Poison in the Blood
8 Algumas lembranças devem permanecer Enterradas
Notas iniciais
Café do Joe’s – Hell’s Kitchen
Uma semana depois…
A coisa que Matt Murdock mais gostava naquele café era o cheiro forte e encorpado do mesmo, ele podia sentir o sabor só de sentir o perfume do grão sendo torrado, moído e principalmente transformado em uma bebida requintada. O café do Joe’s ficava a três quadras do seu apartamento e quase todos os dias pela manhã ia até lá para se encontrar com Foggy antes de ir ao trabalho, ou em um tempo não muito distante, Karen, nos dias em que eles foram um casal, infelizmente depois dos últimos acontecimentos não existia mais Nelson & Murdock, assim como não existia mais Matt e Karen, mesmo assim Matt não queria deixar seus velhos hábitos morrerem, pelo menos alguma coisa precisava continuar igual.
—Sabia que ia te encontrar aqui. – Disse Foggy surpreendendo Matt ao puxar a cadeira ao seu lado e sentando-se com ele sem nenhuma cerimonia. –Viu os últimos acontecimentos no nosso bairro? – Disse Foggy um pouco mais baixo olhando ao redor para ver se não tinha ninguém prestando atenção neles.
—Veio falar sobre o incidente na igreja uma semana atrás? – Matt falou com seu sorriso otimista que muitas vezes deixava o amigo furioso, enquanto tomava um gole de café e passava os dedos em um de seus livros em braile.
—Você chama aquilo de incidente? Matt, várias pessoas morreram, os Vingadores estavam envolvidos naquilo, por favor, me diz que você não vai entrar para o grupo esquisito deles? – Nelson falou com um olhar preocupado que se Matt pudesse ver iria rir.
—Não Foggy, ninguém me chamou para fazer parte da festa do pijama deles, eu só estava lá acompanhando uma amiga. – Matt sorriu de lado de forma charmosa fazendo Foggy revirar os olhos, Matt sempre fazia aquela expressão quando falava de uma mulher em especial. –Eu preciso viver, é o que você me disse no ultimo ano inteiro não foi?
—E essa amiga era a senhorita Rebecca “problema” Jackson? – Foggy permanecia sério fazendo o sinal de aspas com os dedos como se Matt fosse ver a ironia em suas mãos. –Se está se aproximando dela para tentar incriminar Fisk de novo eu sugiro que tome cuidado, aquele homem é extremamente perigoso Matt, nós quase morremos da ultima vez e isso não vai ser diferente agora. – Foggy parecia um pouco mais preocupado que o normal e Matt percebeu seu tom de voz alterado.
—Está acontecendo alguma coisa Foggy?
—Tenho sido seguido nesses últimos dias. – Foggy fez uma pausa no momento em que a garçonete trouxe o seu café. –Vi dois homens estranhos com aspecto de mafiosos perto do prédio onde trabalho, e não é tudo. – Ele fez mais uma pausa para tomar um pouco mais do café. –Karen tem visto a mesma coisa.
—Você tem falado com Karen? – Matt ficou preocupado, ele havia negligenciado a amiga desde o termino do seu quase relacionamento, as coisas não andavam muito bem, mas ele devia ter previsto que com a liberação de Wilson Fisk as coisas ficariam perigosas para as pessoas com quem se preocupava.
—Ela falou comigo essa semana depois do que você me disse sobre Rebecca Jackson e o envolvimento de Fisk no caso dela, eu sei, eu sei, não me olhe assim, mas eu precisei falar, ela tem trabalhado no jornal talvez pudesse ter acesso a alguma evidencia que a policia talvez tenha tentado esconder. – Foggy parecia um pouco ansioso com aquilo, ele não devia ter envolvido Karen naquela confusão também.
—Não deve ficar colocando coisas na cabeça dela, você sabe como a Karen é, quando ela coloca uma coisa na cabeça precisa ir até o fim. – Matt falou se lembrando de quando ela começou a trabalhar para eles, e a forma eficaz como ela resolvia a maioria dos problemas.
—Eu sei, foi um grande erro meu, mas me prometa que vai tomar cuidado Matt, aquele homem é perigoso e cruel, não deve mexer com ele sozinho, e, por favor, não envolva a senhorita Jackson no meio disso, ela já tem os amigos dela e os problemas dela. – Foggy falou se lembrando das ultimas noticias de Becca que apareceram em um noticiário. –Ela é uma patricinha cheia da grana que adora contrariar o pai porque é legal, ela não se importa em aparecer bêbada nas revistas de celebridades e não vai ser agora que isso vai mudar, mesmo com os boatos sobre ela ser uma mutante ou coisa parecida. – Nos jornais também estavam mencionando testemunhas que haviam visto uma espécie de “poder” que Rebecca Jackson poderia ter usado contra os bandidos no dia do atentado a igreja.
“Não sei direito o que aconteceu, todo mundo estava correndo e com medo, eu tentei fugir e proteger meu amigo, foi quando vi a senhorita Jackson usando sei lá, uma energia, não sei dizer ao certo, só parecia que o homem estava perdendo as forças.” — Disse uma das vitimas do ataque na igreja.
