Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAH eu demorei de novo, sorry about that, guys. Problemas de internet e de prazos que dou a mim mesma. Pelo menos não foi uma demora infinita de novo HAUAHU Well, surpreendentemente, não tenho muito que dizer sobre ele, só que foi difícil mesmo. Vou é deixar vocês descobrirem do que eu to falando. Boa leitura~

O garoto de cabelos escuros não conseguia parar de se perguntar o que estava fazendo ali. Ele mesmo não entendia as razões que o levaram a fazê-lo, tampouco o ferver de seu sangue, principal fonte de motivação para estar, mais uma vez, naquela mesma sala.

O que denunciava boa parte de tudo aquilo, pelo menos no momento atual, se resumia as dedos de Alex batendo contra a própria calça, parecendo bastante preocupado em ouvir o som abafado das próprias unhas se chocando contra o tecido. Fora isso, não parecia saber muito bem o que fazer enquanto esperava: se ficava na ponta dos pés e então no calcanhar ou se brincava com os fios de cabelo fora de lugar.

Talvez fosse o fato de que o local se encontrava estranhamente vazio depois que a recepcionista do dia saíra, ou por algum outro motivo, Alex não sabia. Ele só não queria admitir que estava tão nervoso a ponto de cogitar a ideia de sair dali e nunca mais voltar. Afinal, considerando o ponto que chegara, já não havia mais meios de simplesmente correndo e fazer a recepcionista voltar apenas para ver seu local vazio. Provavelmente o líder já sabia de sua segunda visita, também. Não havia motivos para fazê-lo olhar torto para Alex na terceira.

— Eles não estão demorando demais? — Ah sim, e ainda havia Margareth, quase no mesmo estado de nervosismo que o próprio Alex enfrentava. — Não é melhor chamá-los...?

— Nah. — Fez um sinal negativo com a cabeça. — Nem cinco minutos se passaram direito, Maggs.

A Shinx o encarou por um momento, parecendo confusa. Por fim, fez um gesto vago com a cabeça e preferiu ficar assim mesmo, calada. No entanto, nada daquilo foi capaz de impedir de ver o rosto franzido da Pokémon, muito menos a cauda balançando para lá e para cá.

— Acha que a gente vai conseguir? — Finalmente, Alex deu voz às perguntas em sua mente. — Sabe, se quiser desistir agora e voltar depois...

— A gente consegue sim. — Margareth deu-lhe um sorriso. — Além disso, se sairmos agora todo o trabalho que tivemos pra vir aqui vai ser pra nada.

— Verdade... — murmurou, e foi isso que encerrou a conversa.

Realmente, havia aquele outro fato ainda, e provavelmente milhares de outros para continuarem ali. Havia treinado um pouco mais para essa outra semana devido a uma estranha determinação vinda de Alex, que intensificara os treinamentos com Margareth. Até com Linus o fizera, nas vezes em que ele aceitara treinar, muito embora ainda se negasse a lutar junto de Alex.

Apesar disso, o menino não se sentia tão confiante assim. Pelo menos, não depois de sua última batalha contra Toshiharu, e nem depois de ver sua expressão de decepção para com sua performance na luta anterior. Pensava que, talvez, os muitos avisos que Linus lhe dissera pudessem estar certos, e talvez ele devesse treinar um pouco mais. Quem sabe Margareth não precisaria de mais força para dar conta da luta contra Mayoi? Ou quem sabe ele não poderia esperar por um momento em que estivesse menos... Ansioso?

Não tinha certeza. Tudo o que sabia de fato era uma constante sensação de que algo ruim aconteceria caso não atendesse a vontade de seus pés de simplesmente sair correndo dali.

E ainda assim, ali estava ele, no saguão do ginásio, esperando alguém vir lhe dizer se poderia desafiar o líder.

Por uma questão de impulso, muito provavelmente, mas estava ali de qualquer forma, impedido de sair pelos motivos que inicialmente o levaram até tal posição. A raiva sentida quanto ao olhar do líder. A vontade de simplesmente mostrar-lhe que não era para qualquer um que deveria mostrar tal olhar, e não era porque tinha só um Pokémon para lutar que não se sairia bem nas batalhas.

Sim, era exatamente isso. Esse era o pensamento que Alex deveria se agarrar para trazer calma a sua mente mais uma vez. Tinha que continuar ali e esperar para a volta da recepcionista.

