Pokémon: Unovas Mystery
9 Salvação inesperada para Carter!
Notas iniciais
Esse demorou um pouco menos, né?
Tudo bem, ele está um pouco ruinzinho, porque fiz meio correndo e não fiz revisão. Mas acho que irão gostar.
Naquele momento, Carter desejou jamais ter desejado virar um treinador naquela maldita tarde na Caverna da Pedra Carregada!
Tudo bem... Tinha curtido bons e eletrizantes momentos até agora. A batalha contra os Pokémons lutadores Sawk e Throh. A captura de Deino. As lembranças de Victini. A batalha perdida contra Clay. Krios e a revanche contra o líder do Ginásio.
Porém, aqueles Durant’s já estavam começando a dar trabalho. Vencê-los era complicado, não apenas pelo fato de eles terem bilhões de resistências e apenas serem fracos ao tipo Fogo, mas era que eram muito mais experientes. E essa diferença de nível ficou mais do que clara quando, com apenas uma Mordida de Inseto, um dos Durant’s levou Deino ao nocaute. Perfeito! Eram agora 200 contra um. E Drilbur já estava enfraquecido.
— Deino, amigão... Você deu o seu máximo. Volte agora! – e dizendo isso, Carter retornou seu dragão.
E então, já visando a vitória, os Durant’s avançaram. Todos eles preparando seus golpes favoritos, alguns com Garra de Metal. Outros com Corte X, Mordida de Inseto ou Mastigar.
— Cave! – ordenou Carter, no último momento. Com sua alta velocidade, Drilbur rapidamente tomou a forma de uma broca, unindo seus braços acima da cabeça e sumiu no subsolo, deixando um monte de Durant’s muito irritadas por terem errado seus golpes.
No entanto, outro problema se mostrou naquele campo de batalha. Pelo menos dez daquelas formigas de metal se mostraram capazes também de realizar o movimento Cavar e o fizeram. Adentraram o chão e lá por baixo, procuraram por Drilbur.
— Saia daí, Drilbur! Ou elas irão te encontrar! – mas não ouve resposta. Drilbur manteve seu silêncio e oculto debaixo da terra. O garoto então se desesperou. O que havia acontecido lá embaixo?
A resposta veio segundos depois, quando, de um dos buracos, um Durant brandindo as presas foi arremessado para fora. E logo em seguida, mais outro e outro. E então, outro deles saiu correndo, visivelmente amedrontado. E logo atrás dele saiu Drilbur, com as garras prateadas. Com uma Garra de Metal certeira no rosto de Durant, levou-a a nocaute.
— Muito bem, Drilbur! – comemorou Carter. Mas ele sabia que a batalha ainda não estava ganha. Sua toupeira ainda teria muito trabalho pela frente. E o primeiro deles seria enfrentar as duas formigas com um Corte X preparado, vindo em sua direção.
— Esquive! – ordenou Carter e no mesmo instante, como se estivessem mentalmente conectados, Drilbur rolou pelo meio do corte cruzado de uma delas, fazendo com que assim ficasse entre as duas Durant’s. Assim, quando a segunda Durant foi desferir o golpe, ele apenas saltou e fez com que ela atingisse a companheira. O dano poderia ter sido baixo, mas já era alguma coisa.
— Drilbur, tive uma ideia! – Carter gritou, se animando. Aquela última estratégia que seu Pokémon havia usado tinha lhe inspirado. – Fique bem no centro do círculo de Durant’s!
Entendendo o plano de seu treinador, a toupeira obedeceu. Abriu caminho entre as hordas de insetos metálicos e se posicionou no centro. Um alvo fácil para qualquer um deles.
E era exatamente isso que Carter queria. Mas ele precisaria de sorte se quisesse conseguir algo. E felizmente, essa sorte veio. Dois Durant’s foram apressados demais. Prepararam uma Cabeça de Ferro e com essa parte do corpo transbordando de brilho prateado, avançaram na direção da toupeira. No mesmo instante, Drilbur deu um salto no ar e quando caiu, já não era ele. Era uma broca girando que mergulhava o solo. Com a velocidade que estavam, as formigas não conseguiram parar a tempo e então, se chocaram, cabeça a cabeça. Meio zonzas, cambalearam pelo campo.
