Notas iniciais
Bem, pessoal, o último capítulo de 2011 chegou!
Agora o quatro (que já está em uma possível metade) vem só em 2012.
Então, como esse é o último deste ano, espero que os queridos leitores de Johto Trails tenham um ótimo fim de ano e um magnífico começo de 2012!
E boa leitura!

Capítulo 3 – Sustos na Noite

A torre estava em chamas. Pedaços de madeira incendiados caíam por todos os cantos, enquanto pessoas e Pokémon tentavam fugir. Alguns pulavam pelas janelas e encontravam um trágico fim quando percebiam que iriam se chocar contra o chão 5 metros abaixo. A escada já havia sido inteiramente consumida pelo fogo, não dando chance de ninguém escapar. Luke estava sozinho lá em cima. Se encontrava no último andar da torre, o qual desabaria a qualquer momento. As colunas de madeira que sustentavam o lugar estavam rachando, consumidas pelas chamas que dançavam por todo o local.

— Caramba! – Luke deu uma rápida olhada pela janela que era um dos poucos lugares que o fogo não havia pegado. 10 metros o separavam do chão seguro lá embaixo. Dezenas de pessoas observavam, com pena, mas não podendo fazer nada. Só seriam úteis quando a torre finalmente desabasse e elas pudessem enterrar o corpo do pobre garoto preso na Brass Tower. Mas Luke não queria que fosse assim. Ele queria sair dali. Tateou os bolsos, à procura da Pokéball de Larvitar. Não encontrou nada.

Antes que pudesse se desesperar, ele viu algo que não esperava. Do outro lado do corredor em que se encontrava, três pequenas figuras andavam de quatro no chão. Pareciam Pokémons. Um deles liderava o grupo, tentando leva-los para um lugar seguro, onde não fossem pegos pelo fogo. Mas foi tarde demais.

— Não! – gritou Luke, um segundo antes do edifício inteiro desabar, consumido pelas chamas, matando a ele e aos três pobres Pokémons que ali se encontravam.

-X-

Luke acordou assustado. Seu corpo tremia. Sua respiração estava ofegante. Ele podia sentir na pele o calor do incêndio. Podia ainda vislumbrar em sua mente a cena dos três pequenos Pokémons sendo esmagados pelo teto consumido. Nunca se sentira tão perto da morte. E mesmo sabendo que tudo aquilo fora um simples pesadelo, de alguma forma tinha a impressão de que aquilo era real: fosse no passado, fosse no presente, fosse no futuro. Mas era algo que ele preferia esquecer.

Concentrou-se no que via ao seu redor. A última coisa que se lembrava era de ter recebido diretamente um Hypnosis de um Hoothoot e acabar adormecendo junto de Larvitar. O Pokémon Pele de Pedra estava caído ao seu lado, completamente apagado.

— Acorda, Larvitar! – gritou Luke, mas sem resposta por parte do Pokémon.

— Hey, acorde! – ele insistiu, mas ainda sem sucesso. – Acorda, Larvitar! Vai, acorda aí!

Ele suspirou. Aquilo não ia dar certo. Então ele se levantou e abriu a mochila para se certificar que durante seu sono nada fora roubado por Pokémons ou por pessoas. Então, deu um chute em Larvitar, que no mesmo momento acordou, soltando um grunhido de indignação.

— Larvii? – ele questionou ao seu treinador, irritado por ter sido acordado de forma tão violenta.

— Eu mandei você acordar... – ele disse, levantando as mãos em sinal de inocência – Agora vamos. Quero chegar logo em Violet.

Mas antes que desse o primeiro passo, estacou. Olhou ao redor. Não fazia a menor ideia de onde estavam, a não ser que era uma clareira bem profunda na mata. A lua brilhava fracamente no céu e quando Luke checou o relógio do Pokégear, constatou que era madrugada. Ao seu redor tudo estava escuro, de modo que ele não soubesse de onde estivera vindo e para onde deveria ir. Naquele momento, arrependeu-se de não ter levado uma lanterna ou um Pokémon de fogo para iluminar o caminho.

— Bem, parece que teremos que... Arriscar e andar por aí às cegas? – sugeriu ele – Ou devemos ficar aqui e esperar o dia amanhecer?

Assim que terminou de dizer aquela frase, foi respondido por um som agudo vindo da mata. Um cheiro de veneno se espalhou pelo ar. Uma presença estranha podia ser sentida, mas não fazia barulho nenhum conforme ia se movendo pela mata, apenas espreitando o treinador e seu Pokémon.

Até que Luke pode ver algo. Do meio da escuridão, repentinamente, dois grandes e feios orbes brancos se abriram, olhando ameaçadoramente para o garoto. Um par de mãos estranhas surgiu no campo de visão deles também, agarrando o ar. E um segundo depois, um corpo surgiu atrás.

