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16 The Wedding Part. 1 || Felicity


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Estão ouvindo os sinos? It's wedding day, people!! Um dos momentos mais esperados da história começou, espero que gostem!! Não vou enrolar muito aqui, podem ir direto ao capítulo. Até as notas finais!! Bjs*

#10 horas antes do casamento

Quando meu despertador anunciou a chegada das sete da manhã, resolvi levantar. Mesmo tentando, não tinha dormido mais do que duas horas inteiras noite passada, ansiosa com o casamento, e agora finalmente estava na hora de levantar. Havia chegado o grande dia!

Mandei mensagem para Oliver e Caitlin e fui saltitando tomar meu banho. Minha cabeça estava um misto de animação e preocupação.

Animada por ver todos os meus amigos e família juntos, meu casamento tão detalhadamente planejado se concretizar, além da ideia de passar o resto da vida com Oliver, que sem dúvida alguma era o amor da minha vida. E preocupada com tudo que poderia dar errado na cerimônia e tudo mais. Cait me obrigou a relaxar, dizendo que tomaria de conta de tudo no meu dia especial. Eu confiava nela, mas minha mania de controle não me deixava relaxar completamente.

Quando saí do banho, os dois haviam me respondido. Minha amiga e dama de honra avisava que logo estaria aqui, mas a mensagem que acelerou minha pulsação foi a de Oliver.

"Bom dia, babe. Bem-vinda ao melhor dia das nossas vidas. Te amo."

Sempre com as palavras certas, perfeito e irritante. Eu sentia o amor em cada uma de suas declarações, mas também havia uma pressão enorme de fazer daquele dia o "melhor". Se algo desse errado, seria culpa minha, eu havia o induzido a todas as decisões referentes à cerimônia.

Não, Felicity, não vá por esse caminho agora, você irá surtar! Melhor tomar um calmante logo. Quando Cait chegou, o comprimido já estava fazendo efeito e eu estava um pouco (apenas um pouco) menos pilhada.

― Ótimo, acho que é só isso por agora ― declarou depois da nossa revisão de mais de duas horas, fechando o fichário e colocando na bolsa. ― Hora de pôr a mão na massa.

― Amiga, pelo amor de Deus, não deixa de me informar sobre como as coisas estão indo e se algo der errado. ― A segui em direção à saída. ― Tudo já começou a dar errado quando mamãe avisou que não vai poder vir ajudar e só vai conseguir chegar em cima da hora da cerimônia. Não queria te deixar sozinha com tudo nas mãos ― murmurei.

― Sua mãe não poder ajudar me ajuda, Lissy. ― Me deu um beijo de despedida no rosto. ― As pessoas do cabelo e maquiagem chegam daqui a dez minutos, já confirmei com eles. Tome uma taça de vinho e relaxe, eu tomo conta de tudo, mais tarde passo pra te ver ― orientou, acenando um tchauzinho de despedida.

― Não esquece de ver se mandaram as flores certas da decoração! E o meu bolo, em nome de tudo que é mais sagrado, meu bolo!

― Tchau, doida. ― Pedir que minha amiga me levasse mais a sério seria muito?

Como ela disse, logo meus preparadores para o cabelo e maquiagem chegaram. Escolhi um coque simples, com florzinhas de metal que combinavam com o corpete do meu vestido o adornando. Na maquiagem optei por algo mais básico em tons terrosos nos olhos e rosa claro na boca. Estava diferente e mais elaborado do que usava no dia a dia, mas ainda podia me ver por trás de todo o reboco.

Depois das unhas prontas, eles foram embora, e me sentei com meu robe no sofá da sala, já entediada. Talvez eu tivesse me apressado demais e estava pronta com muita antecedência, chocando ninguém, na verdade.

Pedi comida japonesa para o almoço e tive que resistir à tentação de ligar para Oliver. Só faziam umas doze horas que estávamos longe um do outro e eu já morria de saudades. Mas tradição é tradição, e eu resolvi ainda criança cumprir todas, não queria azar no meu dia especial.

Aproveitei para enfileirar meus itens obrigatórios na mesa. Algo emprestado e velho, um broche vintage da mamãe, que ficaria na cintura do vestido, e fiz questão que ela enviasse de Vegas bem antes. Algo azul, uma pulseirinha discreta que eu mesma já tinha e amava, já que Oliver me deu ela quando fizemos um ano de namoro. Algo novo, brincos chiques, presentes de Thea.

