Pokémon Mystery Dungeon: Liberators of Fate
14 Dungeon 14 - Seleção Artificial: Parte 2
O Lucario conhecido como Nick já estava acostumado com seus filhos mandando cartas enquanto ele estava em uma das missões com sua equipe. Mas o que ele não esperava era receber a notícia de que Lance havia sumido. Suando frio, ele andava na estrada para a cidade onde ele morava, junto do Swampert. Atrás dos dois vinha um Pokémon verde e bípede, de corpo reptiliano, tendo olhos vermelhos e uma pequena faixa vermelha em seu estômago.
— Nick... você tá bem? Nós vamos encontrar ele... – andando em quatro patas, o anfíbio perguntava para o amigo.
— O Shiron tá certo... você tá preocupado mas nós vamos achar ele! – o Sceptile se aproximou do Lucario.
— E quem fala é Yukino, o Pokémon mais preguiçoso do nosso time... – Nick parava para respirar fundo. – Desculpe, isso tá me deixando estressado.
— Jura? Não deu pra perceber isso. – revirando seus olhos, o Sceptile se afastava.
Vendo a vila de longe, eles podiam perceber o pequeno Zorua na saída da cidade. Ao notar o time, o pequeno correu para perto deles com lágrimas em seus olhos. Encarando o filho, Nick correu, ficando de joelhos e o abraçando com força.
— Pa... papai! É culpa minha, eu deixei ele sozinho! E agora o Lance sumiu! Desculpa!
— Vai ficar tudo bem... a gente vai achar ele, ok? – ele acariciava o pequeno, passando as mãos pelos pelos do garoto.
— Mas já faz uma semana! E se ele estiver... morto?! – Brian fungava, seu corpo estava tremendo de tanta preocupação.
— Ele não morreu... pode deixar conosco, a gente consegue! – o Pokémon de planta se aproximou, sorrindo e mostrando seus dentes para tentar acalmar Brian.
— Filho, eu preciso que confie em nós nisso, certo? Vamos achar seu irmão... – se levantando, o Lucario deu um suspiro.
— Tudo bem... – o garoto abaixou suas orelhas e cauda, perdido nos pensamentos do que poderia estar acontecendo com o Riolu.
— Podemos ir para a sua casa e você nos conta o que aconteceu direito, o que acha? – dessa vez, Shiron que chegou perto, forçando um sorriso.
— Ok...
Os quatro seguiram, entrando na cidade, sendo recebidos com alguns olhares de preocupação dos Pokémons que ali viviam. Sentindo um pesar no peito, Nick continuou a andar, tentando esconder o quanto estava aflito. Seus companheiros, percebendo isso, pensavam no que poderiam fazer por ele. Atrás do grupo, o Zorua refletia em sua mente.
— É culpa minha, eu deveria ter protegido ele... que tipo de irmão eu sou? – seu pequeno corpo tremia.
Após chegarem na casa do Lucario, o grupo se sentava nas cadeiras da cozinha. Com as mãos no rosto, Nick respirava fundo, prestando atenção no que o Zorua tinha para dizer. Os outros dois membros do time viraram seus olhares para Brian, esperando.
— No dia que nós fomos começar o treinamento, o Heracross que estava cuidando da guilda nos inscreveu e ele disse que tinha que falar algumas coisas com o Lance... e foi a última vez que eu o vi! – olhando para o chão, a criança estava quase para chorar, mas ainda tentava segurar as lágrimas.
— Merda! Eu confiei nele! – a voz vinha do Pokémon de aço, que bateu na mesa com força, o que gerou um silêncio no local.
— Olha, nós deveríamos começar olhando pela floresta perto daqui... Yukino e eu vamos para lá, você pode interrogar os membros da guilda. – o Swampert se levantou, suspirando.
— Vamos achar seu filho, Nick... – dessa vez foi o Sceptile que ficou de pé.
