Pokémon: Johto Trails

2 2 - Um Início Complicado


Notas iniciais
Bem, cheguei com o segundo capítulo. Ele está bem rapidinho de ler, mas revela algumas coisas importantes.
O próximo deve chegar em breve, por isso, fiquem ligados.

Capítulo 2 – Um início complicado

O dia se passava tranquilamente pela cidade de Ecruteak. Luke e Larvitar caminhavam calmamente por entre suas ruas, animados pelo início de suas jornadas. O garoto checava seu Pokégear constantemente, sempre para ver o mapa e ver se estavam já próximos da saída da cidade. Teriam que seguir a sul se quisessem cumprir o caminho dito por seu tio.

— Bem, Larvitar... Teremos que seguir essa rua, virar a próxima e seguir reto... — ele explicava atento ao mapa – Depois chegaremos à rota. Então será botar o pé na estrada e partir para Violet! O que acha?

— Larvii! Tar! – respondeu o Pokémon, caminhando alegremente ao lado do dono.

— Então, vamos nessa!

-X-

Alguns minutos depois, Luke e Larvitar já estavam no arco de saída da cidade. Era um arco velho, de madeira, caindo aos pedaços. Alguns Pidgey’s já faziam seus ninhos por ali, quebrando mais os buracos de madeira suja com seus bicos. Dezenas de plantas, trepadeiras e cipós se enroscavam pelas bases, dando um ar de abandono ao lugar. No entanto, a gravura de um Pokémon continuava intacta no topo do arco. Parecia um pássaro, mas ele era bem mais majestoso. Voava livremente acima das nuvens, com um arco-íris o circundando. As penas pareciam ser brilhantes, mas não se podia ver as cores, apenas o marrom escuro da madeira podre. Muitos acreditavam que aquela gravura protegia os viajantes que passavam pelo arco, enrolando-os com o véu do arco-íris.

— Será que a lenda é verdade? – Luke perguntou para si mesmo – Será que o antigo residente da Bell Tower abençoa os viajantes que passam por baixo deste arco?

— Larvii! –seu Pokémon respondeu, apreciando a imagem do pássaro na madeira.

— Só há um jeito de descobrir! – e com isso, o treinador atravessou o arco, adentrando a Rota 37.

-X-

— Larvitar, vamos capturar aquele Pokémon! – gritou Luke, confiante, apontando para um Pidgey que acabara de encontrar nos galhos de uma árvore. O pássaro acabava de limpar as penas com o bico e quando viu aquele treinador apontando para ele, rapidamente planou até o solo e se preparou para a batalha.

— Ótimo! – o garoto exclamou – Agora, Larvitar, use o... O... O... Que movimentos você tem mesmo?

Não houve tempo para ele descobrir. No mesmo instante, Larvitar foi atingido por um veloz Tackle desferido pelo Pidgey, que logo em seguida começou uma sucessão de Quick Attacks em alta velocidade, atingindo a larva pela frente, pelas costas, pelos lados e por cima. E para finalizar, liberou um Gust, batendo fortemente suas asas e disparando uma forte corrente de ar que empurrou o fraco Larvitar em direção ao chão, completamente atordoado. Vendo que seu trabalho estava feito, o pequeno Pidgey voou, fugindo daquela rápida batalha.

— Larvitar! Você está bem? – Luke questionou, se aproximando. A larva não apresentava machucados sérios, pois seu corpo rochoso absorvera muito bem os danos. Mas mesmo assim, estava bastante tonto devido aos fortes impactos que recebera diretamente na cabeça. Após algum tempo caído nos braços de seu treinador, o Pokémon conseguiu se levantar lentamente.

— Larvii! Larvitar. – grunhiu ele, esfregando a cabeça. Luke procurou por algum medicamento na mochila e felizmente, seu tio havia lembrado de colocar 3 Potions em um kit de primeiros-socorros, junto a 5 Full Heals, algumas bandagens e remédios humanos.

Usando a Potion, rapidamente Larvitar estava se sentindo melhor e pronto para mais uma batalha. No entanto, teria que batalhar por si próprio, já que o treinador não conhecia seus movimentos e não poderia comandá-los durante a batalha.

Alguns minutos depois outro Pidgey pousou no chão. Ele começava a ciscar a terra, procurando por algum tipo de alimento. Seria a oportunidade perfeita para Larvitar.