Meus pensamentos sobre os itens foram interrompidos quando a campainha que anunciava a chegada do meu almoço tocou. Pelo menos eu esperava que comida e mais um pouco de vinho me distraísse por alguns minutos.

― Boa tarde, eu vou só pegar minha carteira, e… ― Abri a porta para o entregador e já me virei para o aparador em busca do dinheiro.

― Uau! ― Não foi a exclamativa que me fez olhar, mas a voz de quem falava.

― Oliver, por que tocou a campainha? ― questionei com o cenho franzido, mesmo que um sorriso ainda quisesse escapar só de vê-lo.

― Caitlin pegou minhas chaves hoje mais cedo, ela tinha certeza que eu furaria o bloqueio. Deus, você está incrível! Não que não seja sempre, mas hoje… ― Fez um gesto amplo com a palma na minha direção. Espera, hoje!

― Oliver! ― Arregalei os olhos quando me dei conta, fechando a porta em seguida, errando sua cara por milímetros. ― Você não deveria estar aqui, não pode me ver hoje até a hora de cerimônia. Pronto, está tudo arruinado!

Fica calma, babe, não é nada de mais, só superstição.

― Só superstição?! ― gritei. ― Nosso casamento já era, eu queria tanto me casar com você, a gente planejou tudo tão direitinho, até os centros de mesa. Você lembra como os centros de mesa eram lindos? É o fim! ― Apoiei minha testa contra a porta, suspirando pesado e me controlando para não chorar e acabar com a maquiagem.

Amorzinho, vai ficar tudo bem. ― Sua voz tentava me tranquilizar do outro lado da porta. ― Olha tudo que a gente já passou juntos, não serão os dez segundos que olhei para você que vão estragar. Somos mais fortes que isso.

― Somos mais fortes que isso ― repeti mais para mim mesma do que para ele.

Isso, nós somos ― concordou. ― Agora me deixa entrar, Tommy esqueceu as alianças aí dentro noite passada.

― Ele o quê? ― Sabia que aquele padrinho ainda ia nos meter em problemas. ― Olha aí, peixinho, já começou a dar tudo errado!

Nada está dando errado, okay? Eu pego as alianças e vou embora.

― Tá, mas você não vai poder olhar pra mim ― impus a condição depois de ponderar rapidamente, já que não sabia onde Oliver havia guardado as alianças. ― Eu tive uma ideia. Fecha os olhos, eu vou abrir a porta. ― Esperei alguns segundos. ― Já fechou?

Já, Felicity. ― Quando abri a porta, ele não havia fechado coisa nenhuma. E mesmo que amasse aqueles olhos azuis, não queria vê-los de jeito nenhum naquelas circunstâncias. ― Muito linda.

― Droga, Oliver! ― O virei para ficar de costas para mim, então usei a faixa do meu robe para vendá-lo, então o puxar para dentro.

― É errado isso me deixar excitado? Eu vendado, você só de lingerie, a casa só pra gente, o dia do nosso casamento. Estou tendo ideias…

― Pois as cancele. ― Fugi do alcance com uma risada quando suas mãos, tentaram me agarrar. ― Se ver a noiva no dia do casamento dá azar, sexo vai trazer uma maldição sobre todos nós.

― Que exagero, babe, vem cá! ― Veio na direção da minha voz, como no jogo da cabra cega.

― Nada disso. ― Escapei novamente. ― Pegue o que quer e vá embora.

― Okay, você vai ter que me pagar essa ― resmungou. ― E um detalhe, as alianças estão no quarto, não vou chegar lá sozinho se não me deixar tirar a venda ou me guiar até lá.

― Tá bom, mas sem gracinhas, e nada de entrar no banheiro, meu vestido está lá. ― Fiquei à sua frente e de costas para ele, levando suas mãos aos meus ombros. Oliver não perdeu a oportunidade de me dar um beijo no pescoço. ― Eu disse sem gracinhas, seu safado. ― Estapeei seu braço.

― Agora a culpa é minha se você cheira tão bem?

― Cala a boca.

Quando chegamos na porta do nosso quarto, ele entrou e eu fiquei no corredor esperando. Não demorou nem um minuto e ele já estava de volta usando a venda como lhe pedi.