— Por favor... – a voz dele parecia mais trêmula, dando para notar que estava tenso com aquela situação.
Enquanto o grupo se preparava para iniciar a busca, Lance acordava na mesma sala de antes, sem ninguém por perto e nada além da cama. No estômago do menino estava a marca das garras do Houndoom que havia enfrentado. Tocando em seu pescoço, o Riolu notou que ainda tinha a coleira de choque. Ele se levantou, tremendo de medo.
— Por favor, me tirem daqui... – com a voz rouca, ele fungava.
— Espero que tenha aproveitado seu descanso, número 10. – do rádio o Gallade de antes dizia, dando uma pequena risada após terminar a frase.
— Eu quero o meu pai... – ele caía de joelhos, tapando os ouvidos com suas mãos e gritando alto.
O dispositivo que estava em Lance se ativou, o dando um choque que percorria o corpo inteiro da criança, fazendo seus gritos aumentarem intensamente, misturando-se com o choro, até que a sensação passou e ele caiu no chão, gemendo de dor.
— Não vou conseguir ver minha família? Arceus... eu quero ir embora... – enquanto estava no solo, ele se encontrava perdido nos próprios pensamentos. – Me machucam toda vez que eu grito, mas... se eu não fizer isso mais, talvez eu consiga sobreviver...
— Você está se comportando mal, número 10. Pelo visto vai ter que ficar aqui por mais um tempinho... – Lance olhava para o rádio, quando desmaiou.
Duas semanas depois
O Gallade que havia dado a missão do sequestro de Lance estava em seu escritório, vendo os relatórios do desenvolvimento do garoto, batendo na mesa com os dedos e rangendo os dentes. Atrás dele, o Blaziken pigarreava.
— Ele não está evoluindo. – era tudo o que ele disse.
— Você nem deu o item necessário para isso, qual é a surpresa? – cruzando seus braços, o Pokémon de fogo se encostava na parede.
— Item? Nesse mundo, Riolus evoluem com itens?! E ninguém me avisou?! – irritado, ele virava o rosto para o Blaziken.
— Eu achei que fosse comum de onde você vem. Como eles evoluem lá?
— Felicidade... mas já experimentei dar Rare Candy para um, ele chegou a evoluir para Lucario.
— Bem, você precisa de um Sun Ribbon para que ele vire um Lucario aqui, eu posso arrumar um, se quiser...
— Não. Isso vai dar mais trabalho. Talvez eu consiga fazer isso por experiência... mas me arrume mais um prisioneiro, um Pokémon no segundo estágio evolutivo.
— Certo chefe... – virando-se, o Blaziken saiu da sala.
Ao mesmo tempo, os esforços para encontrar Lance não haviam terminado. O trio de exploradores havia saído da vila para procurar nos lugares próximos. Eles buscaram na floresta, em cavernas e em cidades vizinhas. Entretanto, ninguém parecia saber o paradeiro do Riolu ou dos dois sequestradores. Mesmo que a família do garoto quisesse acreditar que ele ainda estava vivo, com três semanas de desaparecimento, as esperanças haviam diminuído bastante. Ao voltar para casa, Nick ia diretamente para seu quarto, deitando-se em sua cama. De repente, alguém havia batido na porta.
— Entra... — seus pelos estavam pálidos e bagunçados, um sinal claro de que ele não havia se cuidado por um bom tempo.
— Pai... – quem entrou foi o Zorua, pulando na cama com suas orelhas baixas.
O Lucario se sentou, olhando o filho enquanto sentia um pesar no coração. A promessa que ele havia feito não foi cumprida e o Pokémon lutador não sabia mais o que dizer para o garoto.
— A gente... não vai ver ele mais? Desculpa, eu deveria ter ficado com ele, poxa, era uma coisa muito óbvia! – Brian começou a bater no próprio rosto, frustrado por não ter impedido aquilo de acontecer. Até que ele foi envolto em um abraço do pai.
