Poison in the Blood
4 Forças Misteriosas
Notas iniciais
Apartamento de Rebecca Jackson – Hell’s Kitchen
Um mês depois...
Rebecca olhava pela janela vendo os carros passando lá em baixo, seu apartamento ficava na cobertura, claro, mas ainda sim parecia uma prisão sem fim. Suas visitas nos últimos dias foram apenas Alice para contar do noivado que seria no Caribe com direito a queima de fogos e de Claire que estava indo para a Europa começar os seus estudos sobre literatura moderna.
—Eu queria muito que você viesse conosco Rebecca, o navio do nosso cruzeiro vai partir daqui duas semanas, se você conseguir convencer o seu pai, por favor, nos avise. – Disse Alice com um olhar esperançoso mais sabendo que seria quase um milagre isso acontecer.
—Vou fazer o possível. Alice, eu prometo. – Disse Rebecca sentindo-se muito chateada pela situação absurda.
—Agora o que eu quero saber de verdade é sobre o seu segurança gato, ele te procurou depois do dia no hospital? – Claire falou olhando do alto da janela.
—Não. Acho que meu pai deve ter convencido ele a ficar longe de mim. – Rebecca falou chateada mais as amigas se entreolharam.
—Impossível Becca, quando as visitas finalmente foram liberadas, e olha que demorou mais de três anos pra isso acontecer, eles diziam que você estava irreconhecível e que precisava de todo o cuidado possível, sem falar que estava em uma ala reservada da UTI, um lugar para casos especiais, bem, quando isso aconteceu, Clint Barton ficou todos os dias tentando ver você, uma vez até ajudamos ele a entrar. – Disse Claire rindo e Alice acompanhou a amiga em suas lembranças divertidas.
Aqueles pensamentos fizeram a jovem de 23 anos respirou fundo batendo a testa contra o vidro, milagrosamente todo o seu corpo estava recuperado, simplesmente tudo, tecido, órgãos, ossos, tudo, não havia ficado nenhuma sequela da explosão, o que os médicos chamaram de puro milagre, mas do que adiantava estar viva se a vida que conhecia tinha acabado? Se agora ela era obrigada a ficar ali sozinha durante dias? Suas melhores amigas estavam estudando, casando e aproveitando a vida em cruzeiros, enquanto ela era obrigada a permanecer trancada em uma prisão de luxo sem direito a internet.
Sem ter muito o quê fazer Becca foi tomar um banho quente, era tudo o que podia fazer sem que seu quarto fosse invadido por 500 seguranças, adorava o vapor do chuveiro invadindo seu pulmão, limpando qualquer pensamento ruim, adorava o perfume de alfazema, então seu shampoo favorito tinha essa essência, enquanto tomava banho sabia que até os seguranças sentiam o cheiro pela casa, ela pensou em Clint, em seu sorriso, na sua presença, em como suas palavras sempre lhe faziam bem, lhe dava apoio, ele era um homem incrível e pela primeira vez ela via isso, mas até mesmo a tentativa de falar com Clint havia sido frustrada, por sorte ela conseguiu guardar o cartão com o numero dele, no entanto, seu celular foi confiscado o que a deixou furiosa.
“-Pai isso é um absurdo, como eu vou ver minhas redes sociais desse jeito?” – Disse Sarah encarando o pai que parecia frustrado.
“-Estamos no final da campanha Becca, e não é só isso, existem pessoas que...ah, bem, eu não quero falar sobre isso, você precisa ficar longe desse homem, ele e aqueles amigos dele são perigosos, vão colocar você em perigo, você sabe disso.” – Daniel passou a mão pelo rosto de forma cansada, Becca tinha certeza que ele estava escondendo alguma coisa, algo sobre ela que precisava saber.
Ao sair do banho Rebecca colocou um short jeans curto e uma camiseta branca básica, afinal não iria para lugar nenhum, ela ligou a TV na tentativa de ver uma de suas series favoritas na Netflix, ao menos essa era a vantagem de ter ficado em coma por 5 anos, agora todas as suas séries ou pelo menos a maioria já haviam sido concluídas, foi até a cozinha e fez um cappuccino com creme, estava pensando seriamente em ligar o aquecedor, mas ainda não era o momento, gostava do frio da noite.