A visão não era das boas. O corpo era completamente separado das mãos, fazendo com que pudessem tomar direções totalmente diferentes. A criatura flutuava acima do solo, ficando na mesma altura que os olhos de Luke. Seu corpo parecia não pesar nada, parecia feito de ar. Ar não... Parecia gás. Veneno. E no centro do rosto estava a enorme boca, com os dentes afiadíssimos preparados para mais uma refeição.

— Um Haunter... – o garoto identificou. Afinal, por vir de uma cidade em que o líder de Ginásio treina fantasmas, ele deveria conhecer bem a respeito. Mas os únicos fantasmas que Luke conhecia eram os treinados. Ele não fazia a menor ideia do que um selvagem poderia fazer.

-Haaaun... – sibilou o Haunter, se aproximando cada vez mais do garoto.

— Larvitar, prepare-se para uma batalha! – Luke ordenou, amedrontado. A larva, mesmo em pânico, aceitou e se posicionou a frente do treinador, esperando que Haunter tomasse uma posição semelhante do outro lado da clareira. Mas isso não aconteceu. O fantasma continuou vindo em frente, sem nem ligar para Larvitar. Não parecia ter medo de treinadores em seu território, como a maioria dos outros Pokémons. Seu riso diabólico mostrava o contrário. Ele até gostava que estes aparecessem. Ele devia adorar brincar com suas vítimas.

— Acho que essa estratégia não funcionou... – percebeu o garoto. Ele olhou para trás e sob a fraca luz da Lua, percebeu uma saída da clareira. No mesmo momento, chamou por Larvitar e começou a correr.

-X-

Correram até não poderem mais. Assim que chegaram perto de uma grande árvore no bosque, Luke desabou no chão. Sua respiração falhava e ele não tinha energia sequer para falar. Larvitar chegou logo atrás, tão cansado quanto, mas se manteve de pé e de vigia. Não queria que o Haunter pegasse seu treinador enquanto este estava descansando, afinal, a larvinha se preocupava muito com ele. Eles eram amigos há tempos e ele odiaria saber que alguma coisa aconteceu a Luke.

Assim que ele rondou a área e percebeu que estava tudo limpo, sentou-se ao lado do garoto. Luke estava ofegante, mas já estava melhor e conseguiria dar outra boa corrida se algum perigo aparecesse. No entanto, eles sabiam que não podiam ficar muito tempo ali. Tinham que seguir jornada em frente, mesmo não sabendo para onde estavam indo. Se ficassem muito tempo parados, Haunter ou alguma outra coisa poderia os achar. Luke então se levantou e ajeitou a mochila nas costas, sendo seguido de Larvitar.

— Quem são vocês? – uma voz perguntou da mata, assustando aos dois que queriam sair logo para caminhar. O garoto não identificou de onde ela vinha e começou a se assustar.

— Quem está aí? – a voz persistiu – Mostre-se!

— Mostre-se você. – Luke retrucou. Ele ouviu um suspiro e do meio de um arbusto, uma garota saiu.

Ela era linda aos olhos do treinador. Um belo corpo contrastava com olhos azuis profundos e longos cabelos castanhos. Vestia naquele momento shorts jeans que cobria apenas metade das coxas, uma camiseta branca sobreposta de uma jaqueta preta sem mangas, um boné branco com detalhes em rosa e um tênis negro com detalhes também em rosa. O Pokégear vermelho estava bem preso ao pulso e ao seu lado, a menina trazia um pequeno e curioso Teddiursa que observava a tudo com seus grandes orbes negros.

— Ah, é só um garoto... – ela soltou um suspiro de alívio e sorriu para seu Teddiursa – Viu? Não tem com o que se preocupar!

— Teeddi... – o ursinho parecia desconfiado. Depois, soltou um pequeno sorriso – Ursa!

— Érr... Quem é você? – questionou Luke, confuso.

— Prazer, meu nome é Kimberly Morrison, mas pode me chamar só de Kim. É assim que minha família me chama. – ela estendeu a mão.

— Ok, Kim... – o treinador a cumprimentou – Eu me chamo Luke Unders e venho da cidade de Canalave. Mas morei com meu tios em Ecruteak durante os últimos 5 anos.

- Humm... Você então não é de Johto, igual a mim! Nasci em Floaroma, também em Sinnoh, mas preferi começar uma jornada por Johto. Minha meta é ser uma grande Top Coordenadora, igual ao meu irmão!

— Você participa de Contests, então? Quantas fitas você já tem?

— Nenhuma. Cheguei a Goldenrod de avião ontem. Ouvi dizer que haveria um Contest em Violet daqui a 10 dias. Estava viajando para lá e tentar meu primeiro. Você é coordenador também?