― Tá na mão, casamento de volta aos eixos. ― Me mostrou a caixinha preta. ― Tem certeza que não quer aproveitar, ainda temos tempo até a cerimônia. Caitlin está cuidando de tudo, prometo não te descabelar. Muito. ― Sorriu safado, e eu rolei olhos, mesmo a ideia sendo bem tentadora. Coloquei suas mãos em meus ombros de novo e o guiei para baixo.

― É por essa e outras que você tem que ir. Quando estiver lá fora, passa a faixa do meu robe pelo negócio das cartas.

― Só mais uma coisa… ― Oliver me girou para ficar em frente a ele, se inclinando para me roubar um beijo.

É, eu poderia estar ferrando com o meu casamento naquele momento, mas não resisti à falta que seus lábios já faziam e retribuí. Qual é, Universo, você não seria tão mau de punir um casal tão fofo, seria?

― Tá bom, agora sai daqui, nos vemos em cinco horas e meia! ― O empurrei para fora e fechei a porta. ― Devolve minha faixa!

Ela é minha agora. Até daqui a cinco horas e meia!

~

― Caitlin Joanne Snow, eu juro por Deus que se você não me retornar em dois minutos eu vou pro salão de festas! Se meu casamento está arruinado, você precisa me contar! ― gritei para a caixa de mensagens da minha amiga, desligando em seguida. Droga, não devia ter gritado, nunca funciona com ela. Tornei a ligar. ― Amiga, minha melhor amiga do mundo inteiro, a mais linda e perfeita de todas. Eu sei que você deve estar ocupada, mas entenda que se não me der alguma notícia, eu vou ter um infarto e não vai ter mais casamento. Me liga.

Eu andava de um lado a outro na minha casa, à beira de um surto. Desde que Oliver saiu da minha casa, todo mundo havia sumido, quem me atendia não sabia de nada sobre o que estava acontecendo, e quem deveria saber, não se dava ao trabalho de apertar a porra de um botão e me dar respostas.

Eu já havia conferido cada uma das pequenas flores do bordado do corpete ombro a ombro, assim como a longa e fluida saia do meu vestido de noiva mais de dez vezes, arrumado a casa, rearrumado meu penteado que bagunçou quando estava fazendo faxina, tentado ver pelo menos quatro séries, mas nada me distraia do fato de que o hotel onde seria a cerimônia estava em chamas e ninguém teve coragem de me contar.

Faltavam pouco mais de duas horas para o horário marcado quando recebi uma mensagem dela, me pedindo para abrir a porta da frente. Quase caí da escada ao descer correndo, mas em segundos estava lá.

― O hotel pegou fogo, não foi? ― questionei logo que abri a porta. Ela franziu as sobrancelhas, estranhado minha pergunta.

― Claro que não, quem te disse isso? ― Passou por mim, indo direto para o armário da sala em busca de algo.

― E por que você não me atendeu, então, tá tentando me deixar maluca? ― gritei.

― Estava ocupada, Lissy. ― Deu de ombros, não dando muita importância à minha preocupação, se agachando para continuar procurando nas prateleiras mais de baixo. ― Onde está o seu primeiro fichário da organização do casamento?

― Pra que você precisa dele? Oh meu Deus, o que deu errado? Foi porque Oliver veio aqui, não foi? Eu sabia que não devia ter deixado ele entrar! Droga, meu casamento já era, eu queria tanto casar!

― Oliver veio aqui? ― Girou para me olhar.

― Sim, Tommy esqueceu as alianças noite passada.

― Claro que esqueceu, mais uma mentira pra cota de hoje daquele cara de pau.

― Você falou com o Tommy hoje? E com o Oliver? Aliás, você já não deveria estar no salão de beleza com as outras madrinhas a essa hora?

― Amiga, é sério, preciso do fichário. ― Se antes ela tentava disfarçar o nervosismo, agora ele ficou mais do que óbvio para mim. Tinha algo de muito errado acontecendo.

― Caitlin, já conseguiu os telefones das outras confeitarias? ― Cait arregalou os olhos no susto, e quando me virei para a porta, Tommy estava lá. ― Ah, hey, Felicity! O que tem feito? ― tentou me enrolar com um sorriso falso e a pergunta idiota.

― Pra que vocês precisam de números de outras confeitarias?

