➀ Pokémon: Red

2 A Cidade Sempre Verde


Red não conseguia deixar de olhar para a sua pokebola, onde Charmander descansava em seu interior, e de sua pokédex, enquanto aguardava pelo Professor Carvalho do lado de fora do laboratório. O mesmo havia se oferecido para acompanha-lo até a Cidade de Viridian.

Não demorou muito e logo o professor deixou o laboratório e se juntou ao garoto, animadamente.

— Acho que o Blue saiu do laboratório tão irritado que acabou se esquecendo do cartão de treinador — disse o professor, rindo — Tome aqui.

Ele estendeu sua mão e entregou a Red um pequeno cartão onde era possível ler seu nome, cidade natal e o título de Treinador Pokémon.

— Muito obrigado — agradeceu Red, deslumbrado.

— Apresentando esse cartão, você poderá ter acesso aos ginásios de batalha e também ao Centro Pokémon. Ele é bastante útil para treinadores. Quando o Blue se der conta de que esqueceu o dele, ele retornará, com certeza. Por ora, vamos partir!

Antes que pudessem dar mais algum passo, um belo jipe verde avançou pela estrada de terra, levantando poeira atrás de si. Red o reconheceu como o mesmo veiculo usado pelo professor mais cedo, na Rota 1. Porém dessa vez, quem o pilotava era uma garota alguns anos mais velha do que Red, com os cabelos castanhos e cumpridos esvoaçando ao vendo, vestida com um vestido verde, usando também sapatos e uma tiara da mesma cor.

— Querem uma carona? — ofereceu ela, após parar o jipe bruscamente diante deles e buzinar energicamente.

— Ora, eu esperava atravessar a Rota 1 a pé, para mostrar um pouco da rotina ao jovem Red — explicou o Professor Carvalho, embaraçado — Mas talvez seja mais eficiente chegarmos a Viridian para comprar logo as pokebolas do Red antes que ele possa confrontar os pokémons.

Red encarou a garota, que lhe sorria de forma simpática, tentando se lembrar de onde a conhecia, pois tinha certeza que sua fisionomia não lhe era estranha. O Professor Carvalho lhe poupou o esforço de lembrar quando explicou:

— Essa é minha outra neta, Daisy Carvalho. Ela é a irmã de Blue.

— A irmã? Ah sim, claro! — Red enfim se lembrou, já a vira algumas poucas vezes acompanhando o irmão mais novo.

Seguindo Professor Carvalho, Red sentou-se no banco de trás do veículo e por fim eles partiram. Daisy corria bastante, deixando o garoto um pouco embaraçado e inseguro.

Enquanto avançavam pelas entradas empoeiradas de Pallet, Red não conseguia deixar de sorrir. Embora gostasse desse lugar, havia algo especial em deixa-lo para trás e estar mergulhando em um mundo completamente novo e repleto de aventuras. Eles atravessaram também o assombroso bosque da rota 1, embora dessa vez, Red não o tivesse achado tão grande ou assustador quanto pareceu no dia em que se aventurou por ali e toparam com aquele Pikachu selvagem. Agora, o caminho era belo, repleto de árvores e flores, com alguns vultos correndo por entre a grama, que ele imaginou ser mais alguns pokémons selvagens, que esperava poder conhecer um dia.

— Então... — começou Red, tentando quebrar o silencio — Você também é uma Treinadora Pokémon, Daisy?

— Ahm, eu? Não. Nada de batalhas pokémon para mim — afirmou Daisy — Prefiro mil vezes ficar na varanda tomando um bom chá com o meu avô.

— Mas como eu já disse muitas vezes a ela, Daisy daria uma ótima treinadora – contou o Prof. Carvalho — Ela tem um dom excepcional para acalmar qualquer tipo de pokémon.

Após um tempo que pareceu ser bem curto visto que percorreram de carro, eles finalmente avistaram a cidade de Viridian. Era visivelmente muito maior do que Pallet com mais prédios e ruas pavimentadas, embora houvesse um grande equilíbrio entre o concreto e as árvores que também ocupavam o local, seja nas calçadas ou nos parques que atravessaram pelo caminho. Havia também uma concentração maior de pessoas andando apressadas por entre as inúmeras residências e estabelecimentos.

