Poison in the Blood
5 A Garota no alto da Torre
Notas iniciais
Torre dos Vingadores – New York
Rebecca estava em uma sala separada que mais parecia um grande quarto, tinha cortinas brancas nas janelas e pela porta ela podia ver um quarto ao lado, parecia ter uma cama e um violão, alguns objetos de uma pessoa jovem assim como ela, era bem iluminado por ser no alto da Torre dos Vingadores que um dia havia sido apenas a Torre Stark, de qualquer forma ela estava preocupada com sua situação. Clint havia ido o mais rápido possível até o apartamento de Matt Murdock para lhe buscar, mas ela não tinha certeza se sair de lá era uma boa ideia, principalmente parando ali, mal havia visto as pessoas do lugar, era como se houvesse um grande mistério, isso a deixou um pouco chateada, Clint não precisava esconde-la do mundo daquele jeito.
Flash Back ON
Ao entrar no apartamento Clint observou o lugar por apenas um segundo, depois correu até Rebecca e abraçou forte a menina, ela deixou suas barreiras caírem por um minuto e chorou nos braços daquele em quem ela confiava á própria vida, Matt ouviu as lágrimas rolarem pela face da jovem sentindo o leve aroma salgado das mesmas, ele tinha sentidos que nenhum dos dois presentes poderia sequer adivinhar.
—Matt me protegeu até agora, e ele tem um amigo que enfrentou aqueles homens ontem á noite, ele sabe do que eles são capazes, não posso correr o risco de colocar você no meio dessa briga. – Disse a jovem para Clint que estava curioso com a situação, ele encarava Matt que parecia bem confortável, mas Clint não estava nada bem, muito menos ao perceber que Becca usava uma blusa masculina.
—Eu agradeço por ter cuidado da minha amiga até agora. – Disse Clint olhando para Matt e lhe estendendo a mão. –Clint Barton. – Disse de forma firme esperando que o homem a sua frente lhe cumprimentar mais Matt não se movia, o que deixou Barton confuso.
—Ele é cego. – Disse Becca um pouco constrangida e o mais baixo que podia.
—Me desculpe, eu não sabia. – Clint se aproximou um pouco mais e segurou no braço de Matt que assim conseguiu segurar a mão do Arqueiro.
-Tudo bem, normalmente as pessoas só percebem quando eu pego um apoio. – Matt falou estendendo a mão mais uma vez até sua bengala, ele no fundo se divertia um pouco com o constrangimento das pessoas ao perceberem que ele era cego.
—Matt cuidou de mim quando o amigo dele me trouxe pra cá, o Daredevil me protegeu. – Becca falou de forma um tanto quanto encantada o que preocupou Clint, a imagem dos defensores ou justiceiros de Hell’s Kitchen não era das melhores.
—Quem deve proteger você sou eu Becca, se estivesse comigo desde o começo isso nunca teria acontecido, está na hora do seu pai parar de me evitar e aceitar a verdade, se você não tiver uma proteção decente vai morrer. – Clint sabia que suas palavras eram duras, aquilo fez Matt mover o maxilar de forma rígida como se trincasse os dentes, assim como Becca ficou entristecida. – Você não pode ficar dependendo de vigilantes dessa cidade. – Clint falou sério encarando mais uma vez Matt que manteve a expressão congelada, mas suas mãos estavam bem firmes sobre sua bengala, se Clint fosse bom de ouvido, teria escutado seus ossos estralarem.
—Mas Clint, eu não sei se posso confiar mais no meu pai, eu descobri coisas, coisas das quais eu não quero falar. – Rebecca se lembrou dos documentos que Fisk havia lhe mostrado a fim de lhe convencer a ficar do seu lado.
—Você ainda tem o documento senhorita Jackson? – Perguntou Matt de forma tranquila.
—Não, eu o deixei cair quando aqueles soldados viraram múmias. – Rebecca já havia explicado toda a história com detalhes para Matt, mas Clint fez uma expressão confusa.
—Múmias?
—Longa história. – Rebecca falou sentindo-se cansada de tudo aquilo. –Só posso lhe dizer que quando estou nervosa ou com medo posso fazer coisas como, bem, como transformar uma pessoa saudável em um fóssil vivo. – Rebecca vou invadida mais uma vez pelas imagens dos homens mortos.