Mas quanto será que poderia aguentar?

Como que para atender seus pedidos internos de ter alguma notícia, os ouvidos de Alex captaram o som de passos ecoando, juntamente com o som de uma voz familiar.

— ...disse que não quero saber de brincadeiras hoje, Kawari. — Parecia ser Aizawa-san, se os ouvidos de Alex não estivessem enganados. De certo modo, queria que estivessem.

— Não estou brincando, Aizawa-san. — Veio a voz da recepcionista de antes, facilmente identificada pelo tom infantil que vinha dela. — É o mesmo de garoto de antes. E ele disse que quer uma batalha.

— Se é mesmo, então qual é o Pokémon dele, mhm?

— Uma Shinx de olhos verdes que sempre anda ao lado dele — respondeu ela, quase que imediatamente.

Por um momento, houve silêncio, mas logo a voz de Aizawa se fez presente mais uma vez:

— Ah, deve ser o garoto que inscreveu dois Pokémons, mas lutou com só um. — Uma pausa. — Não faz só uma semana que ele veio aqui? Esse moleque é doido?

— Aizawa-san... Ele está ali no saguão, você sabe...

— E daí? É melhor que ouça mesmo. Se ele veio assim tão cedo, então é louco mesmo.

Alex cerrou os punhos. Lá estava a irritação lhe dominando novamente, trazendo-lhe a vontade de simplesmente ir até o corredor e mostrar a Aizawa quem era o louco dali. Ali estava, também, o carinho de Margareth, como um silencioso pedido para que acalmasse.

A conversa pareceu ter continuado por um tempo a mais, alheia ao fato de Alex já não estar mais ouvindo. Porque pelo menos agora, havia um som a mais que o fez estremecer por alguns momentos. Juntamente com as vozes conversando entre si, veio também os passos de ambos, aproximando-se cada vez mais e ajudando o nervosismo do garoto crescer. Como poderia ele mostrar a Toshiharu que o derrotaria quando estava tão nervoso com sua mera aproximação?

Não soube e muito menos foi capaz de descobrir a resposta. A figura da recepcionista junto ao líder de ginásio surgiu do corredor momentos antes de Alex sequer tentar fazer alguma coisa.

Os olhos de Toshiharu pousaram em Alex. Por um momento, nada houve senão a confusão, mas assim que piscaram, veio a surpresa, e então ergueu as sobrancelhas.

— E não é que é ele mesmo? — zombou por um momento, sorrindo logo em seguida. Aquilo irritava. Muito. — Alex, não é?

Limitou-se a assentir, sabendo que, caso abrisse a boca para dizer o que quer que fosse, era mais provável que um xingamento escapasse dos lábios.

— O que você pensa que está fazendo aqui tão cedo? — indagou. — Não deu nem tempo o suficiente de treinar. Você quer o que aqui, hein?

— Eu... o que?

Franziu o cenho, confuso. Não conseguia acreditar no que Aizawa estava dizendo.

— Não, sério, por que é que você tá aqui de novo? Sabe que vai perder. — Uma pausa. — Qualquer um perderia depois disso, na verdade.

— Aizawa-san, isso não é jeito de tratar um desafiante. — A recepcionista interveio, exibindo-lhe uma careta.

O homem apenas deu de ombros, pouco interessado em suas palavras. O que realmente parecia querer era simplesmente fazer Alex ir embora dali logo de uma vez, ele supunha, muito embora não fosse aquilo que conseguiu fazer. Conseguira, ao invés disso, foi trazer de volta a raiva para a mente de Alex, obscurecendo seus pensamentos mais uma vez, dando lugar a um turbilhão de sentimentos.

Quem Aizawa pensava que era falando assim com Alex? E como poderia ele dizer isso de Alex quando, para começo de conversa, nem ao menos sabia como havia sido seu treinamento? Uma semana podia ser mais do que suficiente, dependendo de quem o faz. Aizawa também não podia dizer isso de Alex daquele modo. Ele era um desafiante. Merecia um mínimo de respeito.

Cerrou os punhos. Ao menos Alex ainda se lembrava do que era educação.

— Acho que já dá pra imaginar que estou aqui pra te desafiar — disse, simplesmente.

— Tem certeza disso? — perguntou o homem, um sorrisinho se infiltrando em seus lábios. — Você provavelmente vai ter que vencer um dos meus aprendizes de novo caso queira lutar, sabia?

