➀ Pokémon: Red
1 Vamos pegar todos!
Não existe local mais pacato em toda a região de Kanto do que a cidade de Pallet. Ali, todas as pessoas pareciam se conhecer, eram bondosas umas com as outras e as crianças tinham muito espaço para brincar. O chão era coberto pela grama e as estradas que cortavam o caminho eram feitas de terra. As casas eram bastante espaçadas umas das outras e seguiam quase sempre o mesmo formato: moradas de dois andares com paredes cinzentos e tetos alaranjados. E é em uma dessas casas que nossa jornada se inicia.
— Querido, acorde! – pediu a mãe, sacudindo o filho que ainda adormecia em sua cama.
Red despertou e ao se dar conta de que dia é hoje, saltou da cama e foi rapidamente se vestir. Colocou primeiramente a calça jeans, em seguida uma camisa preta que cobriu com seu casaco vermelho que tinha as golas, mangas e os bolsos brancos. Prendeu a calça com um cinto preto de fivela prateada e botou os sapatos de cor branca e vermelha. Por último, cobriu seus cabelos castanhos e desgrenhados usando seu boné vermelho com uma tarja branca na frente, prendendo sobre ele o broche dourado em formato de folha, presente que guardara do pai.
O garoto desceu as escadas de madeira correndo até o andar de baixo. Na cozinha, a mãe lhe serviu panquecas, às quais ele começou a devorar com o máximo de velocidade que conseguiu. Enquanto o fazia, não pode deixar de notar o quanto a mãe estava estranha. Ela estava simplesmente parada ao lado da mesa, encarando o filho enquanto comia. Embora trouxesse um sorriso no rosto, o olhar estava melancólico e um pouco triste. Red podia imaginar o porquê. Embora sua mãe Scarlett jamais fosse admitir, ela estava preocupada com o futuro do filho. Red agora tinha 10 anos de idade e como tal, tinha o direito de oficialmente se tornar um treinador pokémon e assim viajar o mundo batalhando e participando de torneios. Embora a ideia lhe agradasse muito, não parecia agradar tanto sua mãe. Isso se devia ao fato de que o pai de Red havia deixado a família muitos anos atrás para se dedicar à vida de treinador e desde então, desapareceu e nunca mais se teve noticias dele. Nem o próprio Red tinha muitas lembranças dele, já que seu pai tinha ido embora a pelo menos uns sete anos atrás. A única lembrança que ainda tinha m dele era uma foto dos três apoiada sobre a televisão.
Scarlett tinha belos cabelos longos e azuis, da mesma cor de seus olhos. Trajava um longo vestido vermelho e tinha um avental branco preso na parte da frente. Ela esperou pacientemente o filho terminar de comer antes de falar:
— Querido, tem certeza que...
— Mãe...
— ... você pode esperar mais alguns anos se...
— Mãe! Já falamos sobre isso! É o que eu quero!
Ela suspirou, parecia aceitar o destino inevitável. No fundo, talvez sempre soubesse que não poderia escapar dele. Ela abraçou o filho de forma demorada.
— Não tenho como não me preocupar, mas sei que não posso impedi-lo. Quero que você seja muito feliz e persiga os seus sonhos. Só me prometa de que nunca esquecerá de mim.
— Eu prometo, mamãe — Red concluiu, retribuindo o abraço com intensidade — Eu nunca iria abandona-la.
Se tinha algo que Red nunca pensara, era em fazer o mesmo que o pai fizera e abandona-los. Isso lhe parecia algo inconcebível e era o motivo que o fazia sentir raiva do pai de vez em quando, embora outras vezes simplesmente se lembrasse dele intrigado, se imaginando o que o pai teria encontrado de tão importante que o fizera escolher esquecer da própria família.
Por fim, Red colocou nas costas sua mochila marrom e deixou a casa correndo. A mãe ficou parada na porta, acenando e dessa vez, tinha um sorriso mais sincero em seu rosto, ela realmente estava feliz agora. O garoto retribuiu o aceno e seguiu pela estrada de terra em direção ao laboratório do outro lado da cidade. Ele passou por alguns de seus vizinhos, que lhe acenavam e desejavam boa sorte. Não era segredo para ninguém em Pallet que Red tinha o sonho de se tornar um grande treinador pokémon.