—Se você ainda estivesse com os documentos eu poderia usar para tentar fazer alguma ligação de Wilson Fisk, agora que ele já foi condenado por outros crimes coloca-lo na cadeia não será tão difícil assim. – Matt queria ser otimista, ele estava trabalhando sozinho, Nelson não estava mais do seu lado, mesmo assim ele não iria desistir nunca de colocar Fisk em seu devido lugar.
—Desculpe. – Disse Becca mordendo os lábios como costumava fazer ao ficar pensativa, aquilo era muito mais charmoso do que ela podia imaginar.-Eu devia ter tomado uma atitude melhor, fiquei com tanto medo de morrer que acabei fugindo. – Becca se sentia envergonhada, ela era corajosa, forte, invejada por suas amigas por sempre tomar as decisões mais loucas, e agora estava ali, como um rato assustado.
—Ei, não precisa se desculpar ok? Você não sabia que aquilo era importante, e pelas coisas que passou não devia ficar preocupada com papéis e sim, em salvar sua vida. – Clint falou abraçando a jovem mais uma vez, Becca sentia-se protegida com a presença do Arqueiro. – Vamos falar com alguns amigos, eu tenho certeza que eles vão saber resolver isso. – Barton falou com um sorriso confiante que encheu Rebecca de esperança.
—Ah Matt eu vou devolver sua blusa, não quero correr o risco de levar outro tiro com algo que não é meu. – Becca começou a abrir os botões enquanto dava alguns passos em direção ao quarto, iria colocar a blusa com a marca do tiro, mas Matt se adiantou chamando sua atenção.
—Não precisa fazer isso agora, tenho certeza de que ela fica muito melhor em você do que em mim. – Disse o homem com um sorriso charmoso, charmoso até demais na opinião de Barton.
—Eu vou devolver, eu prometo. – Becca andou com cuidado na direção de Matt e o abraçou com força, ela não queria machuca-lo, mas como já havia tido uma boa experiência com ele tudo deu certo. –Não se esqueça de agradecer o seu amigo por mim, ele salvou minha vida e nem pude dizer obrigada. – Matt sorriu, aparentemente o Daredevil havia ganhado uma fã.
Clint ficou observando a cena, era difícil ver a garota que esteve em sua vida por tanto tempo sendo tão sincera e carinhosa com outra pessoa, Rebecca nunca teve namorados sérios, apenas acasos de uma noite, sempre foi baladeira, gostava de beber e usar garotos como passatempos, mas aqueles gestos amigáveis com o advogado cego mostrava um entrosamento muito maior do que ele jamais viu.
—Devolver a camisa é tão importante assim pra você? – Clint falou enquanto eles entravam no elevador. –Desde quando se importa com o que é dos outros, ganhar poderes também mudou a sua personalidade egoísta e mimada é? – Clint falou bagunçando os cabelos da menina que revirou os olhos, odiava quando ele a tratava como criança.
—Claro, de que outra forma eu teria um motivo para voltar? – Becca falou com um grande sorriso deixando Clint intrigado, ele só não podia imaginar que o sorriso do defensor era ainda maior.
Flash Back OFF
Becca voltou para a realidade quando percebeu que havia outras pessoas na sua presença, tinha uma jovem com olhar perturbado e pele pálida que ficava lhe encarando o tempo todo, da mesma forma que um homem com uma joia no alto da cabeça e um tom de pele bem peculiar, permanecia analítico diante de sua pessoa, claro que ela sabia de quem se tratava, estava diante de Wanda e Visão, os mais novos membros dos Vingadores.
Os três se entreolharam de uma forma até meio cômica por assim dizer, no fundo Becca sabia que a maior parte da população tinha, um certo temor por eles, dois membros da equipe com poderes além do compreensivo, ninguém sabia ao certo sobre o que eram capazes, e provavelmente as pessoas teriam o mesmo medo dela quando soubessem a verdade.
—Você é amiga do Barton? – Disse Wanda de forma séria sem perder tempo com apresentações.