—Eu estou tomando cuidado Foggy. – Disse Matt respirando fundo. –Sei que as coisas não estão muito tranquilas, mas meu envolvimento com Becca não é apenas por interesse, estou mesmo sentindo alguma coisa diferente. – Matt falou feliz por aquilo ser verdadeiro e não apenas um jogo, quando se lembrou do colar que havia dado para Becca sentiu um salto em seu peito, e pela primeira vez não era angustia. – Mas estou ciente de todos os problemas que esse relacionamento pode trazer, tanto pra mim quanto pra ela mesma, só que não posso e não quero deixar de tentar, estou sentindo algo que nunca senti antes, algo novo.
—Nem mesmo com a Karen? – Foggy falou e Matt ficou em silêncio, seu amigo realmente sabia tocar em seus pontos fracos. –Karen se magoou muito com você Matt, sempre mentindo, sempre se atrasando, sempre dando desculpas esfarrapadas, precisa tomar cuidado para não fazer o mesmo com essa garota, ela parece legal, então é melhor ficar longe dela.
—Karen não podia conviver com o Daredevil. – Matt falou firme se lembrando dos seus últimos momentos ao lado da mulher.
—E você acha que Becca vai ser capaz de entender essa sua dupla personalidade? – Foggy olhou para a TV que ficava colocada no alto perto do balcão onde, cenas do incidente começavam a passar mais uma vez. –Hey Meg dá para erguer um pouco mais?
—O que está passando? – Matt perguntou um pouco curioso, seu café já esfriava na mesa mais aquilo não tinha mais importância.
—É a sua garota na TV.
“Uma semana após o acontecimento em Hell’s Kitchen os chefes de estado resolveram fazer uma reunião com Anthony Stark e Steve Rogers, símbolos americanos, para falar sobre uma proposta de contenção de danos. Eles ainda estão em reunião, mas já sabemos que foi criado um documento exigindo comprometimento e participação ativa do governo nas ordens e missões executadas pelo grupo denominado Vingadores, eles estarão indo para uma reunião em Wacanda para formalizar as suas opiniões já que aparentemente nem todos os membros são a favor dessa decisão.”
—Isso é um grande problema. – Matt ficou preocupado sobre o quanto aquilo iria prejudicar Becca, pelo menos eles não estavam culpando-a pela explosão, ele sabia o quanto ela estava magoada com tudo aquilo, nos últimos dias ela nem ao menos pode falar com ele pessoalmente, a única coisa que conseguiu foi uma ligação corrida.
—Matt isso é briga de cachorro grande, precisa estar ciente do que vai enfrentar fazendo parte desse mundo. – Foggy falou se levantando e indo em direção ao balcão. -Tome cuidado ok? Você pode ser um babaca, mas ainda é meu melhor amigo, eu não quero encontrar o seu corpo jogado em uma lata de lixo. – Foggy falou sério e Matt balançou a cabeça positivamente, ele sabia que o amigo se preocupava com ele de verdade, quase como um irmão.
—Eu também não quero que isso aconteça novamente. – Matt riu mais ficou sério ao sentir o desconforto de Foggy no momento em que dois homens de ternos escuros entraram no estabelecimento e foram em direção a Matt.
—Senhor Murdock, o senhor Fisk deseja conversar com você, nada de ameaçador eu garanto. – Disse o homem com um sorriso frio. –Ele o aguardará no Central Park amanhã de manhã para uma conversa civilizada, esperamos para o seu bem e o bem de seus amigos que compareça. – Disse o homem com um sorriso ainda discreto e saiu enquanto o outro homem fez questão de passar a mão por dentro do casaco como se fosse pegar uma arma, eles foram embora da mesma forma que entraram.
—Esses eram os homens que estavam seguindo você Foggy? – Perguntou Matt muito sério ficando de pé e indo em direção ao seu amigo que parecia ter esquecido como se respirava.
—Sim, são eles mesmos, faz umas duas semanas que eles estão na minha cola, pelo menos faz duas semanas que eu percebi. – Foggy parecia muito tenso e Matt não o culpava por isso.
—Acho que eu tenho uma reunião amanhã. – Matt também estava com medo, ele sabia que Wilson Fisk iria tentar tirar informações sobre Rebecca e seu paradeiro, ou alguma coisa relacionada com os Vingadores, agora que a mídia havia colocado em rede nacional que os heróis não iam estar na cidade tudo seria possível. Era hora de um defensor agir.
Torre dos Vingadores – New York
Hello, it's me
I was wondering if after all these years
You'd like to meet, to go over everything
They say that time's supposed to heal ya
But I ain't done much healing
A música tocava nos fones de ouvido de Becca, ela amava as musicas de Adele, e Hallo era uma de suas favoritas, enquanto ela fazia mais uma sessão de esteira, pensava em todas as coisas que haviam acontecido com ela desde a explosão em 2011, até o momento em que despertou um pouco antes do natal chegar em 2015, estava confusa ainda, precisava pesquisar noticias e acontecimentos na internet de vez enquanto, mas isso ainda não era o pior, o mais estranho era que no fundo ela sentia como se uma parte de si estivesse faltando.
Quando pensou naqueles documentos que Wilson Fisk havia apresentado para ela no dia do seu quase sequestro sentia-se burra, tinha raiva de si mesma por não ter pegado os papeis como uma espécie de prova, qualquer coisa, aquilo poderia ser muito importante, havia pessoas usando seu corpo em experimentos e ela não tinha nenhuma lembrança sobre aquilo, e se alguma coisa a mais tivesse acontecido naqueles cinco anos em coma?
Ela estava no seu quarto improvisado, Tony havia insistido para que ela aceitasse aquele lugar como seu, disse que podia trazer qualquer coisa para tornar tudo mais confortável, no fundo Steve sabia que toda aquela atenção era premeditada e Tony só estava interessado em ter seu objeto de estudo mais próximo de si.
