➀ Pokémon: Red

3 Para a glória da Equipe Rocket


Enquanto a fumaça dentro do Laboratório de Pesquisas continuava a se dissipar, as características dos invasores se tornavam mais nítidas para Blue e Scarlett, que continuavam a encara-los sem de fato entender muito bem o que estava acontecendo.

— Equipe Rocket? — indagou Scarlett, confusa.

— Acho que já ouvi falar deles algumas vezes — disse Blue — São uma organização criminosa que atua por toda a região de Kanto.

— Criminosos? — repetiu Scarlett, dessa vez preocupada.

— Exatamente. Eles são conhecidos por roubar o pokémon das outras pessoas. Tem membros atuando por toda extensão do continente. A polícia acredita que eles os vendam no mercado negro.

— Mas isso é terrível!

— O que vocês querem aqui afinal? — perguntou Blue, dessa vez dirigindo-se para os invasores — Saiam agora mesmo do laboratório do meu avô!

— Hora garotinho, parece que você não entendeu a situação — começou Apolo, rindo ironicamente.

— Você não está em situação de dar ordem — continuou Ártemis.

— Se vocês não vão sair por vontade própria, então eu vou força-los a isso — falou Blue, atirando sua pokebola para o alto — Saia, Squirtle!

Quando o pequeno pokémon azulado apareceu, os bandidos o encararam com surpresa e em seguida começaram a gargalhar.

— Isso é alguma piada? — perguntou Apolo.

— Como ousam... — ralhou Blue, cerrando os dentes, furioso.

— Essa com certeza é a nossa primeira missão oficial como membros da Equipe Rocket, mas isso não é motivo para nos subestimar — disse Ártemis.

— Como se atreve a enviar um pokémon tão fraco contra nós?

— Nós chegamos em Pallet sem nenhum pokémon no bolso e pelo caminho conseguimos capturar alguns que são muito melhores do que o seu Squirtle.

— Ora, seus... — começou Blue, furioso pelas provocações, enquanto observava os criminosos atirando as próprias pokebolas no ar.

— Vai Zubat — ordenou Ártemis.

— Eu escolho você, Rattata — ordenou Apolo.

O Zubat era um pokémon azulado de corpo pequeno, não tinha olhos no rosto, apenas uma grande boca com dentes afiados. Tinha grandes orelhas pontudas no topo da cabeças, além de um par de asas com membranas roxas e dos dedos alongados. Também havia um par de finas caudas abaixo no corpo e ele voava batendo as asas muito rapidamente. Blue imediatamente apontou sua pokédex para ele.

Zubat: um pokémon do tipo Venenoso e Voador. Formam colônias em lugares escuros e usa ondas ultrassônicas para identificar e abordar alvos

Por sua vez, Rattata era um pequeno pokémon roedor quadrupede. Tinha um focinho alongado e com um grande dente forte, grandes orelhas e pelos roxos cobrindo as costas, enquanto que na parte de baixo do corpo era de uma cor creme. Tinha dois fios de bigode grosso saltando por cada uma das bochechas e sua cauda era empinada e enrolada na ponta.

Rattata: um pokémon do tipo Normal. Morde tudo em seu caminho para afiar as presas, que crescem constantemente. Pequeno e muito rápido, é comumente encontrado em muitos lugares”.

— Não pensem que eu e meu Squirtle temos medo de vocês! — gritou Blue, e seu Squirtle grunhiu concordando — Não sei o que os trouxe aqui, mas sendo da Equipe Rocket, é obvio que pretendem roubar alguma coisa. É só isso que vocês sabem fazer!

— Que comovente — disse Ártemis — Mas você não tem nenhuma chance, pirralho. Desista e vá buscar o Prof. Carvalho para nós.

— Squirtle, use a Investida!

O pokémon de Blue saltou no ar, projetando o corpo contra o Zubat que voava acima deles.

— Você também, Rattata! — ordenou Apolo.

O Rattata também saltou e atingiu Squirtle com uma cabeçada na barriga em pleno ar. O Squirtle rodopiou para trás, mas conseguiu cair no chão ainda de pé, embora levasse sua mão à barriga, visivelmente dolorido.

— Chicote de Caude! — pediur Apolo, fazendo Rattata avançar velozmente em direção ao oponente e virar a cauda contra ele, golpeando-o inúmeras vezes do rosto antes de desferir um golpe ainda mais forte, que o arremessou contra uma prateleira.

