Notas iniciais
DUDUDUDUDINDIN, ADIVINHA QUEM VOLTOU? SIMSIM, EU porfavornãojoguempedrasnaautorapelademoraelanãofeznadaok TIRANDO A SAU DO PEQUENO, AHN, HIATUS QUE TEVE, YAY Ok, sério gente, desculpa. A previsão era voltar do NaNoWriMo em dezembro mesmo, mas cara, cês não sabem como deu ressaca de NaNoWriMo. Acabei ficando váários dias sem conseguir escrever algo decentemente, com um enorme block e ainda sem ter conseguido tanto quanto eu queria. E ainda quando chegou o começo do ano, surgiram umas complicações aí pra ajudar na minha vida e.e' PORÉM Eu consegui bastante coisa! Estou até com o capítulo 12 feito, prestes a me aventurar pro 13 (o que vai ser difícil), e ainda teremos um extra quando chegarmos ao 10 (um 10.5, não contem a Lawliette, mas isso foi casualmente roubado dela -rç). Aliás, esse aqui tem bastante coisa, não sei como também, mas consegui reduzir o tamanho dele. Oh, well. Deixarei vocês lerem sem tagarelice aqui dessa vez. Boa leitura~

Estava impossível para Alex tirar seu sorriso do rosto.

Mesmo depois de o juiz ter anunciado sua tão esperada vitória, pareceu-lhe bastante impossível de fazê-lo. A única coisa que conseguia de fato fazer era sentir o coração acelerado, as pernas bambas, como se já não dispusessem mais de força para mantê-lo de pé. As coisas ao seu redor também pareceram ter ficado um pouco surreais demais.

Uma vitória. Uma primeira vitória oficial e completa, de ambos os Pokémon e ainda no ginásio. Diante de um fato como esse, como poderia se manter de pé?

No fim, rendeu-se aos sentimentos ao invés de cair de joelhos no chão. Correu na direção de Linus, surpreendendo o cachorro cinza. Sem fazer as usuais cerimônias que costumava, dado ao fato de não ter tanta intimidade assim com Linus, pegou-o no colo e o puxou para seus braços, num abraço apertado. A primeira reação do cão foi ganir, provavelmente de dor de algum ferimento ou simplesmente de desconforto. Não lhe importava. Estava feliz por ter vencido. Isso sim parecia relevante o suficiente.

— Ei, ei, Alex, me solta, caramba — pediu o lobo. Tentava se soltar dele com as patas, empurrando o próprio corpo para trás, sem sucesso. — Me solta, você está me machucando.

— Ah, desculpa — riu-se o menino, afrouxando o abraço. Deu-lhe um sorriso contente, como pedido de desculpas. — É que eu tô muito, muito feliz.

— Percebe-se.

Antes que ele pudesse saltar de seus braços, sua atenção foi capturada novamente, assim como a do treinador. O juiz se aproximou de ambos, parecendo igualmente contente. Tinha um sorriso no rosto, assim como o outro garoto com que batalhara, trazendo o Minccino ferido em seus braços.

— Vocês dois lutaram bem — disse Seiji. Estendeu sua mão para ele em seguida, num cumprimento que Alex demorou a entender.

O menino sorriu em resposta, segurando Linus com apenas uma das mãos para retribuir ao cumprimento.

— Ah, você também!

— Bem, bem, os dois foram. — O juiz finalmente se pronunciou. — Parece que você vai poder enfrentar o líder depois, hein?

— Sim, sim. Estou ansioso pra lutarmos. — Assentiu, confiante. Tinha certeza que, mesmo contra o líder, se sairia bem na luta.

Porque, oh sim, a confiança que adquirira com a última batalha era quase tão grande quanto a sua felicidade. Junto com ela, o menino não podia deixar de dizer que realmente gostara de ter batalhado de verdade dessa vez, sentindo um gosto ainda maior do que era ser um treinador, e era aí que sua confiança entrava. Sentia que havia tomado a decisão certa ao tentar batalhar hoje, e se sentia feliz em ver que aquilo não era lá tão difícil assim. Muito pelo contrário.

— Bom, vocês dois, é melhor irmos lá pra sala de enfermagem. — A voz do juiz cortou-lhe os pensamentos, um tapinha no ombro de cada um, servindo de complemento às suas palavras. — Lá eu conto os detalhes da luta contra o líder pro nosso desafiante.

E com isso, o homem os guiou para fora da arena, cada treinador com seu respectivo Pokémon nos braços. Agora que estavam fora dela, o juiz lhes guiou para o corredor novamente, e não precisaram andar tanto assim para encontrar a sala mencionada. Pelo contrário; ela ficava duas portas após o corredor da arena, bastante exposta para quem passasse por ali. Uma porta branca em meio as outras feitas de madeira, aquela era provavelmente a única automática, abrindo com a aproximação dos três.

A sala a qual a porta escondia era quase tão grande quanto a arena de antes, algo que certamente fez com que Alex erguesse as sobrancelhas. A maior sala de hospital que havia visto, certamente. Possuía diversas máquinas macas, Pokémon e pessoas dispostas pelo local, cada pessoa tratando de algum com habilidade. A maioria dos Pokémon ali presentes eram iniciantes, ou dos comuns que Alex via perambulando pelas florestas com seus treinadores.

Diante disso, foi fácil identificar a pequena bola de pelos azul e preto. Quase que de imediato, Alex correu para encontrá-la, novamente surpreendendo Linus, que emitiu um resmungo e suplicou para que andasse mais devagar. Ignorou-o, apenas parando quando estava ao lado da maca de sua Pokémon.

— Maggs! — chamou, ignorando praticamente tudo ao redor, incluindo a pessoa que se preocupava em cuidar dela. — A gente ganhou, Maggs!

— Ohh, sério? — Também ignorando a pessoa que a tratava, a Pokémon se pôs de pé, os olhos reluzindo de animação. — Quer dizer que vamos enfrentar o líder depois?

— Sim, quer. — Assentiu.

— Isso é ótimo! Parabéns aos dois.