— Não ligo. Ainda quero batalhar.

Aizawa o encarou durante alguns momentos, o cenho franzido.

— Você também sabe que eu não vou trazer o mesmo aprendiz de antes pra lutar, não sabe? E que vou fazer questão de trazer alguém bem mais experiente dessa vez, né?

— Sei que eu e Margareth vamos nos sair bem do mesmo jeito.

Um suspiro, e houve hesitação por parte de Aizawa quanto a respondê-lo. Alex continuou em seu lugar, se perguntando o que o líder estaria pensando naquele momento e se realmente cumpriria as palavras ditas. Já imaginava que acabaria tendo de lutar com o aprendiz novamente, mas não contava que o líder fosse escolher alguém diferente para a luta. E Alex estava esperando para lutar com a mesma pessoa, e não alguém completamente desconhecido.

Mais segundos se passaram, onde o menino forçou-se a manter a expressão determinada e os sentimentos de antes continuarem ali. Nem mesmo a enrolação estratégica de Aizawa iria fazê-lo voltar atrás com sua palavra.

— Se é assim que você quer — começou ele, finalmente —, então vamos agilizar as coisas logo de uma vez.

Com isso, Aizawa fez um breve sinal para Alex segui-lo, e simplesmente se voltou para o corredor, sem esperar pelo menino. Alex quase teve que correr para acompanhá-lo, um tanto surpreso com como as coisas estavam indo.

Seguiram em direção a agora conhecida arena do ginásio, onde foi fácil para Alex identificar um juiz, ocupado em organizar alguma coisa que ele não podia identificar daquela distância. Sem dizer uma palavra que fosse, Aizawa foi até o seu lugar na arena, deixando apenas um sinal para que Alex fizesse o mesmo sem demoras. Também sem esperar o juiz, lançou ao ar sua Pokéball, dançando no ar segundos antes de finalmente revelar a forma de seu Pokémon.

Uma das primeiras coisas que Alex notou sobre o Pokémon era que nem de longe era o mesmo da semana anterior, e tampouco parecia no mesmo nível que a Furret. O surpreendente daquela situação e que fazia suas sobrancelhas se erguerem de surpresa era o fato de que ele nunca o havia visto antes, e somente sua aparência era o bastante para fazer com que o menino duvidasse de si mesmo.

Erguendo-se nas duas patas, o Pokémon assemelhava-se muito a uma ave. A começar pelas patas, dotadas de garras brancas e um pouco afiadas demais, também presentes nas mãos. O corpo, em sua maior parte, encontrava-se na cor amarelo, uma mescla desta e do laranja. A parte superior, onde estava a cabeça, os braços e o peito, amarelo-claro, poucas vezes interrompidos pelo segundo tom, enquanto da cintura pra baixo era laranja. O Pokémon também possuía um bico pequeno, porém afiado o suficiente para assustar o garoto.

No que, afinal, ele estava se metendo?

Olhou para Margareth. A Pokémon pareceu hesitar por um momento, mas não demorou muito para que se dirigisse até o seu lugar na arena, uma expressão determinada no rosto.

Basicamente o que Alex deveria estar fazendo agora.

Cerrou os punhos, puxando o ar para os pulmões. Deixou os pensamentos de lado, igualmente decidido. Não, ele não iria se intimidar só porque o Pokémon do adversário parecia maior, mais forte e mil vezes mais experiente. Confiava em si mesmo e em Margareth, e afinal, as aparências podiam enganar. Aquele podia ser um desses casos.

Puxou a Pokédex do bolso, e apontou-a para o Pokémon desconhecido. Caso quisesse ter alguma chance, tinha que começar sabendo de que espécie era o seu oponente.

Combusken, o Pokémon ave de fogo

Assemelhando-se muito a uma jovem ave, Combusken é a evolução do Torchic. Luta com as chamas expelidas de seu bico, além dos chutes, com movimentos precisos e fortes o suficiente para ser classificado como destrutivo.

Certo. Sem problemas.

— Eu vou ser o juiz — anunciou Aizawa, tomando a atenção de Alex. Isso ao menos era permitido? — Essa batalha vai ser de apenas um Pokémon contra o Sanji. Como antes, o desafiante será avaliado pelo líder, podendo ou não ganhar a insígnia caso saia vitorioso. — Fez uma pausa, encarando Alex, e com um breve movimento, continuou: — Que a luta comece!