— NÃO! — gritaram Blue e Scarlett juntos, visivelmente assustados.

— Agora é a minha vez! — anunciou Ártemis — Zubat, use o Sugar Vida!

As presas de Zubat brilharam e ele mergulho em direção ao Squirtle, que tentava se levantar com dificuldade.

— Sugar Vida? — repetiu Scarlett.

— É um movimento do tipo Inseto — explicou Blue, com urgência na voz — O pokémon que o usa pode morder seu oponente e drenar sua energia, enfraquecendo-o ainda mais. Não posso deixar que o atinjam! Squirtle, esconda-se dentro do casco!

Squirtle obedeceu e Zubat só conseguiu atingir com a mordida com cima do casco do pokémon, o que obviamente não surgiu nenhum efeito devido seus dentes não conseguirem penetra-lo. Ele se afastou voando, visivelmente atordoado.

— Esperto, mas nem tanto! — disse Ártemis, rindo — Use o Supersônico, Zubat!

O pokémon soltou um zunido agudo, lançando anéis sonoros azulados pelo ar, que aumentavam à medida que avançavam pelo ar. Assim que atingiram o Squirtle no casco, o mesmo começou a vibrar até que ele novamente saísse de dentro de sua proteção. O Squirtle tentou cobrir os ouvidos para escapar do som, mas ele começou a correr de um lado pro outro, atordoado, até que colidiu de cara na parede e tombou de costas no chão, nocauteado.

— SQUIRTLE! — chamou Blue, preocupado, enquanto os membros da Equipe Rocket gargalhavam.

— Nós lhe avisamos — disse Apolo, com desdém — Agora me diga moleque, onde está o Professor Carvalho?

— Eu não direi nada! — gritou Blue

— Ótimo! — disse Ártemis, impaciente — Temos outros meios de encontrar o que queremos — ela tirou uma bola metálica do bolso e jogou na direção de Blue e Scarlett. A bola se abriu no ar, soltando uma rede de cordas que caiu cobre os dois, deixando-os presos. Os dois tentaram se debater, porém a rede tinha pesos nas pontas que os impediam de fazer qualquer coisa.

— Agora, vamos vasculhar esse laboratório e encontrar o que viemos procurar.

A dupla de criminosos se afastou em direções separadas, tal como seus pokémons. Eles começaram a vasculhas as escrivaninhas, caixotes e prateleiras atrás de alguma coisa. Blue ficou a ranger os dentes enquanto ele e Scarlett tentavam inutilmente se soltar.

•••

Red e o Prof. Carvalho se seguravam firme no banco enquanto o jipe pilotado por Daisy avançava por Pallet em alta velocidade, fazendo curvas violentas e fazendo-os balançar de um lado para o outro. Quando por fim ela estacionou bruscamente diante do laboratório, Red desceu com enjoo.

— Bem, é isso — disse Daisy animada, quando o avô também desceu do veiculo — Acho que vou para casa agora e...

— O que é isso? — apontou o Prof. Carvalho, indicando a janela lateral do laboratório, que estava quebrada e espalhara vários cacos de vidros — Tem alguma coisa errada.

— Tem razão. Melhor entrarmos com cuidado.

Se esforçando para deter seu enjoo, Red seguiu o professor e sua neta para dentro do laboratório. O local estava bem diferente do que se lembrava, pois dessa vez as prateleiras estavam desarrumadas, com vários livros e outros papeis espalhados pelo chão e pelas mesas.

— Meu laboratório! — gritou Prof. Carvalho, levando as mãos à cabeça — Mas o que aconteceu aqui? Um tornado?

Avançando ainda mais pelos corredores, eles foram surpreendidos pela cena de Blue e Scarlett presos embaixo de uma rede de corda, completamente exaustos das tentativas de escapar. Unindo forças, Red, Daisy e o Prof. Carvalho conseguiram remover a rede. Daisy abraçou o irmão, preocupada, enquanto Red também se ajoelhou ao lado da mãe.

— Mãe, a senhora está bem? — perguntou o garoto.

— Oh, querido. Aí está você! Eu estou bem — disse Scarlett, sorrindo, mas era visível o cansaço em seu rosto — Eu tinha vindo até aqui te trazer alguns lanchinhos, mas acabamos sendo atacados.

