Please don't bribe the witness
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nota ao Controle de Qualidade: Era para ser três, acabou crescendo mais um capítulo. E eu estou trabalhando na versão estendida. (Não esqueci a "Long Live The king").
Havia poucas coisas que deixavam Yami apreensivo. Uma apresentação formal, assistir uma luta na qual ele não podia participar, ter que decidir pelo futuro de outras pessoas... qualquer coisa que lhe trouxesse a sensação de impotência contra a situação.
Aqui, agora, escalando uma maldita torre sem sequer poder usar magia pelo risco de ser detectado e atacado por um esquadrão de mulheres com uma reputação nada favorável aos homens, o estava deixando apreensivo.
Normalmente, invadir a base do esquadrão das Rosas Azuis sequer estaria na sua lista de tarefas se não fosse pela irritante douradinha que não o deixava ver Charlote. Ela estava apagada, pelo amor de deus! O que tem de mal Yami ver essa maldita pelo menos uma vez?!
No momento em que Charlote havia desmaiado em seus braços... ok, foi mais em seu tronco, ainda vale. Enfim, ela desmaiou. Claro que ela desmaiou, ninguém na porra do reino desmaiou quando se livrou da alma élfica, mas a Espinhosa e a tal de Charla eram tão parecidas que Yami não duvidaria que as duas estivessem batendo um papo mental enquanto a Rainha Tsundere tirava um cochilo.
Quando ela tombou para frente, o Capitão soltou um leve suspiro e apenas ignorou que estava segurando a Rainha dos Espinhos contra o seu corpo. Havia tantas coisas para se preocupar que a missão foi cumprida com êxito.
Depois ele precisou deixá-la aos cuidados dos outros cavaleiros enquanto ia ao encontro do corpo de Julius que – surpresa! – estava vivo. Foi um alivio imenso, seu peito não estava apto para esse tipo de emoção em um dia. Talvez ele devesse parar de fumar, em pouco tempo seus pulmões e coração podiam não aguentar esse tipo de carga emocional.
De qualquer forma, ele esteve bem ocupado com outras coisas e, quando soube do julgamento de Asta, fez uma nota mental para se preocupar depois com o fato de Charlote ainda estar desacordada. O garoto tinha grandes chances de ir para o saco enquanto a Espinhosa tinha três magos de cura tratando de mantê-la saudável mesmo que inconsciente.
O Touro Negro fora visitá-la assim que teve um tempo. Ele já estava aflito com o fato da Rosa Azul ainda estar dormindo mesmo depois de dois dias. Para o seu azar, ele foi barrado antes mesmo de chegar perto do quarto da loira. A douradinha não estava deixando ninguém passar do corredor! Segundo ela, haviam restrições médicas. O que Yami duvidou um pouco, entretanto não contrariou, pedindo apenas informações sobre a Capitã.
A merda toda piorou quando um dos poucos nobres de alta importância que foram possuídos alegou reconhecer a mana de Asta como sendo a do demônio que controlou todos os elfos. Aquele filho da puta sequer estava perto na hora.
No mesmo instante Yami havia se posto na linha de frente e apontado a mentira vergonhosa na frente de toda a corte. Sem sequer pensar duas vezes, ele usou o nome de Charlote, alegando que a loira estava ao seu lado, lutando possuída por um elfo, e ela com certeza teria muito mais propriedade para falar sobre a mana do demônio – já que os dois ficaram literalmente presos nela – do que aquele imbecil.
Talvez tivesse sido algo idiota de se fazer. Porra, foi algo idiota de se fazer. Agora, com as poucas horas que conseguiu, ele precisaria fazer Charlote acordar e rezar para que ela lembra-se de tudo o que aconteceu para testemunhar a favor de Asta.
Ou ao menos que acreditasse nele e defendesse o garoto.
Foi por isso que ele se encontrou na janela do quarto-prisão de Charlote Roselei, no meio da madrugada, para encontrá-la deitada de costas na cama, como se estivesse apenas dormindo, os cabelos soltos e sua expressão inalterada como sempre.