Como se aquilo fosse o bastante para ser considerado uma ordem, o Combusken não demorou a avançar contra Margareth. Corria rápida e sem hesitação, um dos braços erguidos para mostrar as garras.

Surpresa, a Pokémon demorou um segundo antes de reagir. Correu para o lado, quase em desespero por se ver tão perto assim das garras do Combusken. Elas pareciam grandes o suficiente para machucá-la mais do que seria necessário.

— Okay Margareth, vamos tentar alguma coisa aqui — disse Alex, chamando a atenção de sua Pokémon.

— É melhor começarmos a agir logo — respondeu ela, virando a cabeça por um breve momento. Suspeitava que, caso se distraísse demais, Sanji com certeza se aproveitaria daquela chance.

— Então use o Spark! — exclamou, agora em alto e bom som.

— Sanji, apenas desvie — Aizawa retrucou, em tom calmo.

Margareth obedeceu ao treinador prontamente, permitindo que a eletricidade tomasse conta de seu corpo. Em seguida, avançou contra o Combusken, recebendo apenas um olhar de diversão em resposta. Era quase como se ele duvidasse de sua capacidade de acertá-lo, e por isso, a Shinx colocou o dobro de esforço na corrida, vencendo os poucos metros que os separavam em pouquíssimo tempo.

Assim que Margareth o alcançou, Sanji saltou para o lado, livrando-se das faíscas azuis. Margareth sibilou em resposta. Ele não devia fazer isso. Pelo menos, não com tanta facilidade assim.

— Vamos Margareth, continue com o Spark! — Era Alex novamente, gritando-lhe a ordem a tempo.

Ainda correndo e com a eletricidade tomando-lhe o corpo, a Pokémon não cessou os movimentos. Ao invés disso, fez uma curva ali mesmo, voltando a avançar contra o Combusken. Mais uma vez, é claro, Sanji desviou com facilidade, agora sorrindo em vê-la deixar escapar um miado de aborrecimento.

O próprio Alex acabou deixando um xingo escapar dos lábios, talvez um pouco alto demais, considerando que o líder de ginásio não deveria ouvi-lo dizendo coisas do tipo.

Aizawa, porém, não parecia nem um pouco afetado.

— Só se focar em atacar não vai ser o suficiente para nos derrotar, moleque. Bom — abriu um sorriso —, não me parece que você saiba fazer algo além disso.

— Não é verdade! — A voz de Alex soou quase como um grito. As palavras de Aizawa podiam ter um quê de verdade, mas ele não iria admitir; não enquanto ainda houvessem chances.

— Se é o que você diz... Só tome cuidado pra não cansar a sua Pokémon, ou eu e o Sanji vamos ter uma desculpa para atacar.

Alex estremeceu, não sabendo se o fazia ou se simplesmente deixava os punhos cerrados, tremendo pela força utilizada. Optou por não fazer nenhum dos dois. Apenas elevou a voz para Margareth novamente:

— Okay, vamos tentar outra coisa. Spark e Thunder Fang, Maggs!

— Sanji, vamos mostrar aos dois o que é uma batalha de verdade. Use o Quick Attack para desviar!

A resposta de ambos os Pokémon não demorou muito a chegar. Aproveitando-se da proximidade com que partilhavam, Margareth voltou a avançar contra o Pokémon adversário, levando um momento a mais para que a energia azul lhe tomasse o corpo.

Os momentos que se seguiram a partir daí pareceram rápidos, para não dizer surreais. Antes mesmo que Margareth pudesse ter a chance de saltar contra o corpo da ave lutadora, sua figura pareceu borrada por um breve segundo, e no outro, ele já não estava mais ali.

Gritou logo em seguida, tanto de surpresa quanto por causa da dor que invadira-lhe o corpo. Sem nem ao menos dar-se conta do ocorrido, fora atingida e lançada para longe. “Como?”, ela se perguntava quando o corpo finalmente chocou-se contra o chão. Emitiu um gemido de dor enquanto encolhia o corpo.

Levantou-se rapidamente, encarando o Combusken de longe. Um sibilar deixava sua garganta, trazendo consigo todo o ódio que sentia do Pokémon. Já não mais importava os meios que Sanji usaria para atacá-la; tudo o que realmente queria era mostrar-lhe que, apesar de Margareth não estar no mesmo nível que ele, Sanji simplesmente não podia subestimá-la com uma tática tão simples assim. Ainda seria capaz de atingi-lo; disso ela tinha certeza.