Embora Pallet fosse uma cidade pacata, o laboratório era o principal motivo pelas pessoas se interessarem em visita-la. Além de ser o lar do mais famoso Professor Pokémon da região de Kanto, ainda era lá que os treinadores iniciantes podiam recorrer para receber o seu primeiro pokémon e assim poder iniciar a sua jornada. Por isso era comum ver estrangeiros cruzando aquelas estradas de vez em quando.
Red parou brevemente diante de outra casa. Era exatamente igual à sua, se não fosse pela placa que informava que aquelas era a residência dos Carvalho. Ali vivia um conhecido seu, Blue Carvalho, um jovem de mesma idade a quem ele rivalizava desde a infância, especialmente por influencia de Blue, que vivia comparando um ao outro e se dizendo superior. Os dois ainda compartilhavam o mesmo objetivo de se tornarem treinadores de pokémon e Red tinha certeza que encontraria o rival ainda hoje quando chegasse ao laboratório. Ele se perguntava como Blue, sendo neto do próprio Professor Carvalho, podia ser alguém tão detestável.
Querendo chegar na frente e provar seu valor, Red começou a apertar mais o passo e por fim conseguiu alcançar o laboratório. O local já era bem familiar pois desde sempre, o garoto gostava de vir ali simplesmente para observar, imaginando como seria poder atravessar aquelas portas e se encontrar com o famoso Professor Pokémon, título esse recebido por grandes pesquisadores de inúmeras espécies diferente de pokémon.
O laboratório era uma grande construção de dois andares feitas de tijolos amarelados, com o teto acinzentado de onde brotava uma chaminé alaranjada de onde ele nunca vira sair nenhuma fumaça. As janelas do primeiro andar eram retangulares enquanto que as superiores eram arredondadas. Na frente da construção havia uma linha de cerca com uma placa pendurada que informava “Laboratório de Pesquisas do Professor Carvalho”. Mais ao sul, corria um rio de desaguava no mar. Enquanto ainda tremia de nervosismo, Red junto suas forças e empurrou a grande porta verde, adentrando no laboratório.
Não viu nada além do que uma grande fileira de prateleiras repletas de livros ou montes de papeis avulsos. Quando tentou avançar mais adiante, se assustou quando a figura de um homem de jaleco branco desceu de cima de uma das escadas da prateleira e correu até ele. Era uma figura magra e curvada, que ajeitou os oclinhos grossos e redondos antes de se dirigir a ele em tom autoritário.
— O que faz aqui, meu jovem?
— Vim ver o Professor Carvalho. Ele vai me entregar o meu primeiro pokémon — respondeu Red, um pouco intimidado pela postura do cientista
— Ah sim. Vejo que chegou cedo. O Professor Carvalho não está. Volte mais tarde.
— Mas... será que eu não poderia esperar aqui...
— Ora, e o que pensa que esse lugar é? Um spa? Isso é um laboratório e todos os cientistas aqui tem mais coisas a se preocupar do que ter que cuidar de um pirralho apressado.
— Ei!
— Ande! Volte daqui a algumas horas. O Professor Carvalho está fazendo uma pesquisa de campo e deve demorar.
Antes que o garoto pudesse retrucar mais, o cientista o empurrou para fora e bateu a porta na sua casa. Red continuou parado ali durante alguns minutos, frustrado e raivoso, até que se deu por vencido e começou seu caminho de volta para casa, dessa vez andando bem devagar. Ele não conseguia entender seu sentimento. Havia esperado dez anos por esse momento, por que se irritava tanto por ter que esperar só mais algumas horas?
Enquanto avançava pelo caminho de volta, passou pelos mesmos vizinhos que lhe desejaram boa sorte mais cedo e ficou se imaginando o que eles estariam pensando dele agora, voltando de mãos vazias e com cara fechada. Quando chegou à altura de sua própria casa, ele pensou bem antes de entrar. Teria de ouvir um discurso interminável de sua mãe dizendo que aquilo era um pressagio de que ainda não chegou sua hora e que ele devia ficar por perto mais um ano antes de realmente se dedicar a seus sonhos.