Yami olhou ao redor, só confirmando se não havia nenhuma das doidas das Rosas Azuis plantada em algum lugar do quarto apenas para velar o sono da Rainha dos Espinhos. Depois de perceber que Charlote estava sozinha, o Touro negro se perguntou se a douradinha era um ponto fora da curva ou se todas eram excessivamente devotadas à Espinhosa.
Caminhando até a cama encostada à parede em que Charlote se encontrava, Yami sentou-se ao seu lado, inicialmente um pouco rígido, como se esperasse que ela acordasse e fizesse do seu corpo uma peneira com seus espinhos. Depois que nada aconteceu, o Touro Negro a observou.
Ela parecia pálida, até mais magra. Não era a Charlote que ele conhecia, com os olhos brilhando de vida e as bochechas rosadas quando ele a irritava. Ele tocou seu rosto levemente com as costas das mãos. A pele parecia mais fria do que devia.
Não que ele soubesse como ela deveria sentir. Ele só teve uma boa dose de imaginação sobre como seria a pele dela. Seu toque, sua textura, seu gosto...
— Porra, onde eu deixei cair a merda do foco – Ele resmungou descendo a mão para o ombro de Charlote. Com um suspiro rápido e profundo, ele a sacudiu – Ei, Espinhosa! O que você pensa que está fazendo? Já foram quase três dias – Ele segurou-a pelo rosto quando viu que as sacudidas não surtiram efeito – Já está na hora de acordar. Não temos tempo para você bancar a bela adormecida.
Yami engoliu em seco. A Capitã parecia um trapo de pano em suas mãos, ela não contraiu sequer um músculo em protesto. Mais do que qualquer coisa, ele sentiu seu sangue escorregar pelos seus pés. A Rainha dos Espinhos nunca que deixaria alguém fazer isso com ela, nem mesmo morta. Yami tinha certeza que Charlote nunca morreria porque se alguém desaforasse o seu cadáver ela voltaria do quinto dos infernos para pepinar o infeliz que houvesse feito tal ousadia.
— Porra, Charlote, isso não é hora para descansar – Ele acusou com a voz culpada e dolorida quando baixou a cabeça e fechou os olhos – Eu sei que eu fiz uma merda ao colocar essa responsabilidade sobre você, mesmo você estando nesse estado – Ele desculpou-se acariciando o rosto da mulher de uma forma que ele sabia que não poderia fazer se ela estivesse consciente – Mas aquele pirralho barulhento está decidido a entregar o próprio rabo para limpar a barra de todo mundo, inclusive a sua. Aquele bando de lixo real está muito mais interessado em se livrar de um pentelho plebeu do que lidar com a verdade.
“Você conhece o garoto, Espinhosa, sabe que ele vai ser grande. Bem mais que nós dois. Não posso deixar aquele pedaço de gente morrer só porque um bando de filhos da puta não consegue ver além da própria bunda. Eles vão ter que ouvir você... Eu sei disso”.
O Capitão roçou o nariz no dela, fechando os olhos para não fazer algo estúpido. Ele já havia excedido sua cota de estupidez diária ao meter o nome dela naquele julgamento. O que ele poderia fazer? Se Charlote estivesse consciente ele teria morrido antes mesmo de passar da janela. Ter a chance de poder estar tão próximo dela parecia um delírio paradisíaco.
— Porra, você vai me matar do coração, sua maldita – Yami rosnou levantando-se da cama e apoiando as mãos nas costas – A culpa disso também é sua – Ele apontou franzindo a sobrancelha – Se você tivesse acordado ao menos dois dias atrás eu não estaria pensando em você o tempo inteiro e não teria metido seu nome no julgamento.
Ele sabia que não era verdade. Porque 1) Yami frequentemente pensava em Charlote; 2) Ela realmente teria uma enorme influência no julgamento devido sua posição na batalha, sua possessão élfica e, o mais importante, seu status social – há poucos nobres acima dos Roselei que não sejam da Realeza.
