Pokémon RainStorm
41 Capítulo 27: A Fada da Chuva
Notas iniciais
Ela pode ter me esquecido, mas eu nunca me esquecerei dela e isso já é o suficiente.
Cidade de Lumiose, 17 de novembro de 3016.
Estavam naquela sala já conhecida pelo dois. Fazia 3 dias que não se viam, mas parecia mais. Tudo mudava tão rápido que suas noções de tempo estavam distorcidas. Scar sentava em sua poltrona de forma desleixada, deixando seus pés na mesa de vidro em sua frente. Enquanto isto, ele olhava para Juvia sentada em um pequeno sofá a alguns metros da mesa. Ela olhava ao redor e percebia que a decoração havia mudado. Antes um simples gabinete, agora quadros e estátuas rodeavam o lugar.
— Não sabia que você gostava dessas coisas. — comentou Juvia se referindo a decoração.
— Os tempos estão mudando, então resolvi mudar o ambiente também. — respondeu Scar sorrindo de forma despreocupada como fazia normalmente.
Os dois jogavam conversa fora, mas sabiam que o motivo de estarem reunidos era outro.
— Estes últimos dias foram difíceis. — desabafou Juvia.
— Difíceis, mas recompensadores. — complementou Scar.
— Não me surpreende você me dizer isto. — riu Juvia. — No fim, você foi quem mais se deu bem com tudo isto.
— Eu consegui minha vingança, mas não fui o único que lucrei com isto. Tanto eu quanto você sabemos que sem a Gangue Vermelha no caminho, toda Lumiose prosperará. — contou Scar. — As outras gangues coloridas, como a sua, são mais tranquilas, além disso, elas também sairão no lucro, ganhando mais poder e integrantes.
— Seria verdade, se a cidade não estivesse um caos. — discordou Juvia. — Há construções para todo o lado, ex-integrantes da Gangue Vermelha causando problemas. Além de que sem Judge para lidar com eles, a família Bourbon poderá causar problemas, principalmente se levarmos em conta a destruição da Darkness Arena.
— Se os Bourbons quiserem bater de frente comigo, eu não tenho medo. Eles podem ser da antiga máfia, mas é uma organização velha que está ultrapassada.
— Admiro sua coragem…ou seria insanidade? — ironizou Juvia. — Eu acho que nunca te vi com medo de ninguém.
— É ai que você está errada, eu só entro numa luta se eu sei que posso ganhar. Há algumas pessoas que são tão poderosas e calculistas que eu temeria tê-las como inimigos.
— Uma delas seria o segundo príncipe de Kalos, Adol?
— Bingo! — exclamou Scar. — Aquele desgraçado argiloso fez todo este plano de sequestro, prevendo praticamente tudo. Eu tenho certeza que desde o início ele queria a morte de Judge e fim da gangue vermelha, afinal ele fez um jogo duplo perfeito, contratando o Judge para sequestrar a própria irmã e me contratando para salvá-la se necessário, mas, no fundo, ele havia me contratado para matar o Judge, pois ele sabia que a princesa conseguiria fugir sozinha. E não apenas isto, ele sabia sobre o meu passado, só assim para ele ter a certeza que eu mataria Judge.
— É assustador quando sabem demais sobre você, não é mesmo? — Juvia perguntou retoricamente. — Ele também previu que Valerie iria atrás de Evelyne e me ordenou que a parasse, para que a princesa pudesse fugir sozinha.
— Eu realmente não consigo compreender ele. — desabafou Scar. — Ele disse que tudo que fez foi pela sua irmã, mas isto seria insano demais. A princesa sofreu muito e poderia ter morrido. Isto não é uma coisa que um irmão faça. — suspirou ele. — De qualquer forma, ele é assustador. Causou um dos maiores apagões na história de Lumiose, libertando uma das maiores e mais violentas gangues de Kalos e tudo isto sem ter que se envolver diretamente. Sinceramente, fico feliz em não tê-lo como inimigo.
— Você soube da Valerie? Tudo indica que foi obra do Adol. — indagou Juvia.
— Aqui é minha cidade, é claro que eu soube, mas prefiro não ir muito afundo para não ter problemas.
— Estou com pena da Katherine e sua irmã, para as garotas furisode, Valerie deveria ser alguém bem especial. — comentou Juvia tristemente. — Além disso, não pude terminar minha batalha com ela.
— Você deveria ter ficado feliz com isto. Soube que você quase perdeu para ela.
A mulher de cabelos azuis fingiu que não ouviu e desviou seu olhar para um quadro com a torre prisma pintada em seu centro. Então, ela suspirou e disse:
— Scar, eu tenho um pedido pra você.
— O que seria?
— Você já deve ter ouvido falar sobre as novas “estrelas” da cidade. — assumiu Juvia.
— Pode continuar. — sorriu Scar.
…
Lysandre coçava sua barba laranja como se aquilo lhe aliviasse do tédio. Apesar de seus ferimentos não terem sido graves, já tinha alguns dias que ele estava no hospital, e isto o deixava inquieto. Naquele momento, ele deitava em sua cama, que estava tanto reclinada que sua posição era quase de uma cadeira. No seu quarto, não havia muita coisa, era como a maioria do hospital. Além da cama, tinha um pequeno banco, um criado-mudo, e uma televisão que repetia as notícias dos últimos dias como se fosse um Chatot.
— Com licença, aqui é o quarto do senhor Lysandre? — perguntou a voz do lado de fora do quarto.
Ele reconheceu a voz e pediu que entrasse. Assim que pôs os pés em seu quarto, Katherine sorriu e o cumprimentou:
— Que bom que o senhor está bem.
— Não precisa se preocupar comigo. Posso estar numa idade avançada, mas este homem aqui já sobreviveu a coisas muito piores. — contou Lysandre ao se referir a sua perna engessada.
O sorriso no rosto de Katy sumiu e ela desviou o olhar, olhando para baixo.
— Me desculpe, você se machucou por minha causa.
— Não foi sua culpa, eu que me esforcei demais. Assim que aquela garota me machucou eu devia ter ido para hospital, mas resolvi continuar. — consolou Lysandre
— Mas não foi só você, todos se esforçaram bastante naquela noite. Eu não pude nem ajudar a Eve, e ainda fiz minha irmã Kali se machucar. — Ela cerrava os punho tentando controlar a frustração.
— Mas você salvou sua irmã, não foi?
Ela assentiu um pouco envergonhada.
— É isso que importa. Tenho certeza que ela não te culpa. Se tem algo que ela senti por você, é admiração. Digo, por experiência. — sorriu Lysandre.
Aquele homem alto raramente sorria, e quando fazia, na maior parte das vezes, era um sorriso falso, mas deste vez, não. Seu sorriso era puro e verdadeiro, e aquilo conseguiu acalmar o agitado coração de Katy que sorriu de volta.
— Obrigada.
