Pintura Intima

46 Capitulo 45: As mudanças que a guerra traz


Notas iniciais
n/a: Oi oi genteeee ;) Já perceberam que essa que vos fala é uma enrolada, não? Então, desculpem o atraso, espero que curtam o capitulo. Ele é um dos meus preferidos. P.S: Estou postando pelo IE então não faço ideia de como vai sair a formatação. Muito obrigada a quem comentou. Amo cada comentário. Esse cap vai em especial para talyhelen que recomendou de maneira muito fofa. Obrigada Taly, adorei o textinho e fiquei muito feliz de saber que gostou do desenvolvimento dos personagens, o foco da fic é nisso então, senti a missão cumprida. Espero que aprecie o cap. Bom, está sem betagem, passível de erros, mas nem por isso feito com menos carinho. Beijos e aproveitem.

Quando a morte passou seus dedos frios em seu rosto ele notou que ela estava muito próxima, como alguém que lhe espera a qualquer momento. Então ele decidiu que a vida podia ser um pouco mais e se deixou amar.

Mellani respirou profundamente enquanto ouvia o que Kinsgley dizia. Ela estava se sentido sonolenta, os enjôos já tinham passado naquela fase, mas o sono a pegava desprevenida em vários momentos. O frio do outono era bem vindo uma vez que sentia muito mais calor agora.

–Então eles estão mais ou menos ao oeste. Com essas informações podemos armar uma estratégia...- Ela sentiu os olhos fecharam gradativamente e voltou a consciência num pulo. Remus tinha a mão direita em seu ombro e Alice a olhava com um sorriso compreensivo

–Mel, vai descansar. Você precisa dormir um pouco.

–Precisamos terminar esse projeto.

–Precisa de sono. Está entrando no quarto mês de gestação e precisa descansar.

–São três da tarde, não posso me dar a esse luxo quando James e Sirius estão lá fora esperando nosso próximo passo.

–Então confie em nós. — Kingsley murmurou olhando-a com preocupação- Nós realmente apreciamos suas elucidações incríveis, mas a equipe existe para isso. A Ordem é uma equipe.

–Eu não quero.

–Só que está atrapalhando. Se descansar voltará com a atenção inteira no projeto. Com essas informações e as primeiras estratégias já montadas podemos dar continuidade. E com todo respeito senhora, a Ordem já contava com o grupo de estratégia antes de você.- Mellani debruçou na mesa e murmurou

–Só que eu sei exatamente como a equipe em campo trabalha.

–Não duvido já que se trata do seu marido e do seu primo, mas nós sabemos sobre nossos homens. Vá descansar antes que eu precise lhe ordenar uma folga.- Mellani levantou frustrada e saiu. Ela subiu as escadas com um pouco menos de velocidade do que normalmente se movimentava. Remus e Alice a observavam atentamente e já notavam as diferenças que a maternidade causava. A jovem disfarçava com camisas largas e calças que não moldavam na barriga, mas os que a conheciam antes disso já conseguiam reparar o ventre apontando. Principalmente quando ela sentava de um jeito a repuxar as roupas.

–Eu sinto muito por isso senhor, ela está preocupada.

–Eu também, uma missão de um mês se tornou esse pesadelo.

–Não imaginaríamos que eles encontrariam uma base tão estruturada. – Alice comentou- E com sorte Dorcas conseguiu se infiltrar. Mas essas coisas levam tempo.

–Quatro meses?- Remus se jogou para trás e apoiou a cabeça no encosto da cadeira

–Ela conseguiu infiltrá-los em duas áreas diferentes e agora que descobriram os objetivos daquela base podemos antecipar seus passos e destruí-la. E o melhor, podemos capturar a parte inteligente de Voldemort. Os responsáveis pelas estratégias de guerra. E todas as pessoas que eles precisam aliciar ou destruir. Tudo está lá.

–Eles não sabiam que encontrariam algo tão perigoso.- Remus estava preocupado- E nossa demora ao mandar os planos dá tempo de fazer aqueles nojentos a mudarem toda a estratégia de ataque.

–Mas o que podemos fazer? Já mandamos a Parker pra lá. Mandamos a Parker e mais dois homens experientes, os três estrategistas, além de reforços para o combate. O que mais daria pra fazer?

–Mellani quer ir.- Alice lembrou

–Ela não pode.- Remus e Kingsley murmuraram em conjunto.

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–Mel?- Lílian bateu na porta e entrou. Elas dividiam o quarto, mas não queria invadir o momento de reflexão da amiga. Dorcas e Camila estavam em missão deixando o quarto só para as duas- Trouxe um lanchinho da tarde. Precisamos alimentar esse bebê. – Mellani estava sentada na cama lendo algo- Não era pra dormir?

–Só estou...- Bufou- Maldito, ele arruinou nossos comunicadores naquele dia.- A loira ainda estava frustrada. No dia da manifestação, quando Voldemort invadiu sua mente, viu que ela tinha desenvolvido a pulseira e lançou alguma magia destruindo seus comunicadores. Aquilo a deixou muito magoada. Foi um empenho muito grande sendo exterminado em segundos.

–Magia negra. Interferiu em todos. — A ruiva sentou ao lado dela e estendeu a bandeja. Mellani pegou um pedaço de bolo e comeu sentindo um nó na garganta. Lílian deitou a cabeça no ombro dela. Estavam acabadas. Há quatro meses James, Sirius e Dorcas saíram em missão junto a membros mais experientes da Ordem, dentre eles Arthur Weasley. Era uma missão em Southhampton e os grupos separaram-se em pequenos acampamentos. Eles tinham de ser invisíveis e hospedagem estava fora de cogitação. A missão era simples, evitar a ocupação dos bruxos das trevas aos povoados trouxas e proteger os não mágicos de ações mais agressivas. Só que acabaram descobrindo a base de estratégias próximo a antiga muralha, o mesmo local onde Voldemort quase assassinou 12 nascidos trouxas. Foi naquela base que surgiu toda a estratégia das trevas para enredar o ministério em sua teia de maldade. Ao saber disso Alastor Moody e alguns ex-aurores experientes foram para lá e desde então estavam em missão perigosa. Entravam em combate pelo menos uma vez na semana além de arriscarem o pescoço dentro da própria base. – O que mais me mata é não saber absolutamente nada.- Mellani soltou um murmúrio em concordância. A loira só sabia de tudo aquilo porque precisava montar estratégias de combate e infiltração. Metade da equipe a qual fazia parte tinha ido para lá. Ninguém a deixou sair porque sabiam que ela se meteria numa batalha como aconteceu no dia 31 de julho, além disso, Voldemort estava louco para ver a cabeça dela no aparador da lareira.

–Eu sei. Mal acreditei quando eles não funcionaram, por um segundo pensei que você estava morta.

–Estava fazendo ronda. Só isso.

–Você vai de novo?

