Notas iniciais
Demorei? Talvez. Mas cheguei >o<... Não quero atrasar a leitura de vocês. Vão ler e se divirtam :3

— Como nós vamos para Dewford? — exclamou Luna, andando de um lado para o outro dentro do quarto o qual os três adolescentes pretendiam deixar ao final do dia. Em seu ombro, a Wurmple recém-capturada trocava de posição a todo momento. Luna havia lhe dado o nome de Safira.

Nathan e Alven se encaravam, pensativos. Mudie dormia ao lado de Kend, que brincava com Dew com um balão azul dado pelo Centro Pokémon. Winer corria em volta de Cross, que encarava a todos encostado na parede ao lado da cômoda, bem longe de Alven, propositalmente ou não. De qualquer forma, o garoto estava satisfeito com a distância.

— Eu também não tinha pensado nisso... — murmurou Nathan, folheando uma revista aleatória e a fechando rapidamente pelo desinteresse.

— Será que não tem algum barco que carregue treinadores pra lá ou algo do tipo? — propôs Alven. Este tentava amarrar uma corda na extremidade de um balão rosa que havia acabado de encher, sem sucesso.

— Agora que você falou... — disse a garota, agora parada e com o olhar vidrado no chão. — Meu irmão provavelmente conhece alguém que pode nos levar lá.

Ela levantou o rosto e retirou Safira de seu ombro, colocando-a no chão. A lagarta imediatamente subiu nas pernas da garota, a qual riu por causa das cócegas e colocou a Wurmple em seu ombro novamente.

— Ótimo. Quem é e onde mora? — questionou Nathan.

— Não sei. Vamos falar com ele agora? Que horas são?

Eram três da tarde, segundo um relógio na parede que atraiu a atenção com aquela pergunta.

— Ótimo! Ele está na praia agora, vamos lá falar com ele!

— Certo. — Nathan se levantou e começou a arrumar algumas coisas aqui e ali.

— Fiquei curioso! — afirmou Alven, matutando algo em sua mente enquanto encarava Luna. A garota sussurrou “surpresa” e fez um gesto majestoso com as mãos, e então os três se prepararam para sair como sempre faziam.

...

Tendo os adolescentes arrumado o quarto e também seus pertences dentro de suas mochilas, foram á procura de Fábio. Saíram caminhando pelos corredores olhando para todos os lados á procura do estagiário, que parecia ter sumido. Winer caminhava perto de seu treinador, no mais puro silêncio. Cross estava em sua pokébola: não gostava de lugares apertados e muito cheios. Só ficou fora da esfera no quarto por um pedido de “socialização” feito por Luna. A garota ainda carregava Safira em seu ombro.

Foi então que a figura rosa e rechonchuda de Fabe foi avistada, o que atraiu Alven para mais um caloroso abraço, deixando Kend e Dew no chão ao lado de Luna.

— Olá! — exclamou para o Clefable. A fada se assustou e rapidamente deferiu uma série de tapas nas bochechas rosadas do garoto, enquanto fazia um gesto pedindo silêncio com a outra mão, sério.

— Você está bem? — Luna se aproximou e ajudou o garoto a se levantar. Alven e Fabe se encararam por alguns segundos como se quisessem voar um no outro enquanto os outros os observavam.

— Criatura mal agradecida! — resmungou para a fada. O Clefable apenas deu a língua e cruzou os braços.

Os dois ergueram o queixo e se viraram em direções opostas. Alven pegou seus Pokémon novamente e Nathan colocou a palma da mão sobre o rosto em desaprovação. Kend apenas apalpou as bochechas de seu treinador com uma das mãos, estranhando a vermelhidão em seu rosto. Dew ria da situação em grunhidos animados.

— Cheguei. O que aconteceu? — Fábio se aproximava com uma expressão amigável e cumprimentou rapidamente os três treinadores.

— Esta criatura me estapeou! — acusou Alven. Fabe o encarou com olhar flamejante e apontou na direção do garoto, grunhindo algo logo em seguida para o estagiário.