Na noite após o ocorrido na igreja Becca foi tomada por pesadelos muito estranhos, ela via uma sala muito iluminada, macas, panos com sangue, uma cadeira cheia de fios, homens sem rostos definidos, era tudo muito confuso, a única coisa mais marcante era a imagem de um homem de cabelos meio compridos, com um braço que parecia ser de metal, já que brilhava contra a luz.
Controle ele, não o deixem fugir. Ainda precisamos dele para concluir nossos objetivos.— Dizia uma voz na sua cabeça enquanto a imagem do homem estrangulando outro homem que usava branco surgia em sua mente. Aquelas lembranças não faziam o menor sentindo para ela, devia ser apenas um pesadelo depois de todo o estresse que havia passado com aqueles soldados malditos, alguém os havia enviado, ela só não sabia se era Wilson Fisk ou outro alguém interessado em seus poderes.
Ela tinha uma toalha branca pendurada no pescoço, um short preto de ginastica e seus olhos permaneciam focados na janela a frente que tinha uma linda vista para toda NY. Já fazia uma semana que não conversava direito com Clint, estava confusa, tinha medo do que estava sentindo, do que sentiu naquela noite da explosão. Steve a chamou para conversar naquele dia mesmo, por mais que tudo estivesse de ponta cabeça ele queria dizer a ela que estava do seu lado, mas que precisaria mostrar ao mundo que estava disposta a mudar também, disposta a controlar seus dons e fazer parte daquela equipe, ele havia criado uma lista de afazeres para melhorar seu condicionamento físico e ela estava indo muito bem, na verdade aquilo estava sendo um verdadeiro presente para fugir da mídia, de Clint e de seu pai, que logo depois tentou entrar em contato mais uma vez, de qualquer forma ela passada quase o dia todo na Torre e só ia para o apartamento de Barton á noite, e muitas vezes ele não estava presente, seus dias estavam sendo focados em:
Exercícios
Alimentação Saudável
Treinamento de luta corporal
Treinamento do controle dos poderes
Lazer (Apenas nos finais de semana)
Em sua mente as noticias que se seguiram logo depois do acontecido na igreja fervilhavam como brasa em sua carne, Wanda perdeu o controle tentando impedir uma explosão que iria dizimar a igreja e todos ao redor, mas ela não conseguiu calcular a potencia dos explosivos e com isso a roda gigante caiu, levando todas as pessoas que estavam nela.
“Ontem a noite um ataque terrorista causou a morte de milhares de pessoas, não apenas pelo próprio grupo de criminosos, mas também por uma falha tentativa de resgate de um dos novos membros do grupo Vingadores, e isso levantou várias questões com a população, o candidato a presidente dos E.U.A. Daniel Jackson se manifestou contra essas atividades sem controle ou supervisão deixando bem claro que é contra esse poder que os heróis têm demonstrado.” – Disse a jornalista do canal 07.
Depois daquele dia ela foi tecnicamente proibida de sair até o próximo sábado e aquilo partiu seu coração, era constrangedor ser tratada como uma criança problema, principalmente sabendo das coisas que haviam acontecido com ela, de como a vida estava sendo injusta, ela precisou ligar para Matt numa tentativa de se desculpar e perguntar como ele estava, sentia tanta vergonha que algumas vezes achou melhor que fosse mesmo assim.
—Matt? – Disse mordendo os lábios. –Eu queria ter ligado antes, mas não consegui. – Na verdade ela não tinha tido coragem para tal.
—É bom ouvir sua voz Rebecca. Você está bem? – Disse Murdock com a voz preocupada do outro lado.
—Estou sim. – Ela achava incrível como ele parecia tranquilo depois de tudo o que ocorreu. -Vou ficar longe das ruas por uns dias, as coisas ficaram complicadas, mas queria dizer que vi seu amigo, ele me disse que te salvou. – Becca não queria dizer aquilo, queria gritar sobre o quanto estava se sentindo mal, o quanto queria pedir desculpas.
—Ás vezes é bom ser amigo do Demônio. – Matt falou rindo e Becca riu também, como ele conseguia ser tão bom e tranquilo. –Só não conte para ninguém que o viu, ele é meio preocupado com essa coisa de identidade secreta.
—Eu sei perfeitamente como ele se sente, estou quase comprando uma mascara para mim também. – Disse Becca de forma divertida, ela estava preocupada com os últimos acontecimentos e como aquilo iria influenciar em sua vida, principalmente sabendo a posição do pai em relação a isso. -Prometo que vou te fazer uma visita assim que essa semana acabar, vou preparar meu macarrão especial para você. – Rebecca falou com um ar superior que fez Matt rir muito.
—Então você tem um poder secreto? Não sabia dos seus dons para culinária.
—Só vai saber se realmente é um dom depois de comer, caso contrário vai estar mais para maldição. – Eles riram com aquilo e um silêncio se formou dos dois lados da linha. –Me perdoe Matt.
—Não há motivos para me pedir perdão. – Matt havia sentido o medo na voz de Becca, eles mal se conheciam, não tinham muita intimidade, nem ao menos eram amigos de faculdade ou coisa assim, eram apenas conhecidos, unidos pelo destino e pelos segredos de suas vidas, ele Daredevil e ela uma força da natureza, controladora da vida e morte, ele sabia que as coisas ficariam muito difíceis, mas isso não iria impedir de ajudar Becca e no processo prender Fisk.