— Larvitar, ataque-o! – berrou Luke, assustando a ave que não parecia querer uma batalha. Mas foi forçada a aceitar quando seu oponente veio correndo em sua direção e cravou seus afiados dentes na asa esquerda do pássaro, fazendo-o berrar de dor. Em seguida, Larvitar girou seu corpo e arremessou Pidgey para longe, em direção a uma árvore, contra a qual ele se chocou violentamente.

— Bem... Então o Larvitar conhece o Bite... – murmurou Luke, para si mesmo. E então, sacou uma Pokéball do bolso. Estava preparado para arremessa-la, quando Pidgey repentinamente levantou-se e alçou voo, batendo suas asas furiosamente. Em seguida, planou velozmente rente ao solo e seu corpo foi encoberto por listras prateadas de vento, para que com elas ele atingisse com força a cabeça de Larvitar, que caiu sentado e zonzo no chão. Pidgey logo tomou altitude e voou para longe, fugindo da batalha.

— Nossa! – Luke exclamou, surpreso, enquanto corria para perto de seu Pokémon para checar se estava tudo bem – Aquele movimento que o Pidgey usou foi um belo Aerial Ace! Um movimento muito raro de se ver entre Pokémons selvagens... Ia ser demais tê-lo no meu time...

— Larvii! – grunhiu Larvitar, levantando-se do chão, furioso por ter sido derrotado duas vezes seguidas. Realmente, aquele primeiro dia não estava sendo muito bom para eles.

E novamente foram tentando capturar os Pidgey’s que iam aparecendo. Porém, os Pidgey’s sempre acabavam fugindo. A grande velocidade do voo daqueles pássaros era muito maior do que a do pesado Pokémon de pedra. Por isso, após perderem dezenas de Pidgey’s, Luke decidiu dar uma pausa.

- Muito bem, Larvitar. – disse ele, sentando no chão e começando a revirar sua mochila – Vamos descansar um pouco, o que acha? O dia foi duro e você recebeu muitos ataques. Devemos recarregar as energias com uma parada

— Taar – Larvitar concordou, sentando-se ao lado do treinador e observando calmamente enquanto ele retirava uma média caixa de papelão da bagagem e observava seu conteúdo.

— O tio Jack não pode estar falando sério... Ele não mandou isso... Deve ser só uma brincadeirinha! – ele exclamava, estupefato pelo que havia dentro da caixa. Larvitar saltou para ver, mas não pode identificar o que era aquela massa azul e disforme lá dentro. E Luke continuava a disparar críticas.

— Ele me mandou um colchão inflável! Um colchão inflável! Como ele quer que eu durma num colchão inflável? Ele não sabe que o melhor modo de dormir numa jornada é com sacos de dormir? Que cara idiota!

Mesmo com tantas reclamações, ele acabou tendo que aceitar. Afinal, não poderia dormir no chão. Passou um bom tempo enchendo o colchão, revezando com Larvitar o momento de usar a bomba de ar.

Após uma hora, ele estava cheio e preparado para ser usado. Luke checou seu Pokégear. Era meio dia (12:00). Poderia comer um pouco e tirar um cochilo de tarde. Quando acordasse, poderia continuar seguindo para capturar mais Pokémons.

Voltando a revirar a mochila, revelou todo o seu conteúdo: o kit de primeiros socorros, as Pokéballs, a bomba de ar, alguns petiscos para Pokémons, uma carteira com $3000 para comprar coisas quando precisasse, dois potes com sanduíches e dois engradados de refrigerante da marca Soda Pop. O garoto pegou um dos sanduíches e uma lata de refrigerante. Entregou um petisco para Larvitar e então, percebeu que o Pokémon não tinha nada para beber.

— Olha, eu vou te dar um refrigerante, mas não se acostume. É só agora que eu estou sem água. – e com isso, abriu uma lata e botou entre as mãozinhas da larva.

Após o primeiro gole, Larvitar se sentia completamente revigorado. Não sentia mais os cansaços das batalhas e parecia que a dor havia sumido. Luke, enquanto devorava o sanduíche e tomava o refrigerante com gosto, percebeu a melhora repentina de seu Pokémon. Naquele momento, lembrou-se que alguns Pokémarts de Johto, Sinnoh e Unova vendiam refrigerantes, garrafas de água e limonadas que tinham efeitos semelhantes aos das Potions, mas eram mais naturais. Ficou intrigado se aqueles não seriam assim. Mas, de qualquer maneira, prometeu a si mesmo que passaria a dar mais daquela bebida para seus Pokémons.