— Você é que foi pra cima dele querendo abraços. — disse Nathan, defendendo a fada.

— Fabe, que coisa feia! Você não pode dar tapas nas pessoas só por que elas querem abraços. — disse o homem, corrigindo o Pokémon.

— Você sabe que a coisinha rosa não gosta de ser agarrada. — Luna olhou para Alven com um olhar sério, mas logo mudou para uma expressão engraçada e piscou. Fabe bufou e estendeu a mão para Alven em desculpas. O garoto fez o mesmo e se afastaram logo depois.

— Voltando ao foco... — disse Nathan. — Só vim dizer que nós estamos saindo do Centro. Vamos tentar arranjar uma carona para Dewford ainda esta tarde, mas se nada der certo vamos ter que voltar. Então não estranhe se der de cara com a gente novamente. — O garoto deu um leve sorriso, coçando a nuca.

— Fiquem tranquilos. Foi um prazer conhecer vocês.

— O prazer é nosso. — respondeu Alven, educadamente. Seus olhos focaram em Fabe, que os encarava no fim do corredor.

— E me desculpem pelo incidente com o Clefable, ele odeia contato em excesso. É estranho, pois ele deveria ser um Pokémon que cura, e não que machuca. — disse Fábio.

Todos sorriram e se despediram de Fabe com acenos. O mesmo para o estagiário, que já adentrava o corredor novamente. Os dois acenaram de volta e voltaram para seus afazeres, e os adolescentes saíram do estabelecimento para atravessar aquela rota pela provável última vez.

...

Nuvens cinza estavam espalhadas pelo céu. Sinal de chuva, principalmente pelo calor que havia feito pela manhã. Algumas palavras foram trocadas entre os três apenas para checar as mochilas. Alven ás vezes chegava perto demais de Safira, fazendo-o recuar ou ir para o outro lado. A lagarta estava tranquila e feliz devorando folhas que Luna havia coletado mais cedo para alimentar o inseto. Colocava-as em uma vasilha média, a qual havia sido retirada da mochila no momento de uso.

— Só de pensar que vamos ter que atravessar essa floresta novamente... — suspirou Nathan.

— Dá uma preguiça, né? Ainda bem que é a última vez. — respondeu Alven, acariciando Kend e Dew em seu colo.

— Isso se nós conseguirmos achar uma carona com meu irmão. Me pergunto que tipo de viagem teremos se realmente formos pra Dewford hoje e com quem iremos.

— Não podemos opinar, não conhecemos seu irmão tanto quanto você. — respondeu Nathan.

— É, verdade.

Atravessaram a ponte e rapidamente passaram pelo curto caminho que levava á floresta. Nada havia mudado e nada de interessante estava acontecendo: a coisa mais surpreendente que os adolescentes encontraram dentro da floresta foi um Shroomish, o que fez Nathan tremer e se afastar. Alven fez uma pequena provocação criticando o medo do garoto, e recebeu um “desnecessário” do adolescente em sua defesa.

Com o passo acelerado rapidamente chegaram até o outro lado da floresta, chegando ao início da rota 104.

— Que parado... — comentou Luna.

— Esse lugar sempre é parado. — Nathan respondeu dando uma olhada pelo local para checar alguma presença. Ninguém estava lá além deles.

— Onde está o seu irmão? — perguntou Alven, olhando para o céu e depois desviando a visão para a praia ao longe.

— Eu não sei. Nesse horário ele sempre está aqui.

— Que horas são, afinal de contas? — Nathan buscou na mochila um relógio de pulso que estava esquecido em um dos bolsos. O colocou no braço e checou a parte circular. — Três e quarenta e quatro. Quando for quatro horas temos que voltar.

— Mas nem estamos tão longe de Rustboro... — murmurou Alven. Kend olhava para a praia em busca de alguma silhueta enquanto Dew apenas sorria, com expressão animada.

— Mas atravessar a floresta pode ser trabalhoso, algum imprevisto pode acontecer. Afinal, o seguro morreu de velho.

