Pledge
1 Prefácio
Notas iniciais
Chovia bastante. O ruído das inúmeras gotas caindo era a única coisa que se escutava naquele apartamento quente e aconchegante. Um homem alto de bonitos traços apreciava a chuva pela janela.
O moreno, dono de olhos incrivelmente azuis, sentava-se despojadamente no leito de uma ampla cama, tragando um cigarro, como já era de costume. Não estava sozinho.
Concentrava-se na chuva, evitando pensar no pequeno jovem que dormia calmamente a seu lado. Sua expressão era serena, e um leve rubor era visível em sua face por debaixo das madeixas loiras. Parecia estar bem confortável, aninhado entre os grossos edredons. Era difícil não reter-se, e admira-lo dormir de forma tão adorável.
Aquilo o fazia sentir-se vazio. Não passaria daquela noite, não mais.
- Hmm...
O pequeno se moveu, sonolento. Abrindo pouco os olhos claros, pode vislumbrar a silhueta destacada pela luz da manhã que se aproximava.
- Não vem dormir? – Disse baixo, aproximando-se do maior e puxando-o levemente pela mão. – Já é quase dia.
Com um pequeno sorriso, o moreno apagara o cigarro, deitando-se sob os edredons ao lado do pequeno, envolvendo-o em seus braços e beijando-lhe o rosto. E assim permanecera, silenciosamente, até que o sol surgisse em meio a nuvens cinzentas.
Cuidadosamente, o maior, que não pregara os olhos um minuto sequer, afastou-se do loiro, novamente adormecido. Levantou-se, resgatando as roupas que largara pelo apartamento na noite passada. E lá estava, no chão ao lado de suas calças. Um anel fino de ouro branco cintilava de forma irritante.
Vestiu-se, recolheu tudo o que lhe pertencia, deixando os cômodos como se intocados. Por fim passou a pequena jóia por seu anelar esquerdo. Pensou em voltar ao quarto, porém a sensação de vazio parecia consumi-lo. Observou a aliança reluzir repulsivamente em sua mão uma ultima vez, antes de trancar a porta por fora com a chave reserva. Detalhes esse que o mesmo analisara ao tomar tal decisão. Não voltaria, e não diria adeus.
Caminhando mecanicamente pelos corredores, repetia em sua mente os pensamentos como preces, na esperança ilude de que se realizassem.
“Apenas durma. Tenha doces sonhos, Shin. Esqueça de tudo, por favor.”
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