Plus Que Ma Propre Vie
31 Perfeição :: Fase 2
Notas iniciais
Perfeição
Bella’s POV
Eu levei um tremendo susto. Confesso que nunca senti tanto medo em toda a minha vida – nem quando Victória ou James me perseguiram –, mas não tive medo por mim, e sim por Edward – como sempre.
E lá estava ele, me defendendo incansavelmente. Todos nós ficamos estáticos, sem reação. Lucas e Edward lutavam no meio do refeitório de Stanford e não podíamos fazer nada... Bem... Podíamos, porém no instante que Emmett se levantou para ajudar o irmão, Jasper interveio, alegando que aquele era um problema dos dois, e também que era questão de ego.
Aff! Essa testosterona!
Toda vez que Lucas golpeava o meu Edward, eu sentia um aperto enorme no peito... Era como se algo me perfurasse... Principalmente sabendo que ele estava ali para me defender.
As meninas começaram a se desesperar, me deixando ainda mais aflita – se é que era possível. Elas pediam aos garotos que os ajudassem no duelo, embora o argumento que Jazz usou ainda se fazia presente.
Meu coração parou no momento em que vi Lucas causar sérios danos ao homem que me defendia com garra. Eu já estava chegando ao meu limite. Não conseguiria ver aquilo por um instante a mais. Não me importei com nada a seguir, a não ser com Edward machucado, sangrando, enfraquecido. E, então, fui a sua direção.
_Edward! Oh meu Deus! Está tudo bem? – eu disse, enquanto procurava algum lugar seriamente machucado em seu corpo, desesperadamente.
Entretanto, ele não pôde me responder, pois avançou no Lucas com uma força quase que vampírica. Foi inacreditável. Vi que ele estava, mais uma vez, me protegendo, pois meu ex lançava olhares assustadores e enraivecidos para mim... Talvez ele quisesse me atingir.
Os golpes de Edward eram muito parecidos com os que ele usou contra os dois vampiros sádicos que me perseguiram há anos – Era algo descomunal. Contudo, quando ele caiu no chão, Lucas soube aproveitar bem a situação, socando Edward em vários lugares, principalmente em seu rosto de anjo. Seus belos olhos verdes me fitaram, e eu pude ver o desespero da fragilidade em seu olhar. Eu tinha que fazer alguma coisa.
_Pelo amor de Deus! Vão ajudá-lo. Apartem essa briga! – gritei, virando-me para fitar a mesa onde estávamos sentados.
Por sorte, não precisei me esforçar, pois, ao olhar, os meninos não estavam mais lá. Virei novamente e pude ver Emmett já tirando Edward de cima de Lucas, o qual também estava tremendamente machucado. Não quis prestar atenção em mais nada. Edward estava gemendo e com uma expressão de dor tomando conta de seu rosto.
_Oh meu amor... Você está bem? – sussurrei, tocando seu corpo ferido.
Ao encarar aquelas esmeraldas, pude sentir a paz outra vez – Edward me causava sensações muito além de tudo e de todos. Ele fechou os olhos ao sentir minhas carícias em seus cabelos, tirando uma mecha que caia próxima a sobrancelha.
_Estou sim... Não se preocupe – respondeu, voltando a me fitar.
_Vem! Vamos para o carro, acho que lá tem uma maleta de primeiros-socorros. Você precisa de cuidados; está sangrando e com alguns cortes também.
_Está tudo bem; não preciso de cuidados...
Ele achava mesmo que iria se livrar de mim tão facilmente?
_Não está, não! Vem logo e larga de ser teimoso.
_Ok! – concordou suspirando.
Abracei-o pela cintura, enquanto ele se apoiava em meu ombro. Fomos seguindo para fora daquele lugar, até que percebi que ele olhava para trás. Ouvi que o segurança chefe conversaria com ele depois.
Fomos em silêncio, rumo ao seu carro. Abri a porta traseira do volvo cinza-escuro e o ajudei a se acomodar, indo até o banco do passageiro e mexendo no porta-luvas.
_Aqui! – exclamei ao encontrar a caixinha de primeiros-socorros.
Voltei até onde ele estava, sentando-me ao seu lado.