— ATACADOS!? — repetiram Red, Daisy e Prof. Carvalho ao mesmo tempo, em choque

— Mas por quem? — quis saber o Prof. Carvalho.

— Foi a Equipe Rocket — contou Blue, deixando o Prof. Carvalho e Daisy boquiabertos.

— Equipe Rocket? — perguntou Red ainda sem entender.

— Você nunca ouviu falar deles? Ora, isso era de se esperar — zombou Blue — Eles são uma organização criminosa de ladrões que atuam na região de Kanto. Os boatos apontam que eles vendem os pokémons roubados no mercado negro.

— Isso é horrível!

— Nós precisamos encontra-los rápido! — ordenou Prof. Carvalho com certa emergência na voz que fez todos olharem para ele assustados.

— Vovô, tem alguma ideia do que eles estão procurando? — perguntou Daisy.

— Talvez. Vamos nos separar e encontra-los.

— Ótimo. Eu vou com os meninos para os andares superiores.

— Eu fico aqui embaixo

— Eu posso ajuda-lo se quiser, professor — ofereceu Scarlett.

Devidamente separados e muito decididos, Prof. Carvalho e Scarlet continuaram vasculhando o andar inferior enquanto Daisy guiou Red e Blue pela escadaria até o andar superior.

— Eles são ladrões de pokémon, então tenho uma ideia de onde possam estar — contou Daisy enquanto seguiam por um corredor. Eles pararam diante de uma grande porta metálica de cofre e a garota girou a manivela para formar a combinação e destravar a tranca.

Dentro do cofre, tinha prateleiras a perder de vista ocupando as paredes. Todas quase cheias por incontáveis pokebolas.

— Mas o que é isso? — perguntou Red, abismado — Por que tem tantas pokebolas aqui?

— Bem, é aqui que o nosso avô armazena os pokémons dos treinadores de Kanto — explicou Daisy — Um treinador pokémon oficial só pode viajar carregando no máximo de seis pokémons em sua equipe. Se por acaso ele capturar mais do que isso durante sua jornada, ele deve enviar os pokémons excedentes de volta para o professor. E é aqui onde eles ficam armazenados, à espera de seus treinadores.

— Incrivel — disse Red.

— Esse armazém ainda é pequeno para a quantidade de pokémons que eu pretendo pegar — disse Blue, bastante convencido.

— Mas que estranho — notou Daisy, olhando ao redor — Eles não estão aqui. Eu imaginei que ladrões de pokémon estariam atrás desse armazém, porém não parece ter nada fora do lugar por aqui... o que mais eles poderiam estar atrás?

Ela voltou a trancar o cofre e assim que o fez, eles ouviram um barulho estranho vindo de uma sala mais adiante. Avançando pelo corredor seguinte, eles chegam a uma sala com a porta entreaberta. Parece ser uma sala de descanso, com uma poltrona diante da lareira, algumas prateleiras e mesas com pilhas de papeis. Havia de fato dois indivíduos ali, revirando gavetas e atirando documentos para o alto sem qualquer preocupação com a organização.

— Ei! — gritou Daisy, chamando a atenção dos criminosos — Quem são vocês e o que fazem aqui?

— Parece que temos companhia — disse Ártemis, cerrando os punhos.

— Somos a Equipe Rocket, garota. Eu sou Apolo e essa é Ártemis. Não se esqueça disso — apresentou-se Apolo, fazendo uma reverencia.

— Deixe eles comigo, continue com as buscas — pediu Ártemis, enquanto lançava sua pokebola no ar liberando Zubat. Obedecendo à parceira, Apolo voltou a mergulhar embaixo de uma pilha de papeis para continuar suas buscas misteriosa.

Red encarou a criminosa com fúria nos olhos.

— Então, são vocês que vendem os pokémons, não são? — perguntou Red, furioso — Vocês não tem o menor respeitos. Os treinadores enfrentaram muitas batalhas ao lado dos seus pokémons, estabelecendo vínculos e se tornando verdadeiros parceiros. Vocês não tem o direito de estragar isso puramente para obter lucro. Eu faço questão de acabar com vocês eu mesmo... — Red começou a levantar a própria pokebola, porém Daisy o impediu de prosseguir, segurando-o pelo braço.

— Deixe isso comigo — pediu Daisy — Você ainda é um treinador iniciante e seu Charmander precisa de treinamento. Essa é uma batalha real e esses são criminosos reais.

— Pensei que você não gostasse de batalhar, irmã — comentou Blue.