—Você levou uma surra por minha causa, eu não pude fazer nada para te ajudar, me senti uma inútil. – Becca falou sincera tirando um peso de suas costas.
—Eu sou um Murdock, meu pai sempre diz que nós sempre vamos apanhar da vida, o que faz a diferença é a forma como você bate de volta. – Matt falou firme e Becca queria poder abraça-lo e dizer que aquilo nunca mais iria acontecer, mas havia uma grande distancia entre eles.
—A gente se vê no sábado. – Becca desligou sentindo um misto de confusão em sua mente, o que realmente deveria fazer?
Hello, can you hear me?
I'm in california dreaming about who we used to be
When we were younger and free
I've forgotten how it felt before the world fell at our feet
There's such a difference between us
And a million miles
Ela passou a toalha pelo rosto numa tentativa de afastar os pensamentos confusos, precisava dar um jeito na vida e não seria nada fácil seguir um novo caminho. Tirou o fone do ouvido e deixou que o celular continuasse tocando sua musica, sua hora de exercício já havia terminado, agora só precisava tomar um banho e pegar um taxi de volta. Ela entrou no chuveiro colocando a agua no mais quente, sentia o calor entrando em seus ossos e dando uma nova perspectiva de bem estar, seus cabelos estavam longos, talvez fosse á hora de cortar um pouco, ela riu, não queria pensar nos problemas, só nas coisas do dia a dia. Aquele pensamento a fez se lembrar de um momento em especial com sua família, um dia de festa no Brooklin quando sua mãe foi morta diante de seus olhos.
Flash Back On
O dia nublado não poderia ser diferente, New York tinha um ar misterioso no inverno, a jovem de 16 anos tirava fotos com as crianças do abrigo fazendo poses ridículas para alegrar sua mãe que sorria enquanto fotografava tudo, era a décima festa beneficente para arrecadar fundos e ajudar a construir um ginásio de esportes naquela comunidade, tudo havia sido obra de sua mãe, Elizabeth. Seu pai como sempre estava no celular falando com senadores, deputados, ministros e coisas do tipo, ás vezes ele olhava para elas e sorria, mas na maioria das vezes permanecia longe.
—Não vai tirar uma foto com a gente? – Disse Elizabeth com um sorriso para seu marido que ás vezes se sentia o homem mais feliz do mundo.
—Eu preciso atender essa ligação querida, depois tiro uma foto com todos ok? – Daniel falou sorrindo e se afastou indo para o outro lado do prédio enquanto falava no celular.
—Becca eu quero tirar uma foto de todos vocês ok? Preciso que se afaste até aquela parede se não ficará complicado enquadrar todo mundo. – Elizabeth foi se afastando até chegar próximo aos carros estacionados perto da calçada, ela olhou as fotos que já havia tirado enquanto as crianças buscavam um ponto melhor, naquele momento tudo foi um borrão.
Fogo. Barulho. Um tremor. Uma bomba.
Rebecca não conseguiu ver ao certo o que estava acontecendo, a única coisa que viu foi sua mãe sendo consumida pelo fogo enquanto várias pessoas corriam e gritavam em várias direções, só um homem do outro lado da rua em uma moto de corrida com um capacete escuro parecia não se importar com aquela cena grotesca, não havia muito o quê distinguir daquela imagem, ele estava vestido todo de preto como um motoqueiro comum, mas ela sabia que havia alguma coisa errada nele, sentiu um arrepio que nunca mais esqueceu.
Flash Back OFF
Nunca descobriram ao certo quem havia sido a pessoa responsável pela explosão, á polícia culpou um grupo terrorista que estava criando o caos naquele ano e a mídia de todo o mundo comprou a idéia. No fundo, Rebecca sabia que não era verdade, mas a imagem do seu pai subiu 50% nas pesquisas depois daquilo, sem contar que ele sempre insistia em estar presente em todas as obras beneficentes que sua esposa ajudava, ele continuou os trabalhos sociais, continuou sendo o grande homem que era, mas agora, a sombra da morte de sua esposa o alavancava ainda mais.
Por fim terminou o banho se enxugando e vestindo um roupão preto, provavelmente devia ser do Stark, ele estava enchendo-a de mimos nos últimos dias, mesmo depois de tudo o que houve na igreja, mesmo com o governo cobrando uma atitude dos Vingadores, ainda sim ela podia confiar nele, ao menos pensava assim. Quando saiu do box passando pelo banheiro ela viu sentado em sua cama um Barton muito sério e preocupado.
Hello from the other side
I must've called a thousand times to tell you
I'm sorry, for everything that I've done
But when I call you never seem to be home
Hello from the outside
At least I can say that I've tried to tell you
I'm sorry, for breaking your heart
But it don't matter, it clearly doesn't tear you apart anymore
—Não se entra sem bater Barton. – Disse a jovem de forma seca indo até o celular e desligando a musica com dor no coração, aquelas palavras diziam muito mais do que ela mesma podia demonstrar.
—Eu tenho um voo para Wakanda, assim como todos os membros oficiais dos Vingadores, vocês vão ficar aqui na Torre com Visão. Ele vai garantir a sua segurança e sinceramente eu não gosto nada disso. – Clint falou respirando fundo sabendo que aquilo estava errado.
—Não posso ficar, tenho um encontro marcado para amanhã. – Becca falou de forma petulante cruzando os braços contra o peito e Clint parecia lutar para não perder o controle.
