Pokémon RainStorm
27 Side Story: Red: Origem (Parte 2 – O Falso)
Notas iniciais
Cidade de Lumiose, 29 de julho de 2015.
Depois de correr por algum tempo, Red e Yellow conseguiram fugir daqueles homens com lenços vermelhos.
— Você está bem? – indagou Red ainda ofegante por ter corrido muito.
— Sim.
— Você não é uma pessoa de muitas passava, não é mesmo? – sorriu Red. – Fico feliz que esteja bem.
— Agradeço por me salvar. – disse Yellow com voz baixa.
— Não precisa disso! Afinal, eu sou o grande e poderoso Red! O maior de todos os treinadores! – exclamou Red.
— Sério? – Os olhos de Yellow brilhavam.
Red achou que devia contar a verdade, mas ao ver aqueles olhos esfomeados por aventuras, não aguentou e começou a mentir:
— Claro! Eu viajei por diversas regiões! Conheci pessoas e pokémons incríveis!
— Que legal! Me conta tudo! – Até o momento Yellow parecia bem tímida e calada, mas ao ouvir as palavras de Red ficava ansiosa e com fome de aventuras.
— Bem… – Redgar pensou por um momento e então começou a inventar uma história. – Minha jornada começou na Cidade de Pallet em Kanto e ganhei o meu primeiro pokémon, este Pikachu.
Red apontou para o Pikachu em seu ombro.
— Eu também nasci em Kanto! E o meu primeiro e único Pokémon também foi um Pikachu, na verdade uma Pikachu, chamo ela de Chuchu! – Yellow levantou a sua Pikachu que estava em colo e mostrou para o Red. A Pikachu da Yellow tinha traços mais femininos e possuía uma flor rosa em sua cabeça. – Ela é bem fofa, não é?
A Pikachu repetiu seu nome enquanto fitava Red.
— É sim.
— Red, você tem outros pokémons, não tem?
— Obvio! Tenho tantos pokémons que nem dá para contar nos dedos. – mentiu Red.
— Pode me mostra? – indagou Yellow com uma cara de cachorro perdido.
— Eu queria te mostrar, mas infelizmente não posso, no momento, só estou com meu Pikachu.
— Que pena. – Yellow fez uma cara triste.
— Não fique assim! Eu vou te contar a minha história toda. – Red tentou animar Yellow e funcionou.
Red resolveu continuar com a história inventada:
“Depois de sair de Pallet, cheguei na Rota 1, onde me encontrei com um Samurai bem maluco que queria batalhar, foi uma batalha difícil, afinal eu estava apenas no início da minha jornada, mas venci o Samurai com a ajuda do Pikachu. Ainda na Rota 1 encontrei e capturei um enorme Pidgeot. Depois disso, cheguei Viridian onde teria a minha primeira batalha de ginásio, mas o líder de ginásio não estava lá.
Continue a minha viajem pela Floresta de Viridian onde salvei um Pokémon lendário rosa das mãos de uma organização criminosa, e não só isto, nos viramos amigos também. Finalmente cheguei ao ginásio de Pewter onde derrotei líder facilmente usando todo o poder do ThunderBolt do Pikachu (Detalhe: Os pokémons de Brock possuem tipo Terrestre também, ou seja, são imunes a ataques elétricos, Red sabe disto, mas como estava invetando uma mentira na hora acabou misturando as coisas.). Ainda me lembro de quando aquele ThunderBolt quase torrou os pokémons do líder, ele ficou com raiva de eu ser muito forte e nem queria me dar a insígnia, mas no fim ele aceitou a derrota e me deu a insígnia.
Continuando minha jornada capturei muitos pokémons, foi então que encontrei uma organização criminosa chamada Equipe Pocket que queria dominar o mundo…
… Então derrotei o líder da Equipe Pocket com o incrível Volt Tackle do meu Pikachu e ganhei a Liga de Kanto, me tornando o Campeão da região. Quem imaginaria que o líder da organização criminosa era na verdade o Campeão da Liga? As vezes, o mundo tem muitas coincidências estranhas. Bem, voltando a história, depois de ter me tornado Campeão, desisti do cargo, afinal eu queria continuar viajando por outras regiões. Então, chamei o meu Ho-oh, montei em cima dele e comecei a viajar pelo mundo, Johto, Hoenn, Sinnoh, Unova e finamente cheguei em Kalos, mas estas histórias são para outro dia.”