Red sacudiu a cabeça tentando banir aqueles pensamentos e começou a correr para além de sua casa, mais ao norte, em direção à saída da cidade pela Rota 1. Ele parou diante da muralha de árvores que marca o limite da cidade, por onde a única saída era a trilha por meio do bosque denso e desconhecido. Pessoas não ousavam se aventurar por ali andando à pé, com medo de serem atacadas por pokémon selvagens. Porém nesse momento, Red se sentia destemido e queria sentir o gosto do desconhecido antes de voltar para sua casa.
Avançando pela trilha, ele começou a pensar que talvez não fosse uma boa ideia. As árvores pareciam abafar todo o som, de modo que cada passo seu parecia fazer um barulho exageradamente alta e que poderia atrair um pokémon selvagem a qualquer momento. Em determinado momento, o garoto se assustou quando um galho se soltou do topo da árvore e caiu diretamente em seus pés. Após uma pausa para se recompor do susto, ele pensou que talvez se sentiria mais seguro se voltasse a esse lugar somente após ter obtido seu primeiro pokémon. Decidido, ele deu meia volta e começou a caminhar de volta para a cidade, porém ouviu um grito arrepiante saindo de algum lugar da floresta.
— PAREEE!
Preocupado que alguém pudesse estar em perigo, Red saindo correndo, adentrando ainda mais no bosque, na direção que pensava ter vindo o barulho. E de fato, após avançar um pouco mais, conseguiu avistar um homem caído de costas no chão, tentando se levantar com dificuldade, com um dos braços levantados na frente do rosto como se quisesse se proteger de alguma coisa. Red adentrou a clareira e identificou imediatamente aquele homem de cabelos grisalhos, sobrancelhas fartas e de jaleco branco. Era o Professor Carvalho, sem sombra de dúvida. O mesmo que ele vira inúmeras vezes na televisão.
— P-professor?? – Red disse, tolamente.
— Ora, garoto! O que está fazendo aqui? É muito perigoso! Vá para casa! — disse o professor e Red notou que havia grande preocupação em sua voz.
Só então Red olhou para o outro lado da clareira e notou o motivo do professor estar jogado ao chão. Provavelmente fora atacado pela criaturinha que avançava rosnando ameaçador na direção deles. Ele era pequeno e tinha o corpo coberto de pelo amarelo com duas faixas marrom horizontais em suas costas. Tinha uma boca pequena, orelhas longas e pontiagudas, com as pontas pretas, olhos negros e dois círculos vermelhos nas bochechas de onde soltava faíscas de eletricidade enquanto rosnava. Andava sobre as quatro patas, bastante curtas e tinha uma cauda em forma de raio com os pelos da ponta também na cor marrom.
— É um pokémon selvagem! Se afaste! – pediu o Professor Carvalho, embora Red só tivesse atenção para a criaturinha feroz que avançava a passos lentos.
— O quê... o que ele é...
— Isso é um Pikachu, meu rapaz! Agora sai! AGORA!
O Pikachu avançou mais rapidamente, alarmado pelo grito do professor. Ele era muito veloz e tentou cabecear o homem caído, mais o professor se moveu mais rápido do que Red poderia imaginar de um velho e assim conseguiu se esquivar, deixando o pokémon passar direto por ele. O Pikachu no entanto, não se deu por vencido. Ele deu meia volta e se colocou sobre as patas traseiras, encolhendo o corpo enquanto as faíscas em suas bochechas começavam a aumentar. Red imaginou que ele estava se preparando para desferir um golpe, então instintivamente agarrou um graveto no chão e atirou contra o pokémon. Ele acertou em cheio a cabeça da criatura, lhe abrindo um corpo na cabeça.