— Ei, ei! Não foi culpa sua! A gente vai achar ele, calma... – ambos ficavam assim por alguns minutos, nenhum queria falar nada na situação.
Após uma hora, Nick havia dormido, deitado na cama. Seu filho observava aquilo em silêncio. O Zorua criou uma ilusão de que estava invisível e saiu da casa, determinado a encontrar seu irmão, seguindo pelas ruas da aldeia, analisando cada detalhe que poderia ser útil para achá-lo.
— Pior que procurar vai ser difícil, o time do papai é perito nisso e não deu em nada... mas eu tenho que tentar! Talvez se eu conseguir convencer o tio Shiron... – olhando para o céu, Brian abaixou suas orelhas, ainda se culpando pelo ocorrido.
O garoto teve uma ideia. Decidindo ir para o bar local, ele saiu correndo. Ele sabia que o Swampert costumava ir lá para comer e bater um papo com os outros cidadãos. Mesmo sem saber se estaria lá por causa da busca, resolveu arriscar e entrar no local.
Dentro, Brian via que seu tio estava de fato lá, sentado em uma mesa com mais dois outros Pokémons. À esquerda de Shiron havia um Sableye, um Pokémon bípede e de corpo roxo, com olhos que se pareciam com pedras preciosas. À direita estava um Slowking, que tomava um suco feito de frutas. Se aproximando sem que eles percebessem, o garoto prestava atenção na conversa.
— Vocês não acharam nenhum sinal do garoto? – o Pokémon rosa perguntou, tomando um gole.
— Pois é Maurice, colocamos cartazes aqui e em mais três cidades, inclusive, fomos para Bright Dawn e não encontramos nada lá. O Nick tá ficando maluco com isso... – suspirando, o Swampert tomava o que parecia ser uma bebida alcoólica.
— Eu tenho ligações com um conjunto de Sableyes, posso pedir para eles procurarem, não me sinto muito bem de ver o menino sumir. – o Pokémon roxo coçava o queixo.
— Emerald, eu não quero nem saber de onde você tirou essa ideia... mas vou dar a sugestão. – colocando a mão no rosto, Shiron respirava profundamente.
— Você tem que considerar a opção que... ele não sobreviveu, sabe? – Maurice, o Slowking, questionava.
Ao escutar o que ele havia dito, Shiron dava um soco na mesa com força. Brian levou um susto, desfazendo sua ilusão. Os três adultos encararam o pequeno, que saiu correndo do local o mais rápido que conseguia. Piscando os olhos, Shiron abriu a mochila, colocando algumas moedas na mesa e saiu atrás do sobrinho.
— Me deixa em paz tio! Eu quero ficar só! – o garoto acabou tropeçando, rolando no chão. Após parar, ele tossiu, tirando a poeira do corpo.
— Desculpa... você está bem? – passando a mão na cabeça, o Swampert se aproximou.
— Claro que eu não tô bem! Meu irmão tá sumido tem três semanas e ninguém encontra ele! E ainda dizem que ele tá morto! – ele falava sem dar espaço nem para respirar, ofegando depois da frase.
— Eu sei, nós não estamos fazendo um trabalho muito bom nisso... – ele se sentou no chão.
— E o pior é que é tudo culpa minha! O papai disse que não, mas eu sei que ele só tá falando isso pra eu não ficar me remoendo! – andando em círculos, o pequeno dava alguns chutes no chão para mostrar como estava irritado.
— Você parece comigo quando eu tinha a sua idade... bem, na verdade 15 anos, eu acho. – ele falou dando uma pequena risada.
— Como é que você consegue ficar rindo numa situação dessas, tio?! Eu... não sei o que fazer... – sentindo suas pernas tremerem, Brian caiu no chão.
— Essa questão do seu irmão você pode deixar conosco, mas há uma coisa que pode fazer... – Shiron virou seu olhar para o céu estrelado.