—Será que você não entende que não tem mais 16 anos Becca? Você não é uma criança, eles não vão te tratar como uma criança, as coisas que estão acontecendo com o mundo, com a forma deles nos verem, deles verem você, será que isso não faz diferença?
—Dane-se Barton. Dane-se a diferença. Eu sou uma pessoa normal, eu fui exposta a essa merda toda, eu não tenho culpa disso, não vou ficar aqui como uma prisioneira e não quero ver vocês fazendo isso com Wanda também, eu vou tira-la desse lugar assim que tiver uma oportunidade.
—Será que você gosta mesmo dela ou está usando-a por falta das suas amigas oferecidas? – Clint falou sem pensar, sabia que aquilo iria doer em Becca só não imaginou que iria doer mais nele, a jovem deu um tapa em sua face fazendo sua pele arder, depois um soco e mais outro até fazê-lo entender que ela não ia parar.
—Você é um idiota Barton, sempre foi, sempre agindo como se fosse meu pai, mas eu tenho uma novidade pra você, VOCÊ NÃO É MEU PAI, não é um irmão, não é um amigo, você é só o cara que trabalha pra mim, sempre foi e sempre será. – Becca estava em lágrimas, mas uma vez descontava todo o ódio do momento em cima de Clint, aquilo já estava ficando comum, o agente tentava desviar dos golpes e segura-la ao mesmo tempo, só que agora com os treinamentos Becca estava muito mais ágil e forte.
—Eu não me importo sobre o que pensa de mim ou de como pensa sobre si mesma, eu só quero garantir a sua segurança, e vou fazer isso nem que tenha que trair meus próprios princípios.
—Como me trancar aqui?
—É sim. Como trancar você aqui e passar sua comida por baixo da porta igual na cadeia. – Clint falou sério, agora ambos estavam cansados, parados frente a frente e por alguma razão Becca não estava mais tão furiosa.
—Vou precisar usar um daqueles uniformes de listra? – Disse a jovem com seu tom novamente debochado, mas dessa vez Barton se aproximou devagar, sem dizer nada ele colocou suas mãos sobre o cinto que prendia o roupão no lugar, ele a puxou com força obrigando-a ir para frente ficando tão perto que podia sentir seu quadril encaixando no dele.
—Se usar isso já serve. – Disse baixo de uma forma que ele jamais havia dito antes, com um olhar que ela só havia visto naquele dia na igreja.
—Barton...eu...não sei se isso, bem.... – Ela não conseguiu continuar, Barton a beijou levemente e depois ardentemente num ritmo sensual e muito angustiado, era como se estivesse falando com seu corpo e sua alma, dizendo todas as coisas que estavam entaladas em sua garganta, cada pedido de desculpa, cada medo escondido, ele soltou suas mãos do roupão, se as deixa-se ali não iria responder por si, não podia fazer as coisas tão rapidamente, não podia simplesmente transar e ir embora, tinha que ser em outro momento.
—Sei que pode ser errado, provavelmente é, e Deus vai me queimar no inferno por isso, mas eu não vou mais fingir que só me importo com você pelo que aconteceu no passado, não é justo comigo e nem com você. – Barton permaneceu segurando Becca em seus braços e estranhamente ela se sentia protegida.
—Então não haja como um idiota Barton, as coisas já estão ruins o suficiente pra isso. – Becca falou olhando dentro dos olhos daquele homem que era um símbolo de tantas coisas, mas uma vez ele a puxou com força encaixando-a em seu corpo dando alguns passos em direção a cama de lençóis de seda.
—Barton?! – Becca queria pedir para parar, sabia que seu coração não tinha certeza daquilo, e não queria sexo por sexo, isso ela fazia antes, precisava ter certeza, ela ainda estava usando o colar que Matt havia lhe dado. –Não devemos continuar... – Ela mordeu os lábios numa tentativa de suprimir um gemido no momento em que as mãos dele começaram a apertar suas coxas por baixo do roupão.
—Eu sei, só não consigo fazer meu corpo entender. – Ele sussurrou próximo ao ouvido dela soltando um riso rouco, aquilo a fez estremecer por completo.
—Rebecca, posso falar com você? Eu estive pensando e... – Wanda ficou em silencio ao se deparar com a cena a sua frente, ela não sabia se ia para trás ou se entrava de vez no quarto, seus olhos estavam arregalados e seu rosto muito vermelho até que finalmente o choque inicial passou, Clint soltou Becca tão rápido que a mesma caiu sentada na cama. –Se preferir, posso voltar outra hora, façam de conta que não me viram aqui. – Wanda falou um pouco sem graça mais com um sorriso divertido nos lábios.
—Está tudo bem. – Clint falou com uma expressão ainda confusa, ele ainda não sabia se ia ou se vinha, precisou passar as mãos pela cabeça algumas vezes até recobrar a postura. -Eu já estou indo , vamos no helicóptero do Tony então vamos sair daqui mesmo, tenho certeza de que vai dar tudo certo, só tomem cuidado, não esqueça do que eu disse. – Clint falou encarando Becca muito sério, ele precisava ir, mas não iria deixar de fazer o que seu coração mandava.
—Ok. – Foi á única coisa que ela conseguiu dizer.
—Eu sinto muito não sabia que você e Barton, que vocês...bem...
—Wanda, não aconteceu nada aqui ok? Não bagunça as coisas na sua mente, foi só um beijo, coisa do momento, eu nem sei dizer por que isso aconteceu. – Rebecca se jogou de costas na cama e Wanda a imitou, elas riram enquanto Becca colocava as mãos sobre a cabeça. –Acho que estou ficando doida.
