Poemas de um sonhador

74 Lagrimas em meio a tanto sangue


Notas iniciais
A guerra é... Paul Valéry "A guerra é um massacre entre pessoas que não se conhecem para proveito de pessoas que se conhecem mas não se massacram."

Uma carta, um pedido, uma despedida

Mais um jovem indo para a guerra

Em um dia chuvoso

Um dia triste.

Ele chega no campo

O chão é só a lama

Vários jovens andando

Alguns pareciam determinados

Enquanto outros estavam assim como ele

Desolados.

Duro treinamento

Armas, corridas e muito suor

Apenas um objetivo forçado

Vencer.

A cada dia chegam mais aliados feridos

E outros carros trazem apenas os corpos

E todos tem que conviver com aquilo

E terem força para lutar para que não ocorra com eles.

O dia chega, um carro vai leva-los para o campo

Alguns tremem as mãos

Outros olham aflitos

Outros choram

E ele apenas deixa as lagrimas escorrerem

Enquanto entra no carro.

Tiro

Granadas

Explosões

E ele ali no meio

Perdido, apenas olhando

Olhando a terra voar

O sangue espirrar dos corpos

E gritos ecoarem ali.

Ele vê o sofrimento de seus aliados

Resolve lutar

Mira em direção do inimigo e entra no massacre

Se infiltra em uma guerra sem sentido

Assim como todas são.

Depois de muito tempo lutando

Uma bala perfura seu ombro

Mas ele continua de pé

Não é mais por sua família

E sim por uma nação.

Então eles passam por uma cidade

Pessoas correndo

E seus aliados enfurecidos

Disparando tiros e matando-os

Ele se contem

O único jovem dentre os outros

Então uma menina começa a correr até sua mãe

Caída no chão, morta, espalhando seu sangue pelo chão

A menina chora

E um soldado se aproxima com uma arma

O jovem grita para não atirar

Mas só se ouve o disparo da arma

O jovem se ajoelha.

Tudo que ouviu

“Por uma nação”

Tudo parecia se apagar

A imagem daquele massacre mudara seu modo de pensar

Ele chorou

E os outros sem compreender o que o jovem fazia

Todos correndo para a morte.

O jovem não sabia o que fazer

– O que eu faço? –

Perguntava a alguém, um Deus talvez

Ele chorou, o sangue da criança chegara até ele

Uma chuva começou

Ele se levantou, triste, abatido

Destravou a arma e então...

Disparou contra seus irmãos

Disparou contra tudo

Ele enlouqueceu?

Não, só não aguentou o fato daquilo ser sem sentido

Não aguentou e botou tudo a perder.

Ele levou um tiro na garganta

Porem teve tempo o suficiente para sentir seu corpo cai no chão

Teve tempo de aproveitar e fundir suas lagrimas com a chuva

Teve tempo de chorar.

Notas finais
Ganhar uma guerra Agatha Christie "Ganhar uma guerra é tão desastroso como perdê-la."