Red terminou de contar a sua história e Yellow estava de boca aberta e olhos que brilhavam mais que a luz do sol.
— Acho que exagerei. – pensou Red.
— Nossa! Você é incrível, Red! Eu queria poder viajar pelo mundo e viver aventuras e sonhos como você! – admirou Yellow.
— Então viaje pelo mundo! – sugeriu Red.
A expressão de Yellow ficou triste.
— Eu queria, mas não posso.
— Mas por quê?
— Como disse eu nasci em Kanto, cresci até os seis anos com meus pais, tudo era muito bom e perfeito, aqueles foram os melhores anos de minha vida, ainda me lembro de ver o sorriso de meus pais quando eu dizia que amava os dois, mas então tudo mudou. Certo dia um homem muito mal invadi a minha casa dizendo que meus pais deviam dinheiro a ele. Me pai disse que não tinha o dinheiro e que pagaria assim que pudesse, mas o homem não estava paciente. Foi então que ele me viu, ainda me lembro daqueles olhos sombrios e assustadores olhando para mim. Ele foi até mim e disse que me levaria como pagamento, obviamente meu pai não aceitou e tentou interferir, mas então… – Yellow havia começado a chorar.
— Não precisa continuar, se não quiser. – disse Red preocupado.
— Não, você me contou a sua história, então devo contar a minha. – Yellow tentou segurar lágrimas, mas não conseguia. – Assim que meu pai reagiu, me lembro de apenas ouvir um disparo alto e depois muito sangue. Ao ver o corpo de meu pai morto, minha mãe ficou fora de si e pegou uma vaso que estava perto dela e bateu na cabeça do homem que me segurava, infelizmente aquilo não afetou ele, apenas o deixou com mais raiva e depois outro disparo foi dado. Até hoje tenho pesadelos com esta cena, onde eu estava encarando o corpo de meus pais mortos. Depois disso, o homem mal me vendeu no mercado de escravos, onde tinha que obedecer aos meus donos se não uma punição me esperava.
Yellow começou a abraçar o próprio corpo enquanto chorrava e lembrava de suas memórias horríveis.
— Passei por diversos donos, todos muitos malvados que faziam coisas terríveis. Quando se casavam de mim, me vendiam para outro dono. Felizmente o meu mestre atual me comprou, apesar dele não ser perfeito, ele é muito mais gentil que todos os outros e nunca me fez fazer algo que não queria ou pudesse, ele até me deu a Chuchu. Estou com ele até hoje, e como ele é meu dono, eu não posso deixá-lo e viajar pelo mundo como sempre quis. – Yellow ainda chorrava e tentava limpar sus lágrimas que não paravam de cair, foi então que Red a abraçou.
— Yellow, eu prometo que um dia vamos viajar juntos. – disse Red enquanto abraçava a garota.
— Red. – sussurrou ela sem perceber enquanto se aquecia nos braços do garoto.
Depois de alguns segundos abraçados Red soltou Yellow.
— Mas antes, preciso arranjar um boné. Sabe tenho olhos sensíveis a luz e o sol pode ser muito cruel as vezes. – brincou Red.
— Seu bobo. – riu Yellow.
— Que tal oficializamos nossa promessa? – indagou Red.
— Oficializar?
— Sim. – Red estendeu a mão para Yellow.
A garota não entendeu direito no momento, então Red resolveu explicar:
— É simples, esticamos nossas mãos e estendemos o dedo mindinho.
— Assim? – Yellow fez o que Red havia pedido.
— Exato, agora nos cruzamos nossos dedos. – Os dedos dos dois se juntaram. – E depois de três segundos com os mindinhos cruzados, a promessa foi feita.
Red sorriu para Yellow e disse:
— Com isto, vamos viajar juntos Yellow!
— Sim! – Yellow sorriu.
Ao ver o belo sorriso daquela garota Red corou um pouco.
Ao fazer uma nova promessa de dedos mindinhos, me lembrei daquela garota que conheci em Laverre. Há cinco anos, que foi quando me mudei para Kalos por causa da morte da minha mãe, eu tinha desistido de me tornar um treinador pokémon. Foi então que fiz uma curta viajem para Laverre com o tio Hideki, pois ele tinha assuntos a tratar na cidade relacionada a sua loja de sucos. Foi nesta viajem que conheci uma garota, ela era cheia de energia e bem honesta, até demais na verdade. Me lembro que a energia dela me contagiou e por causa dela, resolvi que deveria continuar com meu sonho de me tornar o melhor dos treinadores Pokémon. No dia antes de partir, nos dois fizemos uma promessa e desde então nunca mais a vi.