E com isso, o menino deixou um carinho no topo de sua cabeça, ainda sem deixar o sorriso de seu rosto. Parecia feliz em vê-la novamente, agora muito melhor que antes. Os pelos azuis estavam bagunçados, e parecia ter alguns ferimentos superficiais em seu corpo, nada realmente sério. Os outros, porém, estavam escondidos por bandagens ou pequenos band-aids, os quais também não eram grandes em quantidade.

— Ahh, vocês dois tão animados assim quase me faz lembrar do meu tempo de treinador. — Mais uma vez, a voz do juiz cortou-lhes os pensamentos.

Fez um cumprimento breve com a cabeça para quem cuidava de Margareth, um garoto não muito mais velho que ele, e depois apontou para Linus nos braços de Alex. Entendendo a mensagem silenciosa, deixou que o Pokémon fosse posto na maca, a fim de receber os mesmos cuidados que a companheira. Depois, Seiji os alcançou, também deixando seu Pokémon com o médico, ao lado dos de Alex.

Foi só depois disso que se voltou para Alex novamente, a fim de continuar a falar.

— O tratamento dos seus Pokémon não vai demorar muito, eu acho. Mas você não se importa de conversar aqui, né?

— Não, está tudo bem. — Alex balançou a cabeça. Nesse ponto, praticamente nada o aborreceria, então realmente não se importava.

— Muito bem, então — começou, parecendo tão alegre quanto Alex. — Como você venceu, vai poder batalhar com o líder. Como eu expliquei antes, vai poder escolher o dia em que quer batalhar, então é só vir aqui e falar com quem estiver na recepção sobre o assunto.

— Certo. — Assentiu novamente. — Mais alguma coisa que preciso saber?

— Só que você não precisa se preocupar quanto a perder a batalha. Se provar que é bom o suficiente, vai receber a insígnia do mesmo jeito — concluiu, e como não houve nenhum protesto de Alex, terminou: — Estarei te esperando na arena quando decidir vir então, garoto.

Por um momento, Alex considerou erguer a sobrancelha para o fato, mas no fim, ignorou aquele pequeno fato, e voltou-se para os próprios Pokémon. O juiz assentiu apenas, e deixou o lugar, provavelmente para voltar a cuidar da recepção do ginásio. Desse modo, Alex ficou sozinho com o oponente, uma pessoa certamente amigável.

Assim como o homem dissera, Alex não teve de esperar muito tempo até que os Pokémon estivessem completamente curados. Recebeu apenas uma recomendação para deixá-los descansar por um tempo, e logo, Margareth estava andando animada ao seu lado, incomodando tanto ele quanto Linus. Parecia bastante curiosa quanto a saber como fora a batalha do amigo. O cão apenas bufava, incomodado, então a tarefa de contar o que acontecera logo foi passada a Alex.

Claro que aquilo não lhe foi incômodo algum. Pelo contrário, parecia animado em dizer, repetindo os movimentos e dizendo como se sentira quanto à luta em si. Saíram do ginásio assim, rindo com os eventos recentes.

Alex pareceu bastante surpreso ao sair do ginásio. O sol já estava alto no céu, passando a fazer seu caminho para esconder-se atrás das montanhas, próximo a anunciar os sinais do fim de tarde. A batalha levou mais tempo do que esperava.

Usaram o restante do tempo para passear um pouco pela cidade, Margareth no ombro do treinador. Em nenhum momento o sorriso pareceu querer sair do rosto de Alex. Continuava ali, tanto quanto a sensação de antes, revivendo a fraqueza dos joelhos e os sinais de que o coração tomaria um ritmo acelerado. Não se lembrava de outro momento de sua vida que se sentia assim, tão orgulhoso de si mesmo e de seus Pokémon.

A outra coisa que pareceu não se cansar de fazer foi de contar os eventos do dia para Chiyo. Assim que voltaram ao Centro e a encontraram no saguão, esperando pelo seu regresso, o menino pôs-se a narrar sua batalha para a garota e sua irmã. Ambas pareciam surpresas quanto a Alex ter tentado desafiar o líder com tão pouco tempo de treino, mas não reclamou.

A felicidade de todos pareceu mais que notável a menina, isso ela podia dizer com certeza. Não só Alex, como até seus Pokémon pareciam felizes com sua primeira batalha oficial. Margareth, incrivelmente feliz por ter conseguido vencer e mostrar-se útil ao novo treinador. Certamente que, agora, todos os resquícios de timidez que tivera para com Alex haviam sumido. Depois da batalha, sentia-se segura o suficiente para mostrar toda a animação e a personalidade que de fato possuía, ou mesmo de dizer que, depois daquilo, o cansaço da batalha não parecia importar.

E apesar do silêncio já característico de Linus, ele podia dizer que estava num estado semelhante ao da Shinx. Confessava que ficara com um pé atrás quanto a lutar tão cedo assim com Alex, quando nem ao menos havia se acostumado aos seus treinamentos ou seu meio de batalhar. Parecia, ao invés disso, satisfeito com como a batalha havia se desenrolado. Alex não era um treinador tão ruim assim, e talvez a vida ao lado de um também não fosse.

Ao fim do dia, logo após o jantar, Alex finalmente concedeu aos seus Pokémon seu tão merecido descanso. Foram pra cama um pouco cedo, todos ainda sentindo um tanto de animação quanto a luta recente.

Os próximos dias que se seguiram não foram muito diferentes. Alex anunciou aos Pokémon que treinaria um pouco mais ao lado de Chiyo, uma pequena preparação para enfrentar o líder de fato. Nos treinos que se seguiram, Margareth e Alex em especial, pareciam ainda mais determinados em continuar a lutar, numa preparação bastante puxada para a luta que se seguiria. Algumas vezes, até voltavam à rota anterior procurando treinar num espaço mais aberto e livre dos sons irritantes dos outros treinadores.

No todo, mais uma semana de treino veio e passou. As coisas também pareciam ter melhorado um pouco mais, e provavelmente essa foi uma das coisas que ajudaram Alex a reunir-se com os Pokémon no quarto, assim que a hora escolhida para o descanso chegara.

— Gente — chamou o garoto. — Acho que já estamos prontos pra lutar com o líder de Violet.