Naquele momento ela ouviu um barulho estranho vindo do lado de fora, primeiro ela ficou feliz pensando que poderia ser Clint mais uma vez batendo nos seguranças para vê-la, mas por alguma razão ele não havia feito isso ainda, estava chateada, achou que depois de toda a conversa no hospital ele iria ficar mais presente, pensou que ele enfrentaria o mundo por ela, só que ele ainda não tinha dado as caras, talvez seu pai tivesse convencido ele também. Um barulho de tiro lhe chamou a atenção, ela sentiu um medo percorrer a espinha e sua cabeça doeu como se estivesse tendo um choque, era uma dor muito intensa.
Um homem vestido de preto aparentemente com roupas especiais para enfrentar uma guerra arrombou a porta com toda a força, logo atrás dele entrou vários homens vestidos de forma igual, apenas um homem usava terno branco com um olhar interessado. Os homens ao redor apontaram armas para Becca que parecia estar vendo um filme só que do ponto de vista do personagem que sempre acaba em apuros, do lado de fora os corpos dos seus seguranças pareciam empilhados um sobre o outro, envolvidos pelo sangue de todos formando uma obra de arte sangrenta.
—Senhorita Rebecca Jackson, meu nome é Wilson Fisk, tenho certeza que já ouviu falar de mim. – Fisk falou calmo mexendo em suas abotoaduras enquanto se posicionava na frente de Becca que parecia estremecer de medo. –Sabe, eu não costumo aparecer em publico, mas graças a certas pessoas eu perdi muito do meu prestigio nesta cidade, e preciso recuperar o que é meu e eu tenho interesse em suas habilidades peculiares. – Disse o homem extremamente alto, forte como um touro mais de voz melódica e tranquila.
—Eu? Eu não tenho nenhuma habilidade, eu... nem sei quem são vocês. – Rebecca estava tentando ganhar tempo, seu coração estava batendo rápido demais, havia medo e muita dor, seu cérebro parecia uma panela de pressão.
—Acredito que seu pai não lhe falou nada sobre o projeto Poison, falou? – Fisk falou segurando uma pasta nas mãos e entregando a ela com cuidado, a menina, no entanto, estendeu a mão tremula até o mesmo tentando ser corajosa. – O Projeto Poison é sobre o que estava sendo desenvolvido no laboratório onde seu tio trabalhava, onde acidentalmente você estava no momento da explosão, bem, devo dizer que o crédito daquilo foi todo meu. – Fisk falou com um pequeno sorriso em seu rosto e Becca quase não podia acreditar.
—Foi você? – Disse a menina com lágrimas nos olhos sem compreender o, por que de tudo aquilo.
—Não pessoalmente é claro, naquela época eu estava preso, mas tinha meus contatos e uma necessidade de resolver algumas coisas, as Indústrias Stark ganharam o direito de financiar o projeto, quando na verdade eu havia sido o responsável por tudo, foi muito injusto da parte deles comigo. – Fisk falou abrindo os braços mostrando a si mesmo enquanto Becca parecia presa em um pesadelo.
—Eu ainda não consigo entender, o que eu tenho haver com isso? Porque está aqui agora depois de cinco anos? Porque só agora? – Ela falou e então abriu a pasta onde uma foto sua ainda adormecida apareceu logo no inicio do protocolo.
Protocolo de Segurança – Teste 01
Aqui é o medico chefe do projeto Poison, segunda fase, estamos trabalhando com o que sobrou do corpo de Rebecca Jackson que foi infectada com o Poison a uma semana, seu corpo está totalmente desfigurado, ela ainda tem os órgãos principais funcionando, mas sua mente permanece em coma, pensamos seriamente em traze-la de volta, mas seria um choque muito grande para uma mente humana.
O objetivo do Poison era curar qualquer doença, no entanto ele continha um veneno poderoso em sua grade de combinações químicas, ainda não sabemos o quanto isso afetará os resultados finais, mas o importante é que ele parece funcionar perfeitamente na senhorita Jackson.
