Poemas de um sonhador

73 O que eu consigo ver


Não é nada estranho passar por um lugar e sentir o cheiro da natureza

Sentir um pouco do que falta no mundo

Sentir o que muitos sentiam antigamente.

Quando ando em uma cidade eu saio de sintonia

Viro um radio fora da estação, chiando

Porem esse chiado é o som dos pássaros na minha cabeça

E os números das estações são a troca da realidade para o imaginário

Que insiste em me mostrar como era antigamente.

Substituo casas por arvores grandes

Postes por arvores secas

A estrada por terra

Sinto me em casa em qualquer lugar.

Na verdade é perturbador pensar assim

Se lamentar por algo que aconteceu no passado

Algo irreversível.

Para que isso voltasse, o ser humano teria que ser dizimado

E eu não gostaria de sumir do mapa

Uma coisa tão maravilhosa

Mas com um preço caro a se pagar.

E assim vai o mundo

Seguindo nessa velocidade constante

E eu apenas subo no lugar mais alto do prédio

Para sentir o vento em meus cabelos

Abrir os braços e gritar

Gritar até chover

Gritar até o vento me jogar no chão

Gritar até o chão virar grama

Até o mundo voltar ao que era antes.