O único problema é que ela não sabia muito bem o que fazer agora, a considerar a situação. A semana que passara de treino com Alex fora focada a derrotar Mayoi como o primeiro Pokémon lançado, e não um Combusken diversas vezes maior que ela. Somente isso era o suficiente para se sentir um tanto nervosa quanto a situação. O que deveria fazer, agora que estava de frente a um oponente que precisaria saltar para atingir? Como poderia desviar dele, quando em questão de segundos, atingira-a com tamanha força?

Voltou seu rosto para Alex. Se ela não sabia, então esperava que ao menos seu treinador pudesse ter uma ideia do que fazer. Ele seria o único em que podia confiar.

Alex alternou seu olhar de Aizawa a Margareth, e de Margareth a Sanji. Aquilo seria difícil. Talvez um pouco mais do que ele pensava, mas no momento, sua raiva não o permitiria desistir. O problema, porém, era o que fazer? Como continuar?

A resposta não veio nos momentos seguintes, tampouco teve tempo de pensar em qual poderia ser. Ao invés disso, o que conseguiu foi ver o Combusken voltando a se mover, indo direto para Margareth. Alex, então, teve tempo apenas de emitir uma exclamação de aviso a Pokémon.

Margareth não teve tempo de revidar o ataque do adversário, fosse correndo para algum lado ou utilizando sua eletricidade novamente. Teve de receber o chute com um grito, mais uma vez sendo lançada para longe.

— Margareth! — chamou Alex, visivelmente preocupado.

De resposta, recebeu um gemido. Dois impactos contra o chão realmente doíam, era o que ela queria dizer, mas tudo o que fez foi se colocar de pé novamente. Abriu um sorriso fraco ao garoto, como se dissesse que estava tudo bem.

— Sanji, continue a atacar com seus chutes. — A ordem o líder de ginásio chegou aos seus ouvidos. — Não deixe que ela fuja!

Sanji obedeceu rapidamente, avançando contra a Pokémon talvez um pouco rápido demais para Alex assimilar. Ele piscou, demorando a proferir uma ordem, e antes mesmo que se desse conta, viu a própria Margareth gritar. Dessa vez, porém, não parecia ser de dor.

O desespero tomara conta do corpo da Pokémon. De forma súbita, ela se lembrou que Combusken era um oponente muitas vezes mais forte que ela, muitas vezes mais rápido, e que se ela não fizesse alguma coisa, certamente que seria atingida. E ela não queria ser atingida novamente. Era capaz de ele machucá-la mais do que o permitido.

Foi levada por esse sentimento que a Pokémon simplesmente disparou a correr, fugindo do Pokémon e de seu ataque. Utilizou-se de suas últimas forças para simplesmente fugir, assustada demais para fazer qualquer outra coisa. Não seria atingida. Não seria, ela não podia, ela não...

Atrás de si, ouviu um silvo rápido. No momento seguinte, sufocou um grito, e a dor tomou o lado de seu corpo novamente. Gritou até que caísse no chão mais uma vez, o novo impacto cortando o som.

— Margareth! — gritou Alex. Agora, era notável o tom de desespero em sua voz. — Margareth, você está bem? Margareth!

A Shinx demorou a responder. Teve de gemer diversas vezes e encolher o corpo, cada movimento fazendo-o doer ainda mais. Com aquele único golpe, perdera o fôlego, e duvidava que as tentativas de recuperá-lo pudessem ser rápidas e corajosas o suficiente para vencer a dor no peito.

— Acho que... — ela finalmente disse, a voz falhando. O maxilar também doía, e ela sentia um estranho gosto de sangue na boca. — A-acho que sim...

Alex suspirou, parecendo aliviado.

— Acha que consegue continuar?

— Ah, mas eu não acredito nisso. — Mais uma vez, ali estava a voz de Toshiharu para lhe chamar a atenção. Alex o encarou de volta com um olhar irritado. — Desista, garoto. A sua Pokémon já está fraca demais pra continuar. Vocês não vão conseguir vencer.

— Cala a boca! — Alex já não conseguia mais se conter.