–Sim. Estou escalada por mais dois dias seguidos. Depois Madame Pomfrey virá aqui. A mando de Dumbledore.- Mellani bufou- Mel, você só foi ao médico uma vez está necessitando de acompanhamento. Além do que, você precisa me ajudar com o casamento e eu preciso saber que está boa para sairmos por aí.

–Ninguém quer me deixar sair.- Ela pegou o copo de leite e tomou em dois longos goles.

–Não para rondas.

–Eu estou enlouquecendo aqui dentro. Tem dias que as pessoas que eu conheço saem para rondas em todos os cantos do país e eu fico aqui, na casa da Camila, só... Sem nada pra fazer. E essa barriga está atrapalhando meus treinos físicos.- Lílian levantou a cabeça e engoliu em seco

–Mel, as coisas estão cada vez piores. Às vezes eu gostaria de não precisar sair para uma ronda porque eu sinto como se corresse por meu pescoço a cada segundo que estou em Londres. Você precisa ver como está o policiamento no Hyde Park e estão certos. Se você, sei lá, cair de barriga no chão numa fuga já era. Além do mais nem pode aparatar sozinha.

–É só... É tão injusto eu não poder ficar na ativa. Nos preparamos para isso desde o quarto ano! E agora estou aqui! Presa!

–Hey, você está ajudando e muito. Você foi responsável direta por 3 missões bem sucedidas. Sem contar A Mentira, tem noção de quantas pessoas estão entrando na Ordem depois disso? Não está fazendo pouco. Nenhum de nós está fazendo pouco. -Olhou a amiga nos olhos. Mellani suspirou e em poucos segundos começou a chorar. Lílian ficou surpresa, ainda estava se acostumando com as alterações de humor da loira.

–É horrível. Não ter noticia deles, não conseguir ir num médico. Ficar presa aqui. Não saber se estão bem. Eu sei que eles sabem se virar, mas eu estou ficando louca com essa espera. Não saber se vou abraçar meu primo e meu...Sirius.–Ela engasgou e Lílian a abraçou. Ficaram assim por alguns segundos- E se vierem corpos? Já pensou nisso? Como vai ficar se no lugar de pessoas vierem caixões com corpos?- O choro dela deixava a ruiva desolada

–Eu penso nisso toda a vez que coloco a cabeça no travesseiro Mel. Só que eu tenho esperanças. Eles vão conseguir, vão voltar.- Ficaram abraçadas tentando confortar uma a outra. Longos minutos depois Mellani arfou e levou a mão a barriga- O que foi?- Ela olhou de olhos marejados para a amiga- Está sentindo dor?- A loira negou- O que foi?- Mellani arregaçou a camisa para cima e puxou a mão de Lílian. A ruiva sentiu, bem de leve, um empurrão. Arregalou os olhos e sorriu largamente- Está mexendo?- Mellani assentiu sorrindo. As duas ficaram olhando para o ventre pouco avantajado da jovem e sentiram juntas quando o bebê mexeu novamente. Era quase imperceptível o movimento, mas nem por isso menos emocionante

–Está vivo, está mesmo vivo.- Ela sussurrou feliz e as duas começaram a chorar. Ficaram mais um tempo com as mãos no ventre, mas aparentemente o bebê tinha se cansado e desistiu de impressioná-las. Mellani sentia algo tão forte e quente no peito que era como se seu bebê emanasse diretamente para ela todo o amor que sentia

–Você acha que é o que?- A loira olhou confusa- Menino ou menina?

–Hum, não faço ideia, eu tenho certeza do que quer que eu escolha esse feto será sacana o suficiente para contrariar.

–Não esperaria diferente de uma união sua e do Sirius.- Elas riram

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–Aqui. Achei mais um.- Sirius gritou e Dorcas correu entrando na sala. Era um laboratório escuro e apertado. Três adolescentes numa maca, perdidos, olhando de maneira assustada. A loira o ajudou a libertar os jovens e uma garota de no máximo 13 anos começou a chorar

–Calma.- Dorcas a olhou nos olhos- Estamos aqui para ajudá-los.

–Não podemos fugir ou o feitiço vai fritar nossos cérebros.- A menina estava desesperada

–Vocês estão livres, de verdade. Dumbledore conseguiu reverter.- Sirius murmurou mexendo em papéis que estavam em cima da mesa. Os jovens estavam desnorteados. Uma explosão balançou a estrutura e logo depois muita água invadiu o recinto. Dorcas correu até a porta e arregalou os olhos

–Voldemort está aqui. Estouraram a barragem.- Sirius arregalou os olhos

–Merdaaa. As passagens estão bloqueadas... Moody não disse que tentaria tirar o bloqueio para gente aparatar?

–Ele disse, mas...-Uma sirene começou a tocar e a luz desapareceu, a iluminação vermelha da sirene era a única coisa que tinham. Sirius soltou um Lumus e a água gelada subia a cada minuto. Os três jovens resgatados começaram a arfar com medo- Porra... Eu vou fazer merda. Se afastem.- Apontou a varinha para o teto e bradou um feitiço. Tudo explodiu e por um momento ninguém enxergou nada- Vocês dois. Aqui.- Conjurou cordas e amarrou a garota e o menino, que eram maiores, contra ele- Dorcas, você pega esse aí.- O outro menino apavorado, parecia ter onze anos e era o meno

–Você é louco? Quando chegarmos lá em cima vamos cair de volta.- A água já estava na altura dos quadris

–Estaremos livres da barreira e podemos aparatar. Largamos eles ...-Suspirou- Largamos ele no centro e depois voltamos para cá.

–Mas está perigoso.

–É onde podemos deixá-los sem colocar nosso acampamento em risco. Infelizmente eles tem o rastreador.- A ameaça dos comensais chegando a qualquer segundo mais o laboratório escuro com aquela luz piscando deixava a situação extremamente angustiante

–Ok. Mas deixe-os longe desse memorial.

–Beleza.

–Vai ser perigoso, não conhecemos a ilha direito.

–Dorcas, nós precisamos ir AGORA!- Ele gritou determinado. Ela amarrou o menino contra o corpo.

–Não vamos conseguir!

–A vamos!- Sirius gritou com um sorriso meio lunático para logo depois apontar a varinha para cima e bradar o feitiço. Seu corpo foi impulsionado para cima enquanto o coração estava a mil por hora. O vento frio do outono batia de maneira cruel em seu corpo. A menina escondeu o rosto em seu peito, apavorada, e o menino arfava sem parar, puxando seu pescoço com força, quase enforcando-o. Ele concentrou e assim que se viu muito acima da base, olhou para baixo. Uma parte pegava fogo, a outra estava sendo açoitada pelas ondas e a entrada do local era um campo de batalha. Estava indo para cima, mais e mais, até que parou e começou a cair

–Me segurem firme.- Murmurou para os mais novos, que obedeceram prontamente. Ele fechou os olhos e num crack desapareceu no ar. Desequilibrou com o peso dos jovens e soltou-os com um movimento de varinha, sem esperar agradecimentos aparatou novamente. Estava um inferno no portão principal da base. Abaixou quando um feitiço quase o atingiu e correu, esgueirando-se entre as pessoas, abaixando, pulando, desviando para os lados e atacando o quanto podia. Ele ainda estava em choque com o que descobriu. Alguém o agarrou com força e o esbarrão doeu

–Sirius!- James gritou agitado- Que bom, que bom...- Estava ofegante- Pensamos que você e Dorcas estavam presos lá embaixo. Está tudo submerso. Tivemos baixas.