Ele porém, não tinha pensado que isso só poderia lhe irritar ainda mais. Pikachu disparou um raio de eletricidade que atingiu Red em cheio e o arremessou no ar, fazendo-o voar e atingir com as costas no tronco duro de uma árvore. O Professor Carvalho gritou e correu para acudir o garoto.
Red ficou algum tempo com a visão turva até que enfim, conseguiu focar no rosto aturdido e na voz preocupada do Professor Carvalho.
— Garoto! Garoto! Oh, ceús! Você está bem?
Red olhou em volta. O Pikachu havia desaparecido de vista.
— Eu... eu estou bem... — gaguejou Red
— Pois você é muito irresponsável! Se colocando em perigo por nada!
— O senhor estava em perigo... eu só queria ajudar...
— Eu já lidei com pokémons mais perigoso antes. Esse Pikachu estava causando problemas em algumas plantações, ele parecia estar perdido pois não é comum encontrar eles por essa área. Eu só queria tentar ajuda-lo, mas ele me atacou.
— Me desculpe, eu não queria causar problemas.
— Consegue se levantar?
Se apoiando no Professor Carvalho, o garoto conseguiu se levantar. Juntos eles atravessaram a clareira e após passar por um pouco mais de área de bosque, chegaram a um velho jipe verde. Red adentrou no veiculo enquanto o professor tomou o volante e começou a dirigir de volta a Pallet. Exausto, o garoto mal viu o caminho de volta e quando voltou a si, já estava parados na lateral do laboratório. Dessa vez, Red conseguiu descer do veiculo sem ajuda.
— Você deve ser Red, não? — perguntou o professor.
— Como sabe? — quis saber o garoto, aturdido em saber que o cientista sabia o seu nome.
— Ora, para ter ido se aventurar lá fora, você com certeza deve querer se tornar um Treinador Pokémon, assim como meu neto Blue, certo? Eu tenho o nome dos dois na minha agenda, você tinham marcado para receber seus primeiros pokémon, certo?
— Exatamente, senhor. Quero viajar por toda a região de Kanto e capturar muitos pokémons.
— Ótimo. E depois...
— Bem... eu li algumas coisas sobre a Liga Pokémon de Kanto.
— Hum, interessante. E você pretende se arriscar?
— Claro que sim. Pretendo desafiar os oitos ginásios espalhados pela região de Kanto, coletar suas insígnias e assim poder me candidatar para enfrentar a Elite Quatro
— Ou você é muito corajoso, ou então o Choque do Trovão daquele Pikachu afetou seus neurônios. Você sabe que em cada ginásio, deverá derrotar treinadores poderosos conhecidos como Líderes de Ginásio? E que cada um deles é especialista em um tipo de pokémon?
— Eu sei, senhor.
— E que a Elite Quatro é ainda mais poderosa do que eles?
— Eu sei, senhor. Mas não tenho medo. Vou treinar para me tornar mais forte do que eles.
— É bom ouvir isso. Esse é o tipo de coragem e determinação que eu estive procurando. Vamos, vou lhe apresentar os pokémons que tenho para vocês.
Eles tornaram a adentrar no laboratório e desta vez, ninguém surgiu para impedir Red de avançar por entre as prateleiras até o fundo da sala, onde havia uma escrivaninha, um computador e uma capsula onde repousavam três esferas de cor metade branca e metade vermelha. Red observou, encantando. Já havia lido sobre elas.
— São pokebolas! – disse Red, animado.
— São sim. São itens que lhe permitem capturar e armazenas os pokémons. Para isso, você deve batalhar com um pokémon selvagem e enfraquece-lo, para que possa jogar a pokebola sobre ele e por fim, captura-lo. Quanto mais você batalhar e enfraquecer o pokémon, melhores serão suas chances de sucesso em captura-lo.
Então, Red notou que a cadeira na escrivaninha estava ocupada por alguém que estava de costas para eles. A cadeira girou de forma dramática, revelando ninguém menos do que Blue, com sua habitual expressão de superioridade e um sorriso de desdém.
— Ora, ora. Venham só quem chegou — zombou Blue — Está atrasado Red. Não vai chegar a lugar nenhum se continuar sempre atrás de mim.