— Nem. – Luke estufou o peito, em sinal de orgulho – Meu tio já foi campeão da Liga Johto durante 10 anos e eu pretendo ganhar todas as insígnias para vencer a Elite e retomar o posto para a minha família.

— E você já tem a insígnia de Ecruteak? – Kim perguntou, interessada.

— Não... – o garoto respondeu, envergonhado – É que meu tio achou melhor eu ir para Violet primeiro. Os amigos dele, os professores Oak e Elm estão me esperando. Eles tem umas surpresas para mim. E aí eu começo pelo Ginásio de lá.

— Entendo... E agora posso fazer só mais uma pergunta?

— Claro!

— Por que você estava correndo que nem um alucinado por aí?

— Bem... É porque... – antes que Luke pudesse gaguejar a frase completamente, um silvo ecoou pelo local. Um par de mãos sombrias apareceu de repente, sendo seguido pela feia cabeça de seu dono. O garoto gritou – É por causa daquilo!

Haunter não estava feliz. Ele não gostara de ter que procurar a sua presa fugitiva. Mas agora que encontrara, não iria deixar escapar de novo. No mesmo instante, seus olhos começaram a brilhar em um tom arroxeado, enquanto emanava várias ondas de energia sombrias dos mesmos. Luke, Larvitar, Kimberly e Teddiursa foram envolvidos em uma aura negra. Quando tentaram fugir, seus pés pareciam grudados no chão. Estavam presos no feitiço de Haunter.

— Este movimento foi o Mean Look! – explicou Luke – Quando alguém está sob o efeito disso, não pode fugir. Só poderemos sair daqui depois que derrotarmos o Haunter!

— Sem problemas! – disse Kim, confiante. – Eu e Teddiursa cuidamos disso! Use o Scratch!

O ursinho, meio receoso, avançou andando na direção do adversário. Assim que se aproximou, saltou e tentou desferir um arranhão na face de Haunter. Mas, quando percebeu, estava atravessando o corpo gasoso do fantasma e caindo de cara no chão, sem fazer nem cócegas em seu oponente.

— Kim, você não sabia que ataques normais não tem efeito em Pokémons do tipo fantasma? – estranhou Luke – Para causar um dano eficiente nele, você precisaria usar outro tipo fantasma, ou noturno ou psíquico, aproveitando que ele também é tipo venenoso.

- Ah... – Kim concordou, sem graça. Apesar de ser durona em batalhas, ela nunca fora boa com estratégias ou na parte tática. E essa informação era completamente nova para ela.

Haunter ria histericamente da tentativa falha do ursinho ataca-lo. Assim que conseguiu segurar o riso, se virou para esse oponente e fez uma horrível careta para ele, mostrando a língua e fazendo suas mãos flutuarem bem longe do resto do corpo. O Pokémon do tipo normal no mesmo instante começou a chorar e a berrar, para o divertimento do fantasma.

— Teddiursa, não! – Kim gritou, sacando uma Pokéball do bolso – Retorne!

Mas ao invés do raio vermelho sair e recolher o Pokémon, a Pokéball e o Teddiursa brilharam em um tom roxo piscante.

— É efeito do Mean Look! – explicou Luke – Ele impede que você retorne o Pokémon afetado. Teddiursa está preso no campo de batalha, assim como Larvitar. Mas nós iremos dar um jeito nesse palhaço de gás, certo?

— Larvii! – o Pokémon de pedra assentiu, posicionando-se. Desta vez, não iria fugir por dois motivos: o primeiro era que não podia, graças ao Mean Look. E o segundo era que seu treinador precisava dele. Por isso, ele precisava ser forte e enfrentar o fantasma.

— Hauun? Haun-aun-aun-aun! – gargalhou Haunter assim que viu quem seria o seu próximo oponente. Imaginava que seria fácil e ridículo como fora com o outro, por isso, apenas se aproximou e soltou outra horripilante careta.

Larvitar se assustou, mas mesmo assim, manteu-se firme e em seguida, virou seu corpo de ponta cabeça e apoiando-se em seu chifre da cabeça, começou a girar. De seu corpo rochoso foram soltas várias partículas de areia que em um segundo se transformaram em uma forte tempestade de areia que circundou o campo. Haunter teve que recuar e levantar as mãos sobre a testa para que nenhum grão entrasse em seus olhos. Kim estava fascinada.

— Seu Larvitar conhece o Sandstorm!

— Pois é... – Luke concordou, com vergonha de admitir que nem mesmo ele sabia disso. Mas agora já era um movimento a mais no arsenal da larvinha e ele iria fazer um bom proveito – Vamos! Aproveite a baixa visibilidade dele e use o Bite!