— O quê?! – se levantando, Brian olhou fixamente para seu tio.
— Você acha que não é forte o suficiente? Então treine para isso. Deixe sua habilidade de ilusão perfeita. Você pode ter o elemento da surpresa sempre...
— Treinar... eu não consegui proteger ele dessa vez, mas... a partir de hoje eu vou! – o Zorua estufou o peito para mostrar que estava sério.
— Certo, agora vai pra sua casa... seu pai vai achar que sumiu também, e eu vou te acompanhar, ok? – se espreguiçando, Shiron coçava as costas.
— Ok tio... – a dupla seguiu para a casa do Zorua.
Na mesma cidade, um Pokémon olhava as missões da guilda, pensando em qual aceitar. O animal tinha chamas ao redor do pescoço e um corpo alto, de barriga da cor creme e costas pretas.
— Um garoto sequestrado... James, seria muito bom se você achasse ele. Bem, eu tenho que parar de falar sozinho... – o Typhlosion comentava para si mesmo, vendo o desenho do Riolu desaparecido.
Uma semana depois
— É hora de acordar, número 10. – mais uma vez o Pokémon psíquico falava pelo rádio, acordando o garoto.
— De novo... o que ele quer que eu faça dessa vez? – Lance se levantava, exausto de tudo o que ele passou pelas quatro semanas que estava preso.
— Hoje nós iremos fazer o seu último teste... pelo visto, vai ter que enfrentar outro Pokémon... já sabe o que acontecerá se perder, certo?
— Eu vou morrer... — rosnando, ele respirou fundo. Durante o tempo em que ficou nesse lugar desconhecido, ele já havia enfrentado vários adversários e, infelizmente, teve que matá-los, ou seria ele que viraria comida de alguém. Não importa o que acontecesse, a sobrevivência era o seu objetivo.
A porta do quarto se abria e o Heracross de antes entrava, cruzando os braços. Lance não ofereceu resistência nenhuma, ele foi com o sequestrador sem dizer nada no caminho inteiro. Após alguns minutos, eles chegaram na arena, o Riolu já estava se acostumando com aquele lugar. Suspirando, ele entrou em silêncio.
— Olha só! Nossa cobaia parece estar bem empolgada hoje, não vai reclamar nem nada? – rindo levemente, o Heracross observa o garoto de longe.
— Não é como se tivesse funcionado das outras vezes... — olhando o outro lado do ringue, ele via um Pokémon esguio, com a barriga da cor de creme e as costas de coloração verde. Em seu pescoço havia uma estrutura amarela em formato de “V”, junto de uma coleira. Os olhos vermelhos do animal encaravam Lance em silêncio.
— Muito bem, número 10. Essa é a sua última chance de se redimir. Essa Servine se chama Maya e ela será sua adversária hoje. – o cientista dizia pelo rádio.
— Desculpa garoto, mas eu preciso voltar para a minha família... – a mulher disse seriamente, colocando-se em posição de combate.
— Pera, se eu vencer, eu posso voltar para casa?! – arregalando os olhos, o garoto virou o rosto, olhando o rádio.
— Quem sabe? Se você perder, você morre, mas se vencer, talvez aconteça alguma coisa boa...
— Então eu não vou perder... – ele fechou os punhos, respirando fundo.
— Comecem...
Após a fala do doutor, Lance correu com toda a velocidade que tinha, se preparando para golpear a Servine. Entretanto, a velocidade da fêmea era maior e ela deu um salto, desviando, logo, girando seu corpo e disparando uma rajada de folhas no garoto, que foi cortado em vários pontos no corpo, o atirando para longe.
Quando olhou para cima viu que a garota estava caindo com sua cauda tendo um brilho metálico. Pensando rápido, ele cruzou os braços, golpeando a cauda com força e deixando ambos serem arrastados em direções opostas.