—Ele foi meu segurança durante muitos anos. Hoje posso dizer que somos amigos, ele trabalhou para o meu pai desde, bem, desde a morte de minha mãe. – Becca falou de forma baixa e controlada, ela não queria ficar ali conversando sobre seu passado com uma completa estranha.
—Desculpe, eu não sabia. – Wanda falou sentindo-se um pouco mal por aquilo, ela sabia como era horrível perder alguém da família. –Eu também perdi alguém a pouco tempo. – Wanda falou apertando as mãos um pouco tensa.
—Sinto muito, eu vi nos jornais, era o seu irmão certo? – Becca falou em um tom baixo, era um assunto delicado, ela não chegou a ver em tempo real, afinal, quando o ataque de Sokovia aconteceu, ela ainda estava em coma.
—Você está péssima vestida assim. – Disse a jovem olhando para Becca que ainda usava a camisa do advogado, aquilo era uma forma de Wanda mostrar que não queria falar sobre Pietro, ao invés de ficar incomodada Rebecca sorriu o que deixou Visão confuso.
—É de um amigo, ele me ajudou com uns problemas, ele mora em Hell’s Kitchen e pelo que entendi é um advogado, tenho certeza que vou vê-lo novamente. – Becca sorriu ao pensar no jovem que havia sido tão simpático nas ultimas horas.
—Você precisa tomar cuidado em quem confia de agora em diante, se eles resolverem ajudar você vai precisar ficar esperta, existem muitas pessoas que temem o que é diferente. – Wanda falou erguendo as próprias mãos no ar fazendo um movimento e mostrando uma luz vermelha que mais parecia uma fumaça fragmentada. Rebecca ergueu os olhos, impressionada, ela nunca tinha visto os poderes da Feiticeira de perto.
—Eles deviam temer é minha capacidade de tolerar o álcool nas minhas veias. – Becca falou com um sorriso quase divertido enquanto arrumava uma mecha do cabelo que insistia em correr para o seu rosto.
—Já ouvi muitas histórias ao seu respeito, algumas contadas pelo Barton, outras pela mídia. – Wanda falou com um olhar curioso, era uma curiosidade misturada com provocação, ambas deviam ter mais ou menos a mesma idade. – Você é a garota do papai cheia de privilégios que gosta de esbanjar dinheiro com festas e bebidas, estou certa? – Wanda falou alfinetando Becca, mas a mesma não se sentiu acuada.
—Sobre os privilégios e ser a garota do papai não, mas sobre festas e bebidas pode apostar, talvez quando toda essa loucura terminar a gente possa ir em uma boate por aqui, ouvi dizer que desde o meu coma abriram uns lugares bem legais. – Becca falou com um sorriso cheio de idéias mirabolantes mais Wanda ficou um pouco tensa, Tony não gostava que ela ficasse saindo da Torre, aquilo poderia ser um problema, mas ela não podia negar que adorou as intenções da jovem.
—Eu nunca fui a uma boate. – Disse Wanda com um olhar um pouco mais animado. –Meu irmão e eu não tivemos uma infância ou adolescência muito normal.
—Já deu pra perceber oh garota gótica. – Becca falou com um ar debochado fazendo Wanda revirar os olhos, mas no fundo ela preferia assim, não gostava quando as pessoas demonstravam pena dela. –De qualquer forma eu não tenho mais as minhas amigas, Claire e Alice estão curtindo a vida loka nesse momento em algum cruzeiro por ai. Acho que a gente podia combinar alguma coisa afinal.
—Não sei se o senhor Stark vai apoiar esse nosso passeio. – Wanda falou um pouco receosa e frustrada.
—Desde quando você se importa com o senhor Stark? – Becca não sabia qual era o relacionamento de Wanda com Stark, mas ela tinha um grande histórico de desobediência paternal, então sabia muito bem como isso funcionava.
—Eles disseram que você tem poderes, é verdade? – Visão falou com sua voz controlada chamando a atenção das duas mulheres, e para a tristeza de Becca eles estavam de volta mais uma vez para o assunto tabu.
