Pokémon Mystery Dungeon: Liberators of Fate

15 Dungeon 15 - As crianças não estão bem


Havia se passado um dia depois do confronto e a dupla de exploradores agora estava recuperada dos danos e se encontrava na delegacia de polícia, vendo o adversário sendo levado para a cadeia. Lance, com seus braços cruzados, olhava o Sigilyph saindo do seu campo de visão, quando ouviu o barulho de alguém pigarreando. Ao se virar, viu o detetive Apollo.

— Muito obrigado, garotos. – o Arcanine sorriu para eles, mostrando os dentes.

— De nada. Eu gostaria de avisar que não vamos poder executar o plano hoje, eu e meu irmão estamos exaustos. – o Riolu disse, olhando de relance o Zorua.

— É... nós precisamos conversar algumas coisas em particular e dormir, eu principalmente...

— Certo. Então me encontrem aqui amanhã. – após terminar de falar, o policial saiu dali andando.

Ambos saíram do local, andando pelas ruas da cidade. Durante a caminhada até o apartamento dos dois, eles olhavam a população, que permanecia fazendo suas atividades normalmente.

— Eles não parecem suspeitar do lado negro daqui... – Lance comentou, suspirando.

— Bem, não é como se aqueles caras saíssem matando indiscriminadamente...

— Ainda precisam pagar pelos crimes... – o Riolu fechou seu punho, rosnando.

— Entendo... aliás, eu tava falando sério lá na delegacia, nós precisamos conversar...

— Eu... sei... – mordendo os lábios, ele continuou andando.

Ao chegarem no condomínio, eles foram direto para o lar no andar de cima. Após trancarem a porta, ambos se sentaram no sofá, ficando alguns instantes em silêncio. Nenhum queria falar nada.

— Ok! Eu vou começar isso aqui... – Brian disse alto, olhando o irmão.

— Certo. Vá em frente... – hesitando um pouco, Lance desviou seu olhar.

— Eu fiquei lembrando de algumas coisas por causa daquele Sigilyph... – abaixando as orelhas, ele parecia não querer falar do assunto, mesmo assim, tomou coragem para continuar. – Daquela época em que você sumiu.

Aquelas palavras atingiram o Riolu como uma facada no coração do garoto. O tema da conversa era muito delicado, mesmo depois de oito anos do ocorrido.

— Eu também... me recordei... meu sonho terminou com o Blitz.

— O Blitz?! Nossa, eu queria que as coisas entre vocês tivessem dado certo... – notando que havia desviado do assunto, ele balançou a cabeça. – Eu nunca soube o que aconteceu de verdade quando sumiu. Se quiser...

— Não. – interrompendo o irmão, Lance colocou as mãos no rosto, respirando fundo. – Desculpa, eu... passei por muita coisa lá. Tive que... matar para sobreviver, por causa do cientista maluco que me drogou e torturou por um mês...

— Desculpa Lance, eu não deveria ter perguntado... – engolindo seco, a sensação que o garoto sentia era de culpa, lembrando-se de que ele queria ter feito algo para impedir o irmão. Por um momento, ele desejou que pudesse voltar no tempo e corrigir aquilo. Mas era impossível.

— Tudo bem. Foi difícil passar por tudo aquilo sozinho, eu... achava que tinha superado. A pior parte é que é a segunda vez que eu pensei isso. A última vez foi quando eu tava com o Blitz... durante o tempo em que ficamos juntos, eu me senti feliz. Não sei como eu pude pensar assim. – enquanto passava a mão na cicatriz, ele refletia sobre suas ações passadas, desejando que pudesse encontrar com o Electrike de novo.

— Usar ele para tentar resolver seus próprios problemas não foi algo bom de se fazer, mesmo que vocês dois se amassem. – Brian disse, e seu irmão concordou com a cabeça – Mesmo assim, eu sei que não posso fazer seu trauma sumir, mas... espero que possa te ajudar.

