Poetas do Salvetti

2 "Ó, minha amada senhora" (Cantiga de Amor)


Notas iniciais
Autoria 2oC

Ó, minha amada senhora,

sofro a perda de outrora.

Porque sem ti ao meu lado

Fico desorientado.

No véu da noite te via.

Bela rosa que sorria.

E a lua iluminava a

Grande dor que me causava.

Mas a dor dessa vontade

não é maior que a saudade.

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Primeiras manifestações escritas da nossa língua, as cantigas trovadorescas eram canções que circulavam, principalmente, na corte e se encaixavam no contexto da sociedade feudal.

Elas se dividiam entre dois grupos: líricas (de amor ou de amigo) e satíricas (de escárnio ou de maldizer).

Essa nossa é de amor e, portanto, tem eu-lírico masculino e segue os princípios do amor cortês. As cantigas de amor são sempre sobre um homem apaixonado por uma mulher que não pode ter, pois ela ocupa uma posição social superior à dele. Assim, ele se coloca à disposição dela como servo fiel, numa atitude de vassalagem amorosa, que espelha a relação de fidelidade entre vassalos (servos) e suseranos (senhor feudal). Dessa forma, ele promete respeitá-la e zelar por sua honra, nunca expondo sua identidade ou tentando efetivamente conquistá-la, já que, normalmente, ela está comprometida com alguém do nível social dela.

Obviamente, essa atitude gera grande sofrimento para o apaixonado, revelando outra característica desse tipo de poesia cantada, a coita de amor (sofrimento amoroso), que é o que exploramos aqui.

Na situação imaginada pelos alunos do 2º C, o servo responsável pelos jardins do palácio planta rosas para poder observar a discreta senhorita que as admira da janela sob a luz da lua. Porém um dia, essa senhorita deixa de aparecer, provavelmente porque se casou, e nosso jardineiro lamenta a dor ainda maior do que a de amá-la à distância: a dor da saudade.

Aplicamos aqui a métrica conhecida como redondilha maior (sete versos poéticos), levando em conta que essa costuma ser a métrica das cantigas de roda e canções populares.