— Oh, estamos? — Margareth foi a primeira a responder, exibindo surpresa na voz. — Sério mesmo? Digo, essa última semana foi o suficiente?

— É claro que não foi. — Linus rolou os olhos, deixando um riso debochado escapar dos lábios. — É muito pouco tempo. O líder deve ser muito mais forte que isso.

— Não acho. — Alex o cortou rapidamente. — Na verdade, acho até que seria desperdício passarmos mais tempo treinando. Já estamos bem o suficiente.

Um momento se passou em que o cão, deitado no seu espaço da cama, olhou para Alex. O menino pareceu desconfortável com o encarar vermelho de seus olhos, mas manteve a expressão determinada de antes.

— Você tá falando sério que quer batalhar contra o líder logo? — perguntou, por fim.

— Claro. — Sorriu. — Podemos tirar o dia de amanhã de folga, e lutar no próximo.

Mais uma vez, houve uma pausa desconfortável, agora um pouco mais longa que a última.

— Você é idiota? — perguntou, surpreendendo tanto Alex quanto Margareth. — Não tem como estarmos preparados depois de duas semanas de treino.

— Como não? Vencemos o Seiji, não vencemos?

— Ter vencido aquele cara não significa nada.

— Hey, não vamos brigar por isso — pediu Margareth, tomando um tom cauteloso para os dois. Apesar disso, parecia bastante alerta quanto a Linus. — Se o Alex diz que estamos preparados, então estamos, certo?

Linus não ouviu o aviso. Ao invés disso, cortou-os de forma rápida, impedindo Alex de se pronunciar antes dele:

— Errado. Como eu disse, não tem como vencermos com tão pouco tempo de treino. A batalha contra o Seiji foi pura sorte.

— Tem sim — retrucou Alex, bufando. — Está duvidando de mim?

— Estou. Algum problema?

Agora, Alex não parecia nem um pouco disposto a ouvir o aviso de Margareth. Não conseguia acreditar e muito menos poderia aceitar que o próprio Pokémon estivesse falando assim com ele. Não podia, também, suportar a ideia de que alguém estava duvidando de suas habilidades, ainda mais quando estava claro que estava preparado.

— Nenhum, mas se você duvida tanto assim de mim, vou te mostrar que está errado — proclamou, por fim.

— Faz o que você quiser, então. — Deu de ombros, e foi isso que deu fim a discussão. O cão voltou a se deitar no seu canto, de costas para Alex.

Com um resmungo de aborrecimento, Alex decidiu que também iria se calar. Apesar disso, continuava indignado com as ações de Linus, completamente ultrajado quanto à falta de fé em suas habilidades. Havia treinado, havia ganhado do treinador que o testaria antes de enfrentar o líder de fato. Como Linus poderia dizer tais coisas sobre ele? Sim, tinha pouco tempo de treino, mas vencera, não vencera? Provara que era um bom treinador, não provara?

— Ahn... — A Shinx começou, se voltando para seu treinador. — Não se preocupa com isso, Alex. Tenho certeza que vamos levar a insígnia com a gente.

— Sim, vamos — murmurou, sorrindo para a Pokémon. Como agradecimento, voltou a acariciar-lhe os pelos, parecendo mais do que feliz em fazer a pequena ronronar.

Alex acabou precisando de um banho para se acalmar de fato, dando-se ao luxo de demorar alguns momentos a mais embaixo do chuveiro. Já havia tido um pela manhã, como de costume, mas não achou que seria ruim ter outro, já que, uma vez sozinho, podia organizar melhor seus pensamentos. Nos vinte minutos que passou no banho, deixou que a raiva e indignação se dissipassem por si só, e não reclamou quando estas foram substituídas por sentimentos bem diferentes.

Em sua maior parte, a indignação e revolta continuavam ali, agora misturada a diversos outros sentimentos negros. Determinação se distorcia e se transformava em raiva, humilhação, e acima de todos esses, uma vontade intensa de se provar. Agora com aquilo tudo dentro de si, Alex não podia simplesmente deixar aquilo de lado.

Iria provar a todos que duvidavam dele que estavam errados, e que Alex não era como aquelas pessoas que ouvira falar, as que treinavam pouquíssimo tempo e depois resolviam que desafiar o líder do ginásio como se soubessem de tudo que precisavam quando, na verdade, não sabiam. Porque ele havia treinado, havia vencido uma batalha importante, comandara os Pokémon com — ele ousava dizer — habilidade digna de um treinador. Tinha certeza de que venceria. E de que estava pronto também. Afinal, era ele o líder daquele time, não era?

Sorriu por um momento. Há quanto tempo não sentia aquilo? Sempre que alguém tentava duvidar de Alex, as coisas acabavam chegando àquele ponto, em que os sentimentos se misturavam e criavam uma espécie de impulsividade e o levava a se provar o quanto antes. Foi assim que se vira determinado a arranjar empregos para financiar sua jornada, não?

Não pensou muito naquilo, no entanto. Ao invés disso, saiu logo do banho, e se deitou de costas para os Pokémon, algo um pouquinho incomum para o garoto. Foi provavelmente por conta dos pensamentos de pouco tempo que o levara a fazê-lo. E também o único que o levou a se forçar a adormecer e a acordar cedo na manhã seguinte.

Anunciou que fariam um passeio a mais na cidade, apenas uma desculpa para esconder o fato de que queria visitar o ginásio mais uma vez. Felizmente, ninguém notou suas intenções, então após tomarem o café ao lado de Chiyo, saiu, enquanto a garota escolhia ficar ali um pouco mais.

Bastou passar próximo ao ginásio uma única vez para que os impulsos tomassem conta de Alex. Girou corpo na direção dele, e caminhou sem quaisquer intenções de ir em outro lugar, o que, logo, chamou a atenção de seus Pokémon. Não lhe importou os chamados ou o fato de ainda estar um pouco cedo para visitar o local. Só importava as vontades próprias, a de que queria derrotar o líder e ter sua primeira insígnia em suas mãos.

Felizmente, o lugar ainda estava aberto, então pode adentrar o saguão sem qualquer problema. Assim que o fez, sua mente fez questão de lhe dizer que a partir daquele momento, não haveria mais volta.

