizer o que tá acontecendo!
– A-Ahn, é-é que...
– É agora mesmo que eu preciso ir até esse castelo!
– Espera aí!
Luffy se vira e corre, batendo em retirada em direção à saída do hotel, com Penguin indo atrás dele. Não demorou muito para o garoto pegar o primeiro táxi que apareceu, pedindo ao motorista para deixá-lo no palácio. O ruivo o seguiu.
– Hã, eu não preciso mais de você, por que você entrou no táxi? – Luffy reclama com Penguin.
– Como se eu fosse deixar você ir até o Joker sozinho!
– Eu sabia! Então você faz mesmo parte do submundo como eu imaginei, é por isso que você tem morado aqui.
– … tá, eu confesso, eu faço parte do submundo. Tá satisfeito?
– Se você admite, então me diz como eu faço pra invadir aquele palácio!
– Você tá querendo invadir o palácio do cara mais poderoso do mundo sozinho, isso é suicídio!
– Tô nem aí pro que é, eu só sei que eu preciso ir naquele lugar pra acabar com a raça do Mingo!
– E você pretende fazer isso sozinho? Não vai nem esperar reforços dos seus amiguinhos engravatados?
– Quem me mandou essa carta sabia que o Mingo morava aqui e me mandou pra essa ilha sozinho por algum motivo, se essa pessoa quisesse que eu avisasse a Yard não teria feito isso.
– Você já pensou que pode ser uma armadilha?
– Isso não importa, eu vou lá você querendo ou não! É só eu entrar disfarçado, ninguém vai saber quem eu sou.
– Luffy, TODO MUNDO lá sabe quem você é!
– Quem bom, assim eu não preciso perder tempo com apresentações.
– Argh... você vai lá mesmo não importa o que eu diga?
– Vou.
– Você vai ser morto!
– Tô nem aí.
– Que seja, depois não diga que eu não avisei.
– Tá bom.
Enquanto seguiam viagem no táxi, ficaram calados esperando chegarem em seu destino. Penguin ficou pensativo, imaginando como faria para que o garoto não descobrisse que Law estava vivo e Luffy ficou pensando em como iria fazer para conseguir sua vingança contra Doflamingo.
Até finalmente chegarem a seu destino. O palácio ficava em cima de grandes e pesadas muralhas e o taxista havia os deixado bem na porta delas, que eram vigiados por vários guardas diferentes. Por lá, o chão era asfaltado e existiam algumas árvores e casas ao seu redor.
– É aqui? – Luffy perguntou, observando o castelo que ficava há metros de altura do chão.
– Sim, aqui mesmo... – E Penguin ficou olhando em volta, tendo certeza que não encontraria ninguém conhecido ali.
– Você conhece esses guardas, né? Dá um jeito de me fazer entrar.
– Eu não posso e nem quero fazer esse tipo de coisa.
[Bip bip]
Até que um barulho surge do bolso do ruivo e ele o atende todo feliz.
“Oi, Penguin.”
– Robin, que bom ouvir a sua voz!
“Eu preciso que você venha até o palácio agora.”
– Eu tô aqui na porta dele.
“Então eu vou descer.”
– Tá bo... P-Peraa, não, não vem pra cá! R-Robi–
Antes que ele pudesse dizer não, a morena havia desligado o aparelho.
– D-Droga...
– Ei, quem era? – E Luffy perguntou, ouvindo a conversa. – E o seu celular funcionou aqui!
– Não é um celular, é um comunicador. De qualquer forma a gente precisa sair daqui rápido!
– Por quê?
– Porque a Robin tá vindo e eu não quero que ela te veja.
– Quem é essa?
– Ah, ela é... – Ele logo fica corado e com um sorriso bobo, inclusive com corações no lugar dos olhos. – A Rainha da minha vida.
– Rainha?
– De qualquer maneira é agora que você precisa sair daqui mesmo pra eu encontrá-la!
– Eu já disse, eu não vou a lugar nenhum.
– Ah, você vai sim!
– Não vou.
– Você vai sim.
– Não vou.
– Você vai sim.
– Não vou.
– Você vai sim.
– Não vou.
– Você vai si–
– Oi.
– Não vou! Ah, oi.
Quando ambos olharam para frente, viram uma mulher alta com longos cabelos negros e olhos azuis, vestindo um vestido de couro preto com detalhes em dourado e um longo manto branco felpudo. Ela também usava botas de cano longo com salto.
– R-R-Robin, que bom te ver! – Penguin diz, sorridente e constrangido.
