Pokémon RainStorm

42 Side Story: O quarto fechado de Galar


Notas iniciais
Olá leitoras e leitores! Trago para vocês um novo capítulo. Desta vez explorando a, até então inexplorada, região de Galar. Me lembro que quando Alola foi anunciada, eu criei um one-shot contando uma pequena história habitada na região. E com Galar resolvi fazer o mesmo, mas desta vez, a história está integrada a universo de RainStorm e é por isso que está aparecendo por aqui. Como tem pouquíssimas informações sobre a região e seus pokémons, não pude explorar direito esta parte, mas por isso resolvi explorar um tema relacionado a Galar. O capítulo em si será muito diferente do habitual, tendo seu foco em mistério e na resolução de um crime. Além disso, diferente dos side-stories anteriores este não possui nenhuma personagem já apresentada na fic. É uma história completamente nova e isolada, exceto por algumas personagens que aparecerão na história principal de RainStorm em um futuro próximo. Espero que gostem! Gostaria de lembrar que esses capítulos não são obrigatórios para entender a fic, mas são extremamente recomendados, pois além de mostrar histórias importantes sobre personagens secundários importantes da fic, eles também apresentarão fatos que serão mencionados no futuro da fic, assim como personagens novos, além de revelar segredos e mistérios da fic. Ou seja, não é obrigatório ler, mas é extremamente recomendado! Tenham uma boa leitura!

Não importa quanto você tente mudar. A verdade é apenas uma.

Todos tem segredos, alguns inofensivos, outros nem tanto. Nesta cidade, com enormes engrenagens e máquinas a vapor, uma densa névoa esconde os mais obscuros e perversos segredos. Se questionados o motivo, a maioria responde que segredos são para proteger alguém, mesmo que este alguém seja ele mesmo. Guardar segredos não é errado, mas aquele que fizer, deve cautelar-se, pois quando menos espera ele pode bater na sua porta.

Região de Galar.

Os altos sons do atrito, produzido pelas engrenagens que se colidiam uma com as outras, o incomodava. Ele já estava acostumado com a vastidão daquela cidade e suas enormes fábricas a vapor, mas aquele agoniante som era algo que continuavam ressoando em sua mente. Mesmo naquele momento, onde perseguia um ladrão, não conseguia tirar a cabeça daquele barulho infernal.

Enquanto corriam, os dois passaram por multidões de pessoas, o ladrão já estava ficando de saco cheio, aquele rapaz de cabelos escuros não parecia desistir de persegui-lo, por isso resolveu entrar na estação de trem torcendo para conseguir entrar em um sem ser pego. O jovem o seguiu para estação de trem, passaram correndo pela bilheteria e foram direto a plataforma de embarque. Ao ver o próximo trem chegando, o ladrão sorriu, tinha certeza que conseguiria entrar a tempo, mas então sentiu algo molhado subindo na sua perna. Quando olhou não viu nada, mas logo depois sentiu este mesmo algo ir para sua cara e começar a arranhá-lo, assim que se deu conta alguma criatura o atacava em seu rosto. O susto foi grande o fazendo cair no chão e antes que pudesse levantar novamente, o rapaz já estava ao seu lado.

— Parece que você não vai escapar. — comentou o jovem o fitando com seus olhos cor de âmbar.

O criminoso não levou as palavras do rapaz a sério e tentou se levantar para fugir, então recebeu um concentrado jato de água em seu rosto que o fez cambalear para trás e cair batendo sua nuca, desmaiando em seguida.

— Muito bem, Sobble. — sorriu o jovem estendendo sua mão para uma pequena poça de água no chão.

Quem olhasse naquele momento poderia achar que ele era louco, pois não havia nada a sua frente, mas segundos depois, o formato da água pareceu mudar, entretanto, a verdade era que a camuflagem do lagarto-de-água estava sendo desfeita. Foi então, que um pequeno pokémon azul fitava o rapaz em sua frente, logo subindo em seu braço.

— Graças a você, podemos devolver essa bolsa para aquela senhora. — fez cafuné na cabeça do Sobble, enquanto fitava a bolsa roubada no chão ao lado do ladrão.

Assim que se aproximou para pegar, sentiu uma pancada na parte de trás da cabeça, quando se virou não viu ninguém, mas assim que suas atenções voltaram para a bolsa roubada, viu um pokémon chimpanzé verde em cima de um trem que acabara de partir com a alça da bolsa em sua boca.

— Grookey sua desgraçada! — berrou ele se lembrando de todas as vezes que aquela chimpanzé tinha te atrapalhado em seu trabalho no último ano.

Quando sua frustração passou, se lembrou do pior.

— É agora, que o Inspetor Trade vai me dar outro sermão. — suspirou ele.

— E depois de todo nosso trabalho, aquela maldita da Grookey roubou a bolsa de novo e por isso o Inspetor Trade me deu uma bronca, dizendo que prender ladrões não era meu trabalho. — reclamou o rapaz segurando sua boina marrom.

Estava caminhando para universidade ao lado de sua amiga, enquanto reclamava sobre a vida.

— Em defesa do Patrick, você não é um policial. — argumentou a jovem que o acompanhava.

— É claro que não! Todos policias nessa cidade são idiotas que não conseguem resolver nenhum caso sozinhos. — debochou ele — E tem mais…

A jovem de cabelos laranjas olhou para ele com uma cara furiosa.

— Arthur. — Aquela única palavra foi suficiente para fazer o rapaz perceber que estaria em perigo se continuasse.

— Desculpe, Belly eu esqueci que o inspetor é seu tio. Só estava frustrado e acabei exagerando.

Ela parou a caminhado e se virou para ele colocando-se em sua frente. Isabelly era um pouco mais baixa que Arthur, tinha cabelos curtos, mas longos o suficiente para fazer tranças, assim como os olhos de seu amigo, seu olhos brilhavam a cor de âmbar. Vestia uma blusa branca listrada de botão com manga longa e uma pequena gravata borboleta vermelha no pescoço, também usava uma saia preta de cintura alta e longas meias pretas que quase cobriam sua perna toda. Em seus braços ela segurava um coelho branco, um pequeno Pokémon chamado Scorbunny.

— Não tem problema, afinal você já ajudou o tio Patrick em alguns casos.

Com aquele comentário o semblante de Arthur mudou.

— Eu ajudei, não é foi? — sorriu ele orgulhoso. — É claro que ajudei! — respondeu a si mesmo. — Eu sou Arthur Christie, o maior detetive do mundo!