Hoje, muito provavelmente pelo horário, o mesmo recepcionista que encontrara na semana anterior estava ali, parecendo bastante entediado, por sinal. Toda a sala estava vazia e silenciosa, sem nenhum atrativo que pudesse espantar o tédio do homem. Por isso, pareceu bastante feliz quando Alex entrou na sala.

— Voltando tão cedo, garoto? — perguntou ele, num tom surpreso quanto sua expressão. — Ou veio aqui pra alguma outra coisa?

— Eu disse pra ele não voltar — Linus resmungou, pouco se importando quanto ao fato de o homem ser incapaz de entendê-lo. — Mas ele não me ouve.

— Vim aqui pra desafiar o líder mesmo — respondeu Alex. Preferia aquilo que a retrucar Linus num momento como aquele.

— Eh, tão já assim? — perguntou, erguendo uma sobrancelha de surpresa. Em seguida, tomou uma expressão animada no rosto. — Bom, se é assim, espera aqui que eu vou fazer os preparativos pra você.

Com isso, o homem saiu, praticamente cantarolando porque agora tinha alguma coisa pra fazer, e se a suspeita de Alex estava certa, porque veria sua batalha também. Agora sozinho com seus Pokémon, Alex pôde respirar fundo, e finalmente organizar melhor os próprios pensamentos.

Ele não podia dizer que estava totalmente calmo com suas ações. Estava estranhamente nervoso, procurando algo para fazer com as mãos ou os pés, para ver se talvez assim pudesse afastar o nervosismo que resolvera assolá-lo.

Será que realmente faria uma boa batalha? Será que o líder não iria ser um pouco mais difícil do que imaginava? Será que não seria melhor voltar e ouvir Linus, ficando para treinar um pouco mais? Talvez pudesse sair sorrateiramente dali, quem sabe?

Não, não, o fazer serviria apenas para trazer vergonha a ele como treinador. Por isso, todas as vezes em que o pensamento e a vontade resolvia tentar se apoderar de seu corpo, o menino a afastava relembrando os pensamentos que o levaram a estar ali. A confiança, a raiva, não importava se eles eram um pouco ruins ou não. Desde que o mantivessem ali, estaria tudo bem.

Segundos após o homem loiro ter sumido e o nervosismo de Alex ter seu início, Alex descobriu que ele não precisava se esforçar tanto assim em pensar naquelas coisas.

— Tu realmente vai fazer isso, Alex? — Veio a voz de Linus, os olhos repletos de desconfiança e algo que o treinador identificou como uma expectativa de que tudo ali fosse brincadeira. — Sabe, ainda dá tempo de irmos embora e desistir disso tudo...

— Não podemos ir agora que o moço já foi pra lá, Linus — Margareth respondeu por ele, dando voz aos seus pensamentos.

Linus encarou os dois por um momento, uma das sobrancelhas insistindo em se erguer.

— Só pode ser brincadeira...

— Não é. — Bufou Alex. — Eu disse que ia provar pra você que está errado.

— Então faz o que você quiser. — O lobo disse, num tom que certamente desconcentrou o menino. — Só não espere que eu vá participar dessa sua burrada.

Alex franziu o cenho.

— O que quer dizer...?

— Exatamente o que ouviu. Não vou batalhar com você dessa vez.

Seus se arregalaram, e vários segundos se passaram em que Alex nada disse. Como se ele ao menos fosse capaz de fazê-lo, para começar.

Como pareceu que sua resposta não viria tão cedo, Margareth foi a primeira a perguntar:

— Mas... Mas por que não?

— Já disse, eu não quero participar dessa burrada de vocês dois. E nem você deveria.

— Mas...

— Ótimo então. — Alex cortou Margareth, parecendo ter se recuperado do choque inicial mais rápido que o previsto. — Então você quer fazer o que, me ver ganhar, ou ficar na Pokéball? Porque perambulando por aí eu não te deixar.

— Pode ser na Pokéball mesmo — disse, dando de ombros, ou pelo menos, o mais perto que um lobo poderia chegar. — Não estou a fim de te ver perder mesmo.

Abriu a boca para falar parecendo se exaltar por um momento. Fechou-a em seguida, descartando completamente a possibilidade de iniciar outra discussão com seu Poochyena. Já bastava de discussões, ainda mais uma que fosse trazer suspeita caso alguém resolvesse chegar mais cedo.

Pôs a mão no bolso com violência, vasculhando-o em busca da Pokéball de Linus. Quase sempre trazia a dele e a de Margareth consigo, para o caso de o momento pedir para deixar os dois nas esferas. Encontrou-as logo abaixo de sua carteira de couro — que por sinal já estava ficando velha —, e a tirou do bolso. Apertou então o botão central da esfera, enfim retornando-o.

Apertou a Pokéball entre seus dedos, tentando inutilmente controlar a força usada. Suspeitou que talvez pudesse acabar quebrando-a se aquilo continuasse, então Alex deixou que ela caísse de volta no bolso mais uma vez.

Realmente, todo e qualquer resquício de nervosismo que o garoto pudesse ter tido em algum momento fora deixado de lado, substituídos por uma constate indignação. Talvez até um impulso de seguir pelo mesmo corredor que o recepcionista, a fim de ter alguma coisa pra fazer, ele já não tinha tanta certeza assim. Só podia dizer que a pequena discussão que tivera com seu Pokémon o havia irritado. E muito.

Continuou puxando o ar para si, soltando-o logo em seguida, coisa que tentava fazer apenas para acalmar o batimento cardíaco, praticamente saltando do peito de tão rápido. Durante esses momentos, pôde sentir alguns poucos toques de Margareth em sua perna.

O menino sorriu para a Shinx, uma expressão triste em seu rosto:

— Parece que estamos sozinhos, não é, Maggs?

— É...

Um momento de silêncio se passou. Para Margareth porque ela esforçava-se para encontrar palavras de conforto para seu treinador.

— Acha que vamos conseguir só nos dois? — Ele foi o primeiro a quebrá-lo, agora evitando olhar para a Pokémon.