– … – Mas a morena apenas ficou olhando Luffy, com olhos arregalados e sobrancelhas arqueadas.
– Oi, você é a tal da Robin? – O garoto pergunta diretamente.
– O que está acontecendo aqui? – E ela faz o mesmo, olhando com raiva para o ruivo. – Penguin, o que significa isso? Por que o Luffy está aqui?
– Ér... então, sobre isso...
– Você me conhece? – Luffy indaga. – Você também é do submundo, não é? Me diz quem é você!
– Eu era amiga do Law, meu nome é Nico Robin.
– Amiga? Verdade?
– Como você chegou até aqui?
– Isso não importa agora, eu preciso entrar naquele castelo!
– L-Luffy, não fala isso como se fosse a coisa mais simples do mundo..! – Penguin diz para ele, em tom sussurrante.
– Lamento, mas não posso permitir que você dê mais um passo a partir daqui. – Robin fala. – Melhor dizendo, eu não posso permitir que você saia da ilha depois de tudo que você soube.
– Hã, e quem é você pra me dizer o que eu posso ou não posso fazer?
– Eu sou a Rainha de Dressrosa.
– Então trás o Rei aqui pra eu chutar a bunda dele!
– Penguin, eu vou precisar prender o Luffy no calabouço. Não é seguro deixá-lo voltar pra Yard depois disso.
– Mas os engravatados não vão sentir falta dele?
– Nós damos um jeito nisso depois. – De seus seios, Robin retira uma adaga realmente afiada e aponta na direção do pescoço do garoto, lançando também um olhar de fúria. – É melhor você me acompanhar, se não quiser se arrepender.
Luffy se viu sem muitas alternativas e decidiu acompanhar Robin, enquanto possuía uma adaga apontada para suas costas. Os três deram a volta até os fundos do palácio, onde existia uma entrada subterrânea que os levava direto para o calabouço.
Ao chegarem, notaram um lugar onde mais parecia uma prisão: um verdadeiro sótão escuro, com algumas grades onde os traidores costumavam ficarem presos, definhando até a morte. Um calabouço estilo medieval. O garoto do chapéu de palha até mesmo ficou um pouco acuado.
– V-Você vai me prender aqui?
– Você vai ficar preso até eu decidir o que fazer com você. – Robin diz, abrindo uma das celas.
– Mas nem pensar! – Ele aproveita os segundos que Robin levou para pegar a chave e começa a correr, fugindo dali.
– Ei, volta aqui!
Luffy correu o calabouço inteiro tentando procurar alguma porta que o levasse até a parte superior do castelo, e tanto Penguin quanto a morena foram atrás dele. Até que o garoto viu uma porta de madeira aberta e descobriu que ela dava para um lance de escadas, que usou para subir.
Correu mais ainda, subindo as escadas, que pareciam nunca mais acabarem. As escadarias cinzentas circulares em formato de caracol levavam a pessoa que as subisse direto ao primeiro andar do palácio, que foi exatamente onde Luffy chegou, sendo seguido por Robin e Penguin.
– É aqui...
Ele logo ficou deslumbrado, o castelo por dentro era enorme: as paredes e muralhas eram douradas, o salão principal bem amplo e extenso, diversos quadros antigos de enfeite, um tapete vermelho que levava do portão principal às mais escadarias que existiam por lá. E é claro, além de tudo, existiam vários guardas que logo notaram a presença de Luffy.
– Ei, garoto, quem é você? Não pode entrar aqui! – Não demorou muito para notarem a presença estranha do chapéu de palha.
– Rápido, segurem ele, é um invasor! – Robin exclama, também chegando ao primeiro piso.
– Um invasor? – E os guardas logo tomam providências.
– Rápido, segurem ele! – Indo na direção de Luffy, todos de uma vez só.
– Avisem ao Joker e ao Corazón que temos invasores no palácio!
(…)
Um pouco antes de toda confusão se iniciar, outro ruivo e outro moreno estavam em um cômodo do palácio. Eram Trafalgar Law, o atual Corazón do submundo, e Diez Drake, que havia chegado naquela mesma manhã em Dressrosa.
Em tempo, os dois estavam reunidos no quarto de Law, sozinhos, fazendo juntos o que quaisquer pessoas normais fariam naquela ocasião depois de passarem tanto tempo sem se verem para matar as saudades que sentiam um do outro.
– Eu tenho que admitir, você tá muito melhor que antigamente. – Ambos estavam brigando para ver qual dos dois estava mais forte e sabia mais técnicas de luta. – Esse lugar fez bem pra você.