_Como essa coisa foi parar aí? Não me lembro de ter comprado isso... – Edward perguntou, referindo-se aos curativos.
_Me responda algo – disse, fitando-o.
_Claro!
_Alice, por acaso, já futricou no seu carro? – perguntei, estreitando os olhos.
_Sim... Por q... – Parou no meio da frase com os olhos arregalados.
_Sim! – confirmei o que, certamente, ele pensava.
_Alice! – exclamamos juntos.
Ela com certeza se preveniu de alguma forma – Aquela baixinha e suas intuições. Sorrimos, mas ouvi um gemido escapar por sua garganta.
_Onde dói? Nossa, Edward! Diz pra mim!
_Calma, Bella... – ele riu.
_Ok! Eu sei que estou ficando histérica... Mas com razão – defendi-me.
_Com certeza, amor. Mas não se preocupe... Eu vou ficar bom, logo.
Fiz seu curativo com o maior cuidado que pude, ao passo em que ele apenas me observava.
_Desde quando você não passa mal quando vê sangue? – perguntou curioso.
Só aí notei que eu realmente não havia sentido tonturas.
_Hmm... Desde agora, ao que parece – respondi surpresa.
Ele riu um pouco, enquanto eu terminava o meu trabalho.
_Prontinho! – suspirei ao terminar, guardando tudo na pequena caixa.
_Sem danos? – perguntou, aproximando-se.
_Você teve sorte de não ter quebrado o nariz... Foi um soco bem forte – falei, aconchegando-o em meu peito; pela primeira vez me senti a protetora, e não a protegida.
_O que foi? Parece inquieta – reparou ele, levantando a cabeça, a fim de me encarar.
_Tive tanto medo de te perder – sussurrei com lágrimas nos olhos.
_Não fique assim, meu amor; não foi nada de mais... – Sentou ao meu lado, puxando meu queixo para encontrar seu olhar.
_Mesmo assim... Não sei... Só senti uma angústia...
_Eu sei... Eu também senti.
_Eu sei que estou sendo tola, mas... promete nunca me deixar? – sussurrei, segurando seu rosto com as minhas mãos.
_Claro que prometo, meu anjo! Eu te amo e jamais a deixarei novamente!
_Obrigada – sorri.
_Eu é que agradeço – sorriu também, dando-me um doce e delicado selinho, em seguida.
Aconcheguei-o em meu peito outra vez, como uma mãe trata do filho. Acariciei seus macios e cheirosos fios acobreados, enquanto ele afagava minha cintura levemente.
_Aliás... Eu também te amo – sussurrei, beijando sua testa.
Senti-o sorrir, o que automaticamente fez com que eu também sorrisse.
[...]
Deixei Edward em sua casa logo após cuidar de seus machucados – sorte que não foram tantos. Avisei ao Carlisle sobre a briga e como seu filho estava, fazendo com que, consequentemente, meu sogro fosse examiná-lo. E apenas passou um remédio para dores, alegando que ele ficaria bem muito em breve.
Após aquela confirmação, me senti mais aliviada e pude deixar Edward dormindo tranquilamente. Poderia ser futilidade minha, mas eu não me cansava de ver quanta sorte eu tinha – claro que o azar ainda me perseguia, contudo era uma tremenda satisfação ter Edward como namorado. Ele era tudo, e um pouco mais, que qualquer garota sonharia em pedir, porque ele não era lindo apenas por fora, e sim por dentro também. (N/A: Divide ele com a gente, Bella! Tá, parei O.o).
Fiquei vagando pela imensa sala da minha casa. Pensando nas ligações que havia recebido enquanto estive em Londres e que ficaram armazenados na minha secretária-eletrônica. E eu estava com medo, muito medo de retornar aqueles telefonemas da minha mãe.
Segunda-feira (11h00min) – Oi, meu amor! Sei que deve estar estudando nesse momento... Mas que faz um tempinho que não nos falamos pelo telefone, apenas por e-mails. Quereria ouvir a sua voz, filha! Ligue pra mim quando chegar, ok? Beijos!
