Play with Fate
9 Alguma escapatória
Eu não imaginava que eu veria Bi-han falando aquele tipo de coisa. Se sacrificar para que uma guerra acabasse. Ele amava guerras, matar pessoas e maltratar quem não estivesse de acordo com seu modo de pensar. Agora eu via o efeito que eu tinha lhe causado. Ser salvo da morte mudava a vida de uma pessoa por completo e… sinceramente eu estava feliz por Bi-han ter mudado. Havia se tornado um ser humano melhor.
Mas não sei se fora uma boa ideia eu contar a ele sobre a outra linha do tempo. Acho que eu deveria ter esperado um pouco mais, pois ele está a muito mal pela possibilidade de perdido seu irmão.
Permanecemos ali, sentados na escadaria da entrada do palacete, em silêncio, olhando aquela fina neve pousar no chão. Até que escutei passos, vindo de dentro do palacete. Virei para trás, Nightwolf e Jacqui vinham em nossa direção e instintivamente nos levantamos. Tirei um pouco de neve que estava em minha calça e ajeitei o meu colete.
— Pensei que vocês iam entrar. – falou Jacqui com a mão na cintura, como se quisesse exigir alguma coisa.
Bi-han colocou a mão no meu ombro e disse com um sorriso:
— Cage estava me contando como foi que viveu no tempo em que não nos víamos. Acabamos por ficar por aqui mesmo.
— Certo. – disse ela anuindo com a cabeça – bem, eu vim aqui saber se vai precisar que eu traga soldados para treinar os rapazes daqui.
— Se não há nenhum impedimento, não vejo problemas. — respondeu Bi-Han solícito.
— Ok. Vou selecionar alguns para vir passar um tempo treinando os seus rapazes com armas de fogo. Te darei a resposta ainda hoje.
Bi-han fez uma vênia e disse:
— Sou grato pelo que tem feito por nós, general.
— E vocês ao Plano Terreno. – ela falou num tom de agradecimento – Assim que eu chegar, terei uma reunião com Kurtis Stryker, general do Exército Norte-americano. Conversarei com ele sobre a possibilidade de trazer a vocês alguém do Exército também.
— Esperarei uma posição sua, general.
Jacqui olhou para mim e Nightwolf e disse:
— Vamos para o jato.
Bi-han fez questão de fazer vênia para mim e Nightwolf. Quando estava virando as costas, ele me chamou e disse num sorriso esperançoso:
— Espero que nos encontremos novamente, Cage.
— Não tenha dúvidas que nos encontraremos grão-mestre.
Enquanto caminhávamos para o jato, não parei de pensar na reunião que Jacqui teria com Stryker. Logo lembrei que ele era o atual esposo de Sonya Blade, minha Sonya. Só de pensar nisso, sentia um aperto no coração. Tudo o que eu menos queria era me encontrar com Stryker. Temia a reação que viria ao vê-lo ao lado de Sonya. Provavelmente ele já estaria esperando Jacqui para a reunião na base das FE. Planejei que assim que eu chegasse, entraria logo na máquina que me levaria de volta a Hollywood.
No jato, percebi que Jacqui conversava com alguém pelo telefone acoplada ao jato. Mas não quis dar atenção ao que conversavam, resolvi voltar minha atenção para a paisagem da janela. De repente, Jacqui me chama, me tirando do torpor que eu estava submerso.
— Estava dormindo?
— Não – respondi me ajeitando na poltrona.
— É que eu acabei de conversar com o general Stryker. Ele está a minha espera para a reunião. Falei de você e ele quer te ver.
Eu não estava acreditando no que eu havia acabado de ouvir. Kurtis Stryker queria me ver, o atual marido de Sonya Blade. Como eu ia encará-lo? E pensar que ela ter casado com Kurtis foi culpa minha também.
Umedeci meus lábios, me recostei na poltrona e falei:
— Tenho que ver com a minha assessora como está a minha agenda.
— Qual é? Vai ser algo bem rápido, eu garanto.
Suspirei e voltei a olhar para a janela. Não lhe dei garantias de que eu ficaria para falar com ele. Pensar nessa situação me deixava com uma angústia no peito e um nó na garganta. Mas o que menos queria era transparecer isso para eles.
(...)
Era por volta das 3 da tarde quando aterrissamos na base das FE. Não via a hora de sair daquele jato, para assim conseguir escapar de Stryker. Assim que desci do jato, Nightwolf veio até mim, pegou no meu braço e disse:
— Sinto que você não está nada bem ao ter que se encontrar com Kurtis.
— Do que você está falando? – perguntei pra desconversar e tentando continuar o caminho.
Ele suspirou. Fez-me parar e disse:
— Eu sei de todo o seu dilema, Cage.
Olhei para ele atônito, mas ele continuou:
— Sei que essa linha temporal em que estamos, você criou quando salvou Bi-han da morte.
Bem, então eu não estava louco. Isso pra mim já era um alívio. Então, para quebrar um pouco o gelo, falei:
— Foi o Grande Espírito que te falou não é?
O índio sorriu e respondeu:
— Não foi uma resposta imediata.
— Então me conte direito – falei cruzando os braços.
— Quando eu vi você, Bi-han e Scorpion voltando juntos, percebi logo que tinha alguma coisa errada. Eu me senti estranho e logo que voltei para minha tribo, procurei o Grande Espírito e expus a minha angústia. Ele acabou me revelando o que realmente aconteceu.
— E você comentou isso com Raiden?
— Comentei, mas ele não deu muita importância. A consequente morte de Shao Kahn pelas mãos de Sindel, ressuscitada pelo próprio Raiden, não deixou ele se importar com o que eu disse. Mas eu continuei minha vida na tribo. Cada um continuou seu caminho, todos estavam felizes. Scorpion e todo o clã Shiray Riu voltou a vida. Bi-han acabou com o grão-mestre dos Lin Kuei, reformulou o clã e passou a ajudar o Plano Terreno. Mas eu não sabia o motivo de isso me incomodar. Até que a guerra eclodiu e aí percebi o porquê me incomodava. Senti que essa mudança que você fez, culminaria em algo ruim.
Recostei-me em uma pilastra e fiquei olhando para o alto por alguns instantes. Conclui que evitei um mal para deixar vir outro pior. Mas uma dúvida surgiu em minha mente e tive que expor a Nightwolf.
— E… o que ocasionou essa guerra?
O índio ficou atônito assim que lhe perguntei isso.
— Qual é, Night? Eu estou lembrando aos poucos das coisas.
Ele anuiu com a cabeça e começou a me contar:
— Essa é a versão mais plausível que eu ouvi. Depois de alguns anos do término do torneio Mortal Kombat, Liu Kang e Kitana oficializaram o noivado, não só por amor, mas como uma aliança simbólica entre o Plano Terreno e Edenia, que havia retornado com força e vigor. Os dois sempre treinaram juntos e em um desses treinos, Liu Kang dá um golpe acidental em Kitana e ela… morre minutos depois.
Coloquei a mão na boca e falei espantando:
— Kitana está morta.
— Infelizmente. – Nightwolf abaixa a cabeça – e Sindel acha que tudo foi premeditado. Ela surtou e declarou guerra ao Plano Terreno.
— O que foi que eu fiz? – me perguntei com as mãos na cabeça.
— Raiden tentou conciliação, mas não teve jeito. Estamos em guerra contra Edenia há quatro anos.
Fale com o autor