Please, like me!
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Uma semana, sete dias, 168 horas e 10080 minutos. É esse o valor exato do tempo que não saio do meu quarto, o que coincide com a data que se passou desde o meu pequeno acidente. A família Uchiha me aprisionou em meu quarto, não permitindo que eu desse um passo para fora da cama, exceto para ir ao banheiro.
–É possível morrer de tédio?! –Murmuro, encarando o teto novamente.
Ao meu redor havia uma dezena de livros e doces, além de um gameboy antigo de Sasuke. Todos tentavam fazer com que eu descansasse e me recuperasse rápido, mas, eu não aguentava mais ficar aprisionada naquele cômodo, até ir para escola parecia uma boa ideia.
–Ei, pare de pensar, está saindo fumaça das suas orelhas. –Diz Sasuke, jogando sua mochila no chão.
–O que, diabos, você está fazendo aqui? Por que você não está na escola? E como você entrou? –Faço uma enxurrada de perguntas, enquanto observo o folgado abrir uma barra de chocolate que pegou da minha cômoda.
–Resolvi ficar por aqui hoje. –Diz Sasuke, dando uma grande mordida na barra de snickers e me olhando com cara de desgosto logo em seguida, jogando o resto do chocolate na lixeira. –Que porcaria é essa?! Perdeu o bom gosto para chocolate?!
–Na verdade, esse daí veio da cesta que o Naruto me mandou. –Respondo, balançando os ombros. –Você não me respondeu. Eu ouvi quando você saiu com o Itachi e agora, do nada, você brota no meu quarto?
–Eu não brotei, na verdade, eu entrei pela janela. –Responde Sasuke, me empurrando para o lado e se sentando na cama. –Pode dizer, é um sonho se tornando em realidade, me ter aqui com você.
–Cala a boca. –Digo, dando uma cotovelada nas suas costelas. – Está me usando como desculpa para matar aula.
–Talvez sim, talvez não. –Fala Sasuke, se acomodando na minha cama, ocupando a maior parte dela.
Não consigo me sentir à vontade nessa situação, toda vez que olho para ele me lembro de vê-lo atracado com aquela ruiva psicopata. Me deito de lado, dando as costas para ele.
–O que foi? Vai me ignorar agora? –Murmura Sasuke, me virando em sua direção.
–Por que está aqui? Por que não está na escola enfiando sua língua na garganta de ruivas alheias? –Resmungo, cruzando os braços e fazendo beicinho. Eu não queria ter essa reação, mas isso está sendo bem mais forte do que eu.
Ele suspira e se senta na cama, passa a mão pelos cabelos, o que é um sinal claro de que eu o irritei.
–Ok, eu não tinha obrigação nenhuma de te dizer isso, mas, eu estou cansado de ter isso sendo jogado na minha cara toda hora. –Fala Sasuke, agarrando meus ombros. –É melhor você me escutar muito bem, para que isso fique bem claro nessa sua maldita cabeça oca.
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Sasuke estava sentado na arquibancada, assistindo a aula de educação física. Não estava com a mínima paciência para estar naquela aula, então, estava tentando evitar ter qualquer contato visual com o professor e suas atividades idiotas.
–SASUKE-KUN!
O moreno virou-se na direção da voz fina que estava gritando seu nome e viu quando Karin, a prima ruiva do Naruto, correndo em sua direção.
–Caramba Sasuke-kun, eu passei a manhã toda atrás de você. –Diz a ruiva, jogando o cabelo para trás e sentando ao lado dele.
–O que você quer? –Pergunta Sasuke, com um olhar indiferente para ela.
Ele não era cego, conseguia enxergar todos os sinais que a garota estava jogando para ele, mas ele não estava caindo no jogo dela. Ele podia enxergar muito bem por trás das atitudes e ações, quem ela era realmente.
–Bem, eu te disse que ia te esperar perto das piscinas, mas você nem apareceu. –Diz a garota, com a voz melosa e um beicinho. –Ount, a gente podia ter tido um grande momento.
