Poemas de amor e violência
1 Poema da tempestade
Notas iniciais
Poema inspirado em um sonho.

Meu seio nu encosta no teu
O vento lá fora começa a zunir violentíssimo uma tempestade
Balança tudo lá fora, voraz, feroz
Você me guia e me prende com seus lábios
Suas mãos com fome, abraçam
O vento começa a ficar mais violento, cruel
Sinto o cheiro da chuva, mas não chove, só venta
Por enquanto só frio calor e violência
O vento bate na janela como uma fera
atrás das grades, feroz, barulhenta, grutal
Ela quer quebrar as grades e invadir o pequeno quarto,
Mas tudo que se passa é um braço, um fio de vento
Frio, o vento bate na parede como a minha cabeça agora.
Reclamo, mas continuo, venta mais forte.
Sinto que o mundo vai nos levar essa noite
O vento arrebata minha espinha nua
Sinto o arrepio
A tempestade lá fora se torna uma cólera assassina
Vai arrancar essas paredes
Chove no meu quarto, gotículas salgadas e doces
A tempestade piora o vento
Relâmpagos brilhantes riscam o céu quando rio
Assim como trovões se tornam gritos mudos
Graves se tornam agudos
Se misturam... se tornam... outros... Um
Você me procura, mãos fortes em minha cintura
O vento revolve a terra
Levando tudo consigo
Parece o inferno o vento
Minha cabeça já pende cansada
Parece infinita a tempestade
Mas ela vai perdendo a força naquele último relâmpago.
Você me abraça e me descansa em seu peito.
Levanto o corpo débilmente apenas para abrir a janela e olhar a natureza
Intacta, imutada, nem uma leve brisa...
Houve mesmo vento? Houve tempestade?
Sinto sua respiração
Seu peito sobe e desce
De forma contínua
Exausta, satisfeita, incrivelmente calma...
Olho lá fora novamente para ter certeza
E percebo que a tempestade sou eu.
Fale com o autor