Rebecca viu sua foto e ao lado várias anotações que pareciam ser importantes sobre o que devia ser “A Cura para todos”, mas aparentemente algo deu errado. Seu sangue parecia matar os animais doentes ao invés de cura-los, além disso, a imagem de seu corpo era algo apavorante, com partes de seu corpo ligados apenas por uma fina linha de carne ou veias, não havia face, nem seios ou coisas do tipo, estava totalmente sem pele e as costelas permaneciam expostas assim como o coração, se fosse um vídeo ela provavelmente iria vê-lo bater.
—Esse lugar não é o hospital se é o que está pensando, o governo da época obrigou Daniel Jackson a “emprestar” você para que recolhessem material suficiente para testes em cobaias, no entanto você ficou três anos inteiros lá, com o acordo, seu pai ganhou a campanha para embaixador da ONU o que alavancou a carreira dele e agora está querendo ser o novo presidente do país, eu não votaria em um homem que vende a própria filha. – Fisk falou rindo e alguns soldados acompanharam seu riso seco, Becca estava chorando, ela tentava esconder as lágrimas, mas aquilo era baixo demais, até mesmo para seu pai, então aquele era o segredo? Era aquilo que ela não podia saber?
—Eu fui contaminada com algum tipo de reagente químico enquanto estive no laboratório, ok, isso eu já entendi, mas se já foi comprovado que não posso ajudar com isso, se meu sangue apenas matou pessoas, então porque está aqui? Quer me matar também? – Rebecca falou encarando Fisk, ela não conseguia entender porque os porteiros não haviam chamado a policia ainda, o que estava acontecendo de errado, mas alguma coisa lhe dizia que estavam todos mortos ou sendo ameaçados, ou pior, foram comprados.
—Claro que não minha querida, eu estou aqui para lhe oferecer uma chance de mostrar ao seu pai que tem controle sobre suas forças. – Fisk fez um gesto para os homens mais próximos e ambos tocaram em Rebecca segurando com força seus braços, no entanto, no momento em que eles tentaram tira-la do quarto Becca pode sentir suas vidas entrando em fusão com sua alma, com seu corpo, ela estava absorvendo cada um deles, engolindo suas vidas com as mãos.
Os homens caíram no chão com os corpos secos, como se fossem uma espécie de múmias, Becca olhou horrorizada para as próprias mãos e depois para as pessoas mortas por culpa dela, seu coração doeu, ela sentiu como se houvesse uma bomba em seu peito.
—Fiquem longe de mim. – Becca gritou enquanto corria apavorada para a saída de incêndio, ela conseguiu se jogar para fora enquanto os homens disparavam contra ela, um dos tiros pegou de raspão em sua perna, ela sentiu a carne arder, queimar como fogo em brasa e minutos seguintes não havia mais ferimento.
—Parem de atirar seus tolos, eu preciso dela viva, morta não vai fazer diferença, andem logo antes que seja tarde demais. – Fisk falou sério enquanto olhava pela janela, não devia ser muito difícil achar uma garota com poucas roupas no meio da noite fria de Hell’s Kitchen, alguém iria abrir o bico.
Rebecca estava descendo pela escada de incêndio e não parecia ir rápido o suficiente, mas mesmo assim ela não parava de correr, para facilitar a fuga, a jovem arrancou os sapatos e os arremessou contra os homens que corriam atrás dela, eles não tinham ordens para atirar, o que facilitou muito as coisas, quando faltava três lances de escada ela se desiquilibrou e caiu com força em cima dos sacos de lixo do prédio, sentiu uma forte dor na perna e percebeu que a mesma estava quebrada, com um movimento rápido ela puxou a mesma colocando os ossos no lugar, o que a fez urrar de dor.
“Andem, ela não deve ter ido longe.” – Disse o homem que parecia ser o líder daquela perseguição, isso fez com que Becca corresse ainda mais rápido mesmo sentindo dor, só que para sua surpresa mais uma vez sua perna se curou de forma rápida.
Depois de tanto correr ela se deparou com um beco sem saída, estava apavorada, seu coração estava batendo com tanta força que parecia explodir de dentro pra fora, no entanto, sua dor de cabeça tinha diminuído, estava bem mais forte agora do que no começo da perseguição, mesmo assim, tinha medo de ser levada por aqueles homens, e um tiro foi dado, o líder disparou um dardo tranquilizante bem no coração da jovem, aquilo provavelmente iria paralisa-la por mais tempo, Becca começou a sentir as vistas ficando embaçadas, sentiu medo do que estava por vir, foi então que um homem surgir a sua frente, como um protetor, um guardião, um demônio.
