Play with Fate
10 Sem muita expectativa
Eu estava arrasado com todo aquele relato. Tudo aquilo foi culpa minha! A urgência em resolver tudo aquilo ardia em meu peito. Nightwolf percebeu que eu fiquei mal pelo que ele me contou e disse:
— Eu imaginei que você já sabia de tudo. Desculpe-me.
Fiz um sinal negativo com a cabeça e falei com um nó na garganta:
— As minhas lembranças estão misturadas com as da outra linha do tempo.
— Então a sua cabeça está uma bagunça.
— Você não faz ideia. – respondi por instinto.
De repente, Jacqui grita o meu nome e o de Nightwolf.
— Você vem ou não?
— Já vamos aí! – gritei acenando.
Nisso ela voltou para onde estava, provavelmente ela já estava com o general Stryker. Enquanto caminhávamos em direção a sala da Jacqui, eu disse:
— De verdade, eu queria ir para casa.
— Não é apenas pelo cansaço.
Eu ri e olhei para ele.
— Não vai me dizer que sabe como era a minha vida na outra linha temporal.
Nightwolf parou de caminhar e disse em um sorriso franco:
— O Grande Espírito me revelou tudo, inclusive do seu casamento com Sonya e sua filha Cassandra.
Cassie Cage, minha filhinha. A lembrança dela me veio à mente, mas era uma lembrança bem vaga, como se ela fosse apenas um sonho. Aquilo me angustiava e uma forte vontade de chorar me veio. Nightwolf pousou a mão dele em meu ombro e disse:
— Eu também estou à procura de uma saída, mas apenas você a tem nas mãos.
Respirei fundo e algumas lágrimas deslizaram pelo meu rosto. Limpei-as com as costas das mãos e disse:
— Vamos logo, preciso ir para casa.
(...)
Tentei desviar da sala de Jacqueline, mas Stryker estava em frente da porta da sala dela e não tive tempo de desviar.
— Como vai, Johnny Cage, um dos atores mais bem pagos de Hollywood – ele disse estendendo a mão para mim.
— Estou bem, general. – falei apertando sua mão, mas sem muito contato visual.
Stryker estava bem vestido, com seu uniforme oficial, com várias medalhas espalhadas pelo seu terno. O cabelo grisalho e uma feição imponente. Quem não o conhecesse teria medo dele.
— Como poderemos contar com a sua ajuda, Cage? Visto que sua experiência em guerras é apenas cinematográfica.
Acho que ele havia esquecido, ou não sabia, da minha participação no torneio Mortal Kombat. Dei uma risada debochada e falei:
— Acho que não conhece minha história, general.
Ele me olhou atônito. Parece que tinha se lembrado de algo ao franzir o cenho. Depois de alguns instantes disse:
— De qualquer forma, toda forma de ajuda será muito bem vinda. Creio que a general Briggs lhe dará as orientações corretas do que você deverá fazer.
Anui com a cabeça e respondi:
— Será um honra lutar pelo Plano Terreno mais uma vez.
Stryker me deu um sorriso franco, um sorriso de pai orgulhoso. Bateu levemente no meu ombro e entrou na sala de Briggs dizendo a ela:
— Vou te esperar aqui, Briggs.
— Como quiser, general.
Em seguida ela veio até mim e me acompanhou até a sala de tele transporte. Nightwolf já tinha voltado para sua tribo. Enquanto caminhávamos, Jacqui disse impressionada:
— Não sei como você teve coragem de falar daquela maneira com o general.
— Por quê?
— Aquela cara de bravo que ele tem. Pensei que ele ia meter a mão na sua cara.
Acho que Jacqui não conhecia Stryker como eu conhecia. Penso que ele não achou ruim a forma com que eu falei com ele.
— Penso que ele não é tão bravo quanto parece. Você já viu o general brigando com alguém?
Jacqui pensou um pouco e disse:
— Que eu me lembre não.
Eu achei aquilo engraçado. Naquele momento, percebi que ela julgava muito as pessoas por aparência. Não sei no momento em que o mundo estava passando isso era bom. Eu de uma risada e disse:
— Nunca julgue um livro pela capa.
— Vou tentar seguir essa dica, Cage.
Chegamos à sala de tele transporte, entrei na cabine e peguei o chaveiro verde que ela havia me dado.
— Deixe sempre o seu celular próximo a você. Posso te ligar a qualquer momento. – ela disse fechando a porta da cabine que eu havia acabado de entrar.
— Pode deixar.
Fechei os olhos e uma luz forte veio ao meu encontro.
(...)
