Poeta, não gramático.
18 Jogos
Notas iniciais
— Faz muito tempo! – ele comentou, parecendo empolgado de ter me encontrado ali – Você sempre vem aqui?
Concordei com a cabeça, guardando os poemas e a caneta na pasta. Aproveitei para procurar o dinheiro do café, não vendo a hora de sarpar dali. Céus! Eu estava literalmente sufocado.
Eu havia me entregado por inteiro, aquilo era o amor afinal.
Amar era sofrer, certo?
— Parece que você está com pressa. – disse, decepcionado.
— Se eu soubesse que te encontraria aqui, talvez nem tivesse saído de casa.
Eu entendi então o que era que me sufocava. As palavras que nunca foram ditas. Apesar de expressá-las em poemas, elas me estrangulavam sempre que eu as engolia. Mas eu não engoliria, não mais.
— Caralho Benjamin, já faz três anos e você não superou ainda?
Aquela pergunta foi a gota d’água.
Mais uma vez, as palavras encontravam o caminho para fora sem eu nem pensar. Antes que eu pudesse perceber, o rapaz em minha frente me olhava assustado enquanto eu jogava todas as cartas na mesa. Todas as mentiras, os jogos, eu estava saturado!
Deixei o dinheiro do café em cima da mesa e suspirei.
— Vai se foder. – foi a última coisa que falei antes de sair.
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