― Eu não te mandei esperar no carro, criatura? ― murmurou entredentes, ignorando propositalmente minha pergunta.

― Você estava demorando, pensei que estávamos com pressa ― justificou com um dar de ombros. ― Então, achou?

― Eu só vou repetir essa vez antes de partir pra ignorância ― ameacei. ― Pra que precisam de números de outras confeitarias? Meu bolo está bem?

― Seu bolo? Acho uma falta de consideração você perguntar sobre uma coisa antes de querer se eu estou bem. ― Tommy riu nervoso, passando a mão pelos cabelos, foi quando minha atenção foi atraída para lá.

― Isso é glacê no seu cabelo?

― Não, claro que não. ― Cait me contornou e correu até ele, pegando um boné que Oliver deixou jogado no aparador e colocando na cabeça do moreno.

― Eu não sou burra, Caitlin!

― É pasta de dentes, você sabe como ele consegue ser desastrado, não é Thomas? ― O encarou suplicando por apoio.

― Eu sou um desastrado ― confirmou a contragosto. Se eles fossem atores, morreriam de fome.

Caí sentada no sofá com as mãos no rosto, a ponto de chorar. Já era casamento!

― Me espera no carro. ― Depois da ordem dela, só ouvi a porta bater. ― Amiga…

― Não enrola, pode dizer. Arranca logo esse curativo, não vai mais ter casamento.

― Claro que vai ter casamento, Lissy ― falou com calma enquanto segurava minhas mãos, chamando minha atenção para seu rosto. ― E vai ser a cerimônia mais linda de todas, eu prometo.

― Então o que é tudo isso? Você e Tommy juntos, as ligações recusadas, a necessidade do fichário, você ainda não estar pronta.

― Precisava de alguém que dirigisse pra mim, eu estava muito ocupada com os últimos detalhes, só preciso de sim telefone pra mandar mais doces pra lá, já que Thomas e as crianças comeram alguns durante o ensaio, e estou indo para o salão de beleza depois daqui. Pronto, tudo explicadinho.

― Nada explicadinho ― a contradisse. ― E o glacê…

― Felicity, você precisa ficar calma, ou vai ter um infarto, aí sim, casamento cancelado.

― Eu falei isso na minha última ligação. ― Estreitei meus olhos para ela. ― Então você estava escutando elas e me ignorando de propósito? ― Ela bufou, soltando minhas mãos.

― Que mulher teimosa! ― esbravejou, ficando em pé. ― Seguinte, respira fundo que vou te fazer um chá relaxante ― determinou indo até minha cozinha, não me dando espaço para argumentos.

Não demorou muito e ela já voltava para a sala com uma xícara fumegante em mãos, me entregando.

― Vai, toma tudinho, você vai se sentir melhor.

― Eu não quero me sentir melhor, quero resolver as coisas.

― Elas estarão resolvidas quando você tomar tudo. Rápido, tenho mais o que fazer do que ficar aqui sendo sua babá.

― Delicada ― falei com sarcasmo, bebendo um gole. ― Isso aqui tá com gosto estranho.

― Não é pra ser gostoso, é pra ser relaxante. E onde diabos está o maldito fichário?

― Rude ― a recriminei, terminando todo o conteúdo a xícara. ― Está no closet, eu pego pra você. ― Quando coloquei o pé no primeiro degrau da escada, senti o mundo girar lentamente. ― Bateu uma tontura agora. ― Levei a mão à testa, recebendo o apoio da minha amiga para chegar até o cômodo

― Deve ser de estresse. Se você conseguir alguns minutos de sono vai ver que estará bem melhor depois.

― Boa sorte com isso. Nem o calmante e o vinho que tomei mais cedo conseguiram fazer com que eu sentisse pelo menos um pouquinho de sono.

― Espera. Você já tomou um calmante hoje?

― Só um, mas nem fez efeito. ― Dei de ombros, sentando na cama, e contrariando o que havia acabado de dizer, comecei a sentir meus olhos pensando. Que chá poderoso era aquele?!

― Okay, okay, vai ficar tudo bem, Caitlin! Um problema de cada vez ― ela murmurava consigo mesma, andando pelo quarto. ― Vai ficar tudo bem!

Nem vi quando ela saiu, pois logo já abraçava meu travesseiro deixando que o sono me levasse. Minha amiga estava certa, um cochilo não faria mal.