Lá estava eu em meu quarto. A minha cama bem arrumada e um cheiro de eucalipto no ar. Acho que Judite deu uma faxina geral em meu quarto, pois estava tudo bem arrumado. Fui até a janela e eu podia ver o céu alaranjado, típico de fim de tarde. Sem pestanejar, me despi e fui para o banheiro para tomar um bom banho. Eu estava exausto e tudo o que eu queria depois daquele banho era dormir.
Saí do banheiro apenas com a toalha enrolada da cintura pra baixo e fui direto para o guarda roupa procurar uma roupa para mim. Até que ouvi alguém bater na porta. Daquele jeito mesmo resolvi atender:
— Johnny — exclamou Judith com a mão na cintura — péssima ideia abrir a porta de seu quarto dessa forma. E se fosse outra empregada?
Revirei os olhos e disse segurando a porta:
— Acabei de tomar banho. O que a senhora quer?
— Tem uma pessoa que veio te ver. — respondeu ela com certa malícia no olhar.
— Quem é?
— É a senadora Sonya Blade.
Meu coração deu um salto. Não acreditava no que Judith estava me dizendo. Sonya veio me ver.
— Mas por que ela veio aqui?
— Isso você terá que ver com ela. Agora se vista com decência. Vou avisar que você está descendo.
— Obrigado Judith — agradeci sorrindo.
Fechei a porta e comecei a procurar uma roupa digna para recebê-la. Mas eu precisava me portar com mais respeito, ela era casada agora. Aquela pontada no coração fora inevitável.
Assim que fiquei pronto, desci as escadas devagar. Parece que eu ia a um encontro e eu sabia que o assunto principal era sobre a guerra. Então não fui com muitas esperanças ao seu encontro.
Sonya estava sentada em um dos sofás da sala, olhando cada canto, cada quadro e sorria para alguns deles. Ela vestia um conjunto social: uma saia à altura do joelho, camisa branca e por cima um blazer, ambos da cor cinza. Um scarpin preto e um coque alto. Nunca eu imaginei que eu a veria nesses trajes, acostumei a vê-la com seu uniforme de general. Mas agora eu estava em outra linha temporal, em outro mundo.
Ao meu ver, deu um sorriso cordial e um brilho diferente nos olhos. Estendeu a mão para mim:
— Como vai, Cage?
— Estou bem — falei apertando sua mão, uma mão macia e leve. Como era esquisito vê-la falando daquele jeito. — pode se sentar.
Ela se sentou no sofá ao meu lado e disse:
— Nunca pensei que nos veríamos de novo.
— Pois é — falei com um pouco de nervosismo na voz — a última vez que nos vimos foi…
— Num encontro que fizemos com outros combatentes em um restaurante. — completei a frase.
— Sim — ela disse sorrindo — parece que foi ontem. Lembro a sua cara quando eu disse que estava namorando Stryker.
— Minha cara? — perguntei assustado — que cara que eu fiz?
— Eu percebi que você ficou chateado com que eu falei. Mas no mesmo tempo você disse que não tinha tempo com namoros, queria investir na sua carreira como ator. Você investiu e olha no que você se tornou — Sonya direcionou seu olhar para os meus Oscars — um ator renomado e mais bem pago de Hollywood.
Engoli seco e voltei meu olhar para o chão. De fato consegui com muito suor todos aqueles prêmios, mas nunca tive sorte no amor. Acho que sempre fui apaixonado por ela e… ao invés de lutar pelo amor de Sonya, coloquei todo o meu empenho para me tornar um bom ator. E eu continuava contemplando-a e me perguntava o porque ela estava dizendo aquelas coisas. Até que ela voltou o seu olhar para mim e disse:
— Agora eu estou muito feliz por estarmos juntos novamente pela mesma causa: em defesa do Plano Terreno. Mas eu queria saber qual foi sua motivação para isso. Pensei que estava empenhado em divulgar mais o seu filme novo.
Balancei a cabeça negativamente e falei:
— O mundo está em guerra, senhora Blade. Não posso ficar assistindo o mundo acabar e não fazer nada…
Ela colocou a sua mão sobre a minha e disse:
— Somos amigos, Johnny. Pode me chamar de Sonya.
Senti meu coração se aquecer naquele momento, pois ela me chamou de Johnny. Mordi meu lábio inferior para tentar disfarçar o que eu estava sentindo. Mas ela logo percebeu e sorriu. Então disse:
— Como quiser, Sonya.
— Assim está melhor.
Em seguida ela se levantou e disse indo em direção a porta:
— Bem, eu só vim para te agradecer por nos ajudar. Fiquei muito feliz ao saber pela general Briggs quando você foi procurá-la. Agora preciso ir.
De ímpeto segurei-a pelo braço e pedi:
— Não quer jantar comigo?
O que eu estava fazendo? Chamando-a para jantar? Mas ao contrário do que eu pensava, Sonya deu um sorriso e aceitou meu convite de bom grado.
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