Por alguns segundos, a expressão de Toshiharu era de pura surpresa. De fato, não eram todos que falavam assim com ele, tampouco aqueles que tremiam tanto assim quanto Alex. Para ele, porém, aquela situação já estava começando a passar dos limites. Como Toshiharu se atrevia a falar assim com ele? As coisas ainda não haviam terminado. Ele se recusava a acreditar que sim. Seus esforços não seriam ser em vão, ele tinha que tentar até os últimos momentos, tentar até que não houvesse mais nada para se fazer sobre o assunto.

Ele recusou-se a acreditar na situação. Ao invés disso, ignorou o olhar de ameaça do Combusken e a expressão sombria de seu treinador, e voltou-se para Margareth. Durante um breve momento, eles se encararam.

Margareth, melhor do que ninguém, sabia o quanto Alex havia se esforçado para aquele momento em especial. Vira como seu treinador ficara depois da derrota contra Mayoi, e sabia exatamente como ele deveria estar se sentindo naquele momento. A luta ali dependia apenas de Margareth. Sem ela, não haveria Linus para acabar com o Combusken por ela, e se não houvesse, então a derrota estava mais perto dos dois do que pensava.

Seu corpo doía. Doía muito, e ela suspeitava que nem todo o esforço do mundo seria o suficiente para fazer suas pernas sustentarem-na novo. O gosto de sangue continuava ali, e parecia até mesmo haver algum tipo de peso mantendo-a no chão.

Mesmo assim, Margareth não queria ver seu treinador chorar novamente.

Juntou todas as forças que ainda lhe restavam, e até aquelas que não possuía. Demorou, mas sob o olhar vigilante de Toshiharu e Alex, ela se ergueu novamente, forçando-se a estabilizar sua respiração.

— Isso, Margareth! — Alex parabenizou, com um sorriso. — A gente ainda consegue!

— Moleque — murmurou Aizawa. — Você não vê que a Margareth já está no limite...?

— A gente ainda vai vencer — disse, simplesmente. Havia uma estranha determinação em sua voz. — Vamos derrotar o seu Combusken, e você não vai mais poder dizer essas coisas da gente.

— Você... — ele o encarou novamente, a expressão ainda sombria. Segundos depois, suspirou. — Se é assim que você quer... Sanji. — Ele elevou a voz. — Use o Slash direto nela!

— O qu-- — Alex interrompeu a própria frase. — Margareth, rápido, desvie!

Sanji ergueu uma de suas mãos imediatamente. Agora, havia alguma coisa diferente em seus movimentos. A começar pelas enormes garras, afiadas o suficiente para fazer mais do que um mero corte em Margareth. Elas brilhavam em branco, parecendo tornar-se ainda maiores, e quase fazendo com que Alex gritasse outra ordem para sua Pokémon. Um estranho medo apossava-se de seu corpo.

O Pokémon avançou, as garras erguidas. O brilho branco parecia deixar um rastro por onde ele passava, acompanhando-o e sumindo talvez um pouco rápido demais. Ele estava rápido demais.

Margareth arregalou os olhos em resposta, o queixo ignorando a dor para cair, complementando sua expressão de pura surpresa. Sentiu as pernas tremerem. Aquilo não podia estar acontecendo.

O treinador piscou. O medo não queria deixá-lo, especialmente quando Margareth deu as costas para o Pokémon e disparou a correr, gritando de medo. No fundo, ele sabia que Margareth não conseguiria fugir do Pokémon assim tão fácil.

Talvez lá no fundo, ele também soubesse que aquele movimento passaria dos limites. Um único golpe, e Margareth poderia muito bem ser cortada ao meio.

Céus, o que ele estava fazendo? Porque não parara Margareth antes? No estado em que estava agora, correndo ainda mais lentamente que o normal, seria impossível fugir do ataque. Seria impossível que fizesse alguma coisa sobre o assunto, mas se ele não fizesse, sua Pokémon morreria, e então aquilo tudo seria sua culpa.

Sua e completa culpa.

As mãos bateram contra as próprias vestes, procurando pela Pokéball da felina azul. Tinha que salvá-la, tinha que achar sua Pokéball e retorná-la para a proteção da esfera novamente, tinha que...

O som de um impacto cortou seus pensamentos. Ouve um grito durante um breve momento, cortado antes mesmo de o som ter a chance de se estender.

Alex não se conteve mais.