— Não precisa me agradecer, eu apenas disse a verdade.
Ela corou um pouco.
— Desculpe ter ficado pouco tempo, mas eu tenho que ir. — contou Katy ao se lembrar de seu compromisso.
— Não se desculpe, afinal, eu que estou agradecido por ter me vindo visitar.
Ela se despediu e saiu do quarto. Assim que a porta se fechou, uma figura misteriosa surgiu das sombras.
— Eu já te ensinei que é errado ficar espionando outras pessoas, não é mesmo? — indagou Lysandre para a figura misteriosa que ao ir para a luz da janela se revelou com um enorme sorriso.
— Desculpa, mas me surpreendi em como o senhor é bom em mentir. — contou Yuki com um sorriso de ponta a ponta. — Fica agindo todo inocente, como se não tivesse fornecido as plantas do Maid Café para a gangue vermelha invadir, nem como se tivesse causado o apagão.
— Isso foi apenas meu trabalho, assim como o seu foi restaurar a energia da cidade.
— Aquele príncipe deve ter te pagado muito para você ter tido todo este trabalho. — comentou Yuki sem abaixar o sorriso.
— Para a Equipe Flare alcançar seu objetivo precisamos de dinheiro, então qualquer trabalho que pague bem será bem-vindo. — explicou Lysandre.
Yuki se aproximou mais da cama dele, e resolveu perguntar:
— Por que me chamou?
— É sobre a Katherine. Eu já sei de tudo que aconteceu, mas não quero que vocês a machuquem mais. — respondeu Lysandre seriamente.
— Eu não entendo. — reclamou a Yuki, que mesmo estando sorrindo, seu tom de voz foi forte suficiente para que percebesse o que sentia. — Por que você está sendo gentil com ela? Por que esta a elogiando e cuidando dela? Por que se machucou para salvá-la? Isso está errado, não era para você olhar para ela, você devia…
— Isto não é da sua conta. — Lysandre a interrompeu. — Se eu quero tratar bem ela, eu a tratarei. Se eu quero ela viva, ela viverá. Está entendendo? — O tom de voz de Lysandre era ameaçador. — Eu não sei qual rixa que vocês tem com a ela, mas controlem-se. Se não fosse pela irmã dela, a outra poderia ter matado Katherine. E se isto acontecer por culpa de vocês, podem ter certeza que irão se arrepender.
Yuki puxou uma faca escondia na manga de seu casaco e a colocou no pescoço de Lysandre.
— Você não deveria falar assim com uma pessoa que está claramente na vantagem — ameaçou Yuki que apesar de sorrir, Lysandre percebia as nuances que diferenciavam a expressão de seu rosto.
— Vantagem? Tem certeza disso? — Lysandre soltou um pequeno riso. — Eu sei que você não quer me matar, está sendo apenas uma adolescente rebelde que desafia o próprio pai. Mas você sabe muito bem que sem mim, vocês não tem ninguém, afinal, para o mundo, vocês não existem.
— Pai? Você só usa essa palavra quando é conveniente para você. — Era possível ver a raiva pelo sorriso da Yuki. — Você se lembra da última vez que me chamou de filha?
— E isto importa? — questionou Lysandre como se fosse a pergunta dela fosse a coisa mais boba do mundo.
A Nevasca Bipolar não entendia o que sentia, se era raiva ou tristeza, mas aquilo a incomodava, aquele homem a incomodava, mas apesar de tudo, ele estava certo, Yuki nunca conseguiria machucá-lo. Engolindo suas palavras, ela guardou sua faca novamente.
— Deixe pra lá. Tem mais alguma coisa que queria falar comigo? — Seu sorriso era trêmulo, como se estivesse tentando se desfazer, mas ela não podia deixar isto acontecer.
— Muito bem. — sorriu Lysandre. — Agora que está mais calma, eu tenho um trabalho para você.
…
Shiro estava sentado ao lado de Daisy que se repousava sentada em sua cama, seu quarto era o padrão do hospital, pequeno, mas não tanto.
— Estou feliz em ver que está se recuperando. — sorriu Shiro. — Tomei um susto quando soube que você teve uma recaída.
— Não precisa disso. — sorriu tristemente Daisy. — Foi só o estresse dos últimos dias.
— Aconteceu alguma coisa, não foi? — Shiro pode ver através daquele sorriso falso.
Ela não respondeu, não queria envolver Shiro nos seus problemas, mas quando ela percebeu que ele não a pararia de fitá-la até responder, desistiu.
— No apagão, me encontrei com meu pai, e mesmo tendo tempo que o encontrava, ele não ficou nem um pouco feliz em me ver. — contou Daisy. — Eu disse pai, mas, na verdade, ele não é meu pai biológico, mas é o mais próximo disso que existiu pra mim.
Shiro continuou em silêncio.
— Quando eu nasci, meu pai, me cuidou como se fosse sua filha, mas então, ele descobriu que minha mãe o traiu e que eu era filha de outro homem, que eu nunca conheci. Desde então, ele não me olha mais e finge que eu não existo. — Sua voz era de choro, apesar de lágrimas não caírem. — Eu queria que ele me chamasse de filha, que me tratasse com carinho que nem antes, mas ele continua sendo cruel e, mesmo assim, eu continuou amá-lo.
Ela parou por um momento e olhou para baixo, enquanto cobria seus olhos com a mão, quando Shiro pode perceber, pequenas lágrimas escorriam pelas brechas dos dedos da garota. Antes que o garoto pudesse comentar algo, ela limpou seus olhos e fitou-o.
— O que eu fiz? A minha culpa foi ter nascido? É por isso que eu tenho essa doença incurável? — exclamou Daisy.
— Pare! — berrou Shiro levantando da cadeira. — Nunca mais diga isso. Você não fez nada e não tem culpa do que sua mãe fez.
Ele se aproximou dela e limpou o último pingo de lágrimas dos seus olhos.
— Você não é sua mãe. Você é Daisy. E se seu pai não quer te aceitar mesmo assim, não importa, afinal, você não está sozinha. — sorriu Shiro.
A garota de cabelos castanhos soltou uma pequena risadinha envergonhada.
— Você me lembrou do meu irmão, ele me disse a mesma coisa uma vez. — sorriu ela. — Sabe, eu ainda quero que meu pai me aceite algum dia, mas não vou mais me abalar com isto.
Foi neste momento, que os dois ouviram batidas na porta do quarto.
— Pode entrar. — permitiu Daisy
— Com licença. — anunciou Katherine ao entrar no quarto ao lado de Kuro.
Shiro foi até os dois e os apresentou para a Daisy.
— Você cumpriu sua promessa. — sorriu ela.
— Agradeça a Katy, foi ela que quis te visitar assim que soube de você. — contou Shiro. — E o Kuro… Ele é intrometido.
— Eu não aceito ouvir isto de você. — reclamou Kuro.