Naquele momento, Sasuke mal ouvia o que a ruiva estava tentando lhe dizer, pois notou um ponto cor-de-rosa se aproximando do grupo das líderes de torcida. O que diabos ela estava fazendo? Ela não estava na equipe delas, porque estava participando do ensaio?
–Você não devia estar no ensaio das líderes? –Pergunta Sasuke, apontando para o grupo de garotas que estava do outro lado da quadra.
–Relaxa, eu pedi para a Ino me cobrir. –Responde Karin, olhando para as líderes de torcida e começando a rir. –Parece que ela conseguiu mesmo uma otária para me substituir. Bem, isso vai ser divertido.
Ambos assistiam o ensaio das líderes de torcida, que estavam fazendo a formação de uma pirâmide. Logo, todas estavam em suas posições, ficando apenas Sakura de fora. Por um segundo, o moreno se sentiu aliviado por isso, porém, no segundo seguinte, Sakura subia em direção ao topo.
–Mas que merda... –Murmura Sasuke, não conseguindo esconder a sua aflição.
–Você está preocupado com ela? –Pergunta Karin, com ar indignado. –Por favor, pare de prestar atenção nela, a Haruno só está tentando ganhar um pouco de atenção.
Porém, ele não estava se importando com o que ela estava dizendo, apenas segurava sua respiração, ansioso com a situação.
–Quer saber? Você precisa de um pouco de diversão de verdade. –Diz Karin, agarrando o Uchiha pela gola da camiseta e o puxando para um beijo.
De imediato, Sasuke se deixou levar, afinal, a garota sabia bem o que estava fazendo. No entanto, um grito feminino tirou ele desse transe momentâneo. Olhou para a quadra e a cena a seguir arrancou o fôlego dos seus pulmões.
–Sakura... –Sussurrou, enquanto corria pelas arquibancadas em direção a garota que estava caída no chão.
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–O ponto é: eu não beijei ela. –Diz Sasuke, voltando a se deitar na cama, colocando os braços atrás da cabeça. –Ela que me beijou e só durou um segundo, então, não conta. Agora, pare de me perturbar com isso.
Fiquei boquiaberta depois do relato dele. Ele tinha noção do que havia acabado de me dizer?! Será que ele prestou atenção?!
–Então... Quer dizer que... Foi tudo uma armação. –Digo, sentindo as lágrimas picarem nos meus olhos.
–Do que você está falando? –Pergunta Sasuke, arqueando uma sobrancelha em minha direção.
–A Ino armou pra mim? –Gaguejo, sentindo meu coração doer um pouco. –Ela e a Karin?
Eu não sou chorona, nada disso. Mas, eu realmente considerava ela uma possível amiga e doía saber que, novamente, eu era só um peão para atingir o Sasuke.
–Merda. –Diz Sasuke, agarrando meus ombros. –Me escute bem, isso não importa mais, elas não valem a pena.
Levanto da cama, arfando, como se todo o ar tivesse fugido dos meus pulmões. Ando e tento puxar mais a minha respiração, mas não adianta muita coisa. Abro a porta do meu quarto e saio, desço as escadas do segundo andar e vou em direção a porta de entrada.
–Onde você vai? –Pergunta Sasuke, correndo para tentar me alcançar.
Até aquele momento eu não tinha percebido que estava correndo também. Não enxergo para onde estou indo, apenas sigo os meus instintos e continuo, no mesmo ritmo, em direção a lugar nenhum.
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–Você não acha que está exagerando? –Diz Sasuke, sentado ao meu lado.
No final, acabei no parquinho de areia que frequentava durante a minha infância. Não era o melhor lugar do mundo, na verdade ele tinha muitos brinquedos antigos e que estavam deteriorados pelo passar dos anos, mas, ainda assim, era o meu lugar especial.
Eu e Sasuke estávamos sentados nos balanços enferrujados, encarando o nada, por um longo momento em silêncio, até que ele falou.
–Você não entende. –Respondo, balançando levemente o meu corpo, olhando apenas para os meus pés afundados na areia.
–Então, me ajuda a te entender. –Diz Sasuke, também balançando.