– Cala boca! – Law continua a dar uma série de socos que somente atingiam o ar, visto que o ruivo desviava de todas com bastante facilidade.
– Mas ainda não sabe controlar a sua raivinha infantil. – Em um dos socos que o outro dava, Drake pegou seu braço e o puxou, fazendo Law se desequilibrar e andar até o outro lado, não caindo por pouco. – Precisa parar de dar socos aleatórios.
– Tsc, eu já mandei você calar a boca! – Mas ele logo se vira, voltando a tentar dar um soco à esquerda da face do ruivo, que apenas desviou o rosto. – Para de agir como se fosse meu professor! – Depois tentou dar outro à direita, que novamente foi desviado.
– Eu não ajo como seu professor, eu só gosto de mostrar a diferença entre nós dois. – Law tenta atingi-lo novamente, mas dessa vez Drake aproveita para dar um chute na canela dele, que o faz desequilibrar-se. – Você tá muito desprotegido.
– Argh, eu não tô desprotegido! – Law agora tenta dar um soco bem na frente, tentando atingir bem no meio da face do ruivo.
– Sim, você está. – Que apenas se agacha e segura o manto de Corazón que ele usava, o jogando para o outro lado e, mais uma vez, o desequilibrando. Em seguida, volta a se virar de frente para ele. – Não adianta, você nunca vai ser melhor do que eu.
– Tsc... isso não é justo. – Law vai correndo para cima dele, tentando segurar em suas roupas para imobilizá-lo e conseguir dar algum golpe. – Eu nunca fiz nenhum tipo de treinamento de luta pra começo de conversa.
– Por mera burrice sua. – Assim que o moreno segura a camisa do outro, Drake pega seu braço e o puxa, aplicando um golpe onde prendia tão forte o braço de Law que quase o quebrava e ainda o obrigava a olhar para o chão, com as costas curvadas.
– Aai, ai, isso dói! – E ele não conseguia sair dali.
– Deixa de frescura, eu nem tava fazendo força. – Depois o solta, o empurrando para longe dali, deixando o rapaz com mais raiva ainda.
– Que saco, você é muito violento. E não foi por burrice! Eu só prefiro usar a inteligencia do que ser um animal como você.
– Artes marciais tem a ver com técnicas e não com brutalidade, a prova disso é que eu sou tanto mais forte quanto mais inteligente que você.
– E muito mais chato também. – Law tenta ir para cima dele mais uma vez, com o braço esticado pronto para mais uma tentativa de soco.
– É, talvez. – E de novo, Drake segura o braço dele, mas dessa vez o gira, obrigando Law a virar-se de costas para si. O ruivo logo também o abraçou pelo pescoço e mobilizou uma das pernas dele com a sua, obrigando-o a ficar imóvel. – A verdade é que eu sou mais do que você em tudo.
– M-Me larga... – Law estava de costas para ele, tentando tirar os braços do ruivo de seu pescoço com suas mãos, mas sem êxito.
– Sabe, você é muito esquentadinho. – Porém, Drake somente segurou seu rosto o elevando, de modo que Law olhasse para cima e ficasse com o pescoço mais exposto. – Igual quando tinha quinze anos.
– Sério, só me solta. – O deixando também com mais raiva ainda. – Já cansei de brincar com você.
– Para com isso, eu nem tô fazendo nada demais. – Ele levanta um pouco mais o rosto de Law com uma das mãos, usando a outra para abraçar seu peito. Em seguida, com sua própria face, se aproxima do pescoço do moreno e fecha os olhos. – Tá machucando?
– Não é questão de machucar...
– Então... – Diz, sussurrando, tocando levemente o pescoço dele com seus lábios. – Não precisa ficar com a guarda fechada toda hora.
– Uma hora eu tô desprotegido, agora eu fico com a guarda fechada toda hora?
– Você entendeu o que eu quis dizer. – E logo deu um ínfimo beijo no pescoço do outro, deixando sua respiração bater contra a pele de Law.
– Só me solta de uma vez. – Trafalgar aproveitou para empurrá-lo pelo cutuvelo, conseguindo se soltar e sair dali.
– Oh, conseguiu sair, parabéns.
– Argh, eu não acredito que você fez isso. – Fica limpando seu pescoço com a mão. – Seu nojento!
– Ué, eu não fiz nada.
– Tsc, eu queria muito te bater.
– Pode bater, eu tô parado.
– Mas não dá pra te bater se você ficar esquivando toda hora!