— Esse lugar é tão bonito — anunciou Red, enquanto não conseguia parar de olhar ao redor, deslumbrado.

— Ah sim, essa é a Cidade de Viridian, apelidada também como a “Cidade Sempre Verde”. Ela foi construída no meio da Floresta de Viridian.

— Eles têm um ginásio por aqui?

— Tem sim, embora eu não recomende que você os enfrente agora. Você ainda tem apenas um Charmander e ainda não teve tempo de treiná-lo como devia.

Após avançar por mais algumas ruas, Daisy por fim estacionou bruscamente diante de uma construção de paredes brancas e telhado azul, cuja placa indicava o “Mercado Pokémon”.

— Chegamos! — anunciou Daisy, saltando do veículo animadamente.

Ao lado do avô, eles começaram a adentrar no estabelecimento, mas o Prof. Carvalho parou bem na porta ao perceber que Red não os estava seguindo.

— Você não vem? — perguntou o mais velho.

— Na verdade, eu gostaria de ficar aqui fora. Quero ver um pouco mais dessa cidade — pediu Red.

— Tudo bem! Só não vá se perder, hein?

O professor enfim adentrou no mercado logo atrás da neta. Antes das portas se fecharem, Red pode vislumbrar um pouco do interior do mercado, com prateleiras espalhadas por todo lado e com inúmeros produtos muito bem organizadas. Haviam algumas pokebolas e frascos cujo conteúdo ele desconhecia.

Red avançou tranquilamente pela calçada, olhando para o alto deslumbrado pelas ruas cobertas pelas folhagens nas árvores e era possível ver algumas aves sobrevoando a parte mais alta dos prédios. Inconscientemente, o garoto virou a esquina e quando o fez, sentiu algo caindo sobre sua cabeça e rastejando por cima de seu boné. Red se debateu assustado e uma pequena criaturinha caiu de cima de sua cabeça para o chão.

Era uma espécie de inseto, com o corpo de larva segmentado em gomos, com a coloração amarelada. Tinha o nariz grande e rosado, com patas pequenas e arredondadas no mesmo tom rosado. No final de seu corpo havia um ferrão cônico de cor branca e sua cabeça tinha um chifre pontudo.

— Que pokémon é esse? — perguntou Red a si mesmo, sacando a pokédex.

“Weedle: um pokémon do tipo inseto. Muitas vezes é encontrado em florestas, comendo folhas. Tem um ferrão venenoso e afiado em sua cabeça”

O garoto logo notou que o Weedle olhava para ele enfurecido. Provavelmente devido o fato de que quando Red o derrubara de sua cabeça, o pequeno inseto caira de cara no chão e agora seu nariz demonstrava um inchaço anormal.

— Me desculpe, eu...

Porém, antes que Red pudesse se desculpar, Weedle já investia contra ele, apontando seu chifre direto para a perna do garoto, que rapidamente se esquivou e escapou do golpe.

— Ótimo, se é batalha que você quer, é isso que você terá. Saia, Charmander! — o garoto lançou sua pokebola para o alto e deixou Charmander sair — Use o Arranhão!

Charmander saltou por sobre o Weedle, que observou assustado o inimigo avançando contra ele. Charmander o golpeou em cheio com suas garras, arremessando Weedle no ar e fazendo-o colidir contra um tronco de árvore, caindo no chão em seguida, aparentemente desacordado.

— Você foi ótimo, Charmander — elogiou Red animado, olhando para seu próprio pokémon que também não cabia em si de tanto orgulho — Derrotamos nosso primeiro pokémon selvagem, mas... como vou captura-lo agora sem uma...

— Pokebola, vai! — gritou uma voz grave vindas das costas de Red. O garoto viu uma pokebola voando por cima de seus ombros e atingindo o Weedle caído em cheio na cabeça. A esfera se abriu, sugando o inseto para dentro em meio a um raio avermelhado. Com o pokémon lá dentro, a bola se agitou algumas vezes antes de ficar imóvel.

Red olhou para trás, boquiaberto. Um velho saltava de um lado para o outro animadamente e em seguida correu para recolher sua pokebola do chão.