—Eu não sei ao certo o que está acontecendo comigo, eu simplesmente era uma pessoa normal e de repente descobri que posso fazer coisas, na verdade isso ainda está muito confuso pra mim. – Disse Becca de uma forma confusa olhando para as próprias mãos. –Sinto que ainda vou ter muitos problemas pela frente.
—Que tipo de coisas? – Wanda perguntou erguendo uma sobrancelha, ela estava muito desconfiada daquela jovem, ela tinha pena da mesma, o pouco que elas haviam conversado mostrava que Becca era uma garota de 23 anos como qualquer outra, mas ela estava atenta, nenhuma filhinha de papai iria surgir do nada com super poderes, tinha alguma coisa faltando naquela história.
—Sinceramente, eu não quero falar sobre isso, é um assunto que está me rodeando como um mosquito impertinente e eu, odeio mosquitos. –Becca falou abraçando o próprio corpo na tentativa de abafar aquela conversa, Wanda fez um sinal de que iria perguntar mais alguma coisa, no entanto, Visão fez um gesto com os olhos que ela entendeu, era melhor deixar que os outros decidissem o que devia ser feito.
Sala de Reuniões – Torre dos Vingadores
A sala de reuniões era o melhor espaço para discutir qualquer assunto que fosse de característica preocupante. Clint contou toda a história que Becca havia lhe dito antes quando ainda estavam na casa do advogado, falou sobre seu pai estar impedindo-a de sair por causa de sua campanha, e isso ser uma mentira na verdade, porque no fundo ele só queria impedi-la de descobrir a real história sobre sua internação, a verdade sobre a explosão e sobre o que havia sido feito dela nos primeiro 3 anos de coma.
Natasha era uma mulher acostumada com traições e lugares misteriosos, mas ficou muito preocupada com aquela história, se tudo aquilo fosse verdade significaria que o futuro presidente dos E.U.A. poderia vir a ser um grande problema para os Vingadores, já que a popularidade dos mesmos não andava muito em alta, ela ainda fazia trabalhos para Fury, mas estava mais envolvida com os trabalhos na base de treinamentos dos novos Vingadores, ela tinha se dedicado ao lado de Steve, essa foi á forma que encontrou para superar seus problemas, e isso incluía tudo, a queda da SHIELD, a volta da HIDRA, o Soldado Invernal em sua tentativa de matar Rogers e claro, o que nem havia começado e já chegava ao fim, seu relacionamento com Banner.
—E quem é esse Daredevil afinal? – Perguntou Sam curioso, desde sua entrada para os Vingadores, o melhor amigo de Rogers fazia questão de estar sempre por perto quando alguma coisa de ruim estava para acontecer, ele sabia que Steve jamais esqueceria Bucky, e que desde os últimos acontecimentos ele não queria se aproximar demais das pessoas, mas Sam era um bom homem e tinha bons ideais, ele não iria deixar Steve na mão.
—Becca não me falou muito sobre ele, mas pelo o que entendi ele é um desses defensores do bairro, nos últimos anos a cidade de New York tem sido invadida por várias pessoas com dons ou poderes ou habilidades especiais, a SHIELD já estava de olho em várias delas no caso de uma ameaça iminente, mas não acredito que esse “Demônio” seja um desafio para nós, ninguém perigoso acredito. – Clint falou dando de ombros. –É só um cara que quer resolver as coisas com os próprios punhos. – No fundo Clint ainda não tinha engolido todos os eventos na casa de Matt Murdock e a adoração de Becca pelo herói mascarado.
—Fury já havia falado conosco sobre essas pessoas, os seus melhores agentes estão sempre de olho nesses caras, apesar de ter alguns impossíveis de encontrar. – Natasha falou apreensiva, no fundo ela sempre parecia estar um passo a frente de todos.
—Olha, me desculpe a opinião sincera, mas um homem vestido de demônio não me parece uma coisa muito inofensiva. – James Rhodes falou encarando Tony que concordou com o amigo, as coisas estavam muito mais complicadas do que pareciam. -Esses caras usam mascaras e acreditam estar acima da lei, hoje eles podem estar salvando pessoas, mas e se por acaso mudarem de idéia? E se alguma coisa acontecer e fizer com que se voltem contra a população.