Charlote até tem um lugar na linha de sucessão. Claro, 34 membros da nobreza teriam que morrer para que ela assumisse o trono. Ou, se a proposta ainda estivesse de pé, ela só teria que casar com o neto do Rei (uma dica: as probabilidades são maiores com as 34 mortes).
— Você não vai levantar, não é? – Ele acusou de novo, desta vez com um suspiro derrotado – Merda, eu não sei o que tinha na cabeça de vir aqui sem um plano para te acordar – Yami resmungou sentando-se no chão e olhando para ela.
Ele sabia muito bem o que tinha na cabeça. Sim, ele estava preocupado com Asta, com o Reino, com as invasões eminentes. Porém tudo isso ficava em segundo plano quando ele deixava de se esforçar para não pensar em Charlote desacordada por três malditos dias. Yami foi até lá para vê-la, saber que ela estava viva e não que havia uma conspiração do esquadrão das Rosas Azuis para esconder a morte de sua capitã antes delas descobrirem um jeito de clonarem a loira.
(Não se pode culpá-lo, Yami não dorme direito desde o começo da luta e ele está tendo muitos problemas para resolver. Às vezes a paranoia ataca).
— Esse seu esquema de segurança é uma merda – Ele reclamou desenhando padrões no braço de Charlote com o polegar. – Achei que você teria treinado melhor o seu esquadrão, Espinhosa. O que eles vão fazer se você não acordar logo? Porra, eu invadi seu quarto há mais de 15 minutos e ninguém apareceu. E olha que eu nem tentei ser silencioso. Vou nem falar sobre como eu cheguei até aqui porque se não vai ficar vergonhoso demais para você. – Ele grunhiu deitando-se no chão aos pés da cama da Capitã – Eu vou esperar a douradinha aparecer aqui para ensiná-la como se faz uma patrulha decente e como se vigia um amigo debilitado.
Cruzando os braços atrás da cabeça, ele fechou os olhos e tentou pensar em alguma forma de acordar Charlote sem tê-las registradas em sua certidão de óbito.
...
Com uma sensação estranha de frio e calor ao mesmo tempo, Charlote remexeu-se na cama. Seu corpo parecia ter sido atropelado por uma manada de elefantes e seus sentidos pareciam distantes. Como se ela houvesse esquecido como usá-los.
Lentamente – e com isso quero dizer beeeem lentamente mesmo – ela sentou-se na cama, ainda de olhos fechados e, com certa relutância, afastou todos os lençóis que a cobriam para colocar os pés no chão.
Diferente do que ela esperava, o tapete de seu quarto não estava macio e felpudo como estava acostumada. Pelo contrário, parecia rocha morna: rígido, irregular e quente. Com o pensamento de estar em campo de batalha – afinal, não havia outro motivo para dormir perto de rochas – seu cérebro teve uma breve reação e ela abriu os olhos piscando com força para se adaptar a pouca luz que vinha da janela.
Apesar do alvorecer estar tímido em sua luminosidade, para Charlote parecia um farol acesso diretamente em seus olhos. Franzindo o cenho e olhando ao redor, percebeu que estava na sua base, com o seu esquadrão. Então... o que era aquilo que estava pisando?
Olhando para baixo, um pouco tonta pelo movimento, ela reconheceu Yami. Não era possível. Piscando um par de vezes e esfregando os olhos, ela testou sua visão novamente.
Charlote inclinou-se devagar com a intenção de avalia-lo melhor o rosto do moreno e confirmar que não era sua imaginação. Apoiando-se no torso dele com um joelho, Charlote deslizou um pouco da cama e cutucou a bochecha de Yami com a ponta dos dedos.
De súbito, o Capitão pulou agressivo, olhando para todos os lados e erguendo a mão, imaginando que sua katana estivesse em seu punho. Charlote soltou um leve grito de susto quando foi jogada para trás.
O choque de adrenalina a fez ignorar a dor ao cair sentada no chão, rastejar de costas e levantar-se berrando ameaças.