Terça-feira (07h00min) – Não está em casa, filha? Talvez já tenha ido pra universidade e não pôde me ligar ontem... Mas assim que chegar, ligue pra sua mãe aqui... Ela está com saudades, e seu celular só dá na caixa de mensagens! Beijos...
Terça-feira (20h00min) – Minha filha, aonde você se meteu? Já estou ficando preocupada! E, para piorar, você não atende seu celular. Ligue logo pra mim, querida.
Quarta-feira (19h00min) – Isabella Marie Swan... Por que não anda retornando minhas ligações? Quero explicações... E rápido, mocinha!
Quinta-feira (06h00min) – Muito bem, Bella... Se não me ligar de volta eu vou até aí, pessoalmente, para saber o que está havendo... Você tem um prazo de até amanhã à noite, e se não me telefonar até lá...! Já está avisada!
E aqui continuo... Andando feito uma louca, fitando meu telefone em cima da mesinha ao lado. Olhei para o pequeno relógio de parede à minha frente. São exatamente 16h17min nesse instante. Meu prazo estava acabando... Mas o que vou dizer a minha mãe?
“Mãe, Edward voltou e houve muitos encontros e desencontros desde então... Descobri que ainda o amo... E estive fora por todos esses dias, sabe por quê? Viajei para Londres em busca dele. Encontramos-nos e estamos juntos outra vez! Não é lindo?”
Ela com certeza vai achar que sou louca... Ou pior, que sou uma louca varrida! O que eu diria, afinal? Ainda sou péssima mentirosa e Renee vai saber, de primeira, se eu inventar alguma desculpa esfarrapada.
Perguntas... Não quero perguntas, quero respostas, soluções...
Disquei o número de Edward – ele, com certeza, saberia arranjar uma boa história –, mas, infelizmente, seu celular estava desligado. Deveria estar dormindo ainda.
Então, como diz o próprio Emmett... É nóis!
Tinha que ligar logo pra ela... E dizer a verdade. Não faço ideia de como seria sua reação – Ela ficou muitíssimo magoada com Edward por ele ter me deixado novamente, por ter me feito sofrer outra vez... Não sei como minha mãe reagiria quando a contasse que eu e ele reatamos o namoro.
Criei coragem e peguei o telefone. Até que minhas mãos começaram a tremer...
“Calma, Bella... Relaxa!” – disse a mim mesma, mentalmente.
Respirei fundo, repetidas vezes, e disquei, relutante, os números de seu celular.
Biiiip... Biiiip...
A cada toque não atendido meu coração saltitava e acelerava bruscamente.
Biiiip...
_Alô?
Oh meu Deus... Ela atendeu! Lembre-se Bella: “Inspire, expire, inspire, expire”... Certo!
_Oi, er... Mãe? – falei meio sem jeito.
_FILHA! OH, BELLA! POR QUE NÃO ME LIGOU ANTES? FIQUEI TÃO AFLITA...
_Mãe... Acalme-se, tá legal? – disse tentando apaziguá-la.
_Ok! – suspirou – Minha filha... Por Deus... Por que foi me telefonar só agora?
_Bom, mãe...
Contei-lhe todo o ocorrido – o verdadeiro. Minha mãe ficou chocada de início, mas, para todos os efeitos, também ficou extremamente feliz por sentir que era assim que eu me encontrava. Ao contrário do que imaginava, Renee foi super receptiva... Chegando a chorar quando narrei o meu reencontro na chuva com Edward.
_Oh, minha querida... – disse com a voz embargada por conta do choro.
Jamais imaginei tal atitude. Pensei que ela fosse absolutamente contra meu romance com Edward depois de tudo que ele me fez, entretanto, ela disse que se ele estivesse me fazendo feliz, ela estaria também!
Chorei igualmente de tão emocionada com as carinhosas a apoiadoras palavras de mamãe...
_Obrigada pelo apoio mãe, de verdade!
_Quê isso, bebê! Só estou fazendo meu papel de mãe dedicada! – ela disse orgulhosa.
Rimos e conversamos um pouco mais – falei do Lucas e de tudo que estava acontecendo...
