Poemas soltos

3 Oh Carmen, onde foi que você se meteu?


Notas iniciais
Um pouco de poesia sem sentindo, "só pra variar".

Carmen. Oh, Carmen.

Com os olhos embaçados, os saltos pendurados nos dedos e o batom borrado, ela caminha pelas ruas nebulosas de um madrugada infinita. Os pés descalços pisam na pedra úmida, as pernas cambaleiam. Ela não sabe onde está ou para onde vai, mas seu coração retumbante clama por uma saída.

Carmen, onde foi que você se meteu?

O sol já não existe mais neste submundo sem luz. As estrelas são tinta prateada numa tela negra, e a lua um círculo de fogo branco. O vento sopra em sua nuca, levanta seus cabelos, impaciente como um espírito indomável, sempre sussurrando:

Carmen, oh Carmen. Onde foi que você se meteu?

Ela escuta a melodia do silêncio com prazer, deleitando-se em sua própria solidão. Cigarro entre os dedos, garrafa na mão. Carmen está perdida, escutando as badaladas de seu insistente coração. Martela contra suas costelas, escava por uma saída. Rasga sua carne e sua alma, deixa tudo o que há de bom escapar. E lá no fundo, adormecida, uma criança desprovida de esperança, lá está ela: Carmen.

Oh Carmen, minha Carmen. Onde foi que você se meteu?

Um tropeço e está tudo acabado. Levante a cabeça, trilhe seu caminho. Olhe para fora de sua janela: o mundo é muito mais do que você pensa. Carmen cambaleia por entre almas perdidas, esqueletos vazios e corações costurados, tentando achar a si mesma. Se perguntando, sempre se perguntando:

Carmen, onde foi que você se meteu?

Notas finais
Todos nos sentimos um pouco Carmen certos dias.