– Ah foi mal, eu prometo que não me esquivo mais.
– Eu não confio em você.
– Pode vir, eu vou ficar parado.
– Vai mesmo?
– Vou, eu prometo.
– Então tá.
Law, mais uma vez se aproxima e eleva seu braço para longe, pegando impulso para dar mais uma tentativa de soco no rosto do ruivo. Entretanto, Drake segura seu braço com uma das mãos e usa a outra para girá-lo, fazendo com que ele caia no chão, também subindo por cima dele ao mesmo tempo.
– Aaaaaarh, você descumpriu a promessa! – O moreno grita reclamando e se debatendo no chão.
– Heh, foi mal. – Diez estava de quatro em cima de Law, que continuava deitado no chão tentando sair dali sem êxito, o imobilizando completamente.
– Eu não acredito que você fez isso! – Seus braços e pernas estavam imóveis e ele exclamava tentando se soltar.
– E eu não acredito que você acreditou mesmo em mim. – Mas seus rostos estavam mais próximos que nunca com aquela posição; seus narizes só não se tocavam por muito pouco. Law até mesmo engoliu saliva e calou os lábios devido a aproximação, ficando acanhado. – Você é muito inocente.
– P-Para com isso, eu só... – Não conseguia falar direito ou prestar atenção por estar sendo obrigado a encarar os olhos azuis do outro tão de perto, e pareciam que ficavam mais próximos a cada instante. – … eu só me distraí um pouco.
– Nunca se distraia, isso pode custar a sua vida. – Ele, ao contrário do outro, estava calmo e não se importa com a aproximação, apenas descia o rosto ainda mais para deixar Law desconfortável, com êxito, visto que o moreno foi obrigado a virar o rosto, desviando o olhar.
– Já entendi... pode me largar agora.
– Até posso. – Aproveitando a posição, ele leva seus lábios até os ouvidos de Law, sussurrando. – Mas quem disse que eu quero?
– O que você pensa que tá fazendo? Me larga...
– Eu não vou fazer nada demais, é só pra te irritar um pouquinho. – Começa a andar com os lábios pela orelha do moreno, abaixando e tocando seu pescoço do mesmo jeito. – Você sabe o quanto eu adoro ver você com esse rostinho raivoso.
– É sério que você ainda tem essa obsessão por mim?
– Não é obsessão, é só saudade. – Ele continua, mordendo e puxando um pouco da orelha do outro e o deixando tanto um pouco arrepiado quanto com raiva. – Faz tempo que eu não te vejo.
– Você me ligou semana passada, nem era pra estar com saudades...
– Não é a mesma coisa, nem mesmo quando eu te vi ano passado... – Desce mais um pouco até o pescoço, dando ainda mais beijos. – Não era como antigamente.
– O que você tá sugerindo? – Vira ainda mais o rosto para não olhá-lo. – Eu nunca ficaria com você de novo, eu te odeio.
– Você me odeia mesmo tanto quanto diz?
– Depois de tudo você ainda duvida disso..?
– Não. – Ele se afasta do pescoço e usa uma de suas mãos para virar o rosto de Law, fazendo-o olhar para si, usando-a para acariciar levemente suas feições ao mesmo tempo. – Até porque eu te odeio também.
– Então me odeie como uma pessoa normal e sai de cima de mim. – Reclama, com os olhos semifechados, odiando precisar encará-lo tão próximo de novo.
– Mas a nossa relação já não é normal como as outras há muito tempo, o que nós sentimos um pelo outro é um ódio tão grande e insuportável que não dá pra vencer brigando, só exalando de outra forma.
– Claro que não, isso não faz o menor sentido...
– Faz sim, e você sabe disso.
– Por que eu saberia?
– Porque eu já te soltei há muito tempo e você ainda não saiu daqui.
– … – Foi quando Law percebeu que seus braços e pernas já estavam desmobilizados. – Eu só... não tinha percebido.
– E agora que percebeu, não saiu por quê?
Law ficou sem saber muito bem o que dizer em resposta; seu corpo não se mexia apesar de não estar mais sendo obrigado a permanecer no chão, ele apenas conseguia olhar imóvel no fundo dos olhos de Drake, que já estava bem próximo dos seus, mas que foram se aproximando cada vez mais, de forma lenta e calma.
Até que seus olhos foram se fechando ao mesmo tempo e no mesmo ritmo, assim como os lábios de ambos, que foram abrindo-se até estarem a poucos milímetros de se encostarem, já podendo até trocarem as respirações. Entretanto...