— Muito bem... – sussurrou Carter, para si mesmo. E então, assistiu Drilbur sair do solo, empurrando uma formiga. Esta caiu em cima de outra, que caiu em cima de outra, que caiu em outra e mais outra, criando assim, um esplêndido efeito dominó! No entanto, não foi o suficiente para derrota-las.
E havia outro ponto negativo nessa história. Eram muitos inimigos. E Drilbur jamais conseguiria manter aquele ritmo para derrota-las. Teria que fazer aquilo por pelo menos 3 dias, e, já cansado, não aguentaria sequer 10 minutos. Mas conseguiu se aguentar durante mais algum tempo.
As esperanças de Carter estavam na aposta de que, se ele e Drilbur resistissem bastante, as Durant’s iriam chegar a conclusão de que não valia a pena enfrenta-los e então, bateriam em retirada. Nesse caso, o garoto aproveitaria para fugir o mais rápido possível e chegar de volta a Driftveil. Mas, infelizmente, isso não aconteceu. As formigas, ao invés de fazerem o que Carter desejava, apenas ficavam mais e mais furiosas a cada vez que eram feitas de boba por Drilbur.
~X~
— Drilbur, não! – gritou Carter, após 5 minutos de luta. Sua toupeira ainda não estava desmaiada, mas chegava perto. Arranhões e machucados estavam espalhados pelo corpo. Marcas de mordidas na cabeça o faziam parecer alguma espécie de monstro. E seu corpo parecia uma cachoeira de suor. E o pior é que não tinha derrotado sequer metade das Durant’s. E o estado de Drilbur apenas piorava, até uma hora que ele viu que não daria mais.
Mas Carter sempre soube contar com a sorte. E novamente, na hora certa, no segundo certo, ele recebeu um milagre. Bem no momento em que seu Drilbur receberia o golpe final, uma Mordida de Inseto, de uma Durant, o resgate veio.
Um enorme Pokémon, repentinamente, saltou das trevas. Ele ficava contra a luz de modo que Carter apenas via sua silhueta, não conseguindo o identificar. Mas com certeza era seu amigo, pelo que fez a seguir. Com um Soco de Fogo, aquela criatura jogou longe a Durant que ameaçava Drilbur e então, para afastar as demais, disparou um poderoso Superaquecer, levando a nocaute uma boa parte dos adversários.
— Muito bem, Darmanitan! – uma voz familiar soou no túnel. A princípio, Carter não sabia dizer de onde ela vinha, mas quando ela falou de novo, percebeu que era de algum ponto a sua frente, com o emissor escondido na escuridão – Agora use a Carga de Chamas!
Com uma tremenda fúria, Darmanitan socou e bateu o pé no chão. Uma fumaça se formou ao seu redor e quando já podia ser visto de novo, estava encoberto de chamas, devastando o exército de Durant’s. E assim se sucedeu a seguir. Aquele Pokémon, aquele misterioso salvador foi apenas alternando entre Soco de Fogo, Superaquecer ou Carga de Chamas. Após alguns minutos de combate, restavam apenas uma dúzia de formigas em campo.
— Podemos finalizar isso, Darmanitan? – indagou o homem das sombras. Carter então reconheceu a voz, lembrando-se onde a escutara.
— Darmaa! – respondeu o Pokémon de fogo.
- Tio Carlos? – indagou o garoto, confuso. Então, aquele homem avançou mais para dentro do local luminoso do túnel e sua face pode ser vista. Ele tinha uma barba comprida, um bigode e cabelos castanhos encaracolados. Um óculos pequeno estava posicionado sobre o nariz. Quando se aproximou mais, ficou claro que vestia uma camiseta marrom, um colete de couro, calças jeans uns três números maior que as que ele deveria estar usando e sapatos de couro marrons. Ele apenas piscou para Carter e voltou a comandar seu Pokémon.
— Use o Superaquecer e finalize a luta com o Braço Martelo!