— Lá vai ele de novo. — sussurrou Isabelly para seu Scorbunny.

Os dois chegaram na universidade, ela estava mais vazia de costume, afinal era época de férias, mas ambos tinham atividades extracurriculares com o clube de mistérios, o objetivo do clube era revelar as verdades sobre os mistérios e lendas de Galar, mas ele era usado como um lugar onde sete amigos se encontravam para conversar.

Ao entrarem na sala, se deparam com um rapaz com um Pikachu no ombro, e uma moça que acariciava o corpo de uma Seviper.

— Parece que o casal Âmbar chegou. — comentou o rapaz moreno.

— Muito engraçado, Ambrose. Você sabe que somos apenas amigos. — reprimiu Arthur.

— Para alguém que está brincando de detetive você não gosta de nenhuma brincadeira.

— “Brincando”, acho que você não ouviu…

— … Sobre o caso do assassino de relógios. — completou a moça loira. — Era isto que você ia falar, não estou certa?

— Você já nos contou sobre este caso um milhão de vezes. — lembrou Ambrose. — Por que não conta outro?

— Sobre isso…

— Você não resolveu nenhum outro caso grande, não é mesmo?

— Não! Eu…

— Está vendo, você resolveu apenas um caso importante e deve ter sido sorte.

— Sorte? — berrou Arthur.

A moça loira parou de acariciar a serpente venenosa e interveio, pois sabia que a se a conversa continuasse tomando este rumo poderia ocorrer uma briga entre os dois.

— Calma, Ambrose. O Arthur pode se emocionar algumas…muitas vezes, mas é fato que ele ajuda a polícia de vez em quando.

— Obrigado Liz. — agradeceu Arthur.

Foi neste momento que mais duas pessoas entraram na sala do clube. Um rapaz alto e loiro e uma moça bem baixa que ao lado do jovem parecia menor ainda. Para Arthur era engraçado pensar que os dois eram um casal apaixonado.

— Os pombinhos chegaram. — anunciou Ambrose.

— Já estão todos aqui? — questionou a moça que possui cabelos e olhos negros.

— Não, Rina. Ainda falta o Simon. — respondeu Liz.

— Foi ideia dele fazer este clube e mesmo assim ele continua chegando atrasado. — reclamou o rapaz alto.

Mais uma vez a porta se abriu e então um homem de cabelos e olhos negros entrou.

— Sinto muito ter chegado atrasado, Rick. — disse sarcasticamente. — Mas sou eu que tenho que cuidar da parte financeira do grupo, enquanto vocês ficam conversando sobre coisas aleatórias que não tem nada a ver com o objetivo do clube.

— Não precisa ser tão grosso, ele só tinha feito um comentário. — reclamou Ambrose.

— Eu que estou pagando este clube, então o sou grosso com quem eu quiser! — exclamou rudemente. Logo viu a Seviper da loira no chão. — Liz, eu já falei que não quero essa coisa fora da Pokébola. Um dia ela ainda vai picar alguém.

— A minha Seviper é comportada, nunca faria isso. — reclamou Liz.

— Não me importa. Aqui não é um grupo de Pokémon e sim de mistérios, então quaisquer atividades fora do tema não serão aceitas.

— Parece que alguém acordou com o pé esquerdo. — comentou Arthur.

— Esse pé esquerdo aqui vai acertar a sua bunda se não me respeitar.

— Vocês podem parar? Eu odeio brigas. — pediu Isabelly que segurava seu Scorbunny nos braços.

— E eu não gosto de Pokémons, mas você continua mantendo este coelho de rua fora da pokébola!

— Pode me xingar, mas deixe a Belly fora disso. — ordenou Arthur. — Você sabe muito bem que o Scorbunny dela odeia ficar dentro da pokébola.

— Vocês são um bando de desagradecidos, sem mim este clube nunca existiria! — exclamou Simon.

Algo tinha deixado o rapaz de olhos negros furioso. Ele sempre tinha sido esquentado, mas naquele momento ele passara do limite.

— Simon, aconteceu algo? — indagou Rina que abraçava o braço de Rick.

Ele percebeu que estava descontando sua raiva nos outros, e suspirou:

— Me desculpem, acabei de receber a notícia que a empresa de minha mãe declarou falência.

— Isso é péssimo. — comentou Isabelly.

— Não há mais o que fazer, por causa disso minha família vai passar por dificuldades, então é capaz que eu tenha que fechar o clube. — informou Simon.

— Sinto muito pelo que está acontecendo, mas o clube não é seu para fechar. — falou Ambrose.

Simon não gostou do comentário dele, mas, mesmo assim, resolveu responder:

— Eu terei que sair, com isto meus investimentos nas pesquisas do clube também. Se quiserem continuar depois ou transformarem em clube de Pokémons a escolha é de vocês, mas eu não poderei ficar.

— Por que isso? — perguntou Liz que voltava a acariciar sua Seviper.

— Eu terei que me mudar. Irei embora amanhã. Minha mãe já comprou até nossas passagens.

O Clima ficou pesado, apesar de Simon não ser a pessoa preferida para ninguém ali, eles ainda o consideravam um amigo, mesmo com suas ocasionais explosões de raiva e seu desapreço pelos Pokémons.

— Tem mais uma coisa. — lembrou Simon. — Eu farei uma festa de despedida hoje a noite, espero que vocês possam ir.

— Você pode ser o cara mais chato que eu conheci, mas eu vou. — disse Ambrose.

— Pelos velos tempos pode contar comigo. — falou Liz.

— Vai ser divertido, tem tempo que não saímos juntos. — comentou Isabelly.

— Eu também irei, afinal antes de você partir terei que contar outra vez sobre o famoso caso do assassino dos relógios. — contou Arthur.

— Eu e o Rick iremos. — confirmou Rina.

— Eu achei que vocês me odiassem, fico feliz que não. — sorriu Simon.

Rick se separou de Rina, e aproximou dele, o agarrando sua cabeça pelo braço.

— Você pode ser um pé no saco, mas ainda é nosso amigo. — disse Rick enquanto dava um cascudo em Simon.

— Eu gostaria de pedir outra coisa. — falou Simon. — Vocês poderiam não levar seus pokémons?

Rick apertou mais ainda a cabeça do rapaz.

— Não peça o impossível. — alertou Rick em um tom de brincadeira, apesar das suas palavras terem sido reais.

— Esqueçam o que eu disse. Com certeza, vocês me odeiam.

Todos os sete riram juntos, o que era algo raro, mas para a despedida de um de seus amigos, aquele clima era o ideal. Ninguém queria ficar melancólico ou triste, então a risada ajudava.