— Hahaha! Finalmente peguei um pokémon — gritou o velho, aparentemente muito feliz e satisfeito.

— Hey, isso não foi nada legal — disse Red, franzindo a testa.

— O que disse, moleque?

— Fomos eu e meu Charmander quem derrotamos esse Weedle. Nós é que tínhamos direito de capturar esse pokémon.

— É mesmo? E por que não jogou sua pokebola?

— Bem... eu não... tenho nenhuma...

— Pois bem garoto, fim de papo

— E quem é o senhor, afinal?

— Meu nome é Miyagi — se apresentou o velho. Apesar das rugas denunciarem a idade avançada, o sorriso no rosto dele era muito jovial por baixo do bigode branco. Ele era careca na parte de cima da cabeça, mas tufos de cabelos grisalhos lhe saltavam dos lados de trás da cabeça. Ele era baixinho, magricelo e de costas curvado — Eu estava perseguindo esse Weedle bem antes de você aparecer, moleque. Ele é meu por direito.

— Mas fui eu quem o derrotou!

— Claro, eu não tenho nenhum outro pokémon comigo para batalhar com ele, então deixei você fazer isso para mim.

— Ora seu... sujo!

Red apontou o dedo na direção do velho, furioso, mas acabou acanhado quando alguém apontou uma gigantesca câmera de TV bem na sua cara. O garoto sequer tinha visto alguém se aproximando e ficou paralisado e envergonhado diante das câmeras.

— Que tal me explicar por que estava discutindo com o meu avô? — perguntou o homem que segurava a câmera. Era um homem alto e musculoso, com os cabelos pretos e costeletas longas ao lado das orelhas. Vestia uma regata e uma bermuda branca e tinha um apito vermelho pendurado no pescoço. Ele sorriu desafiadoramente.

— O Sr. Miyagi é o seu avô? — repetiu Red, tentando evitar olhar diretamente para as lentes. Ele se imaginou se aquilo estava sendo transmitido ao vivo em alguma emissora de TV.

— Foi o que eu disse.

— O seu avô capturou o Weedle que eu e meu Charmander acabamos de derrotar!

— Isso é verdade, vovô? — perguntou o homem, olhando incrédulo de Red para Miyagi.

— Bem, eu acho que sim — confessou o velho, rindo descaradamente.

— Eu peço desculpas por isso — disse o homem, baixando a câmera — Meu nome é Primo.

— Eu sou Red, de Pallet! Será que posso perguntar o porquê dessa câmera?

— Ah isso? — ele ergueu novamente a câmera — Ela está desligada no momento, eu só queria envergonha-lo por que achei que estava brigando com o meu avô sem motivo. Sei que deve estar me reconhecendo. Sou apresentador do “Me Mostre o Show”!

Ele fez uma pose ridícula colocando ambas as mãos na cintura e olhando para o céu de forma esnobe.

— Na verdade... não — disse Red, com uma sinceridade tímida.

— Não conhece? — indagou Primo, indignado — É o programa de maior audiência da Teachy TV.

— Olha, eu nunca fui muito de acompanhar programas de TV, na verdade.

— É um programa voltado para treinadores iniciantes onde damos várias dicas de como iniciar sua jornada.

Foi como seu uma lâmpada se acendesse na cabeça de Red e ele finalmente se recordou de uma das poucas vezes que realmente parava na frente da TV. Já fazia anos desde a ultima vez que assistira “Me Mostre o Show”, algo que costumava fazer enquanto se imaginava tendo suas próprias aventuras um dia.

— É claro! Eu me lembro agora — admitiu Red, para alivio de Primo, que voltou a sorrir animado — Eu gostava ver você enquanto me imaginava me tornando um treinador pokémon.

— É muito bom ouvir isso de um fã — disse Primo, novamente sorrindo orgulhoso — Que tal se você participasse do próximo episódio do programa?

— Isso seria mesmo muito incrível!

— Eu estava indo gravar agora mesmo! Você pode vir comigo se quiser.

E Red não pensou duas vezes antes de aceitar fazer companhia ao apresentador. Os dois se afastaram avançando pelas ruas à oeste até uma área selvagem em meio à mata fechada, seguidos pelo Sr. Miyagi que a cada passo, reclamava das dores nas costas

— Onde estamos exatamente? — perguntou Red, olhando para os lados curioso.