— Obrigado. – ficando envergonhado, o rosto do Riolu ficava vermelho. – É meu parceiro nessa jornada e meu irmão, eu me importo e confio em você, só não sei como demonstrar isso direito.

— Eu também me importo com você, saiba que vou estar aqui para o que precisar. Não precisa esconder nada de mim! – sorrindo levemente, Brian queria que o irmão confiasse nele.

— Ok. Eu não posso prometer nada, só que eu garanto que vou pensar nisso. Estou morrendo de sono. Te vejo mais tarde. – bocejando, o garoto se levantou, indo para o quarto.

— Até... – se espreguiçando, o Zorua fez a mesma coisa que o irmão, entrando no quarto e se jogando na cama, imediatamente caindo no sono.

Enquanto Lance estava deitado na cama, ele começou a refletir sobre a última parte do sonho que teve durante a luta. As memórias do Electrike que havia feito ele sentir felicidade depois de tanto tempo começaram a voltar para o cérebro dele, lembrando do tempo que haviam passado juntos.

Eu te amei, mas... te machuquei muito... queria que tivesse dado certo, pelo visto eu não sou bom com relacionamentos. Não com tudo que aconteceu comigo... – o garoto rangeu os dentes. – Não tenho tempo de pensar nisso, preciso planejar como me livrar daqueles três... por bem ou por mal... — ele fechou os olhos, adormecendo.

No outro quarto, Brian estava dormindo, se mexendo na cama e suando frio. Em sua mente, ele se via na saída de sua cidade. O local estava coberto de uma névoa densa, sendo que mal dava para ver o que tinha longe. Esforçando-se para enxergar, o garoto via uma silhueta com um formato familiar. Arregalando os olhos, ele reconheceu como sendo o irmão e começou a correr, mas parecia não sair do lugar, mesmo que tentasse muito, enquanto que Lance se afastava cada vez mais, fazendo um barulho de choro.

— AH! – suando frio, o Zorua acordou na sua cama, quase caindo pelo pesadelo que teve. Com o corpo tremendo, ele começou a respirar devagar, numa tentativa de se acalmar. – Tenho que ser forte... como o tio Shiron disse, eu vou proteger ele e nada daquilo vai acontecer de novo... – refletindo, ele dormiu novamente.

Três horas depois

Ao anoitecer, o detetive Apollo estava saindo da delegacia de polícia depois de um longo dia. O plano que havia feito com os dois garotos estava prestes a ser executado e até agora, tudo estava nos conformes. Ao entrar em sua residência, ele via, em pé, uma Gothitelle, o encarando em silêncio e segurando um envelope na mão.

— A secretária do prefeito... – revirando os olhos, o Arcanine esperava para ouvir o que ela tinha a dizer.

— Meu nome é Jane, detetive. Mas isso não importa muito no momento. Sei que ainda está realizando a investigação e o prefeito gostaria de fazer um acordo com você... – ela colocava o papel em uma escrivaninha.

— Ele quer que eu pare, é óbvio...

— Bem, você pode continuar se quiser, afinal, tem liberdade para isso... entretanto, não posso garantir que tudo irá ocorrer sem problemas.

— E você acha que eu vou simplesmente ignorar uma corrupção que está na minha frente?! – ele gritou, rosnando e se preparando para atacar.

— A escolha é sua, mas como toda escolha, tem consequências... tem até amanhã para decidir... – a mulher saiu pela porta da casa em silêncio.

— Merda... – com aquela situação, parecia que o policial ia ter muita coisa para pensar durante a noite.

Na manhã seguinte

Depois de acordarem e tomarem o café da manhã, a dupla estava preparada para executar o plano, o que significava que eles teriam que ir para a delegacia pegar os gravadores. Dessa maneira, eles partiram.

— Mesmo depois disso, ainda vamos ter que prender os outros três... o que faz eu me perguntar quem que mandou aquele Sigilyph... – o Zorua questionou enquanto andava.