— Diz o cara que saiu correndo pelas áreas mais perigosas de Lumiose por causa de uma garota ruiva. Você deve estar desesperado. — zoou Shiro. — Também com seu rosto…
— Pelo menos eu não tenho uma verruga na bunda.
— O que? Pare de mentir, seu desgraçado!
— Tá chamando quem de mentiroso? Seu maldito.
— Quer brigar? Da última vez, eu te dei uma surra. — lembrou Shiro.
— Eu deixei você ganhar, se lutasse sério te cortaria ao meio. — contestou Kuro.
— Então, vamos testar essa sua teoria agora.
Antes que qualquer coisa pudesse acontecer, Daisy começou a gargalhar como não fazia há muito tempo. Katy que prendia a risada, não aguentou e começou a rir também. Shiro e Kuro se entreolharam e esbouçaram sorrisos.
— Eu queria poder rir assim todo dia. — revelou Daisy segurando a barriga que doía depois de tanta risada. — É assim, que eles são todos os dias, Katherine?
— Não todos, mas também não poucos. — riu ela. — Além disso, pode me chamar de Katy.
A garota furisode se lembrou de algo e pegou a sua mochila, dela tirou três pokébolas.
— Shiro me pediu para te animar, então eu pensei que nada melhor do que brincar com Pokémons. Você gosta deles? — indagou Katy.
— Eu amo eles. — sorriu Daisy.
As duas estavam se dando muito bem e isto deixava Shiro feliz. Além disso, outra coisa te trazia um sorriso. Enquanto as duas conversavam, ele se aproximou de Kuro.
— Isto que aconteceu agora, quer dizer que você não está mais com raiva de mim? — indagou Shiro.
— Eu nunca tive raiva de você, só estava frustrado em cozinhar que nem um Ludicolo bêbado. — respondeu Kuro.
— Me desculpe, devia ter te contado antes.
— Não se preocupe, todos esse tempo comendo minha comida deve ter servido como punição.
Os dois riram.
— O que vai fazer agora? Continuará a cozinhar? — perguntou Shiro.
— Sobre isto, vai ter que esperar para saber. — sorriu Kuro.
…
Alexa caminhava pelos corredores daquele grande hospital. Assim, como nos últimos dias, estava tudo muito movimentado, algo que não era o normal, mas devido aos acontecimentos anteriores, o hospital estava lotado. Finalmente parou de andar e se posicionou em frente de uma porta e a abriu.
— Estou entrando. — anunciou ela.
Assim que entrou, ela viu Meyer deitado conversando com seus filhos.
— A Bonnie disse que queria ajudar a arrumar a bagunça que fizeram na Torre Prisma, ela pode ir? — indagou Clemont.
— Seria perigoso ter uma criança lá, as autoridades já estão fazendo isto. — respondeu Meyer.
— É por isso que não precisa se preocupar, a polícia estará de vigilância o tempo todo. — argumentou Clemont.
— Isso mesmo, além disso eu quero passar um tempo com o meu irmão. — Bonnie fez um olhar um pokémon fofo pedindo comida. — Por favor.
— Está bem. — desistiu Meyer. — Clemont, não tire o olho dela.
— Não precisa se preocupar, pai.
Os dois irmãos se despediram, cumprimentaram Alexa e saíram do quarto. Meyer ficou os fitando com um sorriso no rosto.
— Você parece feliz. — comentou Alexa.
— Eu nunca vi esses dois se dando tão bem. — explicou Meyer. — Admito que, pelo menos, algo de bom aconteceu naquela noite infernal.
— E você, está bem?
— Não posso dizer que estou 100%, mas estou melhor. — respondeu Meyer. — Está preocupada comigo? Será que tenho alguma chance?
— Se você fosse uns vinte anos mais novo, quem sabe? — brincou Alexa.
Os dois riram. Então, Meyer olhou para a janela fitando a Torre Prisma, tinha pedido para ficar num dos poucos quartos que tinham uma boa visão dela, pois para ele aquele lugar era especial.
— Por mais que eu queira acreditar, sei que você não veio apenas para saber da minha saúde. — confessou Meyer. — O que aconteceu?
— Nada em particular, mas através das minhas investigações sobre aquela noite, aquela palavra apareceu de novo. — revelou Alexa.
— Labareda?
— Exatamente. Eu falei com a Professora Suzie e esta palavra está sendo dita em diversos casos por todas Kalos. Além disso, a informação que a Nevasca Bipolar tenha aparecido para ajudar, me incomoda, é como se tudo tivesse sido premeditado. E não é apenas isto, ela também apareceu em Santalune há um tempo atrás, relatos dizem que ela foi quem matou o criminoso, Chasseur. Tentei cavar mais fundo, e a palavra “Labareda” apareceu em outro caso envolvendo ela, há uma grande possibilidade que a Nevasca Bipolar esteja envolvida nesta organização secreta que Clare procura, assim como ele previu.
— Você já contou isto para ele?
— Eu já estava chegando ai. — continuou Alexa. — Aparentemente, Clare está desaparecido, há última vez que se tem relatos dele, foi na batalha de Katherine contra a minha irmã.
— Alexa, isto está ficando perigoso, é melhor você parar com essa investigação e deixar com a Polícia Internacional.
— Uma boa jornalista tem que revela a verdade, este é meu lema.
— Se Clare realmente sumiu, esta organização secreta deve ser bem mais perigosa do que pensamos. Se você continuar, pode morrer. — explicou Meyer preocupado.
— Vocês vão parar? Minha irmã, eu sei que continuará indo até o fundo deste mistério, principalmente, agora, que Clare desapareceu. — falou Alexa. — Eu também não posso desistir, descobrir a verdade não é apenas meu trabalho, é minha vida.
— Não vai adiantar insistir. Só peço que tenha cuidado.
…
Quando foi chamada, Katherine ainda estava no quarto de Daisy, as duas estavam se dando muito bem, mas assim que a enfermeira adentrou o quarto, Katy sabia que aquele momento confortável acabaria. A jovem mulher chamou a garota furiosde, disse que a médica responsável pela Valerie tinha informações para contá-la assim como para sua irmã, Kali, que também estava sendo chamada. Sem poder recusar, ela se despediu de Daisy e seguiu a enfermeira.
Assim que chegou na porta do quarto de Valerie, viu Kali sentada em uma cadeira de rodas, suas pernas estavam enfaixadas. Devido ao seu ferimento na batalha contra Yuki, Kali não conseguia mover as pernas direito e por isso precisava de auxiliou. Ao seu lado, uma médica esperava em pé. — Como você está, Kali? — Katherine desviou o olhar, não gostava de ver sua irmã daquele jeito. Sentia que parte daquilo era sua culpa.
— Ainda está difícil para andar, mas, em poucos dias, estarei novinha em folha. — sorriu Kali.
— Que bom, eu estava preocupada. — aliviou-se Katy.
