Please, like me!
13 Capítulo 12
Abro os olhos e a primeira coisa que eu vejo é um teto branco um pouco rachado e uma lâmpada fluorescente. Pisco várias vezes, tentando ajustar a minha visão, quando escuto um soluço e uma voz feminina chorosa.
–Mas ela nunca gostou dessas coisas de menina, por que ela estava fazendo isso?!
–Tia Mikoto? –Murmuro, sentindo a minha cabeça latejar fortemente.
Tento me levantar, mas uma tontura muito forte me impede e prefiro ficar deitada mesmo.
–Vai devagar, baixinha. Você quase rachou sua cabeça. –Diz Itachi, me cobrindo com o lençol.
–O que aconteceu? –Pergunto, sentindo a minha boca seca.
–Você se pendurou naquela maldita pirâmide como um macaco estúpido e caiu como uma maldita jaca podre. –Responde Sasuke, entrando no meu campo de visão.
Olho para o rosto dele e acho que nunca tinha visto ele tão pálido e zangado ao mesmo tempo.
–O que você está fazendo aqui? Cadê a Karin?
Na hora que eu falo, noto que meu tom de voz saiu mais amargurado do que devia. Pelo jeito da expressão dele, acredito que ele não percebeu que eu vi os dois juntos.
Respiro fundo para controlar a tontura, não adianta em nada.
–Oh, eu vou chamar o médico e avisar que ela acordou. –Diz tia Mikoto, saindo do seu estado de torpor.
–Onde eu estou? –Pergunto, não reconhecendo o quarto em que eu estava.
–Depois que você caiu, começou a sair muito sangue da sua cabeça, chamaram a emergência e a mamãe. –Responde Itachi, sentando na beirada do colchão e esfregando as têmporas. –Acho que envelheci uns dez anos hoje, eu preciso de um tempo para me recuperar.
–Não era para tanto...
–Não era... Você caiu de uma altura de um pouco mais de três metros e..e.. eu acho que nunca vi tanto sangue na minha vida. –Resmunga Itachi, com um olhar exacerbado para mim. –Me prometa que a coisa mais alta que você irá subir, daqui por diante, será nos saltos de 5 cm.
–Nem nesses. –Digo, abrindo um sorriso. –Me desculpe por te assustar.
–O que eu faço com você?! –Diz Itachi, apertando a minha bochecha.
–Que tal me trazer um copo d’água? Parece que engoli areia. –Digo, com a voz rouca.
–Tudo bem, eu já volto.
Após a saída dele, um silêncio inquietante dominou o espaço. Eu não conseguia olhar para Sasuke sem me lembrar dele beijando a Karin, e isso estava me incomodando como uma dor de dente.
–Por que você estava lá em cima?
Me viro para o outro lado da cama, dando as costas para ele.
–Porque a Ino me pediu. –Respondo, sentindo os meus olhos arderem.
–Desde quando você faz alguma coisa só porque alguém te pediu? Eu achei que você fosse mais inteligente que isso. –Diz Sasuke, com um tom ácido em sua voz.
–Afinal, o que diabos você quer de mim? O QUE VOCÊ QUER? Eu subi e eu cai, aconteceu, já foi! –Berro, me sentando na cama de uma vez.
Foi um movimento mal executado, pois no segundo seguinte tudo girou ao meu redor e tive que me segurar nas grades da cama para não cair. No segundo seguinte, Sasuke estava do meu lado.
–O que houve? Você está bem?
Olho para ele e posso notar que ele estava sinceramente preocupado comigo.
–Eu estou muito tonta. –Sussurro.
Ele rapidamente foi até a porta e diminuiu a intensidade das luzes, depois sentou-se na beirada da cama e segurou meu rosto.
–Foque seu olhar em mim, apenas em mim. –Sussurra Sasuke. –Agora, respire fundo.
Faço tudo como ele mandou, sentindo lentamente as coisas pararem de girar.
–Uau, você é bom nisso. –Digo, um pouco ofegante.
–Muitos anos de ressaca, me aperfeiçoei no assunto. –Responde Sasuke, sorrindo para mim.
Ficamos assim por um bom tempo, até que a porta é aberta por Itachi, que está acompanhado pela tia Mikoto e por um senhor de jaleco, que deve ser o médico que me atendeu.
–Que breu. –Diz Itachi, ligando as luzes do quarto.
–Então, senhorita Haruno, deu um belo susto em todos hoje. –Diz o médico, tirando uma pequena lanterna do bolso do jaleco. –Acompanhe a luz com os olhos.
Faço o que ele mandou por um tempo, então ele apaga a luz e sorri, começa a anotar rapidamente em uma prancheta.
–Sua queda foi bastante feia, Sakura. Você deslocou o seu braço direito, trincou duas costelas, cortou profundamente a testa e sofreu uma concussão. Demos cinco pontos no local do corte, o seu ombro foi colocado no lugar e seu braço precisará ficar na tipoia por três semanas. –Ele continuou falando e falando, sem parar.
Levanto a minha mão e toco o local onde fui costurada. Caramba, eu não quero mesmo me olhar no espelho. Parece que o médico ia falando e eu começava a sentir as dores dos locais que ele citava. Até aquele momento eu nem lembrava que tinha costela, agora sinto todas elas.