—Não deixem ele vivo. – Foi á única coisa que ela conseguiu ouvir antes do tiroteio começar e o demônio a sua frente partir de mãos limpas para cima dos inimigos, depois disso tudo ficou escuro.
Apartamento de Matt Murdock – Hell’s Kitchen
Rebecca acordou sentindo o sol da manhã entrar pela janela, estava com uma camisa diferente, muito maior do que a sua, vermelha, provavelmente era masculina, passou a mão pelo corpo onde havia sido baleada, não havia marcas, nem os ferimentos das pernas, nem o tiro de raspão, nem o local onde o dardo tranquilizante havia lhe atingido, ela estava perfeita, tão perfeita quanto antes, passou a mão pelos lençóis de seda, era a única coisa fina o suficiente naquele lugar para lhe trazer algum conforto real, sempre foi acostumada com o luxo, mas por alguma razão estava até gostando daquele lugar, olhou ao redor e viu um quarto simples, pequeno, até o banheiro da sua cobertura era maior do que aquilo, podia sentir o cheiro forte de café sendo feito na hora, aquilo lhe trouxe uma lembrança do passado, sua mãe costumava fazer café para ela, mesmo tento milhares de empregadas para isso, sua mãe sempre foi uma mulher simples e amável.
O barulho que vinha da rua era alto, o prédio provavelmente devia ter poucos andares, ela estava pelas redondezas de Hell’s Kitchen isso era certeza, ela andou com cuidado, até a porta e abriu segurando a respiração, tinha muito medo de ver Fisk novamente ou um de seus capangas, ela também lembrou dos homens que tinha matado, dos corpos caindo sem vida como múmias secas ao chão, aquela imagem jamais iria sair de sua cabeça.
—Ah você já acordou, espero que não esteja ferida, mesmo que suas roupas possam sugerir algo diferente. – Disse a voz tranquila de um homem jovem, cabelos castanhos com um tom levemente avermelhado, usava um terno barato e óculos redondos e vermelhos, um charme na verdade, a única coisa estranha era a camiseta branca que ele segurava nas mãos com um buraco a bala bem no rumo do coração.
—Eu..., essa blusa é minha. – Disse a jovem constrangida e Matt riu, ele podia sentir o rosto dela queimando de vergonha, podia sentir seu coração acelerado, ele ainda podia lembrar dos capangas de Wilson Fisk no encalço da jovem, algo muito errado estava acontecendo por ali.
—E essa que está usando é minha. – Matt falou ainda com o mesmo sorriso percebendo que ela abraçava o próprio corpo, estava tentando entender a situação mais parecia muito confusa. – Meu nome é Matthew Murdock, mas meus amigos me chamam de Matt. – Ele falou andando com cuidado até Becca lhe entregando a blusa. –Eu sou advogado, você vai ficar segura aqui até encontrar um lugar melhor.
—Foi você que me salvou? – Rebecca perguntou desconfiada olhando ao redor como se procurasse por uma roupa de demônio no armário.
—Como você verá, eu não poderia ser essa pessoa. – Disse Matt esticando a mão com cuidado ao lado de seu balcão da cozinha, Becca ficou preocupada mais no minuto seguinte viu que o homem pegava uma bengala, daquelas que cegos costumam usar. –Viu o que eu disse? Não posso sair por ai batendo em pessoas, mas eu tenho um amigo que pode. – Ele falou sorrindo e seus sentidos mostraram que Becca ficou feliz com aquilo, assim como seu coração voltou a acelerar. –Meu amigo ajuda as pessoas, e quando viu que você precisava não pode deixa-la para trás, só que você estava desmaiada por causa do tranquilizante que lhe deram, então ele achou mais seguro deixar você comigo, aqui você não corre risco algum. – Matt falou ainda sorrindo como se no fundo aquilo fosse uma espécie de piada, mas Becca estava feliz por saber que seu salvador existia de verdade e não era apenas uma fantasia.