A médica fez um som como se estivesse conçando a garganta para lembrar as duas o motivo de estarem lá. Quando elas perceberam se calaram e fitaram a mulher adulta, que abriu a porta em seguida.
Depois de entrarem, as garotas furisodes se sentiram aliviadas em verem Valerie deitava em uma cama, mas esse alívio foi momentâneo, pois o som de um “bip” foi o suficiente para trazerem de volta a realidade. Valerie estava dormindo, de seus braços eram encaixados diversos tubos com líquidos, em todo seu corpo haviam fios que ligavam com a máquina que fizera o som de “bip”, nela tinha um monitor que mostrava os batimentos cardíacos da paciente.
— Não se preocupem, ela está bem. — contou a médica ao ver a cara de desespero das garotas.
— Quando ela vai acordar? — questionou Katy.
— Sobre isto, não podemos afirmar com certeza. — respondeu a médica. — Apesar de sua condição física estar quase que recuperada, o choque emocional que ela sofreu deve ter sido muito grande, a deixando em coma. Nestes casos, não temos como saber quando ela acordará. Pode ser hoje, amanhã, ou meses.
Para as duas garotas, aquela resposta foi como uma ancora as puxando para o fundo do mar.
— Você está brincando, não é? — Kali negava aceitar a realidade.
— Eu nunca brincaria com um assunto sério que nem este.
Katherine cerrava suas mãos, se sentia frustrada, todos em sua volta tinham se machucado, e ela não podê fazer nada. Valerie estava em coma, e ela nem sabia o porquê.
— Eu sei que pode parecer a pior situação possível, mas não é. Valerie não corre perigo de vida, a sua saúde está bem, e algum dia, com certeza, vai acorda. — A médica tentou deixar as duas mais relaxadas.
Percebendo que conseguiu acalmá-las um pouco, resolveu continuar:
— Tem mais uma coisa. O ferimento de Valerie é estranho, foi feito por uma lâmina fina e longa, possivelmente uma espada.
— Mas o que tem de tão estranho nisso? — Katy já estava tanto acostumada a ver Kuro andando de um lado para o outro com sua espada, que aquilo parecia normal.
— Ferimentos feitos por espadas não são tão comuns hoje em dia, mas o que eu mais achei estranho não foi isso. — explicou a médica. — A região onde Valerie foi perfurada é muito sensível e se o ferimento tivesse sido feito em milímetros de distância, a chance dela ter morrido era enorme. Foi como se o criminoso tivesse a deixado viver propositalmente.
— Está dizendo que a pessoa que fez isto, não queria matá-la? — questionou Kali.
— Não há como saber, para isto ele teria que ser um gênio nas artes da esgrima, algo que acho improvável. Então, deve ter sido sorte, muita sorte.
Katherine não conseguia entender. Por que alguém atacaria Valerie? Quem faria isto? Diversas perguntas passavam em sua mente. Sentia raiva, não deixaria a culpado por trás daquilo se safar, mesmo que ele tivesse deixado Valerie viver, ele ainda a teria machucado e Katy não perdoaria isso.
…
Estava deitada em meu quarto, assistia as notícias pela televisão, mas o que eu queria ouvir nunca era falado. Era como se Ichirin e Sid não existissem, como se nunca tivessem existido. Muitas coisas eram comentadas sobre aquela noite infernal, mas nunca a morte daqueles dois que haviam me salvado era mencionada, ao invés disso, Judge recebia os holofotes. Mesmo depois de morto, ele ainda machucava aqueles que tinha jurado proteger. Não era isso que um líder devia fazer. Não é o que eu quero fazer.
Continuava a assistir as notícias, mesmo sabendo que não adiantaria. Sentia tédio, tinha passado seus últimos dias presa no hospital, teve que receber transfusão de sangue, por sorte, encontraram um doador, além disso seu braço direito estava engessado, por pouco não o perdeu. Não aguentava mais aquela rotina de exames, queria sair daquele quarto, mas dois seguranças ficavam na porta para vigiá-la. Quando não tinha mais ideia do que fazer para aliviar o tédio, seus amigos entraram.
— Vocês demoraram. — sorriu a princesa. Por causa de seus ferimentos, não tinham deixado nenhum dos três verem ela, então, desde que foi raptada, aquela era a primeira vez que os encontrava.
— Eve! — Katy, com olhos cheios de lágrimas, pulou para abraçá-la.
— Calma! Olha o meu braço quebrado! — reclamou Evelyne ao ter sido apertada pela sua amiga de forma que sentiu dor.
— Me desculpa! — Katherine a soltou rapidamente. — É que eu estava muito preocupada com você, achei que se pior acontecesse, eu nunca mais te veria.
Ela estava com uma cara de choro, mas Eve não queria que ela desperdiçasse lágrimas com ela.
— Mas não aconteceu não foi. — sorriu Evelyne. — Agora, eu estou aqui, firme, forte e de barriga vazia para comer muitos doces.
— Seu médico disse você deve controlar no açúcar, principalmente agora que está em recuperação. — comentou Shiro.
— Estraga prazeres. — reclamou Eve fazendo beicinho.
— Eu só estou preocupado com você.
— Pode tirar o Ponyta da chuva. Eu sei que você só está tentado se livrar de sua promessa de me comprar um doce. Você é muito pão-duro. — brincou a princesa.
Ele se aproximou dela e entregou um Cupcake do tamanho de dois palmos decorados com mensagens motivacionais de seus amigos.
— Você tem razão, é por isso que eu fiz um. Não… Só eu não, todo mundo ajudou, todos estavam preocupados com você. — sorriu Shiro. — E não se preocupe, Kuro só ajudou na decoração.
— Ei! — reclamou Kuro.
Os meus olhos se encheram de lágrimas, mas diferentes daquelas dos últimos dias, eram lágrimas da mais pura felicidade. Depois de todo este tempo, eu tinha encontrado amigos incríveis que eu poderia contar com sempre.
— Obri…obrigada! — Por causa das lágrimas, Eve estava com dificuldade de falar.
Depois de respirar, ela parou de chorar e limpou seu rosto, sorrindo para eles de forma tão elegante que só uma princesa faria.
Antes que pudessem continuar a emocionante reunião, um dos seguranças entrou no quarto trazendo um tablet em suas mãos.
— Seu irmão está querendo falar com você. — anunciou o guarda que saiu do quarto após entregar o tablet para Evelyne.
A princesa apertou na tela do tablet e ele ligou, revelando um homem bonito de cabelos vermelhos e olhos azuis.
— Adol? — disse a princesa surpresa em ver seu irmão, mesmo que por uma videochamada.
— Há quanto tempo, Eve. — sorriu ele.
Ela não queria olhar para ele, por isso desviou o olhar.
— Por que vocês não pagaram o resgate? — Ela sabia a resposta, mas estava chateada.