— Red, foi muito por te conhecer! Mas tenho que voltar, se não meu mestre vai ficar bravo. – contou Yellow.
— Então, eu irei te acompanhar. – disse Red.
Yellow pareceu confusa.
— É perigoso ficar andando sozinho por estas ruas, além dos mais aqueles caras podem voltar, por isso é melhor eu te acompanhar até que chegue em casa. E com isto, eu vou poder ver seu mestre e chutar a bunda dele para ele te libertar.
— Você não pode fazer isto! Eu gosto muito do meu mestre, não quero que você chute a bunda dele.
— Mas você não quer partir em uma jornada? – indagou Red.
— Eu quero, mas não quero que machuque ele. – respondeu Yellow.
— Não se preocupe não vou machucar ele, apenas com a minha presença ele vai ficar intimidado e vai te libertar. – Red começou a rir forçadamente.
— Não acho que você vai conseguir isto, mas como você é um grande Campeão e já salvou o mundo, pode ser que der certo.
— Então vamos!
…
Red acompanhou Yellow pelas ruas escuras de Lumiose, até que chegaram a casa de Yellow e para a surpresa de Red, aquele lugar era o tão infame Covil de Scar. Eles entraram e começaram a caminhar em direção ao escritório.
— O que? Quer dizer que seu mestre é o Scar? – questionou Red surpreso e ao mesmo tempo com medo.
Yellow assentiu.
— Mas é o tão infame Scar, aquele conhecido como o Rei de Lumiose?
Yellow assentiu novamente.
— Por que você não comentou antes? – berrou Red.
— Acho que tinha me esquecido. – Yellow colocou a língua para fora como uma criança. – Mas não tem problema, o mestre Scar não vai fazer nada com você, ainda mais você sendo este treinador tão incrível.
Eles continuaram caminhando enquanto Red pensava:
— Oh droga! Em que furada eu fui me meter? Scar foi uma das pessoas que a Juvia disse que eu deveria evitar, mas cá estou eu, entrando em seu covil. E como assim covil? Quem é que morra em um covil nos dias de hoje? Droga, estou pensando demais, é isto que é sentir tanto medo que não consegue controlar os próprios pensamentos… Arceus que estais no céu, santificado seja vosso nome…Droga, eu já estou começando a rezar.
— Chegamos. – anunciou Yellow quando chegaram em frente a uma porta.
— Que tipo de monstro será que encontrarei do outro lado da porta? Espero que eu saia vivo dessa. – pensou Red desesperado.
Ao abrir a porta, o escritório se revelou.
— Yellow, você finalmente voltou estava demorando! – comentou Scar sorrindo. – E parece que trouxe um amigo.
Quando Red prestou atenção naquele cômodo, percebeu que além dele, Yellow e Scar, também haviam um homem grisalha de roupa negra, ao lado de uma garota de cabelos e olhos vermelhos usando uma roupa não muito adequada, os dois estava usando lenços vermelhos. E a para sua maior surpresa Juvia também estava lá.
— Juvia?
— Red? O que você está fazendo aqui? – indagou ela.
— Bem…é…eu…
— Ele me salvou. – contou Yellow. – Depois de pegar os arquivos que o senhor pediu, uns homens usando lenços vermelhos me atacaram e ele me salvou.
— Red, você adora se meter em confusões, não é mesmo? – reprovou Juvia.
— Lenços vermelhos? Parece que realmente estão tentando acabar com a reputação da minha gangue. – reclamou o homem grisalho.
— E quem é este? – indagou Red.
— Este é Judge, o líder da Gangue Vermelha.
Red ficou surpreso.
— Scar, Juvia e Judge, o que é isto? Uma reunião de lideres das gangues de Lumiose? Se bem que está faltando a Gangue Verde. – Red fitou a garota ruiva e foi até ela. – Por acaso, você seria a líder da Gangue Verde?
— Não, eu me chamo Awaki e faço parte da Gangue Vermelha. – respondeu ela.