Margareth abriu a boca para lhe dizer que iriam sim, que eram fortes e iriam derrotar o líder do ginásio sem quaisquer problemas, mas a fechou segundos antes de emitir uma palavra sequer.

Agora, o som de passos chamava-lhes a atenção, os quais certamente indicavam a aproximação do recepcionista.

Logo as coisas se mostraram não ser apenas imaginação dos dois, e uma figura surgiu pelo corredor, sorridente. Estranhamente, não era o juiz de antes, e sim uma nova pessoa. Uma jovem mulher ruiva os observou, segurando uma prancheta nas mãos. Vestia um belo vestido, acentuando-lhe as curvas e dando-lhe um ar mais adulto. Usava também sapatos de salto alto, fonte do som de antes.

— Hm, senhor Nielchard, certo? — perguntou ela, passando os olhos pela prancheta.

— Isso — confirmou, acenando com a cabeça.

— O líder Aizawa Toshiharu está te esperando na arena. Por favor, siga até a arena na última porta do corredor a sua esquerda.

Com um aceno de cabeça, o garoto seguiu onde lhe foi direcionado, praticamente a mesma arena da semana anterior. A mulher de antes, por sua vez, tomou o lugar do homem. Só sobrou a Alex e Margareth a seguir então, parando por um momento próximo a porta indicada. Respirou fundo, e observou a maçaneta. Estava polida, quase a ponto de trazer um reflexo distorcido do rosto do garoto. Ele não parecia nem um pouco confiante.

Forçou-se a tomar uma expressão determinada, e adentrou a arena.

Uma das primeiras coisas que viu foram as duas pessoas ali, uma no canto da arena, posicionando-se no centro. Um juiz, muito provavelmente, a julgar pelas bandeiras vermelha e verde que segurava entre seus dedos. O outro, muito provavelmente, seria o líder, o qual, da distância em que Alex estava, estava impossível de identificar.

Felizmente, o líder notou logo sua presença, e não demorou a ir ao seu encontro.

— Hey, moleque do Shinx — cumprimentou o homem, exibindo um sorriso amigável como resposta. — Pronto pra batalha de ginásio?

— Uhh sim — respondeu, mais por ter o que dizer do que por ter certeza realmente daquilo. — Mas... Onde está o líder?

— Ora, eu estou bem aqui, garoto. — Riu dele, praticamente insinuando o costume com aquela confusão.

Mas Alex não pôde deixar de arregalar os olhos. O líder não era nem um pouco parecido com o que ele havia imaginado, se alguém fosse perguntar ao garoto sobre isso. Muito pelo contrário: era relativamente alto, os cabelos numa bagunça de fios loiros de tão rebeldes, mas ainda assim em contraste com a cor verde de seus olhos. Uma camisa branca um número maior e uma calça jeans meio rasgada compunham suas vestimentas, ajudando a dar-lhe a aparência jovem que possuía. Muito provavelmente na casa dos vinte e cinco, quem sabe?

Essas coisas todas pareciam não ter relevância naquele momento, pelo menos não a Alex. Aquela aparência era bastante familiar, e dizer que não conhecia aquele homem seria uma mentira bem grande.

Aizawa Toshiharu, o juiz e balconista da semana anterior, continuou a lhe encarar, sem tirar o sorriso travesso do rosto.

— Surpreso, é?

— Bastante — admitiu. — Não esperava que você fosse o líder, de todas as pessoas.

— Ninguém espera quando me acha lá na recepção. Essa é minha maior motivação pra ficar lá. — Fez uma pausa, meneando a cabeça. — Mas agilizando as coisas, que tal começarmos logo?

— Pode ser.

Assentiu novamente, satisfeito.

— Vamos ver do que você é capaz então.

Toshiharu fez um sinal para o juiz, anunciando o fim da conversa. Depois, ele se dirigiu para o seu lugar, e esperou que Alex fizesse o mesmo. Ambos os treinadores prontos, o juiz ergueu a voz, finalmente se fazendo presente:

— Durante a batalha, o desafiante terá de se mostrar digno de receber a insígnia, sendo julgado pelo líder após o combate, podendo ou não recebê-la mesmo que saia vitorioso. Está proibido o uso de quaisquer medicamentos durante a luta, e caso o deseje fazer, o ginásio oferecerá uma área especial para o tal. É permitido o uso de apenas dois Pokémon. A luta terá seu fim quando um dos lados estiver cansado demais para continuar. — Fez uma pausa, repetindo as falas quase que de forma automática. Observou ambos os lados, demorando-se mais no lado de Alex, e quando viu que nenhum deles parecia desejar protestar, continuou: — Comecem!

O anúncio real veio logo depois: ergueu as bandeiras para cada um dos lados, Alex, vermelho, e Aizawa, verde. Agitou-as em seguida, e foi somente depois disso que o líder tomou sua primeira ação. Puxou uma Pokéball do cinto, escondido pela camisa larga, e a lançou ao ar:

— Vamos lá Mayoi, é hora de lutar!

A resposta de sua Pokémon veio quase que imediatamente. Em meio ao feixe de luz que a liberava, veio uma curiosa voz feminina, que fez Alex pensar ser um Pokémon pequeno e que pouco ofereceria de perigo a ele. No entanto, o que surgiu ali foi algo bastante diferente.

Semelhante a um furrão, a Pokémon que se mostrou possuía um longo corpo na cor creme, repleto de listras marrom escuro. Erguia-se nas quatro, porém curtas patas, quase escondidas pela quantidade de pelos que possuía. Possuía também uma longa cauda, igualmente peluda e que balançava para os lados, levantando a poeira ao redor. As orelhas eram longas e certamente atentas as coisas ao redor, e no momento se voltavam na direção de Margareth. Seus olhos, por fim, tinham o mesmo tom marrom-escuro das listras, parecendo brilhar de curiosidade e desafio quanto à batalha que teria a frente.

Aquele Pokémon Alex conhecia. Um Furret, a evolução de Sentret, era um Pokémon nativo de Johto. Bastante comum, Alex já perdera a conta de quantas vezes vira um desse ou sua pré evolução por aí, se aventurando nas florestas. Muitos treinadores começavam com um desses, mais pelo fato de que eram comuns e fáceis de treinar do que por qualquer outra coisa. De todo, Furrets não apresentavam uma ameaça muito grande em batalhas.

