Pokémon: Oak Gaiden
2 Capítulo 2: A Máquina
Notas iniciais
Estavam em um boteco, quando trouxeram a notícia:
– Suicidaram ele – diz Hector.
Contou por telefone. Foi avisado de Saffron.
Keiko levanta, pálido, boquiaberto. Seus amigos o seguram pelo braço; torna a sentar. Ele havia combinado de se encontrar com Vincent Oak, mas não havia recebido retorno.
– Mas ele não estava em nada – diz.
– Mataram ele porque não sabia – diz o outro.
– O mundo está louco – Hector pensa, ou diz em voz alta. – Devem ter atribuído a ele até a Revolução de Goldenrod.
Keiko diz:
– Eu achava que isso tinha acabado.
Sua cabeça cai entre as mãos.
– Eu... – Se queixa.
–Não, Keiko – Hector diz.
– Você não entende. – diz – Não entende nada. Não entende merda nenhuma!
Os copos estão vazios. Hector pede mais cerveja e pede para que encham novamente os pratos. Keiko crava em Hector um olhar furioso e parte para o banheiro. Hector abre a porta e o encontra de costas para a parede. Tem os olhos úmidos e os punhos fechados.
– Eu achava que tudo isso tinha acabado. Achava que essa guerra havia acabado.
Keiko era amigo de Vincent Oak e sabia de tudo o que o amigo tinha feito, e tudo o que ainda sonhava em fazer e não pôde.
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Não fazia muito tempo que o filho de Vincent havia nascido. Sua mãe o batizou de Samuel, como seu avô.
– Dentro de vinte anos – disse Keiko para Veronica Oak – vou contar para ele as histórias de agora. Vou falar para ele dos amigos mortos e presos, e de como a vida era dura em Kanto. Quero que me olhe nos olhos e não acredite em uma palavra do que direi e afirme que estou mentindo. Quero que ele me diga que esse tempo não existiu nunca.
Samuel Oak nasceu às quatro e quarenta da manhã em um dia chuvoso. Vincent decide ligar para o seu melhor amigo:
– Veronica está tendo um filho. Meu filho. Me sinto sozinho.
Keiko disse que viria em meia hora, mas acabou dormindo e perdeu o horário. Vincent está nervoso demais para voltar para casa, onde a parteira faz seu trabalho, e passa em uma banca para comprar jornal. Finge que lê e, contrariado, logo volta para casa. Em seguida se retira novamente. Em um lapso de tempo está agora sentado ao lado do berço de seu filho e começa a contar várias coisas ao bebê.
– Sabe, preferia essa casa quando tinha a fachada verde. Essa cor vermelha não pegou muito bem, sei lá. Não combina muito com as cores de Pallet. Você deveria me ajudar a convencer a sua mãe.
Diz:
– Os pokemons não são de todo o mal, o problema são as pessoas. Os verdadeiros monstros somos nós.
Diz:
– Você nasceu com tudo decidido, seu pai é um ferrado. Os amigos do seu pai são mais ferrados ainda. Precisamos ir para algum lugar em Jotho e você vem junto, desculpe ter de levá-lo assim à força.
Dias depois, acontece o evento. O noticiário mostra e acompanha o caso de suicídio de Vincent Oak, ex-jornalista do jornal Farfetch’Diário, de Saffron. O corpo foi encontrado em um hotel barato em Saffron, sem direito a autópsia. No comunicado oficial, o chefe de segurança pública de Kanto anuncia: “Essa é uma guerra crua, uma guerra nua, e é uma guerra na qual temos de utilizar as mesmas armas do oponente, se não quisermos ser derrotados. Vamos almoçá-los, antes que eles nos jantem.”
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