–Precisamos sair daqui agora! Todo mundo. Moody vai explodir.

–Mas e a cidade?

–Vão conter a explosão com um feitiço.- James assentiu e ouviu a voz de Moody por todo o local gritando “Recuar”. Os membros da Ordem começaram a correr. Eles precisavam estar a pelo menos a dois quarteirões dali para aparatar sem a interferência do bloqueador. Visto que o portão principal da base ficava entre a mata e as ondas do mar seria uma empreitada difícil. Começaram a correr, comensais no encalço atrasando-os. Correram por suas vidas, desviando e atacando. Trabalharam juntos, valendo-se mais de golpes físicos. Estavam com cinco comensais no encalço e James parou, virando na direção deles. O rapaz concentrou toda sua energia e ergueu uma barreira de terra no chão. Muitos bateram de cara. Voltaram a correr e ele parava de dois em dois minutos para erguer mais barreiras, que se abaixavam quando eles voltavam a correr.

–Não tempos mais tempo...-Sirius gritou e pararam atrás de uma enorme árvore. Uma luz forte surgiu e o vento da explosão os alcançou. Ficaram parados, arfando, e logo os destroços voaram. Eles estavam dentro do escudo, aquilo era uma merda. James fechou os olhos e tocou sua aliança. A imagem de sua garota veio à mente. Ele precisava voltar para ela. O calor da explosão aumentava

– Precisamos correr. Está tudo pegando fogo.- James levantou ao ouvir o amigo e ambos voltaram a correr. Alguns destroços os atingiram fazendo-os parar para se recuperarem com feitiços não tão sucedidos. Sentiram a diferença de ar ao passarem pela barreia. Sirius agarrou James, que tinha se machucado bem mais com os destroços, e aparatou. Tiveram que andar até o acampamento já que aparatar diretamente nele era impossível por questões obvias. James estava quase desmaiando com a quantidade de sangue que perdia pelo ferimento das costas. Ao chegaram o de óculos caiu no chão e as enfermeiras voluntárias já os receberam. James foi colocado numa maca enquanto Sirius sentou-se no chão, completamente cansado.

Todas as corridas e treinos corpo a corpo que fizeram ao longo dos anos estava valendo a pena naquele momento. Se não fosse o preparo já estariam mortos. Sirius suspirou enquanto jogava a água do cantil no rosto. A despeito do frio que fazia ele estava morrendo de calor. Deitou no chão sentindo o cansaço abraçá-lo. Eles iriam embora, quatro meses após chegaram em Southhampton. Então ele levaria Mellani para a casa deles, em Oxford, num bairro discreto e tão trouxa quanto à irmã de Lílian. Eles precisavam de um lugar tranquilo para cuidar do bebê e aquela casa era longe de tudo. Era arejada e clara, um ótimo lugar para uma criança crescer, sem cabeças de elfos no corrimão ou paredes escuras. Com um jardim bonito no fundo e uma escola perto. Só faltava a mobília, mas nisso os Marotos podiam ajudar.

Não via a hora de ir para sua própria casa. Sem pessoas fazendo reuniões, chegando de rondas feridos, ou da tensão que a casa de Camila passava. Voldemort demoraria para restabelecer algo de tal porte e a Ordem estaria em seu encalço, para que não desse tempo de montar outra base.

Essa missão chegou ao fim e ele precisava chegar e ver sua garota, abraçá-la e sentir o cheiro de seus cabelos. Era o único jeito de esquecer o cheiro de sangue e morte. Ele nunca tinha tido para quem voltar durante todos os anos em Hogwarts, ter isso agora o deixava confuso, mas ao mesmo tempo feliz. Quatro meses era tempo de mais.

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Remus arregalou os olhos sem conseguir conter sua reação

–Como é?- Encarou Kingsley sem acreditar

–Isso mesmo, a base que encontraram não servia apenas a esquemas políticos e de guerra. Eles estavam mexendo com o cérebro de jovens bruxos. Implantando ideias através de um feitiço complicado que envolvia a maldição Imperius e um obliviate. Estavam em fase de testes com resultados satisfatórios. Eles implantavam na memória deles conceitos que já se ligaram ao cérebro e queria apagar as memórias... Deixá-los completamente em branco para criar um exército novo, com todos os conceitos errados. Pegaram mais cobaias no dia da manifestação, eles davam preferência para jovens com esse perfil rebelde. – Remus levou a mão aos cabelos e olhou horrorizado para os papéis na mesa- Camila e Mellani ajudaram a descobrir o laboratório subterrâneo. E em fim, o fundo desse iceberg. Parabéns senhorita Grant.- Mellani assentiu, completamente atordoada

–Isso é tão inumano. Sem um pingo de amor ao próximo. — Estavam na cozinha de Camila, reunidos com mais alguns membros do grupo

–Ontem à noite nossa equipe invadiu de vez. Sofremos baixas entre os estrategistas. E entre nossa linha de frente.- Remus arfou. Alice encarou Kingsley com medo- Alguns foram para o subterrâneo libertar as pessoas que foram usadas como cobaias. O problema é que o subterrâneo é dentro do mar e Voldemort explodiu a barragem de contenção para evitar que descobríssemos os planos deles. Sirius Black mandou um patrono um pouco antes disso, lendo os relatórios que ele encontrou numa das principais salas de testes clínicos. Conseguimos entender o que estava acontecendo.- O negro passou um relatório para os membros presentes. Mellani sentiu o peito comprimir

–Me diga o panorama.- Pediu e o mais velho hesitou. Ela, Alice e Camila eram as únicas mulheres no departamento de estratégias, Remus era o único homem com menos de 21 anos. Kinsgley não espera reação diferente de nenhum dos quatro- Me diga o panorama.- Pediu com a voz chorosa

–Perdemos contato com o contingente do Weasley desde então. O subsolo da base estava completamente bloqueado...

–Para! -Ela sussurrou sentindo as lágrimas virem- Não pode estar certo. Ele deve ter usado um feitiço e...

–Eram muitas camadas de aço para sair por cima, as paredes eram pedra pura.

–Ele tinha uma varinha!- Ela gritou se levantando- Não pode ser verdade.

–Não sabemos, perdemos contato com eles, o último a falar conosco foi o Potter, mas ele estava na parte de cima, onde a água não chegou. Meadowes, Longbotton, Carter e todos os outros estavam embaixo. Infelizmente Black também.- Mellani arfou e deixou as lágrimas caírem

–Você não pode estar falando sério.