Todos já haviam chegado na casa de Simon, a mãe dele estava fora, provavelmente resolvendo as burocracias de sua falência. Ele possuía uma casa grande, mas não era uma mansão. Tinha quadros para todos os lados, o chão era de carpete. Não estava nada arrumado para uma festa, pois, apesar de Simon ter usado esta palavra, era mais uma social entre amigos. Provavelmente ficariam comendo e bebendo enquanto conversavam. A contragosto de Simon, todos seus amigos tinham levado seus pokémons e deixavam eles soltos para brincar o quanto poderem, contanto que não quebrassem o destruíssem nada.

Arthur estava acompanhado de seu Sobble que fugia do Scorbunny da Isabelly que queria batalhar contra ele, mas o lagarto-de-água odiava e tinha medo disto, por isso tentava fugir, procurando algum lugar para usar sua camuflagem, mas o coelho de fogo era rápido e energético sempre o alcançando a tempo. Rick estava acompanhado de seu Cofagrigus que apesar de ficar parado ao seu lado como se estivesse dormindo, assustava Simon que morria de medo de sua aparência. Rina tinha trazido seu Minccino que apenas relaxava em seu colo enquanto tinha o pelo penteado pela sua treinadora que sentava ao lado de seu namorado. Ambrose estava com seu Pikachu que era travesso e ficava dando choque nos outros, isto já era algo comum, tanto que o Sobble de Arthur passava longe do roedor elétrico. Por fim, Liz como sempre, estava com sua Seviper que apesar de ser calma assustava pelo tamanho e aparência.

— A bebida está acabando, esperem que eu vou pegar mais. — Já tinha um tempo que todos chegaram, Simon estava preocupado que não pudesse agradá-los então queria fazer o tudo que podia. Foi então que ele começou a ter uma crise de tosses.

— Você está bem? — indagou Ambrose.

— Sim, só estou um pouco gripado. Não se preocupe, eu vou pegar a bebida. — Apesar de ser verdade, a gripe só piorava o quanto mais Simon se esforçava.

— Se acalme Simon, eu posso pegar. — contou Arthur.

— Você é convidado. Eu irei. — argumentou Simon.

— Então eu vou ajudar. — avisou Rina que se soltava dos braços do namorado. — Rick, pode olhar o Minccino para mim?

— É claro.

Rina e Simon partiram em direção a cozinha, mas demoraram demais para voltar, a ponto de deixar seus amigos preocupados.

— Eu vou checar para ver se aconteceu algo. — falou Isabelly.

— Eu vou junto. — contou Arthur.

Os dois amigos deixaram os outros três na sala e seguiram para cozinha com seus dois pokémons.

— Você não precisava ter vindo. — disse Isabelly.

— Eu sei, mas tem algo estranho com o Simon.

— Acho que é normal, afinal declarar falência não deve ser nada fácil.

— Não era disso que eu estava falando. — discordou Arthur.

Isabelly fez uma cara de desentendida.

— Deixa pra lá, deve ter sido coisa de minha cabeça.

— Eu fiquei com pena dele. — comentou Isabelly. — O Simon pode ficar nervoso muito fácil, mas é uma pessoa boa. Ver ele ir embora me deixa triste.

— Desde pequena você odiava despedidas. Me lembro que quando você se mudou, chorou muito.

— Você também chorou. — lembrou Isabelly.

— Eu não me lembro disso. — fingiu Arthur.

— Sei… — Isabelly fingiu acreditar, mesmo sabendo que Arthur sabia que ela se lembrava dele chorando.

— O que importa é que nos reencontramos de novo, Belly.

— Você está certo.

Os dois sorriram, foi então que ouviram vozes vindo da cozinha.

— Você tem que contar para eles! — exclamou Rina.

— Eu vou embora, isto não vai importar mais! — discordou Simon.

— Mentir não é certo, Simon.

— Não é uma mentira, apenas uma omissão. — Assim que ele completou sua frase, começou a tossir ferozmente. Suas tosses pareciam gritos de dor que ecoavam por toda a casa.

Arthur e Belly ouviram as tosses e correram para cozinha, quando entraram, viram Simon no chão tentando fazer força para se levantar, enquanto Rina ajudava.

— Aconteceu algo? — indagou Arthur.

— Eu já falei é só uma gripe. — respondeu Simon.

— Você está pelando. — comentou Rina ao tocar em sua testa.

Logo depois, os outros três chegaram querendo saber o que tinha acontecido. Depois de explicada a situação, resolveram que era melhor Simon descansar.

— Não se preocupem comigo, vocês tem que se divertir. — pediu Simon.

— Se você ficar tendo estas crises toda hora não vamos. — comentou Ambrose.

— E é por isso que você tem que se recuperar. — disse Rick.

— Era para isto ser uma festa, mas estou forçando vocês a cuidarem de mim. — reclamou Simon tristemente.

— Não se preocupe, como prometido continuaremos aqui, então você pode tirar um cochilo e descansar um pouco para depois termos uma despedida real. — sugeriu Ambrose.

— Obrigado pessoal.

— Deixa que eu te levo até seu quarto e te ajudo. — pediu Liz ao apoiar o braço de Simon em seu ombro para ajudá-lo a andar, já que seu corpo estava muito mole.

— Me desculpe por antes, Liz. — disse Simon.

— Não tem problema, mas eu acho que nesta ocasião, seria melhor agradecer.

— Você tem razão. Obrigado. — ele sorriu e logo depois tossiu de novo, mas bem fraco dessa vez.

Um tempo se passou e Liz voltou para a sala de estar onde os outros cinco estavam. Depois do clima pesado ter passado, eles continuaram conversando como velhos amigos, algo que talvez fosse apenas para aliviar a tensão. Algumas horas se passaram e Simon não voltava.

— Ele devia estar muito cansado. — comentou Isabelly.

— Simon sempre foi um cara estressado e este dia deve estar sendo horrível para ele. — falou Rick.

— E pensar que ele vai embora amanhã. — suspirou Liz. — Queria ter podido passar mais tempo com ele.

— Você está certa. — Ambrose se levantou. — Ele já deve ter descansado bastante, vamos acordá-lo. Tenho certeza que ele vai preferir passar seu último dia em Galar conosco do que dormindo!

— Concordo. Vamos acordá-lo. — decidiu Arthur.

— Então, eu vou com vocês dois. Assim podemos colocar pasta de dente na mão dele e fazê-lo coçar o nariz. — brincou Rick.

