Play with Fate

4 Coisas inimagináveis


Ao terminar o meu café da manhã, levantei-me rápido da mesa e chamei Judith. Não demorou muito para que ela viesse a mim.

— Sim, Johnny.

— Preciso ir ao quartel das FE. Quero falar com a general.

— O que? – perguntou Judith atônita – Mas para que quer ir lá?

— Não posso falar agora! Eu tenho que ir lá! Onde está o meu carro? – perguntei correndo de um lado para o outro.

— Calma. As FE fica em Washington! Não tem como ir lá agora. Lembre-se que hoje é a première do filme.

Respirei fundo e fiquei calado por alguns instantes. Como eu poderia estar preocupado com um filme se o mundo pode entrar em colapso por causa de uma guerra? A cada minuto que passava eu percebia que aquele mundo que eu estava não era o meu. As coisas mudaram de uma hora para outra e apesar de lembranças estranhas estarem vindo em minha mente, eu estava mais certo que eu precisava de ajuda e que alguém me explicasse o que estava acontecendo.

Olhei fundo nos olhos de Judith e pedi para que ela comprasse uma passagem para Washington o mais cedo possível.

— E a première? – ela perguntou.

— Dane-se a première! – falei indo para o meu quarto para preparar a mala de mão que eu iria usar.

Eu estava já em Washington, dentro de um táxi esperando chegar ao quartel general das FE. Já havia deixado minha mochila no hotel em que estava hospedado e naquele momento eu estava ansioso para ver a Briggs, uma das únicas pessoas que poderia me ajudar a decifrar o enigma que a minha vida havia se tornado.

Paguei o taxi e caminhei até o portão do quartel. O portão estava pintado com o mesmo símbolo, mas com cores um pouco mais vivas. Não estava acreditando que o quartel havia se mudado para Washington do dia para noite, pois ele era próximo de Los Angeles, estava na minha pauta questionar isso com a general.

Entrei no quartel escoltado por dois soldados das FE. Eles me conduziram até o escritório onde estava a general. Um deles bateu na porta e eu pude ouvir sua voz inconfundível dizer:

— Pode entrar.

O soldado entrou e disse:

— É o ator que estava esperando.

Ouvi uma cadeira se arrastar e em segundos ela apareceu na porta com seu sorriso de menina. Vestia um uniforme simples, seus cachos bem definidos estavam presos em um rabo de cavalo baixo. Tinha um brilho nos olhos ao me ver, me abraçou como uma fã. Em seguida disse se afastando:

— É uma honra tê-lo aqui. Entre por favor.

Eu entrei me sentindo estranho, era como ela não me conhecesse pessoalmente. Eu a vi crescer... Realmente tinha alguma coisa errada mesmo.

Pediu para que eu sentasse na cadeira frente a sua mesa. Ela logo se sentou, apoiou os antebraços na mesa e inclinou um pouco seu corpo para frente perguntando:

— Já está se preparando para um filme novo e por isso veio aqui pegar experiência, certo?

Segurei a respiração por alguns instantes ao me deparar com essa pergunta. Olhei para baixo, soltei a respiração e dei um sorriso dizendo em seguida:

— Não vim para aqui para isso, Jacqui... quero dizer general.

Eu ainda não havia me acostumado com esse novo título. Jacqui deu risada e falou em um tom descontraído.

— Não se preocupe, Cage. Pode me chamar pelo nome, me sinto até lisonjeada. Mas então para que veio aqui. Soube que a première de Duro na Queda 2 é hoje e você deveria estar em Hollywood.

Resolvi ir direto ao assunto, pois eu precisava de respostas o mais rápido possível sobre tudo aquilo que estava acontecendo, principalmente sobre a guerra.

— Jacqui, eu preciso que você me leve até Raiden. Agora que você é general tem melhor acesso a ele. Dê-me o contato de seu pai para que eu vá com ele...

— Não é algo tão simples Johnny.

— Como assim? – perguntei atônito.

Notei que Jacqui mudou a feição quando falei de Jax e isso começou a me preocupar. Ela respirou fundo e disse:

— Meu pai sempre falava para mim durante o tempo que lutaram juntos no torneio. Virei sua fã por causa dele – ela sorriu quando falou isso, mas mudou a feição novamente – mas acho que você não soube que aconteceu com ele a mais ou menos dois anos.

— O que houve com ele?

— Ele morreu em uma das batalhas no Templo do Céu. Acho que você estava muito ocupado e nem soube disso. Não vou lhe culpar por isso.

Engoli seco ao ouvir essa notícia. Ela continuou:

— Quanto a Raiden, ele mudou completamente. Agora Raiden está envolvido nessa guerra até o talo e já tentamos todo o tipo de diálogo, mas sem sucesso. Lembro-me dele no casamento de Sonya e Stryker, que ele fez questão de fazer a festa no Templo do Céu.

Assustei-me quando ela falou sobre o casamento e levantei-me olhando para a parede. Agora tudo estava explicado. Eu havia entrado naquele portal e alterei alguma coisa no passado que resultou no presente em que me encontrava. Mas como eu iria explicar para Jacqui que isso aconteceu? Tentava lembrar-me de alguém que estivesse são naquela loucura e eu pudesse pedir algum conselho. Lembrei-me de Sub Zero. Voltei o olhar para Jacqui e perguntei:

— Você tem contato com Sub Zero?

Ela se levantou e disse cruzando os braços:

— Tenho. Ele e seu clã vêm nos ajudando para intervir nessa guerra.

— Vamos até ele, eu preciso fazer algo por essa situação.

Jacqui deu um sorriso, admirada com a minha atitude e perguntou:

— Mas então a vida de ator você vai esquecer?

— Se não acabarmos com essa guerra eu não vou poder mais atuar e nem você comandar esse exército.

Ela anuiu com a cabeça e disse:

— Amanhã iremos ao Lin Kuei. Venha para cá e iremos sair bem cedo, por volta das sete.

Eu sorri ao ver que Jacqui começou a falar a minha língua. Sentia correr pelas minhas veias a vontade de poder salvar o mundo mais uma vez das garras de quem quer que seja. Estendi minha mão para Jacqui e disse:

— Não sabe como isso me alegra, general.

Ela sorriu de volta e respondeu:

—Estou muito feliz pelo seu empenho em nos ajudar nessa empreitada.