Pokémon: Unovas Mystery
10 Mistério na Caverna
Notas iniciais
Mas ele será um capítulo "importante" para o desenrolar da história daqui para frente. Ele serve de introdução ao próximo capítulo, que, por sua vez, servirá de introdução para o resto da trama de toda a fan-fic.
Pois bem, lá vai:
Quando Carter acordou, a primeira coisa que viu na sua frente foi a cara de Drilbur.
- Driil?
- Oi, Drilbur... – ele gemeu, se remexendo de sono. O Pokémon o cutucou, mas teimoso, Carter não levantou. Continuou de olhos fechados, pensando em seu sonho.
- Drii-driil! – Drilbur voltou a chamar impaciente. Cutucou o treinador mais uma vez, mas quando viu que não adiantaria, decidiu mudar a estratégia. Com suas garras, desferiu um pequeno arranhão no braço de Carter. Não fora suficiente para um corte profundo, mas a dor o fez acordar com um grito.
- Ai! – protestou o menino, esfregando o arranhão – Você poderia ter me acordado de outro modo! Precisava disso?
A toupeira revirou os olhos e deu de ombros. O treinador bufou, levantou-se da cama e foi em direção ao banheiro do andar de cima da casa. Após fazer as necessidades básicas no vaso sanitário, foi até a pia, que se encontrava abaixo do espelho, que era pendurado a parede. Deparou-se com seu reflexo e suspirou. O garoto nunca andava exatamente arrumado, mas hoje ele estava parecendo um monstro. O cabelo castanho e levemente encaracolado parecia um ninho de ratos. As roupas estavam amassadas e sujas, como resultado da estadia na Arena B e do túnel de saída. Os olhos, normalmente verdes, estavam vermelhos, de tanta preocupação e medo que sentira durante o sono. Ele se lembrava até de ter chorado, enquanto sonhava com o dia em que perdeu a mãe, tão jovem...
Essa lembrança veio fazer mais lágrimas escorrerem por suas bochechas. No entanto, sentiu uma toalha manejada por pequenas mãos esfregarem seu rosto. Ele olhou para o lado.
- Obrigado, Drilbur.
- Driil! – sorriu a toupeira, voltando a toalha para o porta-toalhas. Vendo que seu treinador já se sentia melhor, ele voltou para o quarto, a fim de descansar junto a Deino.
Entediado, Carter foi tomar um banho. Despiu-se e adentrou a água gelada que jorrava do chuveiro. E, enquanto lavava os cabelos, ia remoendo mentalmente os acontecimentos daqueles últimos dias. Desde que saíra, naquela linda tarde, para ir treinar junto ao pai na Caverna da Pedra Carregada até o dia anterior, quando fora resgatado por seu tio Carlos junto a seu Darmanitan. Já tinha passado por vários momentos e nem ainda era um treinador oficial. E talvez nem sequer se tornasse, dependendo do estado atual de Clay. Se seu pai estivesse morto, jamais poderia dar-lhe a insígnia e era este item que o faria se tornar um Treinador. Este item lhe garantiria um passe para os outros Ginásios. Este item lhe garantiria uma chance de entrar para a Liga e talvez, para a história. E este item lhe garantiria a maior aventura de sua vida. E o que Carter podia fazer no momento era esperar.
Após o banho, colocou uma roupa limpa e deitou-se na cama, fitando o teto. Mas Carter tinha um problema: não era paciente. Não aguentou esperar dentro de casa pelo retorno de seu tio. Observou a paisagem pela janela de seu quarto. Uma leve garoa caía e a rua estava deserta. Apenas dois Purrloin’s varriam o lixo com suas garras, procurando comida.
“Não haverá problema se eu descer um pouco” pensou ele “Afinal, não há ninguém lá e o titio nem vai ficar sabendo. Aliás, nem conheço ele direito. Ele que pense que vai mandar em mim”. E com isso, desceu as escadas até a sala. Pegou um casaco e quando puxou a maçaneta da porta, esta não abriu. Tentou de novo. O mesmo resultado. Foi quando percebeu.
— Trancada... – o garoto deixou escapar um suspiro de raiva. Quem Carlos achava que era para trancar o menino lá dentro? Porém, existiam outros jeitos de sair de casa.