— E o que uma gatinha como você faz por aqui?
— Gatinha? – questionou a garota ruiva.
— É, que eu não queria usar palavras chulas, mas você tem dois belos e grande atributos. – Apos a fala de Red, em meio a raiva, Awaki chutou o rosto de Red com tanta força que o derrubou no chão.
— Ai! Essa doeu! – reclamou Red.
— Era para doer mesmo! – gritou a Awaki.
— Você não tem jeito Red. – Novamente Juvia o reprovou.
Scar riu com a situação e disse:
— Você parece que não tem vergonha na cara. Paquerou de forma tão ruim também Yellow?
— Claro que não! – exclamou Red.
— Por que, não achou ela bonita? – indagou Scar.
— Ela?
Scar não aguentou e soltou uma gargalhada estupidamente alta.
— Não vai me dizer que confundiu ela com um garoto? – perguntou Scar em meio a risos.
Yellow corou e tentou fazer seu mestre parar de rir.
— Então você é uma garota? – indagou Red.
— É claro, como você não percebeu isto? – Yellow tirou o chapéu de palha que estava usando revelando seus longos cabelos loiros.

— É que por causa do chapéu, seu cabelo parecia bem curto, além do mais você não tem… – Red calou-se antes que falasse algo que feriria a garota mais ainda.
— Eu não tenho o que? – indagou Yellow inocentemente.
Red engoliu seco e continuo:
— Você não tem peitos, é quase uma tábua.
Yellow ficou triste com o comentário de Red, sua feição ficou triste e chorosa.
— Não fique triste! Eu também gosto de peitos pequenos! – berrou Red em meio ao desespero.
Yellow corou, não sabia se ficava triste ou feliz, mas com certeza, estava envergonhada.
Enquanto todos viam aquela situação como algo desconfortável, Scar rolava no chão de tanto rir.
— Esse era o cara que eu devia ter medo. – pensou Red.
— Redgar! Você está me decepcionando! – reclamou Juvia.
— Ela me chamou pelo nome. Isto nunca é bom. – pensou Red.
— Peças desculpas a ela, se não vai se ver comigo. – ameaçou Juvia.
Red se virou para Yellow e curvou-se enquanto se desculpava.
— Yellow, eu fui rude e vulgar, aceite as minhas desculpas! Por favor!
— Está bem. – disse ela em voz baixa. – Contanto que você cumpra com sua promessa.
— Vou cumprir. Mas hoje não é um bom dia para eu falar com Scar, a Juvia está aqui e ela está bem brava comigo, então peço para ele te libertar outro dia. – sussurrou Red no ouvido de Yellow que assentiu.
— Yellow, falando sinceramente, fiquei feliz que você era uma garota. Afinal achei seu sorriso muito bonito. – elogiou Red.
Yellow corou um pouco e disse:
— Obrigada.
Scar estava sentado de volta a sua cadeira e depois de receber os arquivos de Yellow anunciou:
— De acordo com as informações que acabei de receber, todos esses casos de sequestro estão realmente sendo feito por pessoas usando lenços vermelhos, mas nenhuma delas parece ter feito o ritual de iniciação da Gangue Vermelha, então é provável que seja uma nova gangue organizada, que apelidarei de Falsos Vermelhos. Apesar dela não possuir o tamanho de uma das três grandes gangues de Lumiose, ela não é uma gangue comum, o número de membros parece ser bem alto e eles possuem, pelo menos, 3 bases escondidas em Lumiose.
— E qual os endereços? – indagou Judge.
— Estão aqui. – Scar mostrou uma folha de papel para Judge. – Mas tem um preço.
— É claro que tem, tudo com você tem preço. – comentou Judge. – É só me dizer o que você quer que eu te darei.
— Muito bem. – Scar sorriu sadicamente e apontou para Awaki – Eu quero ela.
— Desculpe, mas ela não está a venda. – disse Judge.
— Que pena, tinha ótimos planos para ela. – Scar sorria para Awaki que sentiu medo. – Está bem, eu vou querer uma Key Stone.
— Key Stone? – pensou Red.
— Não seja tão ganancioso, você sabe muito bem que Key Stones são bem raras. – falou Judge
— Sim, eu sei, mas também sei que você tem duas e poderia muito bem me dar uma. Ou você prefere deixar que os Falsos Vermelhos continuem a destruir a imagem da Gangue Vermelha. – retrucou Scar com uma feição assustadora.