—Quem vai ficar doido com isso é o seu pai. – Wanda falou uma realidade naquele momento, Daniel era um pai autoritário, só estava permitindo essa “amizade” de Becca com Barton porque acreditava ser totalmente profissional, ele nunca poderia suspeitar disso, afinal, naquela semana seria anunciado o novo presidente do país e ela tinha certeza que seria seu pai.
—Um homem que não protege a filha irá proteger uma nação. – Disse Becca de forma debochada, mas no fundo ela tinha muito medo de como tudo isso poderia acabar.
—Desculpe, não devia ter falado dele. – Wanda disse meio apreensiva, ela sabia que Becca não gostava muito da ideia de seu pai estar envolvido de forma pútrida em seu acidente e em todas as coisas que aconteceram depois.
—Tudo bem, mas me diga, o que você veio me dizer afinal? – Becca perguntou e Wanda se sentou rapidamente na cama, ela parecia um pouco tensa naquele momento e Rebecca deduziu que poderia ter alguma coisa haver com Visão. –É sobre o Roxinho né?
—Quer parar de chamar ele assim? – Wanda deu um empurrão de leve em Becca que riu da expressão rubra na face da mulher. –Sim, é sobre ele, lembra aquela caixa de chocolates que comprei?
—Você ainda não deu pra ele? Não acredito nisso. – Becca se lembrou do momento em que Wanda havia parado em uma barraca de doces para comprar alguns de presente para o Visão, ela queria levar alguma coisa da festa para ele já que o mesmo não pode ir.
—Eu não sei como fazer isso. – Não quero passar uma mensagem errada para ele, eu nunca...bem, eu nunca fiz isso antes, minha vida não foi bem um mar de rosas, fiquei anos em uma base militar inimiga, passei praticamente uma vida odiando o senhor Stark, vivi coisas que são difíceis de pronunciar, mas no meio de tudo isso nunca tive um namorado, entende? – Wanda falou um pouco constrangida, ela sabia que as coisas eram mais complicadas para ela e Becca entendeu aquilo.
—Vou te ajudar ok? Em primeiro lugar não pode ter vergonha, tem que estar pronta para novas emoções e sentimentos, você tem uma ótima personalidade e ainda é bonita, então não vai ser difícil fazer a mágica acontecer.
—E você tem alguma dica? – Wanda falou apertando as próprias mãos.
—Vamos fazer assim, todo mundo foi embora, ficamos só nós três aqui, podemos fazer alguma coisa para comer e depois você aproveita e entrega os chocolates, diz que comprou pra ele poder descobrir sobre um dos sabores mais viciantes dos humanos. – Becca falou animada e com um brilho nos olhos que quase assustava Wanda, mas aquilo a encheu de energia, era perfeito, Visão iria adorar e dessa forma entender o fundamento do presente. –Ai depois você mostra os outros sabores que os humanos gostam. – Becca falou com um olhar malicioso e Wanda corou violentamente.
—Você é uma abusada Jackson, vou ensinar você a não falar essas coisas. – Wanda usou seus poderes para levitar vários travesseiros da cama e jogou todos contra Becca que ria como uma criança, guerra de travesseiros é uma guerra que ela podia fazer sempre.
—Minha vez agora. – Becca foi desviar do travesseiro que flutuava e se jogou sobre ele dando um mortal de costas e caindo em cima de Wanda que deixou todos os travesseiros caírem ao mesmo tempo.
—O que esta acontecendo aqui? – Visão perguntou surgindo na porta com um ar preocupado. – Eu ouvi gritos, risos, barulho e fiquei preocupado.
—Você não entenderia senhor Spock. – Disse Becca e Wanda acompanhou fazendo a saudação Vulcana, as duas caíram na risada enquanto o homem apenas fechou a porta lentamente com medo do que poderia estar acontecendo, aquilo apenas fez lembra-lo uma frase muito usada pelo senhor Stark, ele dizia: Mulheres.
Laboratório de pesquisas genéticas – Localização desconhecida
O Doutor Fritz estava envolvido com sua nova pesquisa sobre a imortalidade, ele não tinha interesse nos planos diabólicos do ex-General Miller ou nos planos de fortuna ilimitada de Wilson Fisk, tudo o que ele queria era esfregar na cara da sociedade a sua total competência ao desenvolver um soro não apenas capaz de curar todas as doenças do mundo, como era o objetivo inicial do projeto Poison, como também dar as pessoas, a chance de viver para sempre. Ele queria se tornar Deus.
No começo o projeto era bem simples, usar vários compostos perigosos numa tentativa de desenvolver um antidoto único, que fosse capaz de curar todas as doenças existentes incluindo o câncer. Tony Stark financiou o inicio do projeto e Thomas Jackson, irmão do até então Governador Daniel Jackson, foi o pioneiro nessa busca. No entanto, todas as pesquisas e cada avanço tinha que passar primeiro pelas mãos de Fausto Miller que era o general da época, Fausto era um homem de poucos amigos, seu maior objetivo da época era provar para o Presidente e os membros que formam a defesa do país que aquele projeto também poderia render soldados mais fortes para a proteção dos E.U.A.
—Não estou sugerindo que façamos o soro do super soldado, estou sugerindo fazer algo novo, algo que dê uma perspectiva totalmente diferente sobre o que conhecemos. – Disse Miller encarando cada membro do conselho com seus olhos afiados.