— De fato, não gosto. Mas vou fazê-los para proteger o laboratório — explicou Daisy, lançando sua pokebola — Eu escolho você, Clefairy!

Ela liberou um pokémon rosa bípede de corpo rechonchudo. Um pequeno dente pontudo saltava de sua boca, havia algumas rugas ao lado de seus olhos, manchas ovais em um tom mais escuro nas bochechas, duas pequenas asas nas costas e orelhas grandes e pontudas de cor marrom. Um tufo de pelos espirais se enrolava em sua testa, com uma cauda grande igualmente espiralada. Seus braços atarracados tinham três dedos com garras e as patas eram bastante pequenas.
Red sacou a pokédex.

Clefairy: um pokémon do tipo Normal. É adorado por sua aparência fofa e brincalhona. Eles são considerados raros, pois não aparecem com frequência

— Uau, um pokémon raro — observou Red, com brilho nos olhos.

— Ah sim, eu o capturei por perto do Monte Lua certa vez — contou Daisy, sorridente.

— Talvez podemos levar ele depois com a gente — zombou Ártemis — Zubat, use Supersonico!

— Evasiva, Clefairy!

Enquanto Zubat soltava um zunido agudo, liberando seus anéis sonoros, Clefairy se esquivou dando uma cambalhota lateral e saltou no ar para alcançar seu inimigo.

— Tapa Duplo! — ordenou Daisy.

Clefairy caiu sobre Zubat desferindo uma enxurrada de bofetadas, terminando com um golpe ainda mais forte que atirou o oponente no chão, nocauteado.

— Caramba, isso foi incrível! — gritou Red.

— Impossível! Me derrotou assim tão facilmente — disse Ártemis, irritada e surpresa ao mesmo tempo.

— Foram vocês que me disseram que seus pokémons foram recém-capturados — falou Blue — Nesse caso, a sincronia entre vocês ainda é fraca, sem falar que eles ainda precisam de muito treinamento para chegar aos pés da minha irmã.

Apolo deixou de lado os papeis que estava vasculhando e de posicionou ao lado da parceira.

— Vai, Rattata! Use o Chicote de Cauda! — ordenou Apolo, após liberar seu pokémon.

Avançando rapidamente até Clefairy, Rattata o alcançou e o atingiu com rosto com uma sequencia de bofetadas no rosto usando seu rabo.

— Novamente, Tapa Duplo — ordenou Daisy.

Contra-atacando, Clefairy atingiu Rattata com uma sequencia de tapas no rosto, fazendo-o recuar. Quando o pokémon de Daisy encerrou o movimento, Rattata revidou novamente golpeando o oponente com a cauda. E mais uma vez, Clefairy também o atacou com bofetadas no rosto.

— Já chega disso — pediu Daisy — Vamos acabar com isso usando Canção de Ninar.

Limpando as cordas vocais com um pigarro, Clefairy começou a cantar uma bela melodia com sua voz afinada. Apesar dos humanos na sala sentirem apenas uma grande calmaria tomando conta de seus corpos, em Rattata o efeito foi ainda mais relaxante, pois ele caiu no sono no meio da batalha e nem mesmo os chamamos de Apolo de “Acorde! Acorde!” foram capazes de desperta-lo.

— Acho que é o fim da linha para vocês — anunciou Daisy, confiante.

Os criminosos recuaram, olhando para ela com fúria. Atraidos pelos ruídos de batalha, Scarlett e o Prof. Carvalho subiram a escadaria para se juntar a eles.

— Então, são esses os bandidos que se atreveram a invadir o meu laboratório? — indagou o professor, visivelmente irritado — O que vocês querem aqui afinal?

— O senhor sabe muito bem, professor — disse Apolo, com um sorriso de desdém.

— Nosso Chefe quer descobrir onde você o escondeu — disse Ártemis.

— Que eles estão falando, vovô? — perguntou Blue, olhando para o avô, porém ele não fez qualquer menção a se explicar e continuou se dirigindo à Equipe Rocket quando voltou a falar:

— Ele nunca saberá. Está muito bem escondido. E eu seria louco se deixasse ele aqui no laboratório. Vocês ousaram invadir esse local, que é o meu santuário de estudos e eu jamais os perdoarei por isso!

Os criminosos gargalharam enquanto recolhiam seus Zubat e Rattata de volta para as pokebolas.