— Leaf Tornado... Iron Tail... isso não é uma brincadeira... mas ela tem família também, eu... posso mesmo fazer isso?
— Garoto, quantos anos você tem? – a Pokémon de planta tirava o suor do rosto, olhando Lance.
— 8... ou eu tinha quando estava fora daqui, não sei quanto tempo... Argh! – ele parou de falar, sentindo o choque vindo da coleira novamente, cambaleando e caindo.
— É uma criança, desculpe, eu não quero... – ela gritava, sua coleira também ativava, a fazendo cair no chão, gemendo de dor.
— Parece que vocês não entenderam o propósito. É uma luta até a morte, não tem tempo para ficarem conversando entre si.
— Desculpa moça... – o Riolu ficava de pé, ofegando.
— Eu que sinto muito... Aerial Ace! – ela corria na direção do garoto, seu corpo parecia estar envolto em vento, com algumas curvas brancas.
— Endure! – ele pensou, se preparando.
Lance permaneceu no lugar que estava, seu corpo brilhando em um tom vermelho. Refletindo, ele iria receber o golpe de frente. E assim, ao colidir com a Servine, ele recebia um corte profundo no estômago, mas sobreviveu.
— Counter! – então, com a mão envolta em uma aura azul, ele golpeou a adversária bem no pescoço, dando o dobro do dano que havia recebido, a atirando contra a parede, podendo ouvir o barulho de um osso quebrando.
O corpo da garota colidiu com o solo, sem esboçar reação nenhuma. Foi aí que caiu a ficha. Ele havia acabado de matar um inocente. Alguém que tinha sonhos e esperanças como ele, que havia desaparecido como ele e cujos parentes deveriam estar muito preocupados. Ao perceber o que havia feito, ele abriu a boca, vomitando no chão e chorando. O garoto começou a bater as mãos no chão, desesperado e desejando com todas as suas forças que Arceus revertesse o que aconteceu e acabou desmaiando. O Heracross olhava aquilo com um pouco de pena do menino.
— Parece que, apesar da vitória, o experimento foi um fracasso. Bem, ele não evoluiu. – o Gallade parecia desapontado.
— O que vamos fazer com ele?
— Jogue para fora com os outros. Do jeito que está, duvido que sobreviva naquela dungeon.
— Certo. – o Pokémon inseto pegou Lance no colo, sendo recebido com protestos dele, espernando e tentando se soltar, mas sem ter forças para isso. Eles saíram da sala até chegarem no quarto, quando o Heracross o atirou dentro.
Colocando-se em posição fetal, o pequeno Pokémon voltou a chorar descontroladamente, pensando no que sua família pensaria dele a partir de agora, quando ele percebeu. Se ele fosse mais forte, isso não teria acontecido com ele. O garotinho que ele era antes de tudo isso havia morrido e agora ele se tornaria alguém melhor do que antes.
— Se eu sobreviver a isso, eu vou me vingar deles... eu juro... – ele pensou, caindo no sono pelo cansaço.
Dois dias depois
— James, você só pega as missões mais estranhas, ter que arrumar um item aqui não era exatamente o que eu queria fazer hoje, mas vai ter que servir. – ele analisava enquanto adentrava uma floresta.
O Typhlosion andava com calma, evitando encostar nas árvores com as chamas de seu ombro, para não queimá-las. Mexendo as orelhas, ele escutou um barulho, escondendo-se atrás de uma das árvores. Do outro lado havia um Blaziken, que atirava um pequeno Pokémon no chão.
James levou um susto, tombando para trás e arregalando os olhos ao notar que era o mesmo do cartaz de desaparecido que ele havia visto antes. Pensando rápido, ele correu para resgatá-lo. O Pokémon vermelho percebeu, pegando uma esfera de sua mochila e a quebrando no chão, sumindo em um brilho forte. O garoto, confuso com o que tinha acontecido, permaneceu no chão, quando viu o Typhlosion se aproximar.