Red cerrou os pulsos, irritado.
— E você também, vovô. Me fez ficar esperando.
— Ora, vamos. Deixe de ser impaciente — ralhou o Professor Carvalho— Sei que ambos estão bastante ansiosos, então vamos ao que interessa. Vocês vieram aqui para obter os seus pokémons iniciais que irão ajuda-los no início de sua jornada. O trio de iniciais de Kanto são Bulbasaur, Charmander e Squirtle, sendo que eles sãos dos tipos grama, fogo e água respectivamente. Eles são muito raros e difíceis de encontrar livres na natureza. Porém, eu conheço bons Criadores Pokémon que tem algumas dessas adoráveis criaturinhas e os fornecem para mim sempre que recebo treinadores novatos, como vocês — ele se dirigiu à capsula e retirou uma das pokebolas. Ele jogou a esfera para o alto, libertando um pokémon — Esse é o pokémon do tipo grama, Bulbasaur!
O Bulbasaur é um Pokémon pequeno, quadrúpede, com uma pele turquesa e manchas um pouco mais escuras espalhadas pelo corpo. Tem olhos vermelhos com pupilas branca, orelhas pequenas e pontiagudas em forma de orelhas no topo da cabeça. Seu focinho é curto e sem corte, e tem uma boca larga, o focinho curto com narinas em forma de fendas. Cada uma das suas pernas grossas termina com três garras afiadas e nas suas costas havia um bulbo de planta verde.
— Incrivel! – disse Red, animado, enquanto o pokémon guinchava “bulbasaur” em resposta
— O bulbo nas costas dele fornece energia através da foto síntese e suas sementes são ricas em nutrientes — explicou o Professor Carvalho — Temos pesquisas em desenvolvimento sobre as propriedades das suas sementes — o cientista agarrou uma segunda pokebola e libertou mais um pokémon — Esse é o pokémon do tipo fogo, Charmander!
Charmander é um pokémon bípede com um corpo alaranja, com a barriga em tom creme mais claro que o reto do corpo. Duas presas ficavam a mostra em sua boca. Ele tem olhos azuis, braços e pernas curtos e um rabo esguio cuja ponta liberava uma chama amarelada. Sua cabeça era lisa e o nariz também se resumia a duas fendas. Haviam garras em seus pés e ele bufou liberando um pouco de fumaça pela boca enquanto gritava algo como “char char”.
— Ele também é tão legal! — murmurou Red, com os olhos brilhando. Olhando de esguelha para Blue, percebeu que o rival sequer esboçava qualquer reação. Red imaginou que como neto de um Professor Pokémon, Blue já devia ter visto aqueles iniciais muitas e muitas vezes.
— E por último, mas não menos importante, o pokémon do tipo água, Squirtle!
Squirtle também era bípede, de pele azulada e a cabeça redonda, tinha uma boca grande e olhos de cor purpura. Se corpo fica grande parte dentro de um grande casco que era marrom e mais arredondado nas costas enquanto a barriga era reta e igualmente dura, mas na cor creme. Pelo casco também saia uma cauda espiral. Ele gritou “squir-squirtle” animadamente quando foi colocado para fora da pokebola e pulava de uma perna para outra.
— Que incrível! — disse Red, encantando pela habilidade.
— Pois bem garotos, esse é o seu momento — falou o professo, abrindo os braços e sorrindo para os dois jovens — Escolham com sabedoria o seu companheiro que irá ajuda-los no início de sua jornada.
Enquanto encarava os três pokémons, Red começou a transpirar nervosamente. Cada um deles o encarava de volta, com expressões determinadas, cada qual querendo desesperadamente se tornar o seu parceiro. Red porém, se lembrava de qual fora a escolha do pai quando o mesmo também tinha dez anos e queria ser um treinador tal como ele agora. E embora quisesse se distanciar ao máximo das escolhas de vida do pai, algo ali o atraia para o pokémon alaranjado que já vira acompanhado do pai em algumas fotos da juventude.
— Eu escolho você, Charmander! — anunciou Red, apontando para o pokémon, que saltou alegremente.