—Isso seria muito arriscado meu amigo. Não sabemos ao certo o que pode nascer desse experimento, sem falar que para desenvolver algo assim precisaríamos fazer testes em humanos e isso não é uma opção. – Tony Stark falou sendo apoiado pela maioria, Rhodes estava em total apoio com o amigo, eles queriam dar um basta em seres geneticamente criados.
—Você diz isso porque quer tomar a frente dessa criação senhor Stark. Assim como seu pai vai acabar desenvolvendo algo incapaz de se controlar e ai então eu vou mandar uma carta com meus sinceros pedidos de desculpa por não poder ajudar a salvar seu traseiro inútil. – Seis meses depois dessa conversa a explosão no laboratório aconteceu, ninguém sobreviveu exceto uma menina, uma jovem de 19 anos e isso era tudo o que Miller precisava.
Quando os ataques alienígenas vieram foi um basta para muitos países, as armas que estavam sendo desenvolvidas em segredo por Nick Fury na SHIELD acabaram sendo roubadas por outros países quando a agencia caiu, um desses países, a Russia, Coreia do Norte e Palestina. Foi o momento que os E.U.A. sentiram mais a necessidade de uma segurança reforçada, o governo deu certa “autonomia” para o grupo então intitulado de Os Vingadores, para que tornassem a terra e o país um lugar seguro para se viver.
Algum tempo depois ULTRON foi criado, agora a HIDRA não era o maior problema, Tony Stark tinha finalmente criado uma bomba para o mundo que tanto tentou proteger, Sokovia caiu, muitas pessoas morreram e mais uma vez Miller sentiu que era sua obrigação pensar em um plano B.
Fritz se lembrou da primeira vez em que Rebecca Jackson foi trazida para o laboratório secreto, como seu corpo parecia desfigurado, como tudo estava funcionando milagrosamente e ele se lembrou de cada amostra de pele, cada gota de sangue e principalmente de cada lavagem cerebral que fizeram quando após dois anos de testes Rebecca estava finalmente ganhando a consciência.
—Você acha que ela irá se lembrar no futuro? – Disse Fritz para Miller que usava uma tecnologia desenvolvida pela HIDRA.
—Me diga você doutor, o cientista aqui não sou eu. – Disse Miller de forma séria enquanto andava ao redor da jovem. -O Soldado Invernal nunca lembrou, não será diferente com ela. – Miller falou enquanto uma Rebecca vestida de negro permanecia sentada em uma maquina ligada ao seu cérebro.
—O pai dela acredita em nós Miller, ele acha que estamos apenas retirando amostras de sangue, e que ela ainda está em coma. – Fritz falou encarando o rosto tão jovem e tão sofrido a sua frente.
—Bom, quando a devolvermos ela ainda estará em coma. – Miller deu um tapinha no ombro do cientista e sorriu animado, quando fosse a hora tudo seria recompensado.
Quando Miller havia falado com Wilson Fisk alguns dias atrás ele não tinha mencionado as pesquisas ocorridas nos últimos dois anos de uso tendo em posse Rebecca, ele não sabia até que ponto podia confiar no homem, mesmo sabendo que Fisk era um homem de negócios ainda sim seria arriscado permitir que todos os detalhes da operação chegassem aos seus ouvidos.
—Doutor, as últimas pesquisas estão a caminho do nosso laboratório em Moscou, acabei de receber um telegrama avisando. – Disse a secretária pessoal do cientista.
—Ótimo, quero checar os nossos relatórios sobre os testes de campo feitos em 2013, pode rodar o vídeo do teste #35. – Fritz permaneceu atento a grande tela negra que desceu cobrindo a janela principal de seu escritório, sua assistente colocou um pen drive no notebook ao lado e deu play no vídeo que mantinha os nomes de teste #35 – Projeto Poison.
As cenas se iniciaram. Se tratava de um campo de guerra, perto das fronteiras com o Paquistão e o Afeganistão, muitos homens lutando, uma guerra que não parecia ter fim, tiros para todos os lados, muita fumaça produzida pelas bombas, gritos de medo e coragem, aquele é o tipo de lugar que pode ser comparado ao inferno, um lugar onde muitos homens vão para morrer, Ivan jamais entendeu porque os homem entram na guerra.
E lá no meio de tudo isso um soldado diferente, ele não parecia ter medo, não parecia querer se proteger das granadas, estava caminhando displicente como quem passeia em um parque de diversões. Conforme a câmera ia se aproximando era possível ver as formas do soldado, e um corpo feminino ganhava contornos, seus cabelos presos em um rabo de cavalo, sua roupa preta colada ao corpo, um cinto de ferro com crânios ao redor da cintura e uma mascara cobria apenas a parte dos olhos, Fritz deu um zoom no momento em que a mulher passava no meio do tiroteio como se nada estivesse acontecendo, ela ia em direção aos soldados ao invés de fugir deles e quando suas mãos tocavam os homens eles eram imediatamente transformados em poeira.
—Essa é Rebecca Jackson doutor? – Perguntou a jovem muito curiosa, mas nesse caso Fritz não se importou em responder.
—Sim Hannah, essa é a senhorita Jackson, mas esses homens a conhecem como Kali, a deusa da morte. – Disse o homem com um brilho nos olhos incapaz de ser explicado.
—Acha que ela irá se lembrar disso algum dia? – Perguntou a jovem de forma séria. –Dizem que nos últimos anos o Soldado Invernal começou a se lembrar do seu verdadeiro eu.