Steve permanecia com os braços cruzados encostado na mesa com o olhar baixo, era complicado para ele ter uma posição diante de tudo aquilo, se as coisas que Barton estava contando eram reais, então Becca podia curar e matar com a mesma facilidade. E isso era um grande perigo, mas assim como ele havia protegido Wanda, não iria permitir que fizessem mal para outro inocente.
—Se alguém tentar machucar as pessoas estaremos aqui, esse é o nosso trabalho, mas não podemos virar as coisas para ninguém, principalmente para pessoas que querem ajudar, o mundo já esta cheio demais de pessoas querendo o pior. – Steve falou por fim encarando Rhodes.
—Espera, vamos do começo só para ver se eu entendi direito. – Disse Tony Stark passando a mão pela cabeça respirando fundo. –Você está dizendo que o projeto Poison que eu financiei está no andar de cima? – Disse Tony fazendo um gesto para o piso superior e Clint fez que sim com a cabeça.
—Você financiou esse projeto? – Perguntou Steve com os braços cruzados e uma expressão preocupada. –Porque eu não estou surpreso?
—Sim, mas não envolvia pessoas super poderosas, era pra ser uma vacina, não uma aprimorada, esse era um projeto legal aprovado pelo governo, tinha a proteção do exercito porque podia ser roubado por nossos inimigos e revertido em algo perigoso. – Tony falou encarando a todos.
—Eu já devia suspeitar que quando algo da errado e sai criando mutações por ai tem um dedo Stark no meio. – Disse Rhodes com um sorriso sem humor enquanto Steve encarava o militar um pouco chateado, afinal, ele próprio era uma criação Stark. –Desculpe Capitão, eu não quis ofender, mas é a maior realidade do universo.
—Será que dá para não me julgarem logo de cara? – Tony falou erguendo as mãos em defensiva. –Olha isso não aconteceu de proposito, nós queríamos uma única vacina capaz de curar qualquer doença existente, mas para isso usamos reagentes altamente perigosos, com um grau altíssimo de toxinas, por isso o projeto se chamava Poison.
—Só que agora isso corre nas veias de uma menina de 23 anos, alguém que eu gosto muito e que está sendo perseguida por grupos terroristas. – Clint falou se levantando energicamente de sua cadeira.
—Tecnicamente Wilson Fisk não é um terrorista, ele nem chega perto dos nossos problemas reais Barton. – Natasha falou com sua expressão vazia, o tipo de expressão que é usada para esconder sentimentos.
—Pode não ser um problema real para você, mas sem duvidas é para mim. – Clint falou sério encarando Tony agora. – O que pretende fazer a respeito?
—Eu preciso pensar melhor sobre tudo isso, vou revisar as pesquisas iniciais, ver se existe uma forma de reverter a situação, quero uma amostra de sangue e vou querer fazer alguns testes quanto a cura e a desintegração, mas por hora eu quero que a mantenha segura, ela precisa dormir e se acalmar, pela história que nos contou os poderes dela ficam fortes quando ela está emocionada ou pressionada, então deixe-a bem zen. – Tony falou andando pela grande sala olhando em seu celular ao mesmo tempo em que usava seu sistema avançado de buscas para localizar os arquivos do projeto.
—Você deveria arrumar um quarto para ela aqui, pense nela como Wanda, alguém que esta perdida e precisa de ajuda. – Disse Steve de forma amiga.
—Talvez seja uma boa ideia Steve, mas hoje é melhor ela ficar comigo, não vou deixa-la sozinha até ter a certeza de que Becca pode se proteger sozinha. – Clint falou sério e o amigo entendeu a sua preocupação.
—Como quiser, mas pode ter certeza de que Rebecca sempre terá um quarto nessa Torre enquanto precisar de nós. – Steve falou colocando a mão no ombro do Arqueiro que sorriu sinceramente.
—Obrigado.
—Agradeça a mim oh das penas, eu sou do dono da Torre. – Tony falou fazendo um gesto com os braços mostrando o local fazendo Steve respirar fundo e revirar os olhos.
—Falou o homem que criou o Ultron ano passado. – Disse James dando um tapinha no ombro de Tony que encarou o amigo incrédulo.