Yami começou a retrucá-las, porém Charlote começou a cambalear e apoiou as costas na porta, apoiando a cabeça nas mãos e apertando os olhos quando sentiu sua consciência optando por um novo passeio.
As primeiras palavras do Capitão dos Touros Negros não foram assimiladas pelos seus ouvidos. Pareciam apenas sons amontoados e ininteligíveis. Porém Charlote assumiu serem perguntas quanto ao seu estado pelo tom de preocupação nelas.
A Rosa Azul tentou responder alguma coisa, porém ainda estava trabalhando nos ajustes da sua fala. O tato foi o primeiro dos sentidos ao retornar. Charlote sentiu o braço de Yami envolta da sua cintura, puxando-a, enquanto ele tomava a mão da Rainha dos Espinhos para guiá-la de volta para a cama.
— Porra, você precisa se acalmar. Faz três dias que você não come e não bebe nada. É óbvio que não se aguenta em pé.
Charlote virou o rosto lentamente na direção de Yami. Seu cérebro ainda estava processando a informação. Era realmente Yami, ele estava aqui, a seu lado. Com a volta lenta dos seus sentidos ela pôde confirmar isso. Era o cheiro dele, seu rosto, sua voz, suas mãos... que estavam envolta dela.
— Oh, deus – Ela soltou sentindo-se zonza mais uma vez. E agora não tinha nada ver com a inanição.
— Aqui. Vamos sentar – Yami sentou-se na cama com Charlote ao seu lado, a voz preocupada e sempre olhando para ver se ela não iria desfalecer de novo – Respire devagar.
Como se fosse fácil! Ela ainda nem estava entendendo como chegou até ali e muito menos porque ela estava sozinha em um quarto com Yami. E o que diabos aconteceu com seu corpo para estar tão fraco?
— Charla... – Ela murmurou lentamente quando fragmentos de memórias voaram em sua mente.
— Não se preocupe, acabou tudo – Yami moveu-se para vê-la melhor – Você ficou inconsciente depois que a alma da elfa saiu de você, fazem três dias agora. Muita coisa aconteceu, mas tente ao menos... – Ele começou a acaricia-la no rosto e parou ao lembrar-se que não deveria estar fazendo isso — tente ao menos beber um pouco de água, ok?
Yami olhou ao redor e não notou nada que pudesse dar para Charlote beber ou comer. Soltando um palavrão, ele considerou levantar-se e buscar em algum lugar. Contudo, o rosto vermelho de Charlote encostando em seu peito o fez engolir em seco e olhar para ela preocupado.
— O que foi? Você não vai desmaiar de novo, vai? Porra, como era aquelas regras para manter alguém acordado? – Ele resmungou tentando lembrar-se das orientações que recebera quando mais novo no seu esquadrão.
Julius, enquanto capitão, sempre prezou pelo bem estar de seus homens, então fez questão de aprender com os magos de cura as formas de prolongar a vida de seus companheiros até que a ajuda chegasse.
— Só... fique quieto – Charlote reclamou de olhos fechados e franzindo o cenho – Eu só preciso de um minuto – Ela balbuciou tentando respirar regularmente.
O modo preocupado que Yami a havia tratado, seu toque gentil, a fez corar furiosamente. E talvez seu raciocínio não esteja totalmente no lugar porque tê-lo tão perto, segurando-a assim, a fez querer recostar a cabeça em seu peito. Ela pôde ouvir os batimentos cardíacos dele e pensou que era bom saber que estavam quase tão acelerados quanto os seus.
Yami ficou rígido, esperando o minuto que Charlote dissera precisar. Ele não se moveu, não queria afastar o braço envolto na loira, mas estava convicto que ela não tinha consciência dele ali ou então Yami já o teria perdido.
— Ainda acordada? – Ele insistiu, lembrando que o primeiro passo para manter alguém consciente é mantê-lo alerta. Um gemido veio confirmando – Continue falando. Para eu saber que está acordada.
— C-calado – Ela ordenou tentando conter a vergonha.
Internamente ela estava debatendo furiosamente com seu lado apaixonado. Debatendo era eufemismo. Charlote estava tentando amarrar com uma coleira de aço a vontade que tinha de... bem, muitas coisas.