— Eu na verdade tive uma ideia que vai nos permitir acertar as contas com aqueles caras... você estava certo na caverna. As vezes é necessário provar do próprio remédio. – olhando o prédio da polícia, Lance comentou.

— Acho que sei onde quer chegar, mas vamos ter que ver bem isso aí...

— Bom, como eu disse, eu confio em você.

Os dois pararam na entrada e então, foram para dentro do local, seguindo para o escritório do Arcanine chamado Apollo. Ao chegarem, eles viam o policial andando em círculos, enquanto resmungava algumas palavras para si mesmo. Ao notar os garotos, o Pokémon de fogo se virou para eles.

— Bom dia... e eu tenho algumas notícias não muito boas para vocês. – ele falou abaixando suas orelhas.

— O que aconteceu? – após se sentar, o Riolu perguntou, cruzando seus braços.

— Me ofereceram propina para eu terminar a investigação... e sinceramente, não sei o que fazer...

— Eles ao menos sabem do plano? – dessa vez, quem fez a pergunta foi o Zorua.

— Não sei, mas mexer com o Pokémon mais poderoso daqui é bem perigoso...

— Não. É assim que eles vencem . – Lance fechou os olhos, analisando a situação. – Se cairmos no jogo deles, nada vai mudar.

— O meu irmão tá certo, eu não quero ver alguém assim sair impune... – Brian olhou para o policial fixamente.

— Certo... – Apollo coçou seu queixo. – Muito bem, então vamos continuar com isso. Vocês dois irão para suas posições agora?

— É a intenção... – o Pokémon lutador saiu da cadeira, pronto para agir.

— Ok. Então vamos nessa... – abrindo a gaveta, ele pegou dois dispositivos, os entregando para a dupla.

— Nosso plano... não vai falhar... – guardando o gravador na mochila, Lance saiu com seu irmão.

— Boa sorte meninos... – com a voz apreensiva, o Arcanine torcia para que desse certo.

Depois de saírem da delegacia, ambos foram em direções opostas, Lance indo para a guilda Black Skull, enquanto Brian foi para a prefeitura. Determinados a conseguir resolver o caso, os garotos queriam cumprir a tarefa com sucesso.

A vontade é de dar uma cabeçada naquele cara arrogante, mas vou ter que me controlar... – suspirando, o Zorua corria, se aproximando cada vez mais do prédio, e ao entrar, viu a secretária em sua mesa.

— Bom dia, por acaso tem hora marcada? – ela perguntou sem sequer olhar para o menino.

— Para ele, abrirei uma exceção. É sempre bom ver o que exploradores tem a falar comigo. – o Alakazam falou, descendo as escadas.

Vamos nessa Brian, não estraga a chance... – respirando fundo, ele subiu junto do Pokémon psíquico, ligando o aparelho gravador e o guardando na mochila.

— Então, pode me dizer o que veio fazer aqui, garoto? Estou começando a me acostumar com essas visitas de exploradores... – ele falou, sentando-se na cadeira.

— Já vim aqui antes... eu sei que está ligado ao assassinato do Druddigon!

— Você esqueceu de esconder a cauda daquela vez... – ele se levantou, olhando a cidade pela janela. – Bem, deixe-me perguntar. O que acha que vai ganhar continuando nessa jornada? Reconhecimento? Fama? Coisas assim vem e vão...

— No momento, trazer encerramento pra alguém que tá sofrendo... mas a pergunta que quero saber... o motivo. O que levou você a contratar aqueles mercenários? – suando frio, ele torcia para que a gravação estivesse em uma qualidade boa

— Quem controla a cidade controla muitas coisas, garoto... ele era um empecilho que tinha que ser eliminado.

— Então só mandou matarem por estar no seu caminho?! Ele tinha família!

— E quem vai perder é você, se continuar com isso... quem sabe da próxima vez aqueles pedaços de ferrugem façam um trabalho melhor em eliminar vocês...