~

Porque ela não acorda? ― a voz conhecida de Kara estava distante como em um sonho.

A culpa é da aviãozinho aqui. Sabia que eu posso te prender por isso? ― Sara.

Não seria a primeira a me ameaçar por isso hoje ― Caitlin rebateu.

Deixa a menina em paz, Sara, coitada ― era Thea falando.

Pronto, cheguei. Várias garrafas de energético e algumas doses sobrecarregadas de café expresso. Levanta até defunto!

Agora Curtis também estava por ali e eu só conseguia pensar em como não havia o mínimo sentido naquelas palavras.

Mas pra isso minha cunhadinha precisa acordar primeiro.

― Já sei! Alguém me dá um balde de água e algumas pedras de gelo.

― Ficou maluca, Sara? Vai estragar o cabelo e a maquiagem!

― E qual sua solução, gênio?

― Olha, ela está acordando, graças a Deus. ― Uma luz mais forte foi tomando conta da minha visão, então senti o toque em minha mão. ― Amiga, abre os olhos. ― Caitlin falava para mim, e seu perfume estava perto o bastante para saber que era ela a segurar minha mão.

― Acho que dormi um pouco demais. ― Me forcei a abrir os olhos, para encontrar cinco cabeças sobre mim. ― O que tá rolando aqui? Vocês estão lindos! ― Sorri bobamente para minhas quatro madrinhas e padrinho, passando meu indicador por seus narizes. Elas usavam vestidos iguais em tons bordô e Curtis um smoking.

― Pelo menos está viva.

― Mas não completamente ― Sara dava tapinhas nada delicados em meu rosto. ― Sem condições de ter casamento.

Eu sinto que essa frase devia me irritar ou preocupar de algum modo, mas eu continuava a rir como uma idiota enquanto me ajudavam a sentar na cama.

― Novo plano ― Caitlin saltou do lugar ao meu lado na cama e começou a andar por meu quarto. Por que ela estava nervosa mesmo? ― Esse penteado já era. Só vamos refazer, dar uma correção na maquiagem, colocar o vestido e correr para o salão de festas. O resto vamos resolvendo no caminho.

Na minha cabeça, não demorou muito para acontecer, apesar de tudo estar meio em câmera lenta. Eu pisquei e Kara arrumou meu cabelo, desmanchando o coque para deixá-lo semi preso com uma trança. Pisquei de novo e Thea já havia arrumado minha maquiagem, e de novo, Cait já me ajudava no vestido. E entre uma coisa e outra, Curtis e Sara me faziam beber café e energético.

Quando já estávamos a caminho do local do casamento, eu já parecia quase acordada, apesar de ainda não ter meus sentidos completamente restaurados.

― Sara, pega um caminho mais longo ― Thea falou no banco da frente para a loira, que dirigia. ― Ollie está atrasado.

― Como ele pode estar atrasado? Nós já estamos com mais de uma hora de atraso!

― Como é? ― Agora eu já estava desperta o bastante para saber que tínhamos problemas. ― Como assim uma hora de atraso, eu só dormi quinze minutos!

― Você dormiu três horas, bonita. E só acordou porque a Snow começou a dar a festa do desespero no seu quarto.

― Sara! ― Caitlin repreendeu a loira, segurando minha mão. ― Relaxa, amiga, Oliver já está a caminho, nós já estamos a caminho, vai dar tudo certo.

Quando chegamos, ficamos na sala anterior à porta de entrada do altar. Havia outro local por onde os convidados podiam ir e vir, esse aqui era mais privado, onde, além da minha tropa, só estavam mais Lyla e as crianças. E mamãe, que havia chegado e não parava de dizer como eu estava linda.

― Onde está esse irresponsável? Os dois, aliás! Eu vou matar meus irmãos! ― Thea andava de um lado para outro, fazendo um barulho irritante em cima dos saltos.

― Querem saber, atualização do novo plano: todos podem entrar e ocupar seus lugares lá dentro, inclusive as crianças. Quando ele chegar, alguém vem aqui avisar, todo esse barulho não está fazendo bem à Felicity ― Cait sugeriu. ― Eu e Donna ficamos aqui com ela. ― Todos assentiram e entraram, deixando apenas nós três, quando ela sentou ao meu lado que não estava ocupado por minha mãe.