–Olha...não é culpa sua. Apenas, deixa isso pra lá. –Digo, tentando me levantar do balanço, mas Sasuke agarra o meu braço bom e me faz sentar novamente.
–Apenas fale.
–Eu sempre fui muito agradecida pela sua família, sem vocês eu não teria mais ninguém, sabe-se lá onde eu estaria agora. –Digo, com um sorriso fraco nos lábios.
Olho para ele, que está com o rosto fechado. Ele sabia o que eu estava fazendo, que era fugir do assunto real. Suspiro, não seria uma conversa fácil.
–Desde que vocês me adotaram, as pessoas começaram a ver em mim uma ponte para chegar na família Uchiha. Eu sou o elo frágil e acessível, bastaria uma palavra comigo. –Digo, me lembrando de todas as vezes que eu já havia ouvido essas mesmas palavras.
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–Ah, fala sério. Nós temos mesmo que convidá-la? –Pergunta a garota de cabelos negros, enquanto observa sua amiga retocar o batom no espelho.
–Dã, é óbvio. Se ela não for, o Sasuke-kun também não vai. –Responde a outra, guardando seu batom no estojo. –Você acha que eu queria isso? Mas, é o jeito que temos para ficar perto do Sasuke-kun.
–Nossa, mas ela é tão chata e esquisita. Ela não combina nada com a gente.
–Só aguente. Depois que eu conseguir o Sasuke-kun, podemos dispensá-la.
Logo, ambas saíram do banheiro, rindo de suas próprias maldades. Enquanto isso, no boxe mais distante, uma jovem de doze anos sentia pela primeira vez a dor de ser usada.
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–Que merda é essa? –Resmunga Sasuke, chutando a areia irritado. –Isso foi aquela sua amiga do fundamental? Aquela garota irritante que não saia lá de casa?
Não consigo responder, apenas balanço a cabeça. Nunca tinha conversado antes sobre isso, pois era vergonhoso demais para mim. Foi quando eu percebi que nem todos os meus amigos eram sinceros, principalmente aqueles do sexo feminino.
Ele continuou praguejando por um bom tempo, eu apenas continuei me balançando, para frente e para trás, quando sinto a primeira gota atingir a minha nuca.
Olho para o céu escuro, não imaginei que a chuva começaria tão cedo.
–O que você está fazendo? Vamos logo. –Diz Sasuke, me puxando pela mão.
Corremos em busca de um abrigo perto, nos escondemos dentro de um grande tubo de concreto de uma construção abandonada. Me abraço tentando parar de tremer, estava ensopada e a roupa fina que eu estava usando não fazia nada para me esquentar.
–Droga, você está tremendo. –Sussurra Sasuke, tirando a jaqueta do uniforme e colocando sobre os meus ombros.
Nossa, o cheiro do Sasuke é bom. Espera, que diabos eu estou pensando?! Agora sou uma maluca cheiradora de jaquetas?
Sasuke segura os lados da jaqueta firmemente, me puxando para mais perto do seu próprio corpo.
–Me escute com atenção, eu só direi isso uma vez. –Diz Sasuke e uau, seu rosto estava realmente muito perto do meu. –Nunca deixe que alguém faça você se sentir para baixo sobre quem você é, ninguém é bom o bastante para fazer algo assim. Se você chorar alguma vez por causa do que os outros disserem, eu prometo que irei te dar uma surra.
Olho para seus olhos negros, sentindo toda a força de suas palavras. Ele estava com um olhar raivoso no rosto, como se quisesse rasgar alguma coisa com os dentes.
Nossas respirações se misturam, seu fôlego bate diretamente no meu rosto. O clima mudou de repente, ou é impressão minha?
–O que você está fazendo, princesa? –Pergunto, notando a mudança em seu olhar.
–Calada. –Sussurra Sasuke.
No segundo seguinte, ele me puxou com força pela jaqueta e... me beijou. Coloco minhas mãos sobre o seu peito para me apoiar e... fecho os olhos, sentindo pela primeira vez a sensação dos seus lábios sobre os meus. Acho que agora estou realmente aquecida.
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