-X-

Alguns minutos se passaram e os dois haviam terminado de comer seus lanches. Agora, era a hora de tirar um cochilo. Luke esperava ir dormir naquele momento e acordar umas 2:30 da tarde, descansado e preparado para mais um pouco de jornada, após um sono tranquilo.

Mas teve sua primeira infelicidade quando, assim que se deitou sobre o colchão inflável, o mesmo soltou um longo ruído de ar escapando e imediatamente começou a murchar. Quando Luke se levantou para ver qual era o problema, notou um enorme rombo na parte de cima do colchão e um pequeno e curioso Sandshrew que agitava suas garras que tinham pedaços de tecido presos nelas. Coincidentemente, aquele tecido era da mesma cor e textura do tecido do colchão inflável.

— Ratinho miserável! – gritou Luke, tentando agarrar o Pokémon terrestre, enquanto o mesmo saltava e se esquivava assustado – Você rasgou meu colchão! Agora vou dormir onde? Desgraçado!

Mas antes que pudesse desferir um murro no focinho da criatura, a mesma mergulhou para frente e com suas garras, cavou um profundo buraco na terra, no qual ele entrou e desapareceu no subterrâneo.

— Covarde... – o garoto acusou, voltando-se para seu colchão rasgado. Agora não teria onde dormir, além do chão até que chegasse em Violet e comprasse um saco de dormir decente por lá.

— Pois é... – ele suspirou, jogando o que restara de sua antiga cama no meio do mato – Parece que terei que dormir no meio do mato como faziam os ancestrais.

-X-

Luke, com a ajuda de Larvitar, conseguiu recolher alguns galhos e folhas do bosque e arrumá-los no chão de modo que ficassem razoavelmente confortáveis. Então, o treinador se deitou lá e no mesmo momento adormeceu, sendo imitado pelo seu Pokémon.

-X-

A chuva caía forte sobre as ruas de paralelepípedo. Luke sabia que reconhecia aquele lugar, mas não sabia dizer de onde, nem onde ficava. Na sua frente, duas enormes torres se erguiam, com o topo encoberto pelas nuvens chuvosas. Relâmpagos pipocavam, enquanto estrondos de uma batalha podiam ser ouvidos.

— Ele vai cair! – gritou um velho ancião, no momento em que uma ave colossal desabou do céu e tombou sobre a rua, na frente da multidão que ali se encontrava. Ela era prata com uma barriga azulada. Suas asas pareciam mãos de cinco dedos e os olhos furiosos eram cobertos por uma máscara azul. Ele abriu a boca e os fortes dentes caninos apareceram. Estava irritado e machucado. Luke nunca vira algo igual aquilo.

No entanto, enquanto admirava aquela bela e feroz criatura, outra ave também surgiu do céu, mas esta era bem diferente. Sua cor predominante era o vermelho, mas tinha em seu corpo também tons de branco na barriga e verde e dourado nas penas. Atrás dele era deixado um rastro de brilhos coloridos, como um pequeno arco-íris. Porém, algo nela não contrastava a beleza da ave: a fúria estampada em seu rosto. Ele então desceu dos céus, o bico apontado certeiramente para a face da ave que estava caída no chão. O impacto era previsível e seria certamente fatal para o pássaro prateado, este que parecia olhar diretamente para Luke, pedindo por socorro.

— NÃO! – gritou o garoto, um segundo antes da ave dourada atingir o movimento e um relâmpago escurecer tudo.

-X-

— Nãããão! – apenas o berro de desespero do treinador pode ser ouvido na escuridão. Larvitar no mesmo momento acordou preparado para qualquer ataque que estivesse acontecendo. Mas se deparou com Luke descabelado, ofegante, amedrontado.

- Foi apenas um sonho... – concluiu ele, ao olhar ao redor e constatar que não havia nenhuma ave colossal por perto, nem prateada, nem dourada. Apenas Pidgey’s descansando nos galhos das árvores, que não representavam tanto perigo.