Os três rapazes, deixaram as três mulheres na sala e foram para o quarto de Simon. Assim que chegaram em sua porta tentaram abrir.

— Está trancada. — contou Rick após tentar girar a maçaneta.

— Simon me contou que tem o habito de trancar a porta quando vai dormir, provavelmente resultado de sua mãe contando histórias macabras quando ele ia dormir. — explicou Arthur.

— Então é só chamarmos até ele acordar. — sugeriu Ambrose. — Simon! Acorda! Acabou a hora da soneca!

Ele tentaram gritar algumas vezes, mas nada dele responder.

— Já sei, vou ligar para ele. — falou Rick.

— Boa ideia, o Simon nunca desgruda do celular dele. — lembrou Ambrose.

Fizeram uma, duas, três chamadas, mas não importa quantas vezes ligassem nada de Simon atender.

— Que estranho. — comentou Ambrose.

Por algum motivo Arthur não gostava daquela situação, sentia seu corpo formigar e seu estômago doer. Tinha um péssimo pressentimento e torcia para estar errado.

— Rick, Ambrose, qualquer coisa deixem Simon colocar a culpa em mim, mas precisamos arrombar a porta. — alertou Arthur.

— Não estou entendendo. — disse Rick.

— O que foi Arthur? — perguntou Ambrose,

— É só um pressentimento. Por favor me ajudem.

Os outros dois se entreolharam e assentiram.

Rick foi até a maçaneta e tentou abrir novamente, mas falhou. Ambrose se encostou no lado na porta no lado das dobradiças e Arthur no meio dos dois. Os três deram uma investida na porta com seus corpos para tentar abrir, mas a porta não desistiu, depois de mais algumas batidas, conseguiram abrir a porta.

Quando entraram, a primeira coisa que Arthur sentiu foi uma onda de frio, aquele lugar estava congelando, logo depois, assim que olhou para a cama, onde Simon estava dormindo, sentiu uma enorme dor em seu peito, seu tenebroso pressentimento tinha acertado.

— Não pode ser. — disse Rick incrédulo.

— Isso não pode ser verdade! — berrou Ambrose.

Foi então que as outras três mulheres entraram no quarto de Simon.

— O que está acontecendo? Vocês estavam demorando e ouvimos algumas batidas. — contou Liz.

— Não se aproximem! — gritou Arthur.

Ao ver o que estavam acontecendo, Isabelly soltou um grito de pavor e Liz desabou no chão.

— Simon! — berrou Rina em prantos, provavelmente, esperando que sua voz o alcançasse.

O que todos presenciavam era uma cena brutal. Simon estava deitado na sua cama com dois buracos enormes no pescoço, onde o seu sangue escorria por toda a coberta branca de sua cama. Arthur se aproximou do corpo ensaguentado e mediu seu pulso.

— Ele está morto.

— Quer dizer que quando vocês chegaram o quarto estava trancado e a vítima já estava morta? — indagou o policial que chegara há algum tempo com seus colegas.

Os seis jovens assentiram. Todos estavam no quarto onde o crime havia ocorrido, ao lado de seus respectivos pokémons.

— Onde está a chave do quarto? — questionou ele.

— Não tem uma chave. É o tipo de tranca que só se pode trancar por dentro. — respondeu Arthur.

— Mas isto seria impossível. — desacreditou o inspetor.

— Você está certo, Inspetor Trade, este seria um crime impossível, ou melhor dizendo, um assassinato em um quarto fechado. — contou Arthur.

— Devo presumir que também já sabe como o assassino saiu do quarto?

— Isso ainda não.

Foi então, que uma garota bem nova entrou no quarto do crime. Ela devia ter por volta de um metro e quarenta, seu cabelo era curto e tinha a cor do ouro que fazia contraste com o laço verde que o amarrava, seus olhos eram azuis bem claros, tanto que parecia a cor do céu nos dias mais ensolarados, ela usava um vestido branco com faixar amarelas, duas botas pretas que eram muito grandes para seu tamanho e uma luva da mesma cor em sua mão direita.

— Claro que não, se soubesse não seria um caso de quarto fechado. — disse a garota com sua voz infantil.

Exceto por Arthur e o Inspetor Patrick Trade, todos se sentiram perdidos naquela situação. O que uma criança estava fazendo num lugar como aquele.

— Eu não acredito. — Arthur colocou sua mão no rosto como se estivesse triste ao vê-la.

— Senhoras e senhores, sei que pode parecer mentira, mas esta é a Sophie Vert, uma das melhores detetives do mundo. — contou Patrick.

— Mas tão nova assim. — Isabelly não conseguia acreditar.

Sophie olhou para todos naquele quarto, fitou Arthur e sorriu de forma serena:

— Parece que o nos encontramos de novo, detetive Christie.

— Eu já disse que pode me chamar de Arthur. — lembrou ele que logo suspirou. — O que está fazendo aqui, Sophie?

— Eu estava apenas passando por Galar quando o inspetor me ligou. — respondeu ela.

Arthur não parecia feliz com a presença de Sophie e isto chamou a atenção de Belly.

— O que foi? Aconteceu algo entre vocês dois? — indagou ela.

— A encontrei antes em alguns casos, e bem, ela sempre descobre tudo antes de mim. Queria que esta fosse a minha chance de brilhar, mas com ela aqui, vou me tornar apenas um coadjuvante. — Assim que Arthur terminou de responder ele recebeu um tapa em seu rosto.

— O Simon acabou de morrer e você fica pensando em fama? — berrou Isabelly.

Aquilo lhe trouxe de volta para a realidade, uma pessoa tinha morrido e desta vez, era um conhecido seu, um amigo seu. Quando Arthur olhou em volta conseguiu ver seus outros amigos tristes, tentando evitar pensar no que acontecera. Foi então que outra coisa lhe veio a mente, algo que só percebera naquele momento.

— Não pode ser. — comentou Arthur.

— Pela sua expressão finalmente percebeu o obvio. — falou Sophie. — O assassino está entre vocês seis.

Era algo obvio, mas ninguém tinha parado para pensar, afinal não queriam acreditar que algum de seus amigos tinha matado outro amigo.

— Você está errada, ninguém aqui mataria Simon! — exclamou Rina tremendo.

— Ela está certa, podíamos ter suas divergências com ele, mas ninguém faria isto. — concordou Rick que abraçava Rina tentando acalmá-la.

— O Simon era nosso amigo e não se mata amigos. — contou Ambrose.