— Ei, olha ele lá! — Luna apontou para um vulto masculino saindo de trás de algumas pedras enquanto Alven pensava na interpretação que aquela frase podia ter. O rapaz voltou seu olhar para os três treinadores e acenou com o braço direito. Era Bryan, com um caderno de desenho nas mãos.

Luna acelerou o passo até o litoral e os garotos a seguiram. Os Pokémon estavam silenciosos apenas observando o local, com exceção de Winer, que correu na direção de Bryan ultrapassando a adolescente. Safira mastigava uma última folha no ombro da garota, se prendendo bem para não cair.

A praia estava obviamente vazia, acompanhada de várias árvores e pedras localizados onde começava a areia. As ondas calmas e contínuas do mar encharcavam a areia branca do litoral em suaves sons, e o horizonte fazia contraste com a cor branca do céu. Este ainda estava nublado: cada vez mais nuvens cinzentas se juntavam formando o que parecia uma grande tempestade. O sol não era visível.

— O que estão fazendo aqui? — perguntou o rapaz, com um sorriso amigável.

— Viemos abrir a sua cabeça e recolher informações. — respondeu Luna, retribuindo o sorriso. — Boa tarde, mano.

— Boa tarde! — Alven surgiu saltitante, colocando Dew e Kend no chão com Winer.

— Olá. — Nathan cumprimentou Bryan e se sentou em uma rocha na areia. O garoto percebeu Winer correndo em volta do Ralts e da Budew, encantados com a visão do mar, e resolveu soltar Mudie e Loty para interagirem também.

Luna sacou suas pokébolas e retirou Flame e Cross delas. Colocou a Wurmple — essa já com o estômago cheio — ao lado do chifre de Cross e o pediu para ir ao encontro dos outros com ela e Flame. O besouro concordou e saiu voando enquanto o pintinho foi caminhando em passos determinados pela areia.

Bryan vestia uma regata vermelha e um short jeans comum, além de sapatos de cadarço um pouco velhos. Em suas costas, uma mochila repousava com uma pequena abertura entre os zíperes. O rapaz colocou seus pertences no chão e voltou sua atenção para a irmã, passando levemente a mão nos cabelos encaracolados com o objetivo de retirar qualquer grão de areia.

— Bem, nós precisamos de um meio para atravessar parte desse mar e chegar a Dewford.

— Eita, será um pouco difícil se quiserem ir de barco. Eu não conheço ninguém que possa levar vocês.

— Ah, o que faremos agora?

Luna se desaminou e ficou matutando algo, concentrada no chão sob seus pés. Pequenas conchas jogavam fora o padrão uniforme da areia.

A alguns metros dali, os Pokémon reunidos atentavam para o ambiente ao seu redor no mais completo silêncio. Mudie e Loty sussurravam um para o outro, Safira e Flame andavam entre as pedras em uma espécie de brincadeira enquanto Dew, Kend e Cross procuravam coisas na areia.

De repente, Loty se levantou e respirou fundo. Ao sentir o cheiro refrescante típico de uma praia, virou-se para os demais e exclamou:

“O que acham de irmos pra a água?”

“Sem chance.” respondeu Cross, se aproximando. “Não gosto de água e ninguém pode me fazer gostar.”

“Ah, qual é! Vamos, é divertido.”

“Eu topo.” Mudie levantou e se afastou dos demais. “Faz tempo que não entro em um lugar cheio de água que não seja aquele lago falso nos fundos da casa daquele homem.” Essa última parte foi dita por Mudie em um tom de voz mais baixo e redirecionada a seu companheiro Lotad.

“Fala do quintal do Professor Birch?” respondeu Loty.

“Sim.”

“Aqui também me sinto com mais liberdade. Então, quem mais topa?”

Loty parou de falar e virou-se para Kend e Dew. A fada fez um sinal de dúvida com a cabeça enquanto a planta deu alguns pulinhos e foi em direção a Alven, cambaleando. O garoto estava falando com Nathan sobre como seria Dewford e como eles iriam para lá, quando avistou a bebê se aproximando.