—Isso porque ele viu Steve Rogers e o elo entre os dois era muito forte, não acredito que Rebecca possa recuperar suas lembranças, pois, não tem ninguém em que se basear, nem mesmo no senhor Barnes. – Fritz falou confiante, mas no fundo ele próprio não sabia qual era o grau de ligação entre a Deusa da Morte e o Soldado Invernal.
Torre dos Vingadores – New York
Cozinha
A cozinha da Torre era enorme, um lugar preparado para todo o tipo de criação culinária, tinha vários armários com praticamente todo o tipo de ingredientes dado a quantidade de pessoas que andava comendo por ali, tinha uma mesa no centro em formato oval, como se fosse a mesa do rei Arthur, com cadeiras para todos e um lustre moderno descendo no centro da mesa, alguns vasos de plantas foram colocados em pontos estratégicos para deixar um ambiente mais acolhedor, ideia das mulheres do local, no caso Pepper, Natasha e Sharon, Tony havia pensado em tudo e tinha muito orgulho disso, o lugar tinha uma faxineira que vinha todos os dias, mas Steve gostava de fazer suas próprias tarefas, e pedia aos outros que fizessem o mesmo.
“O bom soldado está preparado para qualquer tipo de emergência, mesmo que isso signifique desentupir uma pia.” – Dizia Rogers fazendo todos os outros revirarem os olhos indignados.
No inicio a Torre era um projeto apenas de Tony e Pepper, mas dado ás circunstancias que vieram depois tudo precisou ser planejado novamente, e com isso, Pepper acabou se afastando um pouco.
—Eu queria que você se afastasse desse mundo Tony, que se preocupasse mais com você e com sua vida, o mundo já tem outros heróis, mas eu só tenho você. – Disse Pepper ali mesmo naquela cozinha antes de partir para sua ultima viagem de negócios em nome das Indústrias Stark.
—E eu só tenho você Pepper, por isso não posso dizer adeus, por isso preciso de você ao meu lado. – Tony tentou argumentar mais as coisas não eram como antes.
Rebecca gostava muito de cozinhar, mas não era especialista, sua atividade favorita era mexer com as plantas, gostava muito da terra e já havia conversado com Tony sobre um jardim de inverno em uma das salas praticamente abandonadas da Torre, ele tinha ficado feliz com a possibilidade de criar um novo espaço, de qualquer forma, quando se tratava de comida nesses momentos ela sempre fazia o prato do dia, um belo macarrão com molho vermelho e uma garrafa de vinho para esconder os defeitos.
—Quando minha mãe era viva sempre queria me ensinar a cozinhar, ela dizer que esse tipo de coisa é fundamental na vida, mas eu nunca me importei muito com isso. – Rebecca falou um pouco triste enquanto experimentava o sabor do molho. –Ela era incrível, sabia fazer todo o tipo de coisas, costurava, cozinhava, sabia primeiros socorros e tudo sobre comida orgânica, ela era um gênio, como se soubesse um pouco sobre tudo o que existe no mundo, eu sinto a falta dela. – Becca falou as ultimas palavras quase em um fio de voz.
—As pessoas esperam o fim para desejar um novo começo, isso é algo que me surpreende na humanidade. – Visão falou enquanto colocava os pratos.
—O que me surpreende é o senhor Stark deixar você como nosso guardião. Será que ele achou mesmo que isso daria certo? – Becca falou rindo enquanto olhava para Wanda, ela estava ansiosa para ver Wanda entregando os chocolates para aquele homem tão peculiar, naquele momento um barulho estranho começou a invadir o local, parecia um helicóptero ou algo assim.
—O senhor Stark tem umas idéias um pouco distorcidas sobre como se deve proteger duas jovens quase adolescentes em uma Torre de alta tecnologia de ponta. – Wanda falou enquanto pegava o vinho e colocava sobre a mesa.
—Como assim quase adolescentes? Já passamos dessa fase faz muito tempo. – Becca falou rindo e pegando um copo para beber.
—Dada as nossas situações, no caso você em coma por cinco anos e eu presa em um laboratório de pesquisas do mal, devo acreditar que não temos experiências suficientes para nos considerarmos adultas. – Wanda falou enchendo o copo de ambas enquanto Visão tentava entender a lógica de toda aquela conversa sobre idade e acontecimentos do passado. –Veja, por exemplo, eu nunca fui em uma boate, sempre quis saber como é.
—Isso me parece uma ótima idéia, devemos fazer isso depois do jantar, tenho certeza que devo ter entrada Vip pelo menos em uma das boates de New York. – Becca falou animada e mais uma vez o barulho do helicóptero tomou conta do ambiente, naquele momento o telefone tocou no mesmo minuto e Rebecca foi atender.
—Becca...ele está indo...cuidado, é uma armadilha...saia dai, agora...eu... – Mas Becca não conseguiu ouvir mais nada, a ligação caiu e a voz de Steve Rogers ficou perdida na ligação, o que significaria tudo aquilo?
—CUIDADO!!!! – Gritou Wanda mais foi tarde demais, várias bombas de gás invadiram o local onde estavam, era impossível respirar e mesmo com seus poderes Wanda e Visão acabaram caindo, Becca tinha uma regeneração boa, mas sentiu vários dardos tranquilizantes invadindo sua pele, ela dobrou os joelhos e a ultima coisa que viu foi um homem com braço metálico saldando do helicóptero pela janela.
Era o Soldado Invernal pronto para mais um tiro em seu peito.
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