— Essa é a Rota 22umas das saídas da Cidade de Viridian. Comum para aqueles que querem chegar aos portões da Liga Pokémon — explicou Primo.

— É mesmo? Então quer dizer que a Elite Quatro está lá?

— Muito provavelmente sim.

— Eu espero poder desafiá-los um dia...

Após alcançarem um certo ponto, Primo entregou sua câmera nas mãos do avô, que chegou a cambalear diante do peso do equipamento, mas com certo esforço conseguiu coloca-la sobre os ombros e apontarem para Primo e Red bem na sua frente.

— Pois bem, você está pronto? — perguntou Primo, animado.

— Não muito — admitiu Red, confuso — O que exatamente...

— GRAVANDO! — anunciou Miyagi, batendo uma claquete e sobressaltando Red.

— Olá espectadores! Sejam bem-vindos a mais um episódio de “Me Mostre o Show” — introduziu Primo, abrindo os braços entusiasmado. Ao seu lado, Red parecia tímido diante das câmeras e um tanto perdido sem saber muito bem o que devia fazer — E como podem ver, será um episódio bem diferente. Hoje trago aqui um convidado, um treinador iniciante vindo da Cidade de Pallet, Red!

— O-oi p-pessoal — gaguejou Red, acenando para a câmera de maneira tímida.

— E hoje vamos estar acompanhando a jornada de Red, que vai capturar seu primeiro pokémon bem diante de nossas câmeras!

— Espere um pouco — interrompeu Red — Eu não tenho uma pokebola? Como posso fazer isso?

— Não tem problema meu jovem, eu te empresto uma — disse Primo, empurrando uma esfera para os braços do garoto — E veja, bem ali! Parece que tivemos sorte!

Primo apontava para um arbusto ali ao lado, que se sacudia e parecia que havia alguma coisa ali atrás, prestes a saltar e ataca-los. Red não esperou para ver quem seria, e logo tratou de enviar Charmander para fora. Seguiram-se alguns segundos de suspense até que um vulto amarelado saltou para fora do arbusto.

— E vejam só — gritou Primo, entusiasmado — Temos um...

— Pikachu — reconheceu Red, com espanto. Seus olhos logo encontraram a pequena ferida na cabeça do pokémon amarelo e o garoto ficou ainda mais surpreso — Esperem, eu conheço esse Pikachu!

— O que disse?

— Veja aquela marca na cabeça dele! Fui eu quem fez aquilo quando estava tentando salvar o Prof. Carvalho de ser atacado por esse Pikachu.

— Espere um pouco, você disse que salvou o Prof. Carvalho? — indagou Primo, espantado — Poucas pessoas podem se vangloriar disso e...

— CUIDADO! — berrou Red, empurrando Primo a tempo de evitarem uma rajada de eletricidade disparada de surpresa pelo Pikachu.

— Uau, isso foi um Choque do Trovão — anunciou Miyagi, se afastando suficiente para pegar o melhor ângulo para filmagem.

Red e Charmander encaram Pikachu com ferocidade.

— Use o Grunhido! — ordenou Red.

Charmander soltou um grito agudo que distorcia o ar com suas ondas sonoras. Porém, Pikachu não se deixou ser atingido, se esquivando saltando numa velocidade surpreendente, deixando apenas um rastro esbranquiçado às suas costas enquanto avançava.

— É o Ataque Rápido! — explicou Primo.

Antes que pudessem vê-lo se aproximando, Pikachu já estava diante de Charmander, cabeceando-o com força e velocidade, arremessando o inimigo no ar. Em seguida, ele disparou uma nova rajada de eletricidade que atingiu seu oponente no ar.

— CHARMANDER! — gritou Red, correndo na direção de seu pokémon e se atirando no chão de braços estendidos, para agarra-lo antes que atingisse o solo. Charmander estava desacordado.

Ao notar que havia saído vitorioso, Pikachu soltou uma risada maléfica antes de sair correndo e desaparecer novamente em meio aos arbustos.