— Está bem, vou providenciar a sua Key Stone. – desistiu Judge.
— Foi ótimo fazer negócios com você. – Scar sorriu de forma boba e entregou o papel com os endereços para Judge.
Scar então bateu palmas para chamar atenção e alertou:
— Já está ficando tarde! Está na hora de vocês irem embora, afinal o Rei aqui precisa dormir.
Yellow foi até Red se despedir.
— Red, quero agradecer de novo por ter me salvado e por tudo.
— Não se preocupe, eu também fui um idiota agora a pouco, então me desculpe.
— Já te desculpei, não precisa disso.
— Está bem, vou indo, mas saiba que sempre que estiver com problemas eu vou te ajudar.
Então todos saíram do Covil de Scar. Juvia resolveu acompanhar Red até em casa, pois estava preocupada que algo pudesse acontecer com ele.
…
Já estava bem tarde da noite, aquele lugar era uma pilha de encombos, estava tudo destruído, diversas pessoas estavam desmaiadas enquanto sangravam e algumas mortas em cima de poças de seu próprio sangue. Judge estava no meio desse desastre, junto a Awaki e dois Absols. Ele então viu um homem bem machucado no chão que estava acordado, foi até ele e o agarrou pelo pescoço.
— Eu achei que vocês Falsos Vermelhos pudessem ser algum tipo de oponente digno, mas invadir esta base e acabar com todos foi bem mais fácil do que eu esperava. Vocês me decepcionaram. – sorria Judge enquanto fitava o rosto cheio de sangue do homem que ele segurava. – Como seus amigos estão dormindo no momento, o sorteado para me dar informações é você, sinta-se honrado. Minha primeira pergunta, é por que vocês estão sequestrando pessoas e colocando a culpa na minha gangue?
— Que se lasque! – berrou o homem ensaguentado.
— Absol arranque um dedo dele! – ordenou Judge.
Um dos Absol mordeu um dos dedos do homem e o puxou ferozmente o arrancando, assim causando uma grande dor que fez o homem gritar. Awaki desviou o olhar naquele momento.
— É o seguinte, você ainda tem nove dedos nas mãos, cada vez que você fazer alguma merda, o Absol vai arrancar outro dedo seu e se seus dedos acabarem, você perde todas as suas chances e então vai morrer. Você está me entendendo? – indagou Judge.
O homem assentiu desesperado.
— Muito bem, vou perguntar de novo. Por que vocês estão sequestrando pessoas e colocando a culpa na minha gangue?
— O sequestro é para vender pessoas e pokémons no mercado negro e ganhar muito dinheiro, pelo menos foi isto que ele prometeu para a gente. – respondeu o homem ensaguentado.
— Quem é ele?
— O nosso líder. Foi ele que teve a ideia de fazer os sequestros, ele disse que com todo o dinheiro que ganharíamos, poderíamos sair da misseira e ter vidas de luxo. Também foi ele que teve a ideia de usar os lenços vermelhos e imitar a gangue vermelha para parecer que ela era a culpada.
— E qual era o motivo disso?
— Eu não sei.
— Absol.
O pokémon noturno mordeu e arrancou outro dedo do homem, o fazendo gritar mais uma vez de dor.
— Qual era o motivo? – repetiu Judge
— Eu juro eu não sei, o líder não nos contou, só disse que era uma boa ideia para despistar a polícia.
— E por que não escolheram outra gangue para imitar? Tinha que ser a vermelha, não tinha?
— Eu não sei.
— Absol.
Mais uma vez Absol arrancou outro dedo do homem, assim o homem berrou outro grito. O homem já havia perdido três dedos em uma mão, onde havia sobrado apenas o dedo mindinho e o do seu lado.
— Por que escolheram a Gangue Vermelha para colocar a culpa?
— Eu não sei, eu juro, por favor.
— Absol.
Outro grito foi ouvido e só o mindinho havia sobrado.
— Por que escolheram a Gangue Vermelha para colocar a culpa?
— Por favor.
— Absol.
— Chega! – gritou Awaki. – Ele não sabe.
— Está bem, Absol pare. – ordenou Judge. – Sabe, você é um homem de sorte, se Awaki não estivesse aqui, eu já teria arrancado todos os dedos de sua mão. Se não quiser sentir mais dor, é bom cooperar e responder as minhas perguntas. Se você não sabe o motivo de terem escolhido a Gangue Vermelha para imitar alguém deve saber.