Considerando que nem respirar direito ela estava conseguindo, e ouvindo seus próprios argumentos sobre a possibilidade de jogar a culpa de seus atos sobre sua condição momentânea, Charlote lentamente deslizou os braços pela cintura de Yami apertando-o ligeiramente.
— Puta que pariu, ela está morrendo – Yami soltou mortificado. O corpo enrijecendo como se fosse atingido por um raio.
— Esqueça – Charlote bufou soltando-o e afastando o rosto de seu peito.
— Não, não – Yami disse rapidamente apertando-a contra si – Leve o tempo que precisar.
Ele pigarreou um pouco, sem saber o que esperar. Charlote estava lívida, tentando lembrar como respirar e rezando para seu rosto não estivesse iluminando o quarto de vermelho. Considerando o calor em seu rosto, ela duvidava piamente dessa informação.
— O-o que estava fazendo aqui? – Ela tentou soar altiva e falhou miseravelmente.
— Tentando acordar você – Yami contou uma meia verdade – Três dias, Espinhosa, não acha que foi o suficiente?
— Yami – Charlote insistiu, dessa vez mais firme. O alívio de conseguir sentir a advertência na própria voz a fez relaxar e passar novamente os braços no touro Negro.
— Depois, Charlote. – Ele respondeu depois de pensar um pouco – Quando você estiver melhor.
— Diga-me.
A ordem simples e direta o fez grunhir. Primeiro porque há menos de meio minuto a loira nem conseguia falar, agora está lhe dando ordens. Segundo que não era o momento certo para avisá-la que seu testemunho poderia poupar algumas centenas de vidas plebeias. Terceiro, Yami estava realmente aproveitando a sensação de tê-la em seus braços.
Obviamente era uma situação excepcional que não iria se repetir no mesmo século e estava acontecendo apenas porque ela precisava de um apoio físico para se manter consciente. Ele não queria soltá-la para voltar ao assunto que o deixou sem dormir direito.
Felizmente, quando o Touro Negro começou a afrouxar os braços, Charlote o apertou ainda mais, deixando evidente que pretendia discutir o assunto na posição em que estavam.
— Nós estamos na merda – Yami suspirou e começou a acaricia-la nas costas – Eu não sei o quanto você lembra, então vou tentar resumir. Vários cavaleiros sagrados foram possuídos por elfos, mas eles estavam sendo manipulados por um demônio. Eu e você, nós lutamos contra o demônio. Você... ahn, como a Rainha Tsun tsun 2. Então, depois que tudo ficou resolvido, bem, agora está tendo um maldito julgamento. Você conhece o pirralho da anti-magia. Então, a anti-magia dele vem de um demônio. Alguns filhos da puta estão querendo por a culpa no garoto só porque ele é plebeu. Você estava lá, Charlote... Você pode dizer que não era a mana do Asta. Eles não vão acreditar num estrangeiro vagabundo que nem eu. Agora uma nobre como você...
— Entendo – Ela respirou fundo, roçando o rosto em seu peito – Quanto tempo?
— Talvez algumas horas? – Ele moveu-se apenas o suficiente para olhar pela janela e ver o sol brilhando — Não mais que duas.
— Vou precisar de ajuda para me trocar – Charlote afirmou cansada. Yami ficou estático. – Deve ter alguma das garotas no corredor ou descendo as escadas. – Ela continuou, afastando-se relutante — Avise a primeira que encontrar, não temos tempo a perder. Pode pedir que alguém me traga comida e água? – A capitã pôs a mão no pescoço – Minha garganta parece seca.
O Capitão dos Touros Negros não sabia se sentia-se decepcionado ou aliviado. Contudo, assentiu e fez o que lhe foi pedido. Honestamente, ele pensou que Charlote estava pedindo ajuda dele para se trocar.
Aqueles elfos com certeza mexeram com a realidade desse mundo. Os últimos dias tem sido a coisa mais louca que Yami poderia pensar.
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