Play with Fate
5 Sub zero e Scorpion
Corria o mês de abril de 1990.
Era, portanto vinte e cinco anos antes em que se abriu essa história.
O torneio estava quase chegando ao fim e estavam quase todos os combatentes no grande castelo de Shang Tsung se preparando para os últimos desafios. Caia uma borrasca lá fora, e quase não conseguia se ver algo além da nuvem de água causada por aquela chuva. Conversava Jax, Sonya e eu numa grande sala onde estavam os outros guerreiros, incluindo Raiden. Estava me sentindo estranho com um sentimento de que eu já tinha vivido aquela cena, era uma espécie de De Já Vu.
— Qual será o seu próximo filme, Cage? – perguntou Jax curioso.
— Como estou sem acesso com os meus assessores – eu respondi – não tenho notícias de nada, estou isolado. Alias, fui enganado achando que eu ia participar de um filme quando na verdade era esse torneio.
— Mas você está até se saindo bem – falou Sonya em um sorriso franco – confesso que lhe subestimei.
— Já me acostumei com as pessoas me subestimarem. Muitos não acreditam que não uso dublê.
— Eu era um desses – disse Jax com mãos rendidas – confesso, mas passei a acreditar.
Aquilo havia sido um passo imenso para mim, eu havia convencido aos que me rodeavam sobre o meu potencial. Mas, sinceramente, aquela minha sede de ser reconhecido deu uma arrefecida, principalmente depois que percebi que todos nós estávamos nas mesmas condições: sermos desafiados a lutar contra algum maluco e morrer.
De repente, vi entrar pela porta central do salão onde estávamos, o ninja que chamavam de Scorpion. Por onde ele passava podíamos sentir a vingança que ele destilava com seus passos. O vi caminhando em direção aos Lin Kuei, que conversava no outro canto da sala, nisso Raiden veio caminhando até mim, o que achei um pouco estranho, visto que não éramos muito de conversas, pelo menos nesse período. Tocou em um dos meus ombros e disse:
— Não confio muito em Scorpion.
— Como assim? – perguntei atônito.
— Ele anseia se vingar de Sub Zero, pois o acusa de ter matado a sua família e o seu clã há alguns anos. Mas prometi que se ele não o matasse, restituiria a todos que ele perdeu.
— Mas ele aceitou a promessa?
— Sim, mas sinto que Scorpion não fará o combinado. Ele é muito... Impulsivo.
— Mas, o que eu posso fazer?
Raiden respirou fundo, olhou em direção ao Scorpion e respondeu:
— Segundo as minhas visões, se Sub Zero morrer irá se transformar em um dos instrumentos de morte mais temíveis que já se viu.
A sensação de De já vu veio mais forte, e um sentimento diferente havia tomado conta do meu coração naquele momento. Assisti as duas lutas de Scorpion contra Cyrax e Sektor e o espectro acabou vencendo todas deixando seus oponentes no chão. Não demorou muito para que Sub Zero entrasse pela porta da direita do salão e cravasse seu olhar no espectro. Caminhou até ele e começou a esnoba-lo e, por fim, desafiou-o para uma luta.
Naquele momento me senti responsável a intervir naquele diálogo entre os dois. Sim, eu precisava mudar aquela história e poupar a vida de Bi-han. Antes que Scorpion respondesse ao desafio eu gritei:
— Ei!
Todos olharam para mim e eu continuei mesmo achando que eu estava fazendo um papel ridículo. Aproximei-me do espectro e disse:
— Lembre-se da promessa de Raiden.
Ele me olhou de relance e voltando-se para Bi-han vociferou:
— Para o inferno!
Em seguida Scorpion avançou para cima de Sub Zero e segurou-o nos ombros. De ímpeto dei um salto, segurei o espectro pelo calcanhar e uma luz muito forte nos envolveu. De repente me vi em um lugar inóspito, com um odor forte e bem sombrio. Podiam-se ouvir gritos desesperados vindos de várias direções e aquilo me deixava cada vez mais angustiado. E então vi Scorpion e Sub Zero em luta corporal, mas eu não poderia interferir pelo menos naquele momento e o que me restou foi apenas assistir aquela luta.
E como se eu adivinhasse Sub Zero cai e ficou estirado no chão desacordado.
De repente Quan chi, um dos feiticeiro mais vil conhecido por mim, surgiu ao lado de Scorpion. Eu podia ver em seus olhos a mais pura maldade e a vontade de lançar a discórdia no ar. Olhou para Sub Zero caído no chão, em seguida olhou para Scorpion e disse:
— Agora vamos, mate-o.
O espectro voltou seu olhar para o chão. A máscara que ele usava não me deixava que eu visse as expressões de seu rosto, mas vi um pouco de incômodo vindo dele. Depois de alguns instantes ergueu a cabeça, olhou para Sub Zero e disse:
— Já o derrotei nessa luta. É o suficiente.
— Ah Scorpion – falou Quan chi em tom de deboche – veja o que ele fez com sua família.
Enquanto Quan chi mostrava em forma de holograma a sua família sendo morta pelos Lin Kuei, eu ajudava Sub Zero a se levantar. Ofegante ele sussurrava:
— Não fui eu.
— Eu sei, vamos resolver isso, tudo bem? – falei tentando acalmar.
Scorpion começou a gritar desesperado logo após rever toda a desgraça caída em seu clã. A insanidade tomou conta dele e estava prestes a incinerar Sub Zero com seu fogo infernal quando gritei:
— Scorpion, pare!
O espectro parou e eu continuei:
— Você terá toda a sua família de volta! Lembra? Raiden prometeu.
— Cale a boca! – disse Quan chi furioso – não sabe o que está dizendo. Raiden é um mentiroso.
A minha vontade era de quebrar a cara daquele cabeça de ovo! Mas continuei olhando para Scorpion e continuei:
— Sei que é uma desonra para você quebrar um combinado. E você jurou a Raiden que não mataria Sub Zero. Não desperdice a chance de voltar a ver a sua família. Não mate Sub Zero.
— Você deve obedecer minhas ordens, Scorpion! – vociferou Quan chi – Mate Sub Zero!
O espectro fechou os olhos, respirou fundo e perguntou ao feiticeiro:
— Você irá trazer minha família de volta?
Quan chi se calou diante da indagação de Scorpion que repetiu mais uma vez a pergunta, mas não obteve resposta.
— Já estou farto de ser o seu capacho! – gritou Scorpion indo em direção ao feiticeiro.
O espectro fez Quan chi caminhar de costas até a beira de um precipício. Eu e Sub Zero acompanhamos os passos dos dois e paramos a uma distância segura. De onde estávamos dava para sentir o calor intenso das lavas e o odor forte de enxofre.
— Scorpion, você não sabe o que está fazendo. – falava Quan chi em um tom de desespero.
— E por que você não responde a pergunta que eu fiz?
— Scorpion, eu...
Algumas pedrinhas caíam na lava incandescente, a medida que Quan chi caminhava para trás.
— Vamos, continue...
— Você tem um enorme potencial...e... e eu precisava de alguém para lutar ao meu lado. Eu sabia que você não iria comigo, pois não largaria sua família... então...
— Usou da minha imagem para acabar com o Shirai ryu e causar essa rivalidade insana? – falou Sub Zero se aproximando do feiticeiro.
Ali Quan chi se calou e fechou os olhos como se esperasse o pior acontecer.
Sub Zero e Scorpion se olharam, em seguida voltara os olhares para Quan chi. Scorpion deu um grito forte:
— Pela minha família!
E com um dos pés empurrou Quan chi para ir de encontro à lava incandescente do Submundo.
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