Largou as mãos de suas vestes, e apertou a esfera vermelha e branca contra os dedos. Ignorou aquelas malditas regras sobre batalhas, e saiu e seu lugar, agora correndo na direção de Margareth. Ele não queria olhar para Aizawa. Ele não queria olhar para o Combusken, ele não queria encontrar o sangue em suas garras.

Parou de correr apenas quando alcançou a forma de pelos azuis e negros de Margareth. Agachou-se sobre ela, e a puxou para seus braços.

— Oh não, não, por favor, não... — Ele repetia, como um mantra.

Viu as mãos sujas de sangue. Sangue de Margareth.

Oh não.

Ela não parecia estar respirando.

Por favor, não.

— Margareth... — murmurou. Lágrimas brotavam de seus olhos, embaçando-lhe a visão e molhando os pelos já úmidos de sua Pokémon. — Margareth...

Ele ouviu uma voz atrás de si, mas não deu ouvidos. Apertou a Pokémon contra o peito, as lágrimas insistindo em escorrer por sobre as bochechas. Fechava os olhos com força de tempos em tempos, enquanto repetia baixinho o nome da Pokémon. Esforçava-se para acreditar que aquilo devia ser um sonho muito, muito ruim. Ou que havia algo errado ali. Porque no momento, ele não sabia se seria capaz de conter aquele turbilhão de sentimentos o fazendo tremer, fazendo sua visão embaçar e lembrar do que havia acontecido tempos atrás.

Afinal, fora sua culpa.

Paf!

Alex piscou, confuso, e teve de usar uma de suas mãos para não desequilibrar-se e cair. O tapa na cabeça viera de forma súbita, mas ainda forte o suficiente para chamar-lhe a atenção.

— Caralho, moleque, me ouça! — Era Toshiharu. — Ela não está morta! Tá me ouvindo? Ela não tá morta ainda, mas se você não fizer alguma coisa, vai estar!

Alex estremeceu. Soluços atrapalharam a resposta que pretendia dar. Como assim ela não estava morta? Margareth não estava respirando. Havia sangue em seus pelos.

— Presta bem atenção — Toshiharu voltou a falar. Uma mão se dirigiu até a gola da camisa de Alex, obrigando-o a se levantar e puxar Margareth para seus braços mais uma vez. — Isso é o que acontece quando você não sabe o que está fazendo. Acha que batalhar é só mandar o seu Pokémon atacar, atacar e atacar? Acha mesmo que não precisa de nenhuma estratégia, ou acha que pode vencer um oponente que é claramente mais forte que você? Acha que seu Pokémon não vai acabar morrendo se não souber quando parar?

Ele deu um passo para trás. Confusão e medo eram tudo que havia em sua mente.

— Lembre-se, garoto, quem está tomando todos os ataques e quem depende de um comando é o seu Pokémon. Quem está correndo risco de morrer aqui é a Margareth. Por acaso você não se importa com ela?

— É claro que me importo! — Ele finalmente se exaltou. Em seguida, houve um ataque de soluço e lágrimas.

— Então porque a deixou a beira da morte?

Alex balançou a cabeça diversas vezes. Não era verdade. Ele sabia o que estava fazendo.

No entanto, o garoto não teve tempo de parar os soluços e respondê-lo apropriadamente. Aizawa emitiu uma exclamação de raiva, e simples assim, puxou a Pokémon de seus braços. O menino piscou. Era tudo o que podia fazer enquanto via o homem correr para longe, sua Pokémon em seus braços.

Notas finais
BWHAHAHAHAHA No momento, eu estou na confecção do capítulo 13 (*morre), mas creio que não haverá mais atrasos. Não posso garantir nada, até porque a fic está tomando um rumo meio dificinho pra mim e estou com um ou outro problema por conta de deadlines. Sem falar na internet, bleh. Estarei tentando deixar os caps bonitinhos o mais rápido possível, though. SOBRE OS COMENTÁRIOS, vocês me desculpem, gente, mas eu não to conseguindo responder por culpa da net. Aliás, está sendo sofrência até pra postar o cap dessa semana. Tentarei responderei o mais rápido possível, mas mil desculpas se alguém estiver sem resposta D: Buuut ainda estou aceitando eles qq Qualquer coisa, crítica, coisa que deixei passar na revisão, xingos pro Alex, aceitarei de muito bom grado. ~ Até a próxima segunda!