— Oh, o que você quer, Dew? — perguntou ao botão. Dew apenas grunhiu e deu alguns pulinhos na direção do mar.

— Você quer pular? — disse Nathan, olhando a cena por trás de Alven.

A Budew grunhiu novamente, irritada. Tentou apontar a flor fechada acima de seu rosto na direção da água, mas caiu de lado. Nathan não conseguiu segurar a risada enquanto Alven a levantava para depois voltar a se sentar em uma grande pedra ao lado de Nathan.

Ela quer ir para a água com alguns de nós. Veio pedir permissão assim como eu. — A voz telepática de Kend adentrou na mente de seu treinador, chamando atenção de Alven.

— Você está usando sua telepatia de novo, né? — respondeu o garoto na direção do Ralts, com brilho nos olhos.

— Como é que é? — Nathan endireitou sua posição e lançou o olhar para o Pokémon Sentimento, que logo corou.

— Ele pode usar a telepatia dele pra conversar com nós, humanos.

— Que legal. Como foi sua primeira conversa com ele? — Nathan voltou á sua posição relaxada, deitado confortavelmente sobre algumas pedras achatadas. Havia colocado sua mochila ao lado da de Alven: as duas repousavam apoiadas no rochedo.

— Não tivemos bem uma conversa, só trocamos algumas palavras mesmo. Como ele é pequeno, não deve ter poderes tão amplos.

Os dois garotos voltaram os olhos para Kend e Dew, que esperavam pacientemente por uma resposta.

— Ah, sobre ir para o mar, vocês podem sim. E eu vou junto, quero sentir a água salgada nos pés. Mas nós não vamos fundo. — Alven retirou os sapatos e suas meias, colocando esses ao lado da grande pedra na qual estava sentado. Levantou-se e percebeu que Nathan estava com os olhos fechados, ainda deitado. — Você não vai ficar aqui dessa vez!

Alven pegou o garoto pelo braço, despertando-o. Nathan rapidamente se soltou.

— Não é mais fácil convidar? — resmungou ele.

— Você não iria querer vir.

— Você não tem como saber. — Nathan estalou a língua e resolveu acompanhar Alven e os outros até a beira do mar.

“Você não vai, né?” perguntou Flame a Safira, longe dali.

“Não, não gosto de água também.” a lagarta subia em cima de uma grande pedra enquanto o pintinho a observava.

Todos ali com excessão de Luna, Bryan, Flame, Cross e Safira, se dirigiram ao local da areia onde a água do mar esgueirava com suavidade, indo e voltando. Alven se sentou, tomando cuidado com a distância entre suas roupas e a água para que só seus pés fossem banhados. Kend e Dew ficaram próximos a ele, mas perto da água.

Mudie e Loty foram mais a fundo e pulavam as pequenas ondas que tinham seu tamanho diminuído ao se aproximar do litoral. Winer ficou correndo na areia o tempo todo, pois não gostava de se molhar, mas queria ficar perto de Nathan.

— Aproveitem, pois nós vamos embora daqui a pouco. — avisou Luna, se aproximando dos garotos e olhando em volta. Procurou Safira, Cross e Flame, e os avistou afastados brincando em volta das pedras.

— Então temos uma carona? — perguntou Alven.

— Sim, e não vamos de barco.

— Ué? — Nathan virou seu rosto para Alven e depois encarou Luna ao ouvir aquilo. Se não iriam num barco, iriam em quê?

— Vocês vão ficar surpresos e admirados! — afirmou ela, animada.

— Quer dar uma pista? — propôs Alven, acariciando Dew. Kend brincava com a areia fazendo pequenos castelos que logo voltavam a sua forma original por causa das ondas.

— Bem... — Luna pensou por um segundo e estalou a língua como se estivesse procurando algo óbvio. — Vamos viajar em seres mágicos!

Nathan revirou os olhos e quase riu.