― Oliver desistiu, não foi? ― falei baixinho.

― Claro que não, filhinha, que ideia absurda.

― Então porque ele ainda não chegou? Eu sei que noivos podem ter desses surtos na véspera, vocês não assistiram o episódio do casamento da Mônica com o Chandler? ― Quando eu mais queria ser levada a sério, minha amiga começou a rir na minha cara. ― Para de rir, isso é sério!

― Ele não fugiu, okay? ― me garantiu, tentando parar de rir. ― Quer saber, vou falar com o Thomas, tenho certeza que o atraso do Oliver é culpa dele. ― Se afastou tirando o celular do bolso do casaco e digitando rápido.

Não demorou nem cinco minutos e o moreno entrava na sala, com o aparelho em mãos, já que ela não parava de ligar.

― Por que você não me atendeu? ― Ela cobrou, dando vários tapas no braço dele.

― Sai fora, garota, você não é minha mãe ou minha esposa, não tenho a menor obrigação de te atender.

― Você é um imbecil, cavalo! ― recriminou. ― E o noivo, cadê?

― No altar, claro, onde todas as ovelhas para o sacrifício costumam ficar esperan… Donna Smoak! ― Se aproximou quando a notou, pegando a mão da mamãe entre as suas e a beijando. ― É realmente um prazer te ver de novo.

― Igualmente, seu delícia!

― Agora não, vocês dois. ― Era só o que me faltava, ter que assistir aqueles flertes ridículos bem na minha frente.

Caitlin voltava da porta de entrada, talvez tenha ido avisar pra cerimonialista que já podíamos começar, pois eu já conseguia ouvir a marcha nupcial começar a tocar do lado de dentro. Ela então tirou o casaco e começou a ajustar o vestido.

― Pronto, já podemos começ… ― Tommy parou a frase no meio quando se virou para ela. Era impressão minha ou ele estava encarando o decote da minha amiga?

― O que é? ― Cait cobrou uma resposta dele.

― Nada. ― Balançou a cabeça para os lados, como se afastasse qualquer que fosse o pensamento que o atingiu. ― Melhor a gente dar a volta e ir lá pra frente.

― Espera, você está todo suado, vai ficar brilhando nas fotos. ― Caitlin pegou seu casaco e começou a enxugar a testa e rosto dele, Tommy se abaixando um pouco para ajudá-la. ― E olha essa gravata, toda torta!

― Droga, perdi o moreno gostosinho ― mamãe falou baixinho e fazendo uma careta, enquanto me ajudava a ficar de pé e arrumar a saia do vestido.

― Quê?

― Olha aquilo, ele gosta da Caitzinha. ― Olhei para os dois, Caitlin ajustava a gravata borboleta dele. ― O jeito como ele tenta não olhar para ela e acaba olhando, o claro desconforto, como se inclina na direção dela. Ele gosta dela, tipo gosta gosta.

― Não viaja, mãe, Cait mesmo me disse um dia desses que não tem nada a ver.

― Ela pode não gostar, mas ele sim. É óbvio.

― Não temos tempo para isso agora, mãe! ― Eu mesma segurei a saia do meu vestindo indo em direção à porta que dava acesso à entrada.

― Thomas, suas mãos estão verdes? ― minha amiga questionou franzindo as sobrancelhas, quando eu estava perto o bastante para ouvir os cochichos deles.

― Okay, eu não vou entrar nessa das mãos coloridas e ninguém vai dar a volta. A música já está tocando há horas, ou os dois entram por aqui ou não entram mais!

― Uau, ela sempre foi brava assim? Talvez devesse dar outro daqueles seus chás a ela. ― Essa não entendi.

― Você não precisa comentar tudo, Thomas.

Os dois deram os braços desajeitadamente enquanto murmuravam reclamações, quando as portas se abriram. Meus olhos foram direto para a frente, onde não estava o senhor Curran, o ministro contratado, e sim Diggle.

― Cadê o meu ministro? ― falei entredentes.

― Ele morreu, vamos entrar logo? ― Tommy falou simplesmente.

― O senhor Curran morreu?! ― perguntei chocada.

― Você quer matá-la aqui na porta, cara? ― Cait o estapeou mais uma vez. ― Relaxa, amiga, ele não morreu, ficou doente. Diggle vai assumir a cerimônia.