Voltou para seu quarto e lá, recolheu ambos os seus Pokémons nas Pokébolas. E então, avançou até a janela. Esta era simples, de madeira e com duas folhas que se abriam para o lado de fora. Ele as abriu cuidadosamente e então, colocou um pé para fora, apoiando-se no parapeito. Colocou o outro e sem pensar, saltou. Caiu com um baque na grama molhada do jardim. Ignorou os ralados novos no joelho e nos braços e ao se levantar, foi caminhando pela rua lateral de sua casa.
Estava completamente deserta e a garoa auxiliava para deixar Carter mais tranquilo. Odiava pensar na possibilidade de seu pai estar morto embaixo daquelas toneladas de pedras. Queria poder ajudar, mas sabia que se chegasse perto daquele Ginásio, não o deixariam entrar. Mas não quis continuar a ter esses pensamentos.
“Ele tem que estar vivo” tentou se convencer e continuou a caminhar pela calçada. Sua camiseta vermelha estava molhada pela chuva e a barra de sua calça jeans suja da lama que se acumulava na calçada. Mas não prestava atenção a isso. Carter apenas queria esquecer seus problemas.
Dobrou algumas esquinas e então, se viu frente a frente com a entrada do Clube de Batalhas da Cidade de Driftveil. Era um prédio alto, com pelo menos 10 andares e bem longo também. O símbolo de uma Pokébola com o nome do local brilhava palidamente acima da porta de vidro. Sua cor era marrom, mas agora parecia um triste cinza, sob as escuras nuvens de chuva. O lugar estava deserto.
Carter entrou pelas portas automáticas. Por dentro, o Clube de Batalhas estava inda mais deprimente. Uma pequena escada de dois degraus levava a um amplo salão com recepção e alguns sofás. Computadores desligados repousavam em cima da bancada. Um recepcionista estava de costas para Carter, arrumando alguns papéis. Por sorte, não o viu.
A frente deste salão, um imenso corredor se estendia, terminando em duas portas: uma de elevador e outra de escada. Aos lados, se abriam algumas outras portas que Carter sabia que davam em alguns campos de batalha. Naquele dia, porém, estavam vazios. Ninguém estava disposto a deixar sua casa para ir treinar por ali. Mas, para passar o tempo, Carter atravessou silenciosamente o salão e entrou na primeira porta.
— Klink, use o Raio Carregado! – gritou lá dentro uma voz familiar. Quando Carter viu melhor, distinguiu a pequena engrenagem disparando um forte raio elétrico de seu corpo, que se chocou contra uma parede. Felizmente, o ataque não a destruiu.
— Len? – indagou Carter, surpreso. De todas as pessoas que achava que poderiam estar ali, Len era a última delas. Ele jamais saía de casa em dias frios. Era preguiçoso demais.
— Olá, Carter. – respondeu o amigo, limpando o suor da testa. – Como vai?
- Não está surpreso em me ver vivo?
- Não muito. Arthur me ligou e disse-me. Mas ele me pediu para não contar para ninguém.
“Tenho contas a acertar com o Arthur depois...”, pensou Carter.
- Eu pedi para ele não contar para ninguém...
- Relaxa, maninho! – sorriu Len – Eu vou ficar calado.
— Espero... — suspirou Carter – Mas, o que você estava fazendo aqui? Nunca vejo você sair em dias de chuva.
- Ah, fiquei com vontade de treinar. Sabe como é. Dewott e Klink estavam ficando cansados de não fazer nada. Por isso, decidi vir aqui. Imaginei que estaria vazio, o que me daria uma ótima oportunidade de ficar um pouco sozinho, entende? Já fiz duas batalhas com meus Pokémons e agora estava treinando alguns movimentos em especial. O Raio Carregado do Klink ainda não está completamente aperfeiçoado.
— Kliiin! – vibrou o Pokémon metálico, visivelmente chateado.
- Não fica assim, amigão! – tranquilizou-o Len – Você vai conseguir. Eu prometo!
- Klin! – sorriu Klink, antes de ser recolhido na Pokébola pelo seu dono.