–Tinha uma mínima chance, mas estou informando para se preparem. Podem ter a pior noticia.

–Eles tinham varinhas! Tinham varinhas e sabiam fazer o feitiço bolha para...

–Boa parte da base estava com feitiços que bloqueavam qualquer tipo de ação mágica de pessoas desautorizadas, a outra parte Dumbledore conseguiu retirar, mas Black estava numa das principais salas de testes que infelizmente ele nem chegou perto.

–NÃO!- Ela gritou olhando para os rostos de cada presente. Remus e Alice levantaram e foram na direção dela.- Isso não pode acontecer... Ele não pode ele...- Ela deu as costas a equipe e não conseguiu segurar o pranto ao sair da sala. Remus a seguiu até o jardim. A garota estava olhando a moto de Sirius. Os soluços a balançavam por inteiro. Parou atrás dela completamente arrasado

–Mel eu...- Ela virou e se jogou nos braços dele, o choro sentido.

–Você acha que ele morreu?- O olhou. Remus encarou o rosto dela com um sentimento estranho, era um carinho grande mesmo depois de tudo que ela fez. Via uma menina indefesa, confusa e órfã. Limpou o rosto dela delicadamente

–Não sei, eu... Ele disse tudo aquilo, é bem evidente, mas enquanto não vier o corpo temos de ter esperança, certo?- Ela soluçou chorando mais. Ele beijou-lhe a testa de um jeito preocupado e a abraçou- Tenta se acalmar. Esse nervoso vai fazer mal para o bebê.

–Eu só não posso- Fungou- Eu não consigo perder mais ninguém. Não dá.- Ele a segurou mais forte evitando que ela caísse no chão. A dor dela era física- Eu não quero encarar mais saudade... Essa dor de perder alguém que eu amo.- Remus descansou o rosto no topo da cabeça dela enquanto deixava a menina chorar. Ele também estava preocupado, não sabia o que tinha acontecido com Dorcas e assim como Mellani não suportaria perder mais alguém

–Hey.- Ele murmurou- Se algo acontecer eu estarei ao seu lado.

–Por quê? Eu não mereço sua ajuda.

–Porque você faria o mesmo ok? E não adianta dizer que não, a essa altura, depois de tudo que vimos, eu sei que faria o mesmo.- Ela soluçou e deixou o pranto tomá-la de maneira sentida. Remus estava angustiado, eles não davam noticias desde ontem a noite, já passava das duas da tarde.

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Sirius sentiu o chão se materializar aos seus pés. Ou foi ele que se materializou acima do chão? Não importava. Olhou para James e depois para Dorcas. Os três sorriram, estavam voltando, a salvo. Logo a casa foi vista. Com uma alça da mochila no ombro e a outra pendendo pelas costas ele andou apressadamente. Viu os esboços de Mellani e Remus ao longe, ela olhando para a moto dele. Sorriu e se apressou. Franziu o cenho quando a garota abraçou o amigo. Estavam um pouco longe, mas já podia ouvir o choro sentido dela.

–Mellani!- Ele gritou. Ela se afastou de Remus como se tomasse um choque e o encarou de olhos arregalados. Seu coração saltava pela boca enquanto a olhava vindo. Os olhos molharam quando a viu correndo em sua direção. Deixou a mochila escorregar pelo ombro até o chão e sorriu largamente enquanto corria para ela. Conforme se aproximava sorria mais ainda e sentia as lágrimas querendo escapar. Mellani estava com o rosto vermelho pelo choro e as lágrimas dela rolavam livremente. Sirius parou no meio do caminho, completamente atordoado ao reparar no ventre dela. Foram quatro meses sem nenhum contato, não podiam por a missão em risco. Quatro meses sem ao menos ouvir a voz de sua garota e agora ela estava ali com uma barriga não muito proeminente, mas ainda assim uma barriga de grávida. Ela continuou correndo e jogou-se em cima dele, com surpresa ele desequilibrou para trás, mas conseguiu pegá-la. As pernas dela grudaram em seus quadris enquanto suas mãos apertavam suas costas com força. O que mais o deixou contente foi sentir os lábios dela contra os seus. Sorriu entre o beijo e com cuidado a colocou no chão. Ela sorriu entre o choro

–Hey...- Passou a mão pelo rosto dela livrando-a do cabelo nos olhos- Deixa eu olhar para você.- Ela soluçou enquanto as lágrimas escorriam.

–Me disseram que você estava no subsolo e ele inundou e... Estavam te dando como morto estavam...- Ela o socou com força- Por que não mandou noticias?

–Depois da investida ficou muito perigoso qualquer tipo de comunicação. Tivemos que nos movimentar como trouxas até a próxima cidade onde pudemos usar magia para vir embora. Demorou quase um dia inteiro nisso. E sim, eu escapei do subsolo.

–Só você- A jovem sorriu timidamente- É um mestre em fugas não é mesmo Black?- Ele soltou um risinho emocionado

–Só me deixa te ver um pouco.- Murmurou com emoção e ela engoliu em seco. Sirius passava a mão do rosto aos ombros dela como se checasse que era real. Finalmente o rapaz se afastou um pouco. Com hesitação levou a mão até o ventre da esposa, olhando com admiração

–Madame Pomfrey veio aqui hoje de manhã.

–E...?- Mellani sorriu

–O feto não é um, é uma.- O moreno piscou confuso- Uma menina. Ela está saudável, com o peso ideal e crescendo bem, apesar das circunstancias. — Sirius sentiu algo muito forte dentro de si. Ele não sabia explicar o que era. Um misto de euforia e medo. Saber que seria uma menininha tornava a coisa muito mais real, principalmente ao ver o ventre de Mellani maior, mesmo que não fosse tanto quanto seria em mais quatro meses, mas já dava diferença. Ele abriu a boca para dizer algo, mas apenas soluçou e deixou-se levar pela emoção. A puxou com força e a beijou, dessa vez de um jeito mais profundo, sentindo o gosto da boca enquanto a abraçava. Algo quente molhou seu rosto e constatou que eram as próprias lágrimas. Dispensou diversos beijos castos nos lábios dela enquanto sorria

–Espero que ela não seja igual você.- Brincou fazendo-a rir

–Então, seu irmão não ganha nada? Só o Sirius?- A voz de James os trouxe de volta a realidade. Mellani sorriu largamente e correu até o primo. Sirius sentiu-se roubado e suspirou, queria a garota apenas para si, era injusto, ter passado tanto tempo longe e ter de dividir a atenção dela com outras pessoas. “Remus esta até agora com a língua enfiada na boca de Dorcas e ninguém os interrompeu” pensou, mas deixou o amargor de lado ao ver o jeito feliz que os primos se abraçavam. Seu estado de espirito era pura confusão, uma vez que nunca se imaginou numa situação tão “doméstica” com a loira

–Nunca mais fique tanto tempo longe de mim!- A futura mamãe resmungou para o primo

–E Lily, onde está?