Por isso, Alex sorriu ao ver a pequena Mayoi aos pés de seu treinador. Talvez vencer com Margareth não fosse lá tão difícil assim.

— Vamos começar então, Maggs? — perguntou, dirigindo um sorriso de confiança a sua Pokémon.

— Tudo bem — murmurou ela em resposta. Finalmente, deixou de se esconder atrás das pernas do menino, e se colocou a sua frente, também aguardando por suas ordens.

— Pode fazer o primeiro movimento, garoto — disse o líder, sorridente. — Quero ver o que você sabe fazer.

Em resposta, Alex assentiu.

— Certo. Margareth, use o Spark!

— Mayoi, você sabe o que fazer.

Demorou alguns momentos para a Shinx entender, mas no fim, deixou que a eletricidade percorresse seu corpo. Em pouco tempo, faíscas eram liberadas, e em menos tempo ainda, Margareth se viu envolta em energia azul. Com essa agora em seu corpo, a Pokémon passou a correr na direção da Furret, as pernas lhe trazendo uma velocidade maior que de costume, de forma que a distância que a separava de Mayoi seria ultrapassada em pouquíssimo tempo.

Em resposta, Mayoi apenas permaneceu em seu lugar, e foi apenas quando a gata estava a poucos metros de alcançá-la que a Furret agiu. Seu corpo pareceu deslizar quando saltou para o lado, fugindo do ataque facilmente, deixando Margareth mais do que apenas aborrecida com sua falha.

A Furret não parou por ali. Assim que Margareth fizera a eletricidade esvair e tomava seu tempo para decidir o que fazer, Mayoi avançou contra ela. Seu corpo estava envolto por uma aura negra, e seria apenas uma questão de tempo para Margareth reagir e fugir do ataque.

Não teve outro jeito. A atenção de Margareth parecia estar muito mais longe, mesmo com o movimento que quase sempre servia para acordar-lhe os membros, ela se viu sem saída alguma quanto ao ataque de sua oponente. Foi atingida no lado esquerdo do corpo, descobrindo da pior forma que os pelos da Pokémon não seriam o bastante para amenizar sua dor. Gritou alta e longamente, um baque surdo acompanhando sua queda.

— Muito bem, Mayoi! — Aizawa parabenizou a Pokémon, sorrindo quando esta voltou à posição inicial.

Já Margareth, estava num estado um pouquinho diferente deles dois. Ergueu-se em pouco tempo, tendo de se balançar para retirar as sujeiras de seu corpo, e ficou ali mesmo, sem tentar qualquer coisa para sair.

— Maggs, vamos tentar de novo. Spark e Ice Fang!

— Desvie com Quick Attack e depois use o Scratch!

Mais uma vez, Margareth hesitou por um momento antes de obedecer ao seu treinador, e assim que o fez, a Furret esperou para que ela se aproximasse. Com o corpo envolto em eletricidade e a distância curta que agora dividiam, a felina julgou aquele movimento como sendo algo bastante arriscado, tanto para ela quanto para Mayoi. Mesmo assim, preferiu arriscar. Sabia que se não acabasse com aquela batalha logo, talvez não fosse ter forças para aguentar a segunda, e aí depois, o que ela faria?

Por isso, se apressou em avançar contra sua oponente, correndo o mais rápido que podia em sua direção, torcendo para que a pouca distância fosse ajudá-la a tomar vantagem. No entanto, se viu surpresa quando a Furret novamente desviou dela, agora muito mais facilmente e rápida que antes. Com o auxílio do Quick Attack seus movimentos não passaram de um borrão, em que durou apenas segundos para que Margareth notasse o que estava acontecendo. A mesma coisa de momentos atrás iria se repetir, e ela provavelmente não teria muito o que fazer sobre o assunto.

A não ser que...

Numa atitude mais de desespero do que por qualquer outra coisa, Margareth parou de correr e reagiu por puro impulso. Apenas fez com que a eletricidade em seu corpo tomasse maior intensidade, ao ponto em que todo o seu corpo e ainda mais um pouco estava envolto pela luz azul. Assim, quando a Furret jogou seu corpo contra o dela, Mayoi levou tanto dano quanto ela. Ouviu-se o grito de ambas, cada uma lançada para um lado oposto do campo. Margareth resmungando de aborrecimento por ter caído no mesmo truque, e Mayoi por sentir parte do dano do Spark contra seu corpo.

Agora sim, quando Margareth se levantou, lembrou-se das ordens ditas por Alex, e se ergueu com um rosnado, exibindo os dentes também azulados de energia.

Apesar do grito de aviso que Aizawa dera para sua Pokémon, aquilo não foi o suficiente para a Furret reagir. Como Margareth não fora lançada tão longe assim, a distância foi coberta com facilidade, deixando a mordida vir com ainda mais rapidez que o esperado. Mayoi gritou novamente, sentindo os dentes de Margareth afundarem com seu pescoço enquanto as patas a obrigavam a continuar no chão.

Margareth fez questão de descarregar toda a sua raiva naquele único ataque. Até o momento, não pudera deixar de admitir que também estava bastante nervosa com a situação. Ganhar duas batalhas para Alex não seria nada fácil, ainda mais quando não conhecia o nível do oponente e o que era capaz de fazer. Ter caído na mesma e básica armadilha também servira para lhe irritar profundamente, agora compreendendo como era aquele sentimento de indignação que Alex sentira para com Linus. Ninguém poderia duvidar dela assim. Ninguém poderia fazê-la de boba.

Saiu dali apenas quando se deu por satisfeita, finalmente se dando ao luxo de voltar a posição inicial. Alex observou Aizawa desfazer a expressão divertida de antes, substituindo-a por uma de preocupação.

— Isso Maggs, estamos indo bem. — O orgulho na voz de Alex foi notável. Aparentemente, o primeiro movimento que a pequena conseguira atingir servira não só para trazer coragem a pequena, como também para o treinador. — Se continuarmos assim, vamos conseguir vencer.

— Isso — concordou ela, direcionando-lhe um sorriso de animação.