— Ei... garoto...
— Sai de perto de mim! – Lance gritou, rosnando para o adulto que estava do seu lado.
— Ei! Calma! Eu sou um explorador! Olha aqui! – James pegou o brasão, mostrando.
— Ex...plorador? – mexendo suas orelhas, o Riolu se aproximou lentamente.
— Eu vi a missão da sua busca... eu... estava aqui para outra coisa, mas vou te levar para casa, tudo bem? Deve estar cansado, não sei pelo que passou, mas acredito que não foi bom...
— Casa... – fungando, Lance correu para abraçar o Pokémon, tremendo e chorando.
— Tá tudo bem... vai ficar tudo bem... – James passou sua mão na cabeça do menino devagar e saiu com ele.
Depois de meia hora de caminhada, eles chegaram na cidade natal de Lance, andando na direção da casa do garoto. Os aldeões olharam a dupla em silêncio e bateram palmas, contentes por terem encontrado o menino. Na casa dele, seu irmão estava dormindo quando acordou após escutar a comoção.
— Que barulheira toda é essa? – bocejando, Brian olhou pela janela de seu quarto e arregalou seus olhos, correndo imediatamente para avisar o pai.
Parando na porta, James colocou Lance no chão com cuidado para ele não se machucar mais, quando o Lucario e o Zorua saíram de dentro do local. Palavras não foram necessárias para descrever o quanto eles estavam felizes de serem reunidos, então os três simplesmente se abraçaram com força.
— Lance! Lance! Você tá bem! Ah, eu tava tão preocupado! – o irmão do garoto abanava a cauda com força.
— Eu estou... de volta... – o Riolu forçou um sorriso.
— Bem vindo filho... – Nick falava, sem conseguir conter sua alegria, virando o olhar para o Typhlosion que havia feito o resgate.
— Não precisa agradecer, é meu trabalho. – coçando a cabeça, James estava com o rosto vermelho de vergonha.
— Eu sobrevivi... e agora, eu vou fazer com que nada assim aconteça de novo... Pokémons como eles tem que pagar... – refletindo, Lance pensava no que o futuro ia trazer. Mesmo assim, ele se permitiu estar feliz de que finalmente estava reunido com sua família.
Seis anos depois do ocorrido, a vida dos garotos parecia ter voltado ao normal, mas isso não era o caso. Agora que estavam oficialmente inscritos na guilda do pai, os garotos passavam por um rigoroso treino para se formarem e assim, serem exploradores. Lance estava na arena de combate, assistindo uma luta entre seu irmão e outro Pokémon e do seu lado estava o Typhlosion conhecido como James. O adversário de Brian era um pequeno Pokémon quadrúpede e de pelo verde. Em seu focinho podia ser visto um raio amarelo. Do corpo do Electrike saíam algumas faíscas, enquanto que o Zorua estava invisível, utilizando suas ilusões. O Pokémon elétrico farejava o cheiro, correndo para onde ele havia encontrado.
— Não vai ser assim tão fácil, Blitz! Pursuit! – desfazendo o truque, Brian colidia com o corpo do oponente, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa.
— É aí que se engana... Thunder Wave! – carregando eletricidade em seu corpo, após Blitz ser atingido pelo impacto, ele descarregava no Zorua, o atirando para longe e ao mesmo tempo lhe dando o status de paralisado.
— Argh! – se arrastando pelo chão, ele tossia, se levantando e sentindo a eletricidade percorrendo ele.
— Parece que você está perdendo, maninho... – Lance falava, cruzando seus braços.
— Você devia torcer para mim... – o Zorua suspirou, voltando a encarar o inimigo.
— Bem, eu gosto de entreter a plateia... – o Electrike ria, olhando o Riolu.
— A culpa não é minha se ele é bom nisso! – Lance desviou o olhar rapidamente, seu rosto ficando vermelho como uma maçã, abanando a cauda levemente.