–Estava tomando banho quando entrei na reunião.- Mellani balançou as sobrancelhas sugestivamente- Deve estar se trocando, ela tem ronda em duas horas.- James torceu os lábios- Nem vem, ela está se virando muito bem sem você.- O rapaz quase pulou de alegria e saiu para dentro da casa, cumprimentou algumas pessoas e subiu. Abriu a porta vagarosamente e encontrou sua ruiva sentada na cama, abraçando os próprios joelhos segurando com firmeza uma camisa do time de quadribol da Grifinória. Uma camisa escrito “Potter”. Ela estava chorando, muito.

–Lil’s?- A ruiva levantou o rosto sem acreditar e o encarou surpresa. Ele se apressou e sentou ao lado dela. A garota o abraçou apertado e cheirou seu pescoço enquanto soluçava-Eu estou aqui, ok?

–Não fique mais tanto tempo longe, por favor.

–Eu não sabia...

–Eu sei... É só que... Eu quase morri de preocupação.- Ela se afastou do pescoço dele e o olhou nos olhos- Estava morrendo por dentro sem saber de você.- Ele a beijou brevemente- Foi muito difícil.- Ele assentiu

–Só não foi pior que aquela vez. Nada supera a barbaridade de Southhampton daquela vez.- Desabafou. Lílian o encarou seriamente e em seguida puxou-o para um beijo. Ele suspirou e puxou a varinha do cós da calça. Ainda beijando-a ele fez um movimento e trancou a porta. O jeito que ela o beijava era faminto e cheio de saudade

–Nunca mais faça isso, nunca mais pegue uma missão tão longa.- Ela o puxava com certa brusquidão. O rapaz sorriu entre o beijo. Pararam por um segundo e ela passou a mão por seu rosto- Eu estava morrendo de saudade e preocupação. Você está ferido? Como foi? Passou...-Ela continuaria olhando-o para checar se estava tudo Ok, mas ele a interrompeu com um beijo.

–Eu te amo.- James murmurou finalmente deitando-a na cama e ficando por cima. Beijou-a de maneira terna e carinhosa

–Eu te amo.- Lílian sussurrou de volta deixando-se levar. Não ligaram se as pessoas saberiam o que estavam fazendo ali. Precisavam estar perto um do outro de qualquer jeito. Lílian tinha duas horas antes de sair, mas James não pensava em liberá-la tão cedo, não depois de quatro meses ansiando por ela. Sua ruiva era tão carinhosa e cuidadosa com ele que o rapaz quase chorou tamanha satisfação ao estar com ela e o melhor dentro dela.

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Mellani bateu na porta do quarto e ouviu a voz abafada de Lílian pedir que entrasse. A loira sentiu um dejavú ao ver a amiga parada na frente do espelho se olhando completamente tensa. A grande diferença é que a ansiedade da ruiva era regada por uma alegria que transbordava por todo o ambiente contaminando as pessoas. Mellani sorriu e fechou a porta atrás de si

–Você está... Está... James vai ter um treco quando te ver assim, tão incrível.

–Você acha?

–Claro. E toda noiva deve estar assim. É sua obrigação ficar deslumbrante.- Piscou e se aproximou da amiga. Lílian estava com um vestido no melhor estilo hippie, mas tinha sua sofisticação, afinal, era um traje de noiva. Seu cabelo preso num coque frouxo, com pontos de luz entre os fios, reluzia como gotas de orvalho. Os pés estavam descalços, do jeito que ela e James queriam que fosse.

–Gostaria de convidar mais algumas pessoas. Por exemplo, o professor Slugh. Tive um apoio dele com a morte dos meus pais... E a minha irmã.- Uma lágrima caiu e ela limpou rapidamente.- Eu queria que eles estivessem aqui.- Murmurou e abraçou a amiga- Como está la fora?

–Hum, Alice e Frank, Dorcas, Remus, Dumbledore, afinal ele quem vai casar vocês. O nosso grupo de treinamento basicamente. E seus pais devem estar aqui. Lembra o que sua mãe dizia? Sobre mundo espiritual e leis de reencarnação.

–Eu não sei se acredito nisso.

–Ela acreditava então... Ela estará lá, ela e seu pai.- Tocou o coração da amiga- De qualquer forma estão aí dentro.- Elas sorriram uma para a outra- Está na hora.- E a loira pegou o buque de cima da cama e entregou para a ruiva. – Evans Potter, finalmente hã?- Lílian riu e com as mãos trêmulas segurou as flores. – Está ansiosa?

–Sim, depois daqui eu finalmente vou...-Suspirou- Eu finalmente vou ser uma esposa e eu tenho 17 anos. Só 17.- Sussurrou- Me dá vontade de sair correndo.

–Bem, estamos numa guerra Lily, já passamos por muita coisa e têm muita gente se casando as pressas, com medo de morrer. Além do que o nome do Jay vai te dar uma proteção de inicio, para não ser tratada como sangue-ruim assim que for capturada.

–Mas o nome Potter está na lista de procurados.

–Os seqüestradores, que fazem os trabalhos ralés, não sabem disso, nós somos assunto da alta casta, esqueceu? Vão ver seu nome na lista de famílias bruxas e te levar para interrogar, se for só Evans, vão te torturar e pior. O casamento assim as pressas além de tudo é uma proteção. Você não precisa se sentir culpada, não temos mais ninguém além um do outro, embora você seja jovem já viveu coisas de mais. Um casamento... Não vai mudar tanto uma vez que vocês já moram juntos.- Lílian assentiu- Podia ter um filho com 17. Pensa.- A noiva sorriu

–Acho que é a tensão do casamento em si.

James suspirou nervoso. Estava do lado de fora de sua mais nova casa, aquela que correram para mobiliar durante todo o mês de outubro. Era uma cerimônia muito simples visto que estavam sendo caçados, mas nem por isso menos importante. A despeito do frio que novembro trazia, o lugar estava quente. O Maroto também estava decepcionado porque Peter não veio. O rapaz alegou que estava com problemas sérios na família e foi tão convincente que enganou até Mellani. O que James não sabia é que o rato não podia entrar em sua casa porque tinha uma marca negra e um dos feitiços que Dumbledore colocou sob a casa de todos os membros da Ordem foi um escudo. Escudo que impedia qualquer pessoa marcada com aquela caveira horrenda ultrapassar a barreira.

–Calma cara.- Sirius murmurou ao seu lado. Ele era o padrinho. Quem mais seria? Era o padrinho de seu casamento e seria de seu filho, caso Lílian concordasse. Suspirou andando de um lado para o outro. Todos estavam em roupas leves e meio hippies, do jeito que eles queriam. Todos bem simples. James sentiu a grama abaixo de seus pés. Era relaxante, ele adorava fazer isso em Hogwarts, andar descalço e sentir a grama nos pés. Mellani apareceu e sorriu caminhando em toda sua glória de cinco meses de gestação, andou até o altar e parou ao lado de Sirius. Os presentes sorriram para o jeito, já desajeitado, que ela ostentava.