— Eu acho que você diz a verdade, velhote — falou Ártemis — Eu acredito que o que estamos procurando não está realmente aqui.

— Foi um prazer conhecer vocês, mas da próxima vez que nos encontrarmos, as coisas serão diferentes para vocês — disse Apolo. Ele retirou do bolso uma bola metálica e a atirou no chão. Uma bomba de fumaça explodiu e cegou a todos.

Todos os presentes começaram a tossir diante da fumaça e tentavam enxergar, porém tudo que conseguiram foi ouvir o som de vidro se estilhaçando e a risada dos bandidos. Red correu para a janela junto com Blue e o professor, a tempo de ver que Apolo e Ártemis haviam saltado por através do vidro e agora desapareciam de vista, correndo para as árvores.

Enfim, a fumaça começava a se dissipar e o professor olhou desanimado para a sala desorganizada, começando a recolher a papelada do chão lentamente.

— Acho que você nos deve explicações, vovô — começou Daisy — O que eles vieram fazer aqui? Do que estavam atrás? Eu sei que o senhor sabe, mas por algum motivo não quer nos contar...

O Professor Carvalho congelou, olhando lentamente o rosto de cada um. Depois de um longo suspiro, ele prosseguiu:

— A algum tempo, um desertor da Equipe Rocket veio até mim buscando ajuda. Ele queria que eu escondesse uma coisa... algo que eles tinham em sua posse e que lhes dava muito poder. Foi então que eu fiz uma viagem e encontrei um local seguro e distante para esconder essa coisa. Depois, eu tracei um mapa, que chamados de Mapa do Mar Velho, para que sempre soubéssemos a localização caso precisássemos voltar ali. Creio que aqueles dois foram enviados pelo chefe da Equipe Rocket para roubar esse mapa.

— E o que exatamente vocês esconderam? — perguntou Blue, curioso.

— Quanto menos vocês souberem, melhor — limitou-se o professor a dizer, antes de voltar a recolher papeis em sua tentativa de reorganizar as coisas.

Após isso, Red se juntou a Daisy, Blue e sua mãe para arrumarem o andar de baixo do laboratório. Assim que terminaram, o Professor Carvalho voltou a se juntar a eles, agradecido. Ele se dirigiu a uma escrivaninha e após uma rápida vasculhada, retirou um cartão que entregou à Blue.

— Creio que seja por isso que voltou — disse o professor ao neto — Aqui está o seu cartão de treinador. Ah, e tem mais uma coisa... — ele saiu do laboratório, indo até o jipe do lado de fora e voltando com um pacote envolvido em papel pardo. Ele abriu a embalagem e mostrou à Blue e Red o seu interior. Ali haviam dez pokebolas, as quais ele dividiu igualmente entre eles — Isso deve ajuda-los no inicio de sua jornada.

— Obrigado, professor — agradeceu Red.

— Pois eu vou precisar comprar muitas mais do que essas — disse Blue — Se realmente existem cento e cinquenta espécies de pokémon espalhadas por Kanto, eu espero pegar todas elas.

— Pois boa sorte — disse o Prof. Carvalho, sorrindo — Espero que se lembre de mandar alguns para mim, para minhas pesquisas.

Enquanto todos deixavam o laboratório juntos, Red se deu conta de que não havia mais nenhum motivo para ficar ali em Pallet. E ele notou que sua mãe percebeu o mesmo, pois ela se jogou sobre ele e o envolveu em um abraço apertado.

— Oh, querido. Tive tanto medo — disse Scarlett, com a voz abafada — Por favor, tome cuidado lá fora, querido.

— Pode deixar mãe, eu irei...

— Principalmente sabendo que tem pessoas horríveis como aquelas espalhadas por aí.

— Não se preocupe mãe. Eles não vão ter chance contra mim.

Os dois se separaram. Lançando um ultimo olhar sério para Blue, Red seguiu seu próprio caminho, avançando pelas estradas de terra de Pallet em direção à saída norte, de volta a Rota 1, onde dessa vez ele prometera a si mesmo que não sentiria mais medo de nada.

Notas finais
No próximo capítulo, "O CONSELHO DO CAMPEÃO" Enquanto inicia sua jornada solitária, Red tenta capturar seu primeiro pokémon e conhece um misterioso treinador experiente. Os dois acabam se cruzando novamente com a Equipe Rocket, que tem um novo plano para roubar seus pokémons.