— Não perca ele de vista! — gritou Primo ao avô, enquanto ele corria na direção do Pikachu e também desaparecia de vista. Miyagi seguiu o neto, correndo desconfortável por causa do peso da câmera e resmungando de dor nas costas a cada passo dado.

— Esperem! Onde estão indo!? — chamou Red, enquanto retornava Charmander para dentro da pokebola e também seguia na mesma direção que os outros.

Por fim, o trio acabou chegando novamente até o Pikachu, que se viu encurralado entre eles e um rio bastante largo e de correntezas violentas.

— O show tem que continuar, não é mesmo? — perguntou Primo, com um olhar de ferocidade no rosto — Eu mesmo pegarei esse Pikachu. Eu escolho você... Butterfree!

O apresentador jogou a própria pokebola para o alto, liberando um pokémon inseto. Ele tinha um corpo roxo, com grandes olhos vermelhos e um focinho azul por onde caiam um par de presas. Suas mãos eram curtas e as pernas compridas, tinha duas antenas negras na cabeça e um par de asas brancas com detalhes em preto.

Butterfree: um pokémon inseto e voador. Em batalha, bate as asas em alta velocidade para liberar poeira altamente tóxica no ar

— Uau, um Butterfree — admirou-se Red, após guardar usar a pokédex para escanea-lo — Ele parece poderoso!

— Oh, sim — concordou Primo — O Butterfree é a última forma da evolução de sua espécie.

— Ah sim, eu lembro de ter aprendido sobre isso no seu programa. Quando os pokémons obtém experiencia suficiente em batalha, eles evoluem para uma nova forma.

— Exatamente. Eu peguei meu pokémon quando ele era apenas um Caterpie, que depois evoluiu para Metapod e hoje ele se tornou esse belo Butterfree. E vamos ensinar você como se faz uma batalha de verdade. Vamos lá, use os Esporos Atordoantes!

Agitando as asas com velocidade, Butterfree começou a liberar uma nuvem de poeira amarelada que atingiu Pikachu em cheio. Ele pareceu perdido, sem saber o que aconteceria em seguida, mas quando tentou avançar, percebeu que era incapaz de fazê-lo e começou a encarar as próprias patas com espanto.

— Por que ele não consegue andar? — indagou Red, notando que o Pikachu parecia incapaz de fazê-lo.

— Os Esporos Atordoantes são capazes de paralisar os pokémons e pessoas que inalarem o seu pó — explicou Primo — Nesse momento, Pikachu é incapaz de se mover. Por isso, Butterfree, use a Investida!

Enquanto Butterfree mergulhava no ar em direção ao seu oponente, Pikachu lançou a ele um olhar desafiador e em seguida, disparou um novo Choque do Trovão que atingiu seu oponente a meio caminho. O Butterfree foi arremessado para trás e caiu por sobre Primo, levando ambos ao chão.

— Mas o que... — começou Red, incrédulo.

— Acho que meu neto se esqueceu de uma coisa — disse Miyagi, rindo de forma irritante — Mesmo paralisados, algumas vezes os pokémons ainda conseguem atacar.

Eis que para surpresa de todos, Pikachu atirou para dentro do rio e se deixou ser carregado pela correnteza, enquanto lançava uma risadinha maquiavélica e desaparecia da vista de todos. Primo se levantou, recolhendo o próprio pokémon e se dirigindo para as câmeras com um olhar envergonhado.

— Bem, parece que não se pode ganhar todas, não é mesmo? — disse ele, coçando a cabeça e soltando uma risadinha sem graça.

Todos voltaram a se assustar quando um barulho começou a crescer dentro da mata, até se tornar mais alto à medida que a origem do som se aproximava. Com um ronco de motor ensurdecerdor, um jipe surgiu diante deles saído do meio das arvores e estacionou bruscamente a poucos centímetros de cair dentro do rio. Um Prof. Carvalho bastante atordoado desceu do veiculo, seguido pela neta que correu em direção à Red.

— Você está bem? Ficamos preocupados — perguntou Daisy.

— Eu estou... — começou Red, mas foi interrompido pelo Prof. Carvalho, que se dirigia a ele com uma voz furiosa e as mãos na cintura em sinal de repreensão.