A música suave começou a tocar, não podia ser diferente num momento deles, era Beatles, claro que era, Lílian só podia ter escolhido aquilo. Era obvio que ela entraria ao instrumental de Something, era a música dele para ela no fim das contas, sempre seria. Something, James para Lílian, sempre. Ele engoliu em seco quando a viu, ela estava linda, de um jeito único e encantador, sorrindo emocionada para ele, ambos sentindo falta das pessoas que perderam e do momento que foi roubado cruelmente de seus pais. Ela o olhou nos olhos conforme andava vagarosamente, os convidados jogavam pétalas brancas no caminho que ela passava.

Dumbledore sorria orgulhoso um pouco atrás de James. McGonagall suspirava tentando conter o choro na primeira fila, onde Alice já chorava emocionada. Lílian sorriu largamente olhando para o Maroto. Ele sorriu mostrando todos os dentes, o sorriso empolgado e infantil, o sorriso que a ruiva mais gostava. Era uma cerimônia simples e talvez por isso tão linda e emocionante.

O rapaz sentia o coração disparado. Ela era a visão mais linda que tinha a oportunidade de ver. A emoção por ver sua garota tão bela e tão feliz por sua causa era arrebatador. As lembranças passavam por sua mente, enquanto ela se aproximava em toda sua glória, com um sorriso amoroso no rosto, olhando-o emocionada como se ele fosse à visão mais bela que ela tinha. Ele suspirou e as lágrimas de alegria vieram com força. Ele levou a mão à boca e sorriu enquanto o pranto rolava. Murmurou um “linda” conforme ela se aproximava. Ela sorriu bobamente e quando chegou perto ele esticou a mão segurando a dela com emoção. Ficaram se olhando com encantamento e viraram para Dumbledore. O homem tinha um sorriso largo no rosto

–Boa tarde a todos. Com toda alegria e humildade eu agradeço a oportunidade de unir em matrimonio sincero esses jovens, que cresceram sob meus olhos atentos.- Piscou para o casal e eles sorriam. A música continuou só que mais baixa. Era tão bonito vê-los juntos que ninguém tinha dúvidas, foram feitos um para o outro- Mesmo com todas as confusões e desencontros.- Eles sorriram novamente- O amor sincero os uniu. E com muito gosto eu os desejo os mais sinceros votos de felicidade. Agora, a parte chata.- Piscou um olho de maneira divertida e começou a falar as palavras que tornavam o casamento oficial- Antes de terminar, se quiserem, podem recitar seus votos.- O casal virou, ficando de frente um para o outro. James suspirou e pegou a aliança

–Lílian Evans, Lily, Lil’s.- Ele estava com a voz embalada pelo choro- Ruiva.- Piscou- Essa aliança...- Deslizou pelo dedo dela- É apenas um simbolismo do que eu realmente sinto por você... Eu... Eu não escrevi nada porque nem na nossa formatura eu fiz isso.- Todos riram- Mas... Quando eu te conheci eu não tinha noção do quanto você era incrível e muito menos do quanto você mexia comigo. Então eu... Eu te irritei pra valer não é?- Ela assentiu, sorrindo entre o choro emocionado- Mas eu... Você é incrível e... Eu te amo, pra valer.- Ele bufou- Nossa isso foi uma droga.

–Acho que você está muito emocionado para improvisar como na formatura.- Todos riram- Deixa isso comigo.- Mellani entregou a ruiva um papel e ela olhou rapidamente- James, eu acredito que o destino tem sua maneira curiosa de fazer as coisas funcionarem. Eu sempre sentia algo me levando diretamente a você. Mesmo quando eu não queria. Sempre estava nos mesmos lugares que você e enfiada em situações ridículas por sua causa.- Riram- E eu comecei a notar os sinais, aquele que dizem entre sussurros que existe algo grandioso na nossa frente. Eu descobri que os sussurros falavam de você.- Sorriu deixando as lágrimas rolarem livremente- E embora muita gente tenha desacreditado, inclusive eu...-Suspirou- Hoje, ao ver o quanto ficamos unidos com o passar do tempo, ao reparar no quanto conhecemos um ao outro... Eu tenho certeza, não terei isso com mais ninguém. Como eu posso te deixar escapar quando te amo tanto?- Lílian poderia ter falado sobre os momentos em que ele esteve ao seu lado, mas ela não queria lembrar da morte dos pais, de ambos, e nem de suas brigas com a irmã. Tudo ainda era muito recente e o momento feliz não merecia ser quebrado- Por isso com essa aliança.- Deslizou o anel pelo dedo dele. As mãos da ruiva estavam visivelmente tremulas ao fazer isso- Eu o torno, com a maior felicidade da minha vida, o meu marido. –O rapaz sorriu e com o coração cheio de felicidade segurou o rosto da garota com ambas as mãos e a beijou carinhosamente, colocando todo o seu amor naquele gesto.

As pessoas suspiraram ao redor. James sentiu o corpo formigar, de um jeito que nunca sentiu antes, o mesmo aconteciam com a ruiva. A comoção do publico foi geral ao ver um laço voluntario envolve-los sem que Dumbledore invocasse com um feitiço. Era uma ligação espontânea. Sirius e Mellani tinham se unido num laço, mas ele foi invocado pelo juiz do Ministério. Mas assim, igual a James e Lílian, de maneira espontânea, apenas por se tocarem, era a coisa mais rara que as pessoas presenciavam, aquele jogo de luzes unindo suas almas em uma novamente.

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Dorcas sorriu observando James e Lílian tendo sua primeira dança como marido e mulher. Eles pareciam presos num mundo só deles, com os rostos colados e movimentos lentos. Eram o casal mais apaixonado que ela conhecia e faziam um par lindo. Logo outros casais juntaram-se a eles e a loira sorriu

–Hey.-Remus chamou esticando a mão-Não vai ficar de fora.

–Eu não sei como dançar esse tal de Elvis.

–É Love me tender. Não tem que saber passos.- Piscou para ela. Dorcas aceitou a mão do rapaz com encantamento enquanto o olhava. Para ela ele era tão bonito. Sentiu a mão dele em sua cintura e a outra segurando seu pulso com carinho. Suspirou balançando ao ritmo da música. Era romântica e lenta.- Ela escolheu essa música porque foi a que os pais dançaram no casamento.

–Lily sempre disse que eles tiveram um bom casamento. Acho que ela quer a mesma sorte.- Sorriram e ele beijou-lhe perto da orelha enquanto se movimentavam

–Você está linda.- Sussurrou. Dorcas lembrou do baile de formatura, quando empolgaram-se no sofá do salão comunal e foram interrompidos por Sirius que pulou em cima deles, completamente bêbado. – Estou te arrepiando?- Murmurou provocando e fazendo círculos no meio das costas dela.