Darmanitan apenas suspirou, como se esperasse por algo mais difícil. Bateu no peito com os punhos e então, vomitou uma explosão de fogo, que mirou em todos os Durant’s. Em menos de 3 segundos, 11 estavam derrotados, restando apenas uma formiga diabólica. Sem muita dificuldade, o Pokémon de fogo se aproximou dela e com os braços brilhando, socou-a contra o chão, como quando alguém prega um parafuso com um martelo. A coitada não resistiu e caiu, desmaiada, no mesmo instante.
-Darmaaaa! – urrou o Pokémon, socando o próprio peito em sinal de vitória. Seu treinador, meio incomodado pelo barulho, se aproximou e deu um forte e caloroso abraço em Carter.
— Que bom que está bem. – disse ele.
- Obrigado por me... hum... Salvar, tio. – agradeceu o garoto.
- Não foi nada. Desculpe a demora. – Carlos começou, parecendo embaraçado – Seu pai me avisou que iria batalhar ontem, mas eu estava meio enrolado no trabalho. Sabe como é... Em Castelia nós somos bem atarefados... Mas acabei ficando com peso na consciência de não ver a primeira luta de Ginásio de meu sobrinho. Nesse caso, decidi correr para cá o mais rápido que pude. Peguei o avião e cheguei agora pouco. Quando vinha vindo pro Ginásio, ouvi que as minas tinham desabado, e que o líder de Ginásio e seu filho estavam lá. No mesmo instante, me desesperei. Tentei descer pela plataforma elevatória, mas os seguranças me barraram. Não deixariam ninguém “estranho” atrapalhar as investigações. Estavam procurando pelo seu pai e por você. No entanto, lembrei onde ficavam os tuneis de acesso para emergências. Por sorte, vim parar nesse e quando te vi, resolvi ajudar!
Carter apenas ouviu, em silêncio. Era realmente um alívio que seu tio estivesse ali, mas a história dele era algo realmente preocupante. Se a polícia estava procurando por Clay e ainda não tinha achado, significava que ele estava em uma camada profunda das rochas. Talvez morto. Isso não podia ser bom. Mas o garoto afastou esses pensamentos da mente.
— Muito obrigado, tio!- ele disse.
~X~
Minutos depois, Carter e Carlos já haviam avançado boa parte do túnel. O tio fizera questão de acompanhar o garoto, mesmo que este tivesse insistido para que ele fosse procurar pelo pai.
— Clay pode se cuidar. – ele dissera – Mas você nem conseguiu passar por um bando de Durant’s.
Conclusão: a viagem foi muito mais fácil. Darmanitan iluminou o caminho com seu punho em chamas e afastando os Pokémons selvagens também. Atrás dele, em completo silêncio, iam os dois humanos, atentos, observando todo canto, para não serem atacados de surpresa.
Mas o trajeto foi bem tranquilo, sem nenhuma aparição selvagem. No final, chegaram sãos e salvos até uma parede.
— Ótimo! Estamos presos! Sem saída! – reclamou Carter, chutando a parede de frustração.
- Deixa de ser pessimista! – reprovou Carlos – Aprenda a ver as coisas de outro jeito! – e com isso, começou a tatear a parede. Então, encontrou dois orifícios onde colocou os dedos e girou. No mesmo instante, a parede rangeu e um retângulo de mais ou menos 2 metros se abriu nela. Carter adentrou a nova porta, seguido de seu tio e de Darmanitan, sem acreditar no que via, incrédulo no lugar onde estava.
— Aqui é o meu banheiro! – exclamou ele para seu tio.
— Sim, é o banheiro da sua casa. – ele confirmou, passando a mão pela pia.
Carter olhou para trás e via que na parede ao lado da privada, estava a porta por onde havia entrado, dando ao enorme túnel que levava ao Ginásio.
— Seu pai construiu essa saída de emergência para dar na sua casa, sim. Isso forneceria uma saída mais segura em caso de assalto ou de ataque ao Ginásio. – explicou Carlos.
- Mas, espere aí... Você disse na sua história que para me achar, entrou pela saída do túnel. Ou seja, você entrou pela minha casa?
- Sim.