— Larvii? –indagou o Pokémon de pedra, sentando-se ao lado do mestre. Obviamente estava preocupado. O dia já havia se transformado em escuridão e quando Luke olhou em seu Pokégear, constatou que eram 7 horas da noite.

— Parece que dormimos demais, Larvitar. – disse ele, levantando-se e começando a arrumar suas coisas. Naquele momento, a coisa que mais queria esquecer era aquele terrível pesadelo.

Quem era aquela ave prateada? Pensava ele E por que parecia olhar para mim? Mas eram dúvidas que apenas o tempo iria responder.

-X-

Assim que terminaram de se arrumar, saíram andando pela Rota adentro, querendo chegar o mais rápido possível em Violet. Lá poderia dormir em uma cama de verdade e em um lugar civilizado. Talvez algum Pokémon fantasma da floresta tivesse manipulado seus sonhos e ter transformado-os naquele pesadelo.

Porém, enquanto seguia sua trilha noturna, ele avistou algo que despertou seu interesse. Dois pares de grandes orbes vermelhos o espiavam pela escuridão, por detrás das folhas de uma árvore. No mesmo momento, o garoto se alertou. Para se certificar do que era, ele procurou e pegou uma pedrinha no solo, para em seguida arremessar na direção dos olhos. O impacto fez com que a criatura que o observava caísse da árvore, em direção ao chão. E quando ela apareceu em seu campo de visão, iluminada pela luz da Lua, Luke a identificou.

— É um Hoothoot! É um Pokémon que preciso ter em meu time! – gritou ele, ficando em posição de batalha – Larvitar! Use o Bite!

A larva seguiu as instruções de seu treinador e avançando em direção a coruja, mordeu com força sua asa esquerda, logo em seguida arremessando-a com os dentes em direção a um tronco de árvore. Hoothoot não estava preparada para a batalha e fora pega desprevenida, mas não querendo cometer o mesmo erro, rapidamente voou e se esquivou de outro Bite desferido por Larvitar e contra-atacou com um forte Tackle, lançando o oponente alguns centímetros para trás.

— Varie um pouco, Larvitar! Use algum outro movimento que você tenha!

O Pokémon assentiu e então, um brilho brotou em seus olhos, enquanto ele encarava friamente a coruja adversária. Luke não viu muito efeito daquilo, até ordenar outro Bite e ver que o movimento havia sido bem mais eficiente do que antes.

— Então aquele foi um Leer... Pelo que me lembro, ele deve diminuir a defesa do Hoothoot. Muito bem! Larvitar, vamos atacar com outro Bite!

O Pokémon de pedra obedeceu, mas teve o movimento facilmente desviado pelo Pokémon voador, que revidou com outro Tackle e então, utilizou de um outro golpe, no qual atacou com sue bico brilhante na cabeça de Larvitar. O pequeno não aguentou e caiu, meio zonzo, no chão.

— Nossa! Esse foi um lindo Peck! – exclamou Luke – Cara, eu preciso ter esse Hoothoot no time... – mas antes que terminasse a frase, foi interrompido pela coruja que voou um pouco mais alto no céu e expeliu de seus olhos um monte de ondas psíquicas que no mesmo momento atingiram Luke e Larvitar. Os dois foram forçados a continuar olhando e a cada vez mais, se sentiam mais sonolentos.

— Esse... Esse movimento... É injusto... É um... Um Hypnosis... – bocejou o treinador, antes de cair no chão, dormindo, sendo seguido pelo seu Pokémon. Hoothoot apenas os observou mais uma vez e saiu voando, em direção a alguma árvore onde poderia ficar, deixando os dois oponentes caídos, vulneráveis a qualquer coisa que quisesse os fazer mal.

-X-

Uma grande criatura nadava rente ao assoalho do oceano, mantendo-se oculta de qualquer visão curiosa que quisesse espiá-la na escuridão. Suas asas batiam lentamente, funcionando como nadadeiras, enquanto cruzava a uma alta velocidade os mares de Johto. Apenas seus olhos prateados podiam ser vistos, que revelavam uma fúria mista com alívio. Finalmente, o seu herói havia aparecido.

— Luke Unders... - a grande ave sussurrou, enquanto suas asas reviravam o lodo do oceano – Eu estou te esperando.

Notas finais
E aí, gostaram?
Já deu para notar as diferenças entre Unova's Mystery e Johto Trails, não?
Reviews?