Larvitar não perdeu tempo e se misturando aos grãos de areia flutuantes, rapidamente desferiu uma forte mordida na mão direita de Haunter. O fantasma gritou, mas rapidamente se transformou em gás e flutuou para o outro lado do campo, deixando seu oponente mordendo o ar.

- Larvitar, use o Bite de novo!

A larva tentou a mesma estratégia anterior, mas desta vez Haunter estava mais esperto. Assim que notou o adversário se aproximando, flutuou mais alto, fora do alcance da mandíbula de Larvitar, criando assim uma ótima evasiva.

— Deixe comigo agora! – disse Kimberly – Se eu não posso recolher o Teddiursa, vamos botar mais um Pokémon em campo! Drifloon, eu escolho você!

Ela disparou uma Pokéball que se abriu no ar e expeliu um Pokémon parecido com um balão. Seu corpo era roxo e possuía um grande X amarelo no meio da cara. Um “cabelo” branco ficava no topo da cabeça.

— Uou! Não se encontra esse tipo de Pokémon por aqui em Johto. – disse Luke – Onde conseguiu?

— Meu irmão capturou para mim começar minha jornada, em Sinnoh. Foi meu inicial. – ela disse, com orgulho – Agora, parceira, use o Gust!

Os fiozinhos que ficavam localizados na parte debaixo do corpo do balãozinho começaram a rodopiar e logo, liberaram uma forte ventania que atingiu Haunter em cheio. O Pokémon fantasma começou a ser levado para longe, mas antes que seu corpo gasoso pudesse ser desfeito pelo vento, flutuou para a direita e saiu do alcance do movimento.

— Larvitar, ataque com o Bite! – ordenou Luke.

— Drifloon, Shadow Ball!

Os dois movimentos foram certeiros. Antes que Haunter pudesse se esquivar, estava com a cabeça sendo mordida violentamente pela larva. Quando tentou se livrar dela, percebeu que o seu outro adversário estava criando uma grande esfera feita completamente de sombras entre os fios que funcionavam como mãos. Ele rapidamente disparou e atingiu um segundo depois que Larvitar saiu de perto para não sofrer com o impacto.

Quando a areia movimentada pelo golpe se dissipou, os dois treinadores avistaram Haunter caído no chão, inerte. Seus olhos fechados indicavam que estava nocauteado.

— Fez um bom trabalho! – cumprimentou Luke.

— Você também... – respondeu Kimberly. Ela observou o Teddiursa ainda chorando de medo no chão e o recolheu para a Pokéball, fazendo o mesmo em seguida com Drifloon.

— Cara, aquele Shadow Ball foi muito legal! É um golpe bem avançado para o nível do Drifloon... – comentou Luke.

— Bem... Meu irmão colocou alguns truques nele. Ele queria o melhor para ser o meu inicial.

Eles passaram algum tempo em silêncio. Apenas os piados dos Hoothoot podiam ser ouvidos na noite escura e profunda.

— Acho que vou voltar para meu acampamento então e esperar o dia amanhecer para continuar seguindo minha jornada. – ela anunciou.

— Bem, sabe o que eu estive pensando? – falou o garoto, meio envergonhado. Suas bochechas coraram – Já que você vai também para Violet... E eu também... E nós estamos indo para o mesmo destino. E lá vai ter Ginásio e Contest... Que tal... Que tal a gente... Bem...

— Viajarmos juntos até lá? – sugeriu Kim, esforçando-se para não rir do constrangimento de seu amigo.

— É... – ele respondeu, xingando-se mentalmente por gaguejar e ficar sem graça na frente dela.

— Eu iria adorar! – ela sorriu e começou a adentrar uma trilha menor na floresta, que dava em uma clareira – Vamos acampar aqui então. Quando amanhecer continuamos a jornada!

— Bem... Acontece que... Eu não tenho onde dormir. Meu colchão de ar foi furado por um Sandshrew desgraçado ontem...

Kimberly riu.

— Tudo bem, eu te empresto meu saco de dormir reserva. Mas chegando em Violet você compra outro, tudo bem? – disse ela, entregando o objeto.

— Ok! –respondeu ele, colocando sua mochila no chão e preparando-se para dormir em seu saco emprestado.

— Ah, e a propósito, feliz Natal!- disse Kimberly, um pouco antes de virar o rosto, deitar-se e cair no sono.

Luke havia até se esquecido. Era dia 25 de Dezembro. E ele havia tido um ótimo começo de Natal!

Notas finais
Bem, gostaram?
Espero reviews! ;)
PS Importante:Venho avisar que o blog da fic já está no ar. Nele postarei coisas como Trainer Cards, informações sobre personagens, Pokémon's, etc. Se quiserem ver, aqui vai o link: http://pokemonjohtotrailsmais.blogspot.com/.