–Repouso absoluto nas primeiras 72 horas, não pode fazer nenhum esforço. Aqui está a receita com todos os remédios. –Diz o médico, entregando um papel para a tia Mikoto, que apenas balançava a cabeça. –Devem ficar atentos, principalmente, com a concussão. Ela pode sentir muitas dores de cabeça, tontura, náuseas e confusão mental. Se alguma coisa incomodar demais, por favor, tragam ela imediatamente para o hospital.
Ele falava como se eu não estivesse presente naquele quarto, escutando tudo o que ele dizia. Se bem que, eu realmente não estava, minha cabeça borbulhava com diversos pensamentos, um deles era sobre tudo o que Karin tinha dito mais cedo. Ali estava eu novamente, sendo um fardo para a família Uchiha.
–Nem comece a pensar isso. –Sussurra Sasuke, agarrando minha mão e a segurando fortemente, querendo me passar segurança.
Ele simplesmente sabia, sempre sabia, quando eu começava a ficar pra baixo. E sempre me segurou antes que eu atingisse o fundo do poço.
–Obrigada, princesa. –Sussurro, apertando a mão dele de volta.
Ele apenas sorri.
–Meninos, ajudem a Sakura a se levantar e peguem as coisas dela. Irei para a recepção acertar a alta dela e nos encontramos na saída. –Diz tia Mikoto, com um sorriso triste no rosto.
–O que há com a tia Mikoto? –Pergunto, observando ela e o médico saírem do quarto.
–Ela ficou muito assustada hoje. –Responde Itachi, empurrando a cadeira de rodas até a beirada da cama. –Acho que ela ainda está em choque.
–Ela é muito dramática. –Diz Sasuke, soltando a minha mão e pegando a minha mochila.
–Só ela, Sasuke-kun? –Diz Itachi, com um sorriso irônico nos lábios.
–Foda-se. –Murmura Sasuke, saindo do quarto.
Porém, antes que ele saísse, pude olhá-lo completamente. Ele ainda estava vestido com o uniforme do colégio, sua camisa estava arruinada pelo sangue que a manchava, assim como suas calças. Não notei antes, pois o seu blazer estava cobrindo ambos.
–Eu o encontrei debruçado sobre você, estava como um lunático. –Murmurou Itachi, respondendo a minha pergunta silenciosa. –Tive que arrastá-lo de cima de você, ele simplesmente não queria abandoná-la. Não conseguimos afastá-lo o bastante, veio todo o caminho segurando sua mão e dando informações sobre você aos paramédicos.
As lágrimas picaram em meus olhos e deixei que elas corressem livres pelo meu rosto.
–Ei baixinha, alguma coisa está doendo? Por que está chorando? –Pergunta Itachi, me colocando gentilmente na cadeira de rodas.
–Não é nada, Itachi-kun. –Respondo, sorrindo por entre as lágrimas. –Apenas, quero ir para casa.
x.o.x.o.x
–Chegamos baixinha, lar doce lar! –Brinca Itachi, abrindo a porta da casa e entrando comigo em seus braços.
–Cuidado com a Sakura-chan. –Repreende tia Mikoto. –Coloque ela com cuidado na cama e deixe ela descansar.
–Pode deixar, madame. –Diz Itachi, fazendo uma reverência engraçada.
Subimos as escadas, sendo seguidos por Sasuke, que permaneceu calado durante todo o percurso. Itachi me coloca na cama e me cobre, como se eu fosse uma criança.
–Se precisar de alguma coisa, me avisa no whatsapp. –Diz ele, apontando para o meu celular que estava na mesa de cabeceira.
Itachi saiu do quarto, me deixando sozinha e entediada.
–Querida... Vim ver se precisava de alguma coisa. –Fala tia Mikoto, entrando no quarto e colocando uma sacola de remédios na minha mesa de cabeceira. –Já coloquei todos os celulares da casa programados para a hora exata de cada um dos remédios, então, não precisa se preocupar com isso e apenas descanse.
Ela já se preparava para sair do quarto, quando eu seguro a barra da sua camiseta. Eu precisava mesmo falar com ela.
–Tia, está tudo bem? –Pergunto, olhando atentamente para as suas expressões.
–Ora, querida. Eu que devia estar te perguntando isso. –Responde tia Mikoto, com um sorriso gentil no rosto. – Há alguma coisa errada?
–Nada... É que você tem agido diferente desde o hospital. –Digo, encarando as minhas mãos, com medo de olhá-la.
Tia Mikoto suspira e se senta na cama, segurando a minha mão entre as dela.
–Sabe Sakura, desde que sua mãe nos deixou eu assumi completamente o papel que ela devia ter cumprido aqui na terra que era amar e cuidar de você. –Ela fala cada palavra lentamente e sem desviar o olhar do meu rosto. –Eu me senti uma incompetente quando te vi desmaiada naquela cama de hospital, eu senti que havia falhado com Mebuki. O que ela iria dizer se soubesse que eu deixei você se machucar?
Compreendo tudo naquele momento, tia Mikoto estava se sentindo culpada. Sorrio e a abraço.
–Ela diria que você não pode evitar que eu me machuque, o que importa é que você sempre estaria ali para me segurar. –Digo, abrindo um sorriso e a abraçando.
Senti o seu corpo tremer e soube que ela estava chorando.
–Você é uma garota maravilhosa, Sakura-chan. –Diz tia Mikoto, com a voz embargada pelo choro.
Olho para a porta e vejo Sasuke parado, encostado no portal, apenas assistindo o nosso momento. Ele não diz nada, apenas se vira e fecha a porta.
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