—Então, então diga ao seu amigo que eu agradeço muito, eu vi a forma que ele surgiu do nada usando aquela roupa de demônio. – Becca precisou rir, era engraçado dizer que um demônio havia lhe salvado. – Eu já tinha ouvido falar sobre os vigilantes da cidade, mas nunca tinha tido a experiência de ver um em ação, mas diga a ele que eu agradeço muito por ter me ajudado naquele momento, eu jamais teria saído daquela situação se não fosse ele, e quando ele precisar pode contar comigo e...nossa, seu rosto está ferido. – Rebecca falou ao se aproximar um pouco mais Matt manteve a calma.
—Eu sou cego. Infelizmente acidentes acontecem. – Ele falou andando até Becca, ele ia toca-la no ombro, mas Rebecca se afastou rapidamente. -E vejo que não é só comigo. – Matt ficou sério ao perceber que a menina se afastou com medo.
—Desculpe, não quis ofender. – Becca ficou envergonhada por ter agido daquela forma. – É que aconteceram umas coisas, eu não sei bem ao certo o que aconteceu. – Rebecca estava confusa, em um dia ela era apenas uma garota com sorte que sobreviveu a uma explosão, no dia seguinte ela está sendo perseguida pela máfia da cidade e por homens tão armados quanto o exercito, aquilo era demais para qualquer pessoa, e confiar em um estranho era uma tarefa difícil.
—Tudo bem. – Disse Matt com calma, ela havia passado por muita coisa naquela noite, era normal estar com medo. –Eu sei que fizeram coisas horríveis com você, os homens de Fisk normalmente não deixam rastro.
—Você conhece aquele homem horrível? – Rebecca falou encarando Matt mostrando os seus medos.
—Eu sou advogado, mas trabalho com pequenas causas, eu tenho uma firma, bem, eu tinha uma firma com um amigo meu, Nelson e Murdock, nós conseguimos prender Fisk, mas você sabe como é a justiça, eles nem sempre fazem o que é certo. — Disse Matt com seu sorriso charmoso aquecendo o momento mais uma vez. –Quer café?
—Fisk disse que quer me levar, ele disse muitas coisas confusas, eu preciso falar com um amigo, só ele vai poder me ajudar agora, ele trabalha para uma organização, tenho certeza que vai poder me explicar o que fizeram comigo, acho que preciso fazer uma ligação.
—Claro, mas eu não sei o seu nome ainda, não pode usar meu telefone sem dizer o seu nome. – Matt sorriu entregando uma xicara de café para Becca que aceitou rapidamente, ela estava exausta, mas muito feliz por ter encontrado aquele homem tão atencioso, um amigo especial, o que ela não podia prever é que suas mãos se tocaram e no mesmo instante todos os ferimentos que estavam expostos no rosto do advogado sumiram, incluindo alguns ferimentos que ela não podia ver.
—Você está bem? – Becca disse preocupada, mas percebeu que ao tocar mais uma vez em Matt ele tornava a ficar com um aspecto bem melhor do que tinha.
—Eu me sinto ótimo, consegue me explicar isso? Você é uma mutante? Aprimorada? Experiência cientifica ou apenas acordou de bom humor? – Matt parecia bem com aquilo tudo, mas Becca estava impressionada, era a primeira vez que curava alguém.
—Eu não sabia que podia fazer isso, eu, sabia que podia machucar as pessoas, mas não sabia que podia curar também. – Seu coração parecia mais aliviado com aquela noticia e Matt percebeu que estava na presença de uma pessoa boa, alguém que se importava com os outros.
—Agora eu entendi. – Disse ele sorrindo, naquele momento Rebecca percebeu que o sorriso de Matt falava muito mais do que o olhar de algumas pessoas, era uma forma diferente de se comunicar, uma forma que possuía muita emoção, ela nunca teve contato com pessoas cegas antes, ou qualquer tipo de deficientes, aquilo era novo, e sinceramente estava gostando muito.
—O que? – Disse rindo também, por mais que a situação fosse louca ela não podia perder o espirito confiante de sempre.
—Porque você não quis me tocar agora pouco, eu achei que era o meu hálito. – Disse o homem fazendo a menina rir. –Normalmente as pessoas não tem medo de um pobre homem cego. – Matt falou erguendo a bengala no ar.