— Eu escolho Squirtle — disse Blue, meio segundo depois de Red ter anunciado a própria.
— Pois bem — disse o Professor Carvalho, bastante satisfeito, enquanto apontava as respectivas pokebolas para cada pokémon, trazendo-os de volta para dentro da esfera em meio a um raio vermelho intenso. Ele entregou a pokebola de Charmander à Red e a de Squirtle para Blue — Vocês agora são oficialmente treinadores.
Um cientista apareceu com uma câmera fotográfica à mão e bateu uma foto de Red que acabou sendo cegado já que não estava esperando por isso. Em sua vez, porém, Blue pode posar para a foto, com sua melhor expressão de determinação no rosto.
— Mas o que significa isso? — perguntou Red, esfregando os olhos.
— Você não sabe de ada mesmo, não é? — zombou Blue, impaciente — Essas fotos vão ser colocadas no nosso Cartão de Treinador. O cartão é a nossa identificação de treinador e com eles podemos acessar os ginásios e os Centro Pokémon, locais onde eles tratam pokémons feridos ou cansados.
— Parece bem útil — disse Red
— Claro que sim.
— A sua escolha me intrigou, Blue — falou o Professor Carvalho, coçando o queixo — Desde criança, você sempre mostrou uma certa preferência pelo Charmander.
— Tanto faz, vovô — disse Blue, virando o rosto — Red é o meu rival e eu quis escolher o pokémon que terá vantagem a ele.
— Entendo — disse o professor, em tom de lamento.
— Vantagem? — Red indagou, recebendo um novo olhar impaciente de Blue.
— Atualmente existem catorze tipos de pokémon: Grama, Fogo, Água, Normal, Lutador, Voador, Venenoso, Elétrico, Terra, Psíquico, Pedra, Gelo, Dragão e Fantasma — explicou o Professor Carvalho — Porém, venho recebendo relatórios de pesquisas vindas da Região de Johto que indicam que essa quantidade de tipos pode vir a aumentar em breve. O tipo de pokémon está ligada à natureza de seus movimentos. Charmander é tipo fogo, então utiliza movimentos e ataques do tipo fogo. Squirtle é do tipo água, então utiliza movimentos do tipo água. E assim por diante. Alguns pokémons podem ter dois tipos, como é o caso do Bulbasaur. Ele utiliza movimentos do tipo grama e venenoso. Cada tipo é eficiente contra algum outro tipo, ou fraco contra ele. Aprender essa dinâmica é importante se quiser se dar bem nas batalhas pokémon.
— Entendido — concordou Red.
— E o tipo água do meu Squirtle é eficiente contra o seu tipo fogo Charmander — disse Blue, rindo com superioridade — Continuo na sua frente, como sempre.
— Por enquanto — disse Red — Quando eu estiver em viagem, vou conseguir capturar outros pokémons e espero que um deles tenha vantagem contra os seus.
— É o que veremos. E que tal uma batalha agora mesmo?
— Pode vir!
Red estava enfurecido com todas as provocações de Blue e nem sequer pensou em recusar a oferta de batalha, quando mais se dar conta de que jamais havia feito isso e não sabia como fazer. Quando Blue lançou a pokebola para o alto, só pensou em fazer o mesmo. Charmander e Squirtle foram novamente libertados e começaram a se encarar no meio do laboratório.
— Esperem! — pediu Professor Carvalho, alarmado — Aqui dentro não é o ambiente adequado para isso!
— Squirtle — começou Blue, ignorando o avô — use o Ataque de Bolhas!
Red observou espantado esperando pelo golpe, porém nada aconteceu. Squirtle apenas encarou seu treinador e levantou os braços, um pouco perdido.
— Lamento, Blue — disse Professor Carvalho, abafando uma risadinha — Mas o Squirtle não aprendeu esse movimento ainda.
— O que? — gritou Blue, irritado — Como um pokémon do tipo água não sabe usar um movimento do tipo água?
