Poetas do Salvetti

1 Calabouço (Soneto Parnasiano)


Notas iniciais
Soneto composto em conjunto pelos quatro terceiros da manhã, sendo cada classe responsável por uma estrofe na seguinte ordem: primeira estrofe 3º C, segunda 3º D, terceira 3º B e quarta 3º A.

Dos alunos a escola é dependente,

mas como cela aprisiona a mente.

Dizem que devemos nos expressar.

Opinar apenas sem incomodar.

Docente que ensina, mas não entende

uma nova geração que surpreende.

Não se importam mais em dialogar,

preferem desculpas a explicar.

Impor sem discutir gera lamento.

Reprime e limita, cerca o visível.

Omite o dever do pensamento.

Como o Parnasiano movimento,

a escola tem padrão inflexível.

Mas razão não há sem o sentimento.

A temática dos poemas parnasianos costuma ser simples e abordada com objetividade. No entanto, por mais que tenhamos escolhido um tema cotidiano, foi impossível aos alunos conter o olhar subjetivo quando nos deparamos com algo que eles consideram contrastante: a imposição de regras que lhes parecem excessivas e incompreensíveis, ao mesmo tempo em que são estimulados a ter senso crítico.
Assim, nasceu esse soneto um pouco mais problematizador do que esperávamos, mas ainda tentando se ater aos ideais Parnasianos de “arte pela arte”, que consiste na busca pela perfeição formal.
As características que tentamos empregar foram:
— Uso da forma fixa clássica, o soneto decassílabo, ou seja, dois quartetos e dois tercetos, com dez sílabas poéticas por verso.
— Esquema de rimas, no nosso caso um bem simples, AABB/AABB/CDC/CDC
— Vocabulário refinado. Na verdade, o vocabulário pode não soar especialmente refinado para você, leitor mais exigente, mas o que vale é que os alunos tentaram usar palavras e estruturas que não conheciam ou não costumam empregar em seu dia a dia. Além disso, o refinamento pôde ficar por conta de um grau de formalidade também diferenciado do usual para eles.
— Inversões sintáticas. Para facilitar a rima, algumas frases não estão em ordem direta.