- E como conseguiu entrar?
- Achei a chave no Ginásio. Estava pendurada perto da recepção. Com a confusão que estava lá, foi fácil pegá-la.
- Humm... – Carter se segurou para não dizer: “Você roubou!”. O tio havia o salvado com a ajuda da chave, portanto, era até, de certo, modo bom que ele havia roubado.
— Bem, sobrinho, eu vou ficando por aqui. Você aprendeu a abrir e a fechar a porta de saída de emergência?
- Mais ou menos... – admitiu o garoto.
- Veja e aprenda! – com apenas um tapa no topo na porta, uma parede falsa começou a surgir pela lateral daquele retângulo, tapando-o completamente.
- Legal... – admirou Carter.
- Bem, fique dentro de casa! – continuou o tio – Não saia, não deixe ninguém te ver. Não queremos tornar mais polêmico o assunto do desmoronamento, certo? Deixe que eles acreditem que você ainda está lá embaixo, certo?
- Mas eu posso ir ao Centro Pokémon? – perguntou Carter – Porque Deino e Drilbur estão...
- Não, não pode! – interrompeu Carlos, ríspido. O garoto se encolheu – Eu vou ao Ginásio tentar achar o seu pai. Você fique aqui! Olha... – ele começou a vasculhar a bolsa e entregou dois frascos de líquido para o menino – Tenho aqui alguns medicamentos. Use nos seus Pokémons e tenho certeza que eles irão melhorar até eu voltar. Me escutou?
- Sim...
- Certo! Volto logo. – e dizendo isso, Carlos saiu do banheiro e desceu as escadas. Carter apenas escutou o som da porta batendo. E depois disso, foi direto para seu quarto. E, ao retirar Deino e Drilbur de suas Pokébolas, deu-lhes o medicamento. No mesmo instante, melhoraram um pouco, mas continuaram repousando em suas camas.
Quanto ao garoto, não aguentou ficar ali. Não sabia o motivo do escândalo do tio, mas não iria ficar quieto. Pegou seu celular e discou um número.
- Alô?-atendeu a voz do outro lado da linha.
- Oi! É da casa do Arthur?
- Está falando com ele. Quem é?
- Oi Arthur, aqui é o Carter!
- E aí, Carter? Espere aí... Carter? Você está vivo?
-Estou...
- Que legal, cara! Sabe, eu vi aqueles noticiários sobre o desabamento, e sobre as possibilidades de você estar morto... Mas eu nunca desanimei. Eu fiquei o dia todo aqui, pensando, no que aconteceria a você! Cara, que alegria... Mal posso esperar pra contar pro Len e...
- Não! – gritou Carter, mais alto do que pretendia.
- O que foi?
- Digo, é... Não ligue para ele ainda. Não fale sobre isso com mais ninguém, ok?
- Tá, mas... Por quê?
- Não sei. Mas meu tio está me pressionando. Algo de errado ele vê no fato de eu estar vivo. Até eu descobrir o que é, não fale nada sobre mim, certo? Mantenha-se de boca fechada.
- Certo, capitão Carter Clay!
- Estou confiando em você!
- Arthur Mawerickss não decepciona!
- Espero mesmo! Até logo, Arthur!
- Até!
E desligaram. Carter ficou um bom tempo remoendo mentalmente aquela conversa e os últimos acontecimentos.
Finalmente, acabou adormecendo. E então, finalmente, teve um sonho feliz.
Sonhou que encontrava sua mãe, que estava o tempo todo escondida no quarto dele. E um estranho V de fogo brilhava em sua janela.
Notas finais
Mordida de Inseto = Bug Bite;
Garra de Metal = Metal Claw;
Corte X = X-Scissor;
Mastigar = Crunch;
Cavar = Dig;
Cabeça de Ferro = Iron Head;
Soco de Fogo = Fire Punch;
Superaquecer = Overheat
Carga de Chamas = Flame Charge;
Braço Martelo = Hammer Arm.
Eu sei, ficou pequeno. Mas se eu aumentasse muito, ia acabar perdendo parte do sentido. Nesse caso, espero que tenham gostado.
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