— Os pokémons iniciais chegam até mim como recém-nascidos — explicou Professor Carvalho— Eu não os treino pra que aprendam muitos movimentos. Isso depende inteiramente de vocês, treinadores.
— Mas como vou saber os movimentos que o meu Charmander pode usar? — questionou Red.
— Tenho algo que pode ajuda-los — disse Professor Carvalho e então ele se dirigiu à escrivaninha, voltando com um dispositivo tecnológico em mãos, de cor vermelha e com uma tela preta. Também tinha uma câmera na parte de trás. Ele entregou uma para cada um dos garotos — Isso meus jovens, é uma invenção minha. A pokédex é uma enciclopédia digital capaz de armazenar informações sobre todos os tipos de pokémons que você encontrarem em Kanto. Pela câmera, o dispositivo consegue escanear o pokémon e apresentar na tela dados básicos e até informações como os movimentos deles.
Red experimentou apontar a pokédex para seu Charmander e uma voz robótica começou a falar.
“Charmander: um pokémon do tipo fogo. A partir do momento em que nasce, uma chama queima na ponta da cauda. Sua vida se estingue caso a chama de apague. Seus movimentos são Arranhão e Grunhido”
— Ótimo, então vamos nessa Charmander! Use o Arranhão!
Tomando impulso, Charmander saltou sobre o inimigo e ergueu suas mãos, fazendo brilhar suas garras enquanto desferia uma sequencia de golpes contra Squirtle, obrigando-o a recuar para se esquivar.
— Maldito! – gritou Blue.
— Continue Charmander! — pediu Red.
O pokémon obedeceu voltando a investir com as garras erguidas, mas dessa vez Squirtle retraiu todo seu corpo para dentro do carco. Quando Charmander atingiu a parte endurecida da defesa, guinchou de dor e recuou agitando a mão.
— Muito bem, Squirtle! — disse Blue, sorrindo — Agora é a nossa vez! — ele também sacou a pokédex, apontando para o próprio pokémon, que agora voltava a sair de seu casco.
“Squirtle: um pokémon do tipo água. Após o nascimento, suas costas incham e endurecem em uma concha. Potencialmente pulveriza espuma da boca. Seus movimentos são Investida e Chicote de Cauda”
— Vai lá, Squirtle! Use o Investida!
Enquanto Charmander ainda sacudia a mão tentando se livrar da dor, Squirtle tomou impulso e se atirou contra o inimigo, cabeceando sua barriga e arremessando Charmander duramente contra a parede ao fundo da sala.
— Não! — gritou Red em protesto.
— Chicote de Cauda! — ordenou Blue.
Squrtle avançou contra um Charmander bastante enfraquecido que tentava se levantar usando a parede como encosto. Usando a própria cauda, Squirtle desferiu uma sequencia de golpes contra o rosto de Charmander que o fez voltar ao chão.
— Já é o bastante? — perguntou Blue, soltando uma gargalhada que foi acompanhada pelo seu próprio Squirtle.
— Charmander! Você está bem? — indagou Red, enquanto Charmander se esforçava para voltar a ficar de pé. Quando conseguiu, o pokémon assentiu com a cabeça, confirmando que podia continuar.
— Então vamos acabar com isso. Squirtle, Investida!
— Charmander, use o Grunhido!
Enquanto novamente Squirtle impulsionava-se e jogava o próprio corpo contra o rival, Charmander soltou um grito bastante agudo que fez todos os humanos na sala taparem os ouvidos. O grito parecia distorcer o ar a sua volta enquanto avançava em ondas na direção de Squirtle. O pokémon de Blue teve sua investida interrompida em pleno ar e foi carregado pela onda sonora, caindo no chão com um baque forte.
— Arranhão! – ordenou Red.
Charmander saltou e atingiu o rosto de Squirtle, que estava acabando de ficar de pé novamente. Pego de surpresa, o pokémon azul foi atingido em cheio e tombou para o chão novamente, dessa vez não voltando a se mexer.
— Impossível! — gritou Blue, correndo até seu Squirtle.
— Parece que a vitória é de Red, dessa vez — anunciou Professor Carvalho, sorrindo para o garoto.