—Rhodes, são nessas horas que você fica do meu lado, não pode se aliar a eles. – Tony falou enquanto fazia um download dos arquivos principais da pesquisa.
—Se continuar falando bobagens assim vai acabar sozinho Stark. – Sam falou rindo mais a verdade era que a casa estava sobre uma grande tensão nos últimos tempos, era como se algo de ruim pudesse acontecer a qualquer momento.
—De qualquer forma, vamos focar no que importa aqui ok? Clint, pode trazer a senhorita Jackson, vamos conversar com Daniel Jackson, ele é praticamente o futuro presidente, não podemos dar a impressão de sequestro aqui ok. – Disse Steve de forma séria e ninguém mais falou, agora era hora de resolver os problemas mais uma vez criados por governantes sem bons ideais.
Laboratório de pesquisas genéticas – Localização desconhecida
Fausto Miller apagou seu charuto no cinzeiro á frente encarando aquelas figuras tão diferentes em sua sala, ele respirou fundo pensando quando foi a ultima vez que havia visto ambos no mesmo dia, ah sim, tinha sido depois da explosão no laboratório New Future.
—Senhor Fisk, eu aprecio o seu emprenho na tentativa de recuperar o que é nosso por direito, mas não acredito que seja uma boa idéia envolver os Vingadores no processo. – Miller falou calmo, ele era o General na época em que as pesquisas haviam sido iniciadas, ele estava roubando informações militares para aquele laboratório secreto para que seu cientista de confiança pudesse fazer o trabalho sujo.
—Eu lamento que meus homens não tenham conseguido realizar uma tarefa tão simples, mas Hell’s Kitchen está sofrendo com uma infestação de justiceiros ávidos pela liberdade e proteção do povo, Rebecca apenas teve a sorte de encontrar o homem certo na hora certa, mas garanto que isso não vai mais acontecer. – Wilson falou mexendo em suas abotoaduras douradas enquanto o homem a frente sorria de forma assustadora.
—Bom. Eu acredito em você Wilson, sei que é um homem de grandes ambições, sei que deseja ser o senhor supremo do submundo do crime em New York, mas para isso você vai precisar provar o seu valor, eu te dei homens suficientes para isso, sei que com sua influencia você vai conseguir bons resultados. – Miller falou enquanto virou seu olhar para o terceiro homem na sala. –Espero que as pesquisas estejam em ordem doutor Fritz.
—Sim senhor, mas as amostras que temos estão chegando ao fim, ainda não consegui descobrir como libertar o processo de cura do sangue, até agora as cobaias não tem demonstrado nenhum resultado positivo. – Ivan Fritz era um cientista vindo direto da Russia para servir a HIDRA, ele se filiou aos objetivos obscuros do ex General para atingir sua tão sonhada gloria ao descobrir o fator que daria vida eterna as pessoas.
—Até agora o que sabemos é que apenas Rebecca conseguiu despertar o potencial da cura, talvez o sangue só reaja através de uma consciência. – Miller falou tentando usar as informações que ele havia obtido até o momento. –Se esse for o caso não teremos outra escolha, vamos precisar trazer Rebecca com vida para o nosso centro.
—Só preciso do momento certo para fazer isso, no momento meus informantes a tem sobre a proteção dos Vingadores, não tem como se aproximar dessa forma, mas ela não ficará naquela Torre para sempre, uma hora a princesa vai precisar sair. – Fisk falou sério e determinado, na próxima vez não deixaria barato.
—Um mundo melhor depende da atuação dos senhores meus camaradas, um mundo sem doenças, sem inimigos e sem morte. Esse mundo espera pela nossa liderança. – Miller falou sorrindo olhando para uma foto onde estava ele, Daniel Jackson, Thomas Jackson o ex presidente George J. R. Smith e Anthony Stark, a equipe que havia iniciado as pesquisas sobre o projeto Poison.