— Apesar de tudo, ele era uma boa pessoa e nos também somos, então não aponte seu dedo para nós! — reclamou Liz.

— Desculpe pessoal, mas a Sophie está certa. Se alguém de fora tivesse entrado para matar Simon teria que ter passado pela sala de estar onde estávamos. Então a única possibilidade é que alguém aqui de dentro matou ele.

Todos sabiam que ele estava certo, mas não queriam aceitar.

— Não se preocupem, dependo da hora da morte e do álibi de todos, o culpado será pego facilmente. — contou Sophie. — Inspetor Trade pode me dizer a hora da morte da vítima?

— A vítima foi morta entre as 19 e 22 horas.

— Para ser mais preciso, foi algo entre as 20 e 22 horas. — corrigiu Arthur. — Simon foi para seu quarto as 20 horas.

— Vocês estavam na sala de estar, não é mesmo? Alguém saiu dela dentro este horário? — questionou Sophie.

— Na verdade, acho que todo mundo foi no banheiro pelo menos uma vez. — respondeu Isabelly.

— Ela está certa e para ir ao banheiro é preciso passar pela porta do quarto de Simon. — completou Arthur.

— Então ninguém tem um álibi. — concluiu Sophie. — Alguém tocou no corpo ou em algo do quarto depois que o cadáver foi encontrado?

— Apenas o Arthur. — respondeu Ambrose.

— Eu só estava checando o pulso dele. — tentou se defender.

— Mas você também é um suspeito. — lembrou Sophie.

— Você sabe que não fui eu.

— Só saberei disto depois de encontrar o culpado.

— Se me ver como suspeito como você espera que eu investigue?

— Não investigará. — respondeu Sophie. — Mas se quiser aprender um pouco é só ficar no meu campo visão para que você não possa adulterar nada na cena do crime.

Aquilo tinha deixado Arthur com raiva, apesar de Sophie ser a criança, era ele que estava sendo tratado assim por ela.

Logo, Rick se aproximou e indagou:

— Podemos ir para outro quarto, a Rina está morrendo de frio.

— Claro, mas antes, poderiam passar por uma inspeção? — perguntou Sophie.

— Qual o motivo? — questionou Rina.

— Pelo que me disseram o corpo da vítima tinha marca de torção como se tivesse sido amarrado, além disso foram encontrados dois buracos enorme no pescoço. Mas nem as cordas, nem a arma do crime foi encontrada. Além disso ninguém está sujo de sangue então presumo que o assassino usou algum tipo de capa para se proteger e assim como os dois itens anteriores nada de o encontrarmos. — explicou Sophie.

— Está certo. — concordou Rina.

— E vocês? — Sophie olhou para os outros cinco que aceitaram passar pela inspeção.

O quarto estava mais vazio, apenas Sophie e Arthur tinham ficado nele, enquanto os outros tinham ido para a sala de estar.

— Não acharam nada nas inspeções. — informou Arthur.

— Inclusive na sua? — questionou Sophie.

— É claro!

— Não encontraram nada no lixo do banheiro ou em qualquer outro lugar da casa. — contou Patrick que entrara no quarto novamente.

— Tinha como alguém sair da casa sem que vocês vissem? — indagou Sophie para Arthur.

— Isto seria impossível, pois teria que pegar o caminho oposto do banheiro passando pela sala de estar, algo que ninguém fez. — respondeu ele.

— Um quarto fechado sem arma do crime. — pensou alto Sophie.

— Já sei, o assassino deve ter usado uma estaca feita de gelo e derreteu ela na pia do banheiro. — supos Arthur.

— Se este fosse o caso as mãos do assassino estariam vermelhas por causa do frio, mas nenhum de vocês seis está com as mãos desta forma. — discordou Sophie.

— Mas ele pode ter usado luvas.

— Seria perigoso demais, pois se o gelo começasse a derreter as luvas não formariam atrito suficiente para segurar a estaca que poderia escorregar, além disso aonde o assassino esconderia a estaca de gelo? Já que o freezer está fora de questão já que cozinha fica do outro lado da casa, onde passaria pela sala de estar.

— É… não foi uma estaca de gelo. — admitiu Arthur.

Com o detetive atrapalhado quieto, Sophie começou a analisar a cena do crime. Primeiramente olhou para a porta, sua fechadura só podia se fechar pelo lado de dentro, não havia buraco para chave, apenas uma engrenagem que se fosse girada empurraria um pino de metal para fora que se encaixaria no buraco da parede a sua frente, fazendo a porta se trancar. Além disso, o pino não estava nem na fechadura da porta, nem no buraco da parede, ele tinha sido arremessado há alguns metros de distância.

— Provavelmente ele foi parar ai quando arrombamos a porta. — explicou Arthur ao perceber para onde Sophie estava fitando.

— Me conte com detalhes o momento que vocês encontraram o corpo.

Arthur não queria se lembrar daquilo, mas resolveu que seria melhor se Sophie soubesse e por isso contou tudo.

— As vezes, você é útil. — comentou Sophie.

Por causa do comentário, Arthur começou a reclamar com ela, mas Sophie o ignorou e continuou sua investigação. Olhou para o pino e ele tinha duas pontas distintas. De um lado, era circular e lisa, do outro também era circular, mas tinhas furos e cortes, que seriam o local onde o pino se encaixaria no mecanismo da fechadura. Além disso, o pino estava torto por causa do arrombamento, seu meio tinha sido amassado, o fazendo entortar para parecer uma letra “V” em vez de uma superfície reta.

— Encontrou algo? — indagou Arthur.

— Achei que você também fosse um detetive. — respondeu Sophie. — Ou vai ficar só olhando?

— Se eu começar a investigar por minha conta você vai reclamar, não vai? Afinal eu também sou um suspeito.

— Falando nisto, você não acha melhor deixar este caso comigo? — indagou Sophie. — Suspeitar de seus amigos deve ser algo bem ruim.

— Você tem razão, mas é por isso que eu quero descobrir a verdade, pois no fundo ainda acredito que nenhum deles tenha o matado.

— Não importa o quanto você tente mudar. A verdade é apenas uma.

Logo depois ela se virou para o lado e viu um duto de ventilação a alguns metros da cama.

— Até onde este duto leva? — indagou Sophie.

— Pela nossa investigação descobrimos que ele leva até o banheiro, mas é pequeno demais que nem uma criança passaria. — respondeu o inspetor.

Continuando a sua investigação, Sophie olhou para a cama onde o Simon tinha morrido, ela estava ensanguentada, mas além disso nada fora do comum chamava a sua atenção.