— Eve, você sabe que conseguir aquela quantia, em tão pouco tempo é bem difícil, principalmente com todos nós separados. — explicou Adol.
— Eu sei, mas, mesmo assim, vocês podiam ter feito alguma coisa! — exclamou ela. — Eu senti, como se tivessem me abandonado, como se não se importassem mais comigo.
— Você é uma das pessoas que eu mais me importo neste mundo. Faria de tudo por você, mas infelizmente tinha mais de um mês que estava fora de Kalos. Estava no avião voltando quando tudo aconteceu. Só soube do ocorrido na manhã seguinte. — contou Adol. — De qualquer forma, me desculpe. Peço também que não culpe nossa mãe ou nossos irmãos, eles também não puderam fazer nada.
— Está bem. — suspirou Eve. — E você, está chateado por eu ter fugido?
— Não consigo ficar chateado com você, minha irmãzinha, mas devo admitir que preferia que tivesse avisado.
— Se eu tivesse, vocês não me deixariam ir. — argumentou Eve. — E agora, vou poder continuar viajando?
— Por enquanto, está tudo bem, mas saiba que um dia você terá que voltar para assumir suas responsabilidades. — lembrou Adol.
— Eu sei.
— Eu também preferia que você viajasse com seguranças. Este último incidente, provou que é perigoso você andar por ai sozinha.
— Mas eu não estou sozinha. — afirmou Eve.
Ela pegou o tablet e virou ele para seus amigos.
— Estes são Kuro, Shiro e a Katy. São meus companheiros nessa viagem.
— Eu sou Adol, o irmão mais velho da Eve, espero que cuidem dela.
Os três assentiram e Eve voltou a apontar o tablet para si.
— Não se preocupe, diferente de você, eles tentaram me ajudar. — alfinetou Eve.
— Ai, essa doeu. — brincou Adol.
Os dois riram.
— Fico feliz que fez amigos.
Ela assentiu, mas, logo, fez uma cara tristonha.
— Tem outra coisa.
— O que foi? — indagou ele.
— Eu não sei, se você soube, mas a Valerie foi atacada e entrou em coma. — contou Evelyne. — Tudo porque ele tentou me salvar.
Adol fez uma cara de surpreso e seu sorriso desapareceu.
— Não se preocupe Valerie é forte, eu sei que ela irá superar essa, assim como superou a cegueira. — afirmou Adol.
— E se ela achar que foi minha culpa?
— Você sabe que não. A Valerie é uma pessoa boa demais para pensar isso.
— Você tem razão. — sorriu Eve. — Obrigada, Adol.
— Eu já tenho que ir. — anunciou ele. — Eu te amo, Eve.
— Eu também te amo, Adol.
Assim que ele desligou a videochamada, a tela do tablet ficou preta.
— Eve, você já conhecia a Valerie? — perguntou Katy surpresa.
— Eu e o Adol a conhecemos há uns 10 anos atrás, em Laverre, antes mesmo dela perder a visão. — revelou a princesa. — Desculpa não ter contado.
— Não tem problema. — falou a garota furisode. — Será que eu vi o Adol quando vocês estiveram lá? Por algum motivo, sinto que já o vi.
— Acho que não, naquela viagem, eu passei a maior parte do tempo com ele, se você o tivesse visto, também me veria. — informou Evelyne. — Você deve ter visto o Adol na televisão, ele é bem famoso. Além de ser um príncipe, ele também é considerado um dos melhores espadachins do mundo, já ganhou diversos prêmios. Teve também uma vez que um analista disse que seus movimentos são de precisão cirúrgica, como se ele sempre acertasse onde quisesse. E, bem, ele nunca era.
Quando Eve percebeu, estava se deixando levar.
— Desculpem-me, me empolguei demais. É que já havia um tempo que eu não falava com o Adol.
— Não tem problema. — disse Shiro.
— Ele parece uma boa pessoa, não é Katy? — questionou Kuro.
Quando olharam para a garota furisode sentiram algo estranho, o seu olhar estava assustado, como se tivesse vido um fantasma.
— O que foi? Aconteceu algo? — indagou Shiro.
A pergunta a trouxe de volta para si.
— Não foi nada, só me distrair um pouco. — respondeu Katherine.
— Parecia que você tinha visto um fantasma. — contou Kuro medroso.
— É que eu me lembrei de um filme de terror. — Ela começou a rir para disfarçar.
— Ainda bem, achei que tinha um fantasma de verdade por aqui.
— E se eu disser que tem. — brincou Shiro.
— Pare com isso. — reclamou Kuro.
— Está bem… Só tenha cuidado com a menina fantasma do elevador.
— Shiro!
Ele começou a rir, seguido pelo seu irmão e as duas garotas, mas diferente das outras vezes, Katy não ria porque queria, estava rindo para afastar seus pensamentos. “Um espadachim com precisão cirúrgica? Só pode ser uma coincidência.” pensou ela.
— Como todos estão de bom humor, eu tenho um anúncio a fazer. — contou Kuro. — Como sabem, eu cozinho muito ruim…
Antes que pudesse continuar, todos concordaram imediatamente.
— Não precisam concordar tão rápido! — reclamou Kuro, antes de se acalmar e continuar. — … Eu descobrir isso a pouco tempo, e por um momento, pensei em parar, mas me lembrei do motivo de eu ter começado a cozinhar. Na primeira vez que eu cozinhei, todos no orfanato pareciam felizes, ver o sorriso no rosto de todos me deixou alegre, e isso me fez querer continuar, eu queria trazer o sorriso para as pessoas através de minha comida. E é por isso, que eu não vou desistir, vou continuar tentando e vou me esforçar ao máximo para me tornar um grande Chef e abrir meu próprio restaurante. Este é o meu novo objetivo.
Os três ficaram surpresos com aquilo, especialmente Shiro, ele sabia que Kuro gostava de cozinhar, mas nunca imaginou que ele desenvolveria um desejo tão grande.
— Fico feliz por você, mas tem algo que preciso de contar. — revelou Shiro. — Sobre essa primeira vez que você cozinhou para a gente no orfanato, a comida estava horrível, mas a Alice não queria te deixar triste, então fez todos sorrirem enquanto comiam para não te magoar.
Kuro sentiu como se tivesse levado uma flechada no joelho.
— Não importa! Eu não vou desistir! — Ele gritou para tentar ganhar força de vontade.
— Sabe que você não precisa gritar, né? — reclamou Shiro com a mão no ouvido.
Foi neste momento, que uma enfermeira entrou no quarto carregando um Eevee de pelagem branca:
— Me pediram para entregar este pequenino para a princesa.
— Lumi! — exclamou Eve ao ver o pokémon enfaixado por todo o corpo.
Mesmo machucado ao ver Evelyne, Eevee pulou para seu colo.