— Como disse? — disse ele.

— Que tipo de coisas mágicas? — Alven cavou mais um pouco para tentar adivinhar.

— Quer esperar? Se eu falar mais, a surpresa vai por água a baixo.

Alguns segundos se passaram.

— Espera, isso foi uma piada básica de praia? — perguntou Alven.

— Acho que sim, mas não foi proposital. — respondeu a garota.

Luna se sentou na areia e todos ficaram em silêncio, apenas observando os monstrinhos e a paisagem relaxante ao seu redor. Ás vezes, Loty ficava de cabeça para baixo por ser empurrado pelas ondas e não conseguia se mover, ao passo que Mudie o ajudava a levantar.

Nathan estava deitado com os braços cruzados atrás de sua cabeça, observando o céu que aos poucos era preenchido por cinza. Luna demonstrava estar ambientada com o lugar, olhando tudo com naturalidade. Alven ajudava Kend e Dew a fazer um castelo maior e mais resistente, sem sucesso por estarem próximos demais da água.

A linha perfeita do horizonte os lembrara da infinidade de paisagens, sentimentos e sensações que experimentariam ao longo da imensa jornada que estava pela frente. Era uma motivação assim como também era um aviso.

— Pessoal, já estou pronto! — Bryan acenou para os três treinadores, que despertaram de uma vez de seus devaneios. Luna foi a primeira a levantar, cheia de satisfação. Alven foi logo depois e Nathan tirou a maior parte da areia que havia se impregnado em seu corpo com as mãos.

— Ótimo! Já está com o instrumento? — perguntou a garota. Seu irmão retirou uma flauta roxa da mochila e a sacudiu para mostrar. — Vocês dois, cheguem mais perto!

Alven se aproximou em um pulo e Nathan deu passos pesados e contínuos até chegar à pequena reunião. Bryan pôs os dedos em uma posição específica e colocou a boca na ponta do instrumento, emitindo uma nota suave e hipnotizante a cada sopro.

A música chamou a atenção dos monstrinhos, que se viraram na direção da flauta e ficaram imóveis, apenas escutando.

— E então? — Alven perguntou assim que o som parou.

— Temos que esperar um tempinho. Nossos convidados especiais provavelmente já ouviram.

Alguns segundos se passaram. O foco dos monstrinhos já havia mudado e Nathan se sentou no chão.

De repente, três seres roxos saltaram do mar, girando e fazendo acrobacias. Luna e Alven estavam fascinados, enquanto Nathan tentava entender o que eram aquelas coisas. Bryan deu um suspiro de alívio por a primeira parte de seu plano ter sido um sucesso e voltou sua atenção para as criaturas. Nathan rapidamente se levantou e mudou de lugar quando percebeu que uma das coisas — seja já o que fossem — iria aterrissar perto dele.

“Starmie, o Pokémon Misterioso. Seu núcleo brilha intensamente nas sete cores do arco-íris. Apelidado de “Joia do Mar” devido a suas capacidades luminosas, Starmie pode girar a segunda parte de seu corpo em trezentos e sessenta graus.” disse a Pokédex de Alven, ao descrever os Pokémon.

Eram estrelas de mais ou menos um metro e dez centímetros de altura. Tinham corpo roxo, cada uma com uma segunda estrela giratória presa ás costas. No centro de seus corpos, joias vermelhas — envolvidas em molduras douradas elegantes — reluziam com a luz do sol.

— São tão lindos! — Alven tinha um olhar radiante, e se aproximava cada vez mais dos três Starmies que haviam se posicionado um ao lado do outro.

— São estrelas-do-mar! Tem como não serem lindos? — Luna pulou para perto de um deles para examinar a espécie com mais clareza. Posso tirar uma foto?

O Starmie que estava na frente da garota deu um pequeno pulo e girou sua segunda estrela. Luna entendeu isso como um “sim” e pegou a Polaroid em sua mochila. Clicou no botão e um pequeno estalo foi ouvido, sinalizando a conclusão da foto. Segundos depois a imagem quadrada saiu pela parte de baixo do objeto.