— Detetive Christie, você tem alguma ideia o porquê da vítima não ter resistido?

— Ele estava dormindo e tinha tomado remédios para gripe. Então só deve ter percebido o que aconteceu quando já estava morrendo. — Arthur ficou triste em lembrar que era de seu amigo que estavam falando.

— Ele pegou o remédio sozinho ou alguém deu para ele? — indagou Sophie investigando o copo em cima do criado-mudo ao lado da cama. Ele contia pequenos resquícios de água e era inodoro.

— Foi a Liz que deu o remédio para ele.

Naquele momento, outro policial entrou no quarto anunciando:

— Inspetor Trade, a autópsia foi feita e para a surpresa a causa da morte foi envenenamento.

— O que? E as duas feridas enormes no pescoço dele?

— Podem ter sido feitas, antes, depois ou durante o envenenamento, mas elas não foram a causa da morte.

A garota fitou o jovem rapaz nos olhos e pediu:

— Arthur, me leve até a Liz.

— Não, a Liz nunca mataria o Simon.

— Eu nunca disse que foi ela. Além do mais, por que tanta certeza?

— A Liz era a mais próxima do Simon.

— Tem certeza? Minha impressão foi outra. — falou Sophie.

— Como assim?

— Deixe pra lá, me conte mais sobre a Liz e o Simon.

— Os dois já tinham namorado antes. — contou Arthur.

— Ex-namorados? Isso não é algo que é necessariamente a favor da Liz. Sabe o motivo do término?

— Não, mas não me surpreenderia se fosse a Seviper da Liz, Simon morria de medo dela.

Algo estalou na mente de Sophie e então ela soltou um sorriso sereno.

— Arthur, você tem um Sobble?

— Sim e você já sabia disso. — respondeu ele confuso.

— Estávamos procurando a arma do crime quando ela estava bem debaixo de nosso nariz.

Arthur estava perdido para o rumo que aquela conversa tinha, mas o que Sophie acabara de dizer despertou algo em sua mente. Depois de um estalou, ele se sentiu flutuando no ar e então conseguiu juntar todas as peças daquele quebra-cabeças. Ele então olhou para baixo de forma triste, a resposta que encontrara não era aquela que queria.

— Não importa o quanto você tente mudar. A verdade é apenas uma. — suspirou ele parafraseando a detetive mirim.

Novamente todos estavam reunidos na cena do crime. Arthur havia prometido revelar a amarga verdade para todos e contar o que tinha acontecido. Além dos seus cinco amigos, Patrick Trade e Sophie também estavam observando-o.

— Arthur você sabe quem matou o Simon? — indagou Isabelly.

— Sei e infelizmente foi um de vocês. — respondeu Arthur.

— Achei que você estava do nosso lado. — reclamou Ambrose.

— Eu não estou no lado de ninguém. — contou Arthur. — Só não consigo aceitar que um amigo matou outro. É muito difícil engolir isto, mas eu não posso deixar a morte de Simon no escuro. Tenho que revelar a verdade mesmo que ela seja amarga.

— O que aconteceu? Como o criminoso saiu do quarto? Aonde esta a arma do crime? — questionou o Patrick.

— Eu demorei pra entender, mas o formato da ferida, a morte por veneno, o quarto trancado onde seria impossível para qualquer ser humano sair e a falta da arma do crime, tudo isto só aponta para uma coisa. — disse Arthur. — A verdade é que a arma do crime estava na nossa frente o tempo todo, a Seviper da Liz foi quem matou o Simon.

Aquela revelação foi um choque para todos.

— O que você está falando? A minha Seviper não machucaria ninguém! — berrou Liz.

— Sozinha talvez não, mas se você a ordenasse ela faria. — argumentou Arthur.

— Você está dizendo que eu mandei a Seviper matar o Simon? Eu amava ele, nunca faria isso! — Liz estava chorando e berrando tanto que estava ficando difícil compreender o que ela falava.

— Eu sei. E é por isso que não entendo. — Lagrimas começavam a cair pelos olhos de Arthur. — Mas é a única explicação. Do banheiro, sua Seviper entrou aqui pelos dutos de ar, então ela se enrolou no corpo de Simon, o apertando para o impedir de respirar e gritar, algo que deixou as marcas de torção no corpo dele, depois a Seviper mordeu o pescoço do Simon injetando seu veneno mortal, o fazendo morrer e deixando duas feridas circulares enormes que possuem o mesmo tamanho das duas presas da Seviper. Depois disso a Seviper voltou pelo duto de ventilação e você a lavou no banheiro para que não ficasse nenhum sangue no seu corpo.

A explicação fazia sentido, mas para aqueles cinco amigos tudo parecia uma mentira, não queriam acreditar naquilo, mas antes que percebessem já estavam acreditando.

— Liz, você fez mesmo isso? — indagou Rina chorando lágrimas.

— Não, eu juro não fui eu. — desabava em prantos Liz. — Ambrose, Rick.

Tentou suplicar ajuda aos outros dois rapazes, mas eles a olharam como se já estivesse decidido que ela era a culpada.

— Não foi a Liz. — anunciou Isabelly.

— Belly, o que você está dizendo? Eu sei que é difícil aceitar, mas é a verdade.

— Não, não é, eu acredito na Liz. — Isabelly também chorava, apesar que diferente dos outros tentava esconder suas lágrimas. — Se você quer tanto culpá-la precisa de uma prova!

— Belly, obrigada. — Liz ficou muito feliz em ver que uma de suas amigas estava ao seu lado.

— Se você quer uma prova, é só usar luminol nas presas da Seviper para ver se vai reagir. — falou Arthur.

— Vai reagir. — Sophie interveio na conversa. — Mas não será por causa do sangue do Simon. O luminol reage ao ferro presente hemoglobina do sangue, mas o veneno produzido pelas presas da Seviper também possui a substância ferro, então não importa qual o momento seja, as presas dela sempre reagirão ao luminol. — Ela soltou mais um sorriso sereno. — Mas isto é algo que eu acho que você já sabia, não mesmo, senhor culpado, ou devo lhe chamar pelo nome, Rick.

Mas uma vez todos foram pegos de surpresa.

— Rick, o culpado? Não estou entendendo mais nada. — desabafou Ambrose.

— Você ficou louca? Não tem nada que aponte a culpa para mim. — reclamou Rick.

— O que? Mas as coisas só fariam sentido se Seviper fosse a arma do crime. — contestou Arthur.

— É verdade que há um sentido por trás desta história, mas ainda tem algo que ela não explica. — informou Sophie. — O ar-condicionado.