[Eeeeeei, aviso de emergência!] – Antes de se tocarem, uma voz surgiu naquele quarto, através do comunicador de emergência que dava para ouvir do castelo inteiro.
– Han? – E que também fez os dois rapazes voltarem a abrir os olhos e se afastarem um pouco.
[Alerta de intruso! Um estranho invadiu o castelo, precisamos do Joker e do Corazón aqui!]
– Ai, graças a Deus. – Law aproveita o aviso e volta a si, jogando o ruivo para o lado e ficando em pé novamente. – Alguma coisa pra me tirar desse quarto abafado.
– Tsc, que saco. – Drake se levanta, impacientemente. – Ele disse que alguém invadiu o palácio? Quem invadiria essa coisa?
– Alguém sem muito o que fazer. – Law se arruma, endireitando o manto que usava e se preparando pra descer. – Você vem?
– Que seja, deve ser só mais uma besteira.
Mesmo não levando muito a sério, os dois desceram as escadas do palácio indo em direção ao primeiro andar. Lá embaixo, todos os guardas estavam envolta de Luffy, o segurando. O garoto tentava se debater para sair dali, enquanto Penguin somente imaginava a bronca que levaria.
– Eei, me larguem! – O garoto do chapéu de palha gritava e se debatia.
– V-Você acha que isso vai dar certo..? – Penguin pergunta à Robin.
– Não, eu acho que o Luffy vai descobrir que o Law está vivo e o Drake vai te bater até todos os seus ossos quebrarem, fazendo você ter uma hemorragia interna e morrer engasgado no próprio sangue. – Robin diz, otimista como de costume.
– A-Ai céus...
– O que tá acontecendo aqui?
Chegando em passos lentos, porém grandiosos, um alto homem loiro que usava óculos pesados e trajava roupas tropicais chegou, perguntando-se do ocorrido. Os guardas logo se afastaram e abrindo espaço, enquanto Luffy pôde vê-lo pela primeira vez.
– Ei, quem é você?! – O garoto exclama aos gritos. – Você é o tal do Rei daqui?
– Hã, quem é você, garoto? – E Doflamingo já não gosta dele.
– Ah, que bom, o Joker não sabe quem o engravatado é ainda. – Penguin diz, mais confiante.
– É melhor que ele não saiba. – E Robin responde.
– Ei, Luffy. – O ruivo vai até o moreno, afastando os guardas e sussurrando em seus ouvidos. – Não importa o que acontecer, não diz o seu nome, inventa qualquer outro nome, mas não diz o se–
– MEU NOME É LUFFY, EU SOU O NAMORADO DO TORAO E VIM AQUI CHUTAR A SUA BUNDA, MINGO!
– Hein?
– A-A-A-Ah... ahn... – Penguin ficou perplexo. – E-Eu não... acredito, ele... disse... isso... em frente ao Joker...
– Que gritos são esses/O que tá acontecendo aqui?
Após o grito que Luffy deu, Drake e Law finalmente chegaram ao primeiro piso do palácio, justamente onde tanto o garoto como Joker e o restante da confusão estavam. Foram correndo, até pararem em frente às escadarias e finalmente o reencontro estava feito.
– Han? – Luffy, que antes estava nervoso, com raiva e agitado, agora parecia que estava diante a um fantasma. E de fato estava mesmo! Não conseguia parar de olhá-lo, mas não acreditava no que via.
– Ahn? – E Law teve a mesma reação, visto que jamais esperava ver o garoto novamente, principalmente naquela ocasião, naquele local, naquela exata hora.
– Hã, oi? – Drake também se surpreendeu e não sabia que atitudes tomar, por isso ficou intacto. – Caramba, que louco... eu juro que tô vendo o Luffy na minha frente, acho que eu bebi demais.
– O que isso...
– … significa?
Law e Luffy estavam cruzando os olhares tão perfeitamente bem que fez parecer que só os dois existiam. Nem o palácio, nem os guardas, nem as pessoas ao seu redor faziam sequer algum tipo de diferença. Era como se a alma mais pura que existia estivesse quebrada no passado, mas que agora fora juntando-se de modo brusco, até voltarem a si.
– Tora... o?
– Luf... fy?
Luffy finalmente conseguiu voltar a falar direito e seus olhos não aguentaram. Logo, seu rosto estava coberto de lágrimas do início ao fim e sua boca trêmula só conseguia fazer uma só pergunta, até bem fácil de responder, mas que também era a mais importante de todas para o garoto naquele momento.
– Você... está vivo?
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