— Sim, o líder sabe, foi ele que sugeriu. – contou o homem.
— E onde eu posso encontrar este líder? – questionou Judge.
— Tem muitos lugares, ele não fica parado, sempre fica se mudando entre nossas bases.
— Certo, e qual o nome do seu líder?
— Heathcliff.
Judge reconheceu o nome e ao ouvi-lo sua expressão ficou mais séria.
— Isto explica tudo. – comentou Judge. – Você cooperou bem, agora pode descansar.
Judge colocou o homem no chão.
— Muito obrigado pela piedade. – disse o homem ensaguentado.
— Awaki mande seu Absol matá-lo. – ordenou Judge.
— Mas eu respondi tudo que você perguntou! – reclamou o homem.
— Exatamente, agora, você não tem utilidade. E ouvir o nome daquele desgraçado me deixou com raiva, ver suas tripas vão me alegrar um pouco. – disse Judge. – Awaki faça.
— Eu não vou fazer isto. – protestou Awaki.
— Você me decepciona as vezes, tem muito que aprender. – reprovou Judge. – Absol mate este homem.
O pokémon desastre pulou em cima do homem que gritava desesperado tentando fugir, mas não conseguiu e foi pego pelo Absol que começou a morder todo o seu corpo despedaçando. Awaki tentou desviar o olhar, mas Judge a obrigou a assistir tudo. E quanto o homem finalmente parou de gritar, havia sobrado apenas um monte de carne amassada no chão.
— Por que você fez isto? Ele cooperou com a gente. – perguntou Awaki.
— Você não ouviu? Eu estava com raiva. – respondeu Judge.
— E quem era esse tal de Heathcliff? Para ter te deixado com raiva apenas de você ouvir o nome dele.
— Ele fazia parte da Gangue Vermelha, você era pequena na época e por isso não se lembra. Mas ele acabou traindo todos nós. Quando descobrir planejei eliminá-lo, mas como ele era meu amigo e jurou que nunca mais me atrapalharia, resolvi deixar ele vivo, apenas o expulsando da gangue. Mas parece que este desgraçado voltou e é o líder desses Falsos Vermelhos, que estão sendo uma certa dor de cabeça. Eu devia ter matado ele quando tive a chance. Aquele traidor, filho de uma…
Cidade de Lumiose, 30 de julho de 2015.
A polícia de Lumiose havia recebido queixas de barulhos de tiros e explosões em alguns lugares da cidade na noite passada, a maioria deles eram lugares que descobriram ser base dos Falsos Vermelhos, mas um lugar específico tinha deixado muitos aflitos, este lugar era o Covil de Scar.
Green, junto a outros policias resolveram, investigar o caso, e quando chegou lá, se deparou com um lugar, com vidros quebrados e paredes cheias de furos. Ao entrar no escritório de Scar, o viu sentado no chão segurando seu adomem que estava enfaixado, provavelmente ele havia sido baleado na noite passada.
— Olá Green! Sei que está tudo uma bagunça, mas não se incomode. – disse Scar.
— O que aconteceu aqui? – indagou Green surpreso ao ver tudo aquilo, afinal ele não conseguia acreditar que alguém era corajoso ou idiota suficiente para atacar Scar.
— Parece que tive alguns problemas. – respondeu Scar.
— Já percebi isto.
— Devo dizer que já sei quem está por trás dos sequestros.
— Quem?
— Um certo homem chamado Heathcliff, parece que ele criou uma nova gangue que imitava a vermelha para colocar a culpa nela, esta gangue pode ser chamada de os Falsos Vermelhos. Ele e a sua gangue que estão por trás dos sequestros. E aquele desgraçado, resolveu me atacar enquanto eu estava dormindo.
— Ele estava atrás de alguma coisa? – indagou Green.
— Não uma coisa, e sim alguém. – A expressão de Scar estava bem mais séria do que o normal. – Se lembra a minha querida Yellow que você viu ontem? Parece que Heathcliff tinha visto ela em algum lugar e ficou bem atraído, por isso mandou seus subordinados sequestrarem ela, mas um certo garoto a ajudou e a trouxe de volta para casa. Mas eu fui ingênuo, achei que tudo tinha sido uma coincidência, mas não Heathcliff não estava apenas atraído pela Yellow e sim obcecado.