― E desde quando Dig pode casar pessoas?

― Desde hoje à tarde, de acordo com o ministeriodainternet.com, agora a gente pode entrar logo, ficar encostando na Snow me dá alergia.

― Hey!

― Tá, tá bom! ― concordei. ― Mas vocês estão nos lados trocados. Cait pra esquerda, Tommy pra direita. ― Eles trocaram de lugar e começaram a entrar.

Toda minha preocupação, estresse, ansiedade se esvaiu em segundos, tão logo pude colocar meus olhos em Oliver, sorrindo lindamente para mim do altar. Nossos amigos e família estava todos ali, animados e felizes por nós.

― Vamos, filha? ― foi quando mamãe perguntou, que percebi que estava parada no lugar, congelada com a imagem que era Oliver na lá frente.

Não lembro exatamente das palavras de Dig, foi algo em torno da importância daquela decisão nossas vidas. Teve algo espirituoso sobre lidar com as diferenças, gostar do outro pelas qualidades e amar apesar dos defeitos. Quase certeza que essa última parte eu já tinha ouvido em algum filme da Netflix, mas tudo bem.

― Entendo que vocês escreveram os próprios votos.

Eu havia escrito três páginas sem espaçamento, mas agora olhando para Oliver, e mesmo que tenha estudado meus votos parte da manhã deu um branco total. Esqueci as palavras, mas não os sentimentos, e foi sobre eles que falei, mesmo que as lágrimas quase tenham dominado minha voz em vários momentos.

― Uau, amorzinho, agora você me deixou em uma situação complicada aqui ― Oliver começou, dando um beijo em minhas mãos. ― Mas pelo lado bom, já aceitei como você consegue ser superior a mim em tantos aspectos diferentes. Vamos lá... Hoje é o dia mais estranho e feliz da minha vida. Eu lembro de quando pensava que isso nunca pudesse acontecer comigo, que apenas não fosse pra ser, até te ver naquele bar.

Sorri. As lembranças do bonito estranho me abordando com a história de que estava ali apenas incentivado pelo amigo e nem tinha interesse real de relacionamento. Corta a cena para a manhã seguinte, a gente acordando junto e não conseguindo mais ficar separado desde então.

― Felicity Smoak, você também é minha melhor amiga, a melhor parceira. Você pegou aquele cara irresponsável, bagunceiro e desleixado e transformou em alguém menos irresponsável, menos bagunceiro e menos desleixado, porque ninguém é perfeito. ― Você é perfeito pra mim, gesticulei com os lábios para ele. ― Você briga por mim, confia em mim, e todos os dias me lembra a importância que eu tenho no mundo e para você, nunca vou poder agradecer o bastante por isso. Você aceita meu jeito meio largado de ser e me ama ainda assim. Te amo também, mais que tudo.

E eu que achava que aquelas noivas que choravam como torneiras com defeito eram invenção do cinema. E que aqueles casais apressados que queria dar um beijo antes da ordem do ministro era idiotas. Agora eu me encaixava nas duas categorias.

― Te amo mais que tudo ― repeti para ele.

― As alianças…

A pequena Sara e o pequeno JJ as trouxeram para nós, que repetindo as falas decoradas e tradicionais de tosos os casamentos, colocamos em nossos anelares esquerdos.

― Bom… Pelo poder investido em mim pela cidade de Star City, eu vos declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Quando finalmente nosso beijo aconteceu, eu me sentia nas nuvens. Era melhor do que os outros de algum jeito, era o primeiro dessa nova fase que eu estava ansiosa por começar.

Notas finais
Como assim, Ellen? Acaba assim? Claro que não, gente, ainda temos mais duas partes para vir desse dia lindo. O próximo capítulo é do Oliver e vai preencher algumas dessas lacunas e continuar a contar o que aconteceu na cerimônia e recepção, então até quarta-feira. Ah, se vocês ainda não sabem (mas aposto que já estão por dentro) já começamos nosso projeto de ones de Dia dos Namorados e está lindo. Vou deixar o link aqui, daqui a pouco vou postar a minha história lá! https://fanfiction.com.br/historia/791621/Valentines_Week_Olicity_Version/ Tomara que tenham gostado dessa primeira parte, nos vemos pelos reviews. Bjs*