Pokémon: Oak Gaiden
1 Capítulo 1: O que realmente importa.
Samuel Oak estava preocupado. Seu Gyarados já estava exausto da luta anterior, e sua inimiga Arbok seguia com investidas cada vez mais fulgazes. Oak não poderia se deixar ao luxo de permitir um Ice Fang inimigo, mas a postura defensiva pouco ajudava a situação. Com o terço do tamanho do dragão marinho, a cobra ia se infiltrando na defesa e flanqueando o oponente com uma velocidade espantosa. A Arbok era diferente e Samuel sabia disso. Era possível enxergar a mesma paixão nos olhos de Agatha e de seu Pokémon, totalmente sincronizados, intimidadores. Oak ordena que Gyarados execute Earthquake para pelo menos recuperar espaço e, quem sabe, usar Waterfall para reverter o jogo. Agatha se contorce de alegria.
- Perdeu Sammy! – grita Agatha.
A Arbok também usa Earthquake e anula o tremor. Antes que Samuel consiga esboçar alguma reação, a serpente finca suas presas geladas no pescoço do pokémon. Apesar da precisão do golpe, Gyarados ainda estava firme, em um estado de histeria que Oak poucas vezes presenciou de seu pokémon que sempre se comportava, por incrível que pareça, como o mais equilibrado emocionalmente do time. O dragão se contorcia e se arrastava ao chão com o objetivo de ferir a Arbok que ainda estava firme em sua posição. Se conseguisse retirá-la de seu pescoço Samuel poderia retorná-lo à sua pokebola, mas esse não era seu objetivo. Queria destruir aquele pokémon, de preferência em uma rajada só, como guiava agora seu instinto animalesco. Estava sendo pressionado sem dó pelo oponente, sim sem dúvida, mas a importância da batalha e sua fatiga (e agora também sua ferida) resumiram seus pensamentos a “destruir tudo o que há pela frente”.
Agatha, no outro lado do campo de batalha, observava o nervosismo de Oak com prazer. Não poderia admitir que um desleixado como ele a vencesse em um combate importante como aquele. Toda a arquibancada do ginásio da Liga Pokémon estava eufórica, era uma das finais mais emocionantes da história recente do esporte, e ela estava preparada. Treinou duro, muito mais que “Sammy, aquele preguiçoso sortudo” e seus pokémons eram reflexo disso; sempre afiados, lapidados com uma rigidez militar e impiedosa, mas ao mesmo tempo cativante e respeitosa. Agatha nasceu para ser treinadora, seu futuro é a prova disso, e essa batalha é o momento divisor de águas de sua carreira, assim como a de Oak. Na realidade, ainda mais para Oak, que após o evento pendura a chuteira e passa a dedicar sua vida para a pesquisa.
- A situação de Oak não é muito boa. – relata obviamente o comentarista ao locutor – O Ice Fang entrou certeiro no Gyarados, que é pokémon voador. Se o Oak for esperto é bom tirá-lo de combate, e rezar para que ele não fique envenenado em um possível próximo golpe.
- Ele não pode retorná-lo a pokebola com o oponente em contato físico, a regra é clara. – responde o locutor.
Nesse momento, Gyarados levanta vôo, ganha altitude, e mergulha com velocidade em direção ao chão, com o objetivo de acertar a Arbok no impacto. No último instante a serpente desiste e larga o pescoço do Gyarados, que acerta o chão com um estrondo, levantando uma nuvem de destroços, tamanha a força da colisão. Gyarados agora está de frente para Arbok, encarando-a fulminantemente, e também de frente para seu treinador, que aponta uma pokebola em sua direção. Gyarados olha para Oak como que dizendo “Eu consigo fazer isso, deixe-me lutar” e Samuel entendeu. Esse era um pokemon que tinha muita garra, e ele se considerava sortudo por poder treiná-lo. Apesar da confiança que Oak depositava em seu pokemon, ele recua Gyarados em sua pokebola, logo antes que Arbok tivesse chance investir outra rodada de golpes.
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