A voz de Scar estava começando a ficar tenebrosa e cheia de fúria.
— Ele invadiu a minha casa, metendo bala para todos os lados e levou a minha Yellow dizendo que usaria o corpo dela para se divertir sempre que quisesse. – Scar suspirou. – Estou morrendo de vontade de matar aquele desgraçado.
— O que? Sabe para onde ela foi levada? – Green estava ficando desesperado.
— Tenho um palpite, mas acha isto certo? Afinal, seu pai não gosta que você tenha conversas comigo.
— Eu não me importo com isto, se tem alguma ideia, diga logo!
— Você sabe que tudo tem um preço, não é?
— Estamos falando da sua serviçal! Se você realmente se preocupa com ela nos diga aonde podemos encontrar os Falsos Vermelhos!
— Está bem. – Scar pegou uma folha de papel, anotou um endereço e depois entregou para Green. – Aqui está.
— Obrigado. – Green começou a caminhar para a saída.
— Green, eu sei que você está tentando se tornar um policial por causa de uma promessa, mas não acha que isto está atrapalhando seus verdadeiros objetivos? Se eu fosse você, desistiria dessa promessa e seguiria atrás de meu sonho. – sugeriu Scar.
— Você sabe que eu não posso.
— É claro que pode, só não tem a coragem suficiente. – insultou Scar.
Green fingiu não ouvir Scar e continuou andando até a saída.
…
Red estava fazendo as entregas da loja do tio Hideki como de costume. Foi então que quando estava ao caminho do laboratório do Professor Sycamore, foi parado por um homem. Ele era alto, mas nem tanto, tinha cabelos negros e olhos que pareciam duas grandes e verdes esmeraldas. Ele vestia uma calaça jeans, uma camisa social branca e por cima um sobretudo marrom aberto, além disso ele estava com uma gravata no pescoço, usava luvas negras e segurava em suas mãos um livro e uma caneta.
— O que você quer? Estou um pouco atrasado e tenho que fazer um entrega. – contou Red.
— Não se preocupe com isto, tenho certeza que Sycamore não ficara chateado. – disse o homem.
— Como você sabe que estou levando uma entrega para o professor? – indagou Red.
— Você me disse.
Red ficou confuso, tinha certeza que não tinha dito nada.
— Estou apresado, pode me dizer logo, o que você quer? – pediu Red.
— Não é o que eu quero, e sim o que você quer. – Quanto mais Red ouvia aquele homem, mas ficava confuso.
— Pode ir direto ao assunto.
— Yellow foi sequestrada. – contou o homem esquisito.
Red tomou um susto, não conseguia acreditar.
— Isto é uma brincadeira, só pode! – gaguejou Red.
— Eu estou falando sério. Ela foi sequestrada pelos Falsos Vermelhos, no momento ela está presa e quando a hora chegar… A situação ficará muito feia para ela.
— Não pode ser, não pode ser. Alguém tem que ajudar ela.
— Alguém não, você.
— Mas eu nunca vou conseguir salvá-la.
— Ela não acredita nisto. Tenho certeza que ela está achando que você vai aparecer para salvá-la, afinal você é o lendário campeão de Kanto. – sorriu o homem.
— Cale a boca! – berrou Red. – Aquilo foi uma mentira, eu não sou campeão nenhum. Sou só um fraco e covarde.
— Se você acha isto, por que não muda? – indagou o homem misterioso.
— Mudar?
— Sim. Você criou uma ficção onde você era o herói, por que não transformar está ficção numa realidade?
— Mas eu não sou um herói e nem quero ser! – exclamou Red.
— Então por que salvou a Yellow antes? – indagou o homem.
Red ficou sem resposta, ele sabia o motivo de ter salvado a Yellow, mas não queria ter que admitir.
— Por que salvou a Yellow? – repetiu o homem.
— Porque eu queria ser um herói. – admitiu Red.
— Então seja um e salve a Yellow!
— Você está certo! Eu não posso ficar sem fazer nada! – concordou Red. – Mas como vou fazer isto? Invadir uma base de uma gangue sozinho é impossível.
— Eu nunca disse que você iria sozinho. Eu vou com você. – contou o homem.
— Certo, mas aonde fica a base onde Yellow está?