De fato, era isso que Alex pensava agora. Talvez o fato de não ter Linus ao seu lado não fosse afetar muito a batalha caso continuassem assim. Só teriam que desviar de ataques e evitarem serem atingidos um pouco mais, e as coisas ficariam bem. A única coisa com que deveria se preocupar realmente era o fato de que Aizawa estava fazendo uso da velocidade de sua Pokémon por meio do Quick Attack. Suspeitava que talvez esse fosse ser seu maior desafio ali, visto que a própria tinha dificuldades quando exposta a um Pokémon muito veloz. Só conseguia se superar quando usava o Spark, e Mayoi, bem... Mayoi era um problema.

Vamos conseguir, pensava ele, repetindo a frase para si mesmo quase como um mantra. Sim, não havia com o que se preocupar agora que Margareth havia conseguido executar um movimento. Não havia razões para o nervosismo suprimir a confiança que agora sentia. Se o fizesse, então como poderia continuar?

— Inteligente da sua Shinx usar o Spark pra contra atacar. — Toshiharu logo se fez presente mais uma vez. — Mas só isso não é o bastante para nos superar. Mayoi, agora é a nossa vez de atacar. Siga com Quick Attack e Scratch novamente!

— Margareth, desvie e vá de encontro com o Tackle!

Pouco tempo foi preciso para que os Pokémon obedecessem suas ordens. Margareth, decidindo correr na direção de Mayoi, enquanto esta fazia o mesmo, aumentando a velocidade a cada passo que dava. Seu corpo marrom agora se tornava um borrão, sendo apenas denunciando pelo brilho esbranquiçado que uma de suas patas tomava, deixando um rastro de luz por onde passava. Uma velocidade muito além da de Margareth, a Shinx podia observar.

Talvez tivesse sido isso que fez com que ela duvidasse de seu plano de ir de encontro a Furret. Caso o fizesse, estava mais provável que levaria outro impacto contra o corpo já dolorido, e ela certamente não o desejava. Com aquela velocidade ainda? Margareth nem queria pensar no tamanho do impacto.

O corpo da felina de pelos azuis foi tomado por medo. O estômago embrulhou, e a cada segundo, a velocidade caía cada vez mais, como se o seu medo fosse capaz de usar o Thunder Wave para paralisá-la. Parou de súbito, e sua primeira reação quanto àquilo foi ignorar Alex e dar meia volta, surpreendendo todos os três com sua atitude.

Contudo, aquilo foi justamente o que a Furret precisou para acertar a pequena em cheio. Devido a sua velocidade, alcançou-a antes mesmo que a Pokémon pudesse saltar para o lado e desviar, tendo de fazer apenas um único desvio para acertá-la com um golpe certeiro. Pela terceira vez naquele dia, Margareth foi lançada para o lado, um urro de frustração e dor percorrendo o caminho que o corpo fizera. O impacto agora maior pareceu ter sido o suficiente para fazê-la cair e ali ficar, dessa vez para não se levantar mais.

Ainda assim, Alex se recusou a acreditar naquilo. Piscava diversas vezes, tentando assimilar qual fora o motivo de seu grito ter sido cortado ao meio. O golpe não poderia ter sido tão forte assim. Margareth ainda tinha que ter chance contra a Furret. Ela tinha de se levantar, tinha de lhe explicar porque não seguira suas ordens e tentara fugir ao invés, tinha que...

— Ué, mas acabou tão rápido assim? — A voz de Toshiharu cortou-lhe os pensamentos, soando incrivelmente surpresa com o desfecho que a luta tomara. — Francamente, quando sua Shinx fugiu, achei que fosse algum tipo de estratégia ou algo do tipo, e não que ela fosse se deixar atingir assim tão fácil.

Não foi isso, disseram os pensamentos de Alex, superando em muitas vezes o que os lábios não conseguiam fazer. Não conseguia acreditar naquilo.

— Margareth, vamos, ainda temos chance! — berrou o menino, a voz trêmula. — Margareth!

No entanto, quando a resposta não veio, o menino recusou-se a acreditar. Se o fizesse, suspeitava que seu mundo desabaria ali mesmo, em pleno fim de batalha. Talvez, se ele chamasse o suficiente, Margareth pudesse responder e voltar a lhe exibir um sorriso de animação.

Abriu a boca para chamá-la novamente, mas antes mesmo que pudesse fazê-lo, a voz do juiz o interrompeu. Seus olhos se arregalaram ao ver a bandeira verde erguida na direção de Aizawa e Mayoi, e quando finalmente assimilou o que estava acontecendo, Alex tinha ganhado outra coisa para se preocupar.

— Margareth está incapacitada de lutar — anunciou. — A vitória dessa partida vai para Toshiharu e Mayoi!

A voz do garoto pareceu ter se perdido. Os membros, principalmente os da mão erguida na direção do juiz para avisá-lo que Margareth estava sim bem e que um simples Quick Attack não seria o suficiente para derrotá-los. Ao invés, este acabou por voltar ao seu lugar de forma súbita, e a boca apenas ficou ali, aberta travada nas palavras que era incapaz de emitir.

Aquilo não podia ser verdade.

— Você não teve sorte dessa vez, garoto — disse Aizawa, sacando a Pokéball do cinto e retornando a Furret para o conforto de sua esfera bicolor. — Vamos ver como é que você vai se sair nessa segunda batalha.

Ao ouvir as palavras do líder, tudo o que Alex pôde fazer foi tornar a fechar a boca e abaixar a cabeça. Suspeitava que não conseguiria encarar nenhum dos presentes se o fizesse, então o que fez foi se dirigir a Margareth com passos lentos. Agachou-se próximo a gata, e então a puxou para os seus braços. Viu os ferimentos dispostos por seu corpo, alguns não muito superficiais, e se sentiu horrível. Como pudera ter perdido tão facilmente assim? Como pudera ter passado tão pouca confiança a sua Pokémon a ponto de fazê-la fugir de um ataque iminente?

Segurou Margareth com uma das mãos, utilizando a outra para deslizar para dentro do bolso, de novo encontrando a carteira que já estava ficando velha. No processo, os dedos inevitavelmente tocaram na esfera que guardava o lobo cinza, e Alex se viu paralisado no lugar.