— Fico feliz de ter um fã desses... – Blitz então voltou seu olhar para o Zorua, avançando contra ele, disparando uma bola de energia elétrica contra ele.
— Desculpa, mas eu não tô afim... Copycat! – dando um salto, Brian copiava o movimento, atirando o mesmo ataque do oponente.
A colisão dos dois ataques causava uma pequena explosão, enchendo a área de fumaça. Rosnando, Blitz ficou atento, mas não conseguia ver nem sentir cheiros direito pelo gás, então ele se focou no barulho. Mesmo assim, o garoto foi surpreendido com uma bola negra o atingido em cheio.
— Shadow Ball! – declarou Brian, sorrindo após o movimento acertar.
— Certo, a luta acabou! – O Pokémon de fogo falou, se aproximando dos combatentes.
— Você foi bom, Zorua... – sorrindo, Blitz respirou fundo.
— Eu posso dizer o mesmo! Hehe! – dando um largo sorriso, Brian mostrava seus dentes.
— Vocês não estão muito machucados, né? – Lance questionou os dois enquanto se aproximava.
— Não, é só uma sessão amistosa, não tem o que se preocupar... bem, eu tô faminto, então, até mais. – o irmão do Riolu ofegava de cansaço e saía dali, seguindo para a cozinha.
— Vejo vocês dois no refeitório então? – com um sorriso, James olhava os dois garotos.
— Nós já vamos! – o Riolu disse enquanto ajudava o Electrike a se levantar.
— Certo, até logo. – o Typhlosion se retirou.
— Obrigado pela ajuda, Lance. – abanando sua cauda, Blitz comentou para o amigo. – Estou impressionado, eu ouvi dizer que você era bem antissocial, mas parece que conseguimos ficar próximos.
— Haha... é, dizem isso de mim mesmo... mas eu... gostei de você. É isso. – engolindo seco, o rosto do adolescente se avermelhou mais uma vez e suas orelhas mexiam rapidamente.
— Olha, eu vou admitir que você é fofo assim... – ele sorria.
— Eu... não sou fofo... – abaixando suas orelhas, ele cobria o rosto, morrendo de vergonha.
— Isso só te deixa mais fofo... não que eu não goste. Quem sabe não consegue o que está querendo? É óbvio demais... – o Electrike saiu pela porta dali, deixando o Riolu sozinho.
— Ah... isso não foi tão ruim quanto eu pensava, ele acha que eu sou fofo... – tremendo de nervosismo, ele começou a andar.
— Isso me faz sentir bem, já faz... um tempão que não me sinto feliz assim... não desde antes daquilo... – o garoto parou, se lembrando do que havia acontecido com ele.
Respirando profundamente, ele voltou a andar. Lembrando-se da promessa que havia feito de se tornar mais forte, ele não tinha tanta certeza de que ia conseguir ser feliz com outro Pokémon, mas que pelo menos no momento, ele iria tentar a chance. E se não desse certo... talvez não fosse o caminho certo para o garoto. Enquanto se aproximava da porta, ele sentiu um tremor enorme percorrer o local. Assustado, o Riolu começou a correr, o chão desmoronando atrás de si, até que ele caiu no limbo, gritando.
Dias atuais
Lance acordou, vendo-se na caverna em que ele e o irmão foram, seguindo o pedido de ajuda do Snover. Na sua frente estava o Zorua, que acordou junto dele. E, mais ao fundo, o Sigilyph que havia feito com que ambos recordassem aquelas memórias profundas. O Riolu se levantou, rosnando, até que percebeu que havia passado de novo por aqueles experimentos e dias terríveis. Com o corpo inteiro tremendo, ele vomitou e caiu no chão, sem saber o que fazer.
— E... Ei! – assustado, Brian notou o que aconteceu. Irritado com aquilo, ele se virou para encarar o Pokémon inimigo.