—Você sempre faz piadas com tudo não é? – Rebecca falou e Matt apenas deu de ombros ainda rindo, ela olhou em volta e viu como a cozinha parecia organizada especialmente para alguém com problemas de visão, o lugar não tinha muitas cores, o que obvio, mas tinha tudo separado e bem posicionado, principalmente as facas com as laminas para baixo. -Bem, meu nome é Rebecca Jackson, mas meus amigos me chamam de Becca, eu moro aqui em Hell’s Kitchen faz pouco tempo e você é meu primeiro amigo dessa nova vida. – Becca sorriu e estendeu a mão na direção de Matt.
—Eu posso ser seu advogado senhorita Jackson, só espero que seu pai não se incomode com isso, ouvi dizer que ele é bem conservador. – Matt falou e Becca sentiu-se estranha, não podia mais confiar no pai.
—Eu preciso muito usar seu telefone senhor Murdock. – Ela falou um pouco séria, precisava resolver o que iria fazer de agora em diante, tinha medo de voltar para casa, mas também não podia ficar no apartamento daquele homem, por mais que Matthew tivesse demonstrado boas intenções, ainda sim não podia arriscar, e também não podia lhe trazer problemas, se ao menos o vigilante estivesse ali para ajuda-la mais uma vez.
—Claro, mas com uma condição. – Matt falou sério deixando a menina preocupada.
—Você tem que me chamar apenas de Matt, senhor Murdock me lembra a minha mãe. – Disse Matt tranquilo, ele sabia que estava em uma situação muito complicada, sabia que aquela jovem em seu apartamento estava correndo risco de vida, e que Fisk estava envolvido nisso, ele estava “Pessoalmente” envolvido nisso, e Fisk não era um homem de se envolver.
—Tudo bem então Matt, eu prometo que só vou fazer uma ligação, eu juro. – Disse a jovem enquanto Matt lhe mostrava onde ficava o telefone, ela só podia ligar para uma pessoa naquela situação.
Apartamento de Clint Barton – Queens
O apartamento de Clint Barton era bem simples, havia um sofá marrom no canto esquerdo da sala, uma mesa de centro com papéis espalhados e uma TV em m painel na parede oposta, o corredor levava até a cozinha onde uma mesa de madeira simples permanecia encostada ao lado dos armários e da geladeira, a área de serviço era pequena e parecia bem cheia de roupas para lavar, provavelmente Clint não estava pagando mais a empregada do mês, ele tinha um grande problema com empregas, já que suas roupas estavam sempre cheias de sangue e marcas de tiro. No balcão que dividia o ambiente tinha uma pequena fruteira e ao lado um micro-ondas com muitas bolachas e bobagens dentro, assim como a pia estava cheia de embalagens de frios e comida japonesa.
Clint estava arrumando suas coisas no guarda roupas, iria ficar por ali por tempo indefinido, ele teve uma história no passado, mas seu envolvimento com os Vingadores mudou tudo, agora estava tentando esfriar a cabeça, principalmente depois da conversa que teve com Tony sobre Daniel Jackson não querer a filha na presença dele, Clint sentia que Becca estava correndo perigo e não poder ajudar era algo apavorante.
Naquele momento o telefone tocou e ele não perdeu tempo, passou pela bagunça que era seu quarto e atendeu no segundo toque.
—Clint eu preciso de ajuda. – Disse a voz confusa e até mesmo envergonhada de Rebecca do outro lado da linha.
—Estou indo, fique no seu apartamento, eu chego ai em cinco minutos. – Clint falou mais antes de desligar percebeu que Rebecca hesitou. – O que aconteceu?
—Eu não estou mais no apartamento, eu precisei fugir de lá, estou em um lugar seguro aqui em Hell’s Kitchen, uma pessoa me ajudou. – Ela disse com a voz um pouco mais calma e Clint ficou ainda mais preocupado, quem seria essa pessoa misteriosa? Seria alguém de confiança?
—Me passe o endereço, eu estou indo até ai, não se mova nem um milímetro. – Clint precisava ajudar Rebecca de qualquer jeito e desta vez ninguém iria convencê-lo de se afastar, se ele estivesse ao lado dela nada disso estaria acontecendo, ele era o seu protetor e não deixaria ninguém tomar o seu lugar.
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