Red porém, também correu a se ajoelhar ao lado de Squirtle.
— Ele vai ficar bem? — perguntou ele, enquanto Charmander também se juntava a ele com uma expressão preocupada.
Blue porém, afastou Red com um empurrão e pegou seu Squirtle no colo, recolhendo-o com a pokebola em seguida.
— Cuide da sua vida — pediu Blue, enquanto dava as costas e começava a sair do laboratório
— Espere — pediu Professor Carvalho e observou seu neto parando onde estava, porém sem olhar para trás — Conto com a ajuda de vocês para colher o máximo de dados possíveis na pokédex. Estima-se que existam cerca de cento e cinquenta espécies de pokemons na região de Kanto. Seria de grande ajuda se usassem a minha invenção para coletar o máximo de informações possíveis com a minha pesquisa.
— Pode deixar, professor — concordou Red, animado. Charmander também grunhiu com empolgação. O garoto olhou para a pokédex, bastante impressionado que uma coisa tão pequena pudesse lhe fornecer tanta informação.
Blue porém, apenas bufou impaciente. Ele guardou a pokédex no bolso e saiu do laboratório.
— Ele é bem sentimental, mas é um bom garoto – murmurou Professor Carvalho.
— Tudo bem, eu já estou meio acostumado com esse jeito dele — falou Red.
— Bem, para onde vai agora?
— Bem... não sei ao certo. Eu preciso capturar novos pokémons e também encontrar um ginásio...
— Acho que tem um ginásio na cidade de Viridian. Eu tenho mesmo que ir até lá, preciso visitar o Mercado Pokémon pois o meu estoque de pokebolas está zerado. Eu deveria fornecer algumas para treinadores iniciantes, porém não tenho nenhuma aqui para vocês. Pode vir comigo se quiser.
— Eu gostaria muito. Eu nunca tinha saído da cidade antes e me pareceu bem aterrorizante.
— Fique tranquilo rapaz. Com um pokémon ao seu lado, isso vai ficar bem mais fácil.
•••
Ao norte da pacata cidade de Pallet, duas figuras deixam o bosque e adentram as dependências da cidadezinha. O homem usa calça e blusa preta, tinha cinto, luvas e botas brancas. A mulher por sua vez, usava um vestido preto também usando luvas, botas e cinto brancos. Ambos tinham boinas negras em sua cabeça e expressões serias no olhar. Ambos tinham cabelos de cor verde, sendo que o homem tinha cabelos curtos quase totalmente cobertos por seu chapéu e a mulher tinha os seus compridos até a altura do ombro.
— Sério que é nesse fim do mundo que se esconde o Professor Carvalho? — perguntou o homem.
— Foi o que o chefe disse, Apolo— respondeu a mulher — Acho que vou ter que sujar as botas um pouco.
— Acho que é hora de avisar o chefe não é, Ártemis? — questionou o homem chamado Apolo, enquanto puxava a manga do pulso, revelando uma espécie de relógio com uma tela digital. Ele apertou um botão lateral e alguns segundos depois, um rosto surgiu na tela, embora não fosse possível visualizar suas feições devido a uma sombra lhe cobrindo o rosto — Chegamos à cidade de Pallet, Chefe, conforme o senhor nos ordenou.
— Qual são as suas instruções, Chefe? — perguntou a mulher chamada Artemis.
— Encontrem o Mapa do Mar Velho. Minhas fontes indicam que ele está na posse do Professor Carvalho — respondeu a voz grave do Chefe — Estou procurando por isso a anos e finalmente tenho uma boa pista.
— Um mapa? — perguntou Apolo, curioso — Um mapa de onde, exatamente?
— Não que eu lhe deva satisfações, Apolo — respondeu o chefe, carrancudo, fazendo o rapaz se encolher um pouco — mas esse mapa nos levará ao maior tesouro que já puderam imaginar. Um pokémon muito raro e tão antigo quanto o próprio universo.
— Entendido, Chefe — anunciou Artemis, com um brilho nos olhos — Encontraremos esse mapa e entregaremos em suas mãos.
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