Torre dos Vingadores – New York
Houve um momento tenso na sala, quando a porta se abriu depois do barulho do elevador e Rebecca Jackson surgiu com seus grandes olhos azuis e pele clara, quando havia chegado ali mais cedo Clint encaminhou a mesma sem fazer perguntas até a ala dos quartos secundários, onde ficava Wanda e Visão em seus momentos de lazer, também havia uma cozinha, banheiros e biblioteca, Tony tinha pensado em tudo, mas a verdade era que Clint tinha medo da reação de seus amigos, por isso precisava falar com eles primeiro. Agora que tudo estava esclarecido era só uma questão de fazer as apresentações necessárias.
—Quero apresentar a vocês Rebecca Jackson. – Clint falou enquanto uma Becca um pouco tímida encarava a equipe a sua frente, todos perceberam que se tratava de uma jovem normal, com 23 anos, cheia de vida, muito bonita, que devia estar vivendo qualquer situação, menos aquela.
—Seja bem vinda. – Steve estendeu a mão na direção da jovem que apertou com força sorrindo, ela sabia que aquilo na verdade era um teste para saber se ela estava controlando seus poderes novos. –Você já deve ter conhecido a Wanda, ela tem mais ou menos a sua idade, acho que podem se tornar amigas. – Disse o capitão como se fosse um tio protetor ou algo do tipo, Becca sorriu tentando não parecer emocionada, naquele momento ela se lembrou de Thomas, seu tio morto na explosão.
—Obrigada. E sim, eu conheci a gótica da família. – Rebecca falou com seu bom humor de sempre, Clint estava sentindo falta daquilo.
—Ela é uma boa pessoa. – Steve falou ainda segurando a mão de Becca enquanto todos na sala pareciam prender a respiração.
—Sim, mais precisa melhorar o gosto por roupas, sem falar na maquiagem, e não precisa ficar segurando minha mão até o próximo ano Capitão, não que eu tenha alguma coisa contra, não é todo dia que a gente aperta a mão de um herói, mas eu estou começando a ficar com dor no ombro. – Rebecca falou percebendo que Rogers ficava um pouco sem graça, ela havia percebido que ele queria testa-la sem ser tão constrangedor.
—Consegue se controlar? – Disse Tony não sendo nada sutil, ele andou até a menina e apertou com força seu braço, Becca ficou um pouco apreensiva, mas sabia que Tony Stark era conhecido por ser bem excêntrico. –Me disseram que você transformou dois homens em múmias, você conseguiria descrever isso pra mim?
—Na verdade eu não sei bem o que houve, ou se vou conseguir manter isso controlado, ou por quanto tempo, mas percebi que quando me sinto ameaçada posso machucar as pessoas, como fiz com aqueles homens horríveis. – Becca falou cruzando os braços contra o peito em defensiva. –Acho que roubei a vida deles, não sei dizer. – Ela falou um pouco baixo.
—Tony, ela ainda não está bem, eu vou leva-la para casa e amanhã de manhã nós voltamos para você fazer os testes que forem necessários. – Clint falou e Becca ficou um pouco apreensiva. –Não se preocupe ok, ele não vai colocar você em nenhuma câmara de tortura, é apenas uma amostra de sangue e exames simples.
—Clint, eu preciso falar com meu pai antes, eu não vou voltar para aquele apartamento, tenho certeza que existem pessoas atrás de mim, eu não quero que aconteça mais aquilo. – Becca encarou o amigo que sorriu.
—Não se preocupe Rebecca, eu já entrei em contato com seu pai. – Natasha falou com seu tom amigo, mas Rebecca sabia muito bem quem ela era, não iria facilitar as coisas para aquela russa. -Foi difícil, ele já estava querendo chamar a guarda nacional para invadir a torre, mas ficou tudo claro, você vai ficar conosco por segurança. – Na verdade Natasha havia ameaçado Daniel de falar tudo o que sabia sobre o projeto Poison e sobre a explosão misteriosa no laboratório, ela tinha informações que ele nem imaginava e faltando apenas uma semana para o fim da campanha ele não podia por tudo a perder.
—Segurança minha ou dele? – Rebecca falou de forma realista, ela sabia que o pai não estava querendo um confronto com ela, se ele havia sido capaz de vendê-la no passado para um laboratório de pesquisas podia muito bem fazer de novo.