Todos fizeram caras de confusos.

— Quando vocês entraram no quarto a primeira coisa que sentiram foi uma onda congelante, tanto que a Rina estava morrendo de frio aqui dento. Só que isso é muito estranho, o Simon estava gripado e com febre, não faria sentido ele colocar o ar-condicionado tão gelado, isto só o pioraria. — explicou Sophie. — Então, a única coisa que resta é para o culpado ter ligado o ar-condicionado para dificultar a definição da hora de morte, aumentando o seu intervalo para que todos possam ser considerados suspeitos. Não é pra menos que a definição da hora de morte foi entre as 19 e 22, mas se o ar-condicionado estivesse desligado este intervalo seria bem menor. E bem, uma serpente não conseguiria ligar o ar, muito menos trocar sua temperatura.

— Sophie, você está falando sério? — indagou Arthur que por um lado se sentia melhor por não ser amiga, mas por outro se sentia pior pois era seu amigo e ele ainda teria acusado a Liz injustamente.

— Desculpe Arthur, achei que você tinha resolvido o caso sozinho. Se soubesse que culparia a Liz, teria te contado tudo. — desculpou-se Sophie.

A garota fechou os olhos organizou suas ideias na mente e sorriu. Assim que abriu os olhos todos a fitavam.

— Vamos fazer uma recapitulação do que aconteceu. Por volta das 20 horas Simon foi para o seu quarto. Depois disso, vocês foram para o banheiro de um a um. Quando chegou na vez do Rick, ele foi até o quarto do Simon pedindo-o para abrir a porta. Assim que entrou entregou o veneno em um comprimido sobre o pretexto de ser um remédio que o curaria mais rápido. Com a água que Liz tinha levado anteriormente, Simon bebeu o veneno e morreu, como ele estava bem doente e fraco, foi fácil para Rick um homem alto e forte, tapar sua boca, com o travesseiro provavelmente, o impedindo de gritar. Após a morte de Simon, Rick o amarrou com uma corda para causar as feridas de torção no corpo da vítima, depois ele colocou a capa de chuva para proteger sua roupa do sangue e com uma estaca fez dois furos no pescoço do Simon para parecer que ele havia sido atacado pela Seviper. — deduziu Sophie.

— Você pode ter acertado até ai, mas como Rick saiu do quarto trancado? — indagou Arthur.

— É bem mais simples do que parece. — revelou Sophie. — A verdade é que nunca houve um quarto fechado.

— O que? Mas quando o Rick tentou abrir a porta, ela não se movia…

— Vejo que entendeu. — sorriu Sophie. — A porta não se movia não porque estava trancada, mas porque o Rick não quis abrir, fingindo que ela estava trancada e criando este falso quarto fechado.

— Mas e o pino da fechadura quebrou e voou para longe, como explica isto? — questionou o inspetor.

— Também é simples, o Rick quebrou ele antes e colocou o pino longe da porta para pensarmos que foi arremessado quando ela supostamente tivesse sido arrombada. — respondeu Sophie.

Rick não acreditava que o estavam culpando por aquilo.

— Se você tem tanta certeza que eu matei o Simon, cadê a prova? Cadê a estaca, ou a corda, ou a capa de chuva? Sem elas você não pode provar nada é só uma especulação. — argumentou Rick.

— Você está certo, mas eu sei aonde todos estes objetos criminosos estão. — contou Sophie.

— Você está blefando.

Sophie desviou seu olhar e fitou Arthur.

— Se lembra do que eu disse sobre a arma do crime está debaixo de nosso nariz? Ao pensar na Seviper você chegou perto, mas olhou para o Pokémon errado. — sorriu Sophie, que voltou seu olhar para Rick e apontou para ele. — Você escondeu a arma do crime dentro do caixão de seu Cofagrigus. Se ainda insiste que eu estou errada, peça para abri-lo e nos deixe ver.

Rick desabou e caiu no chão.

— Cofagrigus pode colocar tudo pra fora. — pediu ele.

O caixão que era o corpo do pokémon se abriu e dentro dele a estaca, a corda e a capa cheia de sangue foram liberadas.

— Rick, eu não acredito, mas… mas porquê? — indagou Rina que não conseguia aceitar que seu amado era o culpado.

— Por sua causa Rina.

— Minha causa?

— Sim. Você acha que eu sou idiota e não percebi que você e o Simon estavam saindo juntos escondidos, ficando mais próximos. Eu te amava mais que tudo neste mundo, Rina, e o Simon era meu melhor amigo, mas vocês dois me traíram como se eu não fosse nada. — desabafou Rick.

— Mas por que culpar a Liz? Ela não te fez nada! — reclamou Isabelly.

— Eu não queria ser pego, e a Liz era a escolha mais obvia. Ela era a ex dele e a Seviper dela seria a isca perfeita.

Foi então que Rick sentiu um punho acertando seu rosto em cheio. Sem forças foi arremessado para trás caindo no chão.

— Seu idiota! Você não percebeu o erro que cometeu? — berrou Arthur.

— Talvez a Liz não merecesse isso, mas eles me traíram! Eu não me arrependo do que eu fiz! — Rick tentava se levantar.

Em um surto de raiva, Arthur agarrou o pescoço de Rick e o jogou contra a parede.

— Você não entendeu nada! — Arthur estava evitando olhar para o rosto de Rick. — A Rina e o Simon te amavam! Eles nunca te trairiam!

— Arthur… — falou Rina talvez como uma súplica.

— Então por que eles me traíram? Se você é um detetive tão bom, me responda!

Foi então que Arthur levantou seu rosto fitando Rick nos olhos e revelando sua face em prantos.

— Eles não te traíram! Eles eram irmãos!

— O que? — Rick que tinha sido consumido pela inveja e pela ira, via seu mundo ser destruído. — Irmãos?

— Arthur, quando você descobriu? — indagou Rina.

— Mais tarde do que deveria. — respondeu ele soltando o pescoço de Rick.

Assim que foi solto o assassino caiu de joelhos no chão.

— Mas isto não faz sentido. — tentava ignorar a verdade.

— Quando nos conhecemos no clube de mistérios eramos apenas desconhecidos. Eu nunca tinha conhecido meu pai, mas possuía uma foto dele que minha mãe sempre me mostrava, quando Simon viu, entendeu logo, aquele também era seu pai. Depois disso, fizemos um teste de DNA e descobrirmos que eramos meio-irmãos. Após isto eu quis saber mais sobre meu irmão. Era filha única e minha mãe morreu quando eu era bem nova, Simon tinha dito que o nosso pai também morrera cedo. Ele era a última pessoa que tinha sobrado na minha família. — contou Rina chorando aos montes.