— Estes Pokémon não são meus, mas eu tenho vindo aqui a algum tempo e sempre que posso treino eles para que venham ao meu chamado.

— Isso é bem legal. — afirmou Nathan, ao se aproximar de uma das estrelas. — Elas vão nos levar até Dewford? — perguntou Alven, examinando os Starmie de todos os ângulos.

— Sim, inclusive eu gostaria de ensinar o jeito de segurá-los enquanto nadam.

Bryan ficou atrás de um dos Starmies, que se arrumaram nas suas posições — dois ficavam de fora apenas observando e um se preparando para receber o rapaz. Bryan colocou as mãos em duas das cinco pontas da estrela, como se fosse um guidão de uma bicicleta. Depois colocou os pés sobre as duas pontas inferiores — as que simulavam as pernas da estrela quando de pé.

— Vocês vão ficar deste jeito. Segurem firme, pois os Starmies são bem rápidos. — Bryan rapidamente saiu de cima do Pokémon.

— Eu tenho uma pergunta! — Alven exclamou, chamando a atenção dos dois adolescentes ao seu lado.

— Pode dizer. — Bryan cruzou os barcos e o Starmie ao seu lado se virou na direção do garoto.

— Como eles vão nadar?

— Nadando, ué. — intrometeu-se Nathan, fazendo com que a resposta parecesse óbvio. — Se movendo dentro da água.

— Não é isso que eu quis dizer! — reclamou Alven, olhando feio para o adolescente.

— Eu também não entendi. — Bryan respondeu, com uma das mãos no queixo.

Alguns segundos de silêncio se passaram. Todos pensavam em uma resposta que parecia simples.

— Ah, eu entendi o que você quis dizer. — Luna se pronunciou, fazendo um gesto de alívio com a cabeça. — Você quer saber como elas vão se locomover se vamos estar em cima delas, certo?

— Isso! Nós não vamos chegar lá em Dewford completamente molhados, vamos?

— Talvez... — sugeriu Nathan, recebendo olhares duvidosos.

— Não, não vão. — Bryan riu e fez um cafuné ligeiro na estrela que estava ao seu lado. — Starmies são seres mágicos. Podem se impulsionar pelo mar sem mergulhar nele. Vocês vão ficar naquela posição e tomarem cuidado para vocês ou seus pertences não caírem no mar. Eles fazem o resto.

— Quero experimentar. — Nathan sugeriu. Atraiu novamente olhares duvidosos para si. — O que foi?

Nathan foi até a pedra onde havia deitado vários minutos atrás e pegou as mochilas, checando se não tinha esquecido nada.

— Ah, um aviso. Como vocês vão se molhar um pouco, então por que não colocam objetos como câmera e seus tênis na mochila? Não haverá necessidade de calçados no meio da água. — disse Bryan, com certo ar cômico.

— Não tem problema. E quando chegarmos lá, o que os Starmies farão? Já que não vai conosco, devemos tomar esse tipo de precaução. — perguntou Luna.

— Eles só voltarão para o mar e nadarão para o local onde vivem. — Bryan olhou para os Pokémon brincando a alguns metros de onde eles estavam. — Ah, recomendo colocar todos os Pokémon nas respectivas pokébolas. Mesmo que tenham costume em carregá-los fora, acidentes acontecem.

— Tudo bem, então. — Alven olhou para Nathan, que já vinha do local onde fora buscar suas coisas. O garoto mexeu a cabeça na direção dos Starmies se aproximou de uma das estrelas, que apenas se virou para o garoto e depois voltou a olhar para Bryan.

Luna chamou a atenção do irmão para Nathan, que logo foi para o mar. Já precavido, havia tirado os sapatos e os colocado em sua mochila. Bryan percebeu que o garoto estava pronto e se animou para colocar todos em suas posições.

— Bem, agora podemos começar, certo? — perguntou Nathan. Luna e Alven ainda tiravam os sapatos e as meias.