—Nós sabemos que as coisas estão complicadas e muito esquisitas, mas precisa confiar em nós, não somos monstros, nem aproveitadores, só estamos fazendo a nossa parte em tentar tornar esse mundo um lugar melhor. – Steve falou sério e Becca sentiu que podia confiar nele.
—Fale por si só Capitão, eu ainda quero o seu sangue garota. – Tony falou encarando Becca com uma curiosidade visível, ele era um cientista, um visionário acima de tudo.
—Sem nem pagar uma bebida antes? – Becca falou debochada e Tony riu, gostou do espirito de luta da jovem. –Vamos logo Clint, eu sinto como se precisasse comer um elefante. – Rebecca nunca foi de comer muito, talvez aquilo fosse parte do seu processo de mutação.
—Claro, eu conheço um restaurante japonês que você vai adorar. – Clint falou sorrindo abraçando a menina lateralmente. –Sempre compro lá quando estou querendo comer comida de verdade. – A vida de solteiro para Barton era uma novidade com a qual ele ainda não estava acostumado, sua esposa, Sarah havia terminado o relacionamento depois de perceber que ele não conseguiria viver na aposentadoria, ele sempre iria precisar ser o Gavião.
—Claro que vou. Desde que tenha uma boa garrafa de saquê. – Rebecca riu alto deixando as pessoas presentes mais confortáveis, era uma situação muito difícil, ela iria precisar de todo o bom humor possível. Por mais que a situação fosse difícil ela iria lutar, iria provar ao mundo que ter ganhado esses poderes foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, tanto para ela, quanto para as pessoas a sua volta.
Apartamento de Matt Murdock – Hell’s Kitchen
Nelson havia ido ver o amigo naquela manhã, sabia que Matt era o tipo de homem que ficava semanas sem dar sinal de vida, principalmente agora que seus destinos estavam tristemente separados, ele trabalhando em um escritório de advogados com nome e prestigio, Karen como uma futura jornalista investigativa e Matt, tentando salvar seu bairro e morrer no processo.
Enquanto comprava algumas coisas na venda próxima á esquina do prédio de Matt acabou vendo quando estranhamente um homem de preto saindo com uma garota bonita usando uma das camisas favoritas do seu amigo, aquilo o fez sorrir, será que Matt estava se envolvendo com a irmã de algum cara da máfia? Ou seria um policial? De qualquer forma seu amigo sempre conseguia colocar a própria vida em risco, de uma forma ou de outra.
—Você andou tendo visitas? – Disse Foggy entrando no apartamento com algumas sacolas de compra.
—Nada demais, só uma garota com problemas. – Matt falou com um sorriso um tanto quanto sínico e Foggy balançou a cabeça de forma desaprovadora.
—E é claro que você sabe o quanto ela é bonita, e isso não tem nada haver. – Foggy colocou as sacolas sobre a mesa e começou a tirar a pequena compra com cuidado. –Eu vi o brutamontes do lado dela, parecia um militar Matt, precisa tomar cuidado ou não será apenas o Daredevil que vai levar surras por ai.
—O que são essas coisas Foggy? – Matt falou mudando de assunto e o amigo apenas respirou fundo.
—Eu fiz uma pequena compra, você sai por ai batendo em todo mundo e perdendo sangue, achei que era bom fazer uma alimentação descente pra variar, o meu novo escritório me paga com dinheiro de verdade, sem galinhas ou verduras, nem bolos de chocolate. – Disse Foggy com uma certa tristeza, eles não estavam trabalhando mais juntos e isso era doloroso.
—Sinto falta das galinhas. – Matt falou sorrindo sincero e podia sentir que Foggy tinha o mesmo sentimento, mas era tarde demais para mudar isso.
—Você viu que Wilson Fisk conseguiu liberdade condicional? – Foggy falou sério e Matt cerrou os punhos.
—Sim Foggy, eu fiquei sabendo mais garanto que não será por muito tempo. – Matt sabia que Fisk estava atrás de Rebecca, de alguma forma seus destinos estavam ligados agora, tudo o que precisava fazer era esperar a próxima aparição do mesmo e fazê-lo confrontar seus demônios.
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