_Não se preocupe, filha! Tudo vai se resolver! Dê tempo ao tempo... – ela dizia calmamente, me transmitindo força para enfrentar os problemas. – A vida é assim mesmo... Cheia de altos e baixos, e você tem que aprender a superá-los, Bella...
Após aquele reconfortante bate-papo que tive com Renee, me senti mais leve. Ela ainda tinha esse efeito de paz sobre mim, e era bom saber disso.
Mas não era somente isso o que me preocupava. Ainda havia Charlie e tenho certeza de que ele não iria perdoar Edward tão facilmente... Mas tomara que meus raciocínios estejam errados. Tenho que ser otimista! Esse é um problema que resolveria depois.
Fui até a grande varanda da minha casa, deixando o vento soprar em meu rosto, empurrando meus cabelos. Apoiei meus cotovelos no parapeito, debruçando-me, e deixei minha mente vagar, enquanto fitava aquela belíssima praia a minha frente – com uma areia impecavelmente clara e macia e de oceano incrivelmente azul, e, no momento, pacífico, dando jus a seu nome. Não sei por quanto tempo fiquei ali, perdida em meus pensamentos.
Olhei para o céu e notei que o crepúsculo começaria logo, lembrando-me ser a hora preferida do dia para Edward. Resolvi ligar para ele, a fim de saber se havia melhorado, porém seu celular continuava desligado. Queria muito vê-lo, então decidi ir até ele.
Tomei um rápido banho e me aprontei. Minutos depois já estava a caminho do meu coração. Chegando lá, sabia que nem precisaria tocar a campainha – Esme e Carlisle haviam dito que eu já era de casa e que podia entrar sem hesitar.
Na sala estavam meus cunhados – Emmett, por incrível que pareça, lendo um grosso livro, num canto mais afastado; Rose fazia as unhas e via televisão, ao mesmo tempo em que Alice e Jasper conversavam animadamente sobre algo, sentados no sofá. Assim que me viram, receberam-me calorosamente.
Conversamos durante alguns minutos. Descobri que Carlisle e Esme não estavam em casa – haviam saído em busca de um momento a sós. Quem me contou isso? Emmett, é claro, com aquele sorriso malicioso de sempre, mostrando as delicadas covinhas em suas bochechas. Tempo depois, resolvi subir ao quarto do Edward.
_Olha, Bella, estou lendo e, por favor, não estou a fim de ficar ouvindo gemidos seus e do meu mano, lá em cima.
Quem adivinhar de quem saiu esse inteligentíssimo comentário, ganha um pirulito! Para quem disse “Emmett”, nota dez! E além de soltar essa desconcertante frase, ainda usou um falso tom de seriedade em sua voz.
Aff! Revirei os olhos e corei, enquanto ele e os demais começaram a rir.
Ignorei-os, rindo internamente, e subi, apressada, as escadas. Assim que cheguei, bati na porta algumas vezes, mas nem sinal de vida. Sutilmente a abri. Botei apenas a cabeça lá dentro e tive a visão da coisa mais linda, meiga e sexy de todas: Edward estava dormindo, deitado de bruços com a cabeça entre os travesseiros. Estava sem camisa, com sua calça jeans levemente caída – dando-me a chance de ver sua boxer preta –, enquanto respirava calmamente.
Após alguns minutos de deslumbre, recobrei minha consciência. Vagarosamente, tirei minhas sandálias, de salto fino, e minha jaqueta de couro marrom escura, ficando apenas de calça jeans e uma regata branca.
Fui atravessando o ambiente – iluminado somente com os fracos raios de luz vindos do pôr do sol –, aproximando-me lentamente de sua cama, onde deitei de frente para ele – que ressonava tranquilamente.
O observei dormir por alguns minutos, imaginando se poderia haver um ser que me causasse sensações tão surpreendentes quanto ele. E, então, perdi a noção do tempo... Até que adormeci, ao seu lado.
Notas finais
Mas me digam o que acharam... se gostaram da visão da Bella quanto a luta, da reação da Renee... E o que esperam do Charlie... *cara de medo*
Deixem reviews, por favor... Estou passando por tantos problemas e seria ótimo sentir o apoio de vocês!! ;D
Bjus e obrigada por lerem!!!!
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