— Era o que eu precisava... obrigado! – tornando-se invisível, o garoto correu para fora da sala, desligando o gravador.

— Estranho, não tem motivo para ele ter feito isso, a não ser que... a polícia! – ligando o rádio, ele chamava a secretária. – Não deixe ele fugir, ele deve ter gravado a conversa!

Brian estava quase saindo do local, quando algo passou de raspão pela cabeça do Zorua, causando uma pequena explosão que o distraiu, o deixando visível novamente. Olhando para trás, ele viu a Gothitelle com algumas sementes em sua mão esquerda. Estendendo o braço direito, a mochila do garoto brilhava, sendo levantada no ar por telecinese.

— Desculpa, mas eu não posso deixar você escapar com isso...

— Merda! Moça, eu realmente não tenho tempo para isso! Pursuit! – se movendo rapidamente, ele colidia com a fêmea, a desconcentrando e fazendo sua mochila cair no chão.

Após a colisão, a secretária atirou outra semente no Zorua, que explodiu no contato, o atirando no chão. Ao tentar se levantar, ele percebeu que seu corpo não respondia corretamente, esforçando-se para não cair no chão de tontura.

— Não preciso de golpes para acabar com você... – ela pegou a mochila com a mão livre, mexendo dentro.

— Totter... Seed... merda... Pursuit! – tentando utilizar o golpe, ele acertou a si mesmo, se desequilibrando e caindo no chão.

Ao se erguer, concentrando-se o máximo que conseguia, ele disparou uma bola de energia negra nas sementes que a Gothitelle carregava, gerando mais um estouro e a nocauteando. De repente, uma das sementes brilhou e a Gothitelle se levantou, sua energia restaurada.

Reviver Seed... Foco! Os efeitos já estão diminuindo! — balançando a cabeça, ele se mantia em pé, esperando os efeitos da confusão passarem.

— Tsc... Brick Break! – vendo que seus itens não funcionavam mais, ela se levantou, seus braços brilhando. Então, a mulher avançou contra o garoto.

Sem ter tempo de reagir direito, Brian foi atingido em cheio, caindo no chão com seu corpo dolorido pelo ataque do tipo lutador. Mesmo assim, ele não planejou desistir daquela luta e se levantou com dificuldade, seus olhos brilhando em um tom vermelho, determinado a vencer aquele obstáculo. O brilho se intensificou, cobrindo o corpo inteiro do garoto, que correu na direção da adversária. Conforme ele andava, crescia de tamanho e suas patas desenvolviam garras. O tufo de pelos em sua cabeça se estendia pelas costas.

— Night... Daze! – ele declarou saltando para trás após se aproximar, dispersando a aura vermelha que estava em seu corpo. Mesmo tentando desviar, a Gothitelle colidiu com a parede e caiu no chão, sentindo seu corpo todo dolorido, desmaiando.

Ofegando, o recém evoluído Zoroark pegou sua mochila e, antes que o prefeito pudesse voltar, ele saiu correndo dali. Tropeçando e caindo de cara no chão, Brian se levantou, voltando a correr.

Certo, vou precisar me acostumar a andar em duas patas... mas pelo menos eu consegui! Espero que o Lance tenha conseguido também...

Assim, o garoto seguiu na direção da delegacia com a conversa gravada, tropeçando algumas vezes enquanto se acostumava com sua nova forma. Até agora, tudo estava indo conforme planejado. Restava ao garoto confiar que seu irmão cumprisse sua parte da estratégia...

Diário da aventura

Itens:

3x Oran Berry

1x Sun Ribbon

2x Apple

Lance

Espécie: Riolu

Idade: 16 anos

Level: 25

Moves conhecidos:

Force Palm

Cross Chop

Endure

Counter

Brian

Espécie: Zoroark

Idade: 16 anos

Level:30

Moves conhecidos:

Pursuit

Copycat

Shadow Ball

Night Daze