Carter relaxou. Toda a tensão sobre a história de seu pai e de seu tio, todo aquele medo de seu pai estar morto, toda a insegurança que sentia perto do tio... Tudo sumiu num piscar de olhos, graças àquela tranquilidade que Len tinha e ao afeto em relação aos seus Pokémons.
— Bem... – Len se sentou no chão e bebeu um gole de água de uma garrafa que tirara da mochila. Depois, se levantou e se espreguiçou – E você? O que veio fazer aqui? Não queria manter segredo?
— Sim, queria. Mas fiquei entediado. E decidi dar uma voltinha.
— Entendo... Nesse caso, o que acha de irmos treinar na Rota 6? – sugeriu o loiro – Lá é bem tranquilo, principalmente quando chove. Poderemos encontrar alguns Pokémons para lutar, sei lá.
— Por mim, tudo bem! – sorriu Carter. A coisa que mais queria naquele momento era um treino tranquilo, se livrar das emoções ruins que estava tendo. E assim foi junto a Len.
Vinte minutos depois, fugindo de repórteres que rondavam a cidade e autoridades, Len e Carter chegaram à Rota 6. Estava perfeitamente calma, com a chuva respingando no rio e os Pokémons andando pela floresta. Carter inspirou fundo o cheiro da natureza.
“Perfeito!” pensou ele.
— Vamos – chamou o seu amigo – Quero te levar até a Caverna da Pedra Carregada. Existem bons Pokémons para treino por lá.
— Tem certeza? – quis saber Carter – Tipo, eu não tenho experiências muito boas por lá, não. Da última vez, você sabe o que aconteceu.
— Sim, eu sei. Mas você acha mesmo que um Sawk e um Throh pulam em todo mundo que aparece na caverna?
— Não sei...
- Cara, eu vou lá treinar todo dia! Não tem necessidade de ter medo.
Relutantemente, Carter aceitou. Era verdade que não tinha perigo em aproximar-se da caverna com um cara mais experiente, que tem 3 insígnias, mas mesmo assim... Clay era um líder de Ginásio. E se os Pokémons lutadores conseguiram subjugar até os Pokémons dele... O garoto ficou imaginando o Klink e o Dewott sendo derrotados por Pokémons pirados, enquanto seguia seu amigo, em direção à grande caverna que se erguia na sua frente.
É verdade que Carter não se impressionou muito ao ver a caverna com seus cristais flutuantes de novo. Mas ficou extremamente amedrontado quando viu, bem ali na sua frente, dois homens vestidos em uniformes estranhos carregando uma caixa feita de ferro, cheia de fios, fusíveis e botões.
— Quem são eles? – o garoto indagou.
— Não chegue perto! – ordenou Len, se abaixando atrás de um rocha. Carter o imitou.
— Quem são? E o que fazem aqui?
— Tenho a impressão que os conheço... De algum noticiário da TV. Mas não lembro qual. Vamos apenas segui-los.
E assim fizeram. Os dois homens eram lentos com a caixa na mão e de vez em quando, ela estalava e soltava faíscas, o que revelava sua posição. Foi fácil para os garotos os seguirem.
Tiveram que dobrar algumas “esquinas” e seguir alguns túneis. Logo, os dois uniformizados chegaram ao final de um corredor de cristal, um beco sem saída. O silêncio reinava, a não ser os sons dos estalos provocados pela caixa e pelas rochas magnetizadas da caverna. Len esperava que os homens haviam chegado ao fim da linha, mas estranhamente, um deles inseriu uma chave numa fenda da parede e esta se abriu como uma porta. O loiro teve que tapar a boca do amigo para que ele não gritasse de susto.
— Vamos pular para dentro quando eu terminar de contar até três, entendido? – sussurrou Len.
- Sim! – respondeu Carter.
— Vamos lá... Um... – quando as portas começaram a se fechar, Len acenou – Três! – e pulou para dentro da nova área. Carter o seguiu e a porta fechou-se, deixando-os no escuro completo.
— Ora, ora... – disse uma nova voz, vinda mais do fundo da área secreta – O que temos aqui?
E nesse momento, uma luz acendeu-se!
Notas finais
Raio Carregado - Charge Beam
Espero que tenham gostado.
Espero reviews. o/
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