–Você sabe que sim.- Respondeu agarrando os ombros dele com mais força. Eles tinham tido uma conversa sobre aquilo uma única vez onde Remus percebeu que ela não estava preparada. Depois disso eles só ficaram sozinhos mais duas vezes e ele não foi muito para cima com medo de forçá-la, após esses momentos estavam sempre longe, cada qual em uma missão ou ronda. Segurou o queixo dela entre os dedos e olhou-a nos olhos

–Eu te amo.- Sussurrou e tomou os lábios dela para si. Dorcas suspirou entre o beijo e murmurou

–Te amo.

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Lílian gemeu de prazer ao sentir a água quentinha da banheira. Não era nem de longe grande como a do banheiro dos monitores em Hogwarts, mas estava servindo para lhe tirar a tensão do dia. Tinha deixado James cuidando de um Sirius muito bêbado no andar debaixo e subiu para relaxar. Ela sorriu ao pensar que no quarto ano jamais imaginou estar casada com James Potter, muito menos ansiosa para que ele subisse e se juntasse a ela na banheira. Fechou os olhos e deitou no fundo deixando a água tomar seu corpo, da cabeça aos pés. Quando o ar faltou levantou e passou a mão lentamente pelos cabelos jogando-os para trás. Ouviu a porta abrir e fechar e sorriu

–Você demorou senhor Potter.

–Sirius não conseguia lembrar onde aparatar e Mellani não pode fazer isso sozinha por causa do bebê. Ele queria ir para a nova casa deles, era pra ser uma surpresa, mas acabou capotando no sofá. Mellani ficou irritada e foi pra Camila.

–Então... Nós vamos transar quando seu amigo está no andar debaixo?- James deu e ombros

–Ele é seu amigo também.-Ele finalmente entrou no campo de visão da ruiva, apenas de roupa intima. Ela o comeu com os olhos- E está tão desmaiado que só acorda com um feitiço reanimador e olhe lá.- Lílian sorriu de canto e esticou a mão

–Vem aqui. Quero tomar o primeiro banho com o meu marido.- Ele sorriu apaixonado

–E cabemos os dois?

–Hum, isso é um problema, acho que podemos dar um jeito se ficarmos bem perto.- Ele retirou a peça intima e entrou na banheira. Olhou-a com ansiedade e a puxou para si. Lílian se viu no colo do rapaz em menos de dois segundos e sorriu enquanto circundava o pescoço dele. James inclinou-se para frente beijando-lhe os lábios de um jeito travesso e se afastando quando ela tentava aprofundar o carinho.- Hey, está me provocando senhor Potter?

–Eu estou tentando ser um pouco difícil senhora Potter, afinal sou sempre tão facinho para você.- Ela encostou a testa na dele e o olhou nos olhos. Os sorrisos que lançavam um ao outro era a felicidade pura. Lílian inclinou-se sugando os lábios dele e o rapaz foi para trás rindo entre o gesto de carinho, ela soltou um risinho e puxou-o com força pela nuca finalmente tendo a boca apetitosa por inteiro. James gemeu ao sentir a língua da garota explorar sua boca de maneira enlouquecedora e sem resistir pressionou as costas nuas com as duas mãos. O movimento fez os seios molhados apertarem contra seu peito e ele intensificou o beijo tamanho desejo que sentiu.

Lílian suspirou ao sentir os lábios do Maroto descer por seu pescoço. Ele fez um movimento forçando-a a inclinar para trás e mergulhou o rosto entre os seios. A ruiva adorava as sensações que ele lhe proporcionava ao dar atenção aquele local. Ela arrepiava e sentia uma parte muito intima de si praticamente pegar fogo de tão quente que ficava. Sentia os dentes dele roçar na pele e logo após a língua brincar de maneira faminta com os mamilos. Nessa altura ela já estava louca por ele, sentindo uma parte muito rígida do rapaz encostar contra sua pele. A garota suspirou e ajeitou-se levando a mão para dentro da água e tocando-o firmemente. James jogou a cabeça para trás e abriu a boca num gemido mudo. Lílian iniciou movimentos enquanto observava o rosto do rapaz. Suspirou com desejo ao ver o quanto ele era, na opinião dela, lindo. Ela o apertou mais e quase gemeu ao vê-lo soltar uma exclamação de prazer. A ruiva sentia-se incrível por proporcionar aquelas sensações a ele. Além de ficar mais e mais excitada, a imagem de James era a perdição para ela. Os cabelos tão bagunçados quanto podiam estar, os lábios inchados e rosados devido aos beijos, os ombros salpicados de água e o jeito que ele respondia a suas caricias. Tudo tão intenso que ela estava quase se satisfazendo apenas por olhá-lo.

James sentia a conhecida pressão em seu baixo ventre e inclinava o corpo para cima querendo mais das mãos dela em si. O corpo mandava sensações deliciosas e a pressão era muita. Ele gemeu frustrado quando ela o largou a própria sorte. Abriu os olhos, confuso, e logo depois sentiu a mão dela novamente, mas dessa vez direcionando-o para ela. O rapaz não aguentou e gemeu de maneira alta e lenta quando foi lentamente preenchido, do topo a base. Fechou os olhos com força e controlou a respiração enquanto sentia sua ruiva por dentro. Ela puxou-o pelos cabelos com força e o rapaz arfou.

–Às vezes eu odeio esses óculos.- Ela murmurou retirando-os.

–Eu quero te ver direito.- Reclamou num gemido. A ruiva inclinou a cabeça até os lábios tocarem a orelha dele e murmurou

–Você só vai sentir.- E após essa sentença moveu-se contra ele. James a abraçou com força e deitou o rosto em seu pescoço enquanto uma mão subia, agarrando os fios ruivos com vontade. Os gemidos dela começaram a preencher o recinto conforme os movimentos aumentavam. Era um tal de para frente e depois para trás, com o toque ousado para cima, que aumentava mais e mais a pressão em seu corpo jovem. Ele, até então passivo aos movimentos dela, desceu as mãos aos quadris macios da esposa e agarrou com força, olhava em direção ao rosto dela, sem realmente ver os olhos verdes que tanto adorava. Apertou a visão tentando vê-la, mas não conseguiu. Agarrou com mais força os quadris da ruiva e ditou movimentos que o enlouqueciam.

A resposta dela não podia ser mais favorável, gemidos quase chorosos de prazer, sussurrando o nome dele com uma necessidade primitiva. A forçou a aumentar os movimentos, puxando-a para baixo com um pouco de selvageria. Agora não podia parar, sentia que ela o pressionava e logo ele chegaria. Subitamente ela agarrou suas costas, soltando um gritinho quase sem ar. James mordeu o lábio ao ouvir esse som, para ele, enlouquecedor. Ela amoleceu contra ele e sem parar ele continuou os movimentos por alguns segundos até que finalmente liberou toda aquela pressão dentro dela. Ao chegar no limite fechou os olhos com tanta força que luzes pipocaram em sua escuridão. Ele abriu os olhos, completamente embebido em prazer e suspirou. Sua ruiva ainda estava deitada em seu ombro. Ele sorriu beijando-lhe carinhosamente o ombro

–Isso foi... Foi tão bom.- A voz dela soou fraca e rouca

–Obrigado.