Sim, isso mesmo. Linus havia se recusado a batalhar, e como o bom treinador que Alex era, aceitara de bom grado e não o usaria naquela batalha. Afinal, forçá-lo ao que não queria seria no mínimo estúpido de sua parte. Fora por este motivo que escolhera usar Margareth primeiro.

Em outras palavras, não haveria uma segunda batalha. Alex não teria a chance de se redimir por ter dado a derrota a Margareth.

Lentamente, puxou a Pokéball de Margareth para os dedos. Demorou alguns segundos, mas finalmente a retornou, e com isso, voltou para seu lugar com passos ainda mais lentos. Talvez, se ele demorasse, não precisaria explicar ao líder e ao juiz que não poderia batalhar novamente.

— Pode liberar o seu Pokémon primeiro, garoto — cantarolou Aizawa, claramente ansioso.

O menino apenas cerrou os punhos, virando a cabeça ainda mais para o lado.

Aquilo serviu apenas para confundir Aizawa.

— Vamos lá, moleque, você ainda tem chance — incentivou. — Libera logo o seu Pokémon pra gente começar.

— N-ngh — resmungou, cerrando os punhos ainda mais. — Não... Não posso.

— E por que não? — Aizawa franziu o cenho, tão confuso quanto aborrecido. Aparentemente, o tom baixo da voz de Alex fora o suficiente para que compreendesse suas palavras.

— Ele não quer... — Agora, seu tom foi ainda mais baixo que de costume. Notando a falha, o menino tratou de repetir, em tom ligeiramente mais alto: — Ele não quer batalhar. Não tenho outro Pokémon pra continuar.

Foram precisos mais do que alguns segundos para Toshiharu assimilar suas palavras. Em seguida, tanto ele quanto o juiz lhe exibiram um olhar confuso, para então mudar para dúvida e, por fim, decepção.

— Ah, entendi — murmurou Toshiharu, meneando a cabeça. — Então você perdeu mesmo, huh?

Alex não assentiu. Não sabia se realmente queria admitir aquilo. Ao invés disso, houve apenas raiva, misturada a todos os outros sentimentos de antes. Porque é que ele tinha que repetir aquilo quando as coisas já estavam óbvias?!

— Tsc, quando você derrotou o Seiji, realmente achei que fosse ser melhor que os novatos que sempre me aparecem aqui. Mas parece que eu estava errado. Você me decepcionou, moleque.

Eu sei!, a voz de seus pensamentos gritou. Não precisa me olhar assim só por isso.

O estrago, porém, já havia sido feito. Uma bagunça de sentimentos invadiu Alex com um único golpe, um bastante certeiro de culpa, insegurança e indignação. De repente, o tom que Aizawa usara para lhe repreender passava disso, tornando-se desprezo. Frustração por não conseguir dizer nada sobre o assunto, e um sentimento amargo na boca pelas palavras desejadas nem mesmo fazerem menção de deixar os lábios.

Não queria levantar a cabeça para olhar para ele. Era bem capaz que os do líder estivessem exibindo ainda mais desprezo que sua voz insinuando que ele era um treinador ruim e que não merecia a insígnia que tanto esperara para conseguir. Mas talvez ele fosse mesmo um mau treinador, porque afinal, era assim que se sentia agora.

Pôde ouvir um suspiro deixar os lábios de Toshiharu, e Alex odiou tudo o que conseguiu identificar daquele simples ato. Odiou tanto que o que fez foi simplesmente dar as costas, ignorando toda e qualquer palavra que o líder pudesse dizer sobre sua performance horrível naquela batalha. Somente deixou a arena, e depois dela, a recepção.

Pouco a pouco, o ar fresco da manhã conseguia trazer calma aos seus pensamentos. As pernas movendo-se rapidamente serviam para gastar a energia nova que a raiva lhe dera, e também para acalmar a vontade que sentia de simplesmente sair correndo ali. Outra das coisas que o ajudava era o fato de que cada vez mais estava se distanciando, ajudando a tirar dele o peso que fizera olhar para baixo continuamente.

Teve que caminhar por um pouco mais de tempo para chegar ao Centro Pokémon novamente. Quando o fez, pareceu feliz em ver que praticamente não havia ninguém na fila para falar com a enfermeira Joy, de modo que levou pouquíssimo tempo para deixar a Pokéball de Margareth ali. Só depois disso que Alex realmente foi para seu quarto e se jogou na cama, tirando apenas os sapatos e o conteúdo de seus bolsos para se deitar.

Observou o teto pelo o que pareceu ser várias e várias horas. Contudo, quando se virou para olhar lá para fora, a claridade lhe lembrou que ainda era dia, e que ainda faltava muito para a noite chegar e trazer a paz novamente ao menino. Tudo o que ele conseguiu então foi se virar, dando as costas para aquilo tudo.

Com os olhos bem cerrados, Alex quis adormecer ali mesmo. Fechar os olhos, para quando abri-los novamente, descobrir que tudo aquilo havia sido apenas um sonho. Tudo, porém, continuava ali. A vergonha. A sensação quase devastadora de derrota, o peso no peito, a lembrança do corpo machucado de Margareth...

Foi por todas essas razões que Alex cobriu o rosto com um dos braços, e pôs-se a chorar.

Notas finais
Olá de novo, povo bonito 8D Mais um fim de capítulo, damn, até eu estou querendo dar um tapa na cara do Alex. UAHSUA Essa, aliás, não foi uma coisa planejada, o Alex só... Saiu do meu controle e fez essas merdas aí.Como ficou legal, acabei deixando. q MAS ENFIM, I'M HAPPY, GUYS, ESTAMOS DE VOLTA! Sobre outras paradas, eu só prevejo que em abril irei deixar a fic em hiatus novamente para participar do próximo camp NaNo. Apesar disso, estamos de volta com a postagem semanal, toda segunda-feira, as seis da manhã~ Críticas, comentários, sugestões, erros que deixei passar? Aceitarei todos, todos, com todo o amor que tenho pra dar (o mundo é lindo). Até a próxima segunda. o/