— Mas… mas…por que vocês não me contaram? — exclamou Rick chorando também.

— O Simon ficou com medo que se te contássemos você terminaria comigo, por eu ser irmã de seu amigo. Ele realmente se importava com você. — explicou Rina.

— O que foi que eu fiz? Eu matei meu melhor amigo. — se afogou em lágrimas de dor e arrependimento.

Foi então que uma senhora bem mais velha que os jovens entrou no quarto. Ela estava chorando e desesperada.

— Cadê o meu filho? O que vocês fizeram com ele? — indagou desesperada.

— Senhora, você não pode entrar aqui no momento. — alertou um policial que tentou expulsá-lo.

Ela olhou para a cama ensaguentada e caiu de joelhos em sua frente.

— Meu Simon! Meu pequeno Simon! — berrava em prantos e desespero.

E então aquele quarto se afogou no mais profundo silêncio, onde a única coisa que se podiam ouvir era o desespero daqueles que haviam ficado para trás.

Depois da melancolia afogada em lágrimas, o clima se acalmou. Sophie resolveu partir logo, não gostava de ficar depois de um caso para responder perguntas. Ao ver a pequena garota saindo da casa, Arthur a seguiu. Assim que pisou fora, pôde ouvir os odiados sons das engrenagens se movendo, mas diferente do usual, aquele som estava reconfortante, sentia alívio ao ouvi-lo.

— Vai sair sem nem se despedir? — indagou Arthur em um tom alto para que Sophie o ouvisse.

Ela parou de caminhar e virou-se para ele.

— Muita consideração sua ter vindo falar comigo.

— Obrigado por ter revelado o meu erro.

— Não precisa me agradecer, é meu trabalho revelar a verdade.

— Sophie, como você descobriu que o Simon e a Rina eram irmãos?

— E quem disse que eu descobrir? Pelo que eu sabia quem revelou esta verdade foi você.

— Mas só por causa de seu comentário. — disse Arthur se lembrando de quando investigavam e Sophie questionou se a Liz era a mais próxima do Simon.

A pequena detetive riu:

— Eu não estava dando uma dica, só falei minha impressão.

— É mesmo? — Arthur tinha certeza que Sophie já sabia. — De todo modo, você me ajudou, obrigado.

— Arthur, se valorize mais como detetive. — sorriu Sophie.

Talvez fosse a primeira vez que ele tivesse vido Sophie rir. Ao ver aquele inocente sorriso, se lembrou que Sophie era apenas uma criança que revelava as verdades mais obscuras do mundo.

— E você, ria mais. — sorriu Arthur.

Sophie se despediu e partiu. Logo depois, Isabelly se aproximou de Arthur, estava vendo a cena de longe.

— Como vocês aguentam? — questionou ela se referindo ao trabalho de detetive.

— O mundo precisa de alguém para revelar a verdade.

— Mas a verdade é tão cruel.

— Sim, ela é. E por esse motivo, muitas pessoas preferem se esconder por trás de mentiras. — disse Arthur. — O mundo é cruel porque as pessoas também são, mas existem aqueles que não são e sofrem por causa disso. Talvez, eu não possa parar ou sofrimentos deles, talvez, eu até o amplifique, mas eu posso revelar a verdade e é isto que eu vou continuar fazendo até o fim da minha vida.

— Você é tão dramático, Arthur. — comentou Isabelly ao sorrir.

— Desculpe.

— Não se desculpe. Eu não quero que você mude. — Isabelly se aproximou de Arthur e o abraçou. — Por favor, continue sendo o mesmo Arthur de sempre.

Aquele abraço pegou Arthur de surpresa, mas ele era muito agradável, o corpo quente de Isabelly estava o aquecendo depois daquela noite de sofrimento. Colocou seus braços nas costas dela e retribuiu o abraço.

— Eu lhe prometo que nunca vou mudar, Belly.

Uma semana depois…

— Era isso que você e o Scorbunny queriam, né Belly? Então não reclamem depois de eu e o Sobble te darmos uma surra. — ameaçou Arthur que fitava sua amiga de infância do outro lado do campo de batalha.

— Você vai se arrepender dessas palavras depois de perder. — contou Isabelly.

Os dois estavam em uma arena ao ar livre. Ela ficava ao lado de uma praça e servia como um local para as pessoas batalhassem sempre que quisessem. Era um ótimo local para passar o tempo, pois ficava longe das grandes máquinas e indústrias da cidade, deixando o lugar mais amigável e quieto. Para deixar o encontro, dos dois, melhor ainda, o céu estava claro, algo raro, pois normalmente era coberto pela densa névoa que percorria por toda a cidade.

— Sobble use Bubble. — ordenou Arthur, mas seu pokémon não fez nada além de tremer.

— Scorbunny use Ember! — ordenou Belly.

O coelho de fogo encheu sua boca com ar e cuspiu bolhas de fogo em direção ao lagarto-de-água que continuava tremendo, mas ao ver o ataque vindo em sua direção saiu correndo desesperado.

— Continue até acertá-lo! — disse ela.

— Vamos, Sobble, não adianta ficar fugindo, contra-ataque. — pediu ele.

Scorbunny continuou disparando suas bolas de fogo e Sobble apenas fugia. Quando estava ficando encurralado correu em direção ao seu treinador, o Scorbunny que não parava de disparar seu ataque não percebeu a tempo e acertou Arthur em cheio o arremessando para trás e fazendo sua boina cair.

— Arthur, você está bem? — indagou Isabelly preocupada.

— Eu estou. — respondeu ele levantando enquanto procurava sua boina.

Viu ela a alguns metros de distância, mas quando a pegaria, uma Grookey apareceu e pegou primeiro correndo para o outro lado.

— Minha boina! — berrou ele. — Volta aqui, sua Grookey desgraçada! Devolva minha boina!

Ele disparou em direção a chimpanzé de grama, que como conseguia escalar as árvores e prédios estava conseguindo fugir.

Ao ver a cena de longe, Isabelly sorriu:

— É, parece que você não vai mudar mesmo.

Notas finais
Então conseguiram resolver o mistério? Gostaram das personagens? O que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado! Sei que foi algo muito diferente, mas sempre quis tentar escrever algo do estilo, espero que tenha ficado interessante. Muito obrigado por terem lido até aqui! Comentem se puderem! Tudo de melhor e até mais!