–Eu tive parte ok?- Ele riu e movimentou-se fazendo-a se afastar. Ela sorriu olhando-o e devolveu-lhe os óculos. Ao vê-la direito, com o rosto rosado e os olhos brilhando ele sorriu emocionado

–Minha mulher.- Sussurrou e logo em seguida mordeu-lhe o lábio inferior- Minha, minha.- Ela sorriu entre os carinhos. O amava quase como a si mesma, aquilo a assustava, mas a deixava extremamente feliz.

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Sirius acordou com uma forte dor de cabeça e abriu apenas um olho. Estava na casa de James e Lílian, passou a noite lá e sentiu-se mal por atrapalhar o casal. Piscou confuso e sentou

–Hey bagunceiro.- Ouviu a voz de Lílian de um canto e levantou. Podia ver a cozinha dali. Levantou meio tonto e andou até lá- Café?- A boca dele estava amarga

–Eu, eu sinto muito, de verdade. Não queria atrapalhar.

–Não atrapalhou.- Foi aí que ele viu James sentado, comendo um pedaço do bolo de casamento. O amigo tinha um sorriso radiante no rosto e pelo jeito animado de Lílian eles tinham tido uma ótima noite.

–Que horas são?- James apontou para o relógio na parede. Sirius sentiu o estomago gelar. Passava das duas da tarde.

–Nossa, nós temos até um relógio na parede.- Lílian murmurou empolgada. Sirius aceitou a xícara de café

–A Mel dormiu aqui?

–Não. Ela se irritou com você e foi pra Camila.

–O que eu fiz?

–Sei lá, quando eu cheguei ela estava indo e não disse nada.- James respondeu. Sirius franziu o cenho.

–Não eram esses os planos.-Parecia bem preocupado- Mas, cara o que tinha naquele vinho?

–Devíamos te deixar com ressaca mais vezes.- Lílian debochou- Fala tão baixinho, tão calminho.

–Eu vou... Tchau. Transem bastante. Façam um primo para minha menininha.- James riu e o Black saiu pela porta dos fundos.

–Dá pra acreditar? Esse crianção sendo pai.- A ruiva pontuou risonha. James a puxou para o colo

–Hum, é, se você está casada comigo, porque ele não pode ser pai?- Lílian riu e puxou o rapaz para um beijo caloroso. James achou uma boa ideia testar a resistência da mesa.

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–Mel?- Sirius entrou pela cozinha de Camila e a viu almoçando. Ela e Dorcas conversavam algo. Ele não cansava de vê-la, tão linda estava em sua gravidez. Era muito estranho admirá-la ainda mais por isso.- Dormiu bem?- Ela levantou o dedo do meio para ele e o rapaz arqueou a sobrancelha- Olha, eu não...

–Você me chamou de gorda! Se eu estou gorda a culpa é sua!-Levantou com a varinha em punho- Eu fiquei quase três meses vomitando tudo que eu comia e mais dois meses engordando sem parar e carregando esse peso. Tudo por sua culpa!- Arfou com raiva- Meus seios estão tão inchados que podem explodir, minhas pernas doem e a água machuca meus mamilos. Eu não posso dormir de bruços que é a minha posição favorita. O banheiro virou meu segundo lugar para se estar durante o dia de tanto xixi que faço, eu estou me sentindo a pessoa mais horrível do mundo! Sinto dores nos pés, estou numa montanha russa emocional! Não fumo ou bebo a cinco meses, o que pra mim, que estava sempre com um cigarro é horrível. E você me vira com a maior cara de bêbado do mundo, com um maldito cigarro na boca e diz que não vai transar comigo porque eu posso explodir? Qual o seu maldito problema? Eu nem estava pedindo pra transar com você se quer saber. Mesmo que esteja com hormônios até a tampa do cérebro. Você é um babaca insensível e francamente, eu não sei por que esperava algo diferente de alguém feito você.- Sirius bufou e segurou o braço dela

–Vamos para casa.

–Casa? Não temos casa, se você não percebeu. — Ele começou a arrastá-la até a porta e algumas pessoas os olhavam

–Ontem eu estava te preparando uma surpresa. Queria te levar pra nossa casa. Meu tio Alphard me ajudou a comprar, é em Oxford e... Eu não te chamei de gorda e sim estou com medo de machucar a neném caso a gente faça sexo ok?- Murmurou finalmente saindo no jardim- Mellani revirou os olhos- Além do que nem tivemos oportunidade esse mês. Satisfeita?

–Você falou sério sobre a casa?- Ele assentiu parecendo uma criança ansiosa ao fazê-lo.

–Eu vou fazer as malas.- Anunciou e ele finalmente soltou o braço dela. Respirou longamente e se jogou na grama gelada. Cerca de meia hora depois, ela voltou flutuando o malão a sua frente. Ele engoliu em seco ao ver os seios dela balançarem contra o tecido da camisa. Sentiu a garganta fechar em desejo. Era uma coisa estranha que sentia. Algo primitivo e quase animal, ao saber que ela carregava um filho seu, que aquela mudança era por sua causa, lhe deixava mais sedento por ela.

Notas finais
N/A: Hum, se você chegou até aqui, não custa comentar né? Não vai cair seus dedinhos deixar a escritora feliz. Esse cap é basicamente sobre os traumas da guerra, mas aqueles que resultam em coisas boas. Podemos ver Sirius e Mellani deixando-se envolver mais, e Jily mais maduros. Gostaria de salientar, para quem não pegou a ideia, que a fic se pasa nos anos 70 e naquela época era muito comum se casar após terminar os estudos. Enquanto hoje em dia é estranho ver gente se casando antes dos 23, até o inicio dos anos 90 era estranho você chegar aos 22 sem querer casar com seu namorado. Ou um casal jovem demorar para ter filhos. A coisa funcionava diferente na época dos nossos Marotos, principalmente com uma guerra acontecendo. Como naquela época o papel assinado tinha mais valor que hoje imagino que, no caso de uma guerra, as pessoas se casariam as pressas com medo de morrer. Então, super válido pessoas muito jovens se casando e formando família NOS ANOS 70! Não fique triste se você chegar aos 21 solteira. A vida começa quando você termina a faculdade ;) Brincadeiras a parte. Espero que tenham gostado do capitulo. Voltei de férias da faculdade então não consegui postar o capitulo duplo, masssss vou dar um tempinho para vocês apreciarem o casamento mais fofo do século. Beijos até a próxima.