Assim que todos terminaram, os adolescentes foram buscar seus Pokémon. Luna encontrou Safira e Flame se pendurando no chifre de Cross, que fazia esforço para se manter em equilíbrio. A garota riu e avisou que iriam passar pelo mar para chegar á próxima cidade, recebendo olhares nervosos.

— Vocês podem ir dentro das pokébolas, que ficarão dentro da mochila. — disse ela.

Os três concordaram e foram para dentro de suas esferas. Alven colocava Dew dentro de um pequeno bolso em sua mochila para que ela pudesse acompanhar claramente a viagem e endireitou o grande objeto para que ficasse voltado para a frente, deixando suas costas livres — podendo assim ver como Dew estava. Kend preferiu ficar dentro da pokébola.

Nathan colocou Mudie, Loty e Winer dentro de suas pokébolas depois de um sincero “Preciso que entrem agora. Mais tarde vocês vão sair novamente.” Depois se dirigiram a Bryan novamente.

— A Budew vai ficar do lado de fora mesmo? — pergutou o rapaz.

— Vai. — respondeu Alven, decidido.

— Tem certeza? — teimou.

— Sim, acho que não tem problema levá-la assim se eu for cuidadoso.

Bryan colocou a mão no queixo e observou os Starmies e o mar.

— O problema é justamente esse. — provocou Nathan, fazendo com que Luna desse uma pequena risada.

— Não se preocupe! Tudo vai dar certo. — afirmou a garota para seu irmão, que resistente concordou com a ideia de levar o botão de flor pelo par.

— É esse tipo de frase que me assusta... — respondeu Bryan.

Sem mais conversa, todos foram para o mar. Os três adolescentes montaram nas estrelas roxas seguindo as observações e instruções de Bryan. Entre elas, estavam: não tentar fazer alguma manobra ou ir para algum lugar desconhecido. Em caso de tempestade, tentar desviar o máximo possível das ondas e chegar logo a Dewford, além de devolver Dew para sua pokébola.

— Estão todos prontos? — perguntou Bryan pacientemente.

— Sim. — responderam os três em coro. Luna parecia a mais animada, enquanto Nathan tentava se equilibrar. Alven olhava para baixo no intuito de checar o conforto e segurança de sua Budew, além de confirmar se alguma coisa poderia escapar da mochila. Todas as pokébolas estavam com os outros monstrinhos dentro das mochilas.

— A posição em que vocês estão pode ser desconfortável, mas não vão durar muito tempo assim. Starmies são rápidos e se nenhum imprevisto acontecer, logo chegarão em Dewford. E com segurança.

— Tá bom, mano! Vamos, Star! — Luna deu uma cutucada na estrela roxa que a carregava.

— Mais uma coisa: Para chegar a Dewford, vocês devem seguir reto e virar a esquerda assim que chegarem a um grande paredão de pedras.

— Pode deixar. Esquerda. — confirmou a garota.

Nathan e Alven se despediram do rapaz enquanto Luna se virou segundos depois para fazer o mesmo.

— Starmies, vão! — exclamou Bryan.

Nathan, Alven e Luna se agarraram ás estrelas segundos antes de os Pokémon se impulsionarem para frente e seguirem seu curso. Da praia, Bryan acenava e gritava para terem cuidado. Sua silhueta diminuía cada vez mais enquanto os três treinadores avançavam na direção do horizonte.

Notas finais
Prometo que vou tentar fazer mais ação nos próximos capítulos ♥ Finalmente a turma saiu dessa parte inicial de Hoenn que pode ser bem chatinha, inclusive nos jogos ¬3¬ E... SIM! Alven está se familiarizando com a telepatia de Kend, e Nathan pouco a pouco com seus Pokémon. Mas não vou adiantar nada, não sou Luna pra ter toda essa pressa :v Espero que tenham gostado deste capítulo em todos os sentidos. Me digam o que acharam e o que pensam que pode melhorar e até o capítulo 8 ♥