— No Aeroporto Inter-regional de Lumiose.
— Aeroporto?
— Sim, afinal que lugar melhor para transportar pessoas e pokémons do um aeroporto. Os Falsos Vermelhos possuem contatos lá e usam eles para traficar os sequestrados facilmente, além de que o depósito do aeroporto é enorme. – explicou o homem.
— Então vamos!
Red começou a correr em direção ao aeroporto, mas o homem não o seguiu, ao invés disso, ele abriu o livro que segurava e anotou algo.
— Não vai vir? – indagou Red.
— O aeroporto é longe, é melhor irmos de carro. – respondeu o homem.
— Carro? – Red se surpreendeu ao ver um carro de luxo, que deveria custar milhões, ao lado do homem. Ele tinha certeza que aquele carro não estava ali antes, se tivesse, com certeza teria notado.
— Sim, o meu carro. – sorriu o homem ao mostrar que a chave do carro estava em sua mão.
— Quem é você? – indagou Red.
— Apenas um escritor.
…
Yellow estava em uma sala escura, amarrada apenas de roupas íntimas e com a boca presa com uma fita adesiva. Diversos homens estavam ao redor dela.
— Ela quase não tem peito. – sussurrou um dos homens.
— Mas até que é bonitinha. – respondeu outro.
— Não importa a beleza e o corpo, só importa o que ela tem embaixo dessas roupas. – comentou outro.
Foi então que uma porta se abriu e um homem velho de cabelos negros e olhos da mesma cor entrou na sala. Todos os outros homens fazerem silêncio e se curvaram para ele. O homem velho caminhou até Yellow, olhou para o corpo dela de cima para baixo e depois fitou seus olhos.
— Se lembra de mim, Yellow?
Ao fitar os olhos daquele homem, Yellow ficou assustada, eram os mesmos olho sombrios e assustadores que tinha visto desde o dia em que seus pais foram mortos. Yellow começou a se debater, queria sair dali a qualquer custo.
— Aqui é seu velho amigo, Heathcliff. – Ele sorriu. – Já faz um bom tempo desde que te vendi, mas sabe, eu me arrependi. Se soubesse que você ficaria tão bonita, nunca teria te vendido. Guardaria você para uso próprio.
Yellow se debatia e tentava gritar, mas por causa da fita não conseguia.
— Que rude da minha parte, esta fita deve estar te incomodando. – Heathcliff tirou a fita da boca de Yellow.
— Você não vai escapar dessa. – disse Yellow.
— Não vou escapar?
— Ele vai vir me salvar e vai acabar com todos vocês! – gritou Yellow.
Heathcliff alisou o rosto de Yellow e perguntou:
— Quem vai vir te salvar, minha querida?
— O maior de todos os treinadores! O Campeão dos campeões, Red!
Ao ouvir aquelas palavras diversos homens não aguentaram e começaram a gargalhar.
— Red? Você não pode estar falando daquele pirralho idiota?
— Maior dos treinadores? Só se for o maior covarde isto sim!
— Campeão dos campeões dos fracos, isto que ele é!
Yellow não entendia aqueles deboches todos.
— Sinto muito, mas este Red que você está falando é só um fracote que fica arranjando batalhas e brigas e perde todas, ou nem comparece, por estar com medo de perder! – riu um homem.
— Não! Você está errado! O Red é um treinador muito forte e corajoso! E ele vai vir me salvar!
— Aquele Red, não é nada disso! Ele deve ter mentido para você para parecer forte, mas, na verdade, ele é só um moleque covarde e sem pais que fica vadiando pela cidade de Lumiose. – gargalhou outro homem.
— Não… O Red não é um mentiroso! Ele não faria isto! Ela vai vir me salvar, eu sei disso!
— Minha querida Yellow, parece que este Red te enganou, não se preocupe. Nunca mentirei para você, vou cuidar muito bem de você, começando por agora. – Heathcliff segurou a calcinha de Yellow preparado para tirá-la, foi então que um enorme barulho pode ser ouvido, era uma explosão.
Todos naquela sala se assustaram com a explosão, ela tinha vindo de fora, foi então que da porta por onde Heathcliff tinha entrado, uma silhueta pode ser vista.
— Red! – gritou Yellow com olhos cheios de lágrimas.
— Yellow, eu vim para…
… Te salvar!
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