— Pensei ter dito para nos esperar do lado de fora do mercado. Podia ter se machucado

— Me desculpe — pediu Red, baixando a cabeça.

— Ora, vovô, daqui a uns dias, Red estará por conta própria — defendeu Daisy — Ele precisa aprender a se virar sozinha.

— Talvez... — concordou o professor, a contra gosto.

— Eu o encontrei novamente, professor — contou Red — Aquele Pikachu de Pallet.

— É mesmo? Então isso significa que ele continua perdido por aí — disse o professor, coçando o queixo, curioso.

Enquanto eles conversavam, Primo e Miyagi se aproximavam lentamente, boquiabertos e com os olhos pregados no Prof. Carvalho como se ele fosse um grande pedaço de diamante ambulante. O professor só lhes deu atenção de fato quando o senhor Miyagi lhe enfiou a câmera em sua cara e Primo se dirigiu a ele com animosidade.

— Ei, Prof. Carvalho — chamou Primo, sacudindo a mão diante do rosto do professor — Poderia dar uma entrevista ao nosso programa?

— Na verdade, eu estou um pouco ocupado... — começou o professor.

— Por favor — pediu Miyagi.

— Conte-nos um pouco das suas histórias — suplicou Primo.

O professor olhou de Red para Daisy e de volta aos apresentadores. Ele suspirou e então voltou-se aos seus fãs, falando com um tom paciente.

— Bom, teve aquela vez, em Cinnabar...

•••

A porta do Laboratório de Pesquisa de Pallet se abriu lentamente e Scarlett adentrou timidamente segurando em mãos uma cesta de palha. Ela murmurou um “olá”, mas não obteve resposta. Ela então avançou ainda mais por entre as inúmeras prateleiras cheias de livros e arquivos até que chegou ao fundo do laboratório, onde a escrivaninha estava ocupada pela única pessoa que parecia ainda estar ali dentro. Ela o reconheceu imediatamente.

— É você, Blue? — perguntou Scarlett, embora soubesse que era — Faz tempo que não o vejo. Você cresceu mesmo, hein?

— Que seja — disse Blue, impaciente.

— Onde está o Prof. Carvalho? E o Red? E todo mundo do laboratório?

— Os outros cientistas já foram para suas casas. O meu avô saiu com o Red e a minha irmã para Viridian e me deixou aqui esperando. Droga. Eu tinha que me esquecer do meu cartão de treinador? Sem ele, não vou conseguir desafiar nenhum ginásio ou usar nenhum Centro Pokémon. Eu procurei em tudo por aqui, mas acho que deve estar com o meu avô, é claro.

— Então, ele já partiu? — indagou Scarlett, em tom choroso — O meu Red já partiu para sua aventura? Que pena. Eu esperava ainda o encontrar aqui uma última vez. Eu fiz essa cesta para ele, com alguns lanchinhos...

Uma janela se partiu ao lado deles e uma esfera metálica arredonda entrou em meio a estilhaços de vidro e explodiu liberando uma fumaça negra. Scarlett derrubou sua cesta, assustada, e recuou para o outro lado da sala junto com Blue, ambos tossindo muito por causa da fumaça.

— Mas o que está acontecendo? — perguntou Blue, tentando ver o que originara aquilo.

Assim que a fumaça começou a se dissipar, foi possível ver dois vultos surgindo, sendo um feminino e outro masculino.

— Prepare-se para a encrenca! – começou a mulher

— Encrenca em dobro! — continuou o homem

— Para proteger o mundo da devastação!

— Para unir as pessoas de nossa nação!

— Para denunciar os males da verdade e do amor!

— Para estender nosso poder as estrelas

— Ártemis! – apresentou-se a mulher

— Apolo! — apresentou-se o homem

— Equipe Rocket decolando na velocidade da luz!

— Rendam-se agora ou prepare-se para lutar!

Notas finais
No próximo capítulo, "PARA A GLORIA DA EQUIPE ROCKET" Uma dupla de bandidos invade o Laboratório de Pesquisas do Professor Carvalho atrás de um misterioso artefato. Esse será o primeiro confronto de Red com os membros da organização mais temida da região de Kanto