— Ah, eu queria mesmo matar vocês enquanto dormiam, mas parece que se livraram disso tão rápido...
— Você fez um erro bem grave... – os olhos azuis do Zorua começaram a brilhar em um tom vermelho, enquanto ele se colocava em posição de combate. Após comer uma das Oran Berries que tinha, ele estava pronto para atacar.
— Eu cometi um erro? E qual seria esse, pequeno Zorua? – o Sigilyph zombava do pequeno Pokémon, mantendo-se no ar.
— Você machucou meu irmão... não sei o que ele viu, mas é o suficiente para que eu acabe com a sua raça! – o corpo do garoto se envolveu numa aura vermelha e ele sumiu, ativando sua ilusão.
— Hm, mas você já não é mais imune contra meus ataques, ou será que esqueceu disso? – falando por telepatia, ele preparou outro ataque Hypnosis.
— É claro que sei, mas eis a questão... acho que você precisa tomar um pouco do próprio remédio! Copycat! – a voz dele vinha de trás do Pokémon psíquico e, imitando o movimento anterior, Brian utilizava o Hypnosis, atingindo em cheio o Sigilyph, que começou a dormir.
Caindo no chão, a raiva do Zorua ainda não havia passado. Rindo, ele colidiu com o inimigo que ainda estava dormindo, o golpeando. Após o impacto, utilizando suas garras, ele começou a cortá-lo.
— Pursuit! E Fury Swipes! – declarando enquanto atacava, o Sigilyph apenas era atingido enquanto estava dormindo, sendo arrastado pelo chão, até que acordou pelo dano, gritando de dor.
— Eu ainda não acabei com você... – tirando da mochila a outra Orb que havia comprado, ele se tornou invisível novamente.
— Garoto idiota! Chega de brincadeiras! Air Cutter! – batendo suas asas, criou um corte no ar, quando foi atingido pela esfera, caindo no chão, sem conseguir mover sequer um músculo.
— Vamos lá... – Brian aparecia atrás do oponente, seu corpo brilhando em um tom vermelho. Para finalizar, ele disparou uma bola de energia negra nele, o nocauteando. Desfazendo a ilusão, o garoto caiu no chão, sem energia.
— Brian... – o irmão dele, cambaleando, parecia que ia cair a qualquer momento, mas mesmo assim, Lance resolveu se aproximar.
— Nós vencemos... – ofegando, o Zorua fechou seus olhos.
— Você fez isso tudo por mim? Eu... não acredito... – com os lábios tremendo, faltava pouco para ele chorar.
— Relaxa cabeção, é óbvio que eu faria isso... você é importante para mim.
Lance não sabia como reagir. Durante todos os anos desde que foi sequestrado, ele procurou fechar seus sentimentos, com pouquíssimas exceções. Mas dessa vez, parecia que ele poderia ficar feliz de verdade pelo irmão se preocupar tanto com ele. Olhando para o teto e refletindo por alguns instantes, ele caiu, exausto. Pensando rápido, ele abriu a mochila, pegando a última Orb que tinha.
— Vamos lá... precisamos voltar e deixar esse cara com o detetive... – ele comentou, tocando no corpo do Sigilyph.
— Ok... – Brian concordou, encostando na esfera.
O Riolu bateu a Orb no chão, fazendo com que os três brilhassem, sumindo dali. Mais uma batalha foi vencida pela dupla, mas nem tudo parecia estar bem...
Diário da aventura
Itens:
3x Oran Berry
1x Sun Ribbon
2x Apple
Lance
Espécie: Riolu
Idade: 16 anos
Level: 25
Moves conhecidos:
— Force Palm
— Cross Chop
— Endure
— Counter
Brian
Espécie: Zorua
Idade:16 anos
Level: 28
Moves conhecidos:
— Pursuit
— Copycat
— Shadow Ball
— Fury Swipes
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