— Que bom que você está bem, Lumi! Eu fiquei tão preocupada. — contou a princesa enquanto abraçava o pokémon. — Me desculpe não ter conseguido salvar a Ichirin e o Sid! Me desculpe.
Apesar da sua lamentação, Lumi não queria vê-la triste e começou a lamber seus dedos para fazer cócegas, transformando a voz tristonha da Eve em um mar de risadas.
…
Enrolava seus cabelos que nem uma criança, fazia isto quase o tempo todo, seja estando nervoso, feliz ou com tédio. Naquele momento, ele estava feliz, conseguia ouvi-la rir pelo lado de fora do quarto. Logo depois, a porta se abriu e uma enfermeira saiu.
— Tetsuya, de novo. — reclamou a enfermeira. — Você foi baleado, devia estar descansando.
— Tá bom, não precisa repetir. — pediu ele.
— Então obedeça dessa vez.
— Eu precisava ver se Evelyne estava bem. Agora que já vi, voltarei para meu quarto.
— Já que está aqui, por que não entra? — questionou a enfermeira.
— Eu não posso. — respondeu Tetsuya.
— Por quê?
Antes que ele pudesse responder a porta do quarto da princesa se abriu e dela saiu Katherine.
— Senhora enfermeira, sabe me dizer aonde fica o banheiro? — indagou ela.
— Siga em frente e pegue a segunda direita. — respondeu ela.
— Obrigada. — Assim tomaria rumo em direção ao banheiro, Katy percebeu o garoto de cabelos prateados. — Tetsuya?
— Olá Katherine.
— Veio ver a Eve?
— Sim, mas eu já estava de saída.
— Você conhece ela, não é? Por isso tentou ajudar. Por que não entra? — questionou Katy.
— Eu conheci a Evelyne quando ambos eramos apenas duas crianças. Me lembro da primeira vez que vi seus cabelos coloridos batendo ao vento, mas infelizmente, a princesa não deve se lembrar de mim. — informou Tetsuya.
— Você não acha isso triste? Se entrasse, ela poderia se lembrar.
— Ela pode ter me esquecido, mas eu nunca me esquecerei dela e isso já é o suficiente.
— Acho que não tem como eu fazer você mudar de ideia. — desistiu Katherine. — De toda forma, obrigada! Você me salvou duas vezes naquele dia, até machucou seu braço.
— Isto não é nada. Além disso, dizem que homens com cicatrizes tem mais chances com as mulheres. — brincou Tetsuya.
— Onde foi que você viu isso? — Katy começou a rir.
— Sei lá, talvez em algum livro. — falou Tetsuya. — Mudando de assunto, você descobriu o meu segredo do meu pokémon invisível, estou certo?
— Na hora eu não tinha entendido, mas depois da que aconteceu na Praça Centrico, tive minhas suspeitas, principalmente pela palavra que você usou “ilusão”. — contou Katy. — Se estou certa, o seu pokémon não é invisível, ele só criou uma ilusão para que todos não o vejam. E o único pokémon que eu conheço que pode fazer isto é o Zoroark.
Tetsuya sorriu.
— Katherine, você já ouviu falar da Lumiose High?
O nome lhe era familiar, mas como não tinha certeza, ela negou.
— Basicamente há duas formas de entrar na liga Kalos. Uma é ganhando oito insígnias, a outra é através da Lumiose High, uma escola renomada feita especificamente para criar os melhores dos treinadores. Muitos lideres de ginásios e até mesmo integrante da elite dos quatro se formaram lá. — informou Tetsuya. — Para conseguir entrar na Lumiose High é muito difícil, e para se formar mais ainda, dizem que a taxa de aprovação é menor do que 5%. Como ela é uma escola organizada pela própria Liga Pokémon, com este intuito de forma grandes treinadores, aqueles que conseguem completar seu ano sem serem reprovados ganham o direito de participar da próxima Liga Pokémon.
— Você quer dizer que…
— Sim, eu vou tentar entrar na Lumiose High no próximo ano. Como não posso ficar longe de Lumiose por muito tempo, esta será minha chance para entrar na Liga Pokémon e conseguir o título de campeão de Kalos. — explicou Tetsuya. — É por isso, que, a partir de agora, você é minha rival.
— Eu já estava querendo uma revanche mesmo. — sorriu Katy.
— Vamos deixar isso para a próxima vez que nos encontrarmos. — Tetsuya começou a caminhar em direção ao seu quarto. Ele levantou a mão como um símbolo de despedida.
A garota furisode se despediu e saiu correndo para o banheiro.
Enquanto voltava para seu quarto, Tetsuya olhou para sua mão enfaixada e se lembro de uma promessa feita a anos atrás. “Evelyne, eu manterei a minha promessa.” pensou ele.
…
Já tinha passado metade do dia, quando um homem vestido de preto veio ao meu quarto. Assim que o vi, já sabia o motivo, o enterro de Ichirin e Sid começaria. Normalmente, isto nunca ocorreria, eles não teriam este “privilegio”, se é que pode ser chamado assim. Mas eu não podia deixar que eles partissem sem dizer adeus, não podia deixar que suas existências sumissem junto de suas memórias.
Não queria ir ao enterro sozinha com o Lumi, por isso pedi aos meus amigos que viessem comigo. Sei que não é um pedido legal a se fazer, eles nem conheciam os dois, mas tenho certeza que se não pedi-se, eles iriam mesmo assim.
Quando chegaram no cemitério, Scar os esperava na porta. Evelyne estranhou, aquele era o mesmo homem que havia a avisado do perigo de Lumiose, pouco tempo antes de seu sequestro.
— Por que está aqui? — indagou ela.
— Que boas vindas calorosas. — brincou Scar.
— Você já sabia que eu seria sequestrada? — Apesar da brincadeira de Scar, Eve continuou a sessão de perguntas.
— Não posso afirma que sim, mas a gangue vermelha estava te vigiando, então juntei os pontos.
— Então por que não contou a polícia?
— Você está sendo ingênua demais. Devia me agradecer que te alertei, além disso, seus amigos vieram até mim procurando ajuda quando você foi sequestrada.
Aquilo era novidade para a princesa, mas ela não julgou seus amigos, afinal eles queriam a salvá-la e Scar poderia ajudar naquele momento.
— No entanto, não vim aqui para falar disso. — contou Scar. Sua feição ficou séria, algo que normalmente não fazia. — Estou aqui para alertá-los. Vocês quatro não são mais adolescentes quaisquer aos olhos de Lumiose. A princesa nem precisa explicar, mas os outros três também ficaram famosos e isto é perigoso.
— Como assim? — indagou Katherine.
— Você voou pelos céus como se tivesse asas, controlou a chuva como se tivesse poderes. Kuro cortou o ar com sua espada, disparando uma rajada de energia. Já Shiro explodiu o lugar favorito daqueles que frequentam o submundo de Lumiose. — explicou Scar. — Claro que há muitos exageros nessas histórias, mas são assim que nascem lendas. E neste momento, vocês não são mais pessoas comuns, pode se dizer que todos poderosos de Lumiose já devem ter ouvido falar dos três.
— Isso quer dizer que estamos famosos? — perguntou Kuro inocentemente.
— Exato, mas a fama tem seu preço. Vocês não estão mais seguros como antes, deixaram de ter a vantagem da transparência, ganharam títulos.
— Títulos? — Katy pareceu confusa.
— Um título é como as pessoas são conhecidas em um determinado lugar, eu por exemplo, sou o Rei de Lumiose, a queridíssima Awaki é a Garota do Desastre, Valerie é a Líder Cega. Pode-se afirmar que quando uma pessoa ganha um título, ela ganha cor, deixa de ser invisível, por isso vocês precisam tomar cuidado quando estiverem em Lumiose, principalmente você, Shiro. Fez muitos inimigos quando destruiu a Darkness Arena, tem sorte que a informação não vazou completamente e há apenas rumores, mas eu não abaixaria minha guarda. — explicou Scar. — Recomendo que partam o quanto antes.
Ele começou a caminhar para o lado oposto do cemitério, já tinha cumprido sua função.
— Por que está nos contando isso? — indagou Shiro.
— Eu prometi que cuidaria do vocês enquanto estivessem na minha cidade. — respondeu Scar. — Antes que se sintam aliviados, se lembrem, eu posso ser um rei, mas não sou um deus.
— Você disse que ganhamos títulos, quais foram? — questionou Kuro curioso.
— Sabe, eu acho que me esqueci. — sorriu Scar como se fosse uma criança brincando.
Logo, ele partiu e sumiu pelas profundezas de Lumiose.
Depois daquela estranha visita, entramos no cemitério, onde ocorreu o enterro dos dois. O caixão de Sid estava aberto, ele sorria como se tivesse dado a vida por algo maior, me senti mal ao ver isto. Sabia que ele queria que Ichirin vivesse por ele, mas no fim, ela também partiu cedo demais. O caixão dela estava aberto, mas eu não conseguir olhar, tinha receio que as memórias daquela noite voltassem. Apesar de não ter olhado a Ichirin, tenho certeza que ela estava sorrindo, mesmo que não quisesse morrer, mas ela era boa demais para culpar os outros.
Além de nós quatro, dois seguranças e os organizadores do enterro, Awaki também estava lá. Assistia de longe, como se estivesse com medo de chegar perto e se queimar. Em geral, estava vazio, não havia muitos que se importavam com eles e isso me deixava triste.
Quando o enterro acabou e os dois já estavam a sete palmos do chão, fui até Awaki, queria conversar com ela, talvez, para concluir as coisas, ou apenas, por ela ser a única que devia sentir uma dor como a minha.
— Parece que estamos combinando. — brincou Evelyne em relação ao seu braço engessado com a perna da Awaki também engessada.
— Preferia que não estivéssemos. — riu Awaki.
Após quebrar o silêncio, Eve indagou preocupada:
— Como está seu Absol?
Awaki não respondeu, apenas liberou seu pokémon. Assim que saiu de sua pokébola Absol se apoiou no chão tinha dificuldade de ficar de pé, antes possuía 4 pernas, agora, apenas 3.
— Ele não corre risco de vida, mas o médico disse que a adaptação poderá ser difícil. — contou Awaki.
— Eu espero que ele melhore.
— Não se preocupe, este Absol é guerreiro. — elogiou Awaki.
— Assim como sua treinadora. — sorriu a Eve.
— Ou como uma certa princesa que eu conheço. — disse Awaki. — Sério, eu nunca vi alguém arremessar um homem de uns 90 quilos com um soco por mais de 6 metros.
— Sobre isso, por favor, não saia contando por ai.
— Seu segredo está guardado comigo.
— Tem mais uma coisa. — Eve olhou para o pequeno Eevee em seus braços. — Você devia ficar com o Lumi, era a mais próxima da Ichirin.
— Não se preocupe com isso. Eu já tenho o meu parceiro para me cuidar. — contou Awaki. — E me parece que ele já escolheu sua nova treinadora.
Os olhos de Evelyne brilharam.
— Está falando sério?
— Não me pergunte, não sou eu quem decido.
Eve olhou para o pequeno pokémon nos seus braços. Ele te encarava com um olhar fofo, então sorriu para ela repetindo o seu nome de uma forma que a fonética era a mesma do apelido da princesa.
— Lumi! — Evelyne abraçou o Eevee encostando-o no seu rosto. — Eu quero que você seja meu companheiro. Espero que queira o mesmo.
Lumi começou a lamber o rosto dela em resposta.
— Você devia capturá-lo. Seria mais prático e seguro. — sugeriu Awaki.
— Sim, mas no momento estou sem pokébolas.
Awaki ficou feliz, sabia que Ichirin gostaria de ver Eve ao lado de Lumi.
— E agora o que você vai fazer? — indagou a princesa.
— Sabe, no último ano inteiro, eu fiquei obcecada com a minha vingança, só pensava em matar o Judge. No fim eu não puxei o gatilho, mas, mesmo assim, ele foi morto. De qualquer forma, fico feliz que eu não tive que cruzar esta linha. — contou Awaki. — Agora, eu estou livre, e posso começar de novo, e é isto que eu pretendo fazer, longe daqui, longe de Lumiose. Eu quero encontrar um lugar que eu possa ser quem eu sou, um lugar que eu possa chamar de lar.
— É um ótimo objetivo. — sorriu Eve.
Awaki sorriu de volta:
— Eu já vou indo. Agradeça o Kuro por mim, se não fosse por ele talvez eu não estivesse aqui para contar a história.
Desta forma, Awaki foi embora de Lumiose e jurou nunca mais voltar para aquele lugar que uma vez chamou de lar.
…
Quando retornamos para o hospital, já estava anoitecendo. Um médico veio me avisar que estava me dando alta e que poderia partir no dia seguinte, mas que meu braço ainda precisaria ficar engessado para poder se recuperar. Eu não sei o motivo, mas aquilo me pareceu tão estranho, como se algo impossível estivesse acontecendo. Tinha passado poucos dias no hospital, mas eles pareceram uma eternidade, e finalmente, eu estaria livre dali.
Foi então que percebi, que diferente da última vez que partir em uma jornada, eu tinha um novo objetivo, um novo sonho e era por isso que eu estava desesperada para sair do hospital, mas antes, eu tinha algo a fazer.
— Não seria melhor se você descesse da cama? — perguntou Shiro preocupado, que olhava para Evelyne de pé em seu colchão.
— Eu tenho que fazer um anúncio importante, então é natural que eu esteja em pé na cama. — respondeu Eve.
— Eu não faço ideia de onde você aprendeu isso. — reclamou Shiro.
— Quer dizer que era para eu ter subido na cama quando revelei meu objetivo? — indagou Kuro.
— Claro que não! — berrou Shiro. — E você Eve, se o seu médico descobrir, vai retirar sua alta.
— É só ele não descobrir. — A princesa deu língua para ele.
O garoto loiro colocou suas mãos no rosto desistindo daquela luta.
— Todos prestando atenção? — indagou Evelyne e, logo, os outros assentiram. — Primeiramente, quero anunciar a captura do meu primeiro Pokémon, o incrível Lumi!
Ela tentou levantar o Eevee Shiny para mostrá-los a todos como se ele fosse um rei, ou algo do tipo, mas não conseguiu por causa de seu braço engessado, então se desequilibrou da cama e começou a cair. Para a princesa aquele momento foi em câmera lenta, toda a comemoração que fazia, seria em vão se ela se machucasse e tivesse que ficar mais tempo no hospital, então em um grito de desespero ela quase destruiu suas cordas vocais:
— Socorro!
Os três tentaram correr para segurá-la., mas colidiram um no outro.
— Eu avisei, droga! — berrou Shiro.
Por sorte, eles serviram como uma almofada e Evelyne não se machucou. Poucos segundo depois, dois guardas entraram no quarto apontando metralhadoras para os três amigos da princesa.
— Mãos ao alto! — ordenaram eles.
Demorou um pouco até a princesa conseguir explicar o seu grito desesperado por socorro, assim que o fez, os dois saíram do quarto, mas não antes de mandarem olhares amedrontadores para os três plebeus.
— Acho melhor eu ficar sentada. — comentou Eve.
— Sério? Você acha? — ironizou Shiro.
— Desculpe, me empolguei demais. Queria esquecer sobre aquela noite o mais rápido possível, então apressei as coisas.
— Não se preocupe, é normal queremos nos apegar aos bons momentos. E eu sei que capturar seu primeiro pokémon é um deles. — sorriu Katherine.
— Obrigada. — sorriu Evelyne, mas logo, ela ficou séria. — Ainda tem outra coisa. Depois de tudo que aconteceu, finalmente descobrir o que quero fazer, qual o meu objetivo, qual o meu sonho. E assim como Kuro fez, eu quero contar a vocês, porque são meus amigos e vão me apoiar sempre. Sei que pode parecer impossível, mas me decidi. Eu quero mudar Kalos, quero que não tenha mais crianças morrendo de fome, de doenças, não quero mais que pessoas sejam assassinadas, sequestradas, tanta coisa que quero mudar, e no fim cheguei a uma conclusão. Antes eu não me importava em quem sucederia meu pai, mas agora, eu quero me tornar rainha. — Naquele momento, a princesa que sempre era brincalhona parecia imponente. — Sei que é inocente de minha parte acreditar que poderei mudar o mundo, se não tenho nem ideia de como fazer, mas não é por isso que vou desistir. “Posso não sabe de nada, mas também posso aprender de tudo.” meu pai me disse isso uma vez, e é isto que vou tentar fazer. Quero conhecer Kalos, as pessoas, os pokémons e pergunto a vocês, vão me ajudar nessa jornada que parece impossível?
Ela estendeu sua mão esquerda para frente.
— Se o impossível existisse, eu nunca teria saído de casa. Então, é claro que estarei com você. — Katy colocou sua mão sobre a de Eve.
Os dois irmãos se entreolharam, sabiam que tinham assuntos pendentes e que logo sua data limite acabaria, mas naquele momento, eles sentiram o que era certo.
— Não sei se poderemos estar ao seu lado sempre…— disse Kuro.
— …Mas nossos corações sempre estarão. — concluiu Shiro
Os dois colocaram suas mãos sobre as das garotas.
— Para me tornar a Rainha de Kalos! — exclamou Eve.
— Para me tornar um grande Chef e abrir meu restaurante! — exclamou Kuro.
— Para meu tornar um médico que possa salvar pessoas! — exclamou Shiro.
— Para vencer a Liga Pokémon e me tornar a Campeã de Kalos! — exclamou Katy.
— É uma promessa então, vamos realizar nossos sonhos! — falou Evelyne.
Eram quatro pessoas diferentes, com sonhos diferentes, mas todos sabiam que não desistiram tão fácil e continuariam perseguindo seus objetivos, como o sol persegue a lua.
— Só percebi agora, que nossos objetivos são bem menores que os dessas duas. — comentou Kuro.
— Depois eu sou o estraga prazeres. — brincou Shiro.
Os quatro caíram em risadas, depois do que parecia muito tempo, estavam juntos novamente.
Cidade de Lumiose, 18 de novembro de 3016.
Na frente do hospital, os três estavam esperando Evelyne. Decidiram que seguiriam em direção a Cyllage rumo a próxima batalha de ginásio de Katherine, ao mesmo tempo, Shiro e Kuro visavam o Palácio Parfum, onde o casamento de Alice aconteceria em poucos dias. Já tinham se despedido dos outros que ficariam em Lumiose, e só faltava a princesa para partirem.
— Nunca achei que alguém demoraria tanto para comprar uma pokébola. — reclamou Kuro.
— Ela deve ter parado para comprar algum doce no caminho. — teorizou Shiro.
Katy riu.
— É o primeiro pokémon dela, tenho certeza que deve estar se esforçando para escolher a pokébola que mais combine com o Lumi. — disse a garota furisode.
Não demorou muito até Eve voltar. Seus olhos brilhavam que nem o de uma criança que ganhara um novo brinquedo.
— Eu lhes apresento, o meu recém-capturado, Lumi. — Ela levantou seu braço esquerdo revelando uma Luxury Ball, uma pokébola negra com detalhes em vermelho e dourado. Assim que apertou o botão dela, o pequeno Eevee Shiny apareceu.
— Você escolheu uma Luxury Ball, elas são supercaras, não? — questionou Kuro assustado com a quantia que ela podia ter gastado.
— Isso não é problema. Eu queria a pokébola mais confortável para o Lumi viver. — explicou Eve.
— Gente rica é outra coisa. — comentou Shiro.
Katy não disse nada, mas assentiu sem perceber.
— Então, vamos? Temos que ser rápidos, antes que meu irmão mude de ideia e mande seus seguranças me vigiarem. — Evelyne começou a correr em direção a uma das saídas de Lumiose.
— Ei! O seu médico disse para não ficar correndo! — reclamou Shiro que disparou atrás dela.
— Não me deixem para trás! — gritou Kuro ao segui-los.
Katherine sorria. “Estava sentindo saudades disso.” pensou ela, ao correr em direção dos seus amigos.
De longe, Scar observava aqueles quatro jovens partirem. Se sentiam aliviado, ter que proteger eles seria um saco. Então, quando eles sumiram de sua vista, Scar disse aos céus:
— Até a próxima, Princesa Valente, Espadachim